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Lauryn Hill se redime em segunda passagem por SP

Nesta terça (07), os paulistanos assistiram a segunda passagem de Lauryn Hill pelo Brasil. Apesar de estar aparentemente mais motivada do que em seu primeiro show por aqui, em 2007, Ms. Hill foi alvo de críticas por parte mídia dita especializada em música e por parte dos fãs.

A principal reclamação foi em relação aos arranjos das músicas, que estavam bem diferentes das versões originais de hits como “X-Factor” e “To Zion”, entre outros. No entanto, a banda de Lauryn não se limitou a reproduzir os beats clássicos do álbum “The Miseducation of Lauryn Hill”, mas sim ultrapassar esses limites, permitindo que a própria cantora e MC tivesse a chance de improvisar e mostrar sua potência vocal.

Nós do Per Raps conferimos o show e aprovamos! Como as opiniões do público e crítica foram adversas e cada um possui seu argumento pró ou contra, ai vai nossa singela ideia sobre a passagem de Ms. Hill por São Paulo.

O sermão do monte, por Ms. Hill Eduardo Ribas

Volte a 1993. Agora imagine a figura de Whoopi Goldberg de batina, à frente de um coral de jovens revoltados com a vida (Mudança de Hábito 2). Se não tiver referências para ir tão longe, imagine a figura de um reverendo, daqueles que comandam os corais das igrejas com potentes corais negros que vivem aparecendo em filmes e videoclipes, sabe? Agora jogue isso tudo fora e substitua a figura do reverendo por Lauryn Hill.

A partir daí, o show vira um sermão e a banda acompanha a “pastora” Ms. Hill, junto de seu coral de três vozes no palco com um público que se revelaria próximo de 7 mil participantes. “Lost Ones” abre a pregação: “É engraçado como o dinheiro muda a situação, falta de comunicação leva a complicação”. Seguindo, “X-Factor”; “tudo poderia ter sido tão simples, mas você preferiu complicar”, entoa Ms. Hill.

Os espectadores do sermão celebram, mas em dúvida, já não compreendem se aquelas palavras ditas de maneira tão diferente eram as mesmas que estavam acostumados antes. Mas eram, só que alguns poucos entenderam.

Percebendo o rebanho disperso, a pastora recupera suas ovelhas relembrando seu passado de glória de sermões ainda mais acalorados, junto de seus companheiros de paróquia, digo, de Fugees. “Fe-gee-la”, “Ready or Not”, “Killing me Softly”. E se ouve um “aleluia” em alguma parte do salão. Desprestigiada se comparada às outras, “Killing me Softly” recebe um repeat, agora com o arranjo original de 1996, que mais pseudo-original que esse, só teria amostra em versão de 1973 por Roberta Flack. “Aleluia!”

Uma rápida passagem pelo sermão acústico, uma breve saída, um pedido de bis, gritos, urros, aplausos e de repente, uma quase onomatopeia após a volta: “Doo Wop” e pronto, “amém”. Alguns saíram sem entender nada, outros meio bravos porque o CD que compraram não era igual ao cânticos que ouviram naquela noite. Outros saíram felizes e alguns até em transe, graças ao contato com o divino em forma musical. A multidão se dissipa e Ms. Hill parte para sua próxima missão.

Per Raps Adverte: O texto faz analogia a um sermão religioso, mas não tem como função ou objetivo depreciar qualquer religião, seita, culto, grupo, filosofia ou pessoa. Àqueles que de alguma forma possam ter se sentido lesados pela utilização de algum termo ou pela analogia em si, reiteramos que a proposta segue de encontro a essa possibilidade.


*Video por Luciana “Playmobile” Faria.


Per Raps prestes a completar dois anos

“Mais um ano se passou…” – por Eduardo Ribas

Há mais ou menos um ano, eu escrevia o post sobre o primeiro aniversário do Per Raps. Como num piscar de olhos, cá estamos nós, no segundo ano. Per Raps II, a missão! Foi exatamente no dia 11 de setembro de 2008 que se iniciavam as atividades aqui.

