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Manos e Minas deixa grade da TV Cultura

Anúncio Manos e Minas

“Pra onde foi o respeito que o hip hop merece?” – por Carol Patrocinio com entrevistas de E. Ribas

Com um sonoro “Acabou” recebemos a notícia, do produtor Zeca MCA, que o programa Manos e Minas, da TV Cultura, havia oficialmente sido extinto. A alegação da emissora estatal é que isso ocorreu por “política da empresa” e que não tinha nada contra as pessoas envolvidas. “Tá todo mundo triste, mas sabemos que é um jogo de favores e favorecimento. O Manos e Minas não é um porgrama caro, então parece ser mais uma política da empresa de não querer falar com esse tipo de público. Cortaram as vias de acesso com a juventude”, explica o apresentador do programa, Max B.O..

Pra quem ainda não entendeu do que estamos falando, aqui vai a explicação. Nesta quinta-feira (5) pela manhã, todos que buscaram ler o jornal O Estado de S. Paulo*, se depararam com a seguinte afirmação do presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad: “O Vitrine deverá ser suspenso para reformulação. O Manos e Minas sai da grade, assim como o Login. Em compensação, haverá um jornal com debates todo dia. Teremos sessões de cinema em acordo com a Mostra de Cinema de São Paulo”.

Para Max B.O. a conclusão é simples: “Eles dizem que estão sem orçamento, mas contrataram a Marília Gabriela. Eles preferem pagar duzentos pra um ou dois, que pegar duzentos e dar um pra duzentas pessoas”. Curiosamente terminam os dois programas direcionados aos jovens na emissora.

Manos e Minas/Foto: DJ Erick Jay

Depois de saber de sua demissão por uma mensagem de celular recebida de uma produtora que trabalha na emissora – “Força”, dizia o texto – Max chegou a conclusão de que “se os caras mandaram embora até o Heródoto Barbeiro“, não era o Manos e Minas que seria poupado. Saído do MC RAPorter da RedeTV!, o apresentador comenta que sabia que o trabalho ali não seria eterno: “Um dia eu sabia qeu deixaria de ser apresentador (do Manos e Minas), mas gostaria ir lá me apresentar como MC no programa”.

As especulações sobre o programa, que já teve nas pick-ups o saudoso DJ Primo, já aconteciam há alguns dias e rumores rondavam a internet. Alguns, como Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, acreditam ser uma ação partidária: “Maluf, Quércia e Fleury governaram São Paulo e respeitaram os princípios públicos da TV Cultura de São Paulo. Quem destruiu a TV Cultura foram os governadores que há 16 anos coronelizam São Paulo. Agora, José Serra joga a pá de cal”.

De acordo com a definição do site da própria emissora, a TV Cultura é uma “emissora de televisão brasileira de sinal aberto que oferece à sociedade brasileira uma informação de interesse público e promove o aprimoramento educativo e cultural de seus telespectadores”. Se é esse o objetivo, o que está acontecendo? Será que estão errando a mão na hora de ‘colocar ordem na casa’?

Por inspiração de seus fundadores, as emissoras de sinal aberto da Fundação Padre Anchieta não são nem entidades governamentais, nem comerciais. São emissoras públicas cujo principal objetivo é oferecer à sociedade brasileira uma informação de interesse público e promover o aprimoramento educativo e cultural de telespectadores e ouvintes, visando a transformação qualitativa da sociedade” Do site da Fundação Padre Anchieta

“Nossa plateia era de estudantes, o Manos e Minas valia como nota para quem relatava o que rolava no programa. Tinham salas que ganhavam o direito de ir ao programa como prêmio, sabe? Também iam pessoas de casas de assistência, pessoas com liberdade assistida…”, conta o apresentador. A pergunta que fica é: seria esse o problema?

Manos e Minas - equipe/Foto: Dj Erick Jay

Conversamos com algumas pessoas para saber o que acham das mudanças de rumo da emissora que teria, por princípio, a iniciativa de levar conteúdo de interesse público aos telespectadores. E pela movimentação acontecida no Twitter, que levou a tag #salveomanoseminas ao Trending Topics brasileiro, o público quer que o programa, e alguns outros da emissora, continuem na grade.

