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Duelo de MCs celebra aniversário em Belo Horizonte

“Celebrar é preciso!”por Eduardo Ribas

Quem acompanha o rap, ou qualquer outra cena (com viés) independente, sabe das dificuldades que se encontra pelo caminho. Casas que não abrem espaço para festas e shows, produtores que oferecem uma coxinha e três refrigerantes como pagamento, jornalistas que estigmatizam o gênero em seus textos, os materiais para DJs (pick-ups, mixers, serato etc) e MCs/Beatmakers (microfones, mpcs etc) são muito caros e por ai vai.

Resistir a esses obstáculos é tarefa para poucos, tanto que a cada dia assistimos festas chegando ao fim, grupos terminando e a cena enfraquecendo. Um desses exemplos de resistência está a 586 quilômetros de São Paulo, especificamente em Belo Horizonte, Minas Gerais. Há cerca de três anos, surgia o Duelo dos MC’s. Seguindo o exemplo e molde de eventos como a Batalha do Conhecimento (RJ) e o Microfone Aberto (SP), apenas para citar alguns, o Duelo traz semanalmente um encontro que junta representantes do elementos da cultura hip hop no mesmo palco.

Inspirado na Liga dos MCs, evento tradicional que acontece no Rio de Janeiro, que teve uma edição especial em BH, Osleo (lê-se osléo), da Família de Rua, e o Vuks (ex-Rima Sambada) compraram a ideia e iniciaram um evento similar, sem saber exatamente a proporção do que estavam fazendo. “Na primeira edição tinha umas 50 pessoas, na segunda, umas 150. Quando a gente foi ver, o evento tava dando média de 400 pessoas por noite, pessoal de imprensa procurando, geral querendo saber o que era aquilo”, relembra Luiz Gustavo aka Gurila Mangani, MC e beatmaker que observou de perto o início do projeto.

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A ideia central do evento é abrir espaço para todos os elementos do hip hop, e não apenas para as batalhas de MC. “O carro-chefe é a batalha (de freestyle), mas a preocupação é que seja um evento de hip hop, sempre tem roda de b-boy, de 15 em 15 dias tem grafiteiro pintando o viaduto”, conta PDR, o Pedro Valentim. Pedro é hoje um dos organizadores do evento, junto de Osleo, DJ Roger Dee e Monge (todos fazem parte da Família de Rua). Além de todos esses elementos, vez ou outra ainda há espaço para pocket-shows com artistas diversos. Já passaram por lá nomes como Shaw (RJ), Slim Rimografia (SP) e Simpson (MG) entre outros.

Sobre a batalha de freestyle, começou no formato simples: MC contra MC, sem muita imposição. Depois, se assemelhou aos moldes da Batalha do Conhecimento (RJ), com temas sugeridos. Hoje, o duelo é no esquema de “bate-volta”, um MC rima oito barras (tamanho de um verso regular de rap), o outro responde com outras oito e por ai vai. A cada sexta-feira, o estilo muda: duelo tradicional de freestyle, temático e batalha no “bate-volta”.

O palco para o Duelo dos MCs é o Viaduto Santa Tereza, localizado na região central de Belo Horizonte. O local é histórico, mas antes do evento era habitado por moradores de rua, a sujeira tomava conta e sinalizava o abandono da área. “Não tinha luz, era escurão, tipo um ‘guetão’, submundo da cidade”, conta Mangani. Três anos depois, a revigoração feita pelo Duelo trouxe de volta ao espaço a cultura. “Nós começamos a ocupar, o Duelo trouxe vida nova ao espaço”, completa PRD.

Local de fácil acesso, ao lado de uma estação de metro e de ônibus, o Duelo dos MC’s atrai público mais diverso possível, “desde cara do rap até patricinha”, segundo Gurila Mangani. As edições rolam todas as sextas, a partir das nove da noite, acabando por volta da meia-noite.

