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Lauryn Hill se redime em segunda passagem por SP

Nesta terça (07), os paulistanos assistiram a segunda passagem de Lauryn Hill pelo Brasil. Apesar de estar aparentemente mais motivada do que em seu primeiro show por aqui, em 2007, Ms. Hill foi alvo de críticas por parte mídia dita especializada em música e por parte dos fãs.

A principal reclamação foi em relação aos arranjos das músicas, que estavam bem diferentes das versões originais de hits como “X-Factor” e “To Zion”, entre outros. No entanto, a banda de Lauryn não se limitou a reproduzir os beats clássicos do álbum “The Miseducation of Lauryn Hill”, mas sim ultrapassar esses limites, permitindo que a própria cantora e MC tivesse a chance de improvisar e mostrar sua potência vocal.

Nós do Per Raps conferimos o show e aprovamos! Como as opiniões do público e crítica foram adversas e cada um possui seu argumento pró ou contra, ai vai nossa singela ideia sobre a passagem de Ms. Hill por São Paulo.

O sermão do monte, por Ms. Hill Eduardo Ribas

Volte a 1993. Agora imagine a figura de Whoopi Goldberg de batina, à frente de um coral de jovens revoltados com a vida (Mudança de Hábito 2). Se não tiver referências para ir tão longe, imagine a figura de um reverendo, daqueles que comandam os corais das igrejas com potentes corais negros que vivem aparecendo em filmes e videoclipes, sabe? Agora jogue isso tudo fora e substitua a figura do reverendo por Lauryn Hill.

A partir daí, o show vira um sermão e a banda acompanha a “pastora” Ms. Hill, junto de seu coral de três vozes no palco com um público que se revelaria próximo de 7 mil participantes. “Lost Ones” abre a pregação: “É engraçado como o dinheiro muda a situação, falta de comunicação leva a complicação”. Seguindo, “X-Factor”; “tudo poderia ter sido tão simples, mas você preferiu complicar”, entoa Ms. Hill.

Os espectadores do sermão celebram, mas em dúvida, já não compreendem se aquelas palavras ditas de maneira tão diferente eram as mesmas que estavam acostumados antes. Mas eram, só que alguns poucos entenderam.

Percebendo o rebanho disperso, a pastora recupera suas ovelhas relembrando seu passado de glória de sermões ainda mais acalorados, junto de seus companheiros de paróquia, digo, de Fugees. “Fe-gee-la”, “Ready or Not”, “Killing me Softly”. E se ouve um “aleluia” em alguma parte do salão. Desprestigiada se comparada às outras, “Killing me Softly” recebe um repeat, agora com o arranjo original de 1996, que mais pseudo-original que esse, só teria amostra em versão de 1973 por Roberta Flack. “Aleluia!”

Uma rápida passagem pelo sermão acústico, uma breve saída, um pedido de bis, gritos, urros, aplausos e de repente, uma quase onomatopeia após a volta: “Doo Wop” e pronto, “amém”. Alguns saíram sem entender nada, outros meio bravos porque o CD que compraram não era igual ao cânticos que ouviram naquela noite. Outros saíram felizes e alguns até em transe, graças ao contato com o divino em forma musical. A multidão se dissipa e Ms. Hill parte para sua próxima missão.

Per Raps Adverte: O texto faz analogia a um sermão religioso, mas não tem como função ou objetivo depreciar qualquer religião, seita, culto, grupo, filosofia ou pessoa. Àqueles que de alguma forma possam ter se sentido lesados pela utilização de algum termo ou pela analogia em si, reiteramos que a proposta segue de encontro a essa possibilidade.


*Video por Luciana “Playmobile” Faria.


Negra Li encontra Lauryn Hill em Florianópolis

Negra Li, Lauryn Hill e Junior Dread

Negra Li, Lauryn Hill e Junior Dread no show de Floripa

Quem acompanha minimamente o rap no Brasil, já ouviu falar do grupo RZO. Formado pelos MC’s Helião e Sandrão mais o DJ Cia nas pick-ups, o grupo já contou com a cantora Liliane de Carvalho nos vocais e na rima. Para quem não sabe, Liliane é Negra Li, que viu sua carreira atingir novos patamares após deixar o grupo de rap de Pirituba (São Paulo).

Por sua qualidade vocal, Negra Li recebeu diversas comparações com Lauryn Hill – de quem é fã declarada -, que também possui notável capacidade de cantar e rimar. No entanto, as semelhanças não param por ai: ambas são mulheres lutadoras, que venceram o machismo do rap por seu talento e trabalho, possuem carreira no cinema, são mães e, querendo ou não, as duas se viram longe dos estúdios por um bom tempo.

Ms. Hill não grava nada novo desde seu acústico MTV (2002) e Negra Li teve seu último álbum de estúdio gravado em 2007, junto de Leilah Moreno, Quelynah e Cindy Mendes. Desde lá fez inúmeras participações com artistas como Caetano Veloso, Skank e Akon.

Nessa segunda passagem de Ms. Hill pelo país, Negra Li foi convidada para abrir os shows de Florianópolis e Brasília. Depois de abrir o show de sua grande inspiração em Florianópolis, Negra Li falou com o Per Raps por e-mail e contou como foi a experiência que deixará marcas por toda a sua vida.

Per Raps: Como surgiu o convite para você abrir um show da Lauryn Hill? E por quê apenas em Florianópolis e Brasília e não em SP?
Negra Li: Olha, em Florianópolis surgiu através do Leo Comin, do Oculto. O Leo é DJ e promoter em Floripa, me levou tantas vezes pra tocar lá, que acabamos nos tornando amigos. O show da Lauryn foi na Pacha, e o Leo tem uma parceria com a casa… E foi assim que tudo aconteceu. Através de uma sugestão dele, da aceitação do Anjinho e do pessoal da Pacha. E claro, da aceitação que eu tenho junto ao público de Floripa, que é muito forte … Adoro aquele lugar! E toda vez que me apresento lá, sou super bem recebida.

Também vou abrir em Brasília. Esse show foi através do escritório que também fecha show pra mim, a Agência Produtora. Não sei bem como se deu a negociação, mas estou amarradona de abrir e encerrar a tour da Lauryn no Brasil. Porém esse show de Brasília será no formato com DJ e o de Floripa foi com banda, show completo, só faltou minhas dançarinas – Luciana Bauer e Amanda Angel -, pra ser 100% perfeito! Mas, nossa, foi bom demais.

Per Raps: O que você sentiu na hora?
Negra Li: Quando o Leo ligou pra Paulinha (minha produtora), ela me ligou no mesmo minuto. Já sabíamos que estava tudo certo e que um sonho seria realizado! Da outra vez que ela veio, até chorei por não ter sido lembrada.

Per Raps: Você encontrou Ms. Hill pessoalmente? Qual foi a sensação?
Negra Li: Encontrei sim. Ficamos hospedadas no mesmo hotel, fizemos a passagem de som juntas e nos encontramos novamente depois do show dela. Virei tiete mesmo, quase não consegui falar (já quase não falo nada de inglês, nervosa então?! Travei). Meu marido desenrolou o diálogo, pude falar sobre nossa trajetória parecida… Foi intenso! Maravilhoso!

Per Raps: Qual a influência de Lauryn Hill no seu trabalho?
Negra Li: Total! Quando comecei no RZO, ela cantava no Fugees, uma banda de rap. Eu olhava pra ela e me inspirava demais, acabou que peguei muito do que ela fazia e ouvia pra mim. É isso que a gente faz com os ídolos, né… Absorve!

Per Raps: Como andam seus projetos para 2010/11?
Negra Li: Estou numa correira louca de trabalho, muitos shows pelo Brasil. Dia 13 de outubro vou abrir pro Timbaland, em São Paulo. Uma tour, no mês de novembro, pela Nova Zelândia se confirmando…

Estou mergulhada na pré-produção do meu próximo CD, escolhendo repertório, escrevendo letras. Estou podendo contar com a ajuda muito grande do Sérgio Brito, do Titãs, e de parceiros antigos como Nando Reis e Samuel Rosa. Nessa busca pelo repertório também estão minha gravadora Universal Music e os produtores Rick Bonadio e Paul Ralphs.

Vou começar a filmar um novo longa chamado Poderoso Arco-Iris, que vai contar a história de um serial killer homofóbico e eu farei uma jornalista que vai investigar os assassinatos e acabará na mira do serial. Um filme com muito suspense e ação.

Veja um trecho da apresentação que abriu a turnê brasileira de Ms. Hill, em Floripa.


Erykah Badu emociona público em SP


“Pornografia musical”por Carol Patrocinio

Erykah Badu é Jackie O. É Rainha de Copas. Badu é mulher. Sexo, graça, ironia. Erykah Badu sabe o que quer e não te deixa na mão. Ou deixa, só porque quer. Erykah Badu é aquela mulher que provoca, te deixa louco e vai embora, mas você não reclama – ela foi a melhor que você teve na vida, ainda assim.

Logo que a vi no palco meu coração parou. Era ela, estava ali, a pouquíssimos metros. Se eu desse alguns passos e esticasse a mão poderia tocá-la – deixa pra lá, emoção demais. E assim como meu coração, ela ficou ali, parada num canto do palco, esperando o momento certo para começar sua mágica.

E quando a mágica de Badu começa a ser feita não há como parar. Um clima intimista tomou conta do lugar. Éramos só eu e ela. Uma caixinha de música em que ela era a bailarina e eu dava corda. Toda a delicadeza de Badu anda de mãos dadas com sua força, suas certezas. O salto 15 está no pé, mas ela não precisa disso pra ser muito maior do que se poderia crer.

Quando a intimidade começou a aumentar, Erykah foi até o chão. Fez do pedestal do microfone um mastro, quase pole dance. Unhas, bocas, olhares. Aquela voz. A voz de Erykah Badu faz um registro na sua cabeça, não importa aonde vá, você sempre sabe que é ela.

