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Lauryn Hill se redime em segunda passagem por SP

Nesta terça (07), os paulistanos assistiram a segunda passagem de Lauryn Hill pelo Brasil. Apesar de estar aparentemente mais motivada do que em seu primeiro show por aqui, em 2007, Ms. Hill foi alvo de críticas por parte mídia dita especializada em música e por parte dos fãs.

A principal reclamação foi em relação aos arranjos das músicas, que estavam bem diferentes das versões originais de hits como “X-Factor” e “To Zion”, entre outros. No entanto, a banda de Lauryn não se limitou a reproduzir os beats clássicos do álbum “The Miseducation of Lauryn Hill”, mas sim ultrapassar esses limites, permitindo que a própria cantora e MC tivesse a chance de improvisar e mostrar sua potência vocal.

Nós do Per Raps conferimos o show e aprovamos! Como as opiniões do público e crítica foram adversas e cada um possui seu argumento pró ou contra, ai vai nossa singela ideia sobre a passagem de Ms. Hill por São Paulo.

O sermão do monte, por Ms. Hill Eduardo Ribas

Volte a 1993. Agora imagine a figura de Whoopi Goldberg de batina, à frente de um coral de jovens revoltados com a vida (Mudança de Hábito 2). Se não tiver referências para ir tão longe, imagine a figura de um reverendo, daqueles que comandam os corais das igrejas com potentes corais negros que vivem aparecendo em filmes e videoclipes, sabe? Agora jogue isso tudo fora e substitua a figura do reverendo por Lauryn Hill.

A partir daí, o show vira um sermão e a banda acompanha a “pastora” Ms. Hill, junto de seu coral de três vozes no palco com um público que se revelaria próximo de 7 mil participantes. “Lost Ones” abre a pregação: “É engraçado como o dinheiro muda a situação, falta de comunicação leva a complicação”. Seguindo, “X-Factor”; “tudo poderia ter sido tão simples, mas você preferiu complicar”, entoa Ms. Hill.

Os espectadores do sermão celebram, mas em dúvida, já não compreendem se aquelas palavras ditas de maneira tão diferente eram as mesmas que estavam acostumados antes. Mas eram, só que alguns poucos entenderam.

Percebendo o rebanho disperso, a pastora recupera suas ovelhas relembrando seu passado de glória de sermões ainda mais acalorados, junto de seus companheiros de paróquia, digo, de Fugees. “Fe-gee-la”, “Ready or Not”, “Killing me Softly”. E se ouve um “aleluia” em alguma parte do salão. Desprestigiada se comparada às outras, “Killing me Softly” recebe um repeat, agora com o arranjo original de 1996, que mais pseudo-original que esse, só teria amostra em versão de 1973 por Roberta Flack. “Aleluia!”

Uma rápida passagem pelo sermão acústico, uma breve saída, um pedido de bis, gritos, urros, aplausos e de repente, uma quase onomatopeia após a volta: “Doo Wop” e pronto, “amém”. Alguns saíram sem entender nada, outros meio bravos porque o CD que compraram não era igual ao cânticos que ouviram naquela noite. Outros saíram felizes e alguns até em transe, graças ao contato com o divino em forma musical. A multidão se dissipa e Ms. Hill parte para sua próxima missão.

Per Raps Adverte: O texto faz analogia a um sermão religioso, mas não tem como função ou objetivo depreciar qualquer religião, seita, culto, grupo, filosofia ou pessoa. Àqueles que de alguma forma possam ter se sentido lesados pela utilização de algum termo ou pela analogia em si, reiteramos que a proposta segue de encontro a essa possibilidade.


*Video por Luciana “Playmobile” Faria.


Per Raps prestes a completar dois anos

“Mais um ano se passou…” – por Eduardo Ribas

Há mais ou menos um ano, eu escrevia o post sobre o primeiro aniversário do Per Raps. Como num piscar de olhos, cá estamos nós, no segundo ano. Per Raps II, a missão! Foi exatamente no dia 11 de setembro de 2008 que se iniciavam as atividades aqui.

Tudo começou de forma meio amadora na arte de blogar, mas sempre visando o profissionalismo no ato de reportar a cena rap paulistana. Não entramos nessa para fazer amigos, e sim mostrar o que acontecia na cena do jeito mais profissional possível. Alguns gostaram, outros não. Mas ainda assim, muitos apoiaram, fato que colaborou muito para a relevância atingida pelo trabalho do Per Raps.

