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Emicida começa produção da nova mixtape

Emicida por Luciana Faria

Os novos caminhos de Emicida – por Stefanie Gaspar*

Achar o estúdio de Emicida não é tarefa tão fácil quanto parece. Localizado em um pequeno e estreito edifício na Zona Norte de São Paulo, é moleza passar despercebido pelo interfone que anunciou a nossa chegada. Emicida e o irmão, Evandro “Fióti”, abriram as portas com simpatia e nos mostraram o local que, nas próximas semanas, será o QG de uma intensa produção musical: em seu recém-montado estúdio, Emicida e seus manos vão começar a produção de sua segunda mixtape, um ano após o lançamento de Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe, que vendeu ao todo cerca de 10 mil cópias.

No dia de nossa visita, ninguém parava quieto no estúdio, arranjando as recém-compradas caixas, indo buscar novos cabos, baterias e extensões. Tudo sendo montado cuidadosamente – e, enquanto não está ajudando e coordenando, Emicida se tranca em um canto do estúdio para compor, sem parar, horas a fio. “Tem que ficar mexendo nas músicas, já que a maioria delas sobrou da mixtape anterior. E muita coisa eu fui compondo nos períodos entre os shows mesmo. Agora é hora de escrever sem parar, de rever tudo isso”, contou ele.

Entre uma explicação e outra, um telefonema e uma corrida para o quarto ao lado para checar os novos cabos, o estúdio do rapper explica por si só o esquema que ele comenta ser “incompreensível” para a mentalidade atual das gravadoras. Essa nova cena brasileira, composta por artistas independentes que cativam o público e alcançam sucesso de vendas sem o auxílio de uma major, seria uma mistura equilibrada de profissionalismo e esquema caseiro.

“O problema das grandes gravadoras é não compreender o processo de produção do rap brasileiro, dessa coisa espontânea, colaborativa, dos manos chegando e fazendo as coisas. E essa relação de brodagem também, que você não consegue da noite pro dia, precisa de convivência. Eles não querem chegar e me conhecer, saber como é a parada, meu esquema de trabalho. Eles querem assinar contratos e garantias, mas não respeitar esse ritmo”, comentou o rapper, que faz parte do front desse boom de artistas do rap que estão conquistando novos espaços e encontrando novas formas de viabilizar seus trabalhos, explorando o conceito das mixtapes e utilizando a web e a versatilidade da rua como veículo de disseminação da boa música.

Dj Nyack por Luciana Faria

“O filão das gravadoras está terminando. É muito bom fazer mixtape, é um formato que quase não existe no Brasil e é incrível, vende pra caralho e a gente não fica preso. Tenho um sério problema com esses bagulhos fabricadão, esses artistas que surgem DO NADA, uma parada matemática definida por um grupo de empresários. Daí eles decidem que os artistas deles precisam ser bem bonitinhos e se vestindo assim ou assado, cantando música de amor…”, ironizou Emicida.

Quando soubemos da movimentação por um novo trabalho do rapper – além de sua primeira mixtape, ele lançou o single Avua Besouro e o EP Sua Mina Ouve Meu Rap Também -, já pensamos em um primeiro álbum de estúdio, considerando que as sobras da primeira mixtape já teriam sido utilizadas no EP ou ficariam guardadas para outros trabalhos. Entretanto, Emicida afirmou que já começa a trabalhar em uma nova mixtape, a ser lançada em agosto deste ano. E que o material utilizado será formado por músicas que sobraram da primeira mixtape.

“Agora vou terminar as sobras com essa mixtape e me preparar para um lançamento grandão depois, um álbum mesmo. Não quero lançar um álbum por obrigação, só porque preciso, quero fazer um negócio bem acabado, com um propósito. Sinceramente, eu acho que hoje só Racionais, MV Bill, caras grandes lançam álbuns de verdade”, afirmou ele.

