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Manos e Minas: protesto ganha as ruas

Pelas palavras do presidente da TV Cultura, João Sayad, o Manos e Minas acabou, no entanto, a repercussão do ocorrido e as ações em prol do programa, seguem a pleno vapor. Em São Paulo, duas grandes mobilizações: uma audiência pública e um show no Studio SP.

A audiência partiu de uma conversa realizada em um protesto ocorrido no Sarau da Cooperifa, no último dia 11, e foi marcada no auditório Franco Montoro, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, nesta terça-feira (24), às 19h. Estarão presentes diversos nomes ligados à cultura hip hop, que deverão questionar as mudanças que estão programadas para o canal Cultura. Serão recolhidas também assinaturas para o abaixo-assinado em favor do Manos e Minas.

Já na quinta-feira (26), Kamau, Emicida, Max BO e Funk Buia sobem ao palco do Studio SP junto do Instituto, na festa Seleta Coletiva, contra o fim do único programa dedicado exclusivamente à cultura de rua no Estado mais rico do Brasil. Além do protesto, a boa música marca presença, assim como um dia esteve presente no palco do teatro Franco Zampari, onde o programa era gravado. Para o organizador da festa, Daniel Ganjaman, o fato é uma “perda irreparável”.


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Outro grande nome da cultura hip hop que manifestou seu apoio à causa foi Mano Brown, que apontou o lado político da escolha pela retirada de Manos e Minas da programação da TV Cultura. Para o Brown, há condições de se conseguir um espaço ainda melhor, e que esse pode ser um ciclo que recomeça, agora mais articulado e experiente. “Tudo que é bom, recomeça”, aponta no video.

Ainda na semana passada (14), a Sintonia Crew, formada majoritariamente por jovens, realizou uma batalha de freestyle com o tema #salveomanoseminas, em Ipatinga (MG). O resultado da connversa sobre o tema e os improvisos foram registrados em vídeo.

Na grande mídia o destaque fica para a coluna de Maria Rita Kehl no jornal O Estado de S. Paulo deste sábado (21). A crítica, muito bem fundamentada, questiona o motivo de João Sayad ter aceitado o cargo de presidente da TV Cultura, “um empreendimento que ele não conhece, não parece interessado em conhecer e, acima de tudo, evidentemente não gosta”. Dentre outros questionamentos, o programa Manos e Minas é tido como exemplo.

Escolho, para terminar, o triste exemplo de um programa que já foi extinto pela atual direção: Manos e Minas. Um corajoso programa de auditório dedicado ao hip hop (…). Manos e Minas não precisa de argumentos de segurança pública para se justificar. Dar espaço ao rap na televisão é importante por si só. Mas a decisão de acabar com o programa nos faz refletir sobre o modo como a elite paulista concebe a inclusão simbólica da periferia na produção cultural da cidade: não concebe. Daí que a pobreza, aqui, seja um problema exclusivo de segurança pública. A extinção de Manos e Minas lembra, não pelo conteúdo, mas pelo princípio operante, as desastradas políticas de “limpeza” da cracolândia. Quem mais, senão uma TV pública, poderia investir na visibilidade dos artistas da periferia?

E assim como Maria Rita Kehl, perguntamos: Quem mais, senão uma TV pública, poderia investir na visibilidade dos artistas da periferia?

Leia também Manos e Minas: a luta continua
Leia também Manos e Minas deixa a grade da TV Cultura

Audiência Pública em prol do Manos e Minas
Quando? Terça-feira, 24
Onde? Avenida Pedro Álvares Cabral, 51 – São Paulo/SP
Auditório Franco Montoro, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo [Clique para ver mapa] A sessão é aberta ao público
A partir das 19h.

Seleta Coletiva contra o fim do Manos e Minas
Quando? Quinta-feira, 26
Onde? Studio SP – Rua Augusta, 591 – São Paulo/SP
Quanto? $25 na porta/$15 na lista [www.studiosp.org]
A partir das 01h.

Tradução: Fuck you, de Cee Lo Green

cee-lo green

“Dor de cotovelo musical” – por Carol Patrocinio

Inspirados pelo teaser do clipe do novo som do Cee Lo Green, resolvemos colocar aqui a letra da música traduzida, assim como o Boombap-Rap, do Felipe Schmidt, faz com magestria. Sabe o que você deve dizer a uma garota quando ela não se interessa por você, mas pela sua grana?

