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Graffiti: Rafael ‘Se7e’ Barão

“É de menino…” por Carol Patrocinio

Ainda no jardim de infância Rafael Fortuna Barão, 24, se destacava por seus desenhos e ficava entusiasmado em melhorar cada vez mais. Anos depois, Rafael se tornaria Se7e, artista plástico e do graffiti, que começou a carreira, aos sete anos, fazendo pichações pelas ruas do bairro junto de meninos mais velhos. “Nessa época eu já tinha um grupo de pixação chamado DDM – Detonadores de Muros e atuávamos no nosso bairro. Eu era meio que o ‘chaverinho’ da galera, pois todos eram mais velhos do que eu, mas nessa idade eu já dominava a caligrafia das pixações paulistas e isso fez com que fosse aceito por eles!”

Tudo o que está ao redor influência sua arte, tudo o que ele observa, além de outros grafiteiros e artistas, é claro. “Osgemeos têm influenciado muita gente a se tornar grafiteiro, artista ou sei lá. Pra mim, arte não se mede, mas diria que os melhores são aqueles que fazem a cultura evoluir, tipo fazendo eventos, criando novas tendências, mesclando estilos… E disso o Brasil tem aos montes”.

Para acompanhar os desenhos, Rafael de vez em quando leva um mp3 player mas prefere o sons das ruas: “Uma criança entusiasmada com a obra, o elogio de uma senhora, a buzina de uma carro seguida de um sorriso e por ai vai”. Como suas obras dependem de inspiração, é impossível escolher uma hora do dia preferida para desenhar, mas Rafael consegue driblar esse probleminha de vez em quando: “Se quero fazer um trabalho grande, rico em detalhes, prefiro o dia, mas se for pra curtir, protestar ou desestressar um pouco prefiro a noite!”

Rafael é de São Paulo, mas já grafitou em outros lugares. A cidade que mais surpreendeu o artista foi o Rio de Janeiro – “Maior visual, maior paz” -, que rendeu, inclusive, um vídeo em parceria com o fotógrafo e videomaker Guilherme Veiga. Enquanto Rafael mostra a produção de um de seus desenhos, Guilherme captou as imagens e editou com sons de Jay-Z e Beastie Boys. As imagens são de Teresópolis, no Rio de Janeiro.


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Flickr Se7e


Inspire-se

Imagem do designer Mathiole

Universo online – por Carol Patrocinio

Esqueça tudo o que você já viu na internet, não tem nada a ver com o mais famoso universo online (uol) que te oferecem por aí. Esse universo é diferente, criativo e vai te ajudar a ganhar um fôlego para atravessar o sábado e o domingo e começar bem uma nova semana em que você vai se sentir muito mais criativo do que imaginava.

Unic. verse é um projeto do ilustrador Mathiole, dono também da imagem que abre o post de hoje. A ideia do cara é mostrar o que é, na cabeça dele, o universo. Essa coisa imensa que está ao redor de todos nós mas basta parar pra pensar nisso que a gente fica meio maluco.

O mais bacana é que a ilustração é contínua, como um muro, mas online. Você vai arrastando a barra de rolagem pro lado e coisas incríveis aparecem na sua tela. Vá ao site dele, veja as imagens, respire fundo e pense no que é o universo pra você.

Saiba mais:
Site
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Grafite no muro

Bombardeando por aí – por E. Ribas

Às vezes a melhor alternativa para vencer o marasmo é buscar vídeos interessantes pela web, certo? Se você curte Hip Hop, nada mais legal do que achar um clipe novo, uma música que acabou de sair, fotos de um show, movimentos de um b-boy ou b-girl, viradas absurdas de DJ’s ou um grafiteiro bombardeando um muro.

Pois nessas navegações, encontramos um vídeo bem legal do grafiteiro XguiX aka Guilherme Henrique Matsumoto. No vídeo, o cara aparece fazendo o rolê dele, que começa em um carro curtindo um som e parte pra uma tarde de grafite. XguiX e seu parceiro, o Verde, acabaram mostraram aquilo que muita gente ainda não conhece: o processo de criação de uma arte no muro. Primeiro vem a ideia, que geralmente vai primeiro pro papel, daí se escolhe o local, junta-se o material e a mágica então acontece.

Aproveitamos para conhecer um pouco mais da correria do grafiteiro, que desde 2007 se dedica a arte dos muros. O cara é formado em design, mas nas ruas prefere misturar técnica e instinto. Confira o vídeo do último bomb do grafiteiro.

