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Manos e Minas volta à grade da TV Cultura

“Unidos venceremos?”por Carol Patrocinio

Quando li que o programa Manos e Minas, o único na televisão a ter espaço totalmente aberto à cultura hip hop, seria tirado da grade da TV Cultura senti o sangue esquentar. Sabe aquele sentimento de quando você é adolescente e tem a plena certeza de que pode mudar o mundo com as próprias mãos? Foi essa a sensação.

E, de volta aos 16 anos, me uni com pessoas que acreditavam no mesmo que eu – o programa não podia acabar, não assim, sem briga. Muita gente entrou no protesto, primeiro via internet, e não foi um, não foram dois, foram vários, cada um por um motivo.

A luta saiu do espaço virtual e foi pras ruas, tornou-se política. Senador Suplicy nos representou (graças a Gisele Coutinho e seus contatos). Músicos, artistas e formadores de opinião deram sua palavra nos vídeos feitos por Zeca MCA e Rodney Suguita (aka Maniaco da Camera). Pelo Brasil todo as pessoas encontraram maneiras de mostrar sua insatisfação (graças ao bendito Twitter).

O descontentamento geral criado pelo fim de um programa que poderia dar espaço ao que cada um de nós pensa, gerou barulho a ponto das coisas mudarem. A partir daí, foi provado por A mais B que o mundo pode dar ouvidos a nós, desde que se saiba como gritar.

Mas o que queremos, dar um pequeno passo ou correr transformando cada coisa que não nos parece certa? A cultura hip hop sempre foi contestadora, lutou por aquilo que acreditava ser certo e provou que organização é o primeiro passo pro sucesso de uma empreitada. Mas como disseram, foi o primeiro round.

A mobilização virtual, que foi levada adiante e seguiu às ruas, recebeu a notícia da vitória. E agora? Chega, ou o gostinho de vencer vai te levar à próxima batalha? Mais uma vez me sinto obrigada a usar palavras do poeta Sérgio Vaz:

“Não confunda briga com luta. Briga tem hora pra acabar e luta é para uma vida inteira”.

A briga pela volta do programa Manos e Minas terminou, mas e a luta contra as injustiças que estão sendo feitas na televisão estatal de que diversos manos e minas estão sendo demitidos por uma posição de João Sayad, que visa apenas lucro e corte de gastos? Pessoas não são gastos, cultura não pode ser medida por valores.

Quem vai salvar os manos e minas da TV Cultura e do resto do país?

Leia também:
Manos e Minas deixa a grade da TV Cultura
Manos e Minas: a luta continua
Manos e Minas: Protesto ganha as ruas

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Manos e Minas: a luta continua

Na semana passada, especificamente na quinta-feira (5), foi anunciada a saída do programa Manos e Minas da programação da TV Cultura. No entanto, uma grande movimentação partiu da internet às ruas pedindo a volta de um dos únicos programas dedicados ao hip-hop no quinto maior país do mundo em extensão territorial, com mais de 190 milhões de habitantes e composto por 26 estados e um distrito federal. Mas isso tudo você já sabe.

Além do protesto no microblog Twitter, que fez o termo #salveomanoseminas permanecer entre os tópicos mais citados na tarde da quinta, foram colhidas assinaturas de pessoas contrárias a ordem de João Sayad, atual presidente da TV Cultura, na festa de aniversário da Rinha dos MC’s.

Voltando à internet, vídeos começaram a “pipocar” com falas de pessoas representativas no rap e na cultura de forma geral, como KL Jay, Edy Rock, Gilberto Dimenstein, Pedro Alex Sanches, Ganjaman, Criolo Doido e Ale Youssef, que apresentaram sua insatisfação e argumentaram sobre a importância da manutenção do Manos e Minas na TV aberta.

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Outra figura importante que “comprou” a briga foi o senador Eduardo Suplicy, que recebeu uma carta enviada por representantes do hip-hop a ser encaminhada para João Sayad. Suplicy inclusive chegou a realizar a leitura da carta no Senado, alertando a movimentação preocupante de um canal que leva a cultura em seu nome.

Em texto publicado pela agência AdNews nesta quarta (11), João Sayad mostrou sinais de contradição: “A grande questão aqui é que eu não represento o meu gosto, eu represento o que o público quer”. No entanto, suas ações mostram o contrário. Sua resposta padrão para o fim do Manos e Minas é que o novo programa de música da TV Cultura também trará o rap como um do gêneros representados.

Ainda assim, as movimentações em prol do programa continuam acontecendo. Mande seu vídeo, sua manifestação de apoio ou o serviço da sua festa em prol da volta do programa Manos e Minas à TV Cultura nos comentários do post e a gente ajuda a divulgar.