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Eu disse,
“se eu fosse mais rico, eu ainda estaria contigo”
Rááá, isso não é uma merda?
(não é uma merda?)
E apesar dessa dor no meu peito
Eu continuo te desejando o melhor com um
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo

Yeah, me desculpe, eu não posso bancar uma Ferrari,
Mas isso não quer dizer que eu não te faça chegar lá.
Eu acho que ele é um xbox e eu sou tipo um atari,
Mas o jeito que você joga não é justo.

Eu banquei o babaca
Que se apaixonou por você
(ah merda ela é uma golpista)
Bom
(apenas achei que você devia saber mano)
Ooooooh
Eu tenho novidades pra você
Yeah, vá correndo contar ao seu namorado

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Agora eu sei que me endividar
Implorar e roubar e mentir e trair
Tentando ficar com você, tentando te agradar
Porque estar apaixonado por você não é barato

Eu banquei o babaca
Que se apaixonou por você
(ah merda ela é uma golpista)
Bom
(apenas achei que você devia saber mano)
Ooooooh
Eu tenho novidades pra você
Ooh, eu realmente te odeio agora

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Então baby, baby, baby,
Por que você quis me machucar tanto?
(tanto, tanto, tanto)
Eu tentei conversar com a minha mãe mas ela me disse
“isso é com seu pai”
(seu pai, seu pai, seu pai)
Uh! Por queêêêê? Uh! Por queêêêê? Uh!
Por queêêêê menina?
Oh!
Eu te amo!
Eu ainda te amo
Oooh!

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Todo mundo diz foda-se, mas esse foi o ‘fuck you’ mais classudo dos últimos tempos, não foi?

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Fotos da golden era do rap por Janette Beckman

Janette Beckman

Sparky D / Slick Rick / Jam Master Jay e seu filho

“Uma insider da Golden Era” – por Carol Patrocinio

Você já ouviu falar de Janette Beckman? Ela é a fotógrafa que acompanhou os maiores nomes do hip hop entre 1982 e 1990, bem a era de ouro da cena. Pode começar a pagar um pau pra essa mulher, ela esteve em contato com todos os monstros que você chama de ídolos!

Nascida em Londres, Janette cresceu curtindo dos artistas da Tamla Motown aos Rolling Stones e mergulhou de cabeça nas cenas alternativas inglesa e americana quando passou a fotografar. Além dos mestres do rap, a fotógrafa esteve com as bandas The Clash, The Specials, Police e Paul Weller. Quando mudou para Nova York se tornou a pessoa responsável por registrar a cena hip hop – Afrika Bambaata, Run DMC, Salt’ n ‘Pepa e Grandmaster Flash foram alguns de seus personagens.

Daí pra frente, a carreira da fotógrafa só cresceu e ela passou a fotografar para as revistas Esquire, Rolling Stone, People, Interview, London Sunday, Times Magazine, Observer Magazine e para empresas como a lendária marca de botas Doc Marten, os tênis Converse, Warner Brothers, Universal

Para registrar todos esses momentos de sua vida, Janette lançou alguns livros, dois deles são dedicados ao rap. Em “The Breaks: Stylin’ and Profilin'”, ela retrata, em imagens, a cena hip hop de 82 a 90 e em “Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers”, textos e imagens se complementam para contar a história de uma geração que revolucionou a música.

Janette Beckman

Eric B. e Rakim / Run DMC e sua banca

Janette Beckman

Um dos Jungle Brothers / Big Daddy Kane

Janette Beckman

Flava Flav / LL Cool J

Janette Beckman

EPMD Babylon Long Island / Stetsasonic

The Breaks Stylin' and Profilin' 1982-1990The Breaks: Stylin’ and Profilin’
Fotos de Janette Beckman e texto de Bill Adler & Tom Terrell
Editora: The Power House Arena
Capa dura | 24.13 x 25.40 cm | 144 páginas | 150 fotos
US$ 35

Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers“Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers”
Fotos de Janette Beckman e texto de Bill Adler
Editora: St. Martin’s Griffin
21.59 x 27.30 cm, 106 páginas
US$ 13,95


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Segundo semestre recheado de shows internacionais

“Declarando falência por motivos culturais” – por E. Ribas

O segundo semestre de 2010 está repleto de apresentações internacionais no Brasil. Nomes como Erykah Badu, Lauryn Hill, Rage Against the Machine, Cypress Hill, Jamiroquai Anti-Pop Consortium estão entre aqueles que farão show por aqui. Variando do rap até o funk e o soul, esses nomes prometem causar boa impressão.