Esse ano II serviu para conhecermos melhor a ferramenta “blog” – já que blogueira de verdade na equipe, só a Carol Patrocinio -, conhecemos mais o trabalho de pessoas que estavam próximas (em São Paulo e Rio de Janeiro), assim como conhecemos mais trabalhos de pessoas que estavam um pouco mais distantes.

Além disso, o leque de assuntos que tratamos aqui também expandiu; se antes o espaço era focado apenas em iniciativas que nos saltavam aos olhos, abrimos espaço para perfis que também mereciam sua divulgação e seu espaço. Outro ponto que gerou críticas, “pô, preferia o Per Raps como era antes”. Mas se o flow de um MC ou o estilo de fazer uma batida por um beatmaker podem mudar, por que nós não podemos?

De trabalhos interessantes, elaboramos a polêmica “Linha do Tempo do Rap Nacional”, que gerou muitos comentários de amor e ódio, a cobertura do último Indie Hip Hop, que trouxe o rapper e ator, Mos Def, além de textos reflexivos, dicas de documentários, posts especiais sobre as novidades sonoras de 2009 e nosso primeiro especial, que foi dedicado totalmente às mulheres.

Outros dois momentos importantes foram o final decretado do Indie Hip Hop, após 10 anos de uma bem sucedida caminhada, assim como a luta pela volta à grade da TV Cultura do programa Manos e Minas. Essa ação foi particularmente emocionante, já que partiu de uma situação complicada, que muitos descreditaram a possibilidade de mudança, e que se reverteu.

E essa virada só pode acontecer pela luta e engajamento online de cada pessoa, cada site, blog, twitteiro, pessoas soltando o verbo no facebook e, consequentemente, a materialização do protesto, que saiu da web e chegou às ruas. Isso apenas provou o quão importante é a internet hoje e como podemos fazer a diferença, se soubermos o que estamos fazendo e tendo conhecimento dessa potente ferramenta.

Tivemos a chance de realizar algumas entrevistas internacionais, entre elas com o duo Prefuse 73, com quem conversamos pessoalmente na CCJ, em um papo descontraído, que só terminou porque o show tinha que começar. E também Amanda Diva, rapper, atriz, radialista e pintora, que demorou de acontecer, exigiu uma troca intensa de e-mails, mas acabou acontecendo. Reportamos duas perdas, a da guerreira Dina Di, curiosamente no mês da mulher, e o saudoso “arquiteto” Guru, do Gangstarr.

No entanto, não só de passado vivemos. Ao contrário do que aconteceu em nosso primeiro ano de vida, quando as celebrações iniciaram dia 11 de setembro, data oficial de aniversário do Per Raps, dessa vez iniciamos no começo do mês! Traremos posts especiais com conteúdo de primeira, exclusivamente para você! Também vão rolar outras novidades, que serão informadas com o passar do tempo. Por enquanto, se liga no que está por vir… Novo Per Raps (clique e acompanhe!).


Erykah Badu emociona público em SP


“Pornografia musical”por Carol Patrocinio

Erykah Badu é Jackie O. É Rainha de Copas. Badu é mulher. Sexo, graça, ironia. Erykah Badu sabe o que quer e não te deixa na mão. Ou deixa, só porque quer. Erykah Badu é aquela mulher que provoca, te deixa louco e vai embora, mas você não reclama – ela foi a melhor que você teve na vida, ainda assim.

Logo que a vi no palco meu coração parou. Era ela, estava ali, a pouquíssimos metros. Se eu desse alguns passos e esticasse a mão poderia tocá-la – deixa pra lá, emoção demais. E assim como meu coração, ela ficou ali, parada num canto do palco, esperando o momento certo para começar sua mágica.

E quando a mágica de Badu começa a ser feita não há como parar. Um clima intimista tomou conta do lugar. Éramos só eu e ela. Uma caixinha de música em que ela era a bailarina e eu dava corda. Toda a delicadeza de Badu anda de mãos dadas com sua força, suas certezas. O salto 15 está no pé, mas ela não precisa disso pra ser muito maior do que se poderia crer.

Quando a intimidade começou a aumentar, Erykah foi até o chão. Fez do pedestal do microfone um mastro, quase pole dance. Unhas, bocas, olhares. Aquela voz. A voz de Erykah Badu faz um registro na sua cabeça, não importa aonde vá, você sempre sabe que é ela.

O show que Erykah Badu fez em São Paulo foi sobre ela, para ela. Mas a maneira que cada um de nós nos identificamos com cada palavra, som gesto que ela faz, nos torna partes de uma gigante. Erykah Badu pode ser egocêntrica, mas ela está pensando em todos nós para fazer isso.

