Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

Posts com tag “Ogi

Per Raps TV: Ogi e as crônicas da cidade cinza

Crônicas da selva de pedra

Ao contrário do que possa parecer, no Brasil o rap não é feito de glamour. É sinônimo de esforço, correria, noites em claro. Viver de rap também não é tarefa para muitos, é possível contar nos dedos quantos conseguem. Entre aqueles que tentaram e estão no caminho do sucesso está Ogi, MC do grupo paulistano Contra Fluxo, que está prestes a lançar seu primeiro trabalho solo, “Crônicas da Cidade Cinza”.

Entre portas que se abrem e oportunidades que são negadas, o rapper retrata em rima no melhor estilo “contador de histórias” tudo aquilo que vive, que pensa, que sente e o que acha de sua cidade, de seus parceiros, do rap, da vida. Lembranças das épocas de pixo e throw up, até a primeira vez que ouviu o “Sétimo volume da enciclopédia letra H”, Ogi narra o que vê e o que vive na cidade cinza.

Para conhecermos o processo criativo de seu novo CD, além de entender um pouco mais sobre a figura de Ogi, a Per Raps TV traz uma entrevista exclusiva com o MC. Confira!

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Sobre Ogi

Nascido em São Paulo, Rodrigo Hayashi, também conhecido como Ogi, conheceu o rap por volta de 1991 e três anos depois começava a fazer seu próprio som. Formou o grupo Contra Fluxo junto do DJ Big Edy e o MC DejaVú, que depois ainda incorporou Munhoz, Maskot e DJ Willian. O grupo lançou dois discos, “Missões e Planos”, em 2005 e “SuperAção”, em 2007.

Com influências do samba de raiz (há pouco Ogi começou a gravar um podcast muito bacana chamado Lira do Samba) e adepto à rima no formato storytelling , Ogi foi indicado ao prêmio de melhor artista rap pela MTV, após lançar o clipe “Premonição” e dois singles.

Ogi, que também é integrante da crew 360 graus (encabeçada pelo DJ Caíque), já é considerado um dos destaques da cena rap atual, mesmo antes de lançar um CD. Seu primeiro trabalho solo, “Crônicas da Cidade Cinza”, deverá ser lançado em setembro de 2010.

Confira a resenha de “SuperAção” (Contra Fluxo, 2007) por Daniel Cunha.

Mais
Myspace
Lira do Samba


Linha do tempo do rap nacional (parte III)

Segue a terceira e derradeira parte da nossa linha do tempo do rap nacional, que inclui algumas de nossas previsões para o ano de 2010. Saca só:

2008 – Pouquíssimos lançamentos de discos marcaram o ano. Entre eles, o que mais chamou a atenção foi o primeiro disco solo de Kamau, Non Ducor Duco, que fez parte da lista dos melhores 25 álbuns do ano pela revista Rolling Stone. Aos 45 minutos do segundo tempo, nos últimos dias do ano, o Pentágono veio com seu segundo disco, Natural, firmando o grupo como um dos principais expoentes da nova escola.

Com o disco de Doncesão, chamado Primeiramente, Dj Caíque se firmou na cena rap nacional como um dos grandes produtores do momento, além de liderar o selo 360 Graus Records, que já se mostrou muito produtivo nos primeiros anos de existência, proporcionando diversos lançamentos. Ainda falando de produção musical, o ano foi marcante para a cena de Curitiba, que se mostrou bastante proeminente, com destaque para os beatmakers Dario e Nave, responsável pelo instrumental da música “Desabafo”, do disco A Arte do Barulho, de Marcelo D2, uma das canções mais executadas do ano em todo o país.

O ano marcou também a perda de um dos nossos melhores disc-jóqueis e um dos grandes agitadores da cena nacional, o Dj Primo, vítima de uma pneumonia. Primo era também o Dj residente do recém criado programa Manos e Minas, na TV Cultura, primeiro espaço criado na televisão brasileira desde o fim do Yo! MTV.

