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Emicida começa produção da nova mixtape

Emicida por Luciana Faria

Os novos caminhos de Emicida – por Stefanie Gaspar*

Achar o estúdio de Emicida não é tarefa tão fácil quanto parece. Localizado em um pequeno e estreito edifício na Zona Norte de São Paulo, é moleza passar despercebido pelo interfone que anunciou a nossa chegada. Emicida e o irmão, Evandro “Fióti”, abriram as portas com simpatia e nos mostraram o local que, nas próximas semanas, será o QG de uma intensa produção musical: em seu recém-montado estúdio, Emicida e seus manos vão começar a produção de sua segunda mixtape, um ano após o lançamento de Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe, que vendeu ao todo cerca de 10 mil cópias.

No dia de nossa visita, ninguém parava quieto no estúdio, arranjando as recém-compradas caixas, indo buscar novos cabos, baterias e extensões. Tudo sendo montado cuidadosamente – e, enquanto não está ajudando e coordenando, Emicida se tranca em um canto do estúdio para compor, sem parar, horas a fio. “Tem que ficar mexendo nas músicas, já que a maioria delas sobrou da mixtape anterior. E muita coisa eu fui compondo nos períodos entre os shows mesmo. Agora é hora de escrever sem parar, de rever tudo isso”, contou ele.

Entre uma explicação e outra, um telefonema e uma corrida para o quarto ao lado para checar os novos cabos, o estúdio do rapper explica por si só o esquema que ele comenta ser “incompreensível” para a mentalidade atual das gravadoras. Essa nova cena brasileira, composta por artistas independentes que cativam o público e alcançam sucesso de vendas sem o auxílio de uma major, seria uma mistura equilibrada de profissionalismo e esquema caseiro.

“O problema das grandes gravadoras é não compreender o processo de produção do rap brasileiro, dessa coisa espontânea, colaborativa, dos manos chegando e fazendo as coisas. E essa relação de brodagem também, que você não consegue da noite pro dia, precisa de convivência. Eles não querem chegar e me conhecer, saber como é a parada, meu esquema de trabalho. Eles querem assinar contratos e garantias, mas não respeitar esse ritmo”, comentou o rapper, que faz parte do front desse boom de artistas do rap que estão conquistando novos espaços e encontrando novas formas de viabilizar seus trabalhos, explorando o conceito das mixtapes e utilizando a web e a versatilidade da rua como veículo de disseminação da boa música.

Dj Nyack por Luciana Faria

“O filão das gravadoras está terminando. É muito bom fazer mixtape, é um formato que quase não existe no Brasil e é incrível, vende pra caralho e a gente não fica preso. Tenho um sério problema com esses bagulhos fabricadão, esses artistas que surgem DO NADA, uma parada matemática definida por um grupo de empresários. Daí eles decidem que os artistas deles precisam ser bem bonitinhos e se vestindo assim ou assado, cantando música de amor…”, ironizou Emicida.

Quando soubemos da movimentação por um novo trabalho do rapper – além de sua primeira mixtape, ele lançou o single Avua Besouro e o EP Sua Mina Ouve Meu Rap Também -, já pensamos em um primeiro álbum de estúdio, considerando que as sobras da primeira mixtape já teriam sido utilizadas no EP ou ficariam guardadas para outros trabalhos. Entretanto, Emicida afirmou que já começa a trabalhar em uma nova mixtape, a ser lançada em agosto deste ano. E que o material utilizado será formado por músicas que sobraram da primeira mixtape.

“Agora vou terminar as sobras com essa mixtape e me preparar para um lançamento grandão depois, um álbum mesmo. Não quero lançar um álbum por obrigação, só porque preciso, quero fazer um negócio bem acabado, com um propósito. Sinceramente, eu acho que hoje só Racionais, MV Bill, caras grandes lançam álbuns de verdade”, afirmou ele.

Emicida por Luciana Faria

Questionado sobre o motivo de usar as sobras para uma nova mixtape em vez de ter liberado o material anteriormente em um EP, por exemplo, o rapper respondeu que a mixtape deve ser assim mesmo – uma salada. “O que eu gosto é de fazer EPs temáticos. Que nem o que eu lancei agora, Sua Mina Ouve o Meu Rap Também. Todas as músicas falam da mesma coisa. Isso que é bacana nesse formato. Mixtape é saladona mesmo, outro lance”, respondeu, sem se alongar no assunto.

Curiosamente, embora Emicida seja um claro exemplo de um artista desta “nova escola” do rap, exposto a novas influências e vivendo em um cenário repleto de transformações não só na sonoridade e nas temáticas discutidas pelo gênero como nos espaços ocupados pela música, o rapper afirma ouvir muito pouco rap, a não ser alguns artistas nacionais. “Eu sou de outro rolê, sempre escutei outras músicas. Eu gosto de rap, mas eu só escuto os manos daqui. Vocês ficam aí falando do novo do Hezekiah, um cara foda, mas que faria muito mais sentido se tivesse vindo 10 anos atrás. Não fico fuçando atrás de coisa nova, não”, afirmou o rapper que, mesmo assim, ouve os figurões do rap mainstream gringo, como Eminem (“o Recovery é foda!”), Nas, Jay-Z e até mesmo Will.i.am (“o cara é mestre!”).

Questionado a respeito dos gostos do público de hip hop hoje e a preferência pelos clássicos do gênero, o rapper dispara: “Isso é uma coisa que os DJs de hip hop fizeram também e agora precisam assumir: você vai na festa e o cara não toca música nova. Daí o pessoal fica sem conhecer uma pá de artista e não quer show de gente nova. Daí toca o quê? Wu-Tang Clan, Mos Def, essas coisas, daí judeu não toca rap nacional e não toca música nova. Outro dia tocou Drake na balada e eu quase chorei”, comentou ele.

