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Emicida começa produção da nova mixtape

Emicida por Luciana Faria

Os novos caminhos de Emicida – por Stefanie Gaspar*

Achar o estúdio de Emicida não é tarefa tão fácil quanto parece. Localizado em um pequeno e estreito edifício na Zona Norte de São Paulo, é moleza passar despercebido pelo interfone que anunciou a nossa chegada. Emicida e o irmão, Evandro “Fióti”, abriram as portas com simpatia e nos mostraram o local que, nas próximas semanas, será o QG de uma intensa produção musical: em seu recém-montado estúdio, Emicida e seus manos vão começar a produção de sua segunda mixtape, um ano após o lançamento de Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe, que vendeu ao todo cerca de 10 mil cópias.

No dia de nossa visita, ninguém parava quieto no estúdio, arranjando as recém-compradas caixas, indo buscar novos cabos, baterias e extensões. Tudo sendo montado cuidadosamente – e, enquanto não está ajudando e coordenando, Emicida se tranca em um canto do estúdio para compor, sem parar, horas a fio. “Tem que ficar mexendo nas músicas, já que a maioria delas sobrou da mixtape anterior. E muita coisa eu fui compondo nos períodos entre os shows mesmo. Agora é hora de escrever sem parar, de rever tudo isso”, contou ele.

Entre uma explicação e outra, um telefonema e uma corrida para o quarto ao lado para checar os novos cabos, o estúdio do rapper explica por si só o esquema que ele comenta ser “incompreensível” para a mentalidade atual das gravadoras. Essa nova cena brasileira, composta por artistas independentes que cativam o público e alcançam sucesso de vendas sem o auxílio de uma major, seria uma mistura equilibrada de profissionalismo e esquema caseiro.

“O problema das grandes gravadoras é não compreender o processo de produção do rap brasileiro, dessa coisa espontânea, colaborativa, dos manos chegando e fazendo as coisas. E essa relação de brodagem também, que você não consegue da noite pro dia, precisa de convivência. Eles não querem chegar e me conhecer, saber como é a parada, meu esquema de trabalho. Eles querem assinar contratos e garantias, mas não respeitar esse ritmo”, comentou o rapper, que faz parte do front desse boom de artistas do rap que estão conquistando novos espaços e encontrando novas formas de viabilizar seus trabalhos, explorando o conceito das mixtapes e utilizando a web e a versatilidade da rua como veículo de disseminação da boa música.

Dj Nyack por Luciana Faria

“O filão das gravadoras está terminando. É muito bom fazer mixtape, é um formato que quase não existe no Brasil e é incrível, vende pra caralho e a gente não fica preso. Tenho um sério problema com esses bagulhos fabricadão, esses artistas que surgem DO NADA, uma parada matemática definida por um grupo de empresários. Daí eles decidem que os artistas deles precisam ser bem bonitinhos e se vestindo assim ou assado, cantando música de amor…”, ironizou Emicida.

Quando soubemos da movimentação por um novo trabalho do rapper – além de sua primeira mixtape, ele lançou o single Avua Besouro e o EP Sua Mina Ouve Meu Rap Também -, já pensamos em um primeiro álbum de estúdio, considerando que as sobras da primeira mixtape já teriam sido utilizadas no EP ou ficariam guardadas para outros trabalhos. Entretanto, Emicida afirmou que já começa a trabalhar em uma nova mixtape, a ser lançada em agosto deste ano. E que o material utilizado será formado por músicas que sobraram da primeira mixtape.

“Agora vou terminar as sobras com essa mixtape e me preparar para um lançamento grandão depois, um álbum mesmo. Não quero lançar um álbum por obrigação, só porque preciso, quero fazer um negócio bem acabado, com um propósito. Sinceramente, eu acho que hoje só Racionais, MV Bill, caras grandes lançam álbuns de verdade”, afirmou ele.

Emicida por Luciana Faria

Questionado sobre o motivo de usar as sobras para uma nova mixtape em vez de ter liberado o material anteriormente em um EP, por exemplo, o rapper respondeu que a mixtape deve ser assim mesmo – uma salada. “O que eu gosto é de fazer EPs temáticos. Que nem o que eu lancei agora, Sua Mina Ouve o Meu Rap Também. Todas as músicas falam da mesma coisa. Isso que é bacana nesse formato. Mixtape é saladona mesmo, outro lance”, respondeu, sem se alongar no assunto.