* Na noite desta quarta-feira (11), o Sarau da Cooperifa teve uma edição especial de protesto ao fim do programa Manos e Minas, nas palavras do idealizador do evento, Sérgio Vaz, “o único [programa] que não mostra as pessoas da quebrada de cabeça baixa, algemadas ou pedindo alguma coisa para apresentador de TV”.

* Em Minas Gerais, mais especificamente na cidade de Ipatinga, a Sintonia Crew realizará uma batalha de freestyle com o tema #salveomanoseminas, no Shopping do Vale, neste sábado (14), às 20h.

*Assine o abaixo assinado do site Rap Nacional em prol do Manos e Minas.

Sobre o Manos e Minas

Manos e Minas surgiu de um desdobramento do quadro “Mano a Mano”, parte do programa Metrópolis da mesma TV Cultura, e era apresentado por Rappin Hood. O formato inicial do programa contava com auditório, DJ Primo nas pick-ups, b-boys e b-girls dançando e grafiteiros convidados para pintar painéis durante a gravação.

O programa teve início em 7 de fevereiro de 2007 e contou com o sambista Jorge Aragão como primeiro convidado. Após a saída de Rappin Hood, assumiram a apresentação Thaíde, e logo depois, o MC Max BO. Manos e Minas trazia a cada edição uma banda/grupo apresentando seu trabalho, além de reportagens e quadros com nomes como Alessandro Buzo, o escritor Ferréz e mais tarde, o rapper Emicida.

Gravado no teatro Franco Zampari, ao lado do metrô Tiradentes, todas as segundas-feiras a partir das 16h, Manos e Minas era televisionado todo sábado às 19h30 na TV Cultura, com reapresentação aos sábados à 1h.

Leia também o post Manos e Minas deixa a grade da TV Cultura
Quer saber o que as pessoas acham sobre o fim do programa? Dê uma olhadinha no mural do Manos e Minas no site da TV Cultura!


Manos e Minas deixa grade da TV Cultura

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“Pra onde foi o respeito que o hip hop merece?” – por Carol Patrocinio com entrevistas de E. Ribas

Com um sonoro “Acabou” recebemos a notícia, do produtor Zeca MCA, que o programa Manos e Minas, da TV Cultura, havia oficialmente sido extinto. A alegação da emissora estatal é que isso ocorreu por “política da empresa” e que não tinha nada contra as pessoas envolvidas. “Tá todo mundo triste, mas sabemos que é um jogo de favores e favorecimento. O Manos e Minas não é um porgrama caro, então parece ser mais uma política da empresa de não querer falar com esse tipo de público. Cortaram as vias de acesso com a juventude”, explica o apresentador do programa, Max B.O..

Pra quem ainda não entendeu do que estamos falando, aqui vai a explicação. Nesta quinta-feira (5) pela manhã, todos que buscaram ler o jornal O Estado de S. Paulo*, se depararam com a seguinte afirmação do presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad: “O Vitrine deverá ser suspenso para reformulação. O Manos e Minas sai da grade, assim como o Login. Em compensação, haverá um jornal com debates todo dia. Teremos sessões de cinema em acordo com a Mostra de Cinema de São Paulo”.

Para Max B.O. a conclusão é simples: “Eles dizem que estão sem orçamento, mas contrataram a Marília Gabriela. Eles preferem pagar duzentos pra um ou dois, que pegar duzentos e dar um pra duzentas pessoas”. Curiosamente terminam os dois programas direcionados aos jovens na emissora.

Manos e Minas/Foto: DJ Erick Jay

Depois de saber de sua demissão por uma mensagem de celular recebida de uma produtora que trabalha na emissora – “Força”, dizia o texto – Max chegou a conclusão de que “se os caras mandaram embora até o Heródoto Barbeiro“, não era o Manos e Minas que seria poupado. Saído do MC RAPorter da RedeTV!, o apresentador comenta que sabia que o trabalho ali não seria eterno: “Um dia eu sabia qeu deixaria de ser apresentador (do Manos e Minas), mas gostaria ir lá me apresentar como MC no programa”.

As especulações sobre o programa, que já teve nas pick-ups o saudoso DJ Primo, já aconteciam há alguns dias e rumores rondavam a internet. Alguns, como Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, acreditam ser uma ação partidária: “Maluf, Quércia e Fleury governaram São Paulo e respeitaram os princípios públicos da TV Cultura de São Paulo. Quem destruiu a TV Cultura foram os governadores que há 16 anos coronelizam São Paulo. Agora, José Serra joga a pá de cal”.

De acordo com a definição do site da própria emissora, a TV Cultura é uma “emissora de televisão brasileira de sinal aberto que oferece à sociedade brasileira uma informação de interesse público e promove o aprimoramento educativo e cultural de seus telespectadores”. Se é esse o objetivo, o que está acontecendo? Será que estão errando a mão na hora de ‘colocar ordem na casa’?

