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Coletivo Action apresenta o Boogie Funk

O pessoal do Coletivo Action volta a trazer uma pedrada informativa ao Per Raps, dessa vez contando um pouco sobre o Boogie Funk; estilo que é familiar, mas que teve seu brilho diminuído ao ser englobado na categoria “Funk”.

Agora, devidamente nomeado, vem encontrando espaço quase como a música dos anos 80, que virou febre em festas temáticas por essas bandas. Lembro aqui de uma frase que Herbert Viana (Paralamas do Sucesso)  sobre a tal “volta” da música dos anos 80 às pistas, era algo como ” na época tinha tanta produção, que muita coisa boa acabou não tendo a devida atenção”. Eis que agora temos a chance de apreciar o Boogie Funk.

Leia, ouça os sons, assista os videos e comente o texto do Coletivo Action.

Coletivo Action no Per Raps

“Searchin’ 4 Funk’s Future” – por coletivoAction

Quando falamos de música, a gente sempre cai em rótulos que na maioria das vezes ajudam mais a confundir do que esclarecer. o Boogie Funk é um caso especial. O nome é estranho, mas a sonoridade é bastante familiar aos nossos ouvidos. Aliás, o nome Boogie Funk é mistério até para os especialistas no gênero. Tanto que, nos anos 80, tudo isso era apenas conhecido como Funk. A única coisa que se tem certeza é que o surgimento da nomenclatura é recente, fato que ajudou DJs e aficionados por esta sonoridade.

No começo dos anos 80, a Disco Music já apresentava sinais de saturação e perdia espaço para outros gêneros. Produtores visionários, na tentativa de um “refresh musical”, buscaram influências no espacial P-Funk de George Clinton e livraram-se das amarras tradicionais de produção para criar uma nova sonoridade. Também substituíram o número de músicos de estúdio pelas tecnologias mais celebradas na época: sintetizadores e baterias eletrônicas. E as mudanças não paravam por aí. As letras ganhavam conteúdos mais explícitos e faziam contraponto a inocência e duplo sentido das décadas passadas. No entremeio do Rap e Electro, essa nova visão do funk não seria coadjuvante na efervescente década.

Com certeza você já se pegou ouvindo alguma track de Boogie Funk, curtiu, mas ficou com preguiça de correr atrás pelo emaranhado de produções daquela época. Caras como Carl Carlton com o clássico “She’s A bad mama jama”, Prince no começo de carreira e o saudoso Rick James foram grandes hitmakers do estilo e eram presença certa nas rádios da terrinha. Outros, não tão famosos como estes, mas com tracks inesquecíveis como Glenn Jones e a oitentíssima “I am Somebody”, fizeram várias pistas do mundo inteiro caírem na dança. Haviam também as bandas Aurra e o belo dueto em “Patience” e a avassaladora “Hold On” do grupo High Fashion, produzidos pela dupla italiana Malavasi-Petrus, uma espécie de Holland-Dozier-Holland da Disco Music.

O que mais atraia no som era a batida Disco mais lenta combinada com os sintetizadores, estes, substituindo os metais. Aliado a isso, o talento dos produtores era essencial, pois conseguiam deixar tudo isso com uma levada pop e acessível ao grande público. Tendo surgido na mesma época do Rap e do Electro, o Boogie Funk também influenciou e foi influenciado por estes gêneros. É só pegar “It’s Nasty” do Grandmaster Flash e ouvir uma certa influência de Boogie, só que com flow. Outro bom exemplo é a “House Party” do United Voice Players, cheia de malemolência. Eram, bizarramente, a trilha perfeita para se ouvir num motel com cama redonda e banheira dourada, a espera por momentos de intenso prazer com sua nêga. O que mais se podia pedir?

Além das rádios do Brasil, essa versão do Funk também fincou suas raízes nos bailes. As lendárias Soundsystems Chic Show de SP e Furacão 2000 do Rio tocavam diversos clássicos e chegaram até a lançar em coletâneas. Inclusive, no começo dos anos 90, não era difícil você encontrar discos da Furacão lotados de Boogie Funk em meio ao Miami Bass. O próprio Dj Marlboro possui uma respeitável coleção do estilo, tendo até trocado discos com o mito Afrika Bambaataa em sua primeira visita ao país. Uma pena que o DJ nunca tenha arriscado produzir alguma coisa nesta linha. Mesmo assim, para nosso deleite, temos verdadeiras gemas Boogie produzidas por aqui: “Dear Limmertz”, do grandissíssimo Azymuth e, pasmem, Serginho Mallandro – cantando sobre um travesti em “Mas que ideia” -, são dois bons exemplos. Coisas que só nosso país pode nos trazer. Sensacional.

