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Kanye West volta ao rap

Kanye West/Reprodução Billboard

“Lançamento à vista” – por E. Ribas

Poucas pessoas receberam tantas críticas ultimamente como Kanye West. Primeiro por seu álbum 808’s & Heartbreak, que buscou uma linguagem diferente dos outros trabalhos de Yeezy, depois por sua postura cada vez mais arrogante, seu suposto distanciamento do rap e por ai foi. Após realizar uma turnê bem sucedida, a Glow In The Dark, e embarcar numa egotrip profunda, Kanye voltou a pensar em produzir rap no estilo de seus álbuns de sucesso: sem auto-tune ou qualquer outra parafernália do tipo.

Kanye já deu nome a seu novo filhote, Good Ass Job (melhor nem traduzir), que estaria sendo produzido no Havaí, e inclusive lançou um single, Power, contando com Dwele, aquele mesmo de Flashing Lights (Graduation/2008), no refrão. No som, Kanye fala sobre a brincadeira que o programa de humor Saturday Night Live fez com ele no fatídico episódio com Taylor Swift, e ainda teve tempo para falar da especulação sobre seu problema com álcool.

Outro som caiu na rede, Monster, em parceria com Rick Ross, que apontou junto de Power que Yeezy guardou muita história para contar em rima no novo álbum.

Nesta semana, o MC e produtor deu uma pequena mostra do que muitos dizem que ele faz melhor: criar beats. Kanye West aparece em um video ao lado de sua (ex?) namorada, Amber Rose, sampleando um som chamado “Popular“, do musical “Wicked“. O video contribui para a expectativa de um grande lançamento para 2010.

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Lançamentos de 09: Pentágono

Pentágono

Dj Kiko, Massao, Rael da Rima, M'Sário e Apolo por Rogério Fernandes

O novo swing do Pentágono – por E. Ribas

Seguindo o papo com grupos e MC’s que estão lançando trabalhos neste fim de ano, agora a ideia segue com o Pentágono. Apesar do último trabalho, “Natural”, ter sido lançado no final de 2008, os integrantes do grupo decidiram compor mais sons, mostrando seus novos estímulos e influências. Além disso, a saída de Dodiman do grupo deixa um espaço a mais entre as rimas, que deverá ser preenchido com o esforço de Apolo, Massao, M.Sário, Rael da Rima e o Dj Kiko.

O EP, que contará com um som ao vivo, um remix e três sons inéditos, já tem data oficial para o lançamento: dia 28 de novembro, na Hole Club. A produção dos beats são de responsa de A.G. Soares (Apolo), Nave e Dj Primo, e a produça geral também é assinada pelo Time do Loko e o próprio Pentágono. O disco contará com participações especiais da MC Flora Matos, Projota e o saudoso Dj Primo. A masterização ficou por conta do Dj Roger.

Em dezembro, o grupo tem em seu cronograma uma apresentação no Indie Hip Hop 2009. Essa será a primeira vez que o quinteto pisará oficialmente no palco do Sesc Santo André. Aproveitamos a sequência de novidades para trocar uma rápida ideia com A. G. Soares (aka Apolo), que ressaltou que esse novo trabalho poderá soar mais “eletrônico” que os outros. Entre os assuntos, O MC e produtor comentou sobre detalhes da produção do EP, a satisfação de tocar no Indie 2009 e mais.

Aproveite e confira abaixo um video gravado no lançamento de “Natural”, que contou com a participação de Dj Primo na música “Swing”. Memorável!

[Youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wHZpWQu0nOA]

Per Raps: Musicalmente, o que mudou de “Natural” para esse novo trabalho do Pentágono?
A.G. Soares/Apolo: Na real acho que não mudamos, mas amadurecemos muito de um para o outro, tanto pessoal quanto profissionalmente. Trabalhamos muito com o Pentágono durante esse ano de 2008 e isso naturalmente te ensina várias coisas que refletem na música. Creio que as músicas novas estão mais maduras, com mais experiência de vida mesmo, com rua, amor, indignação, musicalidade e pentágono.