O show que Erykah Badu fez em São Paulo foi sobre ela, para ela. Mas a maneira que cada um de nós nos identificamos com cada palavra, som gesto que ela faz, nos torna partes de uma gigante. Erykah Badu pode ser egocêntrica, mas ela está pensando em todos nós para fazer isso.

Ao chegar ao fim do espetáculo, Badu deixou lembranças físicas para seus fãs – um acessório, um lenço, um batom. Recebeu presentes. Voltou para o bis, deixou uma mensagem contra preconceito e ficou tão próxima aos fãs que era fácil notar a não aprovação de seu segurança, que andava o palco de lado a outro atrás dela. Erykah Badu deu tanto de si neste show que, por pouco, não saiu de cena como em Window Seat, nua por dentro e por fora.

Foi no show? Conte o que achou ou se está ainda sem palavras para isso!

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Segundo semestre recheado de shows internacionais

“Declarando falência por motivos culturais” – por E. Ribas

O segundo semestre de 2010 está repleto de apresentações internacionais no Brasil. Nomes como Erykah Badu, Lauryn Hill, Rage Against the Machine, Cypress Hill, Jamiroquai Anti-Pop Consortium estão entre aqueles que farão show por aqui. Variando do rap até o funk e o soul, esses nomes prometem causar boa impressão.

O grande problema dessa leva de shows é o valor, que na maioria dos casos é bem salgado. No entanto, vale a pena economizar um pouco na balada (ou seja no que for) para curtir ao menos um desses. O Per Raps aproveitou para destacar alguns desses shows e mostrar quais nós indicamos, mostrando o que de melhor você poderá encontrar em cada um deles.

Há boatos que Jay-Z também virá para o Festival SWU, mas ainda não houve confirmação oficial.

Anti-Pop Consortium

Anti-pop Consortium

Pela primeira vez no Brasil, o quarteto nova-iorquino Anti-Pop Consortium traz as novidades de seu último álbum, o elogiado “Fluorescent Black” (2009). Conhecidos por seu quê visionário, o grupo é considerado à frente de seu tempo e de tudo que o mundo conhece como hip hop. Formado em 1997 por Beans, High Priest, M. Sayyid e o produtor Earl Blaize, o Anti-Pop ficou parado por quase sete anos, mas mostra que ainda tem muito o que mostrar ao público.

Se sua ideia é fugir do convencional, então vale a pena ir ao show para conhecer uma forma diferente de se pensar o hip hop hoje em dia. Mas não se espante com as bases eletrônicas, os broken beats, o barulho e a interferência que você ouvirá, afinal esse é para muitos o grande trunfo do Anti-Pop Consortium. Completando a programação do SubRapCombo, M.Takara junto de R. Brandão (Mamelo Sound System) e Afasia (Carlos Issa e Akin).

Erykah Badu

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Sua primeira apresentação por aqui já faz tempo, rolou no finado Free Jazz Festival há 13 anos. Quem foi diz ter sido um dos melhores shows vistos em terra brasilis. E não tenha duvidas disso! Erykah não é do tipo que produz hits fonográficos, apesar de vez ou outra aparecer nas paradas e ter seus videoclipes presentes na programação de canais dedicados à música (no Brasil, nem tanto).

Por incrível que pareça, o ponto forte dessa apresentação não deverá ser seus álbuns anteriores – Baduizm (1997), Mama’s Gun (2000), Worldwide Underground (2003), New Amerykah Part One (4th World War) (2008) -, e sim seu mais novo lançamento, New Amerykah Part Two (Return of the Ankh) (2010), um dos álbuns mais românticos e bem dosados (com beats mais orgânicos) da cantora, sendo também muito bem recebidos pela crítica.

Apenas o time da produção do disco já garantiria o sucesso, contando com pedradas do novato James Poyser, além do saudoso J-Dilla, Questlove (The Roots), Madlib e 9th Wonder. Sobre o que esperar do show? Tom intimista e soul hipnótico da melhor qualidade.

Lauryn Hill

Lauryn Hill

Conhecida por ser MC e cantora de um dos grupos mais celebrados do rap, o Fugees, Miss Hill sobe aos palcos brasileiros pela segunda vez. No entanto, desde a última vez não houve muita novidade da norte-americana, musicalmente falando. Depois de começar sua carreira solo com o bombástico The Miseducation Of Lauryn Hill (1998), a MC teve problemas com sua gravadora e viu sua produção musical decair.

Na primeira passagem de Lauryn por São Paulo (2007), o som, que parecia ter uma potência muito maior do que a casa comportava (Credicard Hall), deixou muitos fãs com um zumbido nos ouvidos por alguns dias (!). Isso comprometeu todo o show. Para piorar, Miss Hill não parecia estar no auge de sua empolgação.

Para esse novo show, Lauryn traz um único lançamento desde sua coletânea “Ms. Hill” (2002), a música “Repercussion”. Já é um sinal de retomada, mesmo o som sendo uma peça única. No mais, sempre vale a pena relembrar ótimas músicas como “Doo Wop“,“Everything Is Everything” e “Ex Factor“.

Rage Against The Machine

Rage Against The Machine por Tobin Voggesser

Se você tem ao menos 20 e poucos anos pode curtir um pouco da fúria das letras de Zach de La Rocha, juntas dos riffs distorcidamente impressionantes de Tom Morello em sua adolescência. Há quem curta rap e torça o nariz para Rage Against the Machine, no entanto o conteúdo das rimas de Zach desintegra muito discurso de rappers wannabe por ai. Sem contar com a musicalidade do grupo, que não se contenta com o destaque vocal e “guitarrístico”, mas traz o ótimo baixista Tim Commerford e baterista que maltrata as baquetas (positivamente falando, claro), Brad Wilk.

O RATM terminou no início dos anos 2000, após a saída de Zach de La Rocha, no entanto os integrantes remanescentes embarcaram junto do vocalista Chris Cornell (ex-Soundgarden) no projeto “Audioslave“. O grupo foi bem e rendeu boas músicas, mas para a felicidade dos fãs, Zach retornou em 2007 e vários shows foram marcados pelo mundo inteiro para celebrar a nostalgia.

Nada novo deverá ser apresentado, mas levando em conta que é a PRIMEIRA apresentação do grupo por essas bandas, vale a pena apertar o cinto e pagar R$ 190 (uooow!) para vê-los.

Anti-pop Consortium no SubRapCombo 2010
Quando?
28 de agosto (sábado), às 21h
Onde? Choperia do SESC Pompéia
Quanto? R$ 20,00 [inteira], R$ 10,00 [carteirinha, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante] e R$ 5,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos
O Anti-pop Consortium também se apresenta no SESC São Carlos (27/08) e no SESC Ribeirão Preto (25/08).

Erykah Badu em São Paulo
Quando? 29 de agosto, a partir das 20h
Onde? Credicard Hall – Av. das Nações Unidas, 17.955
Quanto? entre R$ 100 e R$ 400, com direito à meia-entrada
Informações: http://www.credicardhall.com.br / (11) 4003-6464

Lauryn Hill em São Paulo
Quando? 7 setembro de 2010, às 21h30
Onde? Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17.955 – Santo Amaro)
Quanto? de R$ 100 a R$ 250. Podem ser adquiridos pela internet (www.ticketsforfun.com.br)
Informações: http://www.credicardhall.com.br e (11) 4003-6464
A cantora se apresenta em Florianópolis no dia 3 de setembro no Stage Music Park, no dia 6 no Citibank Hall no Rio de Janeiro e termina sua passagem pelo Brasil com um show em Brasília, na Prainha da ASBAC, dia 12.

Rage Against the Machine no SWU Music and Arts
Quando? 9 de outubro de 2010
Onde? Fazenda Maeda (Rodovia SP 75 Santos Dumont, Km 18 Sul, em frente a balança, sentido Itu/Sorocaba.)
Quanto? de R$95 a R$560 [Ponto de venda: Ginásio do Ibirapuera (Rua Manoel da Nóbrega, 1361, Paraíso, São Paulo) ou http://www.ingressorapido.com.br]
Informações: http://www.swu.com.br

O que achou dos shows? E dos preços? Vai em alguma apresentação? Comente!


Entrevista: Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz

Lívia Cruz por Stephanie Sidon, Pathy Dejesus (divulgação) e Lurdez da Luz (divulgação)

“Muito além do ser mulher” – por Carol Patrocinio

Quando as pessoas pensam em rap já imaginam um homem, de preferência negro, com roupas largas, cara de mau, muita marra e um microfone na mão. Ei, mundo real, chamando! Rap é música, expressa sentimentos, vivências, histórias. E isso todo mundo tem: branco, preto, amarelo, homem, mulher, religioso ou ateu. E é aí que entram as personagens do texto de hoje, três mulheres que ganharam espaço e notoriedade num mundo que – queriam que elas acreditassem – não tinha espaço pra elas. O mundo estava enganado!

Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz. Mulheres. Bonitas. Femininas. Elas são feitas de sorrisos, olhos, unhas. E como as mulheres de outras cenas, querem estar bonitas, gostam de como são, não querem mudar para agradar e acreditam que o talento fala mais alto do que qualquer coisa.

Preconceito? Existe. Por ser mulher, por ser bonita, por ser branca ou por ser negra. Desafios? Estão aí para serem deixados pra trás e lembrados como vitórias. Qualidade? Tem de sobra. Essas mulheres provam que o que importa é fazer com o coração e aí o respeito vem, quando menos se espera.

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Per Raps: Pra você, como o preconceito é demonstrado no rap?

pathy dejesusMeu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher”

Lurdez da Luz: Acho que o rap brasileiro está mais consciente nesse sentido do que o norte-americano de um modo geral, no que diz respeito as músicas misógenas é mais tranquilo. Acho que o machismo está tão arraigado que nem sei onde começa e onde termina e num é privilegio do rap não, em toda sociedade e nichos musicais rola só que de diferentes formas. Vide o número de instrumentistas mulheres em qualquer show de música, seja lá de que estilo for, sempre muito menor que o de homens.

