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Per Raps prestes a completar dois anos

“Mais um ano se passou…” – por Eduardo Ribas

Há mais ou menos um ano, eu escrevia o post sobre o primeiro aniversário do Per Raps. Como num piscar de olhos, cá estamos nós, no segundo ano. Per Raps II, a missão! Foi exatamente no dia 11 de setembro de 2008 que se iniciavam as atividades aqui.

Tudo começou de forma meio amadora na arte de blogar, mas sempre visando o profissionalismo no ato de reportar a cena rap paulistana. Não entramos nessa para fazer amigos, e sim mostrar o que acontecia na cena do jeito mais profissional possível. Alguns gostaram, outros não. Mas ainda assim, muitos apoiaram, fato que colaborou muito para a relevância atingida pelo trabalho do Per Raps.

Esse ano II serviu para conhecermos melhor a ferramenta “blog” – já que blogueira de verdade na equipe, só a Carol Patrocinio -, conhecemos mais o trabalho de pessoas que estavam próximas (em São Paulo e Rio de Janeiro), assim como conhecemos mais trabalhos de pessoas que estavam um pouco mais distantes.

Além disso, o leque de assuntos que tratamos aqui também expandiu; se antes o espaço era focado apenas em iniciativas que nos saltavam aos olhos, abrimos espaço para perfis que também mereciam sua divulgação e seu espaço. Outro ponto que gerou críticas, “pô, preferia o Per Raps como era antes”. Mas se o flow de um MC ou o estilo de fazer uma batida por um beatmaker podem mudar, por que nós não podemos?

De trabalhos interessantes, elaboramos a polêmica “Linha do Tempo do Rap Nacional”, que gerou muitos comentários de amor e ódio, a cobertura do último Indie Hip Hop, que trouxe o rapper e ator, Mos Def, além de textos reflexivos, dicas de documentários, posts especiais sobre as novidades sonoras de 2009 e nosso primeiro especial, que foi dedicado totalmente às mulheres.

Outros dois momentos importantes foram o final decretado do Indie Hip Hop, após 10 anos de uma bem sucedida caminhada, assim como a luta pela volta à grade da TV Cultura do programa Manos e Minas. Essa ação foi particularmente emocionante, já que partiu de uma situação complicada, que muitos descreditaram a possibilidade de mudança, e que se reverteu.

E essa virada só pode acontecer pela luta e engajamento online de cada pessoa, cada site, blog, twitteiro, pessoas soltando o verbo no facebook e, consequentemente, a materialização do protesto, que saiu da web e chegou às ruas. Isso apenas provou o quão importante é a internet hoje e como podemos fazer a diferença, se soubermos o que estamos fazendo e tendo conhecimento dessa potente ferramenta.

Tivemos a chance de realizar algumas entrevistas internacionais, entre elas com o duo Prefuse 73, com quem conversamos pessoalmente na CCJ, em um papo descontraído, que só terminou porque o show tinha que começar. E também Amanda Diva, rapper, atriz, radialista e pintora, que demorou de acontecer, exigiu uma troca intensa de e-mails, mas acabou acontecendo. Reportamos duas perdas, a da guerreira Dina Di, curiosamente no mês da mulher, e o saudoso “arquiteto” Guru, do Gangstarr.

No entanto, não só de passado vivemos. Ao contrário do que aconteceu em nosso primeiro ano de vida, quando as celebrações iniciaram dia 11 de setembro, data oficial de aniversário do Per Raps, dessa vez iniciamos no começo do mês! Traremos posts especiais com conteúdo de primeira, exclusivamente para você! Também vão rolar outras novidades, que serão informadas com o passar do tempo. Por enquanto, se liga no que está por vir… Novo Per Raps (clique e acompanhe!).

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Presente: mixtape by Sono

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Qual a ligação do rap com o skinhead?

Como a gente tinha falado, esse mês vão rolar várias coisas novas e legais aqui no Per Raps. Uma delas é que alguns amigos do blog foram convidados para fazer uma mixtape especial e o primeiro trampo que você vai escutar é o feito pelo Sono, fundador do blog You & Me on a Jamboree, especializado em ska, rocksteady e early reggae, um dos seletores da Jurassic Sound System e que também escreve para o 2Deep, na MTV.

01* Joe Gibbs All Stars – Hijacked (Amalgamated 1970)
02* The Dynamites – Dulcimenia (Clandisc 1969)
03* Count Matchuki – Movements (The Joe Gibbs Way) (Amalgamated 1970)
04* GG All Stars – Barbabus (Blank)
05* Desmond Reily – Out Your Fire (Downtown 1970)
06* The Young Souls – Man A Wail (Amalgamated 1969)
07* Tony Scott – What Am I To Do (Escort 1969)
08* The Charmers – What Should I Do (Blank)
09* Prince Buster – Kiss You Again (Blank)
10* Audrey – You’ll Lose a Good Thing (Downtown 1969)
11* Lloyd & Glen – Girl You’re Cold (Blank)
12* Anthony Ellis – I’m The Ruler (Studio 1 1970)

Enquanto você escuta as músicas que ele escolheu, leia o texto que o Sono escreveu para acompanhar o som!