Per Raps: De onde surgiu a ideia de começar a registrar seu trabalho? Como faz pra editar isso tudo depois?

XguiX: A ideia de registrar meus graffitis veio do meu gosto pela fotografia. Na faculdade pude aprender como usar máquinas profissionais de fotografia e recentemente pude comprar uma máquina boa para fazer meus registros, além do próprio registro dos trabalhos também procuro registrar as cenas de ruas da onde eu pinto, edito e trato as fotos depois em casa mesmo. O lance do vídeo veio da parceria que eu fiz com o Rodrigo da DJ SIDE TV (www.djsidetv.com.br), em que ele produziu o vídeo e editou para mim, com uso de duas câmeras, uma com a lente olho de peixe.

Per Raps: Qual o intuito de gravar a ação?
XguiX: Foi uma forma de registrar o trabalho diferente do que habitualmente faço com as fotos, e gostei muito do resultado final.

Per Raps: Como rola a escolha da trilha (que a propósito tá fodona)?
XguiX: A escolha das trilhas veio do meu próprio playlist, que quando meu celular ainda funcionava (risos) eu usava nos role de graffiti.

Per Raps: Em relação ao muro grafitado, você busca autorização do proprietário todas as vezes?
XguiX: Os trabalhos grandes e detalhados sempre rola autorização do dono do muro, mas em alguns casos não rola isso e acabo fazendo sem autorização. Logicamente é mais rápido do que quando tem autorização, se não rola o risco de parar na delegacia.

Per Raps: Quanto tempo demorou pra fazer o desenho todo?
XguiX: Chegamos no muro por volta de uma hora da tarde, rolou uma chuva e acabamos por volta das 18h.

Per Raps: Como você definiria seu estilo no grafite e o que o grafite significa pra você?
XguiX: Eu definiria como uma forma caricata de representar o mundo de outra forma – vezes psicodélico, vezes da forma que me sinto. Mas também gosto muito de fazer letras, o graffiti para mim representa uma nova fase da minha vida, na qual eu sei que não vou mais parar porque funciona como uma terapia e o rolê do graffiti só quem faz sabe como é a melhor coisa do mundo.

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Entrevista com o grafiteiro Cope 2

Per Raps entrevista com COPE 2 (Parte I)

“Você começa colocando o nome nas paredes, cabulando aula, juntando seus colegas para roubar marcadores e ir escrever nos trens”, assim foram os anos 80 em Nova Iorque para Fernando Carlo. Sua conexão com a cultura de rua sempre foi verdadeira e de respeito. De b-boy a “149 Street”, do emblemático “4 Subway Line” aos “Kings Destroy”. Mais conhecido como Cope 2, ele é considerado uma lenda no grafite mundial por seu clássico throw up e o estilo de letra wildstyle. Ele desembarcou no Brasil para o encontro de grafite “Meeting of Styles”, que ocorreu nos dias 14 e 15 de novembro, em São Bernardo do Campo. O grafiteiro, artista e empresário tem bagagem, por isso mantenha bem atento os olhos sob as ruas de São Paulo e sinta a forma do grafite vindo do Bronx.

Do Bronx às ruas de São Paulopor Cissa Maia aka Ciss

Per Raps: Você faz parte da história do hip hop nos anos 80. Havia um clássico cenário de sneakers, rap e vestuário. Uma época que também retratou a cultura de rua, marcada pelas representações culturais, pelo estilo de vida e de identidade cultural. Você já foi b-boy. Como foi vivenciar esse momento?
Cope 2:  No Bronx é onde as pessoas são desencanadas. Sim, eu amava dançar break. Meu parceiro RIP 7, da Rock Steady Crew, foi quem me ensinou bastante. Na minha área, Uptown Dekalb Avenue, as crianças do quarteirão já dançavam break e nós praticávamos muito por volta de 1980. Meu primo conhecia o Mr. Freeze e RIP 7 e, nesse momento, eles trouxeram a galera do Rock Steady Crew para participarmos das batalhas no nosso bairro. Foi divertido, mesmo perdendo, isso saiu em 20/20 das notícias. Porém meu amor era mais pelo grafite nos vagões dos metrôs.