Hoje em dia…

Atualmente, o maior destaque do gênero é Dam-Funk. De Los Angeles, ele é um dos principais nomes da label Stones Throw e baluarte do Boogie Funk. É só reparar nos sintetizadores e baterias antigos que usa e o resultado, batizado por ele de Modern Funk. Dam-Funk nos dá uma lição de como um gênero musical não pode ser deixado para trás por ser considerado antigo. Graças a ele, o ritmo vem ganhando destaque novamente entre o público. Dos mais velhos relembrando o passado aos mais novos descobrindo uma época em que a música negra inovou sem deixar de ser acessível a todo o público, como em sua raíz.

Pra fechar

O site L.A. Record tem podcast tão bom sobre o assunto que resolvemos disponibilizar pra você. São mais de 60 minutos de sons que vão te fazer entender o motivo do Boogie Funk merecer ser relembrado.

* ColetivoAction fala sobre música negra, artes e caranguejo, numa deliciosa caldeirada tipicamente caiçara.

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Sample brasileiro pra rapper gringo rimar
Sample brasileiro pra rapper gringo rimar – Parte II

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Kanye West volta ao rap

Kanye West/Reprodução Billboard

“Lançamento à vista” – por E. Ribas

Poucas pessoas receberam tantas críticas ultimamente como Kanye West. Primeiro por seu álbum 808’s & Heartbreak, que buscou uma linguagem diferente dos outros trabalhos de Yeezy, depois por sua postura cada vez mais arrogante, seu suposto distanciamento do rap e por ai foi. Após realizar uma turnê bem sucedida, a Glow In The Dark, e embarcar numa egotrip profunda, Kanye voltou a pensar em produzir rap no estilo de seus álbuns de sucesso: sem auto-tune ou qualquer outra parafernália do tipo.

Kanye já deu nome a seu novo filhote, Good Ass Job (melhor nem traduzir), que estaria sendo produzido no Havaí, e inclusive lançou um single, Power, contando com Dwele, aquele mesmo de Flashing Lights (Graduation/2008), no refrão. No som, Kanye fala sobre a brincadeira que o programa de humor Saturday Night Live fez com ele no fatídico episódio com Taylor Swift, e ainda teve tempo para falar da especulação sobre seu problema com álcool.

Outro som caiu na rede, Monster, em parceria com Rick Ross, que apontou junto de Power que Yeezy guardou muita história para contar em rima no novo álbum.

Nesta semana, o MC e produtor deu uma pequena mostra do que muitos dizem que ele faz melhor: criar beats. Kanye West aparece em um video ao lado de sua (ex?) namorada, Amber Rose, sampleando um som chamado “Popular“, do musical “Wicked“. O video contribui para a expectativa de um grande lançamento para 2010.

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Myspace
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Mister Bomba fala do álbum “De Ponta a Ponta”

No final do mês de março, o Per Raps trouxe aos leitores a primeira parte da entrevista feita com Mister Bomba, MC e produtor do grupo SP Funk. Trazemos agora a segunda parte da conversa que tivemos com Bomba, dessa vez falando sobre seu trabalho solo – “De Ponta a Ponta” -, twitter e outros assuntos.

Falando em álbum, o disco terá festa de lançamento no dia 14 de julho, na Matilha Cultural, no centro de São Paulo. Fique atento!

Não deixe também de ler também “O outro lado de Mr. Bomba“, a primeira parte da entrevista feita pelo Per Raps, em que o MC e beatmaker falou sobre seu início no rap, um pouco de sua rotina, seu modo de produzir sons e sobre seu grupo, o SP Funk.

Falando “De Ponta a Ponta” – por Eduardo Ribas

Dê o play em Mister Bomba, “Gênesis” (De Ponta a Ponta/2010)
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-05-18T10_07_29-07_00.mp3″

Per Raps: Pra começar, como está o andamento da produção do “De ponta a ponta”?
Mr. Bomba:Tá na reta final. Já ta mixadão, a arte da capa tá quase pronta, mas de última hora eu resolvi incluir mais 3 músicas, que vão estar prontas até a data da masterização.