Por inspiração de seus fundadores, as emissoras de sinal aberto da Fundação Padre Anchieta não são nem entidades governamentais, nem comerciais. São emissoras públicas cujo principal objetivo é oferecer à sociedade brasileira uma informação de interesse público e promover o aprimoramento educativo e cultural de telespectadores e ouvintes, visando a transformação qualitativa da sociedade” Do site da Fundação Padre Anchieta

“Nossa plateia era de estudantes, o Manos e Minas valia como nota para quem relatava o que rolava no programa. Tinham salas que ganhavam o direito de ir ao programa como prêmio, sabe? Também iam pessoas de casas de assistência, pessoas com liberdade assistida…”, conta o apresentador. A pergunta que fica é: seria esse o problema?

Manos e Minas - equipe/Foto: Dj Erick Jay

Conversamos com algumas pessoas para saber o que acham das mudanças de rumo da emissora que teria, por princípio, a iniciativa de levar conteúdo de interesse público aos telespectadores. E pela movimentação acontecida no Twitter, que levou a tag #salveomanoseminas ao Trending Topics brasileiro, o público quer que o programa, e alguns outros da emissora, continuem na grade.

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André Maleronka – jornalista, editor da Revista Vice e colaborador da Revista +Soma

André Maleronka

Acho que isso significa uma ideia de cultura e de papel do Estado das quais discordo. As declarações do presidente da TV Cultura – ele menciona ineficiencia e inchaço do quadro de funcionários – são uma faca de dois gumes. Essa suposta eficiência: é de audiencia que ele fala? Uma Tv do estado não deveria ter isso como objetivo, na minha opinião. Inchaço: normalmente isso é causado por má administração. É o mesmo grupo que está no poder do Estado de SP há 24 anos.

Então é tudo muito esquisito. Mas acho que, resumindo bem, é isso: me parece uma ideia (ideologia neoliberal, na verdade) de cultura enquanto entretenimento e realização enquanto sucesso financeiro. Lamento, e acho uma visão de mundo bem rasa.”

Daniel Ganjaman – produtor musical, engenheiro, músico e DJ nas horas vagas

Daniel Ganjaman

Atualmente, o Manos e Minas é a única voz da cultura de rua na televisão brasileira. Vivemos um momento onde manifestações artísticas e culturais tem pouquíssimo espaço nos meios de comunicação de massa no Brasil. O Manos e Minas sempre foi um programa muito democrático, com espaço pra música, dança, arte, temas sociais e muitos outros assuntos que não são comuns na grade de outras emissoras. Além disso, havia o foco em temas ligados a periferia de forma criativa e produtiva, com ênfase nas manifestações culturais da comunidade – assuntos só abordados em outros programas com um certo ranso de ‘coitadinho’ ou de ‘caridade’.

Vejo que a situação é muito mais séria, já que está prevista uma demissão em massa e uma completa reformulação na grade da emissora. A existência da TV Cultura sempre foi um diferencial enorme dentro da programação da TV brasileira exatamente por se tratar de uma emissora estatal, sem um compromisso direto com os números de audiência. Isso possibilitava uma programação muito mais interessante e despretenciosa, o que é praticamente impossível numa emissora com interesses comerciais. Ao mesmo tempo, acredito que de certa forma esse é o caminho natural das coisas, já que hoje em dia é possível ter acesso a esse tipo de programação mais específica pela internet, onde o acesso vem ficando cada dia mais democrático. Sinceramente, acredito que a criação de portais de internet dedicados a essa cultura ou um upgrade nos portais existentes pode ser uma forma de cobrir parte desse buraco que ficará na ausência do programa Manos e Minas. Com certeza, uma perda irreparável”

Pedro Alexandre Sanches – jornalista cultural e autor dos livros “Tropicalismo – Decadência Bonita do Samba” e “Como Dois e Dois São Cinco”

Pedro Alex Sanches

São Paulo tem uma triste tradição no que diz respeito aos espaços reservados para manifestações culturais das populações menos favorecidas em geral. O hip-hop ocupa um lugar importante nisso que considero uma forma de discriminação, que a gente nota em episódios como a resistência da Virada Cultural em escalar rappers, ou esse agora com o programa “Manos e Minas”. Não é um problema só da TV Cultura, é muito mais generalizado, mas o triste, agora, é justamente a TV Cultura, talvez o único veículo de São Paulo que andava se preocupando, fechar o espaço que havia aberto. É um retrocesso, e, repito, esconde, sim, por trás uma carga forte de discriminação. Programas elitistas como o ‘Manhattan Connection’, do GNT, também dão audiências pequenas (e pouco lucro, imagino), mas não consta que pensem em tirá-los do ar por causa disso”

Leandro Roque de Oliveira aka Emicida – rapper e ex-apresentador de um dos quadros do Manos e Minas

Emicida

Desrespeitar o hip hop, infelizmente, já é uma característica de orgãos culturais, excluir o rap idem, mas o que me chocou nesse ‘cancelamento’ – coloco entre aspas pois até agora não fui notificado formalmente de minha demissão pela empresa que me ‘contratou’ e coloco entre aspas para ressaltar a importância deste contrato – foi o desrespeito a mim e a mais, aproximadamente, 20 pessoas que integram a equipe do Manos e Minas.

