Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

Posts com tag “Lurdez da Luz

Entrevista: Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz

Lívia Cruz por Stephanie Sidon, Pathy Dejesus (divulgação) e Lurdez da Luz (divulgação)

“Muito além do ser mulher” – por Carol Patrocinio

Quando as pessoas pensam em rap já imaginam um homem, de preferência negro, com roupas largas, cara de mau, muita marra e um microfone na mão. Ei, mundo real, chamando! Rap é música, expressa sentimentos, vivências, histórias. E isso todo mundo tem: branco, preto, amarelo, homem, mulher, religioso ou ateu. E é aí que entram as personagens do texto de hoje, três mulheres que ganharam espaço e notoriedade num mundo que – queriam que elas acreditassem – não tinha espaço pra elas. O mundo estava enganado!

Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz. Mulheres. Bonitas. Femininas. Elas são feitas de sorrisos, olhos, unhas. E como as mulheres de outras cenas, querem estar bonitas, gostam de como são, não querem mudar para agradar e acreditam que o talento fala mais alto do que qualquer coisa.

Preconceito? Existe. Por ser mulher, por ser bonita, por ser branca ou por ser negra. Desafios? Estão aí para serem deixados pra trás e lembrados como vitórias. Qualidade? Tem de sobra. Essas mulheres provam que o que importa é fazer com o coração e aí o respeito vem, quando menos se espera.

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Per Raps: Pra você, como o preconceito é demonstrado no rap?

pathy dejesusMeu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher”

Lurdez da Luz: Acho que o rap brasileiro está mais consciente nesse sentido do que o norte-americano de um modo geral, no que diz respeito as músicas misógenas é mais tranquilo. Acho que o machismo está tão arraigado que nem sei onde começa e onde termina e num é privilegio do rap não, em toda sociedade e nichos musicais rola só que de diferentes formas. Vide o número de instrumentistas mulheres em qualquer show de música, seja lá de que estilo for, sempre muito menor que o de homens.

Infelizmente ainda rola esse lance de muitas mulheres não se sentirem representadas por outras que estão no palco, que é reflexo de uma cultura machista, de de repente achar que você tá ali pra “aparecer” ou por causa dos caras, ignorando toda a dificuldade que é fazer arte, ainda mais rap. Mas comigo, pessoalmente, não é só o fato de ser mulher, tem o lance da pele clara, me vestir de um jeito estranho, ter um discurso talvez não muito simples de interpretar e desde do começo num ficar me explicando, deixar as pessoas livres pra pensarem o que quiser ao meu respeito.

Pathy Dejesus: Gosto de ver as coisas sempre por um ângulo mais positivo. Falta muito ainda, mas já foi bem pior… Ainda somos uma minoria dentro desse processo. Ainda existem as letras que inferiorizam, ridicularizam, menosprezam e ofendem mulheres (o que aliás já é bem batido, né?). Ainda tem homem que torce o nariz quando vê uma mulher no mic, nos toca-discos, dançando, grafitando. Mas o mundo é isso! Preconceito não é exclusivo do rap. Ele só é reflexo (talvez em maior intensidade) de uma sociedade preconceituosa (lê-se machista também). Ele está aí e não pode servir de empecilho pra quem realmente quer fazer parte.

Existem várias mulheres que quebraram e estão quebrando esse paradigma. Desde seu início, lá nos EUA entre os anos 70 e 80, a cultura é uma coisa “pra homens” e raríssimas mulheres conseguiram invadir esse espaço. As que conseguiram eram todas excepcionais (Roxanne, Salt n’ Pepa, Queen Latifah, MC Lyte, dentre várias) e fizeram a diferença! Se hoje parece difícil, imagina há três décadas. Se essas pioneiras não tivessem insistido, batido de frente pra demonstrar seu talento e sua paixão pelo hip hop, dificilmente estaríamos conversando agora.

Aqui no Brasil não é diferente… o hip hop entrou na minha vida em 94. Lembro da Rúbia, da Dina Di, da Rose MC, depois Negra Li. Tente pesar a determinação dessas mulheres naquela época… Quando fiz 13 anos, meu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher. E mais duas vezes porque é negra. De onde venho as coisas nunca foram fáceis. Graças a Deus, cresci num ambiente onde ao invés de só lamentar e apontar culpados pela situação desvantajosa, batemos de frente e não desistimos tão facilmente dos nossos sonhos.

Lívia Cruz: O preconceito contra as mulheres? Eu já disse isso várias vezes, o preconceito e discriminação contra as mulheres no rap não é diferente do que a gente vê na sociedade em geral, as manifestações tão aí a toda hora, vão das cantadas e dos barulhos obscenos que a gente é obrigada a escutar quando está simplesmente passando na rua, até uma atitude mais extrema de violência física e psicológica. Esse assunto é sério e delicado, acho que a educação, como em quase, tudo é a chave, e a música, sem dúvida, tem grande papel de formação.