Emicida por Luciana Faria

Questionado sobre o motivo de usar as sobras para uma nova mixtape em vez de ter liberado o material anteriormente em um EP, por exemplo, o rapper respondeu que a mixtape deve ser assim mesmo – uma salada. “O que eu gosto é de fazer EPs temáticos. Que nem o que eu lancei agora, Sua Mina Ouve o Meu Rap Também. Todas as músicas falam da mesma coisa. Isso que é bacana nesse formato. Mixtape é saladona mesmo, outro lance”, respondeu, sem se alongar no assunto.

Curiosamente, embora Emicida seja um claro exemplo de um artista desta “nova escola” do rap, exposto a novas influências e vivendo em um cenário repleto de transformações não só na sonoridade e nas temáticas discutidas pelo gênero como nos espaços ocupados pela música, o rapper afirma ouvir muito pouco rap, a não ser alguns artistas nacionais. “Eu sou de outro rolê, sempre escutei outras músicas. Eu gosto de rap, mas eu só escuto os manos daqui. Vocês ficam aí falando do novo do Hezekiah, um cara foda, mas que faria muito mais sentido se tivesse vindo 10 anos atrás. Não fico fuçando atrás de coisa nova, não”, afirmou o rapper que, mesmo assim, ouve os figurões do rap mainstream gringo, como Eminem (“o Recovery é foda!”), Nas, Jay-Z e até mesmo Will.i.am (“o cara é mestre!”).

Questionado a respeito dos gostos do público de hip hop hoje e a preferência pelos clássicos do gênero, o rapper dispara: “Isso é uma coisa que os DJs de hip hop fizeram também e agora precisam assumir: você vai na festa e o cara não toca música nova. Daí o pessoal fica sem conhecer uma pá de artista e não quer show de gente nova. Daí toca o quê? Wu-Tang Clan, Mos Def, essas coisas, daí judeu não toca rap nacional e não toca música nova. Outro dia tocou Drake na balada e eu quase chorei”, comentou ele.

Evandro Fióti por Luciana Faria

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Emicida hoje passou dos pequenos shows em bares sem esquipamento acústico até chegar ao VMB e ao circuito mainstream, que tão poucos artistas conseguem penetrar, e agora segue lutando para sobreviver em meio a uma cena em constante mutação e que é seguida de perto por um público exigente e que não se contenta com pouco.

O discurso vago a respeito do trabalho já feito e do trabalho que vem por aí, proposital ou não, chega a dois resultados: aumenta o mistério a respeito do processo de produção de suas composições mas, ao mesmo tempo, coloca o rapper em uma posição delicada em relação a um mercado instável, difícil e definido por um misto de oportunidade, sorte e trabalho duro (e tudo isso sem o apoio de uma gravadora). Leandro Roque é tão fascinante porque é um retrato das contradições do cenário do rap nacional – com todos os seus defeitos e qualidades.

Selo independente

A gravação da segunda mixtape de Emicida coincide com a criação de um selo, no qual o rapper pretende reunir seus amigos e colegas DJs, beatmakers e MCs para criar um projeto sólido em um mercado em crise. A intenção é trazer todas as ideias de artistas como Casp, Renan Saman, Skeeter, Kamau, DJ Nyack, Base, DJ Will e Luiz Café não só para a mixtape como para outros projetos, além de posteriormente começar a trabalhar na busca de novos rappers que precisem de apoio no início de suas carreiras.

O selo ainda não tem nome nem foi oficialmente lançado.

Leia mais sobre as ideias do rapper na matéria Emicida: o lobo solitário.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

**Fotos por Luciana “Playmo” Faria.


Kanye West volta ao rap

Kanye West/Reprodução Billboard

“Lançamento à vista” – por E. Ribas

Poucas pessoas receberam tantas críticas ultimamente como Kanye West. Primeiro por seu álbum 808’s & Heartbreak, que buscou uma linguagem diferente dos outros trabalhos de Yeezy, depois por sua postura cada vez mais arrogante, seu suposto distanciamento do rap e por ai foi. Após realizar uma turnê bem sucedida, a Glow In The Dark, e embarcar numa egotrip profunda, Kanye voltou a pensar em produzir rap no estilo de seus álbuns de sucesso: sem auto-tune ou qualquer outra parafernália do tipo.