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André Maleronka – jornalista, editor da Revista Vice e colaborador da Revista +Soma

André Maleronka

Acho que isso significa uma ideia de cultura e de papel do Estado das quais discordo. As declarações do presidente da TV Cultura – ele menciona ineficiencia e inchaço do quadro de funcionários – são uma faca de dois gumes. Essa suposta eficiência: é de audiencia que ele fala? Uma Tv do estado não deveria ter isso como objetivo, na minha opinião. Inchaço: normalmente isso é causado por má administração. É o mesmo grupo que está no poder do Estado de SP há 24 anos.

Então é tudo muito esquisito. Mas acho que, resumindo bem, é isso: me parece uma ideia (ideologia neoliberal, na verdade) de cultura enquanto entretenimento e realização enquanto sucesso financeiro. Lamento, e acho uma visão de mundo bem rasa.”

Daniel Ganjaman – produtor musical, engenheiro, músico e DJ nas horas vagas

Daniel Ganjaman

Atualmente, o Manos e Minas é a única voz da cultura de rua na televisão brasileira. Vivemos um momento onde manifestações artísticas e culturais tem pouquíssimo espaço nos meios de comunicação de massa no Brasil. O Manos e Minas sempre foi um programa muito democrático, com espaço pra música, dança, arte, temas sociais e muitos outros assuntos que não são comuns na grade de outras emissoras. Além disso, havia o foco em temas ligados a periferia de forma criativa e produtiva, com ênfase nas manifestações culturais da comunidade – assuntos só abordados em outros programas com um certo ranso de ‘coitadinho’ ou de ‘caridade’.

Vejo que a situação é muito mais séria, já que está prevista uma demissão em massa e uma completa reformulação na grade da emissora. A existência da TV Cultura sempre foi um diferencial enorme dentro da programação da TV brasileira exatamente por se tratar de uma emissora estatal, sem um compromisso direto com os números de audiência. Isso possibilitava uma programação muito mais interessante e despretenciosa, o que é praticamente impossível numa emissora com interesses comerciais. Ao mesmo tempo, acredito que de certa forma esse é o caminho natural das coisas, já que hoje em dia é possível ter acesso a esse tipo de programação mais específica pela internet, onde o acesso vem ficando cada dia mais democrático. Sinceramente, acredito que a criação de portais de internet dedicados a essa cultura ou um upgrade nos portais existentes pode ser uma forma de cobrir parte desse buraco que ficará na ausência do programa Manos e Minas. Com certeza, uma perda irreparável”

Pedro Alexandre Sanches – jornalista cultural e autor dos livros “Tropicalismo – Decadência Bonita do Samba” e “Como Dois e Dois São Cinco”

Pedro Alex Sanches

São Paulo tem uma triste tradição no que diz respeito aos espaços reservados para manifestações culturais das populações menos favorecidas em geral. O hip-hop ocupa um lugar importante nisso que considero uma forma de discriminação, que a gente nota em episódios como a resistência da Virada Cultural em escalar rappers, ou esse agora com o programa “Manos e Minas”. Não é um problema só da TV Cultura, é muito mais generalizado, mas o triste, agora, é justamente a TV Cultura, talvez o único veículo de São Paulo que andava se preocupando, fechar o espaço que havia aberto. É um retrocesso, e, repito, esconde, sim, por trás uma carga forte de discriminação. Programas elitistas como o ‘Manhattan Connection’, do GNT, também dão audiências pequenas (e pouco lucro, imagino), mas não consta que pensem em tirá-los do ar por causa disso”

Leandro Roque de Oliveira aka Emicida – rapper e ex-apresentador de um dos quadros do Manos e Minas

Emicida

Desrespeitar o hip hop, infelizmente, já é uma característica de orgãos culturais, excluir o rap idem, mas o que me chocou nesse ‘cancelamento’ – coloco entre aspas pois até agora não fui notificado formalmente de minha demissão pela empresa que me ‘contratou’ e coloco entre aspas para ressaltar a importância deste contrato – foi o desrespeito a mim e a mais, aproximadamente, 20 pessoas que integram a equipe do Manos e Minas.