O grande problema dessa leva de shows é o valor, que na maioria dos casos é bem salgado. No entanto, vale a pena economizar um pouco na balada (ou seja no que for) para curtir ao menos um desses. O Per Raps aproveitou para destacar alguns desses shows e mostrar quais nós indicamos, mostrando o que de melhor você poderá encontrar em cada um deles.

Há boatos que Jay-Z também virá para o Festival SWU, mas ainda não houve confirmação oficial.

Anti-Pop Consortium

Anti-pop Consortium

Pela primeira vez no Brasil, o quarteto nova-iorquino Anti-Pop Consortium traz as novidades de seu último álbum, o elogiado “Fluorescent Black” (2009). Conhecidos por seu quê visionário, o grupo é considerado à frente de seu tempo e de tudo que o mundo conhece como hip hop. Formado em 1997 por Beans, High Priest, M. Sayyid e o produtor Earl Blaize, o Anti-Pop ficou parado por quase sete anos, mas mostra que ainda tem muito o que mostrar ao público.

Se sua ideia é fugir do convencional, então vale a pena ir ao show para conhecer uma forma diferente de se pensar o hip hop hoje em dia. Mas não se espante com as bases eletrônicas, os broken beats, o barulho e a interferência que você ouvirá, afinal esse é para muitos o grande trunfo do Anti-Pop Consortium. Completando a programação do SubRapCombo, M.Takara junto de R. Brandão (Mamelo Sound System) e Afasia (Carlos Issa e Akin).

Erykah Badu

Erykah BaduPara mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Sua primeira apresentação por aqui já faz tempo, rolou no finado Free Jazz Festival há 13 anos. Quem foi diz ter sido um dos melhores shows vistos em terra brasilis. E não tenha duvidas disso! Erykah não é do tipo que produz hits fonográficos, apesar de vez ou outra aparecer nas paradas e ter seus videoclipes presentes na programação de canais dedicados à música (no Brasil, nem tanto).

Por incrível que pareça, o ponto forte dessa apresentação não deverá ser seus álbuns anteriores – Baduizm (1997), Mama’s Gun (2000), Worldwide Underground (2003), New Amerykah Part One (4th World War) (2008) -, e sim seu mais novo lançamento, New Amerykah Part Two (Return of the Ankh) (2010), um dos álbuns mais românticos e bem dosados (com beats mais orgânicos) da cantora, sendo também muito bem recebidos pela crítica.

Apenas o time da produção do disco já garantiria o sucesso, contando com pedradas do novato James Poyser, além do saudoso J-Dilla, Questlove (The Roots), Madlib e 9th Wonder. Sobre o que esperar do show? Tom intimista e soul hipnótico da melhor qualidade.

Lauryn Hill

Lauryn Hill

Conhecida por ser MC e cantora de um dos grupos mais celebrados do rap, o Fugees, Miss Hill sobe aos palcos brasileiros pela segunda vez. No entanto, desde a última vez não houve muita novidade da norte-americana, musicalmente falando. Depois de começar sua carreira solo com o bombástico The Miseducation Of Lauryn Hill (1998), a MC teve problemas com sua gravadora e viu sua produção musical decair.

Na primeira passagem de Lauryn por São Paulo (2007), o som, que parecia ter uma potência muito maior do que a casa comportava (Credicard Hall), deixou muitos fãs com um zumbido nos ouvidos por alguns dias (!). Isso comprometeu todo o show. Para piorar, Miss Hill não parecia estar no auge de sua empolgação.

Para esse novo show, Lauryn traz um único lançamento desde sua coletânea “Ms. Hill” (2002), a música “Repercussion”. Já é um sinal de retomada, mesmo o som sendo uma peça única. No mais, sempre vale a pena relembrar ótimas músicas como “Doo Wop“,“Everything Is Everything” e “Ex Factor“.

Rage Against The Machine

Rage Against The Machine por Tobin Voggesser

Se você tem ao menos 20 e poucos anos pode curtir um pouco da fúria das letras de Zach de La Rocha, juntas dos riffs distorcidamente impressionantes de Tom Morello em sua adolescência. Há quem curta rap e torça o nariz para Rage Against the Machine, no entanto o conteúdo das rimas de Zach desintegra muito discurso de rappers wannabe por ai. Sem contar com a musicalidade do grupo, que não se contenta com o destaque vocal e “guitarrístico”, mas traz o ótimo baixista Tim Commerford e baterista que maltrata as baquetas (positivamente falando, claro), Brad Wilk.