Per Raps: O que significa fazer um rap feminino atualmente?


Parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher”

Lurdez da Luz: Atualmente já está tudo um pouco mais fácil pra todo mundo, existe uma evolução em relação a acesso a tecnologia, a informação e o fluxo de dinheiro dentro da cultura aumentou (ainda é pouco), o respeito fora do rap aumentou também. Eu comecei a fazer isso em 1999, só existia a Dina Di, que era uma rapper cabulosa mas que eu num me identificava e a Rose MC e Lady Rap, que num tinham muitas faixas gravadas pra gente ter algum ponto de partida. Eu curtia muito o estilo da SharyLaine, mas que já num lançava nada há anos… Enfim tive que inventar um jeito de fazer minhas rimas e levadas.

Lembro que mostrei meu primeiro rap pra Cris do SNJ, que também é minha contemporânea, e ela falou: “legal esse tipo de som, parece um pouco rap até”, eu ri e percebi que tava com uma parada que ia demorar pra ser compreendida. Pra mim o importante é ter em mente a expressão artística e as posições politicas, sempre em prol da evolução pessoal assim como da cultura e não “ser alguém dentro do rap”, parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher.

Pathy Dejesus: Existe fazer um rap feminino? Dá separar a arte e subclassificar? Não acredito nisso. Odeio rótulos. Existe talento ou não. Existe paixão ou não. Existe rap bom e rap ruim. E isso independe do sexo de quem está fazendo.

Lívia Cruz: Pra mim, no meu rap, significa mostrar o ponto de vista genuíno da mulher, eu gosto de contar historias e ainda acho que a gente se pauta muito no que os homens do rap vão pensar das nossas letras, das nossas atitudes, e isso torna os nossos relatos muito tímidos… Quero ver isso mudar, e tô fazendo minha parte pra essa mudança.

Per Raps: Beleza ajuda ou atrapalha? Como?

Muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda”

Lurdez da Luz: Acho que ajuda a abrir portas mas talvez até atrapalhe em ter credibilidade. Como disse sobre posições políticas na resposta acima, num é só saber em quem vai votar, o porquê é bem mais amplo, como por exemplo não acreditar em padrões de beleza impostos, tipo a magra, alta, de olho azul ou até mesmo a “rainha de ébano”, claro que deve ser uma benção de deus ser lindo, mas ficar impondo isso que nem a Rede Globo num deveria ser papel do rap.

Pathy Dejesus: Acho que a pergunta correta seria: ser feminina ajuda ou atrapalha? Li uma entrevista da Negra Li (de quem sou fã) uma vez falando sobre isso. Da postura supostamente correta para ser respeitada num ambiente onde ela era minoria… Usar roupa larga, nada de maquiagem, ficar séria o tempo todo pra não chamar a atenção. Pra não lembrarem que se tratava de uma mulher… Imagina a barra!

Por isso digo que as coisas estão evoluindo! E vai de nós, mulheres, nos impor, nos preservar, e sermos levadas a sério. Sou vaidosa e não vou mudar minha personalidade pra fazer o que amo. Aliás, isso não faz o menor sentido, né?! Acho lindo quando vejo Lívia [Cruz], Lurdes [da Luz], Nathy [MC], Flora [Matos], as DJs do Applebum… Todas maravilhosas, nenhuma abre mão do seu estilo pra rimar, pra discotecar. O respeito não é imposto. É conquistado!

Lívia Cruz: Por incrível que pareça, acho que atrapalha mais do ajuda. Existe um preconceito de que mulher bonita não é inteligente, muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda, e é divertido também, surpreender pro bem. A beleza vai muito além da estética, eu gosto de quem sou, não quero mudar pra agradar ninguém, e isso transparece nas minhas músicas e na minha conduta, algumas pessoas se incomodam, mas paciência… Bonito mesmo é ser feliz!

Per Raps: Hoje você é respeitada na cena por seu trabalho, independentemente do seu sexo, o que você acha que fez com que isso acontecesse?

pathy dejesus Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma”

Lurdez da Luz: Em primeiro lugar fico honradíssima, dinheiro é bom e todo mundo precisa, mas respeito pra mim vale ouro. Acho que foi resistir em primeiro lugar, se mantar fiel ao que se é e não balançar em relação ao que ” tá pegando no momento”. Foco no som e amor por esse tipo de música em especial mais do que por qualquer outra.