Evandro Fióti por Luciana Faria

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Emicida hoje passou dos pequenos shows em bares sem esquipamento acústico até chegar ao VMB e ao circuito mainstream, que tão poucos artistas conseguem penetrar, e agora segue lutando para sobreviver em meio a uma cena em constante mutação e que é seguida de perto por um público exigente e que não se contenta com pouco.

O discurso vago a respeito do trabalho já feito e do trabalho que vem por aí, proposital ou não, chega a dois resultados: aumenta o mistério a respeito do processo de produção de suas composições mas, ao mesmo tempo, coloca o rapper em uma posição delicada em relação a um mercado instável, difícil e definido por um misto de oportunidade, sorte e trabalho duro (e tudo isso sem o apoio de uma gravadora). Leandro Roque é tão fascinante porque é um retrato das contradições do cenário do rap nacional – com todos os seus defeitos e qualidades.

Selo independente

A gravação da segunda mixtape de Emicida coincide com a criação de um selo, no qual o rapper pretende reunir seus amigos e colegas DJs, beatmakers e MCs para criar um projeto sólido em um mercado em crise. A intenção é trazer todas as ideias de artistas como Casp, Renan Saman, Skeeter, Kamau, DJ Nyack, Base, DJ Will e Luiz Café não só para a mixtape como para outros projetos, além de posteriormente começar a trabalhar na busca de novos rappers que precisem de apoio no início de suas carreiras.

O selo ainda não tem nome nem foi oficialmente lançado.

Leia mais sobre as ideias do rapper na matéria Emicida: o lobo solitário.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

**Fotos por Luciana “Playmo” Faria.


5 raps entre amigos no dia da amizade

“Quem é que não tem um amigo?”. Não, não é Criança Esperança, e sim uma pequena celebração ao Dia da Amizade. No dia 20 de julho é comemorado em diversas partes do mundo o Dia do Amigo. Aqui no Brasil, essa data é celebrada dia 18 de abril, então pra não perder o rumo da prosa, ficamos com o Dia da Amizade, em julho.

Controvérsias a parte, o Per Raps aproveitou a desculpa e fez uma pequena lista com músicas que foram feitas por parceiros musicais no rap, mas que também são amigos na vida. Para não ficarmos presos a estilos (underground, pop, comercial, gangsta ou sej ao que for), tentamos focar nos sons que foram importantes para o rap de alguma forma, já deixando claro que essas escolhas darão brecha para discussão: “Vocês esqueceram essa! Mano, como esqueceram aquela? Pô, esse Per Raps só dá falha!”.

Mas a ideia é que cada um lembre de uma bela parceria e mande nos comentários, assim teremos no final uma enorme lista de grandes raps feitos por amigos. Bóra?

*Props Oga Mendonça, Zeca MCA e Fióti.

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Xis e Dentinho, “De Esquina”
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“Esquina paranoia delirante”, essa frase ecoou por festas e quebradas por muito tempo, além de ter reverberado até de forma acústica após um convite que Cássia Eller fez a Xis, em 2001. A música originalmente faz parte da coletânea “O Poder da Transformação” (Paraddoxx, 1997) e o single vendeu cerca de 8 mil cópias em apenas seis meses.

Em entrevista à revista +Soma, Xis contou como a música começou a estourar: “A gente colocou ‘De Esquina’ na 24 de Maio (rua que concentra galerias com lojas de discos no centro de SP), demos de mão em mão e a música começou a estourar cada vez mais.”

SP Funk com RZO e Sabotage, “Enxame”
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O clipe desse som era presença constante no finado Yo! Raps MTV, um dos sucessos da madrugada. “Enxame” apresenta bem o grupo que foi apadrinhado por nada menos que Thaíde & DJ Hum já em seu primeiro álbum, “O lado B do Hip-Hop” (2001), que apareceu com rimas inusitadas e analogias complexas para a época. Por si só já é um som de peso, mas contando ainda com a participação de Sabotage, Helião e Sandrão, criou um clássico instantâneo.

“A amizade vai fortalecer, você vai ver/ Nem que eu tenha que exercer, meu proceder” (Sabotage em “Enxame”).

Marcelo D2, Aori e Marechal, “L.A.P.A.”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-07-19T15_25_32-07_00.mp3″

L.A.P.A. foi lançada no CD “Meu Samba é Assim” (2006), que veio logo depois do grande sucesso de “A Procura da Batida Perfeita”. Os três MC’s que aparecem nessa rima são parceiros de longa data; Aori e Marechal se conheceram por meio de Black Alien há cerca de 10 anos, Marcelo D2 conheceu Aori por seu trabalho e o convidou para sua primeira turnê como artista solo.

Já Marechal trabalhou com D2 no acústico feito para a MTV. O trio chegou a fazer outros sons, juntos e separados, entre elas “Sábado Zoeira” (Marcelo D2 , Aori & Marechal), “Loadeando” (Marcelo D2 e Marechal) e “Voo dos Dragões” (Marechal e Aori).

Mano Brown e Dom Pixote (U-Time), “Mente do Vilão”
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A dupla foi apresentada em meados de 2005 juntamente com o Sabotage e o RZO, durante um dos ensaios da Escola de Samba Vai-Vai. Foi nesse dia que Brown falou para Pixote que o Rap estava precisando de gente como ele, que ele deveria voltar a rimar. Eis que o MC voltou! Vez ou outra chamado por Brown de Fiote, Dom Pixote aprendeu a ouvir Racionais com o irmão mais velho, já falecido.

Hoje os dois MC’s são amigos e parceiros de rima, acumulam produções juntos e atuam no Big Ben Bang Johnson. O som “Mente do Vilão” foi lançado em 2009 e deverá fazer parte do novo trabalho dos Racionais MC’s, que deverá sair ainda em 2010.