Kanye já deu nome a seu novo filhote, Good Ass Job (melhor nem traduzir), que estaria sendo produzido no Havaí, e inclusive lançou um single, Power, contando com Dwele, aquele mesmo de Flashing Lights (Graduation/2008), no refrão. No som, Kanye fala sobre a brincadeira que o programa de humor Saturday Night Live fez com ele no fatídico episódio com Taylor Swift, e ainda teve tempo para falar da especulação sobre seu problema com álcool.

Outro som caiu na rede, Monster, em parceria com Rick Ross, que apontou junto de Power que Yeezy guardou muita história para contar em rima no novo álbum.

Nesta semana, o MC e produtor deu uma pequena mostra do que muitos dizem que ele faz melhor: criar beats. Kanye West aparece em um video ao lado de sua (ex?) namorada, Amber Rose, sampleando um som chamado “Popular“, do musical “Wicked“. O video contribui para a expectativa de um grande lançamento para 2010.

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Confira detalhes da estreia do clipe do grupo Versu2 (BA)

Versu2 - divulgação

“Acredito muito no ritmo, mas acredito ainda mais na poesia”por Carol Patrocinio

O rap é sempre rap, mas a cena muda muito dependendo do lugar em que ela está. Não adianta achar que se você conhece a cena de São Paulo, como é o caso do Per Raps, você conhece tudo. Pra falar sobre o Versu2, que acaba de lançar um clipe, precisamos mergulhar na cena de Salvador. Como não pudemos gastar com passagem e estadia, quem nos ajudou nessa imersão foi o Rangell Santana (aka Blequimobiu), do Central Hip Hop (Bocada Forte) e do próprio Versu2.

Conheça agora um pouco da cena de Salvador, as ideias e rumos do Versu2, que faz rap com sotaque de ótima qualidade e assista ao clipe que ainda está quentinho depois de sair do forno.

Per Raps: Então, eu queria falar sobre o clipe, mas antes preciso q você me dê uma ajuda pra entender a cena daí. Uma coisa é ouvir falar, acompanhar pela internet, outra coisa é viver o barato – como é o lance de espaço pra show, abertura com público, interação dos grupos, MC’s e Djs?
Rangell/Blequimobiu: Pra shows temos poucos espaços ainda. Tem a Zauber que tem mais abertura, mas, apesar de estar no Centro, é numa ladeira que o público tem preconceito porque fica perto de um antigo local de prostituição, então é visto como um lugar perigoso. Daí a Boomerangue tem uma boa estrutura, mas pra conseguir pauta é muito complicado, ela é a mais estruturada e fica na orla. A Secretaria de Cultura tem feito um bom trabalho com os espaços públicos, mas também sofremos com a disponibilidade de pautas.

O público do rap em Salvador é  como em todo lugar, festas pequenas são frequentada pelos artistas, adeptos em geral. É bem complicado levar pessoas novas a estas festas, não temos dinheiro pra divulgação em massa. Terminamos limitados às festas dos amigos pra divulgar os flyers, os outdoors e busdoors, que são a verdadeira mídia de massa em Salvador, os demais são muito caros, não temos como investir. Quando tem shows com artistas como Racionais, e se investe neste aparato de divulgação, daí vemos festas com até 15 mil pessoas.

Acho que Salvador tem a cena hoje mais diversificada – você pode ir num show e ver grupos com uma linha under, gangsta, pop, gospel, candomblé e todos se respeitando, cada um passando sua mensagem sem desfazer do outro. Fazemos rap e aprendemos com os outros locais que estes rótulos só atrapalharam o crescimento da música como um todo. Também fazemos diversos eventos com outros rimos musicais (rock, reggae…) e, ultimamente, tem rolado interações com o pagode.