Fomos comunicados de nossa demissão (fora o resto das equipes dos outros programas também excluídos da grade), através de uma entrevista em um dos maiores jornais do país, cedida pelo novo presidente, João Sayad. Dizem que quando nos dirigimos a presidentes devemos expressar respeito utilizando termos como ‘excelentíssimo senhor’ e outras formalidades, mas de onde eu venho, não se deve mostrar respeito por quem não te respeita, e nesta atitude, no minimo bagunçada, da TV Cultura junto com essa nova diretoria, sobraram dúvidas, demissões, cortes e desrespeito pelas pessoas que dedicaram seus talentos à instituição.

Fala-se em construir uma nova TV cultura (excluindo programas culturais?), fala-se em reformular a grade, atrair o interesse da população (a mesma que era representada por um programa como o Manos e Minas), falou-se até em venda do terreno nestes últimos dias (que isso?). Eu não tenho palavras rebuscadas para enriquecer os textos como muitos, nem me considero tão inteligente assim, mas ontem fui a uma reunião em que ouvi ‘o programa é maravilhoso, o custo não é alto, dá uma resposta legal de audiência, mas está fora’.

Nunca vi aquilo como um emprego, assim como muitos da equipe como Truty, Zeca MCA, Max B.O., Erick Jay e outros que vivenciam o hip hop fora da sala de produção, víamos aquilo como uma oportunidade de levar a cultura, com a nossa cara, para nossos irmãos, aqueles que não se veêm representados nos artistas que vão no Faustão (com todo respeito a estes artistas), aqueles que já não têm acesso a saneamento básico, moradia, alimentação, educação decente e agora perdem seu programa companheiro dos sábados, onde podiam ter uma opção para fugir da programação nojenta da grade da tv aberta brasileira (salvo raras exceções).

Nos resta aguardar esta ‘nova TV Cultura’, que terá para sempre em sua história, este primeiro passo torto, como se tivesse sido empurrada por uma direção que se pautou pelo próprio umbigo. É ano de eleição, não faço campanha pra ninguem, acho que estamos ruim de opções, não acredito em coincidências nem gosto de ver caracteristicas comuns nos adversários (pois é assim que enxergo quem fecha portas para nós). Após ver estas características comuns o segundo passo é generalizar, coisa que também odeio fazer, e o terceiro passo é dizer: PSDB é foda”

Jair dos Santos aka Cortecertu – DJ, pesquisador e editor adjunto do site Central Hip-Hop

DJ Cortecertu

O Manos e Minas representa um dos braços do Hip-Hop na mídia, pois não é apenas um programa, o Manos e Minas é parte da retomada dos trabalhos que dão visibilidade ao Rap e à cultura de rua, numa articulação com outros estilos musicais como o samba-rock. Em dois anos de vida, o programa tratou com respeito nossa cultura.

Ao meu ver, o Manos e Minas poderia dar espaço para outros tipos de rap feitos por aqui, isso aumentaria a audiência e o poder de influência do programa. As manifestações em favor do programa pela internet mostram a diversidade em nosso cenário, artistas e curtidores de vários estilos divulgaram seu apoio, isso é um sinal, algo que precisa ser levado em conta para a resistência do Manos e Minas e para a criação de qualquer iniciativa semelhante”

Do outro lado do muro
Em comunicado oficial, a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura, explica os cortes:

tv-cultura

Em face às recentes notícias publicadas sobre a TV Cultura, informamos que:

Esta é a proposta de renovação que a Administração levará ao Conselho da Fundação Padre Anchieta: a revitalização dos programas admirados, a modernização dos processos administrativos, bem como dos equipamentos, e contando com os talentos que a emissora possui e com a contratação de novos apresentadores e jornalistas.

A TV Cultura é patrimônio querido dos paulistas e brasileiros, com um acervo de ótimos programas e vários artistas e jornalistas de sucesso que começaram aqui, mas que precisa se renovar. Perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente.