Curiosamente, embora Emicida seja um claro exemplo de um artista desta “nova escola” do rap, exposto a novas influências e vivendo em um cenário repleto de transformações não só na sonoridade e nas temáticas discutidas pelo gênero como nos espaços ocupados pela música, o rapper afirma ouvir muito pouco rap, a não ser alguns artistas nacionais. “Eu sou de outro rolê, sempre escutei outras músicas. Eu gosto de rap, mas eu só escuto os manos daqui. Vocês ficam aí falando do novo do Hezekiah, um cara foda, mas que faria muito mais sentido se tivesse vindo 10 anos atrás. Não fico fuçando atrás de coisa nova, não”, afirmou o rapper que, mesmo assim, ouve os figurões do rap mainstream gringo, como Eminem (“o Recovery é foda!”), Nas, Jay-Z e até mesmo Will.i.am (“o cara é mestre!”).

Questionado a respeito dos gostos do público de hip hop hoje e a preferência pelos clássicos do gênero, o rapper dispara: “Isso é uma coisa que os DJs de hip hop fizeram também e agora precisam assumir: você vai na festa e o cara não toca música nova. Daí o pessoal fica sem conhecer uma pá de artista e não quer show de gente nova. Daí toca o quê? Wu-Tang Clan, Mos Def, essas coisas, daí judeu não toca rap nacional e não toca música nova. Outro dia tocou Drake na balada e eu quase chorei”, comentou ele.

Evandro Fióti por Luciana Faria

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Emicida hoje passou dos pequenos shows em bares sem esquipamento acústico até chegar ao VMB e ao circuito mainstream, que tão poucos artistas conseguem penetrar, e agora segue lutando para sobreviver em meio a uma cena em constante mutação e que é seguida de perto por um público exigente e que não se contenta com pouco.

O discurso vago a respeito do trabalho já feito e do trabalho que vem por aí, proposital ou não, chega a dois resultados: aumenta o mistério a respeito do processo de produção de suas composições mas, ao mesmo tempo, coloca o rapper em uma posição delicada em relação a um mercado instável, difícil e definido por um misto de oportunidade, sorte e trabalho duro (e tudo isso sem o apoio de uma gravadora). Leandro Roque é tão fascinante porque é um retrato das contradições do cenário do rap nacional – com todos os seus defeitos e qualidades.

Selo independente

A gravação da segunda mixtape de Emicida coincide com a criação de um selo, no qual o rapper pretende reunir seus amigos e colegas DJs, beatmakers e MCs para criar um projeto sólido em um mercado em crise. A intenção é trazer todas as ideias de artistas como Casp, Renan Saman, Skeeter, Kamau, DJ Nyack, Base, DJ Will e Luiz Café não só para a mixtape como para outros projetos, além de posteriormente começar a trabalhar na busca de novos rappers que precisem de apoio no início de suas carreiras.

O selo ainda não tem nome nem foi oficialmente lançado.

Leia mais sobre as ideias do rapper na matéria Emicida: o lobo solitário.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

**Fotos por Luciana “Playmo” Faria.


Per Raps TV: DJ King lança Anuário

DJ King rumo ao Guinness Bookpor Daniel Cunha

Em uma iniciativa pioneira, o DJ King, um dos disc jóqueis mais respeitados no cenário do rap brasileiro, acaba de lançar o Anuário 2009, em que ele documentou por meio de fotos, flyers e afins todos os seus compromissos como DJ durante o ano. Com impressionantes 257 apresentações, King também se habilita a um lugar no Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o DJ que mais tocou em um mesmo ano.

Junto com o livro, o DJ King preparou também a Mixtape Anuário Vol. 01, composta pelas músicas que ele mais tocou no ano. E um detalhe: apenas rap brasileiro! Assista o vídeo exclusivo do Per Raps em que ele fala sobre esses e outros novos trabalhos que vem por aí.

Veja a versão digital do anuário, faça o download da Mixtape Anuário Vol. 01, leia o texto de Gil de Souza, publicado na Revista Elementos, sobre o Anuário de DJ King (destaque para a parte final do texto, em que Gil fala sobre a forma exemplar como este trabalho foi entregue à imprensa), e o texto sobre a Mixtape, escrito pelo DJ Cortecertu, especial para o site Quilombo Hip Hop.