Pathy Dejesus: Repito que venho de uma criação (obrigado Pai e Mãe) onde sempre me lembraram quem eu sou, de onde vim e de como as coisas seriam mais difíceis por isso. Mas essa situação de “desvantagem” sempre me foi mostrada de uma forma que eu tivesse vontade de bater de frente pra conquistar meus objetivos.

Sempre fui “minoria”. Mulher negra é minoria duas vezes. Sempre tive que batalhar dobrado pra ter reconhecimento. E sinceramente, gosto disso! Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Receber um inicial “não” como resposta sempre me motivou a melhorar, buscar mais conhecimento, me preparar cada vez mais. Tem horas que realmente dá vontade de desistir… Mas minha maior rival não me pouparia, não me perdoaria. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma. Acho que vem daí o respeito no meu trabalho. E na vida!

Lívia Cruz: Esse respeito veio naturalmente por um conjunto de coisas, meu trabalho vem em primeiro e com ele o desejo de fazer virar, acreditar, ousar, perseverar, e por consequência algumas pessoas no meu caminho me ajudaram muito, sem essas pessoas, provavelmente, eu estaria bem mais longe do ponto que me encontro agora.

Time do Loko apresenta Lurdez da Luz, Lívia Cruz e Pathy de Jesus
Quando? Sábado, (14), às 00h
Onde? Hole Club (R Augusta, 2203 – Jardins/SP)
Quanto? R$15 (H) e R$10 (M)

Mais?
Novidades de 09′: Lívia Cruz
Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho


Mês da mulher: O saldo

Especial mulher por Oga

O mês de março no Per Raps foi delas. De Anita Tijoux a Lurdez da Luz. De Dina Di a Flora Matos. De Nathy MC ao Rap de Saia. De Stefanie ao black style. Mulher, de uma ponta a outra, completa, incompreendida. Será que você perdeu alguma parte na correria?

Que nenhuma mulher tenha de perder o coração para ganhar o espaço*

Aprendendo a falar mais baixo para ser ouvida – por Carol Patrocinio

Foi embora o mês da mulher e com ele, Dina Di. Nenhum de nós esperava se deparar com uma perda dessa magnitude para o rap brasileiro: uma pioneira. O hip hop ficou mais pobre, mas com mais força para viver e seguir em frente, lembrando da mensagem deixada não só por Dina, mas por diversas mulheres que se foram, mas deixaram marcas na arte.

Num balanço do mês que propomos dedicar as mulheres, assumimos que precisaríamos de muito mais tempo para fazer jus ao nosso plano. São muitas mulheres, muitas meninas, muitos talentos, sonhos e objetivos para serem comentados, tratados e discutidos.

O começo, o editorial, já foi difícil. Como dizer tudo o que está guardado dentro de milhares de mulheres sem perder a delicadeza e a ternura? Como ser forte sem se tornar masculina? Como ser ouvida sem deixar a voz afinar e parecer que se está gritando? E aí, tentando responder a todas essas dúvidas, como fazem mulheres todos os dias, ele nasceu. Veio ao mundo e foi bastante elogiado, ele traduziu o que muitas de nós gostaríamos de dizer, mas não sabemos como porque faltam palavras.

O editorial “Quem foi que disse que mulher é especial?” é uma junção de forças de todas as mulheres que já se foram, que ainda estão, que lutam, que têm medo, que encaram ou fogem. Mulheres que têm coragem de ser o que realmente são – boas e más -, cada uma na sua realidade. Ser forte não é apenas seguir o que a sociedade pede, é ser você mesma e arcar com as consequências.

Em “Quatro histórias e um caminho” demos de cara com Flora Matos, Lurdez da Luz, Nathy MC e Stefanie. Sons diferentes, vidas diferentes e caminhos que se cruzam entre eles e com os nossos. Meninas de fibra que estão mostrando a competência da mulher num mundo de homens e machismo.

Aproveitamos o mês para saber “Quem tem medo do ‘rap de saia’?” e reapresentamos um documentário feito por mulheres, sobre mulheres e que fica muito longe de ser filme de mulherzinha. Lembramos da importância da moda na formação da sociedade que conhecemos hoje e o que ela representa com o primeiro post da colaboradora Clarice Machado – “Os pioneiros do black style”.

Nosso velho colaborador e palpiteiro, Oga Mendonça, o Macário do Projeto Manada, ofereceu um post cheio de história sobre o trabalho da MC Anita Tijoux, uma referência do rap no Chile. E fechamos o mês com um entrevista com Lurdez da Luz – “Da Urbália para o mundo”, que tem mostrado a cara em todos os veículos de comunicação e valorizado a figura da mulher no rap, além de mostrar que não é preciso ter rimas duras esquecendo da brasilidade para fazer sucesso.