Per Raps: Como foi presenciar o começo do grafite nos metrôs e do street bombing em NY?
Cope 2: Meu primo fazia tags pelo bairro. Ele escrevia Chico 80. Ele tipo quem me iniciou no grafite. A gente pegava o metrô para olhar todos os novos pieces, enquanto circulava nele. Era incrível ver os pieces bem loucos do COMET e BLADE. Esses caras eram os melhores, mas nada comparado aos whole cars feito pelo LEE. Esses caras, TRACY 168, PNUT 2, CASE 2 arrebentavam nos metrôs. Meu favorito era MITCH 77, do grupo Latin Artist. Eu amava o estilo inflamado dele. Ele era como um herói, quando eu era criança. O BAN 2 da OTB era o “King of the Insides”, ou seja, vandalizava todos os carros do metrô por dentro. Eu amava o jeito que usava o #2, então eu adicionei no COPE e fiz o COPE 2. Ele foi uma outra inspiração. Eu lembro do TRAP, SKEME, DEZ, SEEN, DUSTER. Eu segui os caras mais extraordinários que incendiaram naquela época.

Divulgação

Per Raps: E sobre a 149th Street. Qual a importância desse local para o grafite?
Cope 2: Infernal… eu amava aquele lugar. Era na 149 Street Grand Concourse no Bronx. Meu parceiro TRAP OTB levou-me lá pela primeira vez em 1980. Foi o lugar onde conheci os verdadeiros caras da velha escola, como BEAR 167, CASE 2, DEZ, SKEME, GMAN, BAN 2. Era o local que todos se encontravam e assistiam os trens passarem por ali. Todo mundo cabulava a escola para apenas observar o grafite em partes do trem. Eu sinto falta disso.

Per Raps: Você era bem jovem nessa época e vendia drogas, não é mesmo? O grafite foi uma saída?
Cope 2: Sim. Eu fiz como todos os que vivem no bairro. Era como uma guerra, um campo de batalha matando-se por drogas. Tudo o que eu sou agradeço à Deus. Eu tive o grafite para ir de encontro à uma causa. Poderia ter sido morto ou está na prisão, como muito dos meus amigos que cresceram comigo. Então o grafite me deu uma direção para ficar famoso pelo mundo inteiro. Agradeço por todas as bênçãos.

Per Raps: CAP foi um dos mais polêmicos escritores do grafite em NY. Ficou bem famoso por “atropelar” outros nomes, como também criou o conhecido throw up COPE.
Cope 2: Um parceiro costumava escrever KOPE e eu escrevia BIN por volta de 1978-79. Nós saíamos para roubar algumas coisas todos os dias até começar a escrever mais nos metrôs. Ele propôs para eu escrever COPE. O #2 veio porque eu idolatrava o BAN 2 OTB. Eu comecei a destruir os trens até que outro parceiro, CONE TFN conheceu o CAP MPC. Ele queria me conhecer pessoalmente, porque gostava de como eu bombardeava, então me pôs em contato com a MPC. Presenteou-me com a letra do meu throw up, o que me fez ser famoso pelo mundo. CAP desrespeitava as pessoas porque as mesmas o desrespeitavam. Ele queria somente respeito, caso não o respeitassem, passava por cima de todos. Eu consigo entendê-lo.

Per Raps: Você já arrumou confusão com nomes de peso como GHOST, REAS, SEEN, PJ e o próprio CAP. Você ainda costuma “atropelar” o nome de alguém? É uma questão de respeito ou faz parte do grafite?
Cope 2: Claro! Uma vez que alguém me desrespeitou, eles viam o novo rei na cidade. Os caras do grafite ficam com ciúmes, por isso eles passavam por cima de mim. Eu ficava louco e ia lá em cima das merdas deles de novo. Você me respeita e é recíproco, se não, eu vou e destruo suas merdas.

Per Raps: Quais anos você consideraria a melhor época do grafite em NYC?
Cope 2: Ah cara, com certeza de 1970 a 1984, depois não foi tão bom assim. Os trens morreram e tudo foi para as ruas, rooftops, estradas e essas coisas.