Para quem é de São Paulo, uma boa chance de conhecer esse trampo mais de perto é colar na Hole Club no próximo dia 10 de julho, quando o DJ King será a atração principal da festa Quilombo Hip Hop.

Mais:
Site do DJ King
Quilombo Hip Hop


Mos Def, a atração do Indie Hip Hop ’09, por Dj Tamenpi

Mos Def será a tração do Indie Hip Hop 2009 (Divulgação Myspace)

Mos Def será a atração do Indie hip Hop 2009 (Divulgação/Myspace)

O Indie Hip Hop está chegando, na verdade faltam apenas três dias para o grande evento. Além da celebração de 10 anos desde o primeiro Dulôco, realizado em 1999, haverá uma exposição de fotos sobre momentos especiais do festival, no palco terão encontros memoráveis entre MCs brasucas, além das tradicionais “novidades” na cena.

No entanto, temos que destacar aqui também a atração internacional, que nada mais é que “Mister” Mos Def! Quem curte rap, no mínimo conhece o nome do cara, que de tanto talento, expandiu sua atuação para o cinema também.

No entanto, há quem diga que isso atrapalhou sua dedicação ao rap. Enquanto você lê o papo que tivemos sobre esse assunto, nosso entrevistado fez um medley especial para o post. Curta a trilha sonora enquanto lê a conversa com o Dj Tamenpi, um dos caras que mais manja de música que a gente conhece!

Continue acompanhando o Per Raps para saber também sobre as novidades do “Só Pedrada Musical”. Curte ae!

Dj Tamenpi (Foto: Joca Vidal)

Per Raps: Qual o primeiro álbum que você ouviu do Mos Def?
Dj Tamenpi: Eu já ouvia falar em Mos Def, por coisas da Rawkus, Soundbombing. Mas na época, a gente não tinha a facilidade de hoje; que sai um disco e a gente escuta na primeira semana, ou até antes do lançamento. Eu tive o prazer de ouvir o disco do Black Star e o primeiro do Mos Def, meio que juntos, e a partir daquele momento o cara entrou no hall dos meus mc’s favoritos. Isso foi, se não me engano, em 98.

Per Raps: E a pedrada “Mos Def and talib Kweli are Black Stars”? E você achou que 10 anos depois esse álbum seria tão importante para o rap?
Dj Tamenpi: Esse disco é sinistro demais! Um dos melhores de todos os tempos mesmo. A presença do Hi Tek produzindo engrandeceu muito. Tanto ele como J.Rawls, Ge-ology, Beatminerz e os outros. Mas o Hi Tek realmente roubou a cena nos beats. E essa parceria entre Mos Def e Talib Kweli é uma das mais impactantes no rap atual. Combinação perfeita! Mas sinceramente, na época eu não imaginava que 10 anos depois ouviria esse disco com a mesma emoção das primeiras vezes.

Per Raps: Quais seus sons favoritos desse álbum?
Dj Tamenpi: Essa pergunta é bem dificil. Mas vamos lá. Sem duvida nenhuma “Definition” é tão marcante que ja tá no sangue. Mas também tem “Brown Skin Ladies”, que já é uma vibe mais relaxante. É aquele som perfeito pra escutar bem acompanhado. E pra entrar na viagem, nada melhor que “Determination”. Além da sequencia final do disco que é uma das mais cabulosas com “Respiration”, “Thieves In The Night” e “Twice Inna Lifetime” seguidas. Essa foi f*da de responder, hein!

Per Raps: E o hiato entre “Black On Both Sides” para “The New Danger”? Acha que a carreira de ator atrapalhou a qualidade de Mos Def como MC?
Dj Tamenpi: Realmente não sei o que aconteceu. Mas o impacto do “The New Danger” foi bem estranho. As primeiras vezes que ouvi me decepcionei. Mas com o tempo me acostumei com o disco e acho muito bom. Bem a frente de tudo que estava acontecendo na época. O Mos Def tem um diferencial de não ter limites dentro de sua música. Experimenta tudo. É só lembrar da música “Umi Says”, né? É espetacular. E mudou a visão de muita gente dentro do rap. Não acho que a carreira de ator tenha atrapalhado sua qualidade, só tomou mais o tempo dele.

Per Raps: Em 2006 chega “True Magic”. Alguns apontaram esse como a álbum mais “apático” de Def, qual a sua opinião sobre ele?
Dj Tamenpi: Eu não gosto. E acho que nem ele (risos). Eu ouvi diversas histórias em relação a esse album. Acho que foi um disco por obrigação de contrato. Nem capa tinha. Não acredito que ele tenha se dedicado da forma que fez nos outros trabalhos.