Infelizmente ainda rola esse lance de muitas mulheres não se sentirem representadas por outras que estão no palco, que é reflexo de uma cultura machista, de de repente achar que você tá ali pra “aparecer” ou por causa dos caras, ignorando toda a dificuldade que é fazer arte, ainda mais rap. Mas comigo, pessoalmente, não é só o fato de ser mulher, tem o lance da pele clara, me vestir de um jeito estranho, ter um discurso talvez não muito simples de interpretar e desde do começo num ficar me explicando, deixar as pessoas livres pra pensarem o que quiser ao meu respeito.

Pathy Dejesus: Gosto de ver as coisas sempre por um ângulo mais positivo. Falta muito ainda, mas já foi bem pior… Ainda somos uma minoria dentro desse processo. Ainda existem as letras que inferiorizam, ridicularizam, menosprezam e ofendem mulheres (o que aliás já é bem batido, né?). Ainda tem homem que torce o nariz quando vê uma mulher no mic, nos toca-discos, dançando, grafitando. Mas o mundo é isso! Preconceito não é exclusivo do rap. Ele só é reflexo (talvez em maior intensidade) de uma sociedade preconceituosa (lê-se machista também). Ele está aí e não pode servir de empecilho pra quem realmente quer fazer parte.

Existem várias mulheres que quebraram e estão quebrando esse paradigma. Desde seu início, lá nos EUA entre os anos 70 e 80, a cultura é uma coisa “pra homens” e raríssimas mulheres conseguiram invadir esse espaço. As que conseguiram eram todas excepcionais (Roxanne, Salt n’ Pepa, Queen Latifah, MC Lyte, dentre várias) e fizeram a diferença! Se hoje parece difícil, imagina há três décadas. Se essas pioneiras não tivessem insistido, batido de frente pra demonstrar seu talento e sua paixão pelo hip hop, dificilmente estaríamos conversando agora.

Aqui no Brasil não é diferente… o hip hop entrou na minha vida em 94. Lembro da Rúbia, da Dina Di, da Rose MC, depois Negra Li. Tente pesar a determinação dessas mulheres naquela época… Quando fiz 13 anos, meu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher. E mais duas vezes porque é negra. De onde venho as coisas nunca foram fáceis. Graças a Deus, cresci num ambiente onde ao invés de só lamentar e apontar culpados pela situação desvantajosa, batemos de frente e não desistimos tão facilmente dos nossos sonhos.

Lívia Cruz: O preconceito contra as mulheres? Eu já disse isso várias vezes, o preconceito e discriminação contra as mulheres no rap não é diferente do que a gente vê na sociedade em geral, as manifestações tão aí a toda hora, vão das cantadas e dos barulhos obscenos que a gente é obrigada a escutar quando está simplesmente passando na rua, até uma atitude mais extrema de violência física e psicológica. Esse assunto é sério e delicado, acho que a educação, como em quase, tudo é a chave, e a música, sem dúvida, tem grande papel de formação.

Per Raps: O que significa fazer um rap feminino atualmente?


Parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher”

Lurdez da Luz: Atualmente já está tudo um pouco mais fácil pra todo mundo, existe uma evolução em relação a acesso a tecnologia, a informação e o fluxo de dinheiro dentro da cultura aumentou (ainda é pouco), o respeito fora do rap aumentou também. Eu comecei a fazer isso em 1999, só existia a Dina Di, que era uma rapper cabulosa mas que eu num me identificava e a Rose MC e Lady Rap, que num tinham muitas faixas gravadas pra gente ter algum ponto de partida. Eu curtia muito o estilo da SharyLaine, mas que já num lançava nada há anos… Enfim tive que inventar um jeito de fazer minhas rimas e levadas.

Lembro que mostrei meu primeiro rap pra Cris do SNJ, que também é minha contemporânea, e ela falou: “legal esse tipo de som, parece um pouco rap até”, eu ri e percebi que tava com uma parada que ia demorar pra ser compreendida. Pra mim o importante é ter em mente a expressão artística e as posições politicas, sempre em prol da evolução pessoal assim como da cultura e não “ser alguém dentro do rap”, parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher.

Pathy Dejesus: Existe fazer um rap feminino? Dá separar a arte e subclassificar? Não acredito nisso. Odeio rótulos. Existe talento ou não. Existe paixão ou não. Existe rap bom e rap ruim. E isso independe do sexo de quem está fazendo.

Lívia Cruz: Pra mim, no meu rap, significa mostrar o ponto de vista genuíno da mulher, eu gosto de contar historias e ainda acho que a gente se pauta muito no que os homens do rap vão pensar das nossas letras, das nossas atitudes, e isso torna os nossos relatos muito tímidos… Quero ver isso mudar, e tô fazendo minha parte pra essa mudança.

Per Raps: Beleza ajuda ou atrapalha? Como?

Muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda”

Lurdez da Luz: Acho que ajuda a abrir portas mas talvez até atrapalhe em ter credibilidade. Como disse sobre posições políticas na resposta acima, num é só saber em quem vai votar, o porquê é bem mais amplo, como por exemplo não acreditar em padrões de beleza impostos, tipo a magra, alta, de olho azul ou até mesmo a “rainha de ébano”, claro que deve ser uma benção de deus ser lindo, mas ficar impondo isso que nem a Rede Globo num deveria ser papel do rap.

Pathy Dejesus: Acho que a pergunta correta seria: ser feminina ajuda ou atrapalha? Li uma entrevista da Negra Li (de quem sou fã) uma vez falando sobre isso. Da postura supostamente correta para ser respeitada num ambiente onde ela era minoria… Usar roupa larga, nada de maquiagem, ficar séria o tempo todo pra não chamar a atenção. Pra não lembrarem que se tratava de uma mulher… Imagina a barra!

Por isso digo que as coisas estão evoluindo! E vai de nós, mulheres, nos impor, nos preservar, e sermos levadas a sério. Sou vaidosa e não vou mudar minha personalidade pra fazer o que amo. Aliás, isso não faz o menor sentido, né?! Acho lindo quando vejo Lívia [Cruz], Lurdes [da Luz], Nathy [MC], Flora [Matos], as DJs do Applebum… Todas maravilhosas, nenhuma abre mão do seu estilo pra rimar, pra discotecar. O respeito não é imposto. É conquistado!

Lívia Cruz: Por incrível que pareça, acho que atrapalha mais do ajuda. Existe um preconceito de que mulher bonita não é inteligente, muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda, e é divertido também, surpreender pro bem. A beleza vai muito além da estética, eu gosto de quem sou, não quero mudar pra agradar ninguém, e isso transparece nas minhas músicas e na minha conduta, algumas pessoas se incomodam, mas paciência… Bonito mesmo é ser feliz!

Per Raps: Hoje você é respeitada na cena por seu trabalho, independentemente do seu sexo, o que você acha que fez com que isso acontecesse?

pathy dejesus Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma”

Lurdez da Luz: Em primeiro lugar fico honradíssima, dinheiro é bom e todo mundo precisa, mas respeito pra mim vale ouro. Acho que foi resistir em primeiro lugar, se mantar fiel ao que se é e não balançar em relação ao que ” tá pegando no momento”. Foco no som e amor por esse tipo de música em especial mais do que por qualquer outra.

Pathy Dejesus: Repito que venho de uma criação (obrigado Pai e Mãe) onde sempre me lembraram quem eu sou, de onde vim e de como as coisas seriam mais difíceis por isso. Mas essa situação de “desvantagem” sempre me foi mostrada de uma forma que eu tivesse vontade de bater de frente pra conquistar meus objetivos.

Sempre fui “minoria”. Mulher negra é minoria duas vezes. Sempre tive que batalhar dobrado pra ter reconhecimento. E sinceramente, gosto disso! Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Receber um inicial “não” como resposta sempre me motivou a melhorar, buscar mais conhecimento, me preparar cada vez mais. Tem horas que realmente dá vontade de desistir… Mas minha maior rival não me pouparia, não me perdoaria. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma. Acho que vem daí o respeito no meu trabalho. E na vida!

Lívia Cruz: Esse respeito veio naturalmente por um conjunto de coisas, meu trabalho vem em primeiro e com ele o desejo de fazer virar, acreditar, ousar, perseverar, e por consequência algumas pessoas no meu caminho me ajudaram muito, sem essas pessoas, provavelmente, eu estaria bem mais longe do ponto que me encontro agora.

Time do Loko apresenta Lurdez da Luz, Lívia Cruz e Pathy de Jesus
Quando? Sábado, (14), às 00h
Onde? Hole Club (R Augusta, 2203 – Jardins/SP)
Quanto? R$15 (H) e R$10 (M)

Mais?
Novidades de 09′: Lívia Cruz
Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho


Enquanto a Beyoncé não chega no país, versões!

Ilustração feita por Ryan Casey [goryango.com]

Ilustração feita por Ryan Casey

Em tempos da rainha do requebrado, Beyoncé, no Brasil – com shows esgotados e fãs enlouquecidos -, quem não pensa em entrar na onda de “Single Ladies” para chamar um pouquinho de atenção?

O clipe da bonitona do R&B (ou seria melhor chamar de pop?) fez sucesso pelo mundo inteiro com sua coreografia repetida até exaustão por gays, héteros, crianças e é claro que a galera do rap não poderia ficar fora dessa.

Inspirando-se em Beyoncé, UCB e Wale se juntaram pra fazer o “Pat your Wave” – algo como “afofe seus cachos”, no bom português. A música é boa, o clipe também e as meninas que dançam são humanas e você nota isso lá pro 1:15, quando as garotas começam a dançar e tudo mexe com elas, diferente da Beyoncé.

