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Duelo de MCs celebra aniversário em Belo Horizonte

“Celebrar é preciso!”por Eduardo Ribas

Quem acompanha o rap, ou qualquer outra cena (com viés) independente, sabe das dificuldades que se encontra pelo caminho. Casas que não abrem espaço para festas e shows, produtores que oferecem uma coxinha e três refrigerantes como pagamento, jornalistas que estigmatizam o gênero em seus textos, os materiais para DJs (pick-ups, mixers, serato etc) e MCs/Beatmakers (microfones, mpcs etc) são muito caros e por ai vai.

Resistir a esses obstáculos é tarefa para poucos, tanto que a cada dia assistimos festas chegando ao fim, grupos terminando e a cena enfraquecendo. Um desses exemplos de resistência está a 586 quilômetros de São Paulo, especificamente em Belo Horizonte, Minas Gerais. Há cerca de três anos, surgia o Duelo dos MC’s. Seguindo o exemplo e molde de eventos como a Batalha do Conhecimento (RJ) e o Microfone Aberto (SP), apenas para citar alguns, o Duelo traz semanalmente um encontro que junta representantes do elementos da cultura hip hop no mesmo palco.

Inspirado na Liga dos MCs, evento tradicional que acontece no Rio de Janeiro, que teve uma edição especial em BH, Osleo (lê-se osléo), da Família de Rua, e o Vuks (ex-Rima Sambada) compraram a ideia e iniciaram um evento similar, sem saber exatamente a proporção do que estavam fazendo. “Na primeira edição tinha umas 50 pessoas, na segunda, umas 150. Quando a gente foi ver, o evento tava dando média de 400 pessoas por noite, pessoal de imprensa procurando, geral querendo saber o que era aquilo”, relembra Luiz Gustavo aka Gurila Mangani, MC e beatmaker que observou de perto o início do projeto.

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A ideia central do evento é abrir espaço para todos os elementos do hip hop, e não apenas para as batalhas de MC. “O carro-chefe é a batalha (de freestyle), mas a preocupação é que seja um evento de hip hop, sempre tem roda de b-boy, de 15 em 15 dias tem grafiteiro pintando o viaduto”, conta PDR, o Pedro Valentim. Pedro é hoje um dos organizadores do evento, junto de Osleo, DJ Roger Dee e Monge (todos fazem parte da Família de Rua). Além de todos esses elementos, vez ou outra ainda há espaço para pocket-shows com artistas diversos. Já passaram por lá nomes como Shaw (RJ), Slim Rimografia (SP) e Simpson (MG) entre outros.

Sobre a batalha de freestyle, começou no formato simples: MC contra MC, sem muita imposição. Depois, se assemelhou aos moldes da Batalha do Conhecimento (RJ), com temas sugeridos. Hoje, o duelo é no esquema de “bate-volta”, um MC rima oito barras (tamanho de um verso regular de rap), o outro responde com outras oito e por ai vai. A cada sexta-feira, o estilo muda: duelo tradicional de freestyle, temático e batalha no “bate-volta”.

O palco para o Duelo dos MCs é o Viaduto Santa Tereza, localizado na região central de Belo Horizonte. O local é histórico, mas antes do evento era habitado por moradores de rua, a sujeira tomava conta e sinalizava o abandono da área. “Não tinha luz, era escurão, tipo um ‘guetão’, submundo da cidade”, conta Mangani. Três anos depois, a revigoração feita pelo Duelo trouxe de volta ao espaço a cultura. “Nós começamos a ocupar, o Duelo trouxe vida nova ao espaço”, completa PRD.

Local de fácil acesso, ao lado de uma estação de metro e de ônibus, o Duelo dos MC’s atrai público mais diverso possível, “desde cara do rap até patricinha”, segundo Gurila Mangani. As edições rolam todas as sextas, a partir das nove da noite, acabando por volta da meia-noite.

E falando nisso, nesta sexta-feira (27) rola a edição de aniversário do evento. Na programação, show com o MC B.Réu, presença de MCs convidados, roda de dança, intervenção de grafite e mais. Serão vendidos bottons comemorativos do Duelo dos MC’s, a três reais cada.

Alguns dirão que três anos não é o suficiente para ressaltar a importância de um evento, festa ou seja o que for. Outros vão enaltecer a iniciativa e imaginar: “queria poder colar nesse rolê hoje”. Mas nada disso importa. Como já disseram, “só quem é de lá sabe o que acontece”. Nada melhor do que ler as palavras de um dos frequentadores do Duelo dos MCs para entender o que você pode estar perdendo. “Você tem que vir aqui pra ver como é… é muito loca a vibe, você vai achar que tá no Bronx!”, finaliza Gurila Mangani.