E falando nisso, nesta sexta-feira (27) rola a edição de aniversário do evento. Na programação, show com o MC B.Réu, presença de MCs convidados, roda de dança, intervenção de grafite e mais. Serão vendidos bottons comemorativos do Duelo dos MC’s, a três reais cada.

Alguns dirão que três anos não é o suficiente para ressaltar a importância de um evento, festa ou seja o que for. Outros vão enaltecer a iniciativa e imaginar: “queria poder colar nesse rolê hoje”. Mas nada disso importa. Como já disseram, “só quem é de lá sabe o que acontece”. Nada melhor do que ler as palavras de um dos frequentadores do Duelo dos MCs para entender o que você pode estar perdendo. “Você tem que vir aqui pra ver como é… é muito loca a vibe, você vai achar que tá no Bronx!”, finaliza Gurila Mangani.

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Fotos da golden era do rap por Janette Beckman

Janette Beckman

Sparky D / Slick Rick / Jam Master Jay e seu filho

“Uma insider da Golden Era” – por Carol Patrocinio

Você já ouviu falar de Janette Beckman? Ela é a fotógrafa que acompanhou os maiores nomes do hip hop entre 1982 e 1990, bem a era de ouro da cena. Pode começar a pagar um pau pra essa mulher, ela esteve em contato com todos os monstros que você chama de ídolos!

Nascida em Londres, Janette cresceu curtindo dos artistas da Tamla Motown aos Rolling Stones e mergulhou de cabeça nas cenas alternativas inglesa e americana quando passou a fotografar. Além dos mestres do rap, a fotógrafa esteve com as bandas The Clash, The Specials, Police e Paul Weller. Quando mudou para Nova York se tornou a pessoa responsável por registrar a cena hip hop – Afrika Bambaata, Run DMC, Salt’ n ‘Pepa e Grandmaster Flash foram alguns de seus personagens.

Daí pra frente, a carreira da fotógrafa só cresceu e ela passou a fotografar para as revistas Esquire, Rolling Stone, People, Interview, London Sunday, Times Magazine, Observer Magazine e para empresas como a lendária marca de botas Doc Marten, os tênis Converse, Warner Brothers, Universal

Para registrar todos esses momentos de sua vida, Janette lançou alguns livros, dois deles são dedicados ao rap. Em “The Breaks: Stylin’ and Profilin'”, ela retrata, em imagens, a cena hip hop de 82 a 90 e em “Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers”, textos e imagens se complementam para contar a história de uma geração que revolucionou a música.

Janette Beckman

Eric B. e Rakim / Run DMC e sua banca

Janette Beckman

Um dos Jungle Brothers / Big Daddy Kane

Janette Beckman

Flava Flav / LL Cool J

Janette Beckman

EPMD Babylon Long Island / Stetsasonic

The Breaks Stylin' and Profilin' 1982-1990The Breaks: Stylin’ and Profilin’
Fotos de Janette Beckman e texto de Bill Adler & Tom Terrell
Editora: The Power House Arena
Capa dura | 24.13 x 25.40 cm | 144 páginas | 150 fotos
US$ 35

Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers“Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers”
Fotos de Janette Beckman e texto de Bill Adler
Editora: St. Martin’s Griffin
21.59 x 27.30 cm, 106 páginas
US$ 13,95


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Site de Janette Beckman


Entrevista: Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz

Lívia Cruz por Stephanie Sidon, Pathy Dejesus (divulgação) e Lurdez da Luz (divulgação)

“Muito além do ser mulher” – por Carol Patrocinio

Quando as pessoas pensam em rap já imaginam um homem, de preferência negro, com roupas largas, cara de mau, muita marra e um microfone na mão. Ei, mundo real, chamando! Rap é música, expressa sentimentos, vivências, histórias. E isso todo mundo tem: branco, preto, amarelo, homem, mulher, religioso ou ateu. E é aí que entram as personagens do texto de hoje, três mulheres que ganharam espaço e notoriedade num mundo que – queriam que elas acreditassem – não tinha espaço pra elas. O mundo estava enganado!

Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz. Mulheres. Bonitas. Femininas. Elas são feitas de sorrisos, olhos, unhas. E como as mulheres de outras cenas, querem estar bonitas, gostam de como são, não querem mudar para agradar e acreditam que o talento fala mais alto do que qualquer coisa.

Preconceito? Existe. Por ser mulher, por ser bonita, por ser branca ou por ser negra. Desafios? Estão aí para serem deixados pra trás e lembrados como vitórias. Qualidade? Tem de sobra. Essas mulheres provam que o que importa é fazer com o coração e aí o respeito vem, quando menos se espera.

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Per Raps: Pra você, como o preconceito é demonstrado no rap?

pathy dejesusMeu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher”

Lurdez da Luz: Acho que o rap brasileiro está mais consciente nesse sentido do que o norte-americano de um modo geral, no que diz respeito as músicas misógenas é mais tranquilo. Acho que o machismo está tão arraigado que nem sei onde começa e onde termina e num é privilegio do rap não, em toda sociedade e nichos musicais rola só que de diferentes formas. Vide o número de instrumentistas mulheres em qualquer show de música, seja lá de que estilo for, sempre muito menor que o de homens.

Infelizmente ainda rola esse lance de muitas mulheres não se sentirem representadas por outras que estão no palco, que é reflexo de uma cultura machista, de de repente achar que você tá ali pra “aparecer” ou por causa dos caras, ignorando toda a dificuldade que é fazer arte, ainda mais rap. Mas comigo, pessoalmente, não é só o fato de ser mulher, tem o lance da pele clara, me vestir de um jeito estranho, ter um discurso talvez não muito simples de interpretar e desde do começo num ficar me explicando, deixar as pessoas livres pra pensarem o que quiser ao meu respeito.

Pathy Dejesus: Gosto de ver as coisas sempre por um ângulo mais positivo. Falta muito ainda, mas já foi bem pior… Ainda somos uma minoria dentro desse processo. Ainda existem as letras que inferiorizam, ridicularizam, menosprezam e ofendem mulheres (o que aliás já é bem batido, né?). Ainda tem homem que torce o nariz quando vê uma mulher no mic, nos toca-discos, dançando, grafitando. Mas o mundo é isso! Preconceito não é exclusivo do rap. Ele só é reflexo (talvez em maior intensidade) de uma sociedade preconceituosa (lê-se machista também). Ele está aí e não pode servir de empecilho pra quem realmente quer fazer parte.

Existem várias mulheres que quebraram e estão quebrando esse paradigma. Desde seu início, lá nos EUA entre os anos 70 e 80, a cultura é uma coisa “pra homens” e raríssimas mulheres conseguiram invadir esse espaço. As que conseguiram eram todas excepcionais (Roxanne, Salt n’ Pepa, Queen Latifah, MC Lyte, dentre várias) e fizeram a diferença! Se hoje parece difícil, imagina há três décadas. Se essas pioneiras não tivessem insistido, batido de frente pra demonstrar seu talento e sua paixão pelo hip hop, dificilmente estaríamos conversando agora.

Aqui no Brasil não é diferente… o hip hop entrou na minha vida em 94. Lembro da Rúbia, da Dina Di, da Rose MC, depois Negra Li. Tente pesar a determinação dessas mulheres naquela época… Quando fiz 13 anos, meu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher. E mais duas vezes porque é negra. De onde venho as coisas nunca foram fáceis. Graças a Deus, cresci num ambiente onde ao invés de só lamentar e apontar culpados pela situação desvantajosa, batemos de frente e não desistimos tão facilmente dos nossos sonhos.