O RATM terminou no início dos anos 2000, após a saída de Zach de La Rocha, no entanto os integrantes remanescentes embarcaram junto do vocalista Chris Cornell (ex-Soundgarden) no projeto “Audioslave“. O grupo foi bem e rendeu boas músicas, mas para a felicidade dos fãs, Zach retornou em 2007 e vários shows foram marcados pelo mundo inteiro para celebrar a nostalgia.

Nada novo deverá ser apresentado, mas levando em conta que é a PRIMEIRA apresentação do grupo por essas bandas, vale a pena apertar o cinto e pagar R$ 190 (uooow!) para vê-los.

Anti-pop Consortium no SubRapCombo 2010
Quando?
28 de agosto (sábado), às 21h
Onde? Choperia do SESC Pompéia
Quanto? R$ 20,00 [inteira], R$ 10,00 [carteirinha, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante] e R$ 5,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos
O Anti-pop Consortium também se apresenta no SESC São Carlos (27/08) e no SESC Ribeirão Preto (25/08).

Erykah Badu em São Paulo
Quando? 29 de agosto, a partir das 20h
Onde? Credicard Hall – Av. das Nações Unidas, 17.955
Quanto? entre R$ 100 e R$ 400, com direito à meia-entrada
Informações: http://www.credicardhall.com.br / (11) 4003-6464

Lauryn Hill em São Paulo
Quando? 7 setembro de 2010, às 21h30
Onde? Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17.955 – Santo Amaro)
Quanto? de R$ 100 a R$ 250. Podem ser adquiridos pela internet (www.ticketsforfun.com.br)
Informações: http://www.credicardhall.com.br e (11) 4003-6464
A cantora se apresenta em Florianópolis no dia 3 de setembro no Stage Music Park, no dia 6 no Citibank Hall no Rio de Janeiro e termina sua passagem pelo Brasil com um show em Brasília, na Prainha da ASBAC, dia 12.

Rage Against the Machine no SWU Music and Arts
Quando? 9 de outubro de 2010
Onde? Fazenda Maeda (Rodovia SP 75 Santos Dumont, Km 18 Sul, em frente a balança, sentido Itu/Sorocaba.)
Quanto? de R$95 a R$560 [Ponto de venda: Ginásio do Ibirapuera (Rua Manoel da Nóbrega, 1361, Paraíso, São Paulo) ou http://www.ingressorapido.com.br]
Informações: http://www.swu.com.br

O que achou dos shows? E dos preços? Vai em alguma apresentação? Comente!

Entrevista: Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz

Lívia Cruz por Stephanie Sidon, Pathy Dejesus (divulgação) e Lurdez da Luz (divulgação)

“Muito além do ser mulher” – por Carol Patrocinio

Quando as pessoas pensam em rap já imaginam um homem, de preferência negro, com roupas largas, cara de mau, muita marra e um microfone na mão. Ei, mundo real, chamando! Rap é música, expressa sentimentos, vivências, histórias. E isso todo mundo tem: branco, preto, amarelo, homem, mulher, religioso ou ateu. E é aí que entram as personagens do texto de hoje, três mulheres que ganharam espaço e notoriedade num mundo que – queriam que elas acreditassem – não tinha espaço pra elas. O mundo estava enganado!

Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz. Mulheres. Bonitas. Femininas. Elas são feitas de sorrisos, olhos, unhas. E como as mulheres de outras cenas, querem estar bonitas, gostam de como são, não querem mudar para agradar e acreditam que o talento fala mais alto do que qualquer coisa.

Preconceito? Existe. Por ser mulher, por ser bonita, por ser branca ou por ser negra. Desafios? Estão aí para serem deixados pra trás e lembrados como vitórias. Qualidade? Tem de sobra. Essas mulheres provam que o que importa é fazer com o coração e aí o respeito vem, quando menos se espera.

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Per Raps: Pra você, como o preconceito é demonstrado no rap?

pathy dejesusMeu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher”

Lurdez da Luz: Acho que o rap brasileiro está mais consciente nesse sentido do que o norte-americano de um modo geral, no que diz respeito as músicas misógenas é mais tranquilo. Acho que o machismo está tão arraigado que nem sei onde começa e onde termina e num é privilegio do rap não, em toda sociedade e nichos musicais rola só que de diferentes formas. Vide o número de instrumentistas mulheres em qualquer show de música, seja lá de que estilo for, sempre muito menor que o de homens.