Per Raps: O que os fãs do Pentágono podem esperar desse novo trabalho: muitas novidades ou uma sequência do trabalho anterior?
A.G. Soares/ Apolo: Bom… Resolvemos fazer esse EP pela necessidade de compor musicas novas, já que o “Natural” ficou um ano na geladeira (devido a problemas com a gravadora) e só foi lançado no final de 2008, então as músicas dele, que são de 2005, 06 e 07, para nós soavam antigas. Com isso, queríamos exercitar esse lado, já que só pretendemos lançar outro álbum em 2011. E, também para que nossos fãs não tenham que esperar tanto para escutar músicas novas, mas podem, com certeza, esperar um Pentágono diferente. Inovador, mas sem fugir de nossas raízes.

Per Raps: Na produção das faixas que você trabalhou, quais elementos você procurou agregar? Além disso, usou samples, colagens, algum instrumento gravado especialmente para uma determinada faixa?
A.G. Soares/ Apolo: Samples sempre. Porém, assim como no “Natural” tem várias coisas tocadas também, acho que isso já é uma característica marcante nas instrumentais do grupo, não tem como fugir muito disso. Mas, para mim esse projeto soa mais eletrônico que o outro.

Per Raps: Com a saída de Dodiman, o quarteto de frente vai mudar algo em relação ao trabalho anterior, o formato da música ou das rimas muda?
A.G. Soares/ Apolo: O Humberto participava ativamente das composições, então é claro que é uma cabeça a menos em todas músicas e isso pode soar diferente para algumas pessoas que acompanhavam o trabalho mais de perto, contudo estamos nos empenhando ao máximo para minimizar esse “problema” e que as músicas continuem soando como Pentágono.

Per Raps: Sobre o Indie Hip Hop 2009, como foi receber a confirmação de que o Pentágono se apresentaria e como será a concepção dessa apresentação: só haverá espaço para o trabalho novo ou os dois anteriores terão vez?
A.G. Soares/ Apolo: Foi a realização de um sonho, fomos a todas as edições do festival como público, e poder tocar no mesmo palco que o Mos Def vai ser foda! Sem contar os monstros nacionais que vão se apresentar. O show será curto devido o cronograma do evento, mas tocaremos o máximo possível entre músicas novas e antigas.

Mais em:

www.myspace.com/pentagono5
www.pentagono5.com.br

Lanc_P5_net

Lançamento EP Pentágono @ Hole Club
Dia 28/11/09
Djs Dandan e Yellow-P
Hole Club (Rua augusta, 2203)
Preço único $15 (com flyer $10)
*As 100 primeiras pessoas ganham o EP gratuitamente


Som novo!

Chegou no e-mail

Chegou no e-mail!

Você, assim como a gente, sabe da dificuldade para divulgar sons quando você ainda está começando – ou até mesmo depois de um bom tempo na batalha! Como muita gente manda o trabalho pra gente e o Per Raps acredita que pode ajudar na divulga desse material, estreamos hoje a coluna “Chegou no e-mail”.

O funcionamento é beeeem simples: você manda a música em mp3 pra gente, no nosso e-mail (perrapsblog@gmail.com), com o assunto [Chegou no e-mail]. E a gente vai fazendo coletâneas dessas músicas, sem julgamento de valor, estilo ou qualquer outra coisa.

Nessa primeira edição, que ficou mais longa do que a gente imaginava, você vai ouvir gente de vários lugares do Brasil, pra provar que talento tem em qualquer lugar, basta encontrar as coisas certas!