Fora do especial, tivemos a participação da incentivadora de longa data Débora Costa e Silva entrevistando o recluso rapper Parteum – “Rap terá nova chance na Trama“. E a triste perda do rapper Speed Freaks, de quem ainda não tínhamos falado aqui, mas não deixávamos de ficar de olho no trabalho.

Março foi um bom mês. Recebemos elogios, puxões de orelha, sugestões e vimos que cada vez é mais importante abrir espaço para que o leitor diga o que está faltando, o que tem demais, o que poderia rolar. Assim como pedimos respeito para as mulheres, pedimos respeito, acima de tudo, ao rap, que é o objeto central do nosso trabalho e só pode crescer com a força de cada um de nós, abelhas operárias. Então, se você acha que pode melhorar o hip hop com uma ideia, não guarde só pra você, divida com o mundo ou, pelo menos, com a gente – é só mandar um e-mail pra perrapsblog@gmail.com. A gente pode demorar, mas responde!

Coração de mãe que o Per Raps é, o mês de março acabou mas a gente ainda vai te dar um último presente no mês dedicado a figuras tão complicadas, complexas e paradoxais que são as mulheres. Ainda entra no ar uma entrevista com a MC gringa Amanda Diva, fechando em grande estilo nossa comemoração ao mundo feminino.

* Imagem de Tara McPherson.


Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho

Especial mulher por Oga

Da Urbália para o mundo – por E. Ribas

Conhecida primeiramente por seu trabalho no Mamelo Sound System, Luana Dias aka Lurdez da Luz lançou em 2010 seu aguardado trabalho solo. Apesar do pouco tempo na praça, o álbum já vem rendendo frutos à MC: procura pela mídia, que quer conhecê-la e apresentá-la ao grande público, além de produtores de festas, que garantem uma agenda razoavelmente cheia, se compararmos com a média no rap nacional. Trazendo músicas que passeiam por rimas cruas, o spoken word e o canto, Lurdez caminha com estilo pelas produções de primeira linha, contando com participações de peso de parceiros mais recentes e também de outros tempos.

O processo todo, da ideia inicial até o lançamento do CD, durou dois anos e envolveu pessoas a quem ela fazia o convite ou que se convidavam para participar. “Eu tinha certeza que uma hora ia sair”. Para celebrar o lançamento do disco, trazemos a resenha publicada na edição 43 da revista Rolling Stone. Leia o texto e acompanhe a pequena conversa que tivemos com Lurdez da Luz. Enjoy!

Dê o play em “Meu mundo numa quadra” [Lurdez da Luz]

http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-03-26T07_30_55-07_00.mp3″

“A brasilidade do rap iluminado de Lurdez da Luz”

O talento de Lurdez ganha a luz dos holofotes com o seu aguardado primeiro trabalho solo, que leva seu nome de batismo no rap: “Lurdez da Luz”. A MC e cantora, cujo nome real é Luana, apresenta sua evolução na música, após ter desenvolvido o talento no grupo Mamelo Sound System e na participação no projeto “3 na Massa”. O resultado disso chega com batidas dançantes e cheias de brasilidade: percussão marcante e swing envolvente. Lurdez escolheu falar do amor, mostrado de forma mais particular e íntima, mas também com espaço para uma visão universal do tema.

Além do canto falado no melhor estilo Gil Scott-Heron que Lurdez apresenta em faixas como a criativa “Ah Uh (Onomatopéias)”, sua voz hipnotiza na parceria com Jorge du Peixe (Nação Zumbi) em “Corrente de Água Doce” e a rima impressiona junto da MC do ABC paulista, Stefanie, em “Andei”, além do duo com seu parceiro de grupo, Rodrigo Brandão, em “Ziriguidum”, que ainda traz o beat mais jazzy do álbum, com trompete de Rob Mazurek, produzido por nada menos que Mike Ladd. Reforçando o time de primeira, ainda aparecem o jovem beatmaker Tiago Rump, Maurício Takara (Hurtmold) e Scott Hardy, que também produziu o Nação Zumbi.”

Per Raps: O que você acha que ainda não foi dito ou perguntado para você sobre o álbum até este momento?
Lurdez da Luz: Não se falou muito dos produtores. O Daniel Bozzio e o Marcelo Cabral deram unidade ao disco e “editaram” os beats, deixando tudo com uma cara mais orgânica. O Daniel eu já conhecia de mais nova, quando ele tocava com o Mamelo. Nós temos uma formação musical muito parecida e a experiência dele ia somar muito. Ele também tem um estúdio na casa dele e achei que ia rolar legal de gravar o disco inteiro lá. Já com o Marcelo Cabral, o Daniel [Bozzio] nos apresentou e começamos a pirar que tínhamos que colocar mais um timbau aqui, mais um xequerê ali e fomos viajando. Ele também é skatista e curte um rap mais old school e hoje toca com Romulo Fróes e Rodrigo Campos [destaques musicais de 2009].