Infelizmente ainda rola esse lance de muitas mulheres não se sentirem representadas por outras que estão no palco, que é reflexo de uma cultura machista, de de repente achar que você tá ali pra “aparecer” ou por causa dos caras, ignorando toda a dificuldade que é fazer arte, ainda mais rap. Mas comigo, pessoalmente, não é só o fato de ser mulher, tem o lance da pele clara, me vestir de um jeito estranho, ter um discurso talvez não muito simples de interpretar e desde do começo num ficar me explicando, deixar as pessoas livres pra pensarem o que quiser ao meu respeito.

Pathy Dejesus: Gosto de ver as coisas sempre por um ângulo mais positivo. Falta muito ainda, mas já foi bem pior… Ainda somos uma minoria dentro desse processo. Ainda existem as letras que inferiorizam, ridicularizam, menosprezam e ofendem mulheres (o que aliás já é bem batido, né?). Ainda tem homem que torce o nariz quando vê uma mulher no mic, nos toca-discos, dançando, grafitando. Mas o mundo é isso! Preconceito não é exclusivo do rap. Ele só é reflexo (talvez em maior intensidade) de uma sociedade preconceituosa (lê-se machista também). Ele está aí e não pode servir de empecilho pra quem realmente quer fazer parte.

Existem várias mulheres que quebraram e estão quebrando esse paradigma. Desde seu início, lá nos EUA entre os anos 70 e 80, a cultura é uma coisa “pra homens” e raríssimas mulheres conseguiram invadir esse espaço. As que conseguiram eram todas excepcionais (Roxanne, Salt n’ Pepa, Queen Latifah, MC Lyte, dentre várias) e fizeram a diferença! Se hoje parece difícil, imagina há três décadas. Se essas pioneiras não tivessem insistido, batido de frente pra demonstrar seu talento e sua paixão pelo hip hop, dificilmente estaríamos conversando agora.

Aqui no Brasil não é diferente… o hip hop entrou na minha vida em 94. Lembro da Rúbia, da Dina Di, da Rose MC, depois Negra Li. Tente pesar a determinação dessas mulheres naquela época… Quando fiz 13 anos, meu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher. E mais duas vezes porque é negra. De onde venho as coisas nunca foram fáceis. Graças a Deus, cresci num ambiente onde ao invés de só lamentar e apontar culpados pela situação desvantajosa, batemos de frente e não desistimos tão facilmente dos nossos sonhos.

Lívia Cruz: O preconceito contra as mulheres? Eu já disse isso várias vezes, o preconceito e discriminação contra as mulheres no rap não é diferente do que a gente vê na sociedade em geral, as manifestações tão aí a toda hora, vão das cantadas e dos barulhos obscenos que a gente é obrigada a escutar quando está simplesmente passando na rua, até uma atitude mais extrema de violência física e psicológica. Esse assunto é sério e delicado, acho que a educação, como em quase, tudo é a chave, e a música, sem dúvida, tem grande papel de formação.

Per Raps: O que significa fazer um rap feminino atualmente?


Parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher”

Lurdez da Luz: Atualmente já está tudo um pouco mais fácil pra todo mundo, existe uma evolução em relação a acesso a tecnologia, a informação e o fluxo de dinheiro dentro da cultura aumentou (ainda é pouco), o respeito fora do rap aumentou também. Eu comecei a fazer isso em 1999, só existia a Dina Di, que era uma rapper cabulosa mas que eu num me identificava e a Rose MC e Lady Rap, que num tinham muitas faixas gravadas pra gente ter algum ponto de partida. Eu curtia muito o estilo da SharyLaine, mas que já num lançava nada há anos… Enfim tive que inventar um jeito de fazer minhas rimas e levadas.

Lembro que mostrei meu primeiro rap pra Cris do SNJ, que também é minha contemporânea, e ela falou: “legal esse tipo de som, parece um pouco rap até”, eu ri e percebi que tava com uma parada que ia demorar pra ser compreendida. Pra mim o importante é ter em mente a expressão artística e as posições politicas, sempre em prol da evolução pessoal assim como da cultura e não “ser alguém dentro do rap”, parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher.