Emicida, Rashid, Projota e Fióti, “Ainda Ontem”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-07-20T11_41_00-07_00.mp3″

Emicida é irmão de Fióti e os dois conheceram Rashid e Projota por volta de 2005 lá na Galeria Olido, no saudoso Microfone Aberto apresentado por Kamau. A música “Ainda Ontem” foi ideia inicial do Rashid, que chegou com o refrão, mostrou para seus amigos e parceiros que ficaram vidrados na hora. Começaram a escutar um disco do Dom Salvador para ter mais ideias e deixar o som com uma cara bem brasileira. A energia desse projeto foi tão boa que Rashid convidou Emicida e Projota para cada um escrever 8 linhas e criar a faixa juntos.

O Fióti entrou na história quando acompanhava a produção da música e involuntariamente começou a tocar no ritmo do beat com seu cavaco e impressionou quem ouvia, depois disso não teve como deixá-lo de fora. “Ainda Ontem” faz parte da mixtape “Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe”, de 2009. A música traz os mais jovens dessa lista e representa o futuro promissor do rap.

Homenagem: Black Alien & Speed Freaks

Quem é que nunca ouviu um som da dupla de MC’s mais conhecida de Niterói (RJ)? Apesar de Black Alien não lançar nada novo faz um tempo, essa lembrança serve de homenagem a memória de Speed, assassinado no início de 2010. A dupla trabalhava junta desde 1993 e tem diversas músicas no currículo. Destacamos aqui uma delas, “Krishna Budahh”, em um dos raríssimos videos dos dois encontrados na web. Speed Freaks, Rest in Peace!

Menção honrosa: “Dominum” (Non Ducor Duco, 2008)  de Kamau e Parteum + Rick; “Zulu/Zumbi“(Velha Guarda 22, 2007) do Mamelo Sound System e Nação Zumbi (Jorge Du Peixe), “Destruir” (Ordem de Despejo, 2008) do Subsolo, “Um Cara de Sorte” (CD quase inteiro) do Enézimo, “Amigos”, Slim Rimografia.

Comente e nos ajude a lembrar de grandes parcerias entre amigos no Rap!


Não canso de ouvir com a galera do Per Raps

Ano novo, trilha velha

Novo ano, novos desafios, novas ideias. No entanto, as trilhas sonoras ainda são de ’09! Pensando nisso e também querendo compartilhar um pouco do gosto da equipe do dia-a-dia do Per Raps, resolvemos fazer um “Não Canso de Ouvir” só nosso!

Como a dona Natalia Leme ainda está de férias, eu (Eduardo Ribas), Daniel Cunha e Carol Patrocinio resolvemos encarar a responsa. As escolhas não foram fáceis, assim como não rolou uma unidade no jeito de contar o que cada um achou de cada trabalho. Eu fui mais quadrado, o Daniel foi mais sentimento e a Carol foi mais direta. Ou seja, tem pra todo gosto.

São três escolhas de cada um e um consenso sobre os Tops de 2009. Faltou muita coisa, mas um NCDO de cada integrante seria chato demais, além de tomar muito espaço! Pra não rolar peso na consciência, rolou uma recheada menção honrosa. Props pra Luciana Faria aka Lu Playmobile pela foto acima.

Curta, reclame que faltou algum CD, concorde, mas continue acompanhando o Per Raps. E feliz 2010!

>>> O que Daniel Cunha não cansa de ouvir

Kid Cudi – Man on the Moon: The End of Day
Com pouquíssimas faixas descartáveis, foi o disco de rap gringo que eu mais ouvi no ano. Na verdade, antes de pegar esse álbum, ainda não tinha ouvido quase nada do Kid Cudi – ele já tinha soltado uma mixtape na rua antes. Curioso, fui atrás e descobri um som que é bem minha cara, com uma pegada bem parecida com os primeiros discos do Kanye West, na minha opinião, que inclusive participou em uma faixa e produziu duas.

Além da performance do cara, chamo a atenção pras participações do duo americano Ratatat, que estão em duas músicas do disco: Alive (Nightmare) e Pursuit of Happiness (Nightmare). É impressionante como tudo que esses caras tocam vira ouro, principalmente quando eles entram na zona do ritmo e da poesia. Os trabalhos deles com o pessoal do rap são muito foda – vide os dois discos de remixes que eles lançaram com uma galera do mainstream americano.

Brother Ali – Us
Quando o assunto é rap internacional eu me sinto mais inseguro pra falar porque, apesar de entender um pouco de inglês, não entendo a esmagadora maioria das coisas que eu ouço. Talvez porque seja difícil mesmo, porque eu tento prestar atenção no começo e depois vou me desconcentrando conforme não entendo alguma coisa, mas o principal motivo é que os beats e as levadas dos MC’s me deixam mais atento.

O Brother Ali é um cara que, desde a primeira vez que eu ouvi, me hipnotizou. Parece que qualquer coisa que o cara esteja dizendo se torna verdade incontestável, de tanta força e emoção que ele coloca nos vocais. No blog Boom Bap, o Felipe já escreveu uma resenha legal falando mais tecnicamente do disco, então fica a dica pra quem se interessar.

Maria Gadu – Maria Gadu
Acho que esse foi o disco nacional que mais ouvi no ano. Lembro de ter visto ela uma vez no Altas Horas cantando uma música em francês e ter achado chato bagarai. Depois de ouvir a Shimbalaiê em todos os lugares por algumas semanas, fui atrás do disco pra conhecer e me surpreendi muito positivamente. Uma voz linda (que lembra bastante Marisa Monte), várias melodias maneiras, letras legais…vale a pena se despir do preconceito da Shimbalaiê e conhecer o som dessa cantora, que parece estar construindo uma carreira bem sólida.

PS: Eu pus no Não Canso de Ouvir, mas gostaria de avisar minha namorada que se ela não parar de colocar esse disco no carro, eu vou cansar já já…

>>> O que E. Ribas não cansa de ouvir

Fashawn – Boys Meets World
Esse é o tipo de álbum que você aperta o play e viaja na ideia. O jovem rapper Fashawn surgiu com uma temática já conhecida, o processo de amadurecimento de moleque até a adolescência, porém, retratando isso de uma maneira peculiar e bem interessante. Em “Boys Meets World”, o MC passa por todos os problemas que um jovem de vida humilde e criado apenas pela mãe pode enfrentar, sem cair no clichê do pobre coitado.