Lívia Cruz: O preconceito contra as mulheres? Eu já disse isso várias vezes, o preconceito e discriminação contra as mulheres no rap não é diferente do que a gente vê na sociedade em geral, as manifestações tão aí a toda hora, vão das cantadas e dos barulhos obscenos que a gente é obrigada a escutar quando está simplesmente passando na rua, até uma atitude mais extrema de violência física e psicológica. Esse assunto é sério e delicado, acho que a educação, como em quase, tudo é a chave, e a música, sem dúvida, tem grande papel de formação.

Per Raps: O que significa fazer um rap feminino atualmente?


Parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher”

Lurdez da Luz: Atualmente já está tudo um pouco mais fácil pra todo mundo, existe uma evolução em relação a acesso a tecnologia, a informação e o fluxo de dinheiro dentro da cultura aumentou (ainda é pouco), o respeito fora do rap aumentou também. Eu comecei a fazer isso em 1999, só existia a Dina Di, que era uma rapper cabulosa mas que eu num me identificava e a Rose MC e Lady Rap, que num tinham muitas faixas gravadas pra gente ter algum ponto de partida. Eu curtia muito o estilo da SharyLaine, mas que já num lançava nada há anos… Enfim tive que inventar um jeito de fazer minhas rimas e levadas.

Lembro que mostrei meu primeiro rap pra Cris do SNJ, que também é minha contemporânea, e ela falou: “legal esse tipo de som, parece um pouco rap até”, eu ri e percebi que tava com uma parada que ia demorar pra ser compreendida. Pra mim o importante é ter em mente a expressão artística e as posições politicas, sempre em prol da evolução pessoal assim como da cultura e não “ser alguém dentro do rap”, parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher.

Pathy Dejesus: Existe fazer um rap feminino? Dá separar a arte e subclassificar? Não acredito nisso. Odeio rótulos. Existe talento ou não. Existe paixão ou não. Existe rap bom e rap ruim. E isso independe do sexo de quem está fazendo.

Lívia Cruz: Pra mim, no meu rap, significa mostrar o ponto de vista genuíno da mulher, eu gosto de contar historias e ainda acho que a gente se pauta muito no que os homens do rap vão pensar das nossas letras, das nossas atitudes, e isso torna os nossos relatos muito tímidos… Quero ver isso mudar, e tô fazendo minha parte pra essa mudança.

Per Raps: Beleza ajuda ou atrapalha? Como?

Muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda”

Lurdez da Luz: Acho que ajuda a abrir portas mas talvez até atrapalhe em ter credibilidade. Como disse sobre posições políticas na resposta acima, num é só saber em quem vai votar, o porquê é bem mais amplo, como por exemplo não acreditar em padrões de beleza impostos, tipo a magra, alta, de olho azul ou até mesmo a “rainha de ébano”, claro que deve ser uma benção de deus ser lindo, mas ficar impondo isso que nem a Rede Globo num deveria ser papel do rap.

Pathy Dejesus: Acho que a pergunta correta seria: ser feminina ajuda ou atrapalha? Li uma entrevista da Negra Li (de quem sou fã) uma vez falando sobre isso. Da postura supostamente correta para ser respeitada num ambiente onde ela era minoria… Usar roupa larga, nada de maquiagem, ficar séria o tempo todo pra não chamar a atenção. Pra não lembrarem que se tratava de uma mulher… Imagina a barra!

Por isso digo que as coisas estão evoluindo! E vai de nós, mulheres, nos impor, nos preservar, e sermos levadas a sério. Sou vaidosa e não vou mudar minha personalidade pra fazer o que amo. Aliás, isso não faz o menor sentido, né?! Acho lindo quando vejo Lívia [Cruz], Lurdes [da Luz], Nathy [MC], Flora [Matos], as DJs do Applebum… Todas maravilhosas, nenhuma abre mão do seu estilo pra rimar, pra discotecar. O respeito não é imposto. É conquistado!