O nome do álbum faz alusão a temática preferida do Planet Hemp, no Brasil, e Cypress Hill, na gringa ou é apenas uma coincidência?
Mr. Bomba: Cada um vai entender como prefere mas, o nome tem a ver com o lance de eu produzir e rimar, por isso é Mr. Bomba De Ponta a Ponta, tanto na produção, como nas letras.

Per Raps:O “De ponta a ponta” já tem previsão de lançamento? Pretende convocar beatmakers ou a produção será só sua?
Mr. Bomba: O álbum iria sair em abril. Tem participação do Coral Kadoshi, Sombra, Bio Rima aka Obaminha, Tio Fresh e Criolo Doido, Bukassa e Mc Jota. Me dediquei pra fazer aquela produção artesanal com muita alma em todas as faixas, daí o nome do disco – Mr. Bomba De Ponta a Ponta -, mas eu não fiz sozinho. Tive a ajuda de músicos como Munari, Cabralha, Marcelinho, Nadinho, Tadeu Dias, João Lavraz e cada um trouxe suas ideias. No futuro eu planejo trabalhar com outros produtores, mas nesse eu fiz todas. Composto, produzido, arranjado e rimado by Tio B.

Per Raps: Em uma entrevista para um site, o Highsnobiety, você disse que o estilo de “Biriri” era o “tranco”. Pretende investir nesse estilo novo ou foi apenas uma maneira de explicar a pegada diferente do som?
Mr. Bomba: Era não, é. E eu estou investindo tempo e esforço nisso porque, se liga na fita, o Hip Hop se espalhou no mundo todo, mas em cada lugar tem uma identidade nacional, um tipo de rap local, quem tem a influência do Rap americano misturado com a cultura local. Na Jamaica tem o Dancehall, em Porto Rico tem o reggaeton, em Angola tem o Kuduro, no Rio de Janeiro tem o Funk e até no Tecnobrega do norte e no Axé do nordeste tem influência do Rap.

Todos esses estilos que citei fazem muito mais dinheiro do que nós, com esses preconceitos, daí entra na questão de que é um por amor e dois por dinheiro, mas hoje em dia nem amor tá vivendo sem dinheiro. Até nos EUA, se você for ver, em Chicago tem o Juke, no sul o Dirty South e o Crunk, então, quando me perguntaram se São Paulo tem uma identidade eu disse: “tem, é o Tranco”, porque eu já estava pensando nesse nome fazia tempo, chega de imitar os manos, vamos fazer o nosso, e se quem estiver lendo e quiser somar com bases, danças e músicas novas, é só chegar!

Per Raps: Reparamos que você tem se utilizado bastante do Twitter, o que acha dessa ferramenta e qual a importância do uso da web para o seu trabalho?
Mr. Bomba: Nos dias de hoje, quem não tá na net fica quase impossível entrar no jogo, então eu tento estar conectado o máximo de tempo possível e agora com o twitter eu posso centralizar mais. Youtube, Myspace, Facebook e Orkut, todos conectados. Eu nunca pensei que pra você ser rua e ser falado na rua teria que estar mais na frente do computador do que na própria rua.

Per Raps: Você acha que rolou uma mudança de mentalidade em termos de ideia nas rimas do Bomba do SP Funk e o Bomba que vai rimar no “De ponta a ponta”?
Mr. Bomba: Muita gente pensou que o SP Funk tava querendo ser “os intelectuais do Rap”, mas não era nada disso, com o tempo foram aparecendo vários – não vou citar nomes, mas vários, um mais complicado que o outro -, mas se for ver, as ideias são simples. Mas é muita ideia por música, as ideias estão todas aí, a gente só tem que ser uma antena e ficar na sintonia pra que elas cheguem com nitidez pra quem vai ouvir. Quem ouvir o “De Ponta a Ponta” vai ver que eu continuo com a mesma mentalidade de busca por um som novo e original, que sempre foi o ideal do SP Funk.