Per Raps: E a pedrada com o Dj Honda, o “Travellin Man”. O que achou?
Dj Tamenpi: Eu conheci “Travellin Man” vendo o clip no YO! Nossa! Chapei demais com aquele som. E até hoje toco sempre e chapo muito quando escuto nas pistas da vida. Verdadeira pedrada!

Per Raps: Vamos falar do último álbum, “The Ecstatic”. Muita gente já considera o melhor álbum do MC, com direito a sample da Banda Black Rio e tudo. Você celebrou essa qualidade do álbum?
Dj Tamenpi: Com certeza. Estava há anos esperando. A musica “Auditorium” apareceu em videos no Youtube de shows dele e, a partir dali, eu vi que o disco viria do jeito que a gente gosta. Não acho o melhor disco dele. Ainda fico com o “Black On Both Sides”, mas já fazem 10 anos. O rap mudou bastante. Eu acho que é o disco perfeito pro momento atual do rap. Sem firulas. Rap verdadeiro na lata! Ouvi pessoas reclamando da qualidade da mixagem e da masterização, que a voz dele estava muito crua. Eu acho que ele fez isso de propósito. Enquanto todo mundo entope a voz com efeitos, autotunes e vocoders, o cara fez da forma mais roots possível, estilo sound system. Sem falar nos beats. São muito originais. Diversidade e qualidade em todos. Eu curto todos os sons.

Per Raps: E você curtiu o sample da Black Rio, além da possibilidade de uma apresentação do som junto da banda lendária aqui no Brasil?
Dj Tamenpi: Eu achei classe demais! Não foi bem um sample, né? O cara fez um loop no original e cantou em cima. Mesmo assim. É melhor do que alguns gringos que vem aqui, compram os nossos discos e fazem um bando de besteira estragando a nossa cultura. Acho legal a idéia da apresentação, to na expectativa, apesar da Banda Black Rio atual não ser aquela banda lendária dos anos 70. Vamos ver o que vai sair.

Per Raps: Pra terminar a conversa, por que as pessoas tem que ouvir Mos Def e colar no show no Indie Hip Hop?
Dj Tamenpi: Acho que o Indie Hip Hop tem uma série de shows da safra nacional do rap. Só por isso já vale colar no Sesc Santo André pra conferir. A apresentação do Mos Def engrandece ainda mais esse evento que é um exemplo bem sucedido no hip hop brasileiro. O Mos Def é um dos mc’s mais verdadeiros do rap atual. O som dele é real. É envolvido total com o mainstream de Hollywood, cada vez com mais destaque nos filmes em que atua. Mas não perdeu sua essência, como aconteceu com muitos que foram pelo mesmo caminho. Quando o assunto é rap, o cara é rua total. Representa o real hip hop.

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Mix pra animar a segunda brava

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As segundas-feiras geralmente costumam ser “bravas”, ainda mais quando o fim de semana é agitado. Em São Paulo, eventos como a Liga dos Beats e o show do Prefuse 73, serviram pra trazer variedade à cena. Pra animar o dia, trazemos uma mixtape feita por dois convidados especiais: o casal Flávia Durante e Hector Lima. Para quem não conhece, a Flávia é jornalista, Dj e pessoa mais que antenada no que acontece na web, seja em relação a música, tecnologia ou novidades em geral.

Já Hector Lima é roteirista e editor de revistas em quadrinhos, também ataca de Dj e é autor do blog Goma de Mascar, que aliás, nós recomendamos! Desde o início do Per Raps, os dois apoiaram essa iniciativa, sempre dando moral para o conteúdo do blog e falando bem dele em diversos espaços virtuais.

Já que existe uma identificação dos trabalhos, além da cultura urbana e a própria música rap, nada mais justo que curtir uma seleção musical dos dois por aqui. Sobre os sons escolhidos, quem nos conta detalhes é Hector Lima. “A Flávia na sua seleção escolheu músicas novas e antigas que puxam para uma sonoridade funky e electro. Tem desde o mestre Stevie Wonder, até uma pérola do último álbum do Black Eyed Peas”.