Lívia Cruz: Por incrível que pareça, acho que atrapalha mais do ajuda. Existe um preconceito de que mulher bonita não é inteligente, muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda, e é divertido também, surpreender pro bem. A beleza vai muito além da estética, eu gosto de quem sou, não quero mudar pra agradar ninguém, e isso transparece nas minhas músicas e na minha conduta, algumas pessoas se incomodam, mas paciência… Bonito mesmo é ser feliz!

Per Raps: Hoje você é respeitada na cena por seu trabalho, independentemente do seu sexo, o que você acha que fez com que isso acontecesse?

pathy dejesus Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma”

Lurdez da Luz: Em primeiro lugar fico honradíssima, dinheiro é bom e todo mundo precisa, mas respeito pra mim vale ouro. Acho que foi resistir em primeiro lugar, se mantar fiel ao que se é e não balançar em relação ao que ” tá pegando no momento”. Foco no som e amor por esse tipo de música em especial mais do que por qualquer outra.

Pathy Dejesus: Repito que venho de uma criação (obrigado Pai e Mãe) onde sempre me lembraram quem eu sou, de onde vim e de como as coisas seriam mais difíceis por isso. Mas essa situação de “desvantagem” sempre me foi mostrada de uma forma que eu tivesse vontade de bater de frente pra conquistar meus objetivos.

Sempre fui “minoria”. Mulher negra é minoria duas vezes. Sempre tive que batalhar dobrado pra ter reconhecimento. E sinceramente, gosto disso! Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Receber um inicial “não” como resposta sempre me motivou a melhorar, buscar mais conhecimento, me preparar cada vez mais. Tem horas que realmente dá vontade de desistir… Mas minha maior rival não me pouparia, não me perdoaria. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma. Acho que vem daí o respeito no meu trabalho. E na vida!

Lívia Cruz: Esse respeito veio naturalmente por um conjunto de coisas, meu trabalho vem em primeiro e com ele o desejo de fazer virar, acreditar, ousar, perseverar, e por consequência algumas pessoas no meu caminho me ajudaram muito, sem essas pessoas, provavelmente, eu estaria bem mais longe do ponto que me encontro agora.

Time do Loko apresenta Lurdez da Luz, Lívia Cruz e Pathy de Jesus
Quando? Sábado, (14), às 00h
Onde? Hole Club (R Augusta, 2203 – Jardins/SP)
Quanto? R$15 (H) e R$10 (M)

Mais?
Novidades de 09′: Lívia Cruz
Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho


Conheça a 1º Mostra Urbanidades

mostra urbanidades

Fazia tempo que São Paulo esperava que um evento viesse ocupar o lugar vazio deixado pelo extinto festival de cinema que rolava no CineSesc, a Mostra de Filmes Hip Hop de São Paulo. Quem conheceu sabe a importância do evento pra gente que curte cinema e a cena hip hop. Ali rolaram filmes que você não conseguia ver em mais nenhum lugar. E essa é a cara da 1ª Mostra Urbanidades.

Filmes que você ouviu falar, leu sobre, mas não sabia onde assistir, shows bacanas com gente que tá com a carreira fresquinha e gente que já tem estrada, além de oficinas pra você mergulhar de cabeça na cena hip hop.

Pra facilitar, aqui vão alguns destaques do evento, mas a programação completa você vê na imagem abaixo e pode acompanhar o que está rolando no blog da mostra.

Programação 1ª Mostra Urbanidades

Clique para ver a programação completa

Destaques

Eu, o vinil e o resto do mundo (Lila Rodrigues e Karina Ades/Brasil, 2008)
Sesc Santana, 27/07 às 20h e Galeria Olido, 28/07 às 17h e 31/07 às 19h30

Motoboys – Vida Loca (Caio Ortiz/Brasil, 2003)
Galeria Olido, 24/07 às 19h30 e 30/07 às 15h

Onde a coruja dorme, Bezerra da Silva (Márcia Derrak e Simplício Neto/Brasil, 2001)
Matilha Cultural, 29/07 às 19h