Per Raps: Como foi o processo de escolha de quem participaria do disco?
Lurdez da Luz: Foi bem por admiração. Já tinha ido escutar algumas coisas no [DJ] PG e no [DJ] Makoto, tudo isso quando eu fui montar um show pra um campeonato de skate feminino. Não sabia que ia gravar um disco, mas já tinha umas letras pra encaixar em beats. O Zeca [MCA, da Rádio Boomshot] que veio com uma ideia de fazer um vinil, mas desencanamos pelo alto custo. O Maurício Takara eu achava que tinha que ter alguma coisa dele, já que ele é um produtor de música eletrônica, mas está sempre envolvido com o rap. O Mike Ladd veio tocar no [Projeto] Colaboratório e trouxe um monte de coisa, daí encaixei a letra em um beat dele pra um show e ele me ofereceu a batida. Daí casou. O difícil foi encaixar o estilo de produção dos caras de fora com os caras daqui, mas como eu gosto dos dois estilos, tentei colocar tudo dentro um contexto.

Per Raps: Existia um projeto para o CD ou você simplesmente foi escrevendo?
Lurdez da Luz: Eu já tinha uma ideia de fazer um compacto que chamasse “amor aos pedaços”, que seriam raps-canção que só teria ideias sobre amor. A “Ziriguidum” eu já tinha o refrão e resolvi desenvolver isso. Eu comecei a fazer rap numa época que tava rolando uns discos meio conceituais, como o do Del e Kid Koala, Mike Ladd, que também tinha esse lance do spoken word falando da teoria dele de pós-futuro. Ao mesmo tempo que é menos complexo e mais feminino, minha ideia era desenvolver um tema só em um trabalho só. Eu gosto disso.

Per Raps: Os discos da época tropicalista da música brasileira parecem ter grande influência no seu background musical.
Lurdez da Luz: Os discos daquela época de 70 eram mais conceituais e de uma forma indireta também me influenciaram. Foi uma música muito importante que ficou muito tempo escondida. “Andei” é da Flora Purim com o Airto Moreira e eu não tenho esse disco. Mesmo assim fui lá e fiz. Me interessa muito essa música lado “B” do Brasil.

Per Raps: Fale mais do som “Andei”. Você já falou em uma entrevista do lance da Stefanie também ser de Santo André, o que trazia um tipo de identificação pra você. Foi apenas por isso?
Lurdez da Luz: Eu queria muito uma MC mulher no disco, tinha visto ela [Stefanie] no Simples e achei que ia se encaixar muito bem. Ela tem muita verdade na rima dela. Na época que fui morar em Santo André com a minha mãe uma pessoa da prefeitura me colocou em contato com o Nato [PK] pra fazer um show no Parque da Juventude. Daí ele me apresentou pra ela. Sobre a música, apesar do refrão cantado, é o som mais rap do CD.

Per Raps: Você já tem um esquema de como serão ou shows ou ainda está trabalhando na melhor forma?
Lurdez da Luz: Ainda estou defininindo como fica a apresentação (risos)! Mas show ao vivo sou eu, DJ Mako e Rodrigo [Brandão]. Vou começar a ensaiar também com banda, que eu vou estrear numa continuação do projeto “Presença Feminina”. Vai ter baixo [Marcelo Cabral], bateria/percussão [Richard Ribeiro/Projeto Porto] e DJ Mako no dia 10 de abril, no Centro Cultural São Paulo.

Per Raps: Fale um pouco sobre a concepção da capa do disco.
Lurdez da Luz: O Ricardo Fernandes fez a capa do CD. Achei que a fonte [estilo de letra] ajudou e por isso achei que não precisava nem de um nome para o CD. A ideia em si eu achei legal. O fundo preto com a luz ficou um lance luz e trevas, sabe? Fizemos um ensaio fotográfico, mas não me senti muito bem com o resultado. Mas não precisei usar as fotos posadas.

Per Raps: E sobre a presença do spoken word no CD. Calhou do trabalho ter saído “colado” com o lançamento do segundo trabalho de Gil-Scott Heron, de quem você se mostrou fã.
Lurdez da Luz: Pois é! Eu lembro de ter pego o “Revolution Will be not televised” como influência. Eu acho mais difícil cantar do que rimar, mas muita cantora vem perguntar como eu consigo fazer isso, mas eu é que não entendo como elas fazem aquelas coisas com a voz. Estava ouvindo um disco da Wanda Robinson [poetisa e integrante do Black Panthers] e captei algumas coisas de palavras e saiu o “Ah Uh [Onomatopéias]”. Na última faixa, pedi pro [Tiago] Rump samplear a Gal Costa e a gente brincou com esse negócio do nome no rap, que muita gente de fora acha que é uma egotrip. E no disco da Gal, ela fala “meu nome é Gal” e daí comecei a falar o nome de um monte de mulher que eu admiro.