E esse é só o lado A da mix, o B fica na responsa do Hector. Ele fez uma mistura de sons dançantes, conhecidos como “Latin Hip-Hop” e muito ouvidos nos bailes da virada dos anos 80 pros 90. “Quem tem mais de 30 ainda lembra, mas é legal o pessoal de agora conhecer”, completa Hector Lima. Agora, sem mais delongas, curta o som!

Lado A – Flávia
01. Stevie Wonder – Jungle Fever
02. Get ‘Em Mamis – Work
03. Frankie Smith – Double Dutch Bus
04. Dizzee Rascal – Money Money
05. Black Eyed Peas – Rockin To The Beat
06. Gotye – Learnalilgivinanlovin
07. Beni – Maximus

Lado B – Hector
08. Cover Girls – Show Me
09. Stevie B – Spring Love
10. Noel – Change
11. Cashmere – Segura
12. Abdula – Joguei Com Seu Coração
13. Lil’ Suzy – Hold Me In Your Arms
14. Debbie Deb – When I Hear Music


Presente: mix by Dago Donato

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Um indie no meio do rap

Como a gente tinha falado, esse mês vão rolar várias coisas novas e legais aqui no Per Raps. Uma delas é que alguns amigos do blog foram convidados para fazer uma mixtape especial. O primeiro trampo que você escutou foi feito pelo Sono. E agora chegou a vez do segundo amigo que nos deu – ao blog e a você – um presente de aniversário.

Nós já falamos sobre o Dago Donato, achamos que o cara é bem importante pra cena porque leva o rap aos ouvidos de pessoas que escutam outros tipos de som e ajuda a aumentar o público que apoia a cena. Como o cara é Dj e manja muito de diversos tipos de música, ganhamos uma mixtape feita por ele especialmente para o aniversário do Per Raps. Curte o som aí!

– Alice Coltrane – Blue Nile
– Cadence Weapon – Do I Miss My Friends?
– Get ‘Em Mamis – Work
– Brother D & The Collective Effort – How We Gonna Make The Black Nation Rise
– Gang Gang Dance – House Jam
– Konk – Konk Party
– Incredible Bongo Band – Wipeout
– Exile – Your Summer Song
– cLOUDDEAD – Dead Dogs Two (Boards Of Canada Remix)
– 12th Planet Feat. EMU – Control (Skreamix)
– The Bug – Poison Dart Feat. Warrior Queen
– The Professionals – Theme From Godfather
– Mexican Institute of Sound – Alocatel (Ad Rock Remix)
– The Very Best – Warm Heart of Africa
– Althea and Donna – Uptown Top Ranking
– Anti-pop Consortium – Capricorn One
– Ebony Bones – We Know All About You
– Lil Wayne – A Milli (Toy Selectah Refix)
– Ghislain Poirier – Get Crazy ft. Mr. Slaughter
– Dirty Projectors – Stillness is the Move

Mais em:
http://www.myspace.com/dagodonato
http://bimahead.blogspot.com
http://www.flickr.com/photos/bima


Presente: mixtape by Sono

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Qual a ligação do rap com o skinhead?

Como a gente tinha falado, esse mês vão rolar várias coisas novas e legais aqui no Per Raps. Uma delas é que alguns amigos do blog foram convidados para fazer uma mixtape especial e o primeiro trampo que você vai escutar é o feito pelo Sono, fundador do blog You & Me on a Jamboree, especializado em ska, rocksteady e early reggae, um dos seletores da Jurassic Sound System e que também escreve para o 2Deep, na MTV.

01* Joe Gibbs All Stars – Hijacked (Amalgamated 1970)
02* The Dynamites – Dulcimenia (Clandisc 1969)
03* Count Matchuki – Movements (The Joe Gibbs Way) (Amalgamated 1970)
04* GG All Stars – Barbabus (Blank)
05* Desmond Reily – Out Your Fire (Downtown 1970)
06* The Young Souls – Man A Wail (Amalgamated 1969)
07* Tony Scott – What Am I To Do (Escort 1969)
08* The Charmers – What Should I Do (Blank)
09* Prince Buster – Kiss You Again (Blank)
10* Audrey – You’ll Lose a Good Thing (Downtown 1969)
11* Lloyd & Glen – Girl You’re Cold (Blank)
12* Anthony Ellis – I’m The Ruler (Studio 1 1970)

Enquanto você escuta as músicas que ele escolheu, leia o texto que o Sono escreveu para acompanhar o som!