DJ Primo

DJ Primo (foto retirada do blog do Jornal do Brasil)

Outros álbuns importantes: RenegadoDo Oiapoque a Nova York; SombraSem Sombra de Dúvida; Projeto ManadaUrbanidades; Enézimo – Um cara de sorte; Subsolo – Ordem de Despejo;

2009Emicida é o nome da fera, o dono de 2009. Ele já começou o ano com o status de “melhor MC de freestyle” do país e, com o lançamento da mixtape Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe – parafraseamos aqui o próprio e confirmamos – chegou ainda mais longe. Concorreu a prêmios na MTV, concedeu dezenas de entrevistas (tanto para a mídia alternativa quanto para a ‘grande’ mídia) e fez shows pelo Brasil inteiro. Indiretamente, trouxe fôlego para a cena e teve um papel fundamental para que outros artistas do gênero ganhassem espaço em casas de shows e afins.

Big Ben Bang Jhonson

O rapper MV Bill também teve um ano bem agitado em 2009: lançou o DVD ao vivo com banda Despacho Urbano, além de alguns clipes novos e diversas aparições na grande mídia. Outra novidade que balançou os ânimos dos fãs de rap foi a criação do coletivo Big Ben Bang Johnson, grupo idealizado especialmente para shows ao vivo e que conta com alguns dos principais representantes do rap paulista: Mano Brown, Ice Blue, Helião, Sandrão, Dj Cia, Dom Pixote, Du Bronks, entre outros.

O ano deixou a desejar, mais uma vez, na questão dos lançamentos, com pouquíssimos discos inteiros colocados na rua. A escassez pode indicar também uma mudança de tendências do mercado musical, com a criação e utilização de novos formatos, mas é algo que só teremos a confirmação nos próximos anos. Em compensação, tivemos ótimos videoclipes. O rap acompanhou a tecnologia da alta definição e lançou pérolas como Qui nem Judeu, de DBS e a Quadrilha, Picadilha Jaçanã, do Relatos da Invasão, É o Moio e Multicultural, do Pentágono, Triunfo, de Emicida, Sol, de Slim Rimografia, e O Tempo, do Casa di Caboclo, todos contando com uma excelente produção e se equiparando ao que de melhor existe em termos de videoclipe na música brasileira.

2010 – O fim do ano chegou e, com ele, as promessas de que 2010 será ‘o ano do rap’. Todos os (pelo menos) últimos dez anos foram anunciados por alguém como ‘o ano do rap’ e alguns deles realmente chegaram perto de se tornar realidade. O momento porém, não é dos mais propícios. O rap perdeu espaço nas periferias do país para o funk e o sertanejo, por exemplo, músicas com maior apelo popular. No entanto, a cena se encontra em um momento muito especial, tanto pela sua capacidade criativa, quanto pela sua imagem perante à mídia e à população em geral.

Durante este ano, não foi nada raro encontrar pessoas de estilos totalmente diferentes daqueles que estamos acostumados a ver em shows de rap. O rap está se tornando mais interessante pra muita gente. Porém, o público-alvo, que sempre foi a periferia, se diluiu bastante, e a periferia pouco conhece e acompanha o tipo de música que estamos acostumados a divulgar aqui no Per Raps, por exemplo. Como resgatar esse público? Não sabemos a resposta, mas o disco novo dos Racionais, prometido para 2010 por Mano Brown na entrevista para a Rolling Stone, pode ajudar a formular esse quebra-cabeça.

Fora esse, outros vários discos são aguardados ansiosamente pela cena, muitos deles com potencial para colocar a engrenagem para funcionar a todo vapor novamente. Entre os principais, estão o do RZO, Marechal (RJ), Don L., do Costa a Costa (CE) e um disco póstumo de Sabotage. Mas há muita gente surgindo por aí e a promessa é a de um ano recheado de bons lançamentos.

Nossas apostas?

Ataque Beliz (DF)

Criolo Doido

Gasper (GO)

Ogi

Rashid

Rincon Sapiência

Savave (PR)


Veja como foi um dos finais de semanas mais agitados de maio

O último fim de semana do mês de maio proporcionou uma ótima surpresa para os fãs de rap em São Paulo. Entre os dias 29 e 30, rolaram shows de grupos como a banca do Big Ben Bang Johnson, Slim Rimografia, Contra-Fluxo, os gringos do Wallbangaz e Parteum. Distribuídos em diversos pontos da cidade, os grupos conseguiram atrair um bom público e deram uma mostra de que o rap pode e consegue ainda fazer barulho.

Acompanhe abaixo 3 breves coberturas de diferentes shows feitos pela equipe do Per Raps e pela colaboradora Lígia Lima. Se você foi a algum desses shows, não deixe de comentar. Caso tenha fotos e vídeos, socialize!

