Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

Posts com tag “televisão

Manos e Minas: a luta continua

Na semana passada, especificamente na quinta-feira (5), foi anunciada a saída do programa Manos e Minas da programação da TV Cultura. No entanto, uma grande movimentação partiu da internet às ruas pedindo a volta de um dos únicos programas dedicados ao hip-hop no quinto maior país do mundo em extensão territorial, com mais de 190 milhões de habitantes e composto por 26 estados e um distrito federal. Mas isso tudo você já sabe.

Além do protesto no microblog Twitter, que fez o termo #salveomanoseminas permanecer entre os tópicos mais citados na tarde da quinta, foram colhidas assinaturas de pessoas contrárias a ordem de João Sayad, atual presidente da TV Cultura, na festa de aniversário da Rinha dos MC’s.

Voltando à internet, vídeos começaram a “pipocar” com falas de pessoas representativas no rap e na cultura de forma geral, como KL Jay, Edy Rock, Gilberto Dimenstein, Pedro Alex Sanches, Ganjaman, Criolo Doido e Ale Youssef, que apresentaram sua insatisfação e argumentaram sobre a importância da manutenção do Manos e Minas na TV aberta.

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Outra figura importante que “comprou” a briga foi o senador Eduardo Suplicy, que recebeu uma carta enviada por representantes do hip-hop a ser encaminhada para João Sayad. Suplicy inclusive chegou a realizar a leitura da carta no Senado, alertando a movimentação preocupante de um canal que leva a cultura em seu nome.

Em texto publicado pela agência AdNews nesta quarta (11), João Sayad mostrou sinais de contradição: “A grande questão aqui é que eu não represento o meu gosto, eu represento o que o público quer”. No entanto, suas ações mostram o contrário. Sua resposta padrão para o fim do Manos e Minas é que o novo programa de música da TV Cultura também trará o rap como um do gêneros representados.

Ainda assim, as movimentações em prol do programa continuam acontecendo. Mande seu vídeo, sua manifestação de apoio ou o serviço da sua festa em prol da volta do programa Manos e Minas à TV Cultura nos comentários do post e a gente ajuda a divulgar.

* Na noite desta quarta-feira (11), o Sarau da Cooperifa teve uma edição especial de protesto ao fim do programa Manos e Minas, nas palavras do idealizador do evento, Sérgio Vaz, “o único [programa] que não mostra as pessoas da quebrada de cabeça baixa, algemadas ou pedindo alguma coisa para apresentador de TV”.

* Em Minas Gerais, mais especificamente na cidade de Ipatinga, a Sintonia Crew realizará uma batalha de freestyle com o tema #salveomanoseminas, no Shopping do Vale, neste sábado (14), às 20h.

*Assine o abaixo assinado do site Rap Nacional em prol do Manos e Minas.

Sobre o Manos e Minas

Manos e Minas surgiu de um desdobramento do quadro “Mano a Mano”, parte do programa Metrópolis da mesma TV Cultura, e era apresentado por Rappin Hood. O formato inicial do programa contava com auditório, DJ Primo nas pick-ups, b-boys e b-girls dançando e grafiteiros convidados para pintar painéis durante a gravação.

O programa teve início em 7 de fevereiro de 2007 e contou com o sambista Jorge Aragão como primeiro convidado. Após a saída de Rappin Hood, assumiram a apresentação Thaíde, e logo depois, o MC Max BO. Manos e Minas trazia a cada edição uma banda/grupo apresentando seu trabalho, além de reportagens e quadros com nomes como Alessandro Buzo, o escritor Ferréz e mais tarde, o rapper Emicida.

Gravado no teatro Franco Zampari, ao lado do metrô Tiradentes, todas as segundas-feiras a partir das 16h, Manos e Minas era televisionado todo sábado às 19h30 na TV Cultura, com reapresentação aos sábados à 1h.

Leia também o post Manos e Minas deixa a grade da TV Cultura
Quer saber o que as pessoas acham sobre o fim do programa? Dê uma olhadinha no mural do Manos e Minas no site da TV Cultura!

Anúncios

Kamau: o guerreiro silencioso do rap

Foto de Ênio César

Foto de Ênio César

“Porque sucesso é caminhada e não a linha de chegada” por Carol Patrocinio

São 12 anos de carreira, uma mixtape solo, lançada em 2005 e o álbum “Non Ducor Duco”, de 2008, além do EP com o Consequência, em 2002, e um disco com o Simples, de 2006. Depois de aparecer como repórter do Yo! MTV Raps – “Eu nunca fui repórter do Yo! A diretora do programa na época, disse que eu podia sugerir as pautas que quisesse e até mesmo fazer parte dessas pautas. Apareci mais duas ou três vezes fora isso por falar inglês e estar por perto na hora” e fazer um freestyle em uma das edições do VMB, Kamau foi indicado para o prêmio de Rap deste ano. E aí, isso muda alguma coisa na correria?

O trabalho do rapper é divulgado do jeito que dá: “Tenho alguns amigos que tem contatos, tenho alguns contatos próprios, uso a internet pra mostrar vídeos e falar sobre o que tenho feito e às vezes sobre o que pretendo fazer. Não tenho métodos mirabolantes de divulgação. Queria ter uma eficácia melhor nesse sentido”, comenta. Mas a indicação só agrega e “muda a visibilidade e a credibilidade com alguns, dentro e fora do rap”. Se liga no papo que a gente bateu com ele.