E falando em tudo mexer, lembrei da nossa querida Preta Gil. Brasileira, que não desiste nunca, e com coragem. A filha do talentosíssimo Gil resolveu não perder o momento e arriscar um versão de “Single Ladies”. Enquanto Beyoncé diz que “se você gosta devia colocar um anel ali”, incentivando os caras a se comprometerem, e UCB e Wale dizem pra você deixar as ondas do seu cabelo mais bonitas, Preta resolveu que a versão dela falaria sobre estar solteira naquele noite. Ok, é sempre carnaval, né?

Você gostou mais do qual? Preta Gil? Beyoncé? UCB e Wale? Ou as Esquiletes do novo Alvim e os Esquilos?


P.U.T.S.

Imagem retirada do MySpace e editada por Shumiski

Imagem retirada do MySpace e editada por Shumiski

O P.U.T.S. pede passagem*

O grupo californiano People Under the Stairs (PUTS) fez uma passagem pelo Brasil no último mês que rendeu várias boas lembranças. Dos principais, participaram da primeira transmissão ao vivo da Rádio Boomshot, forma ao programa Manos & Minas (26/10), discotecaram no Milo Garage, tocaram na festa Chocolate (na Clash) e no espaço +Soma.

Acompanhamos de perto os corres que o Zeca MCA fez para garantir que rolasse a transmissão ao vivo na Boomshot (20/10), e felizmente tudo deu certo! Quem acompanhou o Twitter também teve a chance de ver todas as dificuldades dessa proposta ousada da Boomshot. Seguindo a agenda doPUTS, o grupo tocou na Chocolate, com direito a um freestyle empolgado do Thes One, além de um clima de festa que marcou o show desde o começo.

Já na +Soma, foi um fim de semana (dos dias 24 e 25 de outubro) de muito som. Quem recebeu o povo foi o Dj Tamenpi, pra variar só com pedradas! O som não colaborou muito no sábado e Thes One teve que segurar todo mundo no gogó de início. O som melhorou, voltou a ficar ruim e eis que o Edú Lopes (d’A Filial) interferiu pedindo pra que a galera mandasse energias positivas, já que a situação começava a ficar tensa. Alguns minutos depois, tudo voltou ao normal e o show seguiu bem até às 23h e tantas.

Para não deixar a passagem desse importante grupo de rap, o Per Raps resolveufazer a sua homenagem com imagens de duas parceira: A Luciana Faria (aka Lu Playmobile) e a Mayla Yumegari (do SneakersBR e Maze Skateshop). Curta ae a galeria e, se tiver imagens de qualquer uma das apresentações dos caras, mande pra gente!

* Com informações de Nathália Leme.


Vídeos exclusivos do Emicida

Foto: Janaina Castelo Branco/Divulgação

Foto: Janaína Castelo Branco/Divulgação

Respondendo de bate-pronto ao nosso leitor Rodrigo Nunes, disponibilizamos aqui três vídeos exclusivos de Emicida, gravados durante a apresentação no Centro Cultural São Paulo, na última quinta-feira.

As duas músicas são inéditas (não estão na mixtape) e falam sobre clássicas confraternizações surgidas na cidade de São Paulo nos últimos anos: a Batalha da Santa Cruz e a Rinha dos MC’s. Uma rima especial pra cada festa. Se liga!

E de presente, você ainda ganha um spoken word que o cara mandou durante o show. Pira na ideia!


Quando dá vontade de escrever sobre um show

Foto: Reinaldo Canato/Entrelinhas

As irmãs Célia e Hélène Faussart no Sesc Pinheiros Foto: Reinaldo Canato/Entrelinhas

“Um duo capaz de seguir no repeat, eternamente” – por Eduardo Ribas

Mágico. Quando uma apresentação musical é definida por essa palavra, pode-se ter certeza de que não foi um simples show. Duas cantoras, ambas com vozes que não são desse mundo, capazes de manter um sorriso aberto por uma hora e meia, assim como arrepios sequenciais, tamanha a emoção passada em cada interpretação. A quem me refiro? Les Nubians, dupla franco-camaronesa que veio ao Brasil em 2009 graças às comemorações do ano da França em terras tupiniquins.

Com vestes tradicionais africanas, além de pinturas tribais no rosto, as irmãs Célia e Hélène Faussart mantém literalmente os pés na contemporaneidade com sapatos de salto alto – abandonados próximo ao fim da apresentação. Outro traço do ‘hoje’ são as inúmeras visitas a ritmos de diversas partes do globo, do samba ao reggae, lembrando das percussões tribais até no R&B. E não havia ligações só com o moderno, mas também com o público.

Conversando com a platéia em português, que por vezes virava portunhol, as irmãs conseguiram passar sua mensagem: elogiaram a eleição de Barack Obama, questionaram os ideais franceses de “liberdade, ïgualdade e fraternidade” e mostraram que a imagem que o Brasil tem no exterior é de unidade, mas que tiveram acesso as lutas de movimentos negros desde os anos 80 por aqui e assim deram ainda mais valor a história do país. Além disso, mostraram a sua visão em relação a música, fator de mudança do mundo, que primeiro precisa partir do indivíduo, para depois contagiar o próximo e assim por diante.

Empolgaram com “J’veux D’la Musique”, fizeram o público cantar em sua versão de “Tabou” e em uma das poucas composições inteiras em inglês, “Temperature Rising” – com direito a uma versão de “Mas Que Nada”, de Sérgio Mendes, no meio do som – também obedeceram um pedido do público, cantando “Demain” a capela, despertaram “bicos” que ensaiavam o francês em “Makeda” e, para finalizar, “Saravah”, já no bis. Para quem não esperava uma visita musical das irmãs Nubians tão cedo, até pelo não lançamento de um material novo recentemente, foi uma surpresa e tanto. O próximo CD da dupla foi prometido para 2010.

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Célia Faussart cantou, encantou e até arriscou um samba no pé (Reinaldo Canato/Entrelinhas)

Para muitos ali, a dupla poderia continuar cantando num repeat infinito.


O r&b francês das meninas do Les Nubians

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Imagem retirada do MySpace

Les Nubians e o soul franco-camaronêspor Mayra Maldjian

Quem ouve Les Nubians a primeira vez não esquece. Em São Paulo desde o Sampa Jazz, festival que reuniu bambas do gênero no Theatro São Pedro, as irmãs Hélène e Célia Faussart mostram a combinação afrodisíaca do sotaque francês com timbres aveludados em levada r&b para plateias cheias no Sesc Pinheiros, nesta terça e quarta. As apresentações fazem da parte da programação oficial do Ano da França no Brasil.

Com um pé no jazz e outro no rhythm’n’blues, a dupla franco-camaronesa também faz bom uso do peso do rap europeu e da despretensão do novo pop africano para consolidar um estilo feito para ouvidos e corações sensíveis. Dessa fusão natural de influências – as cantoras são filhas de pai francês e mãe camaronesa – saíram delícias sonoras como “Makeda”, que alcançou o top 10 da Billboard na categoria ritmo e blues, e a indicada ao Grammy “J´Veux d’la Musique”, do álbum “One Step Forward” (2003).

Desde 2005 sem lançar disco, a dupla franco-camaronesa prepara um para sair “em breve”. Enquanto isso, deleita fãs de soul music com o repertório de seus três álbuns –”Princesses Nubiennes” (1998) e “Echos, Chapter One” (2005) são os outros dois.

Mais em
http://www.lesnubians.com/
http://www.myspace.com/lesnubians

Para conferir
Les Nubians @ Sesc Pinheiros
Quando? 6 e 7 de outubro, às 21h
Onde? Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – SP
Quanto? R$ 5 a R$ 20


Kamau e Júlia Says

Conversa musical: Júlia Says e Kamau

O Per Raps destaca nesse fim de semana o show promovido pela Agência Alavanca, que propõe o encontro entre os pernambucanos do Júlia Says e o paulista Kamau. A mpb-eletrônica vinda do Recife tende a combinar de forma bem interessante com o rap de Kamau.

Aproveitando a oportunidade, o Per Raps conversou com ambos para ver se realmente existe a chance do encontro fazer sucesso. Antes de Júlia Says e Kamau subirem ao palco, quem agita o público é a Dj Mayra (da crew Applebum).

Paulo Dias e Anthony Diego formam o Júlia Says - Divulgação

Pauliño Dias e Anthony Diego formam o Júlia Says - Divulgação

Júlia Says
O Júlia Says é uma dupla vinda de Recife-PE, que ultimamente faz a ponte com São Paulo para apresentar os sons de seus dois EP’s. Tímidos, porém descontraídos, a dupla chega na miúda, mas promete fazer barulho. Misturando influências de MPB com nuances de música eletrônica, o duo faz até versões de músicas de grupos como Beastie Boys e Prodigy em seus shows.

Pauliño Dias fica na responsa da guitarra e do violão e Anthony Diego conduz a bateria. Ainda há espaço pra um sintetizador, que dá peso ao som. Falando mais das influências musicais do Júlia Says, encontramos Gorillaz, Prodigy, John Frusciante, os brasileiros Wado, Lucas Santanna, Mart’nalia, e os animes Akira e Ghost in the Shell.

A dupla curte internet e responde pelos seus perfis em redes sociais. Além disso, acompanham alguns sites e blogs, principalmente ligados a música. “Temos uma comunidade no orkut e costumamos usar o Twitter para anunciar os shows da banda”, conta Diego.

Pra quem nunca viu um show do “Júlia”, Diego revela alguns detalhes. “O show da gente é diferente dos dois EP’s. Tem violão no EP e, no show usamos guitarra. É mais instigado”, completa. O som ao vivo também promete ter uma pegada bem mais agressiva. Na formação de palco, a guitarra fica com Pauliño.