Mobilizações
Além da mobilização virtual para achar atenção ao caso levando a tag #salveomanoseminas ao Trending Topics brasileiro, acontecerão as demonstrações presenciais de insatisfação com a emissora. Veja qual o melhor dia e horário pra você fazer a sua parte e escolha sua manifestação.

Rinha de MC’s

Show do Emicida em Santos
Quando? Sexta-feira (6) às 23h
Onde? Club 49 (Rua Visconde do Rrio Branco n° 49 – Santos/SP)

Quer ler mais?
* No jornal O Estado de S. Paulo: “Sayad admite inchaço da TV Cultura, mas avaliará demissões caso a caso”

* No Conversa Afiada: “Tucanos fecham TV Cultura. Eles já têm a Globo”

* No Coletivo Action: “O fim do Manos e Minas?”

* No blog de Jéssica Balbino: “Salve Manos e Minas”

* No R7: “Fim do Manos e Minas causa protestos no Twitter”

* No blog Jornalismo B: “Comentários sobre uma emissora pública de televisão”

* Mídia Kit da TV Cultura: Saiba quem assistia a programação

* No Central Hip-Hop/Bocada Forte: “MobilizAção: militante quer acionar ministro pelo Manos e Minas”

Não confunda briga com luta. Briga tem hora pra acabar e luta é para uma vida inteira” Sérgio Vaz

O Per Raps agradece a ajuda de todo mundo que colocou no Twitter a tag #salveomanoseminas e ainda está colocando, além dos blogs e pessoas que ajudaram a fortalecer essa luta. Sem nomes porque quem fez sua parte, sabe. E quem não fez não merece nosso respeito.


Os rap’s da Seleção Brasileira

“Rap e futebol estreitam os laços” – por Daniel Cunha

Quem aí não se lembra do hit “Sou Ronaldo”, que o rapper carioca Marcelo D2 emplacou durante a Copa do Mundo de 2006 homenageando o atacante da Seleção Brasileira? Ronaldo não conseguiu mudar o destino do Brasil naquela Copa, mas mesmo assim, a música virou febre e a trilha sonora oficial de matérias e reportagens envolvendo o craque na televisão. Ponto pra D2.

Quatro anos depois, na Copa da África, outros rappers mostram que aprenderam bem a lição e, inspirados no carioca, criaram músicas-temas para outros destaques da Seleção. Assim como em um bolão, as músicas são ‘palpites’, tiros ao alvo, mas com um pouquinho de sorte, podem dar aos seus autores exposição semelhante à de D2 na última Copa. E eles sabem bem disso…

O primeiro a surgir com um tema foi o rapper paulista Professor Pablo, no final do ano passado, com uma música dedicada ao artilheiro Luís Fabiano. Seguindo alguns passos da fórmula de Marcelo D2, Pablo usa em “Prazer! Luís Fabiano” um instrumental com elementos de samba e fala na letra sobre a história de vida do jogador. A iniciativa ganhou espaço na mídia, rendeu entrevistas a Pablo e foi abraçada pelo próprio jogador, que passou a divulgá-la também em seus canais pessoais de comunicação.

Professor Pablo – “Prazer! Luís Fabiano”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-22T09_33_22-07_00.mp3″
Baixe a música

Há alguns dias, foi a vez de Kaká, craque do Real Madrid, ganhar sua homenagem. Para isso, ninguém melhor do que Pregador Luo, principal rapper gospel do país, com 20 anos de história dentro do Hip Hop. Recheada de sintetizadores e num clima bem futurista, a música aborda, além da história de vida do jogador, sua relação com a fé e devoção a Deus.

Pregador Luo – “Nasci para honrar”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-22T09_45_43-07_00.mp3″
Baixe a música

Nesta semana, outro craque dos microfones chegou com um novo tema para um jogador da Seleção. E, novamente, o alvo foi o artilheiro Luís Fabiano, que já se destacou na última partida, contra Costa do Marfim, com dois gols na vitória brasileira por 3 a 1. “O dono da 9” é o nome do som, cortesia de Max B.O., que cantou em um instrumental de A.G.Soares utilizado primeiramente no álbum de estreia de Akira Presidente. O belo sample foi retirado da música War, do Hypnotic Brass Ensemble.