Versu2 - Fernando Gomes

Per Raps: Como foi a decisão de fazer um clipe?
Rangell/Blequimobiu: Então, em janeiro de 2008, eu e Coscarque percebemos que já tínhamos bons sons pra gravar um disco e ficamos seis meses no estúdio trabalhando nele. E em julho rolou de fazermos um show no teatro e o pessoal curtiu as músicas novas, depois fomos tocar em BSB com GOG e uma formação louca com Mano Brown, Pixote e Dj Cia, num evento da Conferência Nacional de Políticas para Promoção da Igualdade Racial. O pessoal elogiou muito por lá e percebemos que nosso som num agradava só aos amigos.

Aí voltamos na ideia de fazer mais shows e saber quais músicas realmente poderiam ir pro disco. Nesta brincadeira, organizamos uma tour com o Marechal e a banda de hardcore Lumpen, da qual eu era parte quando mais novo e eles cantam uma letras minhas. Na sequência rolou de trazer Emicida, Inumanos e o Kamau e, paralelo a isto, a cidade começou a ver nosso ritmo e como isto tava fazendo a cidade ser percebida na cena nacional, então vários caras se movimentaram.

O Felipe Franca tinha uma ideia de fazer um clipe nosso há muito tempo, chegamos a filmar umas cenas ao vivo, aí não deu certo o ao vivo e ficamos sem falar disto um tempão. Um dia eu tava na rua e o encontrei, comecei a falar da ideia que eu tinha, e fui mostrando as locações a ele – que é praticamente numa avenida só, a Carlos Gomes, um pedaço da Rua Chile e duas locações internas, a loja Mutantes, que eu sempre frequentei, e a Oficina de Investigação Musical do Maestro Bira Reis, que aparece no clipe tocando um metal.

Eu sabia que não tinha nome ainda pra lançar o EP, ele tá todo gravado mas eu não queria ser mais um disco na net, já que o processo de ouvir música tá muito louco, tem muita gente botando som todo dia na net, estamos cada dia mais rigorosos no que ouvir e sem tempo de ouvir obras inteiras. Poucos caras conseguem fazer um disco pra se ouvir todo e até você perceber a ligação de uma letra na outra (quando existe) pode ser muito tarde…

Então queria chamar atenção nacionalmente e vi que o clipe era a forma mais rápida de acontecer. Se fosse bem feito as pessoas iriam falar. Então saímos juntando pessoas que estivessem afim de mostrar este novo momento da arte como um todo em Salvador. Queria um clipe de rap, mas queria os locais em que passei minha adolescência, em que conheci o rap, o rock e tal. Queria pessoas que representam no clipe – nele tem o Finho, que grafita e ilustra, fez a capa do disco, tem o Baga que é MC e também grafiteiro, ele aparece no clipe tipo vigiando o Finho grafitando. Tem o Dimak, que cito na letra, foi ele que me apresentou os primeiros raps, ele é o melhor grafiteiro pra mim, e queria ele no video, então ele aparece com o Cdois, do OtraVidda, que é um moleque muito sangue bom e vem fazendo coisas bem positivas.

Aí tem o Jonnhy, que passa esbarrando no Coscarque, ele é um cara que faz as notícias correrem na rua. Tem o Robson Véio, como vendedor da loja e o coroa é o Jorginho, dono da loja, ambos referências minhas, me indicaram muitas músicas. Nesta mesma cena aparece o Diego 157 comprando discos, e sobre o balção tem o disco do Daganja e o 157 nervoso, que foram lançados pelo meu selo, o Positivoz. Aparece também o Fernando Gomes fotografando, e tem, no final, o Daganja, que na Testemunhaz tocava percussão e achei legal resgatar isto dele, já que ele tem uma raiz muito forte no Samba.