Na produção da maioria dos beats, Exile. Desse aí, nem é preciso falar muito. O cara produz beats insanamente empolgantes, que agita dos mais under aos mais pops. Na lista de participações, craques como Evidence, Blu, Planet Asia e J. Mitchell, que complementam o álbum de forma magistral. Esse é o tipo de álbum que vale a pena pegar as letras pra entender a mensagem do cara, sem esquecer é claro de curtir os beats ’monstro’ do CD.

Mos Def – The Ecstatic
Após um tempo se dedicando mais ao cinema, Mos Def calou a boca dos pessimistas que diziam que o MC não conseguiria voltar a produzir sons em alto nível. “The Ecstatic” é a celebração que o rap vinha pedindo há tempos, sem frescuras de auto-tune ou qualquer efeito mega produzido: o som é cru e as rimas, diretas.

No destaque dos sons, “Casa Bey”, que chega com um loop do som da Banda Black Rio (“Casa Forte”) e é uma das músicas mais empolgantes do álbum, além de ser declaradamente um dos sons preferidos de Mos Def. “History” é outro som que merece destaque por sua simples existência. Parceria de Def com Talib Kweli, o som relembra os passos do MC do começo da carreira até aqui, que não poderiam ser contados sem seu parceiro de longa data.

Supermagic”, o primeiro single do álbum, chega pesado e dá o tom desse trabalho, deixando claro que quando Mos Def quer, ele mostra que tem a manha. Se “The Ecstatic” fosse um sentimento, poderia ser chamado de nostalgia.

Jay-Z – Blueprint 3
Lembro de não ter ouvido comentários muito empolgados sobre esse trabalho por essas bandas, mas estreou em terceiro na lista da Billboard (com 476 mil cópias vendidas na primeira semana, atrás de U2 e Eminem). “Blueprint 3” pode ser considerado um álbum ousado, e não só marca uma trilogia (Blueprint) de sucesso como também traz hits que não param de tocar ou ter seus clipes exibidos por aí.

D.O.A” foi o primeiro a aparecer, e não foi de forma simples, declarou a morte do auto-tune. Tirou sarro dos MC’s que usam jeans muito apertados, do exagero de melodias nas rimas e aproveitou para cutucar o nome mais expressivo no assunto: T-Pain (you’re T-Pain’g too much). “Empire State of Mind” é a declaração de amor que faltava a Nova Iorque. A cidade, que já foi cantada pelo saudoso gangsta Frank Sinatra, recebe uma versão rap de um de seus mais nobres e expressivos representantes da atualidade. Pra trincar, Alicia Keys no refrão gastando o gogó em homenagem a NYC.

Trouxe até sample brasuca, como é o caso de “Thank You”, com “Ele e Ela”, de Marcos Valle (“Marcos Valle”, 1970) e beats de Kanye West, No ID e Timbaland. Destaque ainda para a participação de Drake e Kid Cudi, que mostram como Jay-Z está atento ao jogo e aos novos representantes de peso. Cabe dizer aqui que Drake poderia ter sido melhor “aproveitado” na música, assim como rolou com Kid Cudi, que realmente acrescentou em sua participação em “Already Home”.

Além deles, Young Jeezy, Pharrell e Mr. Hudson mandando o refrão em “Young Forever”, com sample de “Forever Young”, do grupo alemão Alphaville. Não é a toa que H.O.V. é o MC mais comentado do momento, é marido da mina mais comentada do momento, possui negócios prósperos além das fronteiras do rap e possui uma carreira ainda na ascendente.

>>> O que Carol Patrocinio não cansa de ouvir

Claudia Dorei – Respire
Virou toque de celular, despertador e não parou de tocar pela casa durante uns bons meses. Claudia D’orei mostra nesse trabalho que você pode juntar todas as suas influências e criar um som incrível, sem rótulos e dificultando a vida de quem precisa dar nome aos tipos de som. “Respire” deveria ter apenas uma definição: música boa.

Voz feminina com batidas que te fazem querer sair dançando pela cozinha. É aquele tipo de música que a família inteira pode escutar enquanto é feito o almoço de domingo.

Lucas Santtana – Sem Nostalgia
O cara consegue fazer com um violão o que muita gente sonha. O trabalho de Lucas Santana é a cara do Brasil, é mistura, talento, verdade. O som é tocado com vontade, as letras são gostosas e você se deixa levar pela melodia e acaba cantando junto. Impossível parar de escutar.

Wado – Atlântico Negro
O cara é de Alagoas, veio morar em São Paulo, passou um tempo aqui mas se sentiu endurecido pela cidade, e então voltou pra casa. O resultado de vivências tão diferentes, de ambientes distintos deu base ao “Atlântico Negro“, disco com músicas que falam da realidade do país e do mundo sem perder a leveza que um bom som precisa ter.

>>> O que o Per Raps não cansa de ouvir

Emicida – Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe
A ideia desse NCDO era falar apenas de CD’s, mas isso não seria justo em relação ao trabalho de Emicida, que é chamado de mixtape, mas tem tanta música que mais tem cara de CD. Além disso, se teve alguém que agitou a cena rap brasuca em 2009 foi esse mano.

Tocou em tudo quanto é casa de show, tanto em Sampa quanto em lugares como Salvador e Goiânia. Agitou manos e minas, modernos, indies, roqueiros, baladeiros de plantão, jornalistas que não costumavam dar atenção ao rap e tantos outros.

Sobre a mix, acho que nem cabe falar muito. Lembro de ter comprado uma ou outra que dei de presente, além de ter emprestado tanto a minha que já nem sei onde ela está. Aliás, se a carapuça servir em alguém, por favor, me entreguem de volta, não vou reclamar!