Max B.O. – “O dono da 9”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-22T10_00_37-07_00.mp3″
Baixe a música

Ainda sobraram alguns que rendem temas bacanas, hein. Maicon, Robinho, Felipe Melo…E aí, quem se habilita?

PS: Só não me venham com tema do Dunga. Parece que com esse papo de “Cala Boca Galvão” se esqueceram das babaquices desse sujeito, que não sabe se o Apartheid foi bom ou ruim porque não estava lá pra dizer…



Tire suas dúvidas sobre o Indie 09

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Rodrigo Brandão (Foto retirada do blog danortepromundo.blogspot.com)

O Indie Hip Hop celebra 10 anos desde o primeiro Dulôco – por E. Ribas

O festival Indie Hip Hop comemora 10 anos em 2009, desde a primeira edição do Dulôco, back in 99′. Por esse motivo, essa edição será toda especial: terá exposição de fotos de Indies passados, trará duplas de grupos e MC’s juntos no palco para celebrarem o evento, além do povo que lançou trabalho nesse ano e uma das atrações internacionais mais aguardadas em todo o festival: o nova-iorquino Mos Def.

Apesar do festival estar marcado para o primeiro fim de semana de dezembro, algumas dúvidas restaram sobre o formato das apresentações, por exemplo. Eis que o Per Raps fez essas perguntas para um dos organizadores, Rodrigo Brandão, para que não reste dúvida alguma sobre o assunto.

Uma das coisas que mais impressionou foi a mudança de formato do festival, já que teremos muitos nomes no palco. Por quê a mudança? “O Indie foi ampliado pra comemorar uma década de trabalho, feito com amor e dedicação”, concretiza Brandão. Segundo ele, o festival é um evento bem-sucedido, ainda mais se repararmos que foi feito em um “campo minado e pantanoso”.

Outra novidade importante é a forma como essas atrações nacionais foram divididas. Tudo acontecerá em dois blocos, sendo que o primeiro contará com apresentações em duplas de grupos e MC’s que fizeram história no evento. Serão eles: Inumanos (RJ) e Max B.O., Contra Fluxo e Espião (Rua de Baixo), Kamau e Parteum (Mzuri Sana), e Mamelo Sound System junto do Elo da Corrente. O outro bloco seguirá o modelo tradicional, que abrirá espaço para os nomes que fizeram barulho durante o ano, lançando trabalhos relevantes.

Eis que ai terão espaço dois representantes de Sampa City, Pizzol e o grupo Pentágono, um carioca, A Filial, e o curitibano Nel Sentimentum. Todos presentes no palco terão 20 minutos de apresentação, até para que todos possam mostrar seus trabalhos.

Para complementar as apresentações e deixar o evento ainda mais agitado, assumem as pick-ups os Dj’s PG e Pathy Dejesus, além do internacional Mista Sinista (EUA), conhecido como um dos mestres do turntablism, que também ministrará uma oficina para Dj’s especializados em scratch no domingo, das 16h às 18h, aberta ao público ouvinte.

Aqueles que comparecerem ao evento também encontrarão uma exposição de fotos, que marcará 10 anos de evolução do rap nacional e mostrará a passagem de diversos nomes de peso do rap mundial por Santo André, Brasil. Para quem acompanhou, foram pedidas algumas fotos do Indie via Twitter, mas quem explica o critério de escolha das imagens que participarão da exposição é o próprio Rodrigo. “Foi feita uma pesquisa, e a partir daí uma seleção baseada no critério artístico. Nem sempre é a atração principal do evento, mas sim a melhor imagem”. Sendo assim, se a foto marcar um momento importante do festival, terá mais valor do que uma foto tecnicamente bem feita ou da atração gringa do dia.