Pixo (João Wainer e Roberto T. Oliveira/Brasil, 2009)
Matilha Cultural, 23/07 às 19h e Galeria Olido, 24/07 às 17h e 28/07 às 19h30

Versificando (Pedro Caldas/Brasil, 2009)
Galeria Olido, 27/07 às 15h e 31/07 às 17h

Pra começar bem a semana, nessa terça-feira (13) rola no Sesc Santana a Oficina de MC com Kamau, Projota e Rashid, às 17h e depois a exibição do filme “Freestyle, um Estilo de Vida”, de Pedro Gomes, às 20h.

Tudo grátis e da melhor qualidade! Vai colar?

1ª Mostra Urbanidades
Quando? Até 31 de julho
Onde? Galeria Olido (Av São João, 473, Centro/SP), Matilha Cultural (R Rego Freitas, 542, Centro/SP) e Sesc Santana (Av Luiz Dumont Villares, 579, Santana/SP)
Quanto? Grátis, exceto na Galeria Olido, que custa R$ 0,50 e R$ 1


Kanye West volta ao rap

Kanye West/Reprodução Billboard

“Lançamento à vista” – por E. Ribas

Poucas pessoas receberam tantas críticas ultimamente como Kanye West. Primeiro por seu álbum 808’s & Heartbreak, que buscou uma linguagem diferente dos outros trabalhos de Yeezy, depois por sua postura cada vez mais arrogante, seu suposto distanciamento do rap e por ai foi. Após realizar uma turnê bem sucedida, a Glow In The Dark, e embarcar numa egotrip profunda, Kanye voltou a pensar em produzir rap no estilo de seus álbuns de sucesso: sem auto-tune ou qualquer outra parafernália do tipo.

Kanye já deu nome a seu novo filhote, Good Ass Job (melhor nem traduzir), que estaria sendo produzido no Havaí, e inclusive lançou um single, Power, contando com Dwele, aquele mesmo de Flashing Lights (Graduation/2008), no refrão. No som, Kanye fala sobre a brincadeira que o programa de humor Saturday Night Live fez com ele no fatídico episódio com Taylor Swift, e ainda teve tempo para falar da especulação sobre seu problema com álcool.

Outro som caiu na rede, Monster, em parceria com Rick Ross, que apontou junto de Power que Yeezy guardou muita história para contar em rima no novo álbum.

Nesta semana, o MC e produtor deu uma pequena mostra do que muitos dizem que ele faz melhor: criar beats. Kanye West aparece em um video ao lado de sua (ex?) namorada, Amber Rose, sampleando um som chamado “Popular“, do musical “Wicked“. O video contribui para a expectativa de um grande lançamento para 2010.

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O som da Copa da África é o Rap!

Pela primeira vez desde que foi introduzido na Copa do Mundo de futebol em 1990, o hino do torneio em 2010 é cantado por um rapper. O autor da proeza é o MC somaliano naturalizado canadense K’naan, novidade para a maioria do público, mas velho conhecido da galera do Rap, com a música “Wavin’ Flag”.

Do mais recente disco de K’naan, Troubadour, “Wavin’ Flag” ganhou uma versão remixada e foi utilizada na campanha da Coca-Cola para o Mundial antes de ser anunciada, no final do ano passado, como o hino oficial do torneio da FIFA deste ano. Na nova versão a letra foi modificada para melhor se adaptar ao tema, mantendo apenas o refrão; ainda foram incorporados tambores e outros sons tribais, que remetem à sede da Copa do Mundo deste ano, a África (mais precisamente a África do Sul), além do já famoso grito “Ôoôoô”, que ficou marcado nas propagandas da Coca-Cola.

A música “Wavin’ Flag”, em que K’naan mostra mais suas habilidades vocais do que suas técnicas para rimar, será usada durante a competição em comerciais de TV, além de ser executada em todos os eventos da FIFA durante o mês da competição.