Per Raps: Muita gente fala sobre o rapper de sucesso como alguém que se vendeu, qual a sua posição em relação a isso?
Kamau: É um pensamento meio egoísta do público, mas não acho que isso seja exatamente a “definição”. O cara que se vende é o que deixa de ser o que era pra ganhar dinheiro. Trai convicções e cai em contradição em busca de retorno estritamente financeiro. Nem todo mundo que faz sucesso se vendeu. Vai me dizer que Racionais não faz sucesso? E nem todo mundo que se vendeu faz sucesso.

Per Raps: Você acredita que a relação da mídia com o rap pode abrir ou fechar as portas?
Kamau: Os dois. Temos que ficar bem espertos em relação à mídia pois na maioria das vezes ela quer nos testar, mesmo quando acha que está ajudando o artista. Entrevistas por telefone, textos (mal) editados, matérias editadas por quem não estava presente. Essas são algumas das armadilhas em que já caímos. Mas existem alguns bem-intencionados que conseguem reproduzir o que dizemos fielmente. Aí vai do artista saber usar o espaço da melhor maneira pra si e pro que ele representa.

Per Raps: Qual a sua relação com o rap pop?
Kamau: Minha relação com a música é simples. Gosto ou não gosto. É assim com o que ouço e com o que faço. Não me apego a rótulos.

Per Raps: Na sua opinião, rap precisa passar uma mensagem ou pode ser apenas diversão?
Kamau: Muitos colocam uma grande responsabilidade no colo do rap sem perguntar se é isso que ele realmente quer. Deixem que a música seja música e absorvam o que ela oferece. Eu tento fazer o que é natural pra mim.

Per Raps: Você já foi repórter do Yo! MTV Raps e teve outras participações na MTV, inclusive fazendo um freestyle em uma das edições do VMB. Qual a sensação de participar agora como indicado a uma categoria de prêmio?
Kamau: Eu nunca fui repórter do Yo! A diretora do programa na época, Tatiana Ivanovici, me chamou pra fazer um teste pra ser o apresentador junto com outros MC’s, quando o KL Jay saiu. Mesmo não tendo sido aprovado pela TV, ela disse que eu podia sugerir as pautas que quisesse e até mesmo fazer parte dessas pautas. Foi assim que sugeri a entrevista com Sabotage em seu primeiro grande show e fiz a matéria sobre novos nomes do Hip Hop no metrô São Bento. Apareci mais duas ou três vezes fora isso por falar inglês e estar por perto na hora.

Ser indicado foi uma surpresa e é uma honra por estar na mesma lista de nomes como Emicida, MV Bill, RZO e Relatos da Invasão. Cada qual tem sua caminhada, seu estilo e sua época. Espero que o rap se sinta bem representado por qualquer um de nós.

Per Raps: Você acha que suas rimas são “difíceis” de se consumir, já que você foi recentemente premiado no Hutuz por um música que já tocava há tempos e agora, após mais de dez anos de carreira, uma indicação na MTV?
Kamau: Muito pelo contrário. Acho que as rimas já caíram no gosto dos ouvintes. Mas as pessoas que coordenam esses prêmios não estão realmente atentas ao que tem acontecido e costumam lidar com o que lhes cai no colo ou o que não tem como evitar. Um bom exemplo disso é o Bill e o Emicida. Tem como negar o barulho que eles tem feito?

Meu nome significa Guerreiro Silencioso. Mas isso não quer dizer que eu não tenha feito barulho. Mas alguns demoraram mais a ouvir.

Per Raps: Quem você acha que leva o prêmio? E quem você acha que mais merece o prêmio?
Kamau: Não sei quem leva. Mas quem corre pelo certo e fortalece realmente o rap merece um prêmio. E existem vários desses.

Per Raps: Quais são os mc’s que não podem deixar de ser ouvidos?
Kamau: Emicida, Parteum, Slim, Pentágono, Brown, MV Bill. E acho que eu também.

Quer votar no Kamau? Corre lá!

Essa semana ainda rola entrevista com todos os indicados ao prêmio, numa parceria do Per Raps com o iG Street. Não perca!

logotwit_radar urbanoNão deixe de acompanhar também o especial que o Radar Urbano está fazendo com os indicados do VMB. O grupo entrevistado da vez é o Relatos da Invasão. Acompanhe um trecho:

Radar Urbano – Quanto aos demais indicados, foi justa a escolha? Faltou alguém? Existe Favorito?

Relatos – Bom, eu Thig vou dar minha opinião sobre o fato confesso que estou meio confuso sobre as indicações e o criterio que eles ultilizaram pois ainda não sei qual tera sido mais enfim. Se o critério for video clipe como de costume, acho que faltou o clipe do Pentágono que também teve estréia na mtv esse ano.

Continue lendo no Radar Urbano.

——–

Ao vivo

Um ano de lançamento do álbum “Non Ducor Duco” e a comemoração de estar entre os 25 melhores discos de 2008, eleitos pela Rolling Stone, além da indicação ao VMB 2009. Um show na Hole, em SP, com o acompanhamento de uma banda.

Guilherme Scabin e Toca Mamberti (guitarra), Sorry (bateria), Filiph Neo (teclado e voz) e J. Mossil (baixo), Erick Jay e Jeffe vão estar ao lado de Kamau para apresentar versões originais de algumas das 17 canções do álbum.

Antes e depois do show, rola discotecagem dos DJs Nyack e Erick Jay.

kamau show

Serviço
Quando? Sábado, 29 de agosto, 23h30
Onde? Hole Club (R Augusta, 2203, Jardins – SP)
Quanto? H: R$ 15 ou R$ 12, M: Vip até 0h; depois R$ 12 e R$ 10