Outro motivo que animou muita gente a participar do Indie deste ano será a presença do MC e ator, Mos Def. Parceiro de Talib Kweli no conceituado “Black Star”, que também comemorou 10 anos há pouco tempo, o rapper estava em turnê após lançar seu ótimo quarto disco, “The Ecstatic”. Muito se falou em uma possível apresentação com a Banda Black Rio, já que eu seu último CD, Def usou um sample dos brasileiros para criar “Casa Bey”. Mas vai realmente acontecer esse encontro no palco entre um MC mais que renomado e um a banda lendária? “O Mos Def quer fazer a faixa ‘Casa Bey’, sampleada da versão de ‘Casa Forte’ feita pela Black Rio, no clássico disco Maria Fumaça (1977), com a banda nesses shows. A principio será só essa faixa, mas nunca se sabe o que pode rolar quando eles se encontrarem pra ensaiar!”, responde Rodrigo Brandão empolgado.

A última pergunta que não quer calar se refere a Emicida, que foi um dos nomes que mais movimentou a cena rap brasuca em 2009. No entanto, ele lançou apenas uma mixtape, e já foi esclarecido em outras oportunidades que o critério do Indie Hip Hop exige que o artista tenha lançado um CD. No entanto, não foi esse o motivo da não-presença do rapper no quadro de atrações. “Ele foi convidado a participar, mas declinou a proposta por conta do tempo de show ser curto”, relata Brandão. No entanto, assim como o próprio organizador complementou, “fica pruma próxima”.

Os demais elementos da cultura hip hop não foram esquecidos; serão representados pelo b-boy Ken Swift (EUA) e pelos irmãos OsGemeos, que dispensam apresentações e trazem ainda pintores convidados, apresentando um panorama de estilos e gerações variadas. Confira abaixo a programação completa do evento.

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O resultado do sucesso do Indie Hip Hop 08': casa cheia

Festival INDIE HIP HOP ’09: Especial 10 anos Dulôco

SÁBADO (05/12), das 16h às 22h
Dj PG e MC Xis
Pizzol, Pentágono, Inumanos+Max B.O., Contra-Fluxo+Espião e Mos Def (participação da banda Black Rio).

DOMINGO (06/12), das 16h às 22h
Dj Pathy Dejesus e MC Thaíde
Nel Sentimentum, A Filial, Kamau+Parteum, Mamelo Sound System+Elo Da Corrente e Mos Def (participação da banda Black Rio)

SESC Santo André (Espaço de Eventos)
Rua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar
Santo André – SP
Tel.: 11 4469-1200

Ingressos: R$ 16,00 [inteira], R$ 8,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante] , R$ 4,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]


É hoje: Festival Dialeto!

“Avisa o IML, chegou o grande dia…”*

Arte de Gustavo Mendes, de Jacareí, vencedor do concurso "Faça a sua arte"

Arte de Gustavo Mendes, de Jacareí, vencedor do concurso "Faça a sua arte", promovido pela Nike Sportswear

Hoje (10) é um dia importante para quem aprecia rap. Akira Presidente, Criolo Doido, Emicida, Kamau, Max B.O., Pentágono, Dj Dandan e Dj Marco vão registrar um momento histórico no palco do Hole Club (região central) – o Festival Dialeto.

Em performances homeopáticas e calorosas, as atrações apresentam versões reduzidas de seus shows, na sequência. Músicas novas, versões e interações estão previstas no repertório desse time que, mesmo independente, tem colocado o rap em circulação na boca do povo e da mídia.

Emicida atraiu olhares vendendo sua elogiada mixtape de mão em mão, e, junto com Kamau, que tem colhido os frutos de seu também aplaudido primeiro disco solo, foram indicados ao VMB 2009, da MTV. A emissora também gostou do Pentágono, que ganhou blog e muitos acessos do videoclipe “É o Moio” no portal. Akira Presidente, do Rio de Janeiro (RJ), coloca disco na rua ainda este ano. Max B.O. lançou site, em breve um EP e continua na TV como MC Rappórter. Criolo Doido, velho de guerra no hip hop, mantém a Rinha dos MCs, um dos encontros mais tradicionais do Brasil, junto com o DJ Dandan, que coordena a Casa do Hip Hop de Diadema, e o DJ Marco, que assume os toca-discos e programações nos shows da cantora Céu. Isso só para citar.