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Kamau
Kamau chega com os sons de seu primeiro álbum, Non Ducor Duco, que fez sucesso entre fãs do rap e críticos da música. Com um show repleto de letras com temas diversos e refrões cantados ao vivo por seu parceiro Jeffe, o paulista ainda conta com o Dj Erick Jay, último representante brasileiro no DMC, campeonato mundial de Dj’s, realizado esse ano em Londres.

Perguntado sobre suas influências, Kamau cita o jazz de John Coltrane, Miles Davis, além do rap dos gringos do A Tribe Called Quest e De La Soul e os brazucas Racionais MCs, Parteum, Pentágono, Emicida, com espaço ainda para Los Hermanos, Hurtmold e os roqueiros da Plebe Rude. Isso, além de tudo que acontece a seu redor.

O rapper confessa gostar de estar bem informado e passou a se ligar mais na internet quando pesquisava letras de rap em um site norte-americano. Os programas Soulseek e Napster serviram em um segundo momento para que o MC conhecesse também novos sons. Para ele, leitura obrigatória pra quem quer se manter atualizado em relação ao rap são os blogs Okayplayer e 2DopeBoyz (que hoje são parceiros) e o Nah Right.

Sobre o tão falado Twitter, não usa o microblog para “simplesmente” contar seu dia a dia. Ele conta que agora toma mais cuidado com o que diz e tenta passar algo de positivo, já que tem “a atenção de várias pessoas”.

Para quem ainda não curtiu um show de Kamau, ele mesmo diz o que se pode esperar. “No show, eu explico melhor o que quis dizer no disco, e em casa a pessoa tem uma interpretação mais livre”. Ele explica que o CD é uma espécie de história num livro e já o show é uma apresentação de teatro sobre esse livro. Mas e quem já viu, vai encontrar o que de diferente? “Nunca dá pro show ser igual ao CD. E eu também sempre procuro mudar a ordem das músicas”, explica. No palco, Dj Erick Jay, Jeffe (na dobra e cantando refrão) e é claro, Kamau.

Sobre o que esperar dessa conversa musical na Livraria da Esquina, Kamau responde. “Espero que as pessoas que forem tenham mais vontade de ouvir o disco”. Non Ducor Duco, por parte do Kamau e “Júlia Says” e “Menos e Mais”, ambos EPs do Júlia Says.

Saiba mais:
http://www.myspace.com/kamau76
http://www.myspace.com/juliadisse

Noite Alavanca convida Júlia Says e Kamau
Discotecagem: DJ Mayra (Applebum/Guetoteca)
Sábado, 26 de setembro de 2009
A partir das 23h
Livraria da Esquina: Rua do Bosque, 1.254 – Barra Funda – São Paulo, SP
Entrada: R$ 10 (aceita todos os cartões)
Estacionamento: conveniado ao lado (R$ 10)
Telefone: (11) 3392-3089
Site: www.livrariadaesquina.com.br



O amadurecimento de MV Bill

Foto retirada do Facebook de MV Bill

Foto retirada do Facebook de MV Bill

“Encontrei minha salvação na cultura Hip-Hop” – por Carol Patrocinio

Mensageiro da Verdade Bill, o cara que, em 1999, chegou ao Free Jazz Festival com uma arma na cintura e chocou o país levando a voz do morro, o canto dos excluídos e toda a revolta que só uma vida de dificuldades e obstáculos pode criar, mudou muito em todos esses anos de carreira.

A relação com a mídia se formou e foi estabilizada num respeito recíproco, Bill sabe como lidar com a imprensa e passar sua mensagem – “Saber circular por vários meios e não deixar de ser eu mesmo. Eu posso ampliar meu ângulo de amizades e meu quadro de comunicação”. É um homem inteligente, experiente e, hoje, comedido; sabe que pensar antes de falar é a garantia de não ser mal interpretado.

Pela primeira vez escreveu o roteiro e dirigiu um clipe, que rendeu a indicação ao prêmio VMB na categoria Rap. Mas para o “Soldado do Morro” o prêmio não é importante apenas para a carreira de quem foi indicado e sim para todo o rap nacional, que volta a ter abertura na televisão em âmbito nacional: “A MTV começa a voltar a ter uma relação estreita com o rap nacional, porque há três anos eles não colocam a categoria de melhor rap dentro do VMB. Então, essa volta, e poder estar presente dentro dela faz a minha felicidade completa”, comenta.

Entre projetos sociais, shows, apoio a campanhas e a vida corrida no Rio de Janeiro, MV Bill falou com a gente por telefone – papo que no fim da série VMB você vai poder conferir o áudio na íntegra – e comentou o rap, sua indicação, a mídia e muito mais. Dá uma olhada nos melhores momentos do papo.

Per Raps: Qual a importância da internet para o hip hop?
MV Bill: A internet pra mim é sem dúvida fundamental para a expansão do hip hop, o hip hop brasileiro que não tem compromisso com gravadora, é verdadeiro e fala com o coração. Pra esse hip hop a internet é um caminho alternativo sensacional, sem ela acho que muitos não viveriam. Eu tenho certeza de que grande parte do que aconteceu comigo até o dia de hoje, se não fosse a internet, o caminho teria sido completamente diferente. Viva a internet, viva a democracia!

Per Raps: Você gravou um dvd com o acompanhamento de uma banda. O que você acha quando as pessoas dizem que o rap deve ser “puro”?
MV Bill: Quem acha que o rap deve ser puro deve ser provavelmente um ignorante, não deve conhecer a história do hip hop. O hip hop nasce de uma mistura e ele só se mantém vanguardista e vivo até hoje porque ele continua se misturando e a mistura vai sendo uma renovação. É uma ignorância quando as pessoas acham que o rap tem que ser puro, é burrice, falta de cultura. Acho que o rap pode se misturar ao rock, ao samba, ao baião, ao dance, a outros ritmos, ao funk 70, ao funk atual e nunca deixar de ser rap.

Per Raps: Qual a sua relação com o rap pop?
MV Bill: Eu não costumo classificar por categoria os músicos de rap, como o rap é música ele acaba sendo também entretenimento, não obrigando as pessoas a embutirem mensagem politizadas em suas músicas. Ele serve mais as pessoas das camadas mais pobres, mas acho que não é uma regra.

Per Raps: Você acha que houve uma evolução no espaço do rap ou houve uma estagnação?
MV Bill: O que falta ainda é um programa a nível nacional, mas isso não quer dizer que há uma estagnação no hip hop nacional. Eu, por exemplo, viajo pelo Brasil inteiro, to tocando em tudo quanto é lugar. Acho que o que está faltando é as pessoas produzirem músicas com mais qualidade, buscarem caminhos próprios, não só musicais, mas também intelectuais, desenvolver as visões, não reproduzir o pensamento já existente numa música, os compositores precisam ler mais, descobrir novas palavras, descobrir novas formas de falar de problemas que não mudam, mas falar de forma diferente. Acho que isso vai trazer mais diversidade para o hip hop brasileiro.A gente tem um número de pessoas muito afim de ouvir, mas nossas mensagens não estão sendo passadas para as pessoas com um pacote de qualidade.

Per Raps: Muita gente fala sobre o rapper de sucesso como alguém que se vendeu, qual a sua posição em relação a isso?
MV Bill: Esse é um pensamento ultrapassado. O hip hop evoluiu e as pessoas que não evoluiram junto com ele ficaram pra trás. Se ir falar pra um número maior de pessoas significa uma traição, eu to dentro desse quadro de traição.

Per Raps: O que mudou no Bill que se apresentou no Free Jazz em 99 e que hoje faz parte de projetos sociais?
MV Bill: Acho que o amadurecimento. Amadurecer, ser reconhecido e ter minha voz amplificada me fez modificar alguns pensamentos, ter atitudes diferentes. Antigamente eu tinha as portas trancadas, agora eu tenho portas abertas, então a postura acaba sendo outra.

Per Raps: Quem você acha que deveria ter sido indicado e não foi?
MV Bill: Acho que todo mundo que tá lá já tá ótimo. Eu to feliz por mim e acredito que os outros indicados estejam também felizes por si. Quem não foi [indicado] não tem que sofrer, acho que quando a MTV trás a categoria de rap de volta, acho que não é uma vitória pra mim, pro Bill, é uma vitória do coletivo. Acho que ela volta a ter uma relação estreita com o rap nacional e isso é bom pra todo mundo. E cabe ao próprio hip hop começar a fazer clipes de boa qualidade, música bacana, bem produzido, acho que isso vai fazer com que os espaços sejam ocupados.

Per Raps: Quem são os caras mais legais pra se ouvir hoje?
MV Bill: Tem vários caras legais, eu destacaria por exemplo um rapaz lá do Rio Grande do Sul, chamado Rafuagi, que é muito bom. Aqui no Rio tem outro chamado Rom3u R3, que tá começando e é bem legal. Tem minha irmã, Kmilla, que vai ser foda, que é uma grande promessa no hip hop. Tem vários rolando por aí.

Quer votar no MV Bill? Vai lá!

Essa semana ainda rola entrevista com todos os indicados ao prêmio – leu o papo com o Kamau? -, numa parceria do Per Raps com o iG Street. Não perca!

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Para ver

O rapero, como Bill prefere ser chamado, participa do festival Back2Black neste fim de semana no Rio de Janeiro. O evento tem o objetivo de relembrar a África como berço da civilização e celebrar o continente como polo de discussão política e difusor de cultura.