Ao chegar ao fim do espetáculo, Badu deixou lembranças físicas para seus fãs – um acessório, um lenço, um batom. Recebeu presentes. Voltou para o bis, deixou uma mensagem contra preconceito e ficou tão próxima aos fãs que era fácil notar a não aprovação de seu segurança, que andava o palco de lado a outro atrás dela. Erykah Badu deu tanto de si neste show que, por pouco, não saiu de cena como em Window Seat, nua por dentro e por fora.

Foi no show? Conte o que achou ou se está ainda sem palavras para isso!

Mais
Erykah Badu consegue sample via Twitter
Erykah Badu estreia polêmico clipe de “Window Seat”
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Ferréz e o sucesso da 1DASUL


O brasão do nosso povopor Eduardo Ribas

Em tempos de Fashion Week, nada melhor do que ignorar o que rola nas passarelas da high-society para dar atenção a iniciativas populares de sucesso. Quem é que nunca viu alguém andando pelas ruas de Sampa – e, espero eu, que em outros cantos do país – com uma camiseta da marca 1DASUL?

Criada há 11 anos pelo escritor Ferréz, a marca simboliza a auto-estima da periferia em forma de moda, uma vez que cada um que veste a 1DASUL mostra seu orgulho por viver no Capão Redondo ou simplesmente por respeitar a comunidade. Além da marca, mensagens politizadas também estampam as camisetas com frases como “Bom dia Vietnam, Bom dia Capão”.

Hoje, a 1DASUL não é apenas reconhecida e encontrada no Capão ou na Zona Sul de São Paulo, tomou as ruas com adesivos em carros, bonés, mochilas e uma diversidade de produtos que vão de pézinhos de moto a vinho.

No seu começo, a marca produzia pouco e era conhecida principalmente por suas camisetas, mas já apresenta um número considerável de produtos, todos feitos nas próprias quebradas; no Capão Redondo, em Guarulhos, Jaú, Jardim Irene e outros lugares.

“Ao invés de procurar um grande fornecedor de mochilas que trabalha fora, no centro, que não propicia nada pra periferia, eu vou procurar um pequeno. Ai eu potencializei o cara”, conta Ferréz sobre sua estratégia, em entrevista para a jornalista Mona Dorf.

A grande novidade da 1DaSul é o lançamento de um site, o 1dasul.com.br, que traz informações da marca, pontos de venda, mostra os produtos, traz fotos, vídeos e um blog com agenda cultural. Na descrição da marca, uma frase salta aos olhos: “O logotipo da 1DASUL tem como ideia ser um brasão do nosso povo”.

Se a ideia era essa, o objetivo foi alcançado. Enquanto isso, Ferréz consegue ainda continuar se dedicando à literatura, viaja o país participando de debates e palestras, além de escrever em cerca de oito blogs. Mas sobre Ferréz, falamos uma outra hora.

Leia também
Ferréz entrevista Eduardo, do Facção Central

Mais
Site 1DASUL
Blog do Ferréz


Resenha: Meu Sotaque, Meu Flow

Akira Presidente por João Gabriel/Divulgação

Ignorando fronteiras e misturando estilos com ginga de malandro – por Stefanie Gaspar*

Dê o play em “Que Pena”, de Akira Presidente
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-07T07_39_23-07_00.mp3″

“Rap nunca foi moda, e a verdade é o que importa”. É assim que o rapper carioca Akira Presidente define o gênero de seu coração em seu primeiro lançamento, o EP O Que Tu Qué. Lançado em 2009, o trabalho já mostra que o rapper Paulo Ferreira soube chegar chutando a porta com seu rap cheio de ginga, letras afiadas e influências globais.

Agora em 2010, Akira volta em grande estilo. Mantendo a pose de dândi repaginado, o carioca lança seu primeiro álbum: Meu Sotaque, Meu Flow. Logo de cara, o novo trabalho de Akira lembra muito o rap cheio de batidas e melodias intensas do Pentágono – não a toa, tanto o álbum quanto o primeiro EP do rapper foram produzidos por um dos integrantes do grupo paulistano, Apolo. É ele quem assina as melodias e a produção de grande parte das faixas de Meu Sotaque Meu Flow, criando uma base rica e equilibrada para as letras afiadas de Akira.

E que surpresa deliciosa é a audição deste álbum. Para quem gosta de repetir os clichês típicos do gênero – de que rap é um estilo fechado, sem melodia, com pouca variedade e sisudo – é hora de repensar a validade de todos esses preconceitos e se jogar de cabeça na proposta que Akira Presidente oferece nesse seu primeiro álbum de estúdio.