Tudo começou de forma meio amadora na arte de blogar, mas sempre visando o profissionalismo no ato de reportar a cena rap paulistana. Não entramos nessa para fazer amigos, e sim mostrar o que acontecia na cena do jeito mais profissional possível. Alguns gostaram, outros não. Mas ainda assim, muitos apoiaram, fato que colaborou muito para a relevância atingida pelo trabalho do Per Raps.

Esse ano II serviu para conhecermos melhor a ferramenta “blog” – já que blogueira de verdade na equipe, só a Carol Patrocinio -, conhecemos mais o trabalho de pessoas que estavam próximas (em São Paulo e Rio de Janeiro), assim como conhecemos mais trabalhos de pessoas que estavam um pouco mais distantes.

Além disso, o leque de assuntos que tratamos aqui também expandiu; se antes o espaço era focado apenas em iniciativas que nos saltavam aos olhos, abrimos espaço para perfis que também mereciam sua divulgação e seu espaço. Outro ponto que gerou críticas, “pô, preferia o Per Raps como era antes”. Mas se o flow de um MC ou o estilo de fazer uma batida por um beatmaker podem mudar, por que nós não podemos?

De trabalhos interessantes, elaboramos a polêmica “Linha do Tempo do Rap Nacional”, que gerou muitos comentários de amor e ódio, a cobertura do último Indie Hip Hop, que trouxe o rapper e ator, Mos Def, além de textos reflexivos, dicas de documentários, posts especiais sobre as novidades sonoras de 2009 e nosso primeiro especial, que foi dedicado totalmente às mulheres.

Outros dois momentos importantes foram o final decretado do Indie Hip Hop, após 10 anos de uma bem sucedida caminhada, assim como a luta pela volta à grade da TV Cultura do programa Manos e Minas. Essa ação foi particularmente emocionante, já que partiu de uma situação complicada, que muitos descreditaram a possibilidade de mudança, e que se reverteu.

E essa virada só pode acontecer pela luta e engajamento online de cada pessoa, cada site, blog, twitteiro, pessoas soltando o verbo no facebook e, consequentemente, a materialização do protesto, que saiu da web e chegou às ruas. Isso apenas provou o quão importante é a internet hoje e como podemos fazer a diferença, se soubermos o que estamos fazendo e tendo conhecimento dessa potente ferramenta.

Tivemos a chance de realizar algumas entrevistas internacionais, entre elas com o duo Prefuse 73, com quem conversamos pessoalmente na CCJ, em um papo descontraído, que só terminou porque o show tinha que começar. E também Amanda Diva, rapper, atriz, radialista e pintora, que demorou de acontecer, exigiu uma troca intensa de e-mails, mas acabou acontecendo. Reportamos duas perdas, a da guerreira Dina Di, curiosamente no mês da mulher, e o saudoso “arquiteto” Guru, do Gangstarr.

No entanto, não só de passado vivemos. Ao contrário do que aconteceu em nosso primeiro ano de vida, quando as celebrações iniciaram dia 11 de setembro, data oficial de aniversário do Per Raps, dessa vez iniciamos no começo do mês! Traremos posts especiais com conteúdo de primeira, exclusivamente para você! Também vão rolar outras novidades, que serão informadas com o passar do tempo. Por enquanto, se liga no que está por vir… Novo Per Raps (clique e acompanhe!).


Erykah Badu emociona público em SP


“Pornografia musical”por Carol Patrocinio

Erykah Badu é Jackie O. É Rainha de Copas. Badu é mulher. Sexo, graça, ironia. Erykah Badu sabe o que quer e não te deixa na mão. Ou deixa, só porque quer. Erykah Badu é aquela mulher que provoca, te deixa louco e vai embora, mas você não reclama – ela foi a melhor que você teve na vida, ainda assim.