Serviço
Quando? 28, 29 e 30 de agosto, a partir das 20h
Onde? Estação da Leopoldina – RJ
Quanto? R$ 60 e R$ 80,


Kamau: o guerreiro silencioso do rap

Foto de Ênio César

Foto de Ênio César

“Porque sucesso é caminhada e não a linha de chegada” por Carol Patrocinio

São 12 anos de carreira, uma mixtape solo, lançada em 2005 e o álbum “Non Ducor Duco”, de 2008, além do EP com o Consequência, em 2002, e um disco com o Simples, de 2006. Depois de aparecer como repórter do Yo! MTV Raps – “Eu nunca fui repórter do Yo! A diretora do programa na época, disse que eu podia sugerir as pautas que quisesse e até mesmo fazer parte dessas pautas. Apareci mais duas ou três vezes fora isso por falar inglês e estar por perto na hora” e fazer um freestyle em uma das edições do VMB, Kamau foi indicado para o prêmio de Rap deste ano. E aí, isso muda alguma coisa na correria?

O trabalho do rapper é divulgado do jeito que dá: “Tenho alguns amigos que tem contatos, tenho alguns contatos próprios, uso a internet pra mostrar vídeos e falar sobre o que tenho feito e às vezes sobre o que pretendo fazer. Não tenho métodos mirabolantes de divulgação. Queria ter uma eficácia melhor nesse sentido”, comenta. Mas a indicação só agrega e “muda a visibilidade e a credibilidade com alguns, dentro e fora do rap”. Se liga no papo que a gente bateu com ele.

Per Raps: Muita gente fala sobre o rapper de sucesso como alguém que se vendeu, qual a sua posição em relação a isso?
Kamau: É um pensamento meio egoísta do público, mas não acho que isso seja exatamente a “definição”. O cara que se vende é o que deixa de ser o que era pra ganhar dinheiro. Trai convicções e cai em contradição em busca de retorno estritamente financeiro. Nem todo mundo que faz sucesso se vendeu. Vai me dizer que Racionais não faz sucesso? E nem todo mundo que se vendeu faz sucesso.

Per Raps: Você acredita que a relação da mídia com o rap pode abrir ou fechar as portas?
Kamau: Os dois. Temos que ficar bem espertos em relação à mídia pois na maioria das vezes ela quer nos testar, mesmo quando acha que está ajudando o artista. Entrevistas por telefone, textos (mal) editados, matérias editadas por quem não estava presente. Essas são algumas das armadilhas em que já caímos. Mas existem alguns bem-intencionados que conseguem reproduzir o que dizemos fielmente. Aí vai do artista saber usar o espaço da melhor maneira pra si e pro que ele representa.

Per Raps: Qual a sua relação com o rap pop?
Kamau: Minha relação com a música é simples. Gosto ou não gosto. É assim com o que ouço e com o que faço. Não me apego a rótulos.

Per Raps: Na sua opinião, rap precisa passar uma mensagem ou pode ser apenas diversão?
Kamau: Muitos colocam uma grande responsabilidade no colo do rap sem perguntar se é isso que ele realmente quer. Deixem que a música seja música e absorvam o que ela oferece. Eu tento fazer o que é natural pra mim.

Per Raps: Você já foi repórter do Yo! MTV Raps e teve outras participações na MTV, inclusive fazendo um freestyle em uma das edições do VMB. Qual a sensação de participar agora como indicado a uma categoria de prêmio?
Kamau: Eu nunca fui repórter do Yo! A diretora do programa na época, Tatiana Ivanovici, me chamou pra fazer um teste pra ser o apresentador junto com outros MC’s, quando o KL Jay saiu. Mesmo não tendo sido aprovado pela TV, ela disse que eu podia sugerir as pautas que quisesse e até mesmo fazer parte dessas pautas. Foi assim que sugeri a entrevista com Sabotage em seu primeiro grande show e fiz a matéria sobre novos nomes do Hip Hop no metrô São Bento. Apareci mais duas ou três vezes fora isso por falar inglês e estar por perto na hora.

Ser indicado foi uma surpresa e é uma honra por estar na mesma lista de nomes como Emicida, MV Bill, RZO e Relatos da Invasão. Cada qual tem sua caminhada, seu estilo e sua época. Espero que o rap se sinta bem representado por qualquer um de nós.

Per Raps: Você acha que suas rimas são “difíceis” de se consumir, já que você foi recentemente premiado no Hutuz por um música que já tocava há tempos e agora, após mais de dez anos de carreira, uma indicação na MTV?
Kamau: Muito pelo contrário. Acho que as rimas já caíram no gosto dos ouvintes. Mas as pessoas que coordenam esses prêmios não estão realmente atentas ao que tem acontecido e costumam lidar com o que lhes cai no colo ou o que não tem como evitar. Um bom exemplo disso é o Bill e o Emicida. Tem como negar o barulho que eles tem feito?

Meu nome significa Guerreiro Silencioso. Mas isso não quer dizer que eu não tenha feito barulho. Mas alguns demoraram mais a ouvir.

Per Raps: Quem você acha que leva o prêmio? E quem você acha que mais merece o prêmio?
Kamau: Não sei quem leva. Mas quem corre pelo certo e fortalece realmente o rap merece um prêmio. E existem vários desses.

Per Raps: Quais são os mc’s que não podem deixar de ser ouvidos?
Kamau: Emicida, Parteum, Slim, Pentágono, Brown, MV Bill. E acho que eu também.

Quer votar no Kamau? Corre lá!

Essa semana ainda rola entrevista com todos os indicados ao prêmio, numa parceria do Per Raps com o iG Street. Não perca!

logotwit_radar urbanoNão deixe de acompanhar também o especial que o Radar Urbano está fazendo com os indicados do VMB. O grupo entrevistado da vez é o Relatos da Invasão. Acompanhe um trecho:

Radar Urbano – Quanto aos demais indicados, foi justa a escolha? Faltou alguém? Existe Favorito?

Relatos – Bom, eu Thig vou dar minha opinião sobre o fato confesso que estou meio confuso sobre as indicações e o criterio que eles ultilizaram pois ainda não sei qual tera sido mais enfim. Se o critério for video clipe como de costume, acho que faltou o clipe do Pentágono que também teve estréia na mtv esse ano.

Continue lendo no Radar Urbano.

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Ao vivo

Um ano de lançamento do álbum “Non Ducor Duco” e a comemoração de estar entre os 25 melhores discos de 2008, eleitos pela Rolling Stone, além da indicação ao VMB 2009. Um show na Hole, em SP, com o acompanhamento de uma banda.

Guilherme Scabin e Toca Mamberti (guitarra), Sorry (bateria), Filiph Neo (teclado e voz) e J. Mossil (baixo), Erick Jay e Jeffe vão estar ao lado de Kamau para apresentar versões originais de algumas das 17 canções do álbum.

Antes e depois do show, rola discotecagem dos DJs Nyack e Erick Jay.

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Serviço
Quando? Sábado, 29 de agosto, 23h30
Onde? Hole Club (R Augusta, 2203, Jardins – SP)
Quanto? H: R$ 15 ou R$ 12, M: Vip até 0h; depois R$ 12 e R$ 10


Bocada Forte: 10 anos de resistência

Dez anos. Às vezes o tempo passa rápido e faz com que a tecnologia avance com a cura para doenças, conexões ainda mais velozes para a internet e encurte distâncias, por outro lado, 10 anos pode ser um longo período, se o assunto for uma guerra que leve a uma revolução, por exemplo. Se estivermos falando sobre cultura, há obras que demoram esse tanto para ficarem prontas.

Mas se estivermos falando de resistência, e ainda incluir tecnologia e cultura, poderemos entender um pouco da importância dos 10 anos do Bocada Forte. Surgido em 1999, o site se tornou referência em hip hop no Brasil e mais tarde, em outras partes do mundo. Com o propósito de divulgar a cultura de rua, o BF, como também é conhecido, resiste divulgando artistas, iniciativas, realizando grandes entrevistas e dando visibilidade à cena.

Nada melhor que a própria equipe do Bocada Forte, que hoje se tornou o Central Hip Hop, para explicar direito como tudo surgiu, além do significado desse trabalho. Confira um pouco da história do “quilombo cultural” chamado Bocada Forte, em 10 perguntas feitas à equipe do site.

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Participam da entrevista: André Cesário e Fábio Pereira, idealizadores do site e responsáveis pelo suporte ao pessoal que coloca o material no ar; Dj Cortecertu, gerente de conteúdo do Bocada Forte desde 2001; Gil, ex-gerente de conteúdo do Bocada Forte e atual responsável pela Revista Elementos; e Noise D, colunista do Bocada Forte desde 2001.

 

Observação: Você deve ter reparado que o Bocada Forte se tornou agora o Central Hip Hop. A mudança ocorreu para dar mais abrangência aos temas tratados. No entanto, os criadores do site sabem da força desse nome, que ainda  será utilizado como um selo de identificação, assim como a Coca Cola Company, por exemplo.

Per Raps: De onde surgiu a idéia de criar o BF?

André Cesário: No início, a idéia era apenas divulgar um grupo de rap de uns amigos do meu bairro chamado Urbanos MC’s, que naquela época já tranformavam os poemas de Mário de Andrade em rap. O resultado dessa tranformação levou o grupo a fazer shows em dezenas de cidades do interior de São Paulo, com o espetáculo “Pru Mano Mário” que fazia parte do projeto “Coração dos Outros: Saravá – Mário de Andrade”, do SESC São Paulo.

Nessa época, estava na faculdade de Publicidade e Propaganda e percebi que era uma boa oportunidade de divulgar o grupo, já que o rap tinha se popularizado, principalmente fora das periferias, por conta do disco dos Racionais, “Sobrevivendo no Inferno”.

Mas não tínhamos dinheiro para pagar as mídias tradicionais. Foi aí que surgiu a ideia de utilizar a internet para a divulgação do grupo. Eu não sabia nada dessa novidade, então comecei a pesquisar como poderia fazer uma homepage. Fiz um cursinho de HTML e assim comecei um esboço no papel de como seria a página. Rabisca daqui, rabisca dali, surge o Fábio e o Rodrigo, que estudavam comigo.

Per Raps: Como estavam as coisas em termos de conteúdo na página e de cena hip hop, no geral?