Por mais que a expressão esteja datada, Meu Sotaque Meu Flow é um CD global – consegue juntar referências e sonoridade de diversos estilos e regiões sem cair no pitoresco ou no caricato. Tem de funk carioca a soul e toques de samba. Tudo junto sem perder a essência.

Meu Sotaque, Meu Flow de Akira Presidente

O segredo do álbum é trabalhar, sempre, com o inesperado, mostrando que o rap pode – e deve – reunir outros estilos para sair de sua zona de conforto e englobar sonoridades que estão por aí, nas ruas. Em Gueto, primeira faixa do álbum, Akira já desce o verbo e conclama “as cachorras que mexem a bunda”. Ao fundo, o som de um canto africano. E entra, majestosa, a batida do funk carioca, mostrando que é possível conciliar a energia do pancadão com o groove natural do som de Akira.

Logo em seguida, o pancadão vira batida gatuna, sacana, na segunda faixa, Minha Área. É incrível como as batidas escolhidas por Akira, além dos scratches de DJ Alves e a masterização de DJ Roger, conseguem dar uma identidade extremamente característica ao som das primeiras faixas. É um equilíbrio típico de quem consegue reunir ambição e conhecimento dos elementos musicais necessários para se fazer rap de verdade. Rimar na rua pode ser simples, mas o som de Akira é de responsa, já que é, ao mesmo tempo, espontâneo e calculado, fruto da vontade de fazer algo além do que já existe no rap hoje.

E a misturada não para por aí – em Qué Dindin, Akira resolve apostar em um funkeado poderoso, seguido pelo clima tropical de Rio, que conta com a participação de Sain (o Stephan, filho de Marcelo D2) e a atriz Priscila Marinho. Mas a composição chave do álbum é mesmo o pancadão de Mexe Mina, que traz uma base digna de Major Lazer. A produção da faixa pode ser de Apolo, mas Diplo ficaria orgulhoso do resultado e do mix provocante de funk carioca, marcha militar, dubstep e um pézinho no electro. Um rap tão diferenciado e com tantas referências dá gosto de ouvir.

Ao final das doze faixas de Meu Sotaque, Meu Flow, a vontade é de ouvir mais, muito mais. Agora é esperar que esse carioca cheio de gingado prepare rapidinho um segundo álbum – e que inove com tanta propriedade e tesão quanto nessa primeira empreitada.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

Quer mais?
MV Bill pra senador? Akira Presidente!, por Daniel Cunha
Coletivo MTV fala de “Meu Sotaque, Meu Flow”
MySpace do Akira Presidente


Conheça a história do Black Style


Os pioneiros do black stylepor C. Machado*

No final de fevereiro, um site gringo divulgou uma lista dos 20 caras que influenciaram o estilo Black ao longo dos anos. Na lista, estão inclusos grandes nomes da música jazz e blues, artistas plásticos, atores e fotógrafos; vários figuras que transitavam pelo mundo da arte há algum tempo atrás. Eis os mais ilustres, e os quais realmente vale a pena ressaltar para esse post.

A lista parece justa, e prestadas as homenagens não fica difícil percorrer os anos até hoje e pensar que, mais que influência, eles ditaram mesmo grandes referências usadas até hoje no mundo da moda Black. É claro que nos dias de hoje é tudo bem diferente. A moda Black é aberta as mais diversas influências, e já, quase e praticamente, deixou de ser moda Black e combina estilos advindos de outros diferentes ares, que não só os citados na lista dos 20 negros mais estilosos.

O que é possível ver, são que diversas atmosferas criadas ao redor de os estilos antigos citados como referência perduram até os dias de hoje, como o primeiro negro a receber um Oscar (1963), Sidney Poitier ou o conceituado artista plástico nova-iorquino Jean-Michel Basquiat (citado em rima por Parteum). Além deles, o sinistro Johny Hodges, saxofonista, com seu chapeuzinho e suspensório super elegantes, ou o quase reggae-style do Marvin Gaye, bem rústico e simples.

Existe, para mim, uma diferença muito grande entre a moda Black apresentada em seus primórdios, ou pelos seus mestres, e a moda Black ativa e existente nos dias de hoje. Acredito que isso se deva, principalmente, pela explosão de cores dos anos 80 e 90. Tudo mudou nestas da décadas. São muitas cores, muitos novos tecidos e muito mais interferência do que só das artes e música, como antigamente. O diálogo entre o próprio povo negro de diferentes lugares do mundo propiciou o espalhar de suas referências e o misturar com as demais culturas exteriores.