Big Ben Bang Johson- Hutúz 2008

Big Ben Bang Johson- Hutúz 2008

Big Ben o quê? Big Ben Bang Johnson! – por Eduardo Ribas

São Paulo, dia 30 de maio de 2009, 9 horas da noite. O local, Sesc Pompéia*. O motivo: Big Ben Bang Johnson. Big Ben o quê? Big Ben Bang Johnson, a união no palco de nomes como Mano Brown, Ice Blue, Pixote, Helião, Sandrão, Dj Cia, Conexão do Morro e vários outros representantes de peso do rap nacional que movimentam a cena desde, pelo menos, uma década.

E quem imaginaria ver um time como esse reunido no Sesc Pompéia, local que sempre abriu espaço para shows de grandes bandas de diversos estilos, só que não tanto para esse estilo de rap? A notícia da realização deste evento foi de se espantar, pois o estilo mais “ganguero”, adotado pelos presentes no palco, fora um dia “banido” pelo próprio governo do Estado. Felizmente, não foi o que aconteceu dessa vez.

Foi espaço para Mano Brown comandar uma festa que, se não fosse a “rigidez” da casa, seguiria pela noite inteira. A fúria, que geralmente é atribuída a esses grupos, ficou apenas por conta das letras de sons clássicos, que se mostraram bem vivos no coro entoado pelo público. Apesar da noite fria na capital paulista, a casa estava cheia. Também não era para menos, pois muitos tiveram a chance de ver a apresentação dessa “banca” pela primeira vez (e sabe-se lá quando poderão conferir de novo).

Assim como a platéia, o palco também estava cheio. Quem esteve presente teve a chance de se empolgar em diversos momentos. “O trem”, do RZO, “Vida Loka – parte I”, dos Racionais MC’s, “Lembranças”, do Consciência Humana, “Click, clack, bang”, do Conexão do Morro e “A mente do vilão”, com Du Bronks, Dom Pixote e Mano Brown são apenas alguns dos grandes exemplos de ápices da noite. Os “90 minutos de ritmo, poesia, verborragia ferina, malandragem e swing” fizeram valer a noite.

*Na sexta (29/05) também rolou um show do Big Ben Bang Johnson, no Sesc Pompéia.

Montagem com fotos do show do Contra-Fluxo feita por Lígia Lima

Montagem com fotos do show do Contra-Fluxo feita por Lígia Lima

Contra no Neu – por Lígia Lima

Não importa quanto tempo passe, quando os caras se juntam no palco a energia toma conta. Daí para você com as mãos para cima cantando os refrões é uma questão de minutos.

Não foi diferente na sexta-feira, 29 de maio, no Neu. A noite era fria, aparentemente como o público, mas bastou uma intimada do grupo Contra Fluxo para o povo se jogar e ferver do começo ao fim, num show vibrante que só quem tava lá é testemunha.

O repertório foi o de sempre, mas dessa vez, com bônus muito bem-vindos dos sambas – sim, sambas – “Vacilão”, de Ogi e “Caiu de maduro”, de Munhoz, além das mais que especiais participações de R. Brandão e Espião, numa sessão inesquecível da clássica “Alameda da Memória”.

O clima da casa, apesar de algumas limitações de infraestrutura, contribuiu bastante e o que era pra ser show tornou-se celebração, festa. Definitivamente, uma noite especial.

Parteum, em seus 10 anos de carreira, e DJ Suissac

Parteum celebra 10 anos de carreira c/ DJ Suissac (Divulgação)

Parteum, ParteDEZ – por Nathalia Leme

Num final de semana com 2 apresentações do Big Ben Bang Johnson, Zoeira Hip Hop, comemorando seus 3 anos (com direito à apresentação do grupo holandês Wallbangaz) e show do Parteum. O quê escolher?
Eu confesso que escolheria o teletransporte ou a minha clonagem só para comparecer em todos os eventos que o final de semana reservava. Mas não; tive que escolher. Ok escolhi ir a todos que eu pude!