Dj Cortecertu: Em 2001, passei a ser colaborador e colunista do Bocada Forte. Eu sempre mandava alguns textos para o Gil que, na época, era o responsável pelo conteúdo do site. O início do BF se localiza no período em que o Rap brasileiro passou por uma transição – novos artistas começaram a desenvolver outras abordagens em suas músicas.

O Rap tinha consolidado sua mensagem política, livros, teses e documentários foram lançandos sobre esse tema, o Rap também se afastou dos outros elementos, mas os intelectuais e jornalistas não percebiam o que estava se desenvolvendo entre os jovens que gostavam de Rap e também curtiam skate, internet e outras tecnologias. As cenas política e econômica também contribuiram para um novo comportamento, com uma sensação de estabilidade e crédito fácil, creio que as pessoas passaram a se identificar com outros temas, muitos artistas surgiram nessa vibe, houve desconfiança e conflitos de ideias. Esses fatos estão na formação do Bocada Forte.

Per Raps: Fale um pouco mais da origem do Bocada Forte.

André Cesário: Rodrigo gosta muito de rap, breakbeat e funk, além disso desenha muito, fizemos um pequeno brainstorm e surgiu o nome Bocada Forte. Foi ele quem desenvolveu os dois logotipos que usamos até hoje.

O Fábio viu os esboços e perguntou qual era a ideia, apresentei o pequeno projeto pra ele que prontamente se mostrou disposto a ajudar, pois já manjava um pouco de HTML.

Passamos algumas semanas pesquisando na própria internet se tinha algum site que falava de Hip Hop e descobrimos que 90% das páginas pessoais (não existiam blogs nessa época) falavam de Racionais e Thaíde e Dj Hum.

No dia 13 de maio de 1999 colocamos o Bocada Forte no ar, apenas com o material dos Urbanos MC’s. Logo no início percebemos que o site era muito grande para divulgar apenas um grupo de rap. Fizemos uns flyers em sulfite e começamos a divulgar em todos os eventos possíveis. O pessoal abraçou a ideia e começou a enviar materiais.

Per Raps: Quais foram os três grandes momentos do Bocada?

Gil, da Revista Elementos: Escolher só três fica difícil, pois foram vários grandes momentos, entre eventos, matérias e pessoas que conheci.

1) O Show do Public Enemy, em 2003, quando intermediei a negociação para eles tocarem em SP; até hoje troco e-mails com Chuck D e DJ Lord por conta dessa experiência;

2) A matéria com o Da Guedes, também em 2003, em que acompanhei o grupo de Porto Alegre até a cidade de Passo Fundo, onde eles fariam um show, as fotos e o texto com a história desse rolê foram pro ar;

3) Uma entrevista com o DJ Primo, que ainda não foi publicada.

Arquivo pessoal (Gil)

Gil Souza, Diko e Chuck D (Public Enemy) - Arquivo pessoal (Gil)

Per Raps: Quais as maiores dificuldades para quem faz um site como o BF?

Fábio Pereira: O maior desafio do site sempre foi se manter atualizado, tanto no conteúdo como nos novos formatos de web. Quando você está há muito tempo no ar, acaba se acostumando e se acomodando com sua forma de atuação.

Nosso foco fica na busca constante de ferramentas e tecnologias para que possamos manter um conteúdo diversificado e atrativo pro público.

Não é uma tarefa fácil, mas quando se faz algo com amor, as coisas acontecem. É por isso que estamos aí há 10 anos! Todos que passaram se dedicaram e deram sempre sua energia pelo site, da forma mais positiva.

Per Raps: Como era feita a divulgação de artistas e como era a aceitação dos divulgados?

André Cesário: Como hoje, muitos artistas praticamente eram independentes, pois as gravadoras não divulgavam de forma eficiente os artistas de rap, então a gente se oferecia pra dar uma ajuda com o site.

Per Raps: Houve críticas negativas em relação às pessoas que eram divulgadas e as que não eram?

André Cesário: Sim, sempre tem alguém que reclama. Mas muitas vezes isso acontecia porque o artista não enviava o material; sempre fizemos o possível para divulgar todos aqueles que nos procuravam.

Per Raps: Na sua opinião, qual a importância de ter sido criado um veículo como este há 10 anos?

Gil, da Revista Elementos: Foi muito importante. Vários artistas, que na época eram muito novos, ainda estariam no anonimato se não existisse um veículo com uma pessoa séria e compromissada com a Cultura de Rua a frente. Representantes de diversas partes do país tinham o seu destaque e uma visibilidade nacional, dessa forma foi possível que todos se conhecessem e soubessem o que acontecia em outras partes do país.

Per Raps: Você acha que o hip hop ruma para uma profissionalização, pelo menos em relação à comunicação com veículos que sempre falam da cena e também em relação a outros, que tratam do assunto esporadicamente?

Dj Cortecertu: Sim, caminha para uma profissionalização. Vejo gente séria trabalhando lado a lado com os artistas. Mas preciso pontuar duas coisas:

1 – Uma grande parcela dos artistas do Rap ainda não sabem lidar com a crítica. Os MCs, DJs, beatmakers e afins tratam os meios de comunicação como se fossem assessorias de imprensa e, quando recebem alguma crítica sobre seu trabalho, chamam os membros da mídia alternativa de bicos sujos, faladores, pés-de-breque, entre outros adjetivos bonitinhos.

2 – Ainda valorizamos demais a grande mídia (tradicional), que não tem em seu histórico entendimento ou respeito pelo Hip-Hop brasileiro. Quando um artista é tema num site ou num blog da mídia alternativa a cena dá uma importância menor. Quando o artista sai na Folha, no Estadão, na Veja ou na Época, todo o cenário Hip-Hop fala: agora sim, esse cara tem valor. Até nós, dos sites e blogs, noticiamos como se a grande mídia fosse o carimbo legitimador.

DJ Anderson (Ultramen) Noise D e DJ Primo (R.I.P.) - Arquivo Noise D

DJ Anderson (Ultramen) Noise D e DJ Primo (R.I.P.) - Arquivo Noise D

Per Raps: O que você acha que falta melhorar no BF hoje?

Diego ‘Noise D’: O portal Central Hip-Hop/Bocada Forte sempre prezou pela participação das pessoas; desde o início foi assim. E o trabalho duro é para torná-lo cada vez mais aberto à interação, de uma forma sempre justa e democrática, abrindo espaço pra todos os artistas e ativistas da cultura de rua que queiram promover suas ideias e seus trabalhos no BF. É uma luta diária, pois a gente tem, além da ocupação com o portal, nossos compromissos profissionais diários, o que muitas vezes limita nossa capacidade de ação.

Mas a gente segue firme porque acredita no veículo, no poder que ele tem e na contribuição que ele dá à cultura Hip-Hop nacional. Esses dias ouvi alguém dizendo: “Somos todos amadores”. E hoje eu compreendo o que ele quis dizer… Fazemos por amor! Aqui, de certa forma, não existe um “profissionalismo extremo”, porque o amor à cultura é o que nos move… O “melhorar” é uma constante pra gente e toda ideia e contribuição será bem-vinda.

Per Raps: Além do site, o que o BF conquistou?

André Cesário: Fizemos muitas coisas, parcerias em eventos fora de São Paulo, eventos no Jardim Monte Azul. Montamos uma ONG para dar legalidade ao site e dessa forma tentar atingir outras pessoas que ainda não tem acesso à internet; por isso resolvemos fazer a Revista Bocada Forte.

Gostaria de aproveitar a oportunidade e agradecer algumas pessoas que  fazem ou fizeram parte do site e que foram fundamentais para que ele esteja no ar até hoje: Fábio, Rodrigo, Ingrid, Guto, Noise, Gil, Sete, Diko, Rangell, Fabiana Meninni, Celso, Athaíde, Adriano, Claudinho, Urbanos, Cortecertu, Gilpones, Bruno Gil e Rodrigo Bueno.

Se eu esqueci de alguém, não faltará oportunidade de agradecer SEMPRE! A todos os site, blogs que de alguma forma fazem a cada dia a informação chegar aos mais diversos lugares, parabéns a todos! E a todos os artistas que acreditam como nós que é sempre possível fazer um trabalho digno.

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Hoje, dia 25 de julho, o Tapas Club abre as portas para o show de lançamento do primeiro single de Rael da Rima, que marca a comemoração dos 10 anos do portal de hip-hop Bocada Forte. Na festa – que vai contar ainda com discotecagem dos DJs Kefing e Marco – o MC, músico e compositor integrante do Pentágono sobe ao palco acompanhado de seu violão e da banda formada por Muka Batera, Bruno Dupre (guitarra solo), Xandola (guitarra base) e Rafael da Costa (baixo). O show também terá participação de Paulo Msário (um dos quatro MC’s do Pentágono).

Bocada Forte @ Tapas Club
Endereço: Rua Augusta, 1246
Telefone: (11) 2574-1444
Preço: R$ 15,00 – com nome na lista, R$ 10,00. Ambos os preços dão direito ao CD com as três versões do single “Trabalhador”. (Via: Revista 100%)


Marcela Bellas: parcerias de respeito

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“O resultado deu samba e ficou Rap”por Carol Patrocinio

É bem possível que você nunca tenha ouvido falar sobre Marcela Bellas e até torça o nariz ao saber que ela é uma cantora de MPB. Agora é a hora que você se pergunta por que um texto sobre alguém assim no Per Raps. E a gente te responde: porque Marcela Bellas junta tudo e faz música boa. No fim, é isso que importa, não é?

Um dos primeiros shows da baiana em São Paulo rolou na Livraria da Esquina, mesmo lugar que rolou a festa do blog, e duas participações especiais foram acrescidas ao som sem nenhum plano anterior, tudo aconteceu na hora, naturalmente. Os caras convidados para subir ao palco foram Kamau e Emicida, velhos conhecidos aqui do Per Raps.