A moda que não é mais preta, virou de todas as cores e para todos os públicos. Não há, em definitivo, nada que ligue a cor a roupa, e o estilo hoje, consolidado universalmente, faz parte do quotidiano dos mais diferentes tipos de pessoas; rappers, grafiteiros, minas, djs, artistas, fotógrafos, produtores, atores e aposto que um monte de gente anónima por aí. Basta gostar da rua, de street styles ou estar circundado por esse universo que, mesmo sem saber, você deve ter no guarda-roupa alguma peça que veio, originalmente, da moda Black antiga.

Não citei nem metade dos tipos de gente que o estilo Black pode estar influenciando hoje. A amplitude da moda é enorme, e principalmente por ter sido um movimento de minoria grande parte do tempo – e talvez até hoje, a solidez e força que possui é demonstrado pelo atravessar dos anos, e são muitos para provar. Ainda nos dias de hoje, grandes marcas gringas e nacionais que dedicam suas criações aos estilos da rua tomam o Black style antigo como referência para suas criações.

O presente nada mais é que uma grande mistura de tudo o que se vê. A moda de rua está como nunca em alta, as marcas de tênis, mochilas e roupas se voltam cada vez mais para o cotidiano e para a vida real das ruas. Os jovens consomem cada vez mais a moda e ela se torna cada vez mais acessível. Tudo isso, acredito eu, conspira cada vez mais para que o estilo Black – ou qualquer coisa próxima disso, já que não se pode mais definir nada nos dias de hoje – seja difundido, interpretado, compreendido e passado adiante.

Não era difícil de imaginar, que tantos anos atrás, figurões como aqueles iriam criar um estilo que daria nisso que vemos nos dias de hoje. Do mesmo modo, não é difícil imaginar que sim, é claro que vamos passar adiante. O estilo Black não há mais de morrer.

*Clarice Machado é fotógrafa e apaixonada por cultura de rua e moda. Conheça mais do trabalho dela no Flickr.

Acompanhe a matéria sobre os pioneiros do Black Style na Revista GQ aqui.


Dica musical: O soul de Mayer Hawthorne

Foto por Robert Winter

Alma quente – por E. Ribas

Já ouviu falar de Mayer Hawthorne? Se não, tá de bobeira. Há tempos buscava motivo para falar do cantor no Per Raps, no entanto não tinha encontrado… Ainda. A Stones Thrown anunciou o lançamento do mais novo clipe de Mayer, “I Wish It Would Rain”, uma das faixas do primeiro CD do músico.

Mayer traz em seu trabalho o melhor que o soul pode oferecer, conseguindo inovar em um estilo que poucos se atrevem a “encarar”. Imagine uma mistura de Rick Astley com Amy Winehouse com um visual nerd The-Big-Bang-Theory-style e então começará a ter ideia de quem é o cara.

Um parênteses sobre as referências: Rick é um inglês que fez sucesso nos anos 80 com sua potente voz, que fazia o ouvinte desavisado achar que era um cantor negro, mas se deparavam com um branco, assim como é o caso das também inglesas Amy Winehouse e Duffy, por exemplo.

Mas o que faz de Mayer Hawthorne ainda mais interessante são suas habilidades. Ele consegue ser arranjador, cantor, engenheiro de som, multi-instrumentista e produtor ao mesmo tempo. Assim como outros grandes cantores – Maxwell, por exemplo-, Mayer nunca imaginou se tornar cantor. Até por que antes disso, Mayer atacava como DJ Haircut, produzindo grupos de rap como o Athletic Mic League, há pelo menos 10 anos. E Mayer tem apenas 29.

Você pode estar se perguntando também como o cara conseguiu um contrato com a Stones Throw, gravadora que revelou nomes como J-Dilla, Madlib, MF Doom e tantos outros. A resposta não está diretamente conectada a ligação do cantor com o rap, e sim pelo fato da gravadora ter obtido acesso a uma demo de Mayer. O resultado não poderia ser outro que não a paixão musical a primeira vista. O curioso é que até então, os “experimentos” do cantor se davam apenas em seu homestudio.

O resultado da história toda foi o aclamado Strange Arrangement, disco de 14 faixas, lançado no final de 2009. Por aqui você acompanha o lançamento do clipe “I Wish It Would Rain”. Dê o play, relaxe e volte no tempo.

Curtiu? Então vá atrás dessa pedra. E falando em pedra, não deixe de conferir a entrevista que o DJ e jornalista (Daniel) Tamenpi fez com Mayer Hawthorne no site da +Soma.

Mais:
Myspace
Stones Throw