Pathy Dejesus: Existe fazer um rap feminino? Dá separar a arte e subclassificar? Não acredito nisso. Odeio rótulos. Existe talento ou não. Existe paixão ou não. Existe rap bom e rap ruim. E isso independe do sexo de quem está fazendo.

Lívia Cruz: Pra mim, no meu rap, significa mostrar o ponto de vista genuíno da mulher, eu gosto de contar historias e ainda acho que a gente se pauta muito no que os homens do rap vão pensar das nossas letras, das nossas atitudes, e isso torna os nossos relatos muito tímidos… Quero ver isso mudar, e tô fazendo minha parte pra essa mudança.

Per Raps: Beleza ajuda ou atrapalha? Como?

Muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda”

Lurdez da Luz: Acho que ajuda a abrir portas mas talvez até atrapalhe em ter credibilidade. Como disse sobre posições políticas na resposta acima, num é só saber em quem vai votar, o porquê é bem mais amplo, como por exemplo não acreditar em padrões de beleza impostos, tipo a magra, alta, de olho azul ou até mesmo a “rainha de ébano”, claro que deve ser uma benção de deus ser lindo, mas ficar impondo isso que nem a Rede Globo num deveria ser papel do rap.

Pathy Dejesus: Acho que a pergunta correta seria: ser feminina ajuda ou atrapalha? Li uma entrevista da Negra Li (de quem sou fã) uma vez falando sobre isso. Da postura supostamente correta para ser respeitada num ambiente onde ela era minoria… Usar roupa larga, nada de maquiagem, ficar séria o tempo todo pra não chamar a atenção. Pra não lembrarem que se tratava de uma mulher… Imagina a barra!

Por isso digo que as coisas estão evoluindo! E vai de nós, mulheres, nos impor, nos preservar, e sermos levadas a sério. Sou vaidosa e não vou mudar minha personalidade pra fazer o que amo. Aliás, isso não faz o menor sentido, né?! Acho lindo quando vejo Lívia [Cruz], Lurdes [da Luz], Nathy [MC], Flora [Matos], as DJs do Applebum… Todas maravilhosas, nenhuma abre mão do seu estilo pra rimar, pra discotecar. O respeito não é imposto. É conquistado!

Lívia Cruz: Por incrível que pareça, acho que atrapalha mais do ajuda. Existe um preconceito de que mulher bonita não é inteligente, muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda, e é divertido também, surpreender pro bem. A beleza vai muito além da estética, eu gosto de quem sou, não quero mudar pra agradar ninguém, e isso transparece nas minhas músicas e na minha conduta, algumas pessoas se incomodam, mas paciência… Bonito mesmo é ser feliz!

Per Raps: Hoje você é respeitada na cena por seu trabalho, independentemente do seu sexo, o que você acha que fez com que isso acontecesse?

pathy dejesus Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma”

Lurdez da Luz: Em primeiro lugar fico honradíssima, dinheiro é bom e todo mundo precisa, mas respeito pra mim vale ouro. Acho que foi resistir em primeiro lugar, se mantar fiel ao que se é e não balançar em relação ao que ” tá pegando no momento”. Foco no som e amor por esse tipo de música em especial mais do que por qualquer outra.

Pathy Dejesus: Repito que venho de uma criação (obrigado Pai e Mãe) onde sempre me lembraram quem eu sou, de onde vim e de como as coisas seriam mais difíceis por isso. Mas essa situação de “desvantagem” sempre me foi mostrada de uma forma que eu tivesse vontade de bater de frente pra conquistar meus objetivos.

Sempre fui “minoria”. Mulher negra é minoria duas vezes. Sempre tive que batalhar dobrado pra ter reconhecimento. E sinceramente, gosto disso! Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Receber um inicial “não” como resposta sempre me motivou a melhorar, buscar mais conhecimento, me preparar cada vez mais. Tem horas que realmente dá vontade de desistir… Mas minha maior rival não me pouparia, não me perdoaria. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma. Acho que vem daí o respeito no meu trabalho. E na vida!

Lívia Cruz: Esse respeito veio naturalmente por um conjunto de coisas, meu trabalho vem em primeiro e com ele o desejo de fazer virar, acreditar, ousar, perseverar, e por consequência algumas pessoas no meu caminho me ajudaram muito, sem essas pessoas, provavelmente, eu estaria bem mais longe do ponto que me encontro agora.