Fomos comunicados de nossa demissão (fora o resto das equipes dos outros programas também excluídos da grade), através de uma entrevista em um dos maiores jornais do país, cedida pelo novo presidente, João Sayad. Dizem que quando nos dirigimos a presidentes devemos expressar respeito utilizando termos como ‘excelentíssimo senhor’ e outras formalidades, mas de onde eu venho, não se deve mostrar respeito por quem não te respeita, e nesta atitude, no minimo bagunçada, da TV Cultura junto com essa nova diretoria, sobraram dúvidas, demissões, cortes e desrespeito pelas pessoas que dedicaram seus talentos à instituição.

Fala-se em construir uma nova TV cultura (excluindo programas culturais?), fala-se em reformular a grade, atrair o interesse da população (a mesma que era representada por um programa como o Manos e Minas), falou-se até em venda do terreno nestes últimos dias (que isso?). Eu não tenho palavras rebuscadas para enriquecer os textos como muitos, nem me considero tão inteligente assim, mas ontem fui a uma reunião em que ouvi ‘o programa é maravilhoso, o custo não é alto, dá uma resposta legal de audiência, mas está fora’.

Nunca vi aquilo como um emprego, assim como muitos da equipe como Truty, Zeca MCA, Max B.O., Erick Jay e outros que vivenciam o hip hop fora da sala de produção, víamos aquilo como uma oportunidade de levar a cultura, com a nossa cara, para nossos irmãos, aqueles que não se veêm representados nos artistas que vão no Faustão (com todo respeito a estes artistas), aqueles que já não têm acesso a saneamento básico, moradia, alimentação, educação decente e agora perdem seu programa companheiro dos sábados, onde podiam ter uma opção para fugir da programação nojenta da grade da tv aberta brasileira (salvo raras exceções).

Nos resta aguardar esta ‘nova TV Cultura’, que terá para sempre em sua história, este primeiro passo torto, como se tivesse sido empurrada por uma direção que se pautou pelo próprio umbigo. É ano de eleição, não faço campanha pra ninguem, acho que estamos ruim de opções, não acredito em coincidências nem gosto de ver caracteristicas comuns nos adversários (pois é assim que enxergo quem fecha portas para nós). Após ver estas características comuns o segundo passo é generalizar, coisa que também odeio fazer, e o terceiro passo é dizer: PSDB é foda”

Jair dos Santos aka Cortecertu – DJ, pesquisador e editor adjunto do site Central Hip-Hop

DJ Cortecertu

O Manos e Minas representa um dos braços do Hip-Hop na mídia, pois não é apenas um programa, o Manos e Minas é parte da retomada dos trabalhos que dão visibilidade ao Rap e à cultura de rua, numa articulação com outros estilos musicais como o samba-rock. Em dois anos de vida, o programa tratou com respeito nossa cultura.

Ao meu ver, o Manos e Minas poderia dar espaço para outros tipos de rap feitos por aqui, isso aumentaria a audiência e o poder de influência do programa. As manifestações em favor do programa pela internet mostram a diversidade em nosso cenário, artistas e curtidores de vários estilos divulgaram seu apoio, isso é um sinal, algo que precisa ser levado em conta para a resistência do Manos e Minas e para a criação de qualquer iniciativa semelhante”

Do outro lado do muro
Em comunicado oficial, a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura, explica os cortes:

tv-cultura

Em face às recentes notícias publicadas sobre a TV Cultura, informamos que:

Esta é a proposta de renovação que a Administração levará ao Conselho da Fundação Padre Anchieta: a revitalização dos programas admirados, a modernização dos processos administrativos, bem como dos equipamentos, e contando com os talentos que a emissora possui e com a contratação de novos apresentadores e jornalistas.

A TV Cultura é patrimônio querido dos paulistas e brasileiros, com um acervo de ótimos programas e vários artistas e jornalistas de sucesso que começaram aqui, mas que precisa se renovar. Perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente.