Invasão dus Ratueiras – Um belo dia
supeR.atos – Batida dessa vida
Suite 702 – O telefone dela
Bgame – Luz da Vida
Inquilinus – Nossa Canção
Calibre MC – Dinheiro e Mulher
Fex Bandollero – Encontrei
Preto WO – Só tirando onda
Divox e B.I.G. – Nosso Hino
Dalmatas – Você sabe o que fazer
Versu2 – Que som é este man?
Homens do Pântano – Gravidade zero


O lado B de Prefuse 73

Guillermo e Rasheed_CCJ (Juliana Ferracini)

O CCJ ficou cheio na apresentação de Prefuse 73 (Juliana Ferracini)

“Um outro lado do Prefuse 73” – por Eduardo Ribas

Prefuse 73 é um dos diversos projetos musicais de Guillermo Scott Herren, que também faz questão de dividir os créditos com seu parceiro de longa data, Ryan Raja Rasheed. Parceiro que, por sua vez, também possui um projeto bem interessante, o Leb Laze.

A dupla é de Miami, onde a maioria da população é de latinos, assim como Guillermo, de pai espanhol e mãe cubana/irlandesa. Rasheed foge da regra e é descendente de libaneses. Os dois se conheceram logo após os tempos de escola, possuem um humor parecido e curtem o mesmo estilo de rap. Apesar disso, tudo começou a ficar mais sério apenas quando Guillermo pediu que Rasheed remixasse uma fita e, logo depois, eles começaram a fazer turnês juntos.

Bem humorados e sem se preocupar com a marra tradicional no hip hop, os dois possuem uma aparência quase que similar: magrelos, com bronzeado de escritório à moda européia e com um estilo de se vestir básico e discreto. Pode ser que essa não tenha sido a imagem que você tinha construído em sua mente ao ouví-los, certo? Mas não se preocupe, você não é o único. Em uma passagem engraçada da carreira de 10 anos dos dois, alguns promoters já disseram na caruda que esperavam os “black dudes” (os caras negros) para tocar em suas festas. Tiveram que ouvir o latino e o libanês.

A conversa, com quase o mesmo tanto que risadas e idéias, rolou antes do show feito neste domingo (18/10), no CCJ. Quem respondeu a maioria das perguntas foi Guillermo, o “porta-voz” do Prefuse 73. Mais reservado, Rasheed só pontuava alguma coisa quando realmente se fazia necessário. Os assuntos variaram da marra no hip hop à falta de referência da molecada de hoje e aprendizados com a carreira e as turnês. Agora é só curtir!

Faço isso há muito tempo e não vou parar até estar morto!Guillermo Scott Herren

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E. Ribas (Per Raps), Rasheed e Guillermo no CCJ - Foto de Carol Patrocinio

A ideia inicial rolou sobre a evolução musical do Prefuse 73 desde sua última passagem pelo Brasil. Guillermo diz que era difícil ter uma resposta. “Nós apenas tocamos, não esperamos muito. As pessoas têm o que oferecemos, e oferecemos 100% de respeito. Se vocês não gostam disso, então me desculpe. Não tem muito o que fazer a respeito”. Quando fala do som de Prefuse 73, Guillermo afirma categoricamente: “gosto de fazer música barulhenta”. Ambos concordam que fazem um som progressivo e não necessariamente algo diretamente ligado ao hip hop.

A dupla se apresenta com vários fios, vocais feitos por Guillermo, um notebook, MPC, uma mesa de som e sintetizadores. Claramente tímidos, nenhum dos dois procura encarar a plateia e até na hora de reagir a assobios, apenas acenam. “Se recebemos resposta da plateia achamos legal, mas não somos o tipo de banda que diz: obrigado, como está sendo essa noite pra vocês?”, responde Guillermo. “Estamos nessa há 10 anos, não precisamos de abraços de cada um que está na plateia. Nós somos só uns caras que querem fazer um som e trocar uma ideia. Não somos o Led Zeppelin, sabe?”, ironiza.