Hole Club, um pico super conhecido da galera do rap, no último sábado, dia 30 de maio, foi palco de uma festa. Um mix de emoção e seriedade. Explico: foi a comemoração de uma década de carreira do MC e produtor Fábio Luiz, o Parteum, agora pai da pequena Cora. Mas com o toque de seriedade característico do MC e porque essa comemoração não foi mencionada pelo próprio. Foram os mestres de cerimônia, Max B.O e DJ Kefing (com seu set brasileiríssimo) que deram a dica da tal comemoração e mantiveram todo mundo animado e mais ainda mais ansioso para o show.

No palco, Parteum foi acompanhado pelos amigos e companheiros de Mzuri Sana, o DJ Suissac e o MC Secreto. O show mesclou a trajetória solo e em grupo do MC, com bases, grooves e harmonias de jazz, improviso, rimas inspiradas em literatura, dois álbuns, um EP e seis mixtapes lançadas

O MC cantou sons dos dois discos do Mzuri Sana (Bairros, Cidades, Estrelas, Constelações e Ópera Oblíqua). Da carreira solo, Parteum atacou com sons como “A Força da Sugestão”, “O Círculo” e uma que eu, particularmente, não tinha visto ao vivo: “Rumo”, do disco Raciocínio Quebrado.

Canções da mixtapes não ficaram de fora do repertório, e nem da boca da galera que acompanhou fervorosamente cada verso. Música inédita também constou, uma pequena mostra do que vem por aí no próximo álbum do rapper.
Quem venham muitas outras décadas por aí.

____________
Shows e Festas

PROJETO APPLE FLYERProjeto Apple @ Pau de dá em Doido Entretenimento

A festa será comandada pelos Djs Nato_pk (Enézimo/PDD Mixtape/Quilombo Djs), Rodrigo Silva (Choldra), Bola 8 (Realidade Cruel), Spaiq (Thaíde), Douglas Dobil e Nenê. Os MC’s da festa serão Enézimo, Arnaldo Tifu, Bruno Cabrero e Caprieh.

Além disso, vai rolar o Duelo de Maçã: 1 MC convidado duelando com 4 MC´s Desafiantes! Serão 4 rounds e um prêmio em dinheiro para o vencedor.

Local:

R. Arthur de Queiroz, 32 (Bar da Ana)
Estação de trem de Santo André
Info: 9954-0106 – 7186-0711
A partir das 22hs

chaka

Chaka Hotnightz @ Tapas Club

A festa é liderada pelos selectas Brandão, Granado, Akin, Gerez, Nicolas e Smoot, mais conhecidos como Ponicz Crew, que define a discotecagem como “powerful music”, englobando todos os estilos – da música brasileira à jamaicana, do balanço ao rap, da africana ao rock, passando pelo jazz e diferentes faces da música de vanguarda.

TAPAS CLUB
Endereço: Rua Augusta, 1246
Contato: 11 2574 1444
A partir das 23:00
Entrada: R$10

simples-net

Simples + Dj’s Marco, Nyack e Will @ Hole Club

“Nem me lembro quando foi o último. O Rick foi morar em Floripa, o Will foi tocar com o D2, o Diego foi arrumar uma filha e a Stefanie foi escrever (pelo menos ela) e fez uns shows por aí. Mas dia 06/06 no Hole Club, todo mundo junto. Como nunca deixou de ser na verdade.

Sem complicar demais. Sem enfeitar demais.

Quem vai?

Nós vamos.”

Fonte: Blog Estranhamente – por Kamau

Serviço:
Dia 06 de Junho, Sábado, a partir das 23h
Local: Hole Club – Rua Augusta, 2203 – Jardins – São Paulo/SP
Ingressos de 10 a 12 reais (mulher não paga entrada até meia noite)
Informações: 3086-10 ou hole@holeclub.com.br


Concurso de beats do Boom Bap / Mixtape do Emicida

O beat vencedor será utilizado por Ogi em seu disco solo

O beat vencedor vai para o disco solo de Ogi (Arquivo)

O blog Boom Bap, do nosso parceiro Felipe Schmidt, está promovendo um concurso de beats. O prêmio é o encaixe automático do instrumental vencedor no álbum de Ogi, do Contra Fluxo, que está preparando um disco solo e irá colocar a voz em cima dessa base. Chique, né não? Manda o seu pra lá que o prazo já ta terminando!
_______________
capa_mix