Mobilizações
Além da mobilização virtual para achar atenção ao caso levando a tag #salveomanoseminas ao Trending Topics brasileiro, acontecerão as demonstrações presenciais de insatisfação com a emissora. Veja qual o melhor dia e horário pra você fazer a sua parte e escolha sua manifestação.

Rinha de MC’s

Show do Emicida em Santos
Quando? Sexta-feira (6) às 23h
Onde? Club 49 (Rua Visconde do Rrio Branco n° 49 – Santos/SP)

Quer ler mais?
* No jornal O Estado de S. Paulo: “Sayad admite inchaço da TV Cultura, mas avaliará demissões caso a caso”

* No Conversa Afiada: “Tucanos fecham TV Cultura. Eles já têm a Globo”

* No Coletivo Action: “O fim do Manos e Minas?”

* No blog de Jéssica Balbino: “Salve Manos e Minas”

* No R7: “Fim do Manos e Minas causa protestos no Twitter”

* No blog Jornalismo B: “Comentários sobre uma emissora pública de televisão”

* Mídia Kit da TV Cultura: Saiba quem assistia a programação

* No Central Hip-Hop/Bocada Forte: “MobilizAção: militante quer acionar ministro pelo Manos e Minas”

Não confunda briga com luta. Briga tem hora pra acabar e luta é para uma vida inteira” Sérgio Vaz

O Per Raps agradece a ajuda de todo mundo que colocou no Twitter a tag #salveomanoseminas e ainda está colocando, além dos blogs e pessoas que ajudaram a fortalecer essa luta. Sem nomes porque quem fez sua parte, sabe. E quem não fez não merece nosso respeito.


Linha do tempo do rap nacional (parte III)

Segue a terceira e derradeira parte da nossa linha do tempo do rap nacional, que inclui algumas de nossas previsões para o ano de 2010. Saca só:

2008 – Pouquíssimos lançamentos de discos marcaram o ano. Entre eles, o que mais chamou a atenção foi o primeiro disco solo de Kamau, Non Ducor Duco, que fez parte da lista dos melhores 25 álbuns do ano pela revista Rolling Stone. Aos 45 minutos do segundo tempo, nos últimos dias do ano, o Pentágono veio com seu segundo disco, Natural, firmando o grupo como um dos principais expoentes da nova escola.

Com o disco de Doncesão, chamado Primeiramente, Dj Caíque se firmou na cena rap nacional como um dos grandes produtores do momento, além de liderar o selo 360 Graus Records, que já se mostrou muito produtivo nos primeiros anos de existência, proporcionando diversos lançamentos. Ainda falando de produção musical, o ano foi marcante para a cena de Curitiba, que se mostrou bastante proeminente, com destaque para os beatmakers Dario e Nave, responsável pelo instrumental da música “Desabafo”, do disco A Arte do Barulho, de Marcelo D2, uma das canções mais executadas do ano em todo o país.

O ano marcou também a perda de um dos nossos melhores disc-jóqueis e um dos grandes agitadores da cena nacional, o Dj Primo, vítima de uma pneumonia. Primo era também o Dj residente do recém criado programa Manos e Minas, na TV Cultura, primeiro espaço criado na televisão brasileira desde o fim do Yo! MTV.

DJ Primo

DJ Primo (foto retirada do blog do Jornal do Brasil)

Outros álbuns importantes: RenegadoDo Oiapoque a Nova York; SombraSem Sombra de Dúvida; Projeto ManadaUrbanidades; Enézimo – Um cara de sorte; Subsolo – Ordem de Despejo;

2009Emicida é o nome da fera, o dono de 2009. Ele já começou o ano com o status de “melhor MC de freestyle” do país e, com o lançamento da mixtape Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe – parafraseamos aqui o próprio e confirmamos – chegou ainda mais longe. Concorreu a prêmios na MTV, concedeu dezenas de entrevistas (tanto para a mídia alternativa quanto para a ‘grande’ mídia) e fez shows pelo Brasil inteiro. Indiretamente, trouxe fôlego para a cena e teve um papel fundamental para que outros artistas do gênero ganhassem espaço em casas de shows e afins.

Big Ben Bang Jhonson

O rapper MV Bill também teve um ano bem agitado em 2009: lançou o DVD ao vivo com banda Despacho Urbano, além de alguns clipes novos e diversas aparições na grande mídia. Outra novidade que balançou os ânimos dos fãs de rap foi a criação do coletivo Big Ben Bang Johnson, grupo idealizado especialmente para shows ao vivo e que conta com alguns dos principais representantes do rap paulista: Mano Brown, Ice Blue, Helião, Sandrão, Dj Cia, Dom Pixote, Du Bronks, entre outros.