Então este clipe é um pouco de minha vida, de onde busco harmonia, de onde me inspiro de ver o corre corre do povo. Tem dia que estou mal por uma besteira e, quando passo naquela rua e vejo o povo indo e vindo atrás de um qualquer pra viver, eu me resgato. Costumava andar muito ali a noite e ficar observando o tráfico, a prostituição e isto também me inspirava a me manter no caminho legal, pra poder retratar aquela rua que de noite é tão fria e de dia tão quente. Ou vive-versa (risos!).

Per Raps: E daqui pra frente, quais os planos e as expectativas?
Rangell/Blequimobiu: Em janeiro vamos lançar um concurso de remix com a faixa do clipe e premiar com R$ 300, que é  o preço que a maioria dos caras bons na arte cobra nos beats. Daí pensei que poderia, desta forma, atrair Don L, Nave, Dario, Diego 157, Diamantee e Munhoz, entre outros, a participar da competição e ganhar mais respeito ainda na cena.

Vamos lançar dia 01/01/2010 e como juri vamos ter eu, o Coscarque, Kamau, Marechal e Cortecertu, além do juri popular. São pessoas de gostos bem diferentes, então vai ser bem legal.

A estratégia é revigorar o clipe, mantê-lo em certa evidência por um mês; depois vem fevereiro e no carnaval é complicado trabalhar, então vamos deixar pra lançar o EP, com 7 faixas, em março e depois tentar viajar pra SP/RJ/CWB, mostrar nossa energia ao vivo. Todos os caras que tocamos aqui têm se surpreendido conosco justamente no palco.

Acreditamos no show, nas pessoas falarem de nosso som ao vivo, e por isso procuramos trabalhar bem. Marechal, Gasper, Kamau e Emicida viram e comentaram justamente isto, a energia ao vivo.

Per Raps: O sotaque tem a ver com isso?
Rangell/Blequimobiu: Hahaha. Sabe, esta parada de sotaque é muito engraçada porque, antes de viajar aí a primeira vez, eu achava que o rap tinha as gírias e o jeito de falar do rap, mas depois percebi que era o contrário, todo mundo aí falava meio parecido, era um sotaque de vocês.

Quando os caras do Rio começaram a gravar, eu achava eles todos parecidos, assim como achei, por um tempo, os de CWB. Quando saiu a mixtape do Costa a Costa vi a riqueza do sotaque.

Quando lançamos “Que som é  este”, com o sample de Ivete Sangalo, parecia que iríamos ser um grupo de rap axé ou sei lá o que, então ficamos preocupados, por isto lançamos o som mais rap do disco, com sample de jazz e tal, mas nas outras faixas tem reggae, rock, timbau, e um monte de maluquisse (risos).

Per Raps: E a intenção é levar essa mistura pros outros cantos do país?
Rangell/Blequimobiu: Vou te ser sincero, nem foi intencional, mas quando fomos buscar os beats, saímos de casa em casa escolhendo os que nos identificamos e quando vimos tava uma mistureba da porra. Ficamos preocupados, a princípio, depois, quando ouvimos tudo junto, vimos que era bom, que, mesmo sem querer, era nossa realidade, eram os sons de nosso povo.

Queremos montar uma banda pro show de lançamento e para poder vender o show com mais profissionalismo. Tem uma pessoa nossa que vai começar a trabalhar esta parte junto a produtoras de pagode e axé, nos festivais de música. Aqui tudo é meio mega, você subir num palco com três MCs e um Dj é complicado, se chega uma banda com peso, aí os caras pagam direito. Uns pensam pela quantidade, e não qualidade, daí queremos juntar tudo.