Per Raps: Na entrevista concedida ao Programa Freestyle, você apresentou no programa o som “Gênesis”, que deverá estar no novo trabalho. A música teve inspiração no som “This Way”, do Dilated People com o Kanye West?
Mr. Bomba: Quando eu vi o Coral Kadoshi cantar foi tipo uma luz que bateu, tipo um clarão, e eu pensei: “eu tenho que gravar com eles”. Desde que eu fiz o beat achei que ficou bem épico, então eu resolvi chamar nesse som, pra abrir o disco com essa vibração. Aí fui pro estúdio MCR no dia da gravação com o coral sem nada, nem melodia nem letra e nós – eu e o Marcelo, do Caral – escrevemos essa letra em menos de cinco minutos, parecia psicografia. Foi um momento mágico e ficou registrado no disco.

Per Raps: Falando nisso, definiu o formato: EP, mixtape, virtual ou convencional?
Mr. Bomba: CD, download e uma edição limitada em formato surpresa. Também estou trabalhando em mais três mixtapes e nas bases do novo do SP Funk.

Per Raps: Sobre o single “Biriri”, esperava tanto barulho? A ideia de gravar um clipe desse som partiu de você?
Mr. Bomba: Na hora que eu fiz o refrão eu já soube que ia fazer barulho, sempre soube. Eu nem tinha a letra, só o refrão e a base, e já sabia que era sucesso. E aí eu agradeço os DJ’s que acreditaram e fizeram que uma ideia se tornasse um hit. Dj’s como Ahlemão, Tubarão, Silvinho, Milk, Flash, Puff, Marquinhos Da Pesada, Kefing, Scratch, KL Jay – que às vezes até usa de fundo pro programa de rádio -, ao Cia, Negralha, Heron, Jason Salles, Marcynho, Hadji, Marks, RJay, ao Tchicky Al Dente – que já chegou a rolar duas vezes seguidas no Favela Chic, em Paris -, ao Kassiano, ao Sandrinho, Roger Flex, Zeu, Naomi, Spinha, André Heat, Anão, Master Ney, Caio Gentil e todos que fortalecem no Brasil – vocês sabem quem são.

Aí veio a ideia do clipe. Fizemos com a estrutura que deu, só pra ser um street vídeo mesmo. Mas o mais da hora é que várias pessoas colocaram na net videos caseiros com a música. E tem vídeo com mais de 250 mil acessos. Louco também é que as pessoas acham que é um funk mas, se for ver, ela é um Rap puro e bem cru em termos de produção. Ela não tem um refrão R&B pra ficar mais comercial. Ali eu to rimando do começo até o fim, se é um novo estilo eu não sei, eu só quero fazer o meu som e provar que hip hop não pode ter barreiras porque a música é uma só.

Não deixe de ler a primeira parte da entrevista feita com Mister Bomba

Mais:
Myspace
Programa Freestyle com Mister Bomba e Tio Fresh (SP Funk)

*Agradecimentos ao Marcílio, do Programa Freestyle pela força neste post.


Per Raps TV: Rapadura e sua fita embolada

Leia ainda a matéria complementar no site Central Hip Hop

Agenda
Há poucos dias, Rapadura gravou sua participação no “Manos e Minas” (TV Cultura), programa que será exibido nas próximas semanas. E, nesta terça-feira (11/5), das 18h às 21h, ele fará um bate-papo com seus fãs na livraria Suburbano Convicto (rua 13 de Maio, 70 – 2º andar – Bixiga – São Paulo/SP – Fone: (11) 2569-9151). Na ocasião, ele vai vender e autografar exemplares do CD “Fita embolada do engenho”.

Mais
Veja “Periferia tem talento”, do DVD ao vivo de GOG, com Rapadura rimando ao lado de Lindomar 3L
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Siga Rapadura no Twitter
Acesse o site oficial do artista


Mos Def, a atração do Indie Hip Hop ’09, por Dj Tamenpi

Mos Def será a tração do Indie Hip Hop 2009 (Divulgação Myspace)

Mos Def será a atração do Indie hip Hop 2009 (Divulgação/Myspace)

O Indie Hip Hop está chegando, na verdade faltam apenas três dias para o grande evento. Além da celebração de 10 anos desde o primeiro Dulôco, realizado em 1999, haverá uma exposição de fotos sobre momentos especiais do festival, no palco terão encontros memoráveis entre MCs brasucas, além das tradicionais “novidades” na cena.