Artistas participaram de coletiva na última terça, por Janaína Castelo

Artistas participaram de coletiva na última terça, por Janaína Castelo

É muita gente trabalhando para pouco espaço nos palcos e uma cena ainda embrionária. “Você vê tanto festival de música independente no país, e não vê quase nenhum de rap”, explica Pedro Gomes, um dos organizadores do Dialeto.”Gostaríamos que fosse num espaço grande, tipo um Sesc, temos público pra isso. Vamos lutar para isso acontecer nas próximas edições”, acrescenta Pedro, que pretende realizar edições anuais do festival. “Alguém tinha que começar algo e é o que estamos fazendo”.

Os ingressos antecipados são vendidos a R$ 15 na loja Drump, na Galeria do Rock (região central). Na porta, custará R$ 20 e deve ser pago na entrada, em dinheiro.

Conheça os envolvidos:

Akira Presidente

por Dudu Llerena

por Dudu Llerena

Akira Presidente vem do Rio de Janeiro para o festival. O MC lançou um EP, disponível na web, enquanto seu disco de estreia não chega às ruas. Akira fala de mulheres, rap e qualquer outro assunto que lhe interessa, numa levada bem aceita nas pistas de dança. “Essa é a hora de mostrar que o rap não está parado, que estamos evoluindo. O Dialeto vai ser uma noite também para curtir, dividir palco com quem admiro”. myspace.com/akirapresidente

Criolo Doido

Divulgação

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Idealizador e mestre de cerimônia da Rinha dos MCs, Criolo Doido está prestes a lançar seu DVD, em comemoração aos 20 anos de carreira. Indicado ao Prêmio Hutúz, Criolo prepara seu segundo disco (o primeiro saiu em 2006), em que mistura rap com elementos da música turca, francesa e jamaicana. “Esse festival é um embrião, é uma retomada. Somos uma família e nos reunimos para buscar uma evolução, outras “famílias” podem fazer isso. Não estamos segregando, estamos mostrando que é possível”. myspace.com/criolomc

 

Emicida

por Janaína Castelo

por Janaína Castelo

Emicida não está na cena há tanto tempo, mas já tinha os holofotes sobre si desde as batalhas de freestyle e de quando a música “Triunfo” ganhou as pistas. E as luzes sobre ele só aumentam: em maio, lançou a elogiada mixtape “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que Eu Cheguei Longe”, que gravou de forma caseira em CD-R e saiu vendendo de mão em mão. Também lançou videoclipe da “Triunfo”, que rendeu a ele a terceira indicação no VMB 2009, da MTV. myspace.com/emicida

Kamau

por Flávio Samelo

por Flávio Samelo

Kamau fez um dos melhores discos de 2008, segundo o ranking da revista “Rolling Stone”. Há dez anos participando ativamente da cena –principalmente em grupos, como o Simples, o Consequência e o Quinto Andar–, o MC paulistano ganhou mais notoriedade quando lançou seu primeiro disco solo, “Non Ducor Duco”. A trajetória rendeu uma indicação ao VMB 2009, na categoria Rap, ao lado de MV Bill, Emicida, Relatos da Invasão e RZO. “Esse festival vai ser como uma mixtape acontecendo. Espero que a gente consiga dar continuidade aos shows, para renovar a energia e manter a mesma vibe na pista”. http://www.planoaudio.net

Max B.O.

por Leandro Gonçalves

por Leandro Gonçalves

 

Virtuose do improviso, o MC Max B.O. tem uma trajetória respeitada no hip hop nacional. Nos palcos fazendo freestyle usando os R.G.´s do público e na TV conduzindo o MC Rappórter –no programa “Brothers” (Rede TV!), dos irmãos Suplicy–, o rapper agora investe na internet: www.maxbo.com.br. myspace.com/maxbo

 

 

 