Logo que a vi no palco meu coração parou. Era ela, estava ali, a pouquíssimos metros. Se eu desse alguns passos e esticasse a mão poderia tocá-la – deixa pra lá, emoção demais. E assim como meu coração, ela ficou ali, parada num canto do palco, esperando o momento certo para começar sua mágica.

E quando a mágica de Badu começa a ser feita não há como parar. Um clima intimista tomou conta do lugar. Éramos só eu e ela. Uma caixinha de música em que ela era a bailarina e eu dava corda. Toda a delicadeza de Badu anda de mãos dadas com sua força, suas certezas. O salto 15 está no pé, mas ela não precisa disso pra ser muito maior do que se poderia crer.

Quando a intimidade começou a aumentar, Erykah foi até o chão. Fez do pedestal do microfone um mastro, quase pole dance. Unhas, bocas, olhares. Aquela voz. A voz de Erykah Badu faz um registro na sua cabeça, não importa aonde vá, você sempre sabe que é ela.

O show que Erykah Badu fez em São Paulo foi sobre ela, para ela. Mas a maneira que cada um de nós nos identificamos com cada palavra, som gesto que ela faz, nos torna partes de uma gigante. Erykah Badu pode ser egocêntrica, mas ela está pensando em todos nós para fazer isso.

Ao chegar ao fim do espetáculo, Badu deixou lembranças físicas para seus fãs – um acessório, um lenço, um batom. Recebeu presentes. Voltou para o bis, deixou uma mensagem contra preconceito e ficou tão próxima aos fãs que era fácil notar a não aprovação de seu segurança, que andava o palco de lado a outro atrás dela. Erykah Badu deu tanto de si neste show que, por pouco, não saiu de cena como em Window Seat, nua por dentro e por fora.

Foi no show? Conte o que achou ou se está ainda sem palavras para isso!

Mais
Erykah Badu consegue sample via Twitter
Erykah Badu estreia polêmico clipe de “Window Seat”
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Ferréz e o sucesso da 1DASUL


O brasão do nosso povopor Eduardo Ribas

Em tempos de Fashion Week, nada melhor do que ignorar o que rola nas passarelas da high-society para dar atenção a iniciativas populares de sucesso. Quem é que nunca viu alguém andando pelas ruas de Sampa – e, espero eu, que em outros cantos do país – com uma camiseta da marca 1DASUL?

Criada há 11 anos pelo escritor Ferréz, a marca simboliza a auto-estima da periferia em forma de moda, uma vez que cada um que veste a 1DASUL mostra seu orgulho por viver no Capão Redondo ou simplesmente por respeitar a comunidade. Além da marca, mensagens politizadas também estampam as camisetas com frases como “Bom dia Vietnam, Bom dia Capão”.

Hoje, a 1DASUL não é apenas reconhecida e encontrada no Capão ou na Zona Sul de São Paulo, tomou as ruas com adesivos em carros, bonés, mochilas e uma diversidade de produtos que vão de pézinhos de moto a vinho.

No seu começo, a marca produzia pouco e era conhecida principalmente por suas camisetas, mas já apresenta um número considerável de produtos, todos feitos nas próprias quebradas; no Capão Redondo, em Guarulhos, Jaú, Jardim Irene e outros lugares.

“Ao invés de procurar um grande fornecedor de mochilas que trabalha fora, no centro, que não propicia nada pra periferia, eu vou procurar um pequeno. Ai eu potencializei o cara”, conta Ferréz sobre sua estratégia, em entrevista para a jornalista Mona Dorf.

A grande novidade da 1DaSul é o lançamento de um site, o 1dasul.com.br, que traz informações da marca, pontos de venda, mostra os produtos, traz fotos, vídeos e um blog com agenda cultural. Na descrição da marca, uma frase salta aos olhos: “O logotipo da 1DASUL tem como ideia ser um brasão do nosso povo”.

Se a ideia era essa, o objetivo foi alcançado. Enquanto isso, Ferréz consegue ainda continuar se dedicando à literatura, viaja o país participando de debates e palestras, além de escrever em cerca de oito blogs. Mas sobre Ferréz, falamos uma outra hora.