A partir daí, surge a dúvida sobre a diferença de comportamento da dupla em uma apresentação ao vivo e dentro de um estúdio. “No estúdio você precisa fazer algo que as pessoas vão ouvir e comprar. É totalmente diferente! Num estúdio você está confinado com máquinas por todos os lados e ao vivo você tem que ir lá e mandar ver. Como se fosse no jazz, você improvisa em cima de um tema, mas no jazz os solos podem durar uma hora, nós não podemos fazer isso!”.

Guillermo diz que às vezes uma parcela do público parece esperar algo diferente do que ele realmente é, mas quando o conhecem, conseguem perceber que ele não é o que esperavam. “Tem gente que chega tipo: e ae, mano, firmeza? E eu, tipo: E ae, tudo bem? Não seguimos a regra, simplesmente fazemos nossa parada”. Aliás, essa parece ser uma preocupação recorrente de Guillermo, já que muita gente parece não entender a proposta de seu som, sem contar com os estigmas do hip hop, que teimam em continuar existindo. Mas pra ele, isso só serve para mostrar o quanto as pessoas podem ser engraçadas. “Uma vez, um promoter do nosso show recebeu uma ligação perguntando que horas o cara negro chegaria. E ele respondeu: então, na real o cara é tipo cubano, sabe? E o cara: aaah, tá”.

[Youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1Lm6fS_dGkY]

Amadurecimento profissional

Quando comecei, eu era bem tímido, sabe? Na hora de tirar fotos, eu sempre tinha que me esconder. Mas o sentido disso tudo era: não me entenda como um mano, nem como uma personalidade, deixe que seja a música. Quando saiu o segundo álbum, eu estava mais sob controle da parada e chega um ponto da carreira que tudo está mais firme, então você tem que ir lá e fazer a foto, a entrevista e lidar com isso. Aprender isso é parte do processo.

E nesse mundo de turnês, se você quer ser levado a sério isso faz sentido. E se você pensar pelo lado de que as coisas só irão acontecer se você tiver um manager ou um selo, esquece. Você vai desmoronar em um ano! A maioria do tempo sou eu e ele (Rasheed), correndo pelos aeroportos com nossas coisas, tirando fotos.

Influências e sonoridade

Nós dois obviamente temos um background do rap do final dos anos 80 e os anos 90. Até nos outros projetos isso é perceptível, obviamente nós temos esse laço. Mas curtimos alguns “barulhos” do Japão, que são melhores que qualquer hip hop desses que estão sendo feitos hoje. As pessoas perguntam o que eu ando ouvindo e esperam que eu responda uma parada underground, então respondo: eu gosto do novo do Jay Z. É um som poderoso, sabe? Ao mesmo tempo estamos ouvindo músicas da Itália, depende muito. É legal ter um certo humor por trás dos sons. E o importante é se divertir.

Poderíamos ser uns caras que falam “foda-se”, mas não, não nos importamos com pose e coisa do tipo. Crescemos juntos (Guillermo e Rasheed), pegamos nossas influências e tentamos crescer, evoluir. Muitas bandas hoje têm fórmulas pra fazer sucesso. Tem umas fórmulas da TV pra se chegar ao sucesso. Não sei como, mas ainda estamos tocando nosso som e nos divertimos.

Queremos ser mais engraçados que sérios, não queremos dizer que gostamos do hip hop do passado. Porque o que aconteceu nos últimos 10 anos, tem coisa boa, coisa não tão boa, mas não quero ser representado por nada disso. No Brasil a cena é foda e eu sempre permaneço atento a ela, mas tem uns lugares do mundo que não dá, não queremos isso pra gente.

O rap hoje em dia

Guillermo acredita que os raps ficaram mais inteligentes nos anos 90, já que os MC’s falavam baixarias com analogias complexas ou de um jeito mais refinado e isso soava bem legal para ele. Mas hoje, as pessoas parecem não se importar mais, pois segundo ele, a molecada não tem muita referência. “Algumas coisas são inteligentes demais pra eles! Ninguém entende o que o Mos Def tá falando, sabe? A molecada quer o instantâneo, quer pegar o som e jogar no iPod. É tudo: Bam! Twitter e tal. ‘Aqui está o som, baixe aqui.’ Nós estávamos aqui antes disso e permanecemos mesmo depois, essa é a parte mais importante”.