Conheça mais sobre o rap em Belo Horizonte, Minas Gerais
Saiba mais do MC e beatmaker Gurila Mangani, de Minas Gerais

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A fuga do eixo Rio-São Paulo

Expandindo a visãopor E. Ribas

Apesar do sucesso de alguns representantes do rap, a cena ainda passa longe das massas movimentadas pelo axé, o sertanejo ou o próprio funk carioca. Há também quem diga que nem exista uma cena. No entanto, já é senso comum dizer que a internet vem ajudando os grupos razoavelmente organizados a propagar seus trabalhos para fronteiras mais distantes. E é aí que um paraense conhece o trabalho de um gaúcho, por exemplo.

Se antes as pessoas garimpavam em sebos, hoje procuram ouvir novas músicas em sites como o Myspace e baixam músicas no iTunes. Os artistas por sua vez, procuram primeiro divulgar seus trabalhos nesses lugares, e complementam a ação utilizando as redes sociais da web, incluindo blogs que às vezes são bem interessantes e acabam informando as novidades da cena local.

Juntando a vontade de conhecer propostas novas com a ideia do Per Raps de estar atento a trabalhos que venham de fora do eixo Rio-São Paulo, que começa a se estender a Curitiba, esticamos um pouco as canelas e chegamos a Minas Gerais, a terra do pão de queijo, de Pelé (Três Corações), do Galo, da Raposa e do rap!

O rap de BH, Minas Gerais

Já visitei Minas Gerais, mas não para acompanhar a cena rap de lá. Se soubesse que rolava o Duelo de MC’s antes, teria colado com certeza! Mas desse evento falaremos outra hora. Continuando, o Estado é bem grande, então preferi focar as energias na capital, Belo Horizonte. Por meio do trabalho de Paulo Napoli, a fita mixada Raps de Verão, conheci o MC Gurila Mangani. Antes mesmo de lançar seu trabalho, trocávamos informações e isso permitiu com que eu pudesse observar seus corres e sua evolução de forma mais próxima. E pela qualidade e engajamento com a cultura, Mangani é também um dos destaques comentados aqui.

Só que não poderíamos começar a falar do rap mineiro sem citar o MC Renegado, que já apareceu no blog em outras oportunidades. O rapper teve o clipe do som “Santo Errado” postado, no entanto vale destacá-lo também pela participação na festa Zoeira Hip Hop e principalmente no projeto de novos talentos do Sesc Pompéia, o Prata da Casa.

*Dicas

Gurila Mangani

A primeira indicação é exatamente Gurila Mangani, que lançou no final de ’09 o CD “Amostra”, cheio de beats influenciados pelos dubs jamaicanos que inspiram o MC. Tive acesso à versão promo, que possui 13 músicas com versões alternativas à versão física e “oficial” de seu disco, que chega às ruas neste começo de 2010. Mangani já apareceu por aqui na seção “Não canso de ouvir” e agora ataca com um trabalho autoral produzido, mixado e masterizado pelo próprio MC no Monkey Dub Studio.

Acompanhe o vídeo com a audição do CD “Amostra” em BH no Festival Verão Arte Contemporânea e aproveite para baixar a versão promo do trabalho gratuitamente. Clique aqui.

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Kdu dos Anjos

O segundo destaque é o promissor Kdu dos Anjos; 18 anos, poeta, compositor e curador do Sarau Coletivoz. A carreira de Kdu teve início em 2004, por meio de apresentações com grupos culturais. Seu som é uma junção de rap, sarau de poesia, soul, funk e uma pitada reggae.

Kdu lançou recentemente um CD em parceira com Douglas Dim, vice-campeão da Liga dos MC’s 2009. O álbum tem cara de EP e traz 4 faixas de cada MC, além de dois sons em parceria. O jovem poeta se dedica a seu primeiro trabalho solo com previsão para 2010, após ter se destacado com o clipe do som “Contos de Fadas” (produzido por Gurila Mangani), que foi gravado pelo projeto “Vozes do Morro”, do Governo de Minas Gerais.

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Rima Sambada

Pra fechar, a terceira dica é de um quarteto que atualmente deu uma parada nos trabalhos, mas possui uma carreira de responsa: o Rima Sambada. O som do grupo destaca a percussão para dar um toque pessoal (e por quê não tribal) aos beats, sem contar com o trato fino no discurso. Formado pelos MC’s Glênio, Vuks e PDR (que também é beatmaker), além de Heron Zanadreis (Percussão), o grupo apresenta uma fusão de rap, música brasileira e cristianismo, sem pregar de forma exaltada.

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Vale ainda o registro de algumas menções honrosas pra ficarmos de olho:
Simpsom, Castilho, Matéria-Prima, Julgamento, Cubanito, Vuks (Rima Sambada) e Destro.

Achou que fomos injustos e não citamos algum grupo ou MC/DJ que não poderia ter ficado de fora desse post? Comente ou mande pra gente o material no perrasblog@gmail.com