Dos diversos shows que rolaram, tive a chance de ir em dois que empolgaram bastante: o de lançamento, na Hole, que só de lembrar arrepia, e um que rolou logo na sequência na Neu (Barra Funda), que fez indies, skatistas, roqueiros e fãs da casa levantarem a mão e gritar: “adooooooro”. Ao Leandro Roque aka Emicida os sinceros parabéns do Per Raps. O cara é tipo highlander, trampa quase o dia inteiro e sempre surpreende (vide “Besouro”). Vida longa e próspera, Emicida!

Menção Honrosa: The Black Keys “Blak Roc”, Exile “Radio”, Wale  “Attention Deficit”, Major Laser  “Guns don’t kill people, lasers do”, Casuarina “Ao vivo MTV”, Dinosaur Jr. “Farm”, Rodrigo Campos “São Mateus nao é um lugar tao longe assim”, Max Sette,” O Que Se Passou”, The Temper Trap “Conditions”, Móveis Coloniais de Acajú, “C_mpl_te”, The XX “XX”, Marcela Bellas “Será Que Caetano Vai Gostar?” e Céu “Vagarosa”.


Linha do tempo do rap nacional (parte III)

Segue a terceira e derradeira parte da nossa linha do tempo do rap nacional, que inclui algumas de nossas previsões para o ano de 2010. Saca só:

2008 – Pouquíssimos lançamentos de discos marcaram o ano. Entre eles, o que mais chamou a atenção foi o primeiro disco solo de Kamau, Non Ducor Duco, que fez parte da lista dos melhores 25 álbuns do ano pela revista Rolling Stone. Aos 45 minutos do segundo tempo, nos últimos dias do ano, o Pentágono veio com seu segundo disco, Natural, firmando o grupo como um dos principais expoentes da nova escola.

Com o disco de Doncesão, chamado Primeiramente, Dj Caíque se firmou na cena rap nacional como um dos grandes produtores do momento, além de liderar o selo 360 Graus Records, que já se mostrou muito produtivo nos primeiros anos de existência, proporcionando diversos lançamentos. Ainda falando de produção musical, o ano foi marcante para a cena de Curitiba, que se mostrou bastante proeminente, com destaque para os beatmakers Dario e Nave, responsável pelo instrumental da música “Desabafo”, do disco A Arte do Barulho, de Marcelo D2, uma das canções mais executadas do ano em todo o país.

O ano marcou também a perda de um dos nossos melhores disc-jóqueis e um dos grandes agitadores da cena nacional, o Dj Primo, vítima de uma pneumonia. Primo era também o Dj residente do recém criado programa Manos e Minas, na TV Cultura, primeiro espaço criado na televisão brasileira desde o fim do Yo! MTV.

DJ Primo

DJ Primo (foto retirada do blog do Jornal do Brasil)

Outros álbuns importantes: RenegadoDo Oiapoque a Nova York; SombraSem Sombra de Dúvida; Projeto ManadaUrbanidades; Enézimo – Um cara de sorte; Subsolo – Ordem de Despejo;

2009Emicida é o nome da fera, o dono de 2009. Ele já começou o ano com o status de “melhor MC de freestyle” do país e, com o lançamento da mixtape Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe – parafraseamos aqui o próprio e confirmamos – chegou ainda mais longe. Concorreu a prêmios na MTV, concedeu dezenas de entrevistas (tanto para a mídia alternativa quanto para a ‘grande’ mídia) e fez shows pelo Brasil inteiro. Indiretamente, trouxe fôlego para a cena e teve um papel fundamental para que outros artistas do gênero ganhassem espaço em casas de shows e afins.

Big Ben Bang Jhonson

O rapper MV Bill também teve um ano bem agitado em 2009: lançou o DVD ao vivo com banda Despacho Urbano, além de alguns clipes novos e diversas aparições na grande mídia. Outra novidade que balançou os ânimos dos fãs de rap foi a criação do coletivo Big Ben Bang Johnson, grupo idealizado especialmente para shows ao vivo e que conta com alguns dos principais representantes do rap paulista: Mano Brown, Ice Blue, Helião, Sandrão, Dj Cia, Dom Pixote, Du Bronks, entre outros.

O ano deixou a desejar, mais uma vez, na questão dos lançamentos, com pouquíssimos discos inteiros colocados na rua. A escassez pode indicar também uma mudança de tendências do mercado musical, com a criação e utilização de novos formatos, mas é algo que só teremos a confirmação nos próximos anos. Em compensação, tivemos ótimos videoclipes. O rap acompanhou a tecnologia da alta definição e lançou pérolas como Qui nem Judeu, de DBS e a Quadrilha, Picadilha Jaçanã, do Relatos da Invasão, É o Moio e Multicultural, do Pentágono, Triunfo, de Emicida, Sol, de Slim Rimografia, e O Tempo, do Casa di Caboclo, todos contando com uma excelente produção e se equiparando ao que de melhor existe em termos de videoclipe na música brasileira.

2010 – O fim do ano chegou e, com ele, as promessas de que 2010 será ‘o ano do rap’. Todos os (pelo menos) últimos dez anos foram anunciados por alguém como ‘o ano do rap’ e alguns deles realmente chegaram perto de se tornar realidade. O momento porém, não é dos mais propícios. O rap perdeu espaço nas periferias do país para o funk e o sertanejo, por exemplo, músicas com maior apelo popular. No entanto, a cena se encontra em um momento muito especial, tanto pela sua capacidade criativa, quanto pela sua imagem perante à mídia e à população em geral.