Emicida, que acaba de lançar a mixtape “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe”, e está vendendo cada cópia a R$ 2 pelas ruas do país, fez algo muito legal nesta terça-feira (5). Ele retirou todas as mídias que colocou a venda na Galeria, em São Paulo, pois as lojas estavam vendendo as mixtapes por um preço abusivo. Saiba mais aqui.
___________________
Festas

guetoteca_maio_frente

Ligue o som, afaste o sofá, a mesa de centro, tire o sapato e dance. Dance como se ninguém estivesse te vendo. É assim que você vai se sentir na nossa Guetoteca: em casa. Nos toca-discos, a DJ Mayra recebe DJ Vivian Marques para homenagear a música negra, tirando o pó de bolachões e arranhando novidades do rap, r&b, soul, funk, jazz e acid jazz. Do case, saem velharias que embalavam os bailes black de antigamente e beats e rimas criados por uma geração que sampleou muito bem essa nostalgia grooveada.

Na pista, as meninas do projeto de dança SETEOITO misturam coreografia e break. O mic fica nas mãos de Gabriela Imani.

::Drops Bar::
Rua dos Ingleses, 182 | Bela Vista

Quarta, 6 de maio, 21h
R$ 10 com flyer ou nome na lista
guetoteca@gmail.com

tubodeensaio1_

Projeto Tubo de Ensaio é um laboratório de experimento artístico e cultural, onde se mistura fórmulas como música, Audiovisual, Graffiti, Dança, Poesia, Exposição fotográfica e Workshop na busca da difusão da arte e cultural.

O projeto Tubo de Ensaio é uma produção independente idealizada pelos integrantes dos grupos Versu2, Arterisco e da banda Parto Natural com parceria do Centro Cultural Plataforma para proporcionar, dinamizar, divulgar a arte e cultura feita por artistas independentes do Subúrbio e bairros periféricos de Salvador. No objetivo de aproximar a sociedade civil do Centro Cultural Plataforma a direção do centro abre as portas para a realização do projeto Tubo de Ensaio.

O projeto Tubo de Ensaio será realizado inicialmente com três edições nos meses de Maio, Junho e Julho, começando no dia 10, tendo os portões fechados às 17h.

Projeto Tubo de Ensaio
Local:
Centro Cultural Plataforma
Data:
10.05.09
Horário:
17h portões fechados
Valor:
R$ 2,00

Atrações: Versu2, Arterisco, Banda Parto Natural.
Participação:
Tiago Negão e Neizinho (Ex-Milicianos)
Apresentação:
Mc Daganja
Graffiti: Finho
Exposição Fotográfica:
Fernando Gomes
Break: B.Boy Levi e Cia
Documentários e Filmes:
Robson Veio


Lurdez da Luz, Ogi e Stefanie

Festa da Boomshot rola neste sábado (25)

3 MC’s e uma festa

Você sabe o que é um pocket-show? Se não, te digo. É um formato de show com uma duração menor e, consequentemente, com menos músicas. Agora, o que você diria de colar numa festa com três pocket-shows de uma só vez? Essa é a proposta de Zeca MCA, o conhecido responsável pela Rádio Boomshot.

Ele convidou 3 MC’s que estão com projetos de trabalho solo, alguns no início do processo e outros mais perto do lançamento. São eles: Lurdez da Luz (Mamelo Sound System), Ogi (Contra Fluxo) e Stefanie* (Simples e Pau-de-dá-em-Doido). Além deles, teremos a discotecagem da Dj Mayra (Applebum) e dos Dj’s Marco e Tamenpi. A apresentação ficará a cargo do MC Tuchê.

“A idéia já era fazer o show da Lurdez solo. Mas também queria convidar mais MC´s como a Stefanie, que tem os trampos dela, e o Ogi, que também tem um projeto solo”, explica Zeca MCA. E o que os MC’s acham do formato pocket, será que dá tempo de passar as idéias? “Pra mim é simplesmente perfeito. É só material praticamente inédito, todo mundo tá preparando disco solo, mas já têm experiência de grupo. Eu acho que vai ser muito louco isso, só coisa nova de gente experiente”, responde a MC Lurdez da Luz.