O ano deixou a desejar, mais uma vez, na questão dos lançamentos, com pouquíssimos discos inteiros colocados na rua. A escassez pode indicar também uma mudança de tendências do mercado musical, com a criação e utilização de novos formatos, mas é algo que só teremos a confirmação nos próximos anos. Em compensação, tivemos ótimos videoclipes. O rap acompanhou a tecnologia da alta definição e lançou pérolas como Qui nem Judeu, de DBS e a Quadrilha, Picadilha Jaçanã, do Relatos da Invasão, É o Moio e Multicultural, do Pentágono, Triunfo, de Emicida, Sol, de Slim Rimografia, e O Tempo, do Casa di Caboclo, todos contando com uma excelente produção e se equiparando ao que de melhor existe em termos de videoclipe na música brasileira.

2010 – O fim do ano chegou e, com ele, as promessas de que 2010 será ‘o ano do rap’. Todos os (pelo menos) últimos dez anos foram anunciados por alguém como ‘o ano do rap’ e alguns deles realmente chegaram perto de se tornar realidade. O momento porém, não é dos mais propícios. O rap perdeu espaço nas periferias do país para o funk e o sertanejo, por exemplo, músicas com maior apelo popular. No entanto, a cena se encontra em um momento muito especial, tanto pela sua capacidade criativa, quanto pela sua imagem perante à mídia e à população em geral.

Durante este ano, não foi nada raro encontrar pessoas de estilos totalmente diferentes daqueles que estamos acostumados a ver em shows de rap. O rap está se tornando mais interessante pra muita gente. Porém, o público-alvo, que sempre foi a periferia, se diluiu bastante, e a periferia pouco conhece e acompanha o tipo de música que estamos acostumados a divulgar aqui no Per Raps, por exemplo. Como resgatar esse público? Não sabemos a resposta, mas o disco novo dos Racionais, prometido para 2010 por Mano Brown na entrevista para a Rolling Stone, pode ajudar a formular esse quebra-cabeça.

Fora esse, outros vários discos são aguardados ansiosamente pela cena, muitos deles com potencial para colocar a engrenagem para funcionar a todo vapor novamente. Entre os principais, estão o do RZO, Marechal (RJ), Don L., do Costa a Costa (CE) e um disco póstumo de Sabotage. Mas há muita gente surgindo por aí e a promessa é a de um ano recheado de bons lançamentos.

Nossas apostas?

Ataque Beliz (DF)

Criolo Doido

Gasper (GO)

Ogi

Rashid

Rincon Sapiência

Savave (PR)


Interferência: periferia em foco

No post de hoje, o Per Raps indica alguns vídeos bem interessantes que estão na rede há algum tempo e tem tudo a ver com as discussões do blog.

O Interferência é um programa conduzido pelo rapper e escritor Ferréz, onde ele entrevista importantes personalidades da nossa sociedade para debater, principalmente, os problemas da periferia. As conversas ocorrem no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, no Bar do Saldanha, e o quadro é exibido quinzenalmente no programa Manos e Minas, que vai ao ar todas as semanas pela TV Cultura.

O legal do site do programa é que, além de assistir os quadros editados da forma como vão ao ar no Manos e Minas, ainda há a opção de assistir as entrevistas na íntegra, e algumas delas realmente valem a pena. Destacamos aqui os programas com o ator de teatro Hugo Possolo, o jornalista Xico Sá, a educadora Tia Dag, o cantor Arnaldo Antunes, o poeta Sérgio Vaz e o rapper Eduardo, do Facção Central.

A edição com este último, inclusive, merece um pouco mais de atenção. Eduardo faz parte, ao lado de Dum Dum, de um dos grupos mais polêmicos do rap nacional. As letras violentas e com forte teor ideológico se tornaram marca registrada do Facção Central, que já tem oito discos gravados e ganhou popularidade em meados dos anos 90 com músicas como ‘Roube quem tem’ e ‘Brincando de marionete’.

Na entrevista, que você pode conferir aqui no Per Raps dividida em três partes, Eduardo sustenta seu discurso com ótimos argumentos falando, entre muitos outros assuntos, da necessidade de representantes da periferia na política e do papel da polícia na sociedade.

Leia duas partes interessantes da entrevista:

Televisão x rap

“O rap não entendeu que a televisão é assistida por 90% da população. O rap não entendeu que era necessário ter representantes autênticos na televisão. O cara que assiste a televisão na periferia, ele assiste uma programação nórdica, européia, ele não se vê representado ali. E o rap não entendeu isso. E quando ele não entendeu isso, ele deixou de aproveitar a oportunidade e acabou de abrindo mão de um veículo de comunicação que é nosso por direito”.

Letras violentas

“Meu rap é na proporção do sistema. Não tem como você falar de guerra sendo feliz, com letras românticas, não tem como romancear a guerra, não tem como romancear o sistema carcerário, a vida na favela. Não tem como falar de problema social sendo agradável, ele não é agradável”.