Time do Loko apresenta Lurdez da Luz, Lívia Cruz e Pathy de Jesus
Quando? Sábado, (14), às 00h
Onde? Hole Club (R Augusta, 2203 – Jardins/SP)
Quanto? R$15 (H) e R$10 (M)

Mais?
Novidades de 09′: Lívia Cruz
Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho

Manos e Minas: a luta continua

Na semana passada, especificamente na quinta-feira (5), foi anunciada a saída do programa Manos e Minas da programação da TV Cultura. No entanto, uma grande movimentação partiu da internet às ruas pedindo a volta de um dos únicos programas dedicados ao hip-hop no quinto maior país do mundo em extensão territorial, com mais de 190 milhões de habitantes e composto por 26 estados e um distrito federal. Mas isso tudo você já sabe.

Além do protesto no microblog Twitter, que fez o termo #salveomanoseminas permanecer entre os tópicos mais citados na tarde da quinta, foram colhidas assinaturas de pessoas contrárias a ordem de João Sayad, atual presidente da TV Cultura, na festa de aniversário da Rinha dos MC’s.

Voltando à internet, vídeos começaram a “pipocar” com falas de pessoas representativas no rap e na cultura de forma geral, como KL Jay, Edy Rock, Gilberto Dimenstein, Pedro Alex Sanches, Ganjaman, Criolo Doido e Ale Youssef, que apresentaram sua insatisfação e argumentaram sobre a importância da manutenção do Manos e Minas na TV aberta.

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Outra figura importante que “comprou” a briga foi o senador Eduardo Suplicy, que recebeu uma carta enviada por representantes do hip-hop a ser encaminhada para João Sayad. Suplicy inclusive chegou a realizar a leitura da carta no Senado, alertando a movimentação preocupante de um canal que leva a cultura em seu nome.

Em texto publicado pela agência AdNews nesta quarta (11), João Sayad mostrou sinais de contradição: “A grande questão aqui é que eu não represento o meu gosto, eu represento o que o público quer”. No entanto, suas ações mostram o contrário. Sua resposta padrão para o fim do Manos e Minas é que o novo programa de música da TV Cultura também trará o rap como um do gêneros representados.

Ainda assim, as movimentações em prol do programa continuam acontecendo. Mande seu vídeo, sua manifestação de apoio ou o serviço da sua festa em prol da volta do programa Manos e Minas à TV Cultura nos comentários do post e a gente ajuda a divulgar.

* Na noite desta quarta-feira (11), o Sarau da Cooperifa teve uma edição especial de protesto ao fim do programa Manos e Minas, nas palavras do idealizador do evento, Sérgio Vaz, “o único [programa] que não mostra as pessoas da quebrada de cabeça baixa, algemadas ou pedindo alguma coisa para apresentador de TV”.

* Em Minas Gerais, mais especificamente na cidade de Ipatinga, a Sintonia Crew realizará uma batalha de freestyle com o tema #salveomanoseminas, no Shopping do Vale, neste sábado (14), às 20h.

*Assine o abaixo assinado do site Rap Nacional em prol do Manos e Minas.

Sobre o Manos e Minas

Manos e Minas surgiu de um desdobramento do quadro “Mano a Mano”, parte do programa Metrópolis da mesma TV Cultura, e era apresentado por Rappin Hood. O formato inicial do programa contava com auditório, DJ Primo nas pick-ups, b-boys e b-girls dançando e grafiteiros convidados para pintar painéis durante a gravação.

O programa teve início em 7 de fevereiro de 2007 e contou com o sambista Jorge Aragão como primeiro convidado. Após a saída de Rappin Hood, assumiram a apresentação Thaíde, e logo depois, o MC Max BO. Manos e Minas trazia a cada edição uma banda/grupo apresentando seu trabalho, além de reportagens e quadros com nomes como Alessandro Buzo, o escritor Ferréz e mais tarde, o rapper Emicida.

Gravado no teatro Franco Zampari, ao lado do metrô Tiradentes, todas as segundas-feiras a partir das 16h, Manos e Minas era televisionado todo sábado às 19h30 na TV Cultura, com reapresentação aos sábados à 1h.

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Resenha: MV Bill, Causa e Efeito

Agressividade e melodia em quarto álbum de estúdio – por Stefanie Gaspar*

“Ocupar vários espaços é o nosso plano de paz”, anuncia MV Bill na faixa O Bonde Não Para, um dos muitos destaques de seu quarto álbum de estúdio, Causa e Efeito. O novo trabalho do rapper é o manifesto cantado de sua ambição: uma revolução social que consiga dissociar periferia e violência e unir os dois mundos por meio da conscientização da comunidade – para ele, rima sem ação é fazer pose em um mundo que não dá espaço para o vacilo.