Per Raps: Como foi o período da operação governamental intitulada “Clean Train Campaign” na sua vida? Hoje em dia, os europeus são tidos como os grafiteiros que mais vandalizam trens e metrôs no mundo. Certamente que na Europa o número de linhas é mais extensa, mesmo assim eles são únicos ao burlar também o sistema de segurança de NYC.
Cope 2: Sim, é louco como os europeus vêm a NY e sonham em pintar o metrô aqui. Isso é bom! Mas eles nunca poderiam fazer na vida o que eu fiz no ínicio dos anos 80. Eu fui feliz. Deus abençou aquela época. Quanto a NYC… é… está morto mesmo… poucas crews ou grafiteiros fazendo acontecer na cena por aqui. Muito disso tem a ver com os adversários. É impressionante como muitos são inimigos. Eu tento ser pacífico com os grafiteiros, mas eles são falsos. Eles apertam a mão, batem nas costas e “oh Cope, você é o cara, estou orgulhoso de você continuar fazendo suas coisas”, depois viram e vão para outro grafiteiro e dizem coisas como “foda-se o Cope. Ele é um rato. Ele é informante. Puro ego”. É tão falso. Eu odeio essa merda, por isso o grafite em NYC é chato e morto, mas eu continuo fazendo o meu e é por isso que muitos me odeiam. Eu mantenho o grafite vivo, querida. Você sabe disso.

Per Raps: Então qual foi uma das coisas mais intrigantes que você presenciou durante esse tempo?
Cope 2: Não tenho certeza. Eu acho que as várias brigas entre os grafiteiros e como os policias de NY fundam certas idéias na galera por informação, dizendo a eles de que certos amigos são ratos e dedo duros. E não é verdade. Mas os grafiteiros ainda acreditam que a polícia é amiga. Eu não acredito nisso. Os policiais são obscuros, mentirosos e nada confiáveis. Eu fui derrubado por alguns, chamava de amigos o HOW e NOSM e os camaradas da TATS CRU, que são do bairro, acreditaram nos policiais contra mim. É realmente triste e louco, que a lealdade é acreditar na polícia do que no seu verdadeiro amigo, quando ainda não se tem provas. Eu penso que no fim é tudo ódio.

Per Raps: Você não precisa provar mais nada a ninguém. Mas fora seu nome, King, True Legend e God são algumas das suas tags. Por um acaso você se inspirou no Bruce Lee?
Cope 2: Sim. Eu peguei isso do Bruce Lee e Bob Marley. Eles são lendas. Muitos grafiteiros através dos anos me chamavam de lenda, então eu penso que foi somente algo que ficou comigo. Lendas de NY têm o COMET, BLADE, LEE, SEEN, CAP, DONDI, MINONE. Eu poderia citar vários nomes. É demais. Outros muito bons eram STAY, HIGH 149, TAKI 183, IZ THE WIZ (RIP). Muitos. Eu amo todos.

Cope bombardeando um trem (Divulgação)Per Raps: NY é uma cidade grande. É possível escrever nomes por toda a cidade?
Cope 2: Vejamos. Toda a cidade começou nos metrôs, que percorriam pelos bairros. A galera queria destruir cada linha, poucos fizeram isso. Outros fizeram como IZ THE WIZ. Ele era surpreendente. Um que era viciado nisso era o MINONE. Ele destruiu as linhas. Eu fiz um pouco por toda a cidade, mas nenhum cara bombardeou todos os cinco municípios. É até fácil se você tiver um carro. Eu e PER 1 FX fizemos isso em 1993, mas foi EASY e JOZONE quem realmente vandalizaram toda a cidade por volta de 1986. Eles começaram com isso pelas ruas, agora é referência percorrer a cidade inteira para ganhar fama rapidamente. Não é como a Era dos trens, que era bem melhor.

Per Raps: Atualmente quem são os caras que mais representam em NYC?
Cope 2: Bem… agora não existem muitos “Kings of NYC” depois de mim, EASY, JOZ e outros. Há o SKUF , VEEFER e JA XTC . Aliás, o JA é o último “King of NYC” representando até hoje. O cara é a máquina do vandalismo. O exterminador no graffiti. Bomber!!!

Per Raps: Quando acessamos determinados fórus de sites sobre grafite, é perceptível a palavra “dedo duro”, ou seja, algumas pessoas, inclusive do grafite, falam sobre um possível envolvimento seu com a “Vandal Squad”.
Cope 2: Meu Deus! O negócio é que a galera do grafite em NY são “bichas” e puros inimigos . Existe apenas um punhado dos considerados reais e seria só as crews. Eu represento por todos os que não fazem isto, então foda-se o resto. A minha fama é quem eu sou, o que eu faço, meu video Kings Destroy, meu livro True Legend, os negócios feito com empresas, mostras de arte, as viagens. Todos eles passam a odiar essas coisas, então me chamam de rato delator, porque é tudo o que eles tem a dizer.