K’naan se junta à lista de artistas como Toni Braxton, Ricky Martin, Anastacia e Il Divo, que tiveram hinos em eventos anteriores. O músico nasceu na capital da Somália, Mogadíscio, em 1978, mas se mudou para Nova Iorque em 1991 fugindo da guerra civil que assolava o país. Posteriormente, conseguiu asilo político no Canadá e se instalou na cidade de Toronto.

Assista ao clipe oficial, que mostra jovens jogando futebol pelo mundo todo, além de intervenções no mínimo esquisitas do próprio K’naan e de Damian Marley (?) com a bola nos pés. Querer que eles joguem como cantam também seria pedir demais…

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Assista ao video em que K’naan conhece MV Bill
Leia a resenha de Troubadour no blog Boombap-Rap


Virada Hip Hop no Espaço +Soma

Virada Hip Hop Espaço +Soma

Quando a vontade é mais fortepor Carol Patrocinio com entrevista de E. Ribas

Resolvemos focar nisso porque é um negócio que tem que ter, não tinha como fazer outra coisa se o rap estava praticamente fora da programação da Virada” – Tiago Moraes, um dos organizadores do Espaço +Soma

Quem não ficou indignado com a falta de respeito e oportunidade que o rap recebeu neste ano na programação da Virada Cultural da cidade de São Paulo? Ainda que alguns representantes da cena se apresentem em locais afastados ou como Djs – mesmo a organização chamando de outro nome que não rap ou Hip Hop -, faltava alguma atitude em relação a isso.

A gente reclamou aqui no blog, outras pessoas reclamaram em seus veículos e meios de comunicação, mas quem colocou a mão na massa pra mudar as coisas foi a equipe que cuida do Espaço +Soma. O Eduardo Ribas bateu um papo com o Tiago Moraes, que arregaçou as mangas e foi atrás de um jeitinho, junto com a galera da revista, para mostrar que o rap pode muito mais do que a prefeitura gostaria.

“A gente tava querendo fazer uma coisa mais oficial, mas quando a gente viu isso (o vídeo do organizador da Virada Cultural falando do rap) resolveu fazer do nosso jeito. O rap sempre tem espaço na revista +Soma, todo mundo curte por aqui, quando a gente viu o que tava acontecendo vimos que não fazia sentido não focar no rap. A gente viu que um monte de gente ia ficar órfã”, explica Tiago.

E realmente, os órfãos agradecem. Os caras fizeram uma lista, convocaram a galera que podia ajudar a organizar tudo com rapidez e ligaram pro Kamau, a Stefanie, o Rincón [Sapiência, entrevistado na última edição da revista] e o Akira, além do Edu (d’A Filial e curador musical do espaço) e o Akin, que são prata da casa.

“A gente nunca faz mais de um show, rolou no ‘Presença Feminina’, mas a gente tenta fazer só um show e sempre mais cedo. Chegamos a pensar em fazer alguma coisa com 24 horas, mas seria muita loucura. Depois pensamos em fazer algo estendido, com programação indo das 8h até às 3h. Apesar de ter rolado em cima da hora estamos divulgando bastante porque a gente quer que venha bastante gente e é gratuito, democrático”. A gente também espera que o espaço fique cheio de gente bacana provando que o rap é educado, civilizado, não precisa de revista policial e nem ser jogado para as margens da cidade.

Quem vai na Virada Hip Hop?
Shows de A Filial(RJ), Akira Presidente (RJ), Rincón Sapiência, Stefanie, Kamau, Akin e discotecagem do DJ Tamenpi (RJ)
Quando? Sábado, 15 de maio às 20h
Onde? Espaço +Soma (Rua Fidalga, 98, Vila Madalena – São Paulo)
Quanto? Grátis
O que mais? O espaço tem um café, que vende comes e bebes, além disso, quem quiser ir de carro pode ficar tranquilo que tem um estacionamento logo em frente que ficará aberto até às 5h.