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Parteum

Outro vídeo legal é a participação de Parteum em um quadro do programa Pé na Rua, também da Cultura. Em “Profissão Rapper”, o MC dá um show e mostra porque um rapper deve ser considerado um músico como qualquer outro. Manja muito!

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EP virtual Akira Presidente

Como divulgamos na última semana, está disponível para download o EP “O que tu qué” de Akira Presidente.
Link para download: http://www.zshare.net/download/63918808562d968c
Para mais infos: myspace.com/akirapresidente

Confira a entrevista que Akira concedeu ao Per Raps.


Conheça o Parkour + Dicas

parkour

Cada um com seu limite – por Nathália Leme

A essa altura da sua vida e dos acontecimentos urbanos, você já deve ter ouvido falar do Le Parkour. Se não ouviu, já viu e ficou curioso para saber o que era.

Com o concreto avançando vorazmente sobre a terra, correr pela cidade ultrapassando obstáculos, pulando telhados e fazendo acrobacias é uma forma criativa de aproveitar a vida urbana.

O lance é que essa prática é um esporte e apesar de existirem divergências sobre sua origem, ele está ganhando mais visibilidade e status de cultura de rua no Brasil.

Divergências? Eu explico: para algumas pessoas o Parkour surgiu naturalmente nos anos 80, nas ruas de Lisse subúrbio de Paris, Mas para outros, o criador do esporte foi David Belle nessa mesma época.

David Belle foi um jovem influenciado pela história de coragem da sua família formada por bombeiros. Inspirado por eles e principalmente por seu pai, David cresceu praticando ginástica, treinou artes marciais e teve sempre como meta o desenvolvimento de seu corpo e a superação constante de seus limites. Aos 15 anos, Belle resolveu levar essa experiência para as ruas.

Junto aos seus amigos de infância, Belle desenvolveu e aprimorou o que hoje seria chamado de Parkour, por ser extremamente plástico e dinâmico cativou novos praticantes pela Europa.

O esporte se expandiu pelo mundo graças a alguns filmes sobre o assunto, um deles dirigido pelo francês Luc Besson – Os Samurais dos Tempos Modernos (2001)- que levou o Parkour para além das fronteiras européias.

Intervenção urbana

Parkour é uma atividade física difícil de categorizar. Não é um esporte radical, mas uma arte ou disciplina que se assemelha à auto-defesa do kung fu e das artes marciais, que em geral colaboram para o autoconhecimento do corpo e transmitem confiança pela filosofia que propõem além de colaborarem para a estética dos movimentos.

Ele se relaciona com uma série de outros esportes também. A ginástica olímpica que aprimora a técnica dos saltos e aterrissagens; o circo e a capoeira que oferecem movimentos expansivos úteis para o equilíbrio. Skatistas e Traceurs, como são chamados os praticantes, enxergam as ruas com os mesmos olhos, diferente de todos os outros transeuntes, porque buscam um espaço para a prática dos seus esportes.

Segundo Eduardo Bittencourt do grupo Le Parkour Brasil, a atividade pode ser considerada uma intervenção urbana, já que os praticantes se utilizam dos espaços públicos para os treinos revitalizando praças e parques muitas vezes abandonados.

“Acreditamos que o parkour vai além de ir de um ponto a outro do ambiente superando todos os obstáculos, pois vemos o Parkour como uma porta para a reocupação do espaço público e privado. Por isso, todas as manifestações artísticas, esportivas, e de entretenimento que propõem mudanças positivas nos interessam. Da mesma forma, acreditamos que o Parkour pode ser um incentivo para grupos de dança, teatro, praticantes dos mais variados esportes para que ocupem as ruas e transformem escadarias terrenos abandonados em pistas de esportes, viadutos em palco de teatro e tudo mais que possa nos fazer bem.”

Intervenção, cultura ou esporte, o Parkour está em ascendência. Principalmente por estar diretamente ligado à liberdade e ao estilo próprio além não precisa de equipamentos e pode ser praticado em qualquer lugar. Sua filosofia de superação de limites é válida para todos os aspectos da vida e é isso faz o esporte crescer à cada salto.

Agora, quando olhar bem para um muro lembre-se que, para muitos, ele é só mais um obstáculo à ser vencido em grande salto, quer dizer, em grande estilo.

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Manos e Minas

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No programa Manos e Minas, da TV Cultura, Rappin Hood não é mais o apresentador, e quem assume o posto é Thaíde.

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Novidade

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A partir de amanhã (01/04), você também poderá encontrar textos da equipe do Per Raps no blog Coletivo MTV. Na primeira participação, nada melhor do que destacar os sites e blogs que falam de hip hop como forma de resistência e propagação de idéias e notícias. Acompanhe abaixo um trecho do texto “A comunicação de uma cultura independente”.