É triste, pois não há provas e nunca terão sobre nada. Eu sou bem verdadeiro com as pessoas. Sou realista e não há nenhuma linhagem de Porto Rico como a minha. Dedo duro não funcionam na minha linhagem. Minha família é real, não há idiotas e espero que não. Mas é isso, somente adversários, mesmo chamando você de amigo, depois acabam todos falando mal de você pelas costas. É realmente triste. O bom é que Deus sabe das verdadeiras intenções no meu coração. Então eu nem estresso mais.

Per Raps: Grafite é considerado um crime grave desde que o “Vandal Squad” foi criado em NYC. Anualmente a cidade sofre um prejuízo de milhões de doláres. Mesmo sendo ilegal, a intenção é intimar cada vez mais quem pratica o vandalismo e também na preservação por uma cidade visualmente mais limpa. Porém, realiza-se que o jogo ficou mais perigoso, pois os considerados vândalos ficaram mais competitivos uns com os outros. Além da adrenalina em torno das ações, há o desafio em burlar o sistema de segurança construído pelo governo. Diante dessa perspectiva sobre o vandalismo, ainda temos o grafite autorizado e a arte de rua. O que é o verdadeiro grafite?

Cope 2: O real grafite para mim era tornar-se rei de uma linha de metrô como nos anos 70 ou 80 ou somente pintar ou bombardear os carros do metrô. Uma vez que a Era do metrô morreu ao longo do tempo aqui, mesmo assim as coisas continuam nas ruas. Eu amo fazer throw ups pelo bairro e todo o resto. Hoje em dia estou com 40 anos e não vale tanto a pena assim correr determinados riscos. Agora eu tenho que pagar as contas, colocar comida na mesa e pagar moradia. É bem diferente sendo 2009 e não 1980 quando era mais novo. Podem até me chamar de vendido, mas não são eles que vão olhar adiante por mim, só vão ficar falando as mesmas merdas como sempre. Eu odeio esse lance de grafiteiros. Eles conseguem ser mais fofoqueiros do que as mulheres. É por isso que eu gosto de sair mais com as garotas. Mas não com as grafiteiras, porque elas agem da mesma forma, por exemplo a Toofly. Eu odeio essa p… falsa!!! Ela é uma das que falam mais merda sobre outras grafiteiras, depois você a vê pintando com elas. Oh Meu Deus!!! Nem curto isso!! É aquilo, eu faço minhas coisas, continuo no grafite e chocando.

Per Raps: Você está no grafite há muitos anos e nunca desistiu.
Cope 2: Eu desisto quando Deus quiser. Ele me colocou aqui, fez ser quem eu sou hoje. Uma benção. Ele sabe que sou um homem honrado. Um rei bárbaro! Um Deus! Reis dos reis! A verdadeira lenda! Eu sou o que Deus fez do nascimento da minha mãe Norma Iris Fontanez. Eu te amo, mãe. Deus abençõe tua alma, minha deusa! Então até o último suspiro na terra, vou continuar minha viagem até aqui. Eu vou deixar para trás um legado. Uma das lendas na história real do grafite. Estou no “Meeting of Styles” representando o filme Bomb It. Quero pintar com meus amigos OSGEMEOS, realmente pessoas maravilhosas. Eu amo esses caras. São verdadeiros no coração. Com o COYO e ISE, também verdadeiros camaradas do Brasil. Cope 2 do Bronx! A lenda do grafite!


Grafite corporal é uma boa?

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Grafite é arte, nisso nós todos concordamos, porém como escolher um lugar para expressar essa manifestação artística? Essa é a pergunta que move o trabalho da designer tipográfica Gemma O’Brien.

A artista criou um documentário e uma campanha chamada “Write Here, Right Now”, para incentivar que as pessoas não façam arte em propriedades de outras pessoas. Na opinião dela tudo deve ser feito numa propriedade sua e e meio para divulgar a arte de O’Brien foi o próprio corpo. Durante oito horas a designer escreveu em seu próprio corpo e foi filmada.

Assistiu? Entendeu a ideia dela? Então dê sua opinião na nossa enquete!


Grafitou? O Kassab apaga!