“É minha primeira mix aqui no Per Raps e já vou logo apelando para as raridades retiradas diretamente do vinil, mix repleta de Skinhead reggae/Early reagge que foram escolhidas baseadas pelo meu gosto musical. Esses gêneros, junto com o ska, são a raíz da musica jamaicana, diferente do ROOTS que o pessoal aqui do Brasil costuma a gostar… hoje vocês vão conferir a verdadeira raíz da música jamaicana.

Agora vocês me perguntam, o por que do nome skinhead reggae? A Jamaica era colônia da Inglaterra e, em 1962, conquistou a independência. Acontece que, nos anos seguintes, os jamaicanos perceberam que aquilo não iria mudar em nada a vida deles e a Jamaica continuaria a ser um país pobre. Então eles começaram a emigrar para a Inglaterra e, dentre esses imigrantes, estavam os Rude Boys.

Rude Boys eram os barras-pesadas da Jamaica, os ladrões e briguentos. Eles eram fãs de filmes de máfia e se vestiam igual aos mafiosos (ternos alinhados e mais justos). Esse era o grande público de reggae da Jamaica nessa época. Os Mods, por sua vez, eram garotos ingleses que existiam no final dos anos 50 e que curtiam música negra norte-americana, como jazz, soul e rhytmn and blues. Foi questão de tempo pra esses dois grupos perceberam muitas afinidades e daí nascer a cultura Skinhead.

A cultura Skinhead, em seu começo, nada tinha a ver com racismo ou qualquer forma discriminatória, mas sim com o amar a música jamaicana, dançar mais do que todo mundo e ter uma forma peculiar de se vestir.

E o que tudo isso tem a ver com música? Essa é, para muita gente, a melhor época do Reggae. Durante esses anos, músicos jamaicanos faziam música comercial pra agradar o seu novo público inglês, os tais Skinheads, e justamente por isso, passou-se a se chamar muito tempo depois de Skinhead Reggae.

Os temas Skinhead Reggae/Early Reggae geralmente tratava de fatos do cotidiano, como sexo, tretas, violência, vandalismo e até por temas incomuns. É comum também o uso do orgão Hammond em diversas faixas dessa época, que é tão importante quanto os vocais, vide as faixas de reggae instrumental que separei nessa mix. Então vamos comentar algumas faixas que são importantes para o reggae e para música em geral.

A primeira faixa se trata de uma produção do engenheiro eletrônico Joe Gibbs, que também é o fundador da label Amalgamated (selecionei diversos compactos dessa label na mix), que lançou diversos sucessos obscuros no final da década de 60. Joe Gibbs passou um tempo nos Estados Unidos como eletricista, voltou a Jamaica e em sua loja que consertava TV’s começou a vender discos. Com o grande crescimento da cena musical, Gibbs começou a gravar no fundo de sua loja alguns artistas com a ajuda de Lee Perry (que na época não era mais sócio de ‘Coxsone Dodd’) e foi ai que o selo Amalgamated nasceu.

A terceira faixa é a do mestre Count Matchuki, o primeiro deejay jamaicano e é de extrema importância para a música mundial. Influenciou nomes como King Stitt, U Roy, Dennis Alcapone, Prince Far I, Dilling, Lone Ranger e outros grandes Deejays da ilha. Foi ele quem criou o ‘Reggae Scorcher’ que influenciou na criação de outros estilos musicais, como o Dancehall, o ragga e até mesmo o rap.

Começou repetindo chamadas para festas nas introduções das músicas e percebeu que as pessoas gostavam de um ‘mestre de cerimonias’, não feliz em só repetir as mesmas coisas, Machuki começou a compor suas próprias falas, assim ganhando muitos admiradores. Foi ele quem começou também os chamados “peps”, o famoso som vocal repetido diversas vezes acompanhando a batida da música, muito popular no Ska. A pronuncia mais próxima seria algo como ‘chika-a-took-chika-a-took-chika-a-took’, bem notável na música selecionada nessa mix.

Os “peps” criados por Count Matchuki são as raízes do que nós conhecemos hoje como beat box. Count Matchuki era preciso com suas frases, não as despejava como os outros deejays. U-Roy um dia disse: “Count Matchuki é perfeito, é fácil fazer faixas de scorcher com milhares de frases, díficil é ter a precisão de Matchuki”.

Então muito respeito para Count Matchuki, sem ele, o rap não seria o mesmo.”