*Fotos por Luciana Faria.

Agenda
Lurdez da Luz @ Estação Urb
Data: 27 de março a partir das 21h
Endereço: Dissenso
Rua dos Pinheiros, 747 – São Paulo / SP
Contato: 11.2364-7774
Preço: R$20 na porta, $15 na lista (lista@urbanaque.com.br)

Lurdez da Luz @ CCSP
Data: 10 de abril 2010 às 19h
CCSP – Rua Vergueiro 1000, Paraíso, São Paulo, São Paulo
Preço: R$ 5 (inteira) | R$2,50 (meia)

Mais

Myspace
Norópolis


O Rap é delas: Presença Feminina


O rap não poderia sentir nada menos que orgulho de suas representantes femininas. De norte a sul do Brasil temos notícias de MC’s, Dj’s, B-girls, grafiteiras, assessoras, produtoras, jornalistas e tantas outras que fazem o rap crescer e aparecer. Não sejamos hipócritas aqui de dizer que as mulheres são aceitas sem resmungos de marmanjos, pois sabemos que não. Mas que isso fique lá no passado.

Como moradores da selva chamada São Paulo, eis que temos a sorte de vira e mexe encontrar algumas das MC’s e Dj’s que despontaram como promessas para um brilhante e próspero futuro no rap. Boa parte dessa boa “safra” se apresentará neste sábado: Appeblum (crew de DJ’s formada por Lisa Bueno, Mayra, Simmone, Tati Laser e Vivian Marques), Flora Matos, Lurdez da Luz, Nathy MC e Stefanie. Celebrando essa junção, conversamos, dessa vez, com as rimadoras, para conhecê-las um pouco mais. No papo estão lembranças e o lado humano das MC’s.

Dê o play em Lurdez da Luz com Stefanie, “Andei”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-03-10T12_04_52-08_00.mp3″

Lurdez da Luz, Flora Matos, Nathy MC e Stefanie

Quatro histórias e um caminho – por E. Ribas

O que elas têm de comum além do fato de serem MC’s? Primeiramente, todas encontraram resistência de familiares ou amigos na hora que disseram que rimavam e que pretendiam levar o rap a sério. Além disso, todas botavam fé no ritmo e poesia e encaravam a música com respeito, acima de tudo. Só que os pontos em comum terminam por aí, já que cada uma tem o seu estilo de rima e suas influências. Daí veio a curiosidade: qual será a primeira lembrança que vem a mente de cada uma delas quando é dita a palavra rap?

“De menina de 14, 15 anos. Era Raio-X do Brasil no walkman e eu na Avenida Tiradentes, puta da vida com o mundo, cantando alto junto com Brown na rua, de calça larga”, recorda Luana Dias, cujo pseudônimo no rap é Lurdez da Luz. Entre as quatro, Lurdez é a mais experiente, tanto pelos seus 30 anos como por suas andanças. Mãe do pequeno Rogê, já gravou quatro discos com seu grupo, o Mamelo Sound System, junto de seu parceiro Rodrigo Brandão. Agora, lança seu primeiro trabalho-solo, cheio de participações gabaritadas e que deverá render shows repletos da brasilidade característica do som de Lurdez.

Já para a paranaense Nathalia Valentini Lissa, também conhecida como Nathy MC, à memória vem instantaneamente as batalhas freestyle nas ruas de Curitiba. A tatuada e estilosa Nathy ralou muito trabalhando em lojas e como hostess de festas até que também passou a fazer parte do hall dos MC’s que conseguiram lançar um CD. Esse álbum, lançado no final de 2009, traz uma espécie de guia dos pensamentos da rimadora e da história de seus 25 anos de vida. Quando perguntada sobre o andamento da carreira, ela mostra empolgação. “Estou feliz com o resultado: músicas tocando nas festas, discos vendendo bem e o clipe em breve disponível”.

Com um ano a mais que Nathy, Stefanie Roberta Ramos da Costa já tem um disco lançado, só que com um grupo, o Simples – junto de Kamau, Rick, Will e Diego. A MC, que trabalha como vendedora, ainda não consegue se dedicar exclusivamente ao rap, mas tem isso como objetivo em sua mente. Das lembranças, recorda de seus primos ouvindo um som que a deixava curiosa, mas que só “pegou” de verdade quando ela foi ao primeiro bate-cabeça. Já adotando Stefanie como seu nome de MC, ela se recorda de um momento marcante em sua trajetória, que aconteceu já faz um tempo. O cenário é de um show com o Simples no interior de São Paulo, a cena se inicia quando uma menina se aproximou para bater aquele velho papo pós-show. “Meu, eu não acredito, minha mãe tinha dito pra eu fazer medicina, minha família me forçando, depois que escutei sua música eu dei outro rumo pra minha vida!”, lembra Stefanie, reproduzindo a fala de sua fã. Realmente a música tem esse poder.