Kassab contra-ataca e a cidade segue cinza – E. Ribas

Construção do mural na 23 de Maio (12/09/09) por Moacyr Lopes

Construção do mural na 23 de Maio (12/09/09) por Moacyr Lopes

Domingo, mais um dia comum na cidade cinza de concreto e aço. Os carros vem e vão por uma das avenidas mais movimentadas de Sampa, a 23 de Maio. No entanto, a paisagem muda de figura quando as duas laterais da via são ocupadas por grafiteiros e pixadores, cobrindo a extensão de quase um quilômetro da calçada. Você pode estar se perguntando: mas o que aquele povo fazia por lá? Um protesto. O alvo? Aquilo que foi chamado de “cinza do Kassab”. Sim, Gilberto Kassab, o prefeito de São Paulo.

Desde o início de seu governo, uma das plataformas políticas do prefeito foi a “Lei Cidade Limpa”, que visava “despoluir” visualmente a capital paulista. Cartazes, outdoors e fachadas de lojas foram retiradas em prol da lei. Até um muro grafitado (de grandes proporções) foi apagado sem qualquer aviso prévio na própria 23. E a arte era de nada mais, nada menos que os conceituados OsGêmeos (os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo), Nina e Nunca.

A atitude pegou mal e a prefeitura resolveu fazer um convite “formal” para que esses artistas pintassem novamente os muros da mesma avenida. Leia mais no postMake it Better?“.

Não contentes com a atenção demasiada de Gilberto Kassab pela arte nos muros da cidade,cerca de 150 pixadores e grafiteiros tomaram a atitude de mostrar que, se assim o povo quiser, a cidade vai ter arte, sim! Como era de se esperar, a polícia foi mandada ao local para intimidar a realização das obras, e acabou detendo pelo menos 9 participantes. No entanto, o próprio delegado que cuidou do caso, Milton Coccaro, entendeu que nenhum dos participantes tinha a intenção de deteriorar o “patrimônio”.

Enquadro da PM na 23 de Maio (Do flickr de Limakita)

Enquadro da PM na 23 de Maio (Do flickr de Limakita)

Já a prefeitura, nesse caso se mostrou tão eficiente em trazer de volta o cinza da cidade que, já no mesmo dia, tratou de iniciar a pintura do muro. Devido a chuva, a Secretaria de Coordenação de Subprefeituras informou que interromperam temporariamente os trabalhos. No entanto, assim que a chuva cessar, deverão retomar.

O prefeito Kassab pretende cadastrar alguns pontos na cidade onde os grafiteiros poderão exibir sua arte. Só que para as eleições de 2010, Kassab terá que ser mais flexível em relação a “Cidade Limpa”, e terá que aceitar as propagandas eleitorais. Isso, pois uma lei municipal não tem poder para se sobrepor às regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No entanto, Kassab diz que aguarda um projeto no Senado que estenderia a lei para o país inteiro. E taca cinza na Geni, ops, em Sampa!

*Com informações da Folha de S. Paulo.

Apaguem os problemas da cidade e não o graffiti”, registro de uma frase do grafite feito por Mundano.


Abstinência de Primo

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Foto cedida pelo Central Hip Hop

Hoje faz exatamente um ano que grande parte daqueles que são apaixonados por rap receberam uma notícia péssima: Dj Primo nos deixou. Depois desse dia nada mais foi igual para a cena ou para o mundo: menos uma pessoa bacana pra fazer uma história melhor.

Para quem apenas conhecia o trabalho dele, é um ano sem novidades geniais, sem a criatividade e a precisão do cara que sabia lidar com as pick ups como a maior parte dos homens sonha em saber lidar com as mulheres – com respeito e intimidade.

Primo nos deixou, foi tocar em outros planos, pra outras pessoas, talvez em outros planetas… Mas a gente não esquece, a memória continua viva e sabe o que é bom. Hoje, nesse dia que poderíamos chamar de aniversário, mas que é triste demais para aceitar esse nome, fazemos uma homenagem e mandamos energias boas pra que ele fique bem onde quer que esteja. Go Primo!

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Acompanhe também a mix que o Dj Tamenpi preparou com uma discotecagem feita pelo Dj Primo, na festa Chocolate, em março de 2008. Clique: Só Pedrada Musical

Não deixe também de conferir a homenagem do Central Hip Hop (ex-Bocada Forte) para o Dj curitibano. Clique para acessar o especial Dj Primo no Central Hip Hop.