Durante este ano, não foi nada raro encontrar pessoas de estilos totalmente diferentes daqueles que estamos acostumados a ver em shows de rap. O rap está se tornando mais interessante pra muita gente. Porém, o público-alvo, que sempre foi a periferia, se diluiu bastante, e a periferia pouco conhece e acompanha o tipo de música que estamos acostumados a divulgar aqui no Per Raps, por exemplo. Como resgatar esse público? Não sabemos a resposta, mas o disco novo dos Racionais, prometido para 2010 por Mano Brown na entrevista para a Rolling Stone, pode ajudar a formular esse quebra-cabeça.

Fora esse, outros vários discos são aguardados ansiosamente pela cena, muitos deles com potencial para colocar a engrenagem para funcionar a todo vapor novamente. Entre os principais, estão o do RZO, Marechal (RJ), Don L., do Costa a Costa (CE) e um disco póstumo de Sabotage. Mas há muita gente surgindo por aí e a promessa é a de um ano recheado de bons lançamentos.

Nossas apostas?

Ataque Beliz (DF)

Criolo Doido

Gasper (GO)

Ogi

Rashid

Rincon Sapiência

Savave (PR)


Vídeos exclusivos do Emicida

Foto: Janaina Castelo Branco/Divulgação

Foto: Janaína Castelo Branco/Divulgação

Respondendo de bate-pronto ao nosso leitor Rodrigo Nunes, disponibilizamos aqui três vídeos exclusivos de Emicida, gravados durante a apresentação no Centro Cultural São Paulo, na última quinta-feira.

As duas músicas são inéditas (não estão na mixtape) e falam sobre clássicas confraternizações surgidas na cidade de São Paulo nos últimos anos: a Batalha da Santa Cruz e a Rinha dos MC’s. Uma rima especial pra cada festa. Se liga!

E de presente, você ainda ganha um spoken word que o cara mandou durante o show. Pira na ideia!


É hoje: Festival Dialeto!

“Avisa o IML, chegou o grande dia…”*

Arte de Gustavo Mendes, de Jacareí, vencedor do concurso "Faça a sua arte"

Arte de Gustavo Mendes, de Jacareí, vencedor do concurso "Faça a sua arte", promovido pela Nike Sportswear

Hoje (10) é um dia importante para quem aprecia rap. Akira Presidente, Criolo Doido, Emicida, Kamau, Max B.O., Pentágono, Dj Dandan e Dj Marco vão registrar um momento histórico no palco do Hole Club (região central) – o Festival Dialeto.

Em performances homeopáticas e calorosas, as atrações apresentam versões reduzidas de seus shows, na sequência. Músicas novas, versões e interações estão previstas no repertório desse time que, mesmo independente, tem colocado o rap em circulação na boca do povo e da mídia.

Emicida atraiu olhares vendendo sua elogiada mixtape de mão em mão, e, junto com Kamau, que tem colhido os frutos de seu também aplaudido primeiro disco solo, foram indicados ao VMB 2009, da MTV. A emissora também gostou do Pentágono, que ganhou blog e muitos acessos do videoclipe “É o Moio” no portal. Akira Presidente, do Rio de Janeiro (RJ), coloca disco na rua ainda este ano. Max B.O. lançou site, em breve um EP e continua na TV como MC Rappórter. Criolo Doido, velho de guerra no hip hop, mantém a Rinha dos MCs, um dos encontros mais tradicionais do Brasil, junto com o DJ Dandan, que coordena a Casa do Hip Hop de Diadema, e o DJ Marco, que assume os toca-discos e programações nos shows da cantora Céu. Isso só para citar.

Artistas participaram de coletiva na última terça, por Janaína Castelo

Artistas participaram de coletiva na última terça, por Janaína Castelo

É muita gente trabalhando para pouco espaço nos palcos e uma cena ainda embrionária. “Você vê tanto festival de música independente no país, e não vê quase nenhum de rap”, explica Pedro Gomes, um dos organizadores do Dialeto.”Gostaríamos que fosse num espaço grande, tipo um Sesc, temos público pra isso. Vamos lutar para isso acontecer nas próximas edições”, acrescenta Pedro, que pretende realizar edições anuais do festival. “Alguém tinha que começar algo e é o que estamos fazendo”.

Os ingressos antecipados são vendidos a R$ 15 na loja Drump, na Galeria do Rock (região central). Na porta, custará R$ 20 e deve ser pago na entrada, em dinheiro.

Conheça os envolvidos:

Akira Presidente

por Dudu Llerena

por Dudu Llerena

Akira Presidente vem do Rio de Janeiro para o festival. O MC lançou um EP, disponível na web, enquanto seu disco de estreia não chega às ruas. Akira fala de mulheres, rap e qualquer outro assunto que lhe interessa, numa levada bem aceita nas pistas de dança. “Essa é a hora de mostrar que o rap não está parado, que estamos evoluindo. O Dialeto vai ser uma noite também para curtir, dividir palco com quem admiro”. myspace.com/akirapresidente

Criolo Doido

Divulgação

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Idealizador e mestre de cerimônia da Rinha dos MCs, Criolo Doido está prestes a lançar seu DVD, em comemoração aos 20 anos de carreira. Indicado ao Prêmio Hutúz, Criolo prepara seu segundo disco (o primeiro saiu em 2006), em que mistura rap com elementos da música turca, francesa e jamaicana. “Esse festival é um embrião, é uma retomada. Somos uma família e nos reunimos para buscar uma evolução, outras “famílias” podem fazer isso. Não estamos segregando, estamos mostrando que é possível”. myspace.com/criolomc

 

Emicida

por Janaína Castelo

por Janaína Castelo

Emicida não está na cena há tanto tempo, mas já tinha os holofotes sobre si desde as batalhas de freestyle e de quando a música “Triunfo” ganhou as pistas. E as luzes sobre ele só aumentam: em maio, lançou a elogiada mixtape “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que Eu Cheguei Longe”, que gravou de forma caseira em CD-R e saiu vendendo de mão em mão. Também lançou videoclipe da “Triunfo”, que rendeu a ele a terceira indicação no VMB 2009, da MTV. myspace.com/emicida