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Lançamentos de 09: Nathy MC

Nath MC

Foto retirada do MySpace da MC

Uma voz feminina entre graves

Esse fim de ano promete vários bons trabalhos no rap nacional. Entre eles: Ogi (Contrafluxo), Flora Matos, Lurdes da Luz (Mamelo Sound System), Lívia Cruz, além de EP’s do (Tiago) Rump, do Pentágono e Projota. Isso apenas citando aqueles que anunciaram seus lançamentos publicamente.

Dentre essa lista de nomes, alguns deverão se apresentar no Indie Hip Hop 2009, mas dificilmente haverá espaço para todos. No entanto, traremos aqui no Per Raps alguns desses lançamentos, vezes com resenhas, comentários, entrevistas etc.

A escolhida para abrir essa série é a paranaense Nathy MC, que contou em entrevista para a colaboradora do Per Raps, Ciss (Cissa Maia), um pouco do processo de “materialização” de seu primeiro trabalho. Curte ae!

A voz suave de Nathy MC – por Ciss aka Cissa Maia

“Encaro isso como qualquer MC na sua função”, diz Nathalia Valentini Lissa, 25 anos, paranaense, que encontrou na cidade de São Paulo a oportunidade para desenvolver o projeto mais importante da carreira – o lançamento do primeiro álbum solo. Dona de um sorriso cativante, tatuagens pelo corpo e mãos firmes ao microfone, a charmosa Nathy MC, carrega influências da vida em Curitiba. “Comecei a ouvir rap em meados de 1997. Sempre fui admiradora e ouvinte. Nessa época, eu andava muito na rua com meus amigos e, entre algumas madrugadas pelo centro de Curitiba, resolvi me aventurar no “freestyle”. Era algo que acontecia naturalmente e muito divertido. Participei de algumas batalhas lá e chegou um momento que resolvi começar a gravar minhas letras”.

Entre dores, amores e conflitos, almejar um novo destino não foi tarefa fácil. “Eu sempre vim pra São Paulo. No começo eu vinha de excursão com os meninos do graffiti para Santo André e acabava conciliando com algum show de rap que gostaria de assistir. Depois de um tempo, eu vinha sempre que rolava alguma atração (grupo de rap, dj ou mc) de fora do Brasil e acabava ficando 1 ou 2 meses a mais do que tinha planejado, justamente porque São Paulo me atraía em algumas coisas, como a intensidade das grandes cidades e a distribuição da informação em massa. Nesse tempo todo que passei aqui, conheci algumas pessoas importantes que me ajudaram e me ajudam na minha vida até hoje.

Uma dessas pessoas, Marcelo Sinistro, acreditou no meu trabalho e me deu a oportunidade de trabalhar aqui, não só como MC, mas em algumas festas também. Nesse momento decidi que era minha hora de agir, tranquei minha faculdade, fiz as malas, e graças a Deus até hoje estou aqui. Ainda lembro bem da primeira frase que o Primo, quando me viu aqui em São Paulo, disse: Você fez a melhor coisa da sua vida”, revela com entusiasmo.

Mesmo assim, a bela MC externou suas preocupações de uma jovem adulta com delicadeza, empurrando a própria sorte com dedicação. “O tempo todo eu corri muito, trabalhei em Shopping e continuei nas festas à noite, aonde trabalho até hoje. Demorei quase um ano pra juntar a grana para fabricação e gravação do meu disco. Foi muito corrido todo o processo de gravação, pois eu tinha pouco tempo livre pra isso. Tudo isso que passei aqui até hoje só me trouxe coisas positivas: trabalho, contatos, amigos, crescimento e conquistas, meu disco é uma dessas coisas”.

É no meio das batidas que Nathy MC exala atitude e beleza, como uma das representantes femininas do rap nacional. E nem é preciso mudar de sexo para ter voz, tudo ainda fica mais atraente quando a própria mostra que segue iluminada no território predominantemente masculino. “Hoje em dia lido com essa diferença da forma mais profissional que eu posso. Se eu falar que não houveram dificuldades em todo o processo que passei, estou mentindo, mas acho que as coisas estão melhorando pro rap aqui no Brasil em todos os aspectos, acho que tem lugar pra todo mundo trabalhar independente de sexo ou gênero.” E ainda cita suas maiores influências. “Acho que não passo um dia sem ouvir um som dos Racionais, então começo com eles, na cola vem Marechal, Black Alien, Emicida, Shawlin, Ogi”, acrescenta.