A decepção com os jovens de hoje acaba revelando uma concordância com as ideias de Jay Z, de morte do Auto-Tune (D.O.A). “O hip hop porcaria do rádio parece aparecer assim: em dois segundos se escreve algo e aí, esse é o gancho e o verso vai rimar com isso. E então, para o auto-tune!”

“Os jovens não querem ouvir umas paradas desafiantes, mas você tem que pensar: não me importo com isso. Daqui há 20 anos quando você for ouvir os clássicos, T-Pain não estará lá! Vai ser um disco do Doom ou do Madvilain. E vão falar: se liga nessas gravações. E as paradas ainda vão ser mágicas, sabe? Hoje tudo soa meio ‘rave’, tudo tem auto-tune. É claro que tem coisas que eu ouço, claro. Mas chega no dia seguinte e eu esqueço. Não vou chegar a comprar nada disso”.

Conclusão

Mesmo com toda essa perspectiva aparentemente desfavorável, Guillermo e Rasheed ainda buscam motivos para prosseguir. “Se desistíssemos por causa do panorama, estaríamos trabalhando em trampos regulares. Faço isso há muito tempo e não vou parar até estar morto! Eu simplesmente não vou, sabe?” E estamos contando com isso!

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Mix pra animar a segunda brava

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As segundas-feiras geralmente costumam ser “bravas”, ainda mais quando o fim de semana é agitado. Em São Paulo, eventos como a Liga dos Beats e o show do Prefuse 73, serviram pra trazer variedade à cena. Pra animar o dia, trazemos uma mixtape feita por dois convidados especiais: o casal Flávia Durante e Hector Lima. Para quem não conhece, a Flávia é jornalista, Dj e pessoa mais que antenada no que acontece na web, seja em relação a música, tecnologia ou novidades em geral.

Já Hector Lima é roteirista e editor de revistas em quadrinhos, também ataca de Dj e é autor do blog Goma de Mascar, que aliás, nós recomendamos! Desde o início do Per Raps, os dois apoiaram essa iniciativa, sempre dando moral para o conteúdo do blog e falando bem dele em diversos espaços virtuais.

Já que existe uma identificação dos trabalhos, além da cultura urbana e a própria música rap, nada mais justo que curtir uma seleção musical dos dois por aqui. Sobre os sons escolhidos, quem nos conta detalhes é Hector Lima. “A Flávia na sua seleção escolheu músicas novas e antigas que puxam para uma sonoridade funky e electro. Tem desde o mestre Stevie Wonder, até uma pérola do último álbum do Black Eyed Peas”.

E esse é só o lado A da mix, o B fica na responsa do Hector. Ele fez uma mistura de sons dançantes, conhecidos como “Latin Hip-Hop” e muito ouvidos nos bailes da virada dos anos 80 pros 90. “Quem tem mais de 30 ainda lembra, mas é legal o pessoal de agora conhecer”, completa Hector Lima. Agora, sem mais delongas, curta o som!

Lado A – Flávia
01. Stevie Wonder – Jungle Fever
02. Get ‘Em Mamis – Work
03. Frankie Smith – Double Dutch Bus
04. Dizzee Rascal – Money Money
05. Black Eyed Peas – Rockin To The Beat
06. Gotye – Learnalilgivinanlovin
07. Beni – Maximus

Lado B – Hector
08. Cover Girls – Show Me
09. Stevie B – Spring Love
10. Noel – Change
11. Cashmere – Segura
12. Abdula – Joguei Com Seu Coração
13. Lil’ Suzy – Hold Me In Your Arms
14. Debbie Deb – When I Hear Music


Presente: mix by Dago Donato

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Um indie no meio do rap

Como a gente tinha falado, esse mês vão rolar várias coisas novas e legais aqui no Per Raps. Uma delas é que alguns amigos do blog foram convidados para fazer uma mixtape especial. O primeiro trampo que você escutou foi feito pelo Sono. E agora chegou a vez do segundo amigo que nos deu – ao blog e a você – um presente de aniversário.