Os dois MC’s conheceram o trabalho de Marcela por causa do Myspace – “Ouvi, gostei de algumas faixas e comentei que se ela tocasse “Por Favor”, eu iria ao show. Ela disse que ia tocar e eu fui”, comenta Kamau. No show seguinte, Emicida também compareceu: “Perdi uns dois shows e num terceiro, numa quarta-feira, eu colei e fui abençoado com uma apresentação dela”.

Nesse mesmo show os dois fizeram uma participação. “Foi inusitado pois estávamos lá apenas pra assistir. Era minha segunda vez no show dela e a primeira do Emicida. O produtor dela, Fernando Montanha, perguntou se a gente faria uma rima num som que tem um rap no disco (“Esse Samba”). Aceitamos, se tivesse como irmos pra casa depois, já que a condução acabaria. Eles arrumaram um jeito e a gente participou”, comenta Kamau. Emicida também ficou surpreso: “No meio do show eu já vi os cara posicionando os microfones olhando pra gente e convidaram de surpresa. Subimos e fizemos uma sessão, foi legal pra caralho”.

E então, agora ficou interessado em conhecer um pouco mais do trabalho dessa baiana que está fazendo diversos shows em São Paulo? A gente bateu um papo com ela, dá uma olhada.

Per Raps – Quando começou o interesse pela música?

Marcela Bellas – Ainda na infância, desde que comecei a falar. Adorava cantar. Cantava tudo o que ouvia e aprendia. Para mim, naquela época, todas as músicas eram de Roberto Carlos. Ele aparecia na televisão e era a imagem que eu tinha de um cantor. Minha avó conta sempre uma história que quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer eu dizia: ‘Roberto Carlos’ (risos).

Per Raps – Quais foram suas influências?

Marcela Bellas – Sempre ouvi muita música brasileira, com certeza esta é a minha base. Ouvia de tudo: Novos Baianos, Ademilde Fonseca, Secos e Molhados, Caetano Veloso, Dorival Caymmi, Chico Buarque, Gal Costa, Cazuza, Maria Bethania, Paralamas do Sucesso, Gil, Olodum, as músicas do carnaval da Bahia… Acho que o que me influenciou foi justamente essa diversidade.

Quando eu ouvi o rock dos Beatles e trip hop inglês do Portishead, cheguei à sonoridade que faltava pra mim. Toda a qualidade do som produzido lá fora, dos timbres de guitarra, o recurso da música eletrônica… Tudo influencia. O cotidiano, os sentimentos, o tempo.

Cada vez mais venho descobrindo sonoridades e me identificando com elas, como o Reggae e o Dub, que demorei um pouco mais pra assimilar, mas que têm me inspirado bastante; o Rap entrou na minha música de uma forma muito natural. Em casa já estou até arriscando umas rimas (risos).

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Per Raps – Como você conheceu o trabalho do Emicida e do Kamau? Por que eles foram os escolhidos para participar do seu show?

Marcela Bellas – Conheci os meninos através do Myspace. Fiz o lançamento do álbum ‘Será que Caetano vai gostar?’, que está disponível para download no site e no Myspace e Kamau já tinha escutado por lá. Ele me escreveu e disse que se eu fosse cantar “Por favor” (música preferida dele do meu disco), iria no show. Eu respondi ‘com certeza’ e eles foram! Depois do show ficamos conversando e aí rolou aquela energia! Em seguida fiz um show na Livraria da Esquina e eles estavam lá. Chamei os dois para subir no palco e foi muito legal! Tem sido uma troca maravilhosa, eles são muito bons, já virei fã!

Per Raps – Por que a escolha do Dj KBça para participar do disco?

Marcela Bellas – Quando vim para São Paulo, no começo do ano, morei um tempo na Pompéia e KBça era meu vizinho. Ele passava o dia todo tocando Black music (risos) e produzia umas coisas de Rap com Lucky (Poesia gangster). Mostrei o disco a ele (KBça), que se interessou em fazer um remix da música “Esse samba”. Depois convidei Lucky pra entrar na brincadeira e o resultado deu samba e ficou Rap (risos)!

Per Raps – Qual a sua ligação com o Rap?

Marcela Bellas – A minha ligação com o Rap vem primeiro da admiração. Assim como o Reggae, Rap pra mim é uma luta de paz, é a expressão do povo pela igualdade social, pelo amor, pela fé. E essa também é a minha missão como artista. Ritmo e poesia fazem a minha cabeça!

Per Raps – Quais são seus artistas preferidos do gênero?

Marcela Bellas – Racionais MC´s, Kamau, MV Bill, Rappin’ Hood e Emicida… Não sou uma grande conhecedora do gênero, mas tenho a impressão de que essa lista ainda vai crescer bastante!

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E o que essas incursões musicais podem trazer de bom ao rap? Kamau acredita que, como o rap sempre teve fontes variadas de boa música, essas parcerias agregam valores musicais e pessoais ao som e “apresenta nossa música para pessoas que talvez demorassem pra chegar até nós e vice-versa”.

Emicida crê que as parcerias agregam não só ao rap, mas aos outros estilos também. “O que não pode haver são pessoas achando que estão fazendo favores ao rap, porque o rap não precisa de favores”, completa. O MC conta que o caso da parceria com Marcela foi bom por ter acrescentado – “Foi uma sessão bem ‘louca’ de rima, uma parada tipo partido alto, improviso, ‘nóiz’ com a banda, com o público. Parcerias sempre são boas quando há respeito de ambos os lados”, finaliza.

Nesta quinta (16), Marcela Bellas participa do show do Mão de Oito ao lado de Kamau e Emicida

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Mão de Oito @ Studio SP

Local: Studio SP – Rua Augusta, 591 (Centro)
Entrada: Homem/R$ 25,00 ou R$ 15,00 com nome na lista
Lista: studiosp@studiosp.org

E a sua opinião, qual é? As parcerias são positivas para o rap? O que achou do som de Marcela Bellas?


Hip Hop Style

Quem nunca se inspirou no estilo Old School?

Quem nunca se inspirou no Old School?*

Você pode achar que não, me xingar ou até torcer o nariz, mas o Hip Hop é moda!– por Nathália Leme

Acalme-se! Isso não é uma coisa ruim, muito pelo contrário: isso é a prova de que muitas pessoas de fora do movimento estão de olho no estilo de vida que desenvolvemos e como a moda pode traduzí-lo. Quer ver só?

Em 2005, a Adidas lançou a “My Adidas“, coleção inspirada e batizada com o nome de uma música do grupo Run DMC, que criou um ícone visual e cultivou o estilo Hip Hop dos anos 80.

Adidas Run DMC

Adidas Run DMC*

No mesmo ano, a marca, ainda de olho no cenário Hip Hop mundial, lança uma pequena coleção que mais tarde se tornaria uma das mais vendidas desde 2006, homenageando Missy Elliott.

A coleção batizada como “Respect M.E.” chegou ao mercado brasileiro na mesma época em que o CD “The Cook Book” foi lançado e trouxe uma história curiosa: você já imaginou uma briga entre uma rapper e uma rainha?

Pois é, aconteceu. A rainha da Dinamarca, Margrethe II, arranjou uma “treta” com a Missy Elliott por causa do emblema da grife que, segundo a rainha, tinha o logotipo era muito parecido com o emblema oficial do seu reinado (M estilizado embaixo de uma coroa).

E não é só isso, não. A cantora M.I.A tem não só uma coleção, mas sim uma marca! A cantora “made in” Siri Lanka lançou a marca Okley Run, e sua inspiração veio do encontro com Okley Leslie, um caribenho albino de 16 anos que vivia numa ilha. M.I.A retratou o garoto como modelo da sua marca que traz calças justíssimas em neon, moletons com estampas malucas e camisetões, todas as peças criadas por ela.

Okley Leslie, a inspiração de M.I.A

Okley Leslie, a inspiração de M.I.A*

Mas se a moda das cantoras não te interessou, eu posso te dizer que o De La Soul e as capas de três discos (3 Feet and Rising, Stakes is High e AOI: Bionix) foram a inspiração da marca americana Undrcrwn e sua coleção Music Series.

As estampas das camisetas foram inspiradas em elementos das capas e na parceria da banda com a Nike para criar os primeiros Nike X  De La Soul Dunks.

A Undrcrwn também já fez uma linha exclusiva com o estilo Mos Def de se vestir, que também tem um modelo de tênis pela Adidas, lançado esse ano.

Music Series 2009

Music Series 2009*

Esse flerte entre a moda, indústria sneaker e nomes do Hip Hop já não é  novidade, vide toda a trajetória de ambos começando nos anos 70 com os B-Boys até o hype Kanye West, suas roupas e seus pares de tênis.

A moda não é nosciva para a cultura, se é isso que você está se perguntando. Ela é uma expressão, mas que perde todo o sentido se não estiver acompanhada de atitude. Portanto de nada adianta usar as roupas e não “vestir a camisa” do movimento, não é?

*Fotos de divulgação.
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Encontro

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Muito em breve será lançado um novo site dedicado a cultura de rua; o Noiz. A proposta desse novo espaço é a de “entrar na cena para somar”. Aproveitando a deixa, acontece neste sábado, no CEU Butantã, uma roda de perguntas com Emicida e Max B.O. Você terá a chance de perguntar aos dois MC’s tudo que sempre quis.

Show

Rincon Sapiencia

Neste sábado, 11 de junho, o MC Rincon Sapiência se apresenta com seu show no Hole Club em São Paulo. A festa ainda conta com a discotecagem dos DJs: Marco, Nuts e Nyack.

Rincon Sapiência @ Hole Club
Hole Club: Rua Augusta, 22o3, Jardins – São Paulo – SP
Ingressos de 10 a 15 reais
Homem R$ 15, com Flyer 12 – Mulher Vip até meia noite, após R$ 10
Informações: http://www.holeclub.com.br