CAPA-ENCARTE FRENTE

A ideia de gravar um disco já passava pela mente de Nathy MC, mas a parceria com o Dj Soares tornou o plano em realidade. “Comecei a escrever as letras, a princípio, em cima dos beats que o Dj Soares estava produzindo, e fechei de gravar as faixas, mixar e masterizar com o Munhoz. Todas as letras são muito pessoais, falam da minha vida e das minhas experiências, é como uma autobiografia. Em função disso, o nome do disco é Nathy MC”.

Recém saído do forno, o álbum possui 11 faixas repletas de composições autorais e participações especiais como dos MCs Ogi (na faixa “Dama e o Vagabundo”), Emicida (na faixa “Lágrimas da Voz”) e Lurdez da Luz (na faixa “Nossa História”). E o que esperar de tudo isso? “Uma mulher que sonha, vive, chora, ri, perdoa, não desiste, e cresce a cada dia que passa com cada problema que surge na sua vida”, finaliza graciosamente.

O disco estará disponível em algumas lojas da galeria e nas mãos da própria Nathy MC. O lançamento acontecerá ainda no fim do ano.

Mais no blog da Nathy MC: Linda Terrorista.


Som novo!

Chegou no e-mail

Chegou no e-mail!

Você, assim como a gente, sabe da dificuldade para divulgar sons quando você ainda está começando – ou até mesmo depois de um bom tempo na batalha! Como muita gente manda o trabalho pra gente e o Per Raps acredita que pode ajudar na divulga desse material, estreamos hoje a coluna “Chegou no e-mail”.

O funcionamento é beeeem simples: você manda a música em mp3 pra gente, no nosso e-mail (perrapsblog@gmail.com), com o assunto [Chegou no e-mail]. E a gente vai fazendo coletâneas dessas músicas, sem julgamento de valor, estilo ou qualquer outra coisa.

Nessa primeira edição, que ficou mais longa do que a gente imaginava, você vai ouvir gente de vários lugares do Brasil, pra provar que talento tem em qualquer lugar, basta encontrar as coisas certas!

Invasão dus Ratueiras – Um belo dia
supeR.atos – Batida dessa vida
Suite 702 – O telefone dela
Bgame – Luz da Vida
Inquilinus – Nossa Canção
Calibre MC – Dinheiro e Mulher
Fex Bandollero – Encontrei
Preto WO – Só tirando onda
Divox e B.I.G. – Nosso Hino
Dalmatas – Você sabe o que fazer
Versu2 – Que som é este man?
Homens do Pântano – Gravidade zero


Um novo olhar sobre as tradições

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Um diamante jogado aos porcos – por Carol Patrocinio

De vez em quando alguns diamantes são jogados aos porcos, apenas para ver se algum deles vai conseguir separar a pedra preciosa da lavagem que está prestes a comer. De vez em quando, um porquinho mais esperto, consegue encontrar o tal diamante e o separa. Numa dessas lavagens eu, Snowball que sou, consegui separar um diamante ótimo: Leonardo Galina, o Guma.

Se até no lixão nasce flor, por que numa matéria sem nenhuma ligação com cultura de rua não seria possível encontrar um fotógrafo com um trabalho muito bacana sobre raízes africanas? E o que o rap e o break, por exemplo, tem a ver com candomblé, capoeira e diversas outras manifestações dessas tradições?

Pensando nessas ligações, convidamos o Guma para ser um “colunista visual” aqui no Per Raps. Esse fotógrafo vai contar histórias através de imagens e levar um outro mundo a você, aqui pelo blog, apenas clicando nas fotos. Quer saber de onde ele vem?