Kamau

por Flávio Samelo

por Flávio Samelo

Kamau fez um dos melhores discos de 2008, segundo o ranking da revista “Rolling Stone”. Há dez anos participando ativamente da cena –principalmente em grupos, como o Simples, o Consequência e o Quinto Andar–, o MC paulistano ganhou mais notoriedade quando lançou seu primeiro disco solo, “Non Ducor Duco”. A trajetória rendeu uma indicação ao VMB 2009, na categoria Rap, ao lado de MV Bill, Emicida, Relatos da Invasão e RZO. “Esse festival vai ser como uma mixtape acontecendo. Espero que a gente consiga dar continuidade aos shows, para renovar a energia e manter a mesma vibe na pista”. http://www.planoaudio.net

Max B.O.

por Leandro Gonçalves

por Leandro Gonçalves

 

Virtuose do improviso, o MC Max B.O. tem uma trajetória respeitada no hip hop nacional. Nos palcos fazendo freestyle usando os R.G.´s do público e na TV conduzindo o MC Rappórter –no programa “Brothers” (Rede TV!), dos irmãos Suplicy–, o rapper agora investe na internet: www.maxbo.com.br. myspace.com/maxbo

 

 

 

Pentágono

por Rogério Fernandes

por Rogério Fernandes

Com pé no reggae e uma das melhores dinâmicas no palco, o Pentágono já disputou a categoria de melhor videoclipe de rap no VMB 2006, com a música “Namoral”, do primeiro disco do grupo “Microfonicamente Dizendo”. Com quatro MCs –Rael da Rima, Apolo, Massao, M.Sário e mais o Dj Kiko, o quinteto lançou o segundo trabalho, “Natural”, em 2008. Foi desse álbum que saiu “É o Moio”, faixa que ganhou videoclipe e muitos acessos no portal da MTV, onde eles também têm um blog. myspace.com/pentagono5

Dj Dandan

Divulgação

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Além de Dj da Rinha dos MCs, Dandan é 2° secretário da Zulu Nation Brasil e produtor cultural da Casa do Hip Hop de Diadema. O projeto, que visa oferecer atividades culturais à população local e difundir a cultura do hip hop, está no Centro Cultural Canhema há dez anos e conta com uma equipe que inclui King Nino Brown, presidente de honra da Zulu Nation Brasil. “A música tem o poder de transformar, temos que pensar que mensagem transmitimos para quem está ali nos vendo, ouvindo. É essa troca de energia que espero de um festival de música”. myspace.com/cassianosena

Dj Marco

Divulgação

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Um dos mais ativos do hip hop, Dj Marco é residente do Sintonia (Dj Club), às quintas, junto de KL Jay, Ajamu e Will, e da Rinha dos MCs (Executivo Bar), quinzenalmente às sextas, com MC Criolo Doido, Djs Dandan e Kiko. Coordenador da programação do Hole Club, onde acontecem a maior parte dos shows de rap em São Paulo, Marco é também Dj da cantora Céu e do compositor Rodrigo Campos. “Os festivais de música marcam época, com os grupos que estão na atividade. Sabemos que na plateia, além dos fãs, estará gente que faz a cena acontecer também. Na próxima edição do festival, eles poderão estar ali no palco, participando daquilo tudo”.

*Texto de Mayra Maldjian publicado ontem (9) no Guia da Folha de S. Paulo
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Reconhecimento

Aproveitando a oportunidade, vale a pena falar um pouco sobre o papel que a Dj Mayra vem desempenhando nesse momento tão importante para o rap. Além de contribuir para a divulgação de diversos eventos e artistas, ela tem emplacado dezenas de matérias com artistas independentes (ex: Céu, Rodrigo Campos, Emicida, Kamau…) na Folha de S. Paulo, o jornal de maior circulação do Brasil. A importância e a amplitude disso pode ser ignorada por alguns, mas não deve ser por nós, que trabalhamos com comunicação e sabemos o quão difícil é o diálogo com os grandes veículos.

Não foram poucas as vezes que criticamos a grande mídia pelo tratamento dado ao hip hop nos últimos anos. Erros conceituais, troca de nomes, falta de conhecimento sobre o assunto; tudo isso nos incomodava. E termos um representante legítimo da cena independente lá, entre eles, significa um enorme avanço. Significa que o hip hop está sendo tratado, na gigante Folha de S. Paulo, da forma como nós queremos, como achamos que merece ser tratado.

Parabéns Dj Mayra, pelo aniversário comemorado ontem e, principalmente, pela atenção que tem dedicado à boa música. E parabéns também a todos os amantes da cultura que propagam o hip hop de forma responsável nos meios de comunicação espalhados por aí!

Dj Marco
Um dos mais ativos do hip hop, DJ Marco é residente do Sintonia (DJ Club), às quintas, junto de KL Jay, Ajamu e Will, e da Rinha dos MCs (Executivo Bar), quinzenalmente às sextas, com MC Criolo Doido, DJs Dandan e Kiko. Coordenador da programação do Hole Club, onde acontecem a maior parte dos shows de rap em São Paulo, Marco é também DJ da cantora Céu e do compositor Rodrigo Campos. “Os festivais de música marcam época, com os grupos que estão na atividade. Sabemos que na plateia, além dos fãs, estará gente que faz a cena acontecer também. Na próxima edição do festival, eles poderão estar ali no palco, participando daquilo tudo”.

VMB da discórdia

Wanessa e Ja Rule_VMB2009

Wanessa e Ja Rule levaram o rap (?) ao palco do VMB - Divulgação

#fail?por Eduardo Ribas e Carol Patrocinio

Nós assistimos ao Vídeo Music Brasil, acompanhamos todos os momentos de revolta e, assim como você, ficamos desapontados – assim como o Neo encontrando o Arquiteto (Matrix Reloaded) – mas depois voltamos ao mundo real e lembramos que essa é a grande mídia, a votação é do público e a audiência é feita basicamente por adolescentes.