A MC Lourdez da Luz irá lançar seu disco em breve

A MC Lurdez da Luz lançará seu disco em breve (Arquivo)

Para Ogi, também é importante destacar o trabalho de estímulo feito pelo organizador da festa, o Zeca MCA. Ele aproveita também para contar como rolou o convite. “Conheço o Zeca há um tempo, desde a época do Missões e Planos, quando ele convidou o Contra Fluxo pra participar da Boomshot, em 2005. Ele sempre me incentivou a fazer um trabalho solo, sempre deu um apoio moral. Quando falei que estava trabalhando nos meus sons, ele veio com o convite. Aceitei na hora”.

O show será na Hole, lugar conhecido por suas festas de hip hop como a Central Acústica e o Zoeira Hip Hop SP. Zeca revela que o motivo da escolha deste local não se deu apenas pela tradição. “O Dj Marco foi na festa de 5 anos da Boomshot (que rolou em dezembro, no Espaço Aprendiz, Vila Madalena) e pirou! Ai ele me convidou pra fazer uma parada com ele no Hole, ou seja, a culpa é toda dele!”, brinca.

OS MC’s revelaram também os seus “acompanhantes” de palco. A MC Stefanie, por exemplo, se apresentará com o parceiro da banca Pau-de-dá-em-Doido, o Dj Nato Pk. Já Lurdez da Luz explicou ela mesma como será seu pocket show: “O Dj Makoto vai fazer a fita. Ia ter o PG junto também, mas ele vai tocar em Florianópolis. Mas quando o disco sair, eu vou querer uma super produção, levando em consideração a realidade independente nacional”, pondera.

Ogi se prepara para lançar o primeiro disco solo da carreira

Ogi se prepara para lançar seu primeiro solo (Divulgação)

Já Ogi é estratégico no seu set. “Vou fazer três antigas; dessas três, duas tem participações. E vou mostrar uns três sons do meu disco solo, mas somente um pedaço de cada. Só pra deixar a expectativa pro pessoal que estiver presente”. O MC aproveita também para contar quem estará no palco com ele. “Os Dj’s serão o Willian e o Big Edy, cada um em um show. O MC de apoio será meu parceiro Munhoz. Assim como ele fazia comigo em seus shows, vamos repetir esta parceria“.

Você já deve estar curioso pra saber como vai o andamento dos CD’s solo de cada MC, certo? A MC Lurdez da Luz deixa escapar quais serão as participações em seu solo. “O Rodrigo Brandão e a Stefanie estarão no meu disco”. O CD de Ogi está quase pronto, mas enfrenta as dificuldades comuns ao gênero musical no Brasil. “Era pra esse disco já estar pronto, mas tive vários contratempos. Pretendo lançar até o final de julho, se tudo correr bem. Tô correndo atrás de verba pra poder lançar e finalizando algumas faixas. A arte da capa já está encaminhada”. O MC vai além, revelando o nome do disco e um pouco de seu conteúdo. “O disco irá se chamar ‘Crônicas da cidade cinza’, pois o formato é todo em cima de histórias. Todas as faixas são Story Telling**, baseadas no que vivo na cidade de São Paulo“.

Stefanie irá se apresentar ao lado do Dj Nato Pk

Stefanie apresentará ao lado do Dj Nato Pk (Arquivo)

E como será que está a expectativa dos envolvidos? “A expectativa sempre é boa, o show será bem curto, só uma pequena amostra. Acho que o público vai gostar”, diz Ogi. Para Lurdez, a expectativa também é boa.“Eu desejo que o povo pire nos meus sons novos”. Para a organização, não é diferente. “Espero que seja a mesma vibe da festa de cinco anos da Boomshot. Se for metade disso, já tá ótimo!”, finaliza Zeca.

*Não conseguimos entrar em contato com a MC Stefanie.

Serviço:
Pockets shows de Ogi (Contra Fluxo), Stefanie (Simples/Pau de Da em Doido) e Lurdez Da Luz (Mamelo Sound Sistem).Discotecagem da Dj Mayra, além dos Dj’s Marco e Tamenpi.
Preço:
Homem 12 reais com flyer/ 15 reais (sem flyer)
Mulher 10 reais com flyer,/12 reais (sem flyer)
Mulher até a meia-noite não paga
Hole Club
Rua Augusta, 2203 – Jardins São Paulo/SP


De volta à cena (?)

ogi-mtv

O MC Ogi, do grupo Contra Fluxo, participa do podcast "2 Deep", da MTV

Depois de um longo período praticamente “sem nada” de rap nacional em sua programação, a MTV ressurge das cinzas para o gênero em 2009. Caso esteja se perguntando…não, o Yo! MTV ainda não voltou, mas quem sabe este seja um dos próximos passos nesta nova empreitada da emissora.