No entanto, temos que destacar aqui também a atração internacional, que nada mais é que “Mister” Mos Def! Quem curte rap, no mínimo conhece o nome do cara, que de tanto talento, expandiu sua atuação para o cinema também.

No entanto, há quem diga que isso atrapalhou sua dedicação ao rap. Enquanto você lê o papo que tivemos sobre esse assunto, nosso entrevistado fez um medley especial para o post. Curta a trilha sonora enquanto lê a conversa com o Dj Tamenpi, um dos caras que mais manja de música que a gente conhece!

Continue acompanhando o Per Raps para saber também sobre as novidades do “Só Pedrada Musical”. Curte ae!

Dj Tamenpi (Foto: Joca Vidal)

Per Raps: Qual o primeiro álbum que você ouviu do Mos Def?
Dj Tamenpi: Eu já ouvia falar em Mos Def, por coisas da Rawkus, Soundbombing. Mas na época, a gente não tinha a facilidade de hoje; que sai um disco e a gente escuta na primeira semana, ou até antes do lançamento. Eu tive o prazer de ouvir o disco do Black Star e o primeiro do Mos Def, meio que juntos, e a partir daquele momento o cara entrou no hall dos meus mc’s favoritos. Isso foi, se não me engano, em 98.

Per Raps: E a pedrada “Mos Def and talib Kweli are Black Stars”? E você achou que 10 anos depois esse álbum seria tão importante para o rap?
Dj Tamenpi: Esse disco é sinistro demais! Um dos melhores de todos os tempos mesmo. A presença do Hi Tek produzindo engrandeceu muito. Tanto ele como J.Rawls, Ge-ology, Beatminerz e os outros. Mas o Hi Tek realmente roubou a cena nos beats. E essa parceria entre Mos Def e Talib Kweli é uma das mais impactantes no rap atual. Combinação perfeita! Mas sinceramente, na época eu não imaginava que 10 anos depois ouviria esse disco com a mesma emoção das primeiras vezes.

Per Raps: Quais seus sons favoritos desse álbum?
Dj Tamenpi: Essa pergunta é bem dificil. Mas vamos lá. Sem duvida nenhuma “Definition” é tão marcante que ja tá no sangue. Mas também tem “Brown Skin Ladies”, que já é uma vibe mais relaxante. É aquele som perfeito pra escutar bem acompanhado. E pra entrar na viagem, nada melhor que “Determination”. Além da sequencia final do disco que é uma das mais cabulosas com “Respiration”, “Thieves In The Night” e “Twice Inna Lifetime” seguidas. Essa foi f*da de responder, hein!

Per Raps: E o hiato entre “Black On Both Sides” para “The New Danger”? Acha que a carreira de ator atrapalhou a qualidade de Mos Def como MC?
Dj Tamenpi: Realmente não sei o que aconteceu. Mas o impacto do “The New Danger” foi bem estranho. As primeiras vezes que ouvi me decepcionei. Mas com o tempo me acostumei com o disco e acho muito bom. Bem a frente de tudo que estava acontecendo na época. O Mos Def tem um diferencial de não ter limites dentro de sua música. Experimenta tudo. É só lembrar da música “Umi Says”, né? É espetacular. E mudou a visão de muita gente dentro do rap. Não acho que a carreira de ator tenha atrapalhado sua qualidade, só tomou mais o tempo dele.

Per Raps: Em 2006 chega “True Magic”. Alguns apontaram esse como a álbum mais “apático” de Def, qual a sua opinião sobre ele?
Dj Tamenpi: Eu não gosto. E acho que nem ele (risos). Eu ouvi diversas histórias em relação a esse album. Acho que foi um disco por obrigação de contrato. Nem capa tinha. Não acredito que ele tenha se dedicado da forma que fez nos outros trabalhos.

Per Raps: E a pedrada com o Dj Honda, o “Travellin Man”. O que achou?
Dj Tamenpi: Eu conheci “Travellin Man” vendo o clip no YO! Nossa! Chapei demais com aquele som. E até hoje toco sempre e chapo muito quando escuto nas pistas da vida. Verdadeira pedrada!