“É minha primeira mix aqui no Per Raps e já vou logo apelando para as raridades retiradas diretamente do vinil, mix repleta de Skinhead reggae/Early reagge que foram escolhidas baseadas pelo meu gosto musical. Esses gêneros, junto com o ska, são a raíz da musica jamaicana, diferente do ROOTS que o pessoal aqui do Brasil costuma a gostar… hoje vocês vão conferir a verdadeira raíz da música jamaicana.

Agora vocês me perguntam, o por que do nome skinhead reggae? A Jamaica era colônia da Inglaterra e, em 1962, conquistou a independência. Acontece que, nos anos seguintes, os jamaicanos perceberam que aquilo não iria mudar em nada a vida deles e a Jamaica continuaria a ser um país pobre. Então eles começaram a emigrar para a Inglaterra e, dentre esses imigrantes, estavam os Rude Boys.

Rude Boys eram os barras-pesadas da Jamaica, os ladrões e briguentos. Eles eram fãs de filmes de máfia e se vestiam igual aos mafiosos (ternos alinhados e mais justos). Esse era o grande público de reggae da Jamaica nessa época. Os Mods, por sua vez, eram garotos ingleses que existiam no final dos anos 50 e que curtiam música negra norte-americana, como jazz, soul e rhytmn and blues. Foi questão de tempo pra esses dois grupos perceberam muitas afinidades e daí nascer a cultura Skinhead.

A cultura Skinhead, em seu começo, nada tinha a ver com racismo ou qualquer forma discriminatória, mas sim com o amar a música jamaicana, dançar mais do que todo mundo e ter uma forma peculiar de se vestir.

E o que tudo isso tem a ver com música? Essa é, para muita gente, a melhor época do Reggae. Durante esses anos, músicos jamaicanos faziam música comercial pra agradar o seu novo público inglês, os tais Skinheads, e justamente por isso, passou-se a se chamar muito tempo depois de Skinhead Reggae.

Os temas Skinhead Reggae/Early Reggae geralmente tratava de fatos do cotidiano, como sexo, tretas, violência, vandalismo e até por temas incomuns. É comum também o uso do orgão Hammond em diversas faixas dessa época, que é tão importante quanto os vocais, vide as faixas de reggae instrumental que separei nessa mix. Então vamos comentar algumas faixas que são importantes para o reggae e para música em geral.

A primeira faixa se trata de uma produção do engenheiro eletrônico Joe Gibbs, que também é o fundador da label Amalgamated (selecionei diversos compactos dessa label na mix), que lançou diversos sucessos obscuros no final da década de 60. Joe Gibbs passou um tempo nos Estados Unidos como eletricista, voltou a Jamaica e em sua loja que consertava TV’s começou a vender discos. Com o grande crescimento da cena musical, Gibbs começou a gravar no fundo de sua loja alguns artistas com a ajuda de Lee Perry (que na época não era mais sócio de ‘Coxsone Dodd’) e foi ai que o selo Amalgamated nasceu.

A terceira faixa é a do mestre Count Matchuki, o primeiro deejay jamaicano e é de extrema importância para a música mundial. Influenciou nomes como King Stitt, U Roy, Dennis Alcapone, Prince Far I, Dilling, Lone Ranger e outros grandes Deejays da ilha. Foi ele quem criou o ‘Reggae Scorcher’ que influenciou na criação de outros estilos musicais, como o Dancehall, o ragga e até mesmo o rap.

Começou repetindo chamadas para festas nas introduções das músicas e percebeu que as pessoas gostavam de um ‘mestre de cerimonias’, não feliz em só repetir as mesmas coisas, Machuki começou a compor suas próprias falas, assim ganhando muitos admiradores. Foi ele quem começou também os chamados “peps”, o famoso som vocal repetido diversas vezes acompanhando a batida da música, muito popular no Ska. A pronuncia mais próxima seria algo como ‘chika-a-took-chika-a-took-chika-a-took’, bem notável na música selecionada nessa mix.

Os “peps” criados por Count Matchuki são as raízes do que nós conhecemos hoje como beat box. Count Matchuki era preciso com suas frases, não as despejava como os outros deejays. U-Roy um dia disse: “Count Matchuki é perfeito, é fácil fazer faixas de scorcher com milhares de frases, díficil é ter a precisão de Matchuki”.

Então muito respeito para Count Matchuki, sem ele, o rap não seria o mesmo.”