Nós já falamos sobre o Dago Donato, achamos que o cara é bem importante pra cena porque leva o rap aos ouvidos de pessoas que escutam outros tipos de som e ajuda a aumentar o público que apoia a cena. Como o cara é Dj e manja muito de diversos tipos de música, ganhamos uma mixtape feita por ele especialmente para o aniversário do Per Raps. Curte o som aí!

– Alice Coltrane – Blue Nile
– Cadence Weapon – Do I Miss My Friends?
– Get ‘Em Mamis – Work
– Brother D & The Collective Effort – How We Gonna Make The Black Nation Rise
– Gang Gang Dance – House Jam
– Konk – Konk Party
– Incredible Bongo Band – Wipeout
– Exile – Your Summer Song
– cLOUDDEAD – Dead Dogs Two (Boards Of Canada Remix)
– 12th Planet Feat. EMU – Control (Skreamix)
– The Bug – Poison Dart Feat. Warrior Queen
– The Professionals – Theme From Godfather
– Mexican Institute of Sound – Alocatel (Ad Rock Remix)
– The Very Best – Warm Heart of Africa
– Althea and Donna – Uptown Top Ranking
– Anti-pop Consortium – Capricorn One
– Ebony Bones – We Know All About You
– Lil Wayne – A Milli (Toy Selectah Refix)
– Ghislain Poirier – Get Crazy ft. Mr. Slaughter
– Dirty Projectors – Stillness is the Move

Mais em:
http://www.myspace.com/dagodonato
http://bimahead.blogspot.com
http://www.flickr.com/photos/bima


Presente: mixtape by Sono

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Qual a ligação do rap com o skinhead?

Como a gente tinha falado, esse mês vão rolar várias coisas novas e legais aqui no Per Raps. Uma delas é que alguns amigos do blog foram convidados para fazer uma mixtape especial e o primeiro trampo que você vai escutar é o feito pelo Sono, fundador do blog You & Me on a Jamboree, especializado em ska, rocksteady e early reggae, um dos seletores da Jurassic Sound System e que também escreve para o 2Deep, na MTV.

01* Joe Gibbs All Stars – Hijacked (Amalgamated 1970)
02* The Dynamites – Dulcimenia (Clandisc 1969)
03* Count Matchuki – Movements (The Joe Gibbs Way) (Amalgamated 1970)
04* GG All Stars – Barbabus (Blank)
05* Desmond Reily – Out Your Fire (Downtown 1970)
06* The Young Souls – Man A Wail (Amalgamated 1969)
07* Tony Scott – What Am I To Do (Escort 1969)
08* The Charmers – What Should I Do (Blank)
09* Prince Buster – Kiss You Again (Blank)
10* Audrey – You’ll Lose a Good Thing (Downtown 1969)
11* Lloyd & Glen – Girl You’re Cold (Blank)
12* Anthony Ellis – I’m The Ruler (Studio 1 1970)

Enquanto você escuta as músicas que ele escolheu, leia o texto que o Sono escreveu para acompanhar o som!

“É minha primeira mix aqui no Per Raps e já vou logo apelando para as raridades retiradas diretamente do vinil, mix repleta de Skinhead reggae/Early reagge que foram escolhidas baseadas pelo meu gosto musical. Esses gêneros, junto com o ska, são a raíz da musica jamaicana, diferente do ROOTS que o pessoal aqui do Brasil costuma a gostar… hoje vocês vão conferir a verdadeira raíz da música jamaicana.