 

“Mesmo antes dos tempos de crise mundial, manter uma publicação periódica já era bem difícil. Dependendo do assunto que você vai abordar então, a situação só piora. Com o tema ‘música’, temos poucos exemplos de revistas no mercado. Se formos pensar na música rap, a situação não é nada animadora.

E isso não se restringe às revistas, pois há pouco espaço para o rap nas rádios e na tv é quase inexistente. Me refiro aqui ao rap brasuca, até porque o que vem de fora ainda é mais aceito pelo público e também pelos donos dos veículos. Se ampliarmos para a cultura hip hop, também não teremos muitos exemplos.

No entanto, um espaço prolífero para essa cultura de rua é a internet…”Continue lendo no Coletivo.

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Festa

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Nesta quarta, 01/04, rola a festa Quarteirão. A apresentação da noite fica por conta do MC Max B.O. e a discotecagem com os Djs Kefing e Marco.

Serviço
Festa Quarteirão: Dia 25 de Março na Jive Club.
Al. Barros, 376. Higienópolis – Sao Paulo – SP
Informações: 3663-2684 ou http://www.jiveclub.com.br/

Aproveite e não deixe de ouvir a próxima edição do Freestyle, que tem como entrevistado Max B.O.! Ouça aqui o Programa Freestyle.

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Resultado da “Per Raps Promo/Na Humilde”

E o comentário vencedor da promoção foi…pã pã rã rã…

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“Tava pensando que A CADA VENTO que passar, o espírito do TRIUNFO, vai tá junto de nós, de quem sente isso, de quem canta isso, ou de quem apenas ouve isso.

ELA DIZ que não, mas todo o sentimento da rua, realmente vem do peito. uma frase tão simples e sem sentido que representa tanto.

e tava rindo, porque mesmo com tanta ignorancia e cérebros atrofiados na mídia, ainda dá pra ser feliz, rimar o certo, rimar pro povo.

mesmo porque a rua não é eles. A RUA É NÓIZ, pô.”

O dono do texto é o Yuri Eiras, que usou a criatividade pra levar a camiseta “Na Humilde”! Yuri, nos mande um email com seu nome e endereço para combinarmos o envio do prêmio. Aos outros participantes, agradecemos e parabenizamos pela participação. E aqui vai uma dica: continue atento para novas promoções!

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Rah Digga – Prévia

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A norte-americana Rah Digga mal pisou no Brasil e já participou de um coquetel especial organizado pelo H4 – Hip Hop Happy Hour, no Espaço Metrópole, no centro de São Paulo, na noite desta terça-feira (18). Simpática e cheia de energia, a cantora distribuiu sorrisos e cumprimentou a todos logo que chegou. A língua não foi problema para quem quis se aproximar e trocar uma idéia com a MC de New Jersey, que, além de contar com um tradutor a auxiliando, se esforçou para entender o que os fãs brasileiros tentavam lhe dizer.

Com uma forcinha do Gil, da Revista Elementos, o Per Raps conversou alguns minutos com a cantora, que falou sobre a sua carreira, sua passagem pelo Brasil, a cena do rap nos EUA, entre outros assuntos. A dois dias do esperado show que Rah Digga fará durante o evento de comemoração do Dia da Consciência Negra, ela contou que chegou na segunda-feira de manhã e, pouco tempo depois, já participou do programa Manos e Minas. Para quem quiser acompanhar a performance de Rah Digga pela televisão, o programa irá ao ar hoje, (19) às 19h30.

Rah Digga afirmou que o público paulista pode esperar bastante energia no show desta quinta-feira, e adiantou que irá apresentar várias músicas que não estão em seus trabalhos antigos. “Vou mostrar algumas coisas que ninguém ouviu antes, e outra novidade é que provavelmente teremos alguns dançarinos no palco”, afirmou a cantora. “Vai ser bem divertido. Vou tocar as músicas que o público já conhece, é claro, mas quero tentar mostrar o que há de novo e ver como os fãs vão reagir”.

Sobre a cena do rap no Brasil, Rah Digga admitiu ainda não conhecer muito do que acontece por aqui, mas revelou que, durante sua passagem pelo país, fará participações em sons de dois MCs de renome no cenário nacional: do paulista Rappin Hood e do carioca Marechal. “Vou ao estúdio, ouvir os beats, o clima das músicas e ver como posso contribuir. Mesmo não entendendo português, eu posso sentir a música e gostar dela, pelo clima que ela me passa”, explicou.

Para quem gostou da prévia, a entrevista completa com a rapper norte-americana Rah Digga estará no ar até o próximo final de semana. Continue acompanhando o Per Raps!

Site oficial: Rah Digga no Brasil