Flora Matos é a mais jovem de todas. Decidida para uns, marruda para muitos que não a conhecem e amável para os que convivem. Apesar de seus 21 anos, a MC é a que possui a lembrança mais remota em relação ao rap. “Quando eu tinha entre quatro e seis anos meu pai me apresentou o pessoal do Câmbio Negro”, recorda. Nascida na terra do poeta Gog, Brasília, Flora vem de uma família que respirava cultura e mantinha a música sempre presente no ambiente. Apadrinhada por ninguém menos que Kléber Lélis Simões, o Kl Jay, Flora veio para São Paulo e começou a mostrar seu potencial na participação da fita mixada Rotação 33. Entre várias apresentações aqui e ali, lançou um CD com a dupla LX e Leonardo Grijó, o Stereodubs, que muita gente considerou uma das pedradas de 2009. Depois disso, pouco se ouviu de Flora, mas ela ainda assim é uma das figuras mais disputadas por produtores, Dj’s e beatmakers.

Sobre as dificuldades enfrentadas no caminho, quem lembra da melhor história é Lurdez. “Meus amigos do rock se voltaram conta mim um bom tempo. Em casa é aquilo: se não tá se prostituindo, não tá na cadeia, tá beleza. Dinheiro não ganhava antes e não ganhei direito depois, mas minha mãe sabe que é uma arte que deve ser respeitada; só preferia que eu fizesse uma faculdade de música, mas viu que rolava um reconhecimento das pessoas”, pontua.

As apresentações deste sábado serão individuais, uma a uma as MC’s mostrarão suas rimas. Das expectativas sobre o show, Nathy MC conta sua parte. “Apesar de cada uma fazer seu show individual, acho legal essa reunião. São todas mulheres que já estão na luta há algum tempo e merecem todo respeito e espaço”. Flora Matos concorda e completa. “Acho maravilhoso que cada uma tenha um estilo particular”.

A expectativa para 2010 é que as mulheres realmente façam barulho. Os lançamentos de Lurdez da Luz e de Nathy MC vêm gerando diversas apresentações para as duas e, provavelmente, inspirando tantas outras a rimar ou lançarem seu próprio disco. Flora Matos segue fazendo apresentações e trabalha em um álbum solo, assim como Stefanie, que acredita no rap, mas sabe que não é fácil deixar de lado um trabalho remunerado por um ideal que, por vezes, parece mais sonho do que realidade.

Registramos um salve para todas mulheres não citadas aqui e que agitam o rap Brasil afora!

Presença Feminina @ Espaço +Soma
Sábado, (13/03), a partir das 18h – Entrada gratuita
Rua Fidalga 98 – Vila Madalena – 11 3031.7945
Shows Flora Matos, Lurdez da Luz, Nathy MC e Stefanie
Discotecagem e turntablism Crew Applebum
Djs Lisa Bueno, Mayra, Simmone, Tati Laser e Vivian Marques

Mais:
Myspace Flora Matos
Myspace Lurdez da Luz
Myspace Nathy MC
Myspace Stefanie

*Props para Luciana “Playmobile” Faria (foto) e Oga “Macário” Mendonça (arte).


Lurdez da Luz, Ogi e Stefanie

Festa da Boomshot rola neste sábado (25)

3 MC’s e uma festa

Você sabe o que é um pocket-show? Se não, te digo. É um formato de show com uma duração menor e, consequentemente, com menos músicas. Agora, o que você diria de colar numa festa com três pocket-shows de uma só vez? Essa é a proposta de Zeca MCA, o conhecido responsável pela Rádio Boomshot.

Ele convidou 3 MC’s que estão com projetos de trabalho solo, alguns no início do processo e outros mais perto do lançamento. São eles: Lurdez da Luz (Mamelo Sound System), Ogi (Contra Fluxo) e Stefanie* (Simples e Pau-de-dá-em-Doido). Além deles, teremos a discotecagem da Dj Mayra (Applebum) e dos Dj’s Marco e Tamenpi. A apresentação ficará a cargo do MC Tuchê.