Pentágono

por Rogério Fernandes

por Rogério Fernandes

Com pé no reggae e uma das melhores dinâmicas no palco, o Pentágono já disputou a categoria de melhor videoclipe de rap no VMB 2006, com a música “Namoral”, do primeiro disco do grupo “Microfonicamente Dizendo”. Com quatro MCs –Rael da Rima, Apolo, Massao, M.Sário e mais o Dj Kiko, o quinteto lançou o segundo trabalho, “Natural”, em 2008. Foi desse álbum que saiu “É o Moio”, faixa que ganhou videoclipe e muitos acessos no portal da MTV, onde eles também têm um blog. myspace.com/pentagono5

Dj Dandan

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Além de Dj da Rinha dos MCs, Dandan é 2° secretário da Zulu Nation Brasil e produtor cultural da Casa do Hip Hop de Diadema. O projeto, que visa oferecer atividades culturais à população local e difundir a cultura do hip hop, está no Centro Cultural Canhema há dez anos e conta com uma equipe que inclui King Nino Brown, presidente de honra da Zulu Nation Brasil. “A música tem o poder de transformar, temos que pensar que mensagem transmitimos para quem está ali nos vendo, ouvindo. É essa troca de energia que espero de um festival de música”. myspace.com/cassianosena

Dj Marco

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Um dos mais ativos do hip hop, Dj Marco é residente do Sintonia (Dj Club), às quintas, junto de KL Jay, Ajamu e Will, e da Rinha dos MCs (Executivo Bar), quinzenalmente às sextas, com MC Criolo Doido, Djs Dandan e Kiko. Coordenador da programação do Hole Club, onde acontecem a maior parte dos shows de rap em São Paulo, Marco é também Dj da cantora Céu e do compositor Rodrigo Campos. “Os festivais de música marcam época, com os grupos que estão na atividade. Sabemos que na plateia, além dos fãs, estará gente que faz a cena acontecer também. Na próxima edição do festival, eles poderão estar ali no palco, participando daquilo tudo”.

*Texto de Mayra Maldjian publicado ontem (9) no Guia da Folha de S. Paulo
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Reconhecimento

Aproveitando a oportunidade, vale a pena falar um pouco sobre o papel que a Dj Mayra vem desempenhando nesse momento tão importante para o rap. Além de contribuir para a divulgação de diversos eventos e artistas, ela tem emplacado dezenas de matérias com artistas independentes (ex: Céu, Rodrigo Campos, Emicida, Kamau…) na Folha de S. Paulo, o jornal de maior circulação do Brasil. A importância e a amplitude disso pode ser ignorada por alguns, mas não deve ser por nós, que trabalhamos com comunicação e sabemos o quão difícil é o diálogo com os grandes veículos.

Não foram poucas as vezes que criticamos a grande mídia pelo tratamento dado ao hip hop nos últimos anos. Erros conceituais, troca de nomes, falta de conhecimento sobre o assunto; tudo isso nos incomodava. E termos um representante legítimo da cena independente lá, entre eles, significa um enorme avanço. Significa que o hip hop está sendo tratado, na gigante Folha de S. Paulo, da forma como nós queremos, como achamos que merece ser tratado.

Parabéns Dj Mayra, pelo aniversário comemorado ontem e, principalmente, pela atenção que tem dedicado à boa música. E parabéns também a todos os amantes da cultura que propagam o hip hop de forma responsável nos meios de comunicação espalhados por aí!

Dj Marco
Um dos mais ativos do hip hop, DJ Marco é residente do Sintonia (DJ Club), às quintas, junto de KL Jay, Ajamu e Will, e da Rinha dos MCs (Executivo Bar), quinzenalmente às sextas, com MC Criolo Doido, DJs Dandan e Kiko. Coordenador da programação do Hole Club, onde acontecem a maior parte dos shows de rap em São Paulo, Marco é também DJ da cantora Céu e do compositor Rodrigo Campos. “Os festivais de música marcam época, com os grupos que estão na atividade. Sabemos que na plateia, além dos fãs, estará gente que faz a cena acontecer também. Na próxima edição do festival, eles poderão estar ali no palco, participando daquilo tudo”.