Leia também
Ferréz entrevista Eduardo, do Facção Central

Mais
Site 1DASUL
Blog do Ferréz


Resenha: Meu Sotaque, Meu Flow

Akira Presidente por João Gabriel/Divulgação

Ignorando fronteiras e misturando estilos com ginga de malandro – por Stefanie Gaspar*

Dê o play em “Que Pena”, de Akira Presidente
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-07T07_39_23-07_00.mp3″

“Rap nunca foi moda, e a verdade é o que importa”. É assim que o rapper carioca Akira Presidente define o gênero de seu coração em seu primeiro lançamento, o EP O Que Tu Qué. Lançado em 2009, o trabalho já mostra que o rapper Paulo Ferreira soube chegar chutando a porta com seu rap cheio de ginga, letras afiadas e influências globais.

Agora em 2010, Akira volta em grande estilo. Mantendo a pose de dândi repaginado, o carioca lança seu primeiro álbum: Meu Sotaque, Meu Flow. Logo de cara, o novo trabalho de Akira lembra muito o rap cheio de batidas e melodias intensas do Pentágono – não a toa, tanto o álbum quanto o primeiro EP do rapper foram produzidos por um dos integrantes do grupo paulistano, Apolo. É ele quem assina as melodias e a produção de grande parte das faixas de Meu Sotaque Meu Flow, criando uma base rica e equilibrada para as letras afiadas de Akira.

E que surpresa deliciosa é a audição deste álbum. Para quem gosta de repetir os clichês típicos do gênero – de que rap é um estilo fechado, sem melodia, com pouca variedade e sisudo – é hora de repensar a validade de todos esses preconceitos e se jogar de cabeça na proposta que Akira Presidente oferece nesse seu primeiro álbum de estúdio.

Por mais que a expressão esteja datada, Meu Sotaque Meu Flow é um CD global – consegue juntar referências e sonoridade de diversos estilos e regiões sem cair no pitoresco ou no caricato. Tem de funk carioca a soul e toques de samba. Tudo junto sem perder a essência.

Meu Sotaque, Meu Flow de Akira Presidente

O segredo do álbum é trabalhar, sempre, com o inesperado, mostrando que o rap pode – e deve – reunir outros estilos para sair de sua zona de conforto e englobar sonoridades que estão por aí, nas ruas. Em Gueto, primeira faixa do álbum, Akira já desce o verbo e conclama “as cachorras que mexem a bunda”. Ao fundo, o som de um canto africano. E entra, majestosa, a batida do funk carioca, mostrando que é possível conciliar a energia do pancadão com o groove natural do som de Akira.

Logo em seguida, o pancadão vira batida gatuna, sacana, na segunda faixa, Minha Área. É incrível como as batidas escolhidas por Akira, além dos scratches de DJ Alves e a masterização de DJ Roger, conseguem dar uma identidade extremamente característica ao som das primeiras faixas. É um equilíbrio típico de quem consegue reunir ambição e conhecimento dos elementos musicais necessários para se fazer rap de verdade. Rimar na rua pode ser simples, mas o som de Akira é de responsa, já que é, ao mesmo tempo, espontâneo e calculado, fruto da vontade de fazer algo além do que já existe no rap hoje.

E a misturada não para por aí – em Qué Dindin, Akira resolve apostar em um funkeado poderoso, seguido pelo clima tropical de Rio, que conta com a participação de Sain (o Stephan, filho de Marcelo D2) e a atriz Priscila Marinho. Mas a composição chave do álbum é mesmo o pancadão de Mexe Mina, que traz uma base digna de Major Lazer. A produção da faixa pode ser de Apolo, mas Diplo ficaria orgulhoso do resultado e do mix provocante de funk carioca, marcha militar, dubstep e um pézinho no electro. Um rap tão diferenciado e com tantas referências dá gosto de ouvir.

Ao final das doze faixas de Meu Sotaque, Meu Flow, a vontade é de ouvir mais, muito mais. Agora é esperar que esse carioca cheio de