“A idéia já era fazer o show da Lurdez solo. Mas também queria convidar mais MC´s como a Stefanie, que tem os trampos dela, e o Ogi, que também tem um projeto solo”, explica Zeca MCA. E o que os MC’s acham do formato pocket, será que dá tempo de passar as idéias? “Pra mim é simplesmente perfeito. É só material praticamente inédito, todo mundo tá preparando disco solo, mas já têm experiência de grupo. Eu acho que vai ser muito louco isso, só coisa nova de gente experiente”, responde a MC Lurdez da Luz.

A MC Lourdez da Luz irá lançar seu disco em breve

A MC Lurdez da Luz lançará seu disco em breve (Arquivo)

Para Ogi, também é importante destacar o trabalho de estímulo feito pelo organizador da festa, o Zeca MCA. Ele aproveita também para contar como rolou o convite. “Conheço o Zeca há um tempo, desde a época do Missões e Planos, quando ele convidou o Contra Fluxo pra participar da Boomshot, em 2005. Ele sempre me incentivou a fazer um trabalho solo, sempre deu um apoio moral. Quando falei que estava trabalhando nos meus sons, ele veio com o convite. Aceitei na hora”.

O show será na Hole, lugar conhecido por suas festas de hip hop como a Central Acústica e o Zoeira Hip Hop SP. Zeca revela que o motivo da escolha deste local não se deu apenas pela tradição. “O Dj Marco foi na festa de 5 anos da Boomshot (que rolou em dezembro, no Espaço Aprendiz, Vila Madalena) e pirou! Ai ele me convidou pra fazer uma parada com ele no Hole, ou seja, a culpa é toda dele!”, brinca.

OS MC’s revelaram também os seus “acompanhantes” de palco. A MC Stefanie, por exemplo, se apresentará com o parceiro da banca Pau-de-dá-em-Doido, o Dj Nato Pk. Já Lurdez da Luz explicou ela mesma como será seu pocket show: “O Dj Makoto vai fazer a fita. Ia ter o PG junto também, mas ele vai tocar em Florianópolis. Mas quando o disco sair, eu vou querer uma super produção, levando em consideração a realidade independente nacional”, pondera.

Ogi se prepara para lançar o primeiro disco solo da carreira

Ogi se prepara para lançar seu primeiro solo (Divulgação)

Já Ogi é estratégico no seu set. “Vou fazer três antigas; dessas três, duas tem participações. E vou mostrar uns três sons do meu disco solo, mas somente um pedaço de cada. Só pra deixar a expectativa pro pessoal que estiver presente”. O MC aproveita também para contar quem estará no palco com ele. “Os Dj’s serão o Willian e o Big Edy, cada um em um show. O MC de apoio será meu parceiro Munhoz. Assim como ele fazia comigo em seus shows, vamos repetir esta parceria“.

Você já deve estar curioso pra saber como vai o andamento dos CD’s solo de cada MC, certo? A MC Lurdez da Luz deixa escapar quais serão as participações em seu solo. “O Rodrigo Brandão e a Stefanie estarão no meu disco”. O CD de Ogi está quase pronto, mas enfrenta as dificuldades comuns ao gênero musical no Brasil. “Era pra esse disco já estar pronto, mas tive vários contratempos. Pretendo lançar até o final de julho, se tudo correr bem. Tô correndo atrás de verba pra poder lançar e finalizando algumas faixas. A arte da capa já está encaminhada”. O MC vai além, revelando o nome do disco e um pouco de seu conteúdo. “O disco irá se chamar ‘Crônicas da cidade cinza’, pois o formato é todo em cima de histórias. Todas as faixas são Story Telling**, baseadas no que vivo na cidade de São Paulo“.

Stefanie irá se apresentar ao lado do Dj Nato Pk

Stefanie apresentará ao lado do Dj Nato Pk (Arquivo)

E como será que está a expectativa dos envolvidos? “A expectativa sempre é boa, o show será bem curto, só uma pequena amostra. Acho que o público vai gostar”, diz Ogi. Para Lurdez, a expectativa também é boa.“Eu desejo que o povo pire nos meus sons novos”. Para a organização, não é diferente. “Espero que seja a mesma vibe da festa de cinco anos da Boomshot. Se for metade disso, já tá ótimo!”, finaliza Zeca.

*Não conseguimos entrar em contato com a MC Stefanie.

Serviço:
Pockets shows de Ogi (Contra Fluxo), Stefanie (Simples/Pau de Da em Doido) e Lurdez Da Luz (Mamelo Sound Sistem).Discotecagem da Dj Mayra, além dos Dj’s Marco e Tamenpi.
Preço:
Homem 12 reais com flyer/ 15 reais (sem flyer)
Mulher 10 reais com flyer,/12 reais (sem flyer)
Mulher até a meia-noite não paga
Hole Club
Rua Augusta, 2203 – Jardins São Paulo/SP