O mano mais polivalente do hip hop brasileiro não é daqueles que fala mas não faz: MV Bill comanda trabalhos importantes junto à comunidade da Cidade de Deus, já lançou três livros (em parceria com Celso Athayde), Cabeça de Porco, Falcão – Meninos do Tráfico e Falcão – Mulheres e Tráfico e recorre a tudo e a todos para levar os motes e ideiais da periferia para fora do gueto, pregando por circuitos que vão desde o programa do Faustão até a cidade-luxo da Daslu.

O homem que levou a realidade do tráfico, da morte, do tiro e do sangue para o horário nobre da Rede Globo mostrou em Causa e Efeito uma coragem adicional, que já se anunciava desde o DVD Despacho Urbano, de 2009: que suas letras violentas e contundentes precisam se apoiar em uma musicalidade rica e variada para que sua música vá além das palavras.

Seu álbum anterior, Falcão – O Bagulho é Doido, de 2006, já anunciava esse comprometimento com outros gêneros musicais, englobando ritmos como o soul e o samba-rock para seu repertório. Causa e Efeito segue essa mesma intenção, e Bill leva muito a sério a ideia de que o rap não pode se fechar em si mesmo.

E a incorporação de outros gêneros musicais não mudou em nada a violência das letras bruscas, ultra realistas e contundentes do rapper, que pegou pesado nas rimas e não poupou ninguém de sua língua afiada. Em Mulheres, a delicadeza dos arranjos faz o contraponto à violência da história: “Cada mãe sabe a dor que sente, quando vê o filho sendo queimado como indigente”, “ausência do amor com a presença do dinheiro, faz a mãe levar a filha junto pro puteiro. Saliva com sêmem, meninos que gemem, as pernas e as estruturas se tremem”.


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Em Cidadão Refém, Bill rima sobre o ódio entre a relação da periferia com a polícia em um ritmo que chega a lembrar um freestyle, em uma música que conta com a participação especial de Chorão, do Charlie Brown Jr. O músico não acrescentou muito à música, que traz letras repetitivas em relação as demais faixas do álbum.

A música seguinte, Liberte-se, começa com uma surpresa: um trecho da música Fumando Espero, cantada por Dalva de Oliveira. Na letra, o rapper rima com rapidez sobre a fugacidade da vida e a dificuldade de vencer em um universo restrito por regras e injustiça social.

O bom ritmo da canção é um aquecimento para a verdadeira pérola do álbum, Transformação. A música é uma pancada de extrema violência após a suavidade de Liberte-se, e traz uma melodia profundamente triste acompanhada por uma crítica ao mundo do rap: “Ficaram parados no tempo, envaidecidos dividiram o movimento. Veja só o rap, virou o partido da cara feia, com grandes bonés, pequenas ideias, falso reinado, coroa de rei, castelo de areia”. Transformação conta com a ótima participação de Chuck D, MC do Public Enemy, e a produção de KL Jay, dos Racionais, e é uma das faixas mais interessantes da carreira do músico.

Em Sou Eu, MV Bill critica o mundo da música mainstream, comandado pelas mãos poderosas das gravadoras. “Se eu tivesse o dinheiro do Jay-Z, mudaria várias coisas que acontecem por aqui (…) É o dinheiro que manda, todo mundo baba ovo de determinada banda que gravadora lança, que toca até que cansa, e um ano depois ninguém mais traz na lembrança”.

Causa e Efeito é sombrio. Não poupa quem ouve das características mais injustas da vida. Mas MV Bill acredita no poder da transformação e do rap, e na música Corrente deixa bem claro que está rimando porque tem esperanças. “Transformando o gueto com o poder de uma caneta”.

O álbum também traz ótimas participações da irmã do cantor, Kmila CDD (que divide com Bill um dos duetos mais inteligentes, afiados e engraçados de sua discografia, na faixa Estilo Vagabundo II) e Silveira (em Amor Bandido).

Causa e Efeito traz repertório variado e letras explosivas, mas seu verdadeiro trunfo está em seu simbolismo: o álbum é até agora o manifesto mais consistente do discurso de MV Bill de que é possível tirar a periferia do gueto sem declarar guerra.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

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