Pior do que o VMB, só o Rio de Janeiro ter ganho a disputa para sediar as Olimpíadas de 2016!

Por que o MV Bill ganhou o prêmio na categoria RAP?
MV Bill é hoje um dos MC’s brasileiros que mais aparece na mídia, ao lado de Marcelo D2, quer você goste/concorde ou não, tanto a sua música como seu trabalho social permitem que o trabalho do “Mensageiro da Verdade” seja mais difundido e como a votação foi feita pela internet… Ligue os pontos.

Além disso, o rapeiro tem feito inúmeros shows pelo Brasil e levando seu nome para os mais diversos lugares. Se fizermos uma comparação com os outros prêmios que a MTV entregou, a lógica é a mesma: os artistas com mais visibilidade tiveram mais votos e ganharam o prêmio. Então, nenhuma novidade.

Parabéns ao MV Bill, que ainda entregou um prêmio e fez uma apresentação bem legal no pré-VMB – se a gente não levar em conta a plateia formada por adolescentes do rock que batiam palminhas enquanto ele rimava.

Ao rap, as migalhas?
Algumas pessoas que acompanham ou fazem parte da cultura hip hop olharam a premiação da MTV como uma entrega de migalhas ao rap nacional. A afirmação é totalmente compreensível, visto que, indicado em cinco categorias, o rap apenas saiu vitorioso na categoria que só poderia dar o rap! As três indicações de Emicida e a indicação de Marcelo D2, acabaram ficando para outros grupos.

Cabe aqui uma observação: Vale recordar que, na verdade, o prêmio do rap para o rap seria o Hutúz, não o VMB.

Mas isso não deve ser visto como algo apenas negativo. A indicação dos MC’s/grupos na categoria rap, e no caso especial de Emicida, indicado também como aposta e melhor clipe, podem trazer mais visibilidade ao trabalho dessas pessoas. A curiosidade pode fazer com que pessoas que nunca ouviram falar no Kamau, por exemplo, busquem por suas músicas.

É claro que as perspectivas não são boas, uma vez que as pessoas que gostam de músicas variadas, geralmente, buscam com mais frequência pelo novo e pelo diferente. As pessoas que buscam música pelo rádio ou pela TV, acabam geralmente sendo direcionados pela chamada “cultura de massas”. Mas no rebanho sempre existe uma ovelha esperando para ser salva; o foco é chegar nessa ovelha!

Por que a decepção com o VMB?
Muita gente depositou esperança nos prêmios que poderiam ser conquistados por representantes do rap, até pelo fato da MTV não ter incluído sequer a categoria de “ritmo e poesia” nas últimas duas edições. Órfãos do Yo! e crentes em uma mudança de pensamento ou atitude, os fãs do gênero musical não devem se sentir lesados ou levianos por terem acreditado. Se a esperança de que algo fora do script pudesse ter acontecido não existisse, então muita gente não se daria ao trabalho de sequer fazer um videoclipe.

A maioria dos rimadores, dos que trabalham pelo rap e lutam para seu crescimento o faz por amor, por acreditar que a saída para os problemas está na cultura, na liberdade, na mudança do cenário atual. A ideia é sempre crer em tempos melhores, mesmo observando o mundo de um modo cético. Acreditar é uma das poucas coisas as quais podemos nos agarrar, não é o momento de achar que não vale a pena ter esperança.

Por que o EMICIDA não levou nenhum prêmio?
Se a MTV tivesse dado um prêmio ao Emicida, estaria dando um tiro em seu próprio pé. Por quê? Explicamos. A maioria esmagadora dos vencedores dos prêmios possuem contratos com grandes gravadoras, que investem muito em cada banda. Premiar um artista independente do rap, que vende suas mix a R$2, faz show a preços populares e que, segundo a Folha de S. Paulo é “empreendedor”, seria dar um exemplo de que é possível chegar ali sem precisar das tais gravadoras.

Lembrando, nesse caso, a música é tratada como negócio. Por trás da premiação há patrocínios, cobranças, comerciais e intervalos caríssimos e uma indústria musical que ainda está repensando como “vender” música, tendo a internet como principal “vilã” para impedir seus planos.

Mas, e agora?
É possível que no ano que vem o rap permaceça com espaço na Music TeleVision, isso permitiria que clipes como o do Slim Rimografia, DBS, Funkero, Casa di Caboclo e tantos outros recém-lançados entrem na programação.

A perspectiva em relação a prêmios é de possibilidade remota, até porque continuarão os grandes investimentos das gravadoras em nomes e em modismos, afinal, essa é e sempre foi a cultura (de massa) que é dada ao povo. O grande boom que veio com o hype em volta do nome do Emicida ainda pode trazer boas perspectivas, que não seriam migalhas, já que, se o hip hop, ou mais especificamente o rap, quer ter a possibilidade de chegar para mais pessoas, precisa saber se utilizar dos espaços que ele tem possibilidade de fazer parte.

Criticar a Globo, a MTV ou as rádios é fácil, mas para fazer com que o cara que ouve Cine, simplesmente porque toca na rádio, mude de gosto musical, é preciso fazer com que a música se propague. E não é apenas a internet que fará isso. Lembrando que o hip hop é uma cultura marginal e seria interessante que, mesmo sendo um dia mais difundida, seus representantes tivessem “controle” dela.

Na gringa isso acontece, mas percebemos claramente a influência de grandes grupos corporativos em certos rumos. Não que o rap tenha que ser apenas independente ou música de protesto, longe disso. Rap é música! Mas que essa música seja controle de propriedade de quem a faz e não de gravadoras. Se para estar na MTV – ou em qualquer outro espaço – for preciso “cultivar a franja e fechar com o Bonadio”, então cabe a cada um saber qual é o seu rumo.

“Ache um rumo pra chamar de seu…” – Parteum, “Rumo”