Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

Últimas

Graffiti: Rafael ‘Se7e’ Barão

“É de menino…” por Carol Patrocinio

Ainda no jardim de infância Rafael Fortuna Barão, 24, se destacava por seus desenhos e ficava entusiasmado em melhorar cada vez mais. Anos depois, Rafael se tornaria Se7e, artista plástico e do graffiti, que começou a carreira, aos sete anos, fazendo pichações pelas ruas do bairro junto de meninos mais velhos. “Nessa época eu já tinha um grupo de pixação chamado DDM – Detonadores de Muros e atuávamos no nosso bairro. Eu era meio que o ‘chaverinho’ da galera, pois todos eram mais velhos do que eu, mas nessa idade eu já dominava a caligrafia das pixações paulistas e isso fez com que fosse aceito por eles!”

Tudo o que está ao redor influência sua arte, tudo o que ele observa, além de outros grafiteiros e artistas, é claro. “Osgemeos têm influenciado muita gente a se tornar grafiteiro, artista ou sei lá. Pra mim, arte não se mede, mas diria que os melhores são aqueles que fazem a cultura evoluir, tipo fazendo eventos, criando novas tendências, mesclando estilos… E disso o Brasil tem aos montes”.

Para acompanhar os desenhos, Rafael de vez em quando leva um mp3 player mas prefere o sons das ruas: “Uma criança entusiasmada com a obra, o elogio de uma senhora, a buzina de uma carro seguida de um sorriso e por ai vai”. Como suas obras dependem de inspiração, é impossível escolher uma hora do dia preferida para desenhar, mas Rafael consegue driblar esse probleminha de vez em quando: “Se quero fazer um trabalho grande, rico em detalhes, prefiro o dia, mas se for pra curtir, protestar ou desestressar um pouco prefiro a noite!”

Rafael é de São Paulo, mas já grafitou em outros lugares. A cidade que mais surpreendeu o artista foi o Rio de Janeiro – “Maior visual, maior paz” -, que rendeu, inclusive, um vídeo em parceria com o fotógrafo e videomaker Guilherme Veiga. Enquanto Rafael mostra a produção de um de seus desenhos, Guilherme captou as imagens e editou com sons de Jay-Z e Beastie Boys. As imagens são de Teresópolis, no Rio de Janeiro.


Mais
Flickr Se7e

Per Raps prestes a completar dois anos

“Mais um ano se passou…” – por Eduardo Ribas

Há mais ou menos um ano, eu escrevia o post sobre o primeiro aniversário do Per Raps. Como num piscar de olhos, cá estamos nós, no segundo ano. Per Raps II, a missão! Foi exatamente no dia 11 de setembro de 2008 que se iniciavam as atividades aqui.

Tudo começou de forma meio amadora na arte de blogar, mas sempre visando o profissionalismo no ato de reportar a cena rap paulistana. Não entramos nessa para fazer amigos, e sim mostrar o que acontecia na cena do jeito mais profissional possível. Alguns gostaram, outros não. Mas ainda assim, muitos apoiaram, fato que colaborou muito para a relevância atingida pelo trabalho do Per Raps.

Esse ano II serviu para conhecermos melhor a ferramenta “blog” – já que blogueira de verdade na equipe, só a Carol Patrocinio -, conhecemos mais o trabalho de pessoas que estavam próximas (em São Paulo e Rio de Janeiro), assim como conhecemos mais trabalhos de pessoas que estavam um pouco mais distantes.

Além disso, o leque de assuntos que tratamos aqui também expandiu; se antes o espaço era focado apenas em iniciativas que nos saltavam aos olhos, abrimos espaço para perfis que também mereciam sua divulgação e seu espaço. Outro ponto que gerou críticas, “pô, preferia o Per Raps como era antes”. Mas se o flow de um MC ou o estilo de fazer uma batida por um beatmaker podem mudar, por que nós não podemos?

De trabalhos interessantes, elaboramos a polêmica “Linha do Tempo do Rap Nacional”, que gerou muitos comentários de amor e ódio, a cobertura do último Indie Hip Hop, que trouxe o rapper e ator, Mos Def, além de textos reflexivos, dicas de documentários, posts especiais sobre as novidades sonoras de 2009 e nosso primeiro especial, que foi dedicado totalmente às mulheres.

Outros dois momentos importantes foram o final decretado do Indie Hip Hop, após 10 anos de uma bem sucedida caminhada, assim como a luta pela volta à grade da TV Cultura do programa Manos e Minas. Essa ação foi particularmente emocionante, já que partiu de uma situação complicada, que muitos descreditaram a possibilidade de mudança, e que se reverteu.

E essa virada só pode acontecer pela luta e engajamento online de cada pessoa, cada site, blog, twitteiro, pessoas soltando o verbo no facebook e, consequentemente, a materialização do protesto, que saiu da web e chegou às ruas. Isso apenas provou o quão importante é a internet hoje e como podemos fazer a diferença, se soubermos o que estamos fazendo e tendo conhecimento dessa potente ferramenta.

Tivemos a chance de realizar algumas entrevistas internacionais, entre elas com o duo Prefuse 73, com quem conversamos pessoalmente na CCJ, em um papo descontraído, que só terminou porque o show tinha que começar. E também Amanda Diva, rapper, atriz, radialista e pintora, que demorou de acontecer, exigiu uma troca intensa de e-mails, mas acabou acontecendo. Reportamos duas perdas, a da guerreira Dina Di, curiosamente no mês da mulher, e o saudoso “arquiteto” Guru, do Gangstarr.

No entanto, não só de passado vivemos. Ao contrário do que aconteceu em nosso primeiro ano de vida, quando as celebrações iniciaram dia 11 de setembro, data oficial de aniversário do Per Raps, dessa vez iniciamos no começo do mês! Traremos posts especiais com conteúdo de primeira, exclusivamente para você! Também vão rolar outras novidades, que serão informadas com o passar do tempo. Por enquanto, se liga no que está por vir… Novo Per Raps (clique e acompanhe!).