Agora vocês me perguntam, o por que do nome skinhead reggae? A Jamaica era colônia da Inglaterra e, em 1962, conquistou a independência. Acontece que, nos anos seguintes, os jamaicanos perceberam que aquilo não iria mudar em nada a vida deles e a Jamaica continuaria a ser um país pobre. Então eles começaram a emigrar para a Inglaterra e, dentre esses imigrantes, estavam os Rude Boys.

Rude Boys eram os barras-pesadas da Jamaica, os ladrões e briguentos. Eles eram fãs de filmes de máfia e se vestiam igual aos mafiosos (ternos alinhados e mais justos). Esse era o grande público de reggae da Jamaica nessa época. Os Mods, por sua vez, eram garotos ingleses que existiam no final dos anos 50 e que curtiam música negra norte-americana, como jazz, soul e rhytmn and blues. Foi questão de tempo pra esses dois grupos perceberam muitas afinidades e daí nascer a cultura Skinhead.

A cultura Skinhead, em seu começo, nada tinha a ver com racismo ou qualquer forma discriminatória, mas sim com o amar a música jamaicana, dançar mais do que todo mundo e ter uma forma peculiar de se vestir.

E o que tudo isso tem a ver com música? Essa é, para muita gente, a melhor época do Reggae. Durante esses anos, músicos jamaicanos faziam música comercial pra agradar o seu novo público inglês, os tais Skinheads, e justamente por isso, passou-se a se chamar muito tempo depois de Skinhead Reggae.

Os temas Skinhead Reggae/Early Reggae geralmente tratava de fatos do cotidiano, como sexo, tretas, violência, vandalismo e até por temas incomuns. É comum também o uso do orgão Hammond em diversas faixas dessa época, que é tão importante quanto os vocais, vide as faixas de reggae instrumental que separei nessa mix. Então vamos comentar algumas faixas que são importantes para o reggae e para música em geral.

A primeira faixa se trata de uma produção do engenheiro eletrônico Joe Gibbs, que também é o fundador da label Amalgamated (selecionei diversos compactos dessa label na mix), que lançou diversos sucessos obscuros no final da década de 60. Joe Gibbs passou um tempo nos Estados Unidos como eletricista, voltou a Jamaica e em sua loja que consertava TV’s começou a vender discos. Com o grande crescimento da cena musical, Gibbs começou a gravar no fundo de sua loja alguns artistas com a ajuda de Lee Perry (que na época não era mais sócio de ‘Coxsone Dodd’) e foi ai que o selo Amalgamated nasceu.

A terceira faixa é a do mestre Count Matchuki, o primeiro deejay jamaicano e é de extrema importância para a música mundial. Influenciou nomes como King Stitt, U Roy, Dennis Alcapone, Prince Far I, Dilling, Lone Ranger e outros grandes Deejays da ilha. Foi ele quem criou o ‘Reggae Scorcher’ que influenciou na criação de outros estilos musicais, como o Dancehall, o ragga e até mesmo o rap.

Começou repetindo chamadas para festas nas introduções das músicas e percebeu que as pessoas gostavam de um ‘mestre de cerimonias’, não feliz em só repetir as mesmas coisas, Machuki começou a compor suas próprias falas, assim ganhando muitos admiradores. Foi ele quem começou também os chamados “peps”, o famoso som vocal repetido diversas vezes acompanhando a batida da música, muito popular no Ska. A pronuncia mais próxima seria algo como ‘chika-a-took-chika-a-took-chika-a-took’, bem notável na música selecionada nessa mix.

Os “peps” criados por Count Matchuki são as raízes do que nós conhecemos hoje como beat box. Count Matchuki era preciso com suas frases, não as despejava como os outros deejays. U-Roy um dia disse: “Count Matchuki é perfeito, é fácil fazer faixas de scorcher com milhares de frases, díficil é ter a precisão de Matchuki”.

Então muito respeito para Count Matchuki, sem ele, o rap não seria o mesmo.”