Por enquanto, os destaques ainda ficam por conta da internet, com três blogs exclusivos para tratar da cultura hip hop dentro do portal da MTV. O espaço e o destaque dado a esses blogs ainda é, na nossa modesta opinião, pouco para a representação do hip hop no país, porém, ao menos, é uma esperança de que, mais à frente, as coisas possam melhorar. Bom, vamos a eles:

Coletivo: um blog colaborativo dedicado a cultura hip hop;

2 Deep Mixtapes: podcast de rap desenvolvido por Sono, do coletivo You And Me On a Jamboree : Em seu último post, trouxe uma mixtape só com músicas de Ogi, do Contra Fluxo. Confira aqui!

Pentágono: espaço dedicado exclusivamente ao grupo paulista, que acaba de lançar o álbum Natural e é o único representante do rap entre os blogs de artistas do portal.

Desejamos vida longa ao rap na MTV. E que, dessa vez, ele tenha vindo para ficar.


Contra Fluxo – SuperAção (2007)

Capa do disco SuperAção, do Contra Fluxo, lançado no final de 2007

Capa do disco SuperAção, do Contra Fluxo, lançado no final de 2007

Por diversas vezes, os nomes de bandas e grupos, criados no início de suas carreiras, pouco dizem sobre a obra desses artistas tempos depois desse começo. Às vezes o nome, que foi criado só para que existisse um, se torna simplesmente uma marca. Porém, em alguns casos pontuais, o nome representa toda a essência de determinado artista. É o caso do grupo paulista Contra Fluxo. Desde quando foi formado, em 2003, o fluxo convencional seguido pelos outros nunca foi o escolhido pelos seis integrantes do grupo.

As diferenças já podem ser notadas logo de cara, na formação do Contra Fluxo: quatro MCs e dois Djs. Isso mesmo, dois, no melhor estilo Jurassic 5, que conta com os maestros Cut Chemist e Dj Numark. No caso do Contra, os responsáveis por comandar a sinfonia são os Djs Big Edy e Willian. Já a linha de mestres de cerimônia é constituída por Deja Vu, Mascote, Munhoz e Ogi, quatro rimadores que, juntos, conseguem extrair o melhor de cada e funcionam como um só.

O segundo álbum do grupo foi lançado no final de 2007 e, mais uma vez, contrariou o fluxo: foi o primeiro disco duplo feito por artistas da nova safra do rap nacional. SuperAção teve sua estréia com um caloroso show no festival Indie Hip Hop e, pouco mais de um ano após seu lançamento, merece ser relembrado.

Ao todo, são 35 músicas produzidas por diversos beatmakers do país, (a maioria delas por Munhoz a.k.a. Prof. M.Stereo) várias delas com grande potencial para se tornarem clássicos do rap brasileiro. No entanto, como as rádios insistem em não tocar o rap que é feito por aqui, essas mesmas músicas acabam virando clássicos apenas para quem comprou o cd, fez o download na internet ou acompanha o trabalho do grupo em apresentações e show. Enfim, vamos às principais faixas e destaques do álbum.

Muitas delas se destacam individualmente, porém o grande mérito deste trabalho é conseguir fazer um álbum tão coeso com tantas pessoas envolvidas (somando os dois discos, são mais de 20 participações), principalmente no disco 1. O segundo disco, uma mixtape, é uma compilação de músicas habilidosamente mixadas pelo Dj Big Edy e já apresenta algumas rimas isoladas e sem muita conexão umas com as outras, em especial por parte dos MCs convidados. Os integrantes do grupo também se dividem bem mais neste cd e todos rimam sozinhos em algumas das músicas.