“Leonardo ou ‘Guma’, na vida da capoeiragem, nasceu e cresceu no Pirajussara e hoje é do Campo Limpo. Aos 18 anos teve seu primeiro contato com a fotografia, na faculdade de arquitetura, e começou a fotografar por hobby.

Sempre procurando uma forma de se expressar, foi na Fotografia que encontrou o que procurava depois de tantos pulos e outras tantas rasteiras. Foi representar sua quebrada em Portugal, com uma fotografia do Pirajussara.

Integrante ativo do grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros, na Senzalinha, habitação do Mestre Marrom e sede das sagradas rodas de sexta-feira, onde mantém uma exposição de fotografias angoleiras. Fotografa a música, o transe, a ciência do jogo, os olhares e palmas, os círculos onde se transmite o conhecimento ancestral da filosofia de Angola.

Em 2007 publicou pela Edições Toró o livro ‘Morada’, com o poeta e parceiro Allan da Rosa, em que discute a questão da habitação nas beiradas da cidade. Trabalhou como Orientador Social no Jardim Ângela, atendendo adolescentes que entraram em conflito com a lei, como arte-educador na Fundação Casa, ministrando oficinas de fotografia aos adolescentes internos, fotojornalista freelancer para sites e revistas, além de ser fotógrafo de espetáculos de dança e teatro”, segundo ele mesmo.

Agora que todos estão devidamente apresentados, vamos ao que interessa: uma primeira mostra do trabalho do Guma. Gostou e quer mais?

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A novidade completa: Festival Dialeto

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Lembra que a gente tinha falado que vinha coisa nova e queeeente por aí? Agora a gente tem todas as informações! Quer saber? O que vai acontecer no dia 10 de outubro é um festival de rap, isso mesmo, o Festival Dialeto! Rola em São Paulo e vai ter shows de Kamau, Emicida, Pentágono, Criolo Doido, Max B.O., Akira Presidente, Dj Marco e Dj Dan Dan. Pois é, vão estar juntos os caras que a galera mais curte ultimamente!

O que a organização do Dialeto quer é mudar esse panorama em que festivais de rap são muito raros. Um dos produtores, o Pedro Gomes, contou pra gente que tem a intenção de tornar o evento anual – “Gostaríamos que fosse num espaço grande, tipo um Sesc, temos público pra isso. Vamos lutar pra isso acontecer nas próximas edições. Nós (produtores e artistas) estamos investindo nesse momento, para poder montar um bom portfólio e posteriormente correr atrás de outras opções”.

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Clique na imagem para ampliar!

Mixtape ao vivo
Essa foi a definição que Kamau deu para a festa. Como serão vários MC’s num mesmo palco, as apresentações serão reduzidas, mas ainda assim cheias de boa vibe. Dj Dan Dan, outro artista que vai participar do evento acha que “vai ser um festival como já não temos há muito tempo, um evento pra engrandecer o hip hop”.

Emicida acredita que esse festival vai ser a bomba que faltava pro fim do mundo! “Depois do dia 10, não vai existir mais nada. Vai ser o apocalipse, a febre do rato, o final dos dias, nós vamos adiantar 2012 que nem previram no calendário maia”, profetizou. E a explicação direta e reta do Criolo Doido diz tudo o que se espera deve festival: “Vai ser um balde de água suja”.

Pra começar a sentir a sujeira que rola no Festival Dialeto, você pode dar uma olhada nos vídeos que todo mundo que vai participar gravou e colocou no Vimeo!

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Enquanto não vem…

Você aproveita a sexta-feira depois do trabalho, vai pro happy hour e escuta um seleção de Pedradas Musicais do DJ Tamenpi. Pra você ter uma noção do que vai rolar, o cara fez um medley especial aqui pro blog pra te animar nessa véspera de fim de semana! Se liga no som!