Raps de Verão Vol. 3 (2009)

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Pra início de conversa, o idealizador do volume 3 da coletânea Raps de Verão continua sendo o insistente e batalhador Paulo Napoli. O MC paulistano é um dos pioneiros na cena alternativa do rap nacional, e desde os anos noventa fez parte de importantes grupos de rap como o Nitro e Academia Brasileira de Rimas. Além disso, participou de alguns sons clássicos do estilo, como “Época de Épicos”, do CD Raciocínio Quebrado, de Parteum.

Em 2003, Paulo Napoli iniciou sua carreira solo e já em 2005 criou o projeto do Raps de Verão. Essa foi a chance para vários grupos novos mostrarem seu trabalho, além dos já conhecidos terem a chance de propagarem ainda mais as suas idéias. O mais interessante nessa mixtape é a presença de grupos espalhados por todo o país.

No Raps de Verão Volume 3 você encontrará sotaques de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Fortaleza, Santa Catarina e São Paulo. E pra quem não acredita, esse trabalho serve para mostrar que há grandes exemplos de grupos nas mais diversas localidades do país. A produção é totalmente independente e traz o Dj Nuts na mixagem e produção do som “Bombando Por aí”, com Napoli na rima.

Nesta edição, Paulo Napoli optou por liberar o download para qualquer um que quisesse ter o CD em mãos. Em épocas de crise, em que muitos artistas estão inseguros com o mercado fonográfico e a própria indústria tem se precavido, é preciso se destacar uma atitude do tipo.

Leia também no Bocada Forte uma entrevista exclusiva com Paulo Napoli, que responde 10 perguntas sobre o Raps de Verão Volume 3.

Baixe a sua coletânea aqui, de graça!

Paulo Napoli (prod. Cyber) – “Isso é Raps de Verão”:
http://raps.podomatic.com/enclosure/2009-01-08T09_06_09-08_00.mp3″

Tracklist:

01. Paulo Napoli – Isso é raps de verão (prod. Cyber)
02. Paulo Napoli – Bombando por aí (prod. Dj Nuts)
03. Umdegrau – De prima (prod. Dj Qap)
04. Gutierrez – Toca nas pistas (prod. Dichinelo)
05. Geequest e Quelynah – Dama (prod. Cyber)
06. Jimmy Luv – É sincero (prod. Cyber)
07. Deluna Naduna – Assimila essa parada (prod. Track Cheio)
08. DZ6 – Borogodó (prod. dj K-Beça)
09. MC Tiu – Se quiser suar (prod. André Guidon)
10. Squat! – Sem miséria (prod. Squat!)
11. Dalmatas – Você sabe o que fazer (prod. Cyber)
12. Costa a Costa – Para todos (prod.Don L. aka Rico)
13. Paulo Napoli & Leco – A fila (prod. Veiga)
14. A Tropa – Celebração (prod. a tropa)
15. Nitro Di com Adriano Vox – Vem cá (prod. Nitro Di e Guga Munhoz)
16. Totoin – Mar de fumaça (prod. dj Caíque)
17. Jamés Ventura, Takeshi San & Ogi – Iabai (prod. Ogi)
18. GNZ e Mansur – 0800 remix (prod. Enecebeats)
19. M.sário – Go Primo (prod. Apolo)
20. Savave & Cadelis – Hoje eu só quero esquecer (prod. Track Cheio)
21. Gurila Mangani – Mais uma pro walkman (prod. Gurila Mangani)
22. Gurila Mangani – Aos clássicos (prod. Gurila Mangani)
23. Matéria Prima – Flauta mágica (prod. Drunk Sinatra)
24. Estilo da Crítica – De louco pra louco (prod. Cabeça)

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Festa

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Festa Quarteirão na Jive

Show com Pacewon & Mr Green (USA) e discotecagem do Dj King.
Dia 25/03, a partir das 22:30
Homem: R$ 25,00 de entrada ou R$ 20,00 na lista*.
Mulher: R$ 20,00 entrada ou R$ 15,00 na lista*.
*lista de desconto: quarteirao2009@gmail.com

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Lançamento

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E na festa Quarteirão de hoje vai rolar o lançamento oficial da Revista Bocada Forte. Na edição especial que fala do Dj Kl Jay, os responsáveis pelo conteúdo foram os integrantes da equipe do blog Per Raps: Daniel Cunha, Eduardo Ribas, Nathália Leme e fotos por Luiz Pires. Compareça e não deixe de adquirir a sua!