A faixa “Contratempos”, que tem um instrumental épico e acelerado criado por Dj Caíque, abre o disco 1 com os quatro MCs rimando sobre as adversidades da vida e a vontade de superá-las. Destaque para a levada agressiva dos quatro, proporcionadas pelo belíssimo beat, e pelo refrão, cantado em uníssono: “Contratempos, contra o tempo, contra tudo, contra todos /Nada cai do céu, batalho e me supero, suor escorre da face, o corre é mais que sincero…”

Em “Seguem Contra o Fluxo”, os quatro rimadores contam com a ilustre presença do carioca Shawlin, que chega para abrilhantar outra das melhores faixas desse disco, produzida pelo curitibano Dario. Essa é com certeza a música que mais fala sobre o espírito do Contra Fluxo, como revelam, por exemplo, as rimas de Munhoz :“Experiência, acúmulo de vivências, escolher o pior caminho por nada mais do que crença / A gente busca respostas, vive na base da aposta, acreditando que é possível viver do que se gosta”; e as de Shaw: “Nego pensa que é onda, que a gente é do contra, que a gente apronta, nem sabe metade do que conta / Pois tem dedo que aponta e nesse mundo é só mais um, já vi que o bom senso nem sempre é se juntar ao senso comum”.

Outras participações que muito acrescentam ao álbum são as de Rodrigo Brandão e Espião na bela “Alameda da Memória”, e dos curitibanos Nave e Nairóbi em “Ruas”. Na primeira, em cima de um beat contagiante e nostálgico de Dario, novamente, os MCs lembram da época em que se envolveram com o hip hop e de suas respectivas trajetórias. Destaques para a rima de Espião, que faz um retrato das festas que rolavam em São Paulo há alguns anos atrás, e para a performance de Dj Willian, com suas cada vez mais criativas intervenções com colagens. Em “Ruas”, o carro-chefe é o instrumental, cortesia do “savaviano” e sempre presente Nave, que traz caixas bem marcadas e um belo sample de flauta, além de mais um refrão confeccionado pelos toca-discos de Dj Willian.

Dj Big Edy, Mascote, Deja Vu, Ogi, Dj Willian e Munhoz

Dj Big Edy, Mascote, Deja Vu, Ogi, Dj Willian e Munhoz

Na realidade, todas as faixas deste primeiro disco merecem atenção especial, cada uma por motivos particulares. Para não passarem batidas, fica aqui também a lembrança às ótimas “Nem Tudo o Que Brilha”, pelas excelentes rimas; “Provações”, que fala justamente sobre o título do disco, superação; a mistura com samba de “Corrente do Bem”, com um belo refrão cantado pelos quatro, provando a versatilidade dos MCs (as três produzidas por Munhoz); e “Verdes Montes”, que fecha o disco com mais um belíssimo instrumental de Dario e uma letra pouco convencional ao rap.

O segundo disco terá bem menos espaço nessa resenha, mas não por isso merece menos atenção: entre as 19 faixas, ele esconde diversas pérolas. Destaque para a participação de Rick, que rima em “Quem Vai Chegar” junto com Leco, Ogi, Mascote e Jeff, e em “A Rua Vai Cobrar”, que ainda traz rimas cabulosas de Ogi e Jamés Ventura, ambas produzidas por Ogi (que prepara um disco solo para este ano). Com beats de Munhoz, “Por Bem, Por Mal”, em que Mascote rima sobre relacionamentos, “Quando Me Inspira”, disparada por Deja Vu, e “Até o Fim”, cantada (mais do que rimada) por Munhoz, comprovam a qualidade de todos os integrantes do grupo.

Por todos esses motivos e outros, SuperAção é um trabalho que não pode cair no esquecimento. Deve ser lembrado como um álbum completo, com lindos instrumentais e ótimas rimas, sempre trazendo algo novo ao ouvinte. Munhoz, que tomou a frente na produção, também se posta cada vez mais como um dos maiores produtores que o rap nacional tem hoje. Além disso, o grupo conta com os scratches de Dj Willian, na opinião deste humilde blog um dos melhores Djs de grupo do país, por saber encaixar colagens como ninguém e pelo leque de possibilidades que oferece a cada novo trabalho.

No momento, o Contra Fluxo está escolhendo os instrumentais para o próximo disco do grupo, que deve sair no ano que vem. Mantendo a tradição de “contrariar o fluxo”, os integrantes do grupo cogitam fazer desta vez um álbum conceitual (para quem não sabe, um trabalho em que todas as faixas giram em torno de um conceito, como fizeram EMC e Common Market em seus últimos trabalhos, por exemplo), o que comprovaria mais uma vez o pioneirismo do Contra.

Enquanto o fluxo normal das coisas se envereda por caminhos pelos quais não queremos trafegar, nossas esperanças se depositam em quem anda pela contra mão. Contra Fluxo.