Per Raps: Vamos falar do último álbum, “The Ecstatic”. Muita gente já considera o melhor álbum do MC, com direito a sample da Banda Black Rio e tudo. Você celebrou essa qualidade do álbum?
Dj Tamenpi: Com certeza. Estava há anos esperando. A musica “Auditorium” apareceu em videos no Youtube de shows dele e, a partir dali, eu vi que o disco viria do jeito que a gente gosta. Não acho o melhor disco dele. Ainda fico com o “Black On Both Sides”, mas já fazem 10 anos. O rap mudou bastante. Eu acho que é o disco perfeito pro momento atual do rap. Sem firulas. Rap verdadeiro na lata! Ouvi pessoas reclamando da qualidade da mixagem e da masterização, que a voz dele estava muito crua. Eu acho que ele fez isso de propósito. Enquanto todo mundo entope a voz com efeitos, autotunes e vocoders, o cara fez da forma mais roots possível, estilo sound system. Sem falar nos beats. São muito originais. Diversidade e qualidade em todos. Eu curto todos os sons.

Per Raps: E você curtiu o sample da Black Rio, além da possibilidade de uma apresentação do som junto da banda lendária aqui no Brasil?
Dj Tamenpi: Eu achei classe demais! Não foi bem um sample, né? O cara fez um loop no original e cantou em cima. Mesmo assim. É melhor do que alguns gringos que vem aqui, compram os nossos discos e fazem um bando de besteira estragando a nossa cultura. Acho legal a idéia da apresentação, to na expectativa, apesar da Banda Black Rio atual não ser aquela banda lendária dos anos 70. Vamos ver o que vai sair.

Per Raps: Pra terminar a conversa, por que as pessoas tem que ouvir Mos Def e colar no show no Indie Hip Hop?
Dj Tamenpi: Acho que o Indie Hip Hop tem uma série de shows da safra nacional do rap. Só por isso já vale colar no Sesc Santo André pra conferir. A apresentação do Mos Def engrandece ainda mais esse evento que é um exemplo bem sucedido no hip hop brasileiro. O Mos Def é um dos mc’s mais verdadeiros do rap atual. O som dele é real. É envolvido total com o mainstream de Hollywood, cada vez com mais destaque nos filmes em que atua. Mas não perdeu sua essência, como aconteceu com muitos que foram pelo mesmo caminho. Quando o assunto é rap, o cara é rua total. Representa o real hip hop.

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Lançamentos de 09: Pentágono

Pentágono

Dj Kiko, Massao, Rael da Rima, M'Sário e Apolo por Rogério Fernandes

O novo swing do Pentágono – por E. Ribas

Seguindo o papo com grupos e MC’s que estão lançando trabalhos neste fim de ano, agora a ideia segue com o Pentágono. Apesar do último trabalho, “Natural”, ter sido lançado no final de 2008, os integrantes do grupo decidiram compor mais sons, mostrando seus novos estímulos e influências. Além disso, a saída de Dodiman do grupo deixa um espaço a mais entre as rimas, que deverá ser preenchido com o esforço de Apolo, Massao, M.Sário, Rael da Rima e o Dj Kiko.

O EP, que contará com um som ao vivo, um remix e três sons inéditos, já tem data oficial para o lançamento: dia 28 de novembro, na Hole Club. A produção dos beats são de responsa de A.G. Soares (Apolo), Nave e Dj Primo, e a produça geral também é assinada pelo Time do Loko e o próprio Pentágono. O disco contará com participações especiais da MC Flora Matos, Projota e o saudoso Dj Primo. A masterização ficou por conta do Dj Roger.

Em dezembro, o grupo tem em seu cronograma uma apresentação no Indie Hip Hop 2009. Essa será a primeira vez que o quinteto pisará oficialmente no palco do Sesc Santo André. Aproveitamos a sequência de novidades para trocar uma rápida ideia com A. G. Soares (aka Apolo), que ressaltou que esse novo trabalho poderá soar mais “eletrônico” que os outros. Entre os assuntos, O MC e produtor comentou sobre detalhes da produção do EP, a satisfação de tocar no Indie 2009 e mais.

Aproveite e confira abaixo um video gravado no lançamento de “Natural”, que contou com a participação de Dj Primo na música “Swing”. Memorável!

[Youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wHZpWQu0nOA]

Per Raps: Musicalmente, o que mudou de “Natural” para esse novo trabalho do Pentágono?
A.G. Soares/Apolo: Na real acho que não mudamos, mas amadurecemos muito de um para o outro, tanto pessoal quanto profissionalmente. Trabalhamos muito com o Pentágono durante esse ano de 2008 e isso naturalmente te ensina várias coisas que refletem na música. Creio que as músicas novas estão mais maduras, com mais experiência de vida mesmo, com rua, amor, indignação, musicalidade e pentágono.

Per Raps: O que os fãs do Pentágono podem esperar desse novo trabalho: muitas novidades ou uma sequência do trabalho anterior?
A.G. Soares/ Apolo: Bom… Resolvemos fazer esse EP pela necessidade de compor musicas novas, já que o “Natural” ficou um ano na geladeira (devido a problemas com a gravadora) e só foi lançado no final de 2008, então as músicas dele, que são de 2005, 06 e 07, para nós soavam antigas. Com isso, queríamos exercitar esse lado, já que só pretendemos lançar outro álbum em 2011. E, também para que nossos fãs não tenham que esperar tanto para escutar músicas novas, mas podem, com certeza, esperar um Pentágono diferente. Inovador, mas sem fugir de nossas raízes.

Per Raps: Na produção das faixas que você trabalhou, quais elementos você procurou agregar? Além disso, usou samples, colagens, algum instrumento gravado especialmente para uma determinada faixa?
A.G. Soares/ Apolo: Samples sempre. Porém, assim como no “Natural” tem várias coisas tocadas também, acho que isso já é uma característica marcante nas instrumentais do grupo, não tem como fugir muito disso. Mas, para mim esse projeto soa mais eletrônico que o outro.

Per Raps: Com a saída de Dodiman, o quarteto de frente vai mudar algo em relação ao trabalho anterior, o formato da música ou das rimas muda?
A.G. Soares/ Apolo: O Humberto participava ativamente das composições, então é claro que é uma cabeça a menos em todas músicas e isso pode soar diferente para algumas pessoas que acompanhavam o trabalho mais de perto, contudo estamos nos empenhando ao máximo para minimizar esse “problema” e que as músicas continuem soando como Pentágono.

Per Raps: Sobre o Indie Hip Hop 2009, como foi receber a confirmação de que o Pentágono se apresentaria e como será a concepção dessa apresentação: só haverá espaço para o trabalho novo ou os dois anteriores terão vez?
A.G. Soares/ Apolo: Foi a realização de um sonho, fomos a todas as edições do festival como público, e poder tocar no mesmo palco que o Mos Def vai ser foda! Sem contar os monstros nacionais que vão se apresentar. O show será curto devido o cronograma do evento, mas tocaremos o máximo possível entre músicas novas e antigas.

Mais em:

www.myspace.com/pentagono5
www.pentagono5.com.br

Lanc_P5_net

Lançamento EP Pentágono @ Hole Club
Dia 28/11/09
Djs Dandan e Yellow-P
Hole Club (Rua augusta, 2203)
Preço único $15 (com flyer $10)
*As 100 primeiras pessoas ganham o EP gratuitamente


Som novo!

Chegou no e-mail

Chegou no e-mail!

Você, assim como a gente, sabe da dificuldade para divulgar sons quando você ainda está começando – ou até mesmo depois de um bom tempo na batalha! Como muita gente manda o trabalho pra gente e o Per Raps acredita que pode ajudar na divulga desse material, estreamos hoje a coluna “Chegou no e-mail”.

O funcionamento é beeeem simples: você manda a música em mp3 pra gente, no nosso e-mail (perrapsblog@gmail.com), com o assunto [Chegou no e-mail]. E a gente vai fazendo coletâneas dessas músicas, sem julgamento de valor, estilo ou qualquer outra coisa.

Nessa primeira edição, que ficou mais longa do que a gente imaginava, você vai ouvir gente de vários lugares do Brasil, pra provar que talento tem em qualquer lugar, basta encontrar as coisas certas!

Invasão dus Ratueiras – Um belo dia
supeR.atos – Batida dessa vida
Suite 702 – O telefone dela
Bgame – Luz da Vida
Inquilinus – Nossa Canção
Calibre MC – Dinheiro e Mulher
Fex Bandollero – Encontrei
Preto WO – Só tirando onda
Divox e B.I.G. – Nosso Hino
Dalmatas – Você sabe o que fazer
Versu2 – Que som é este man?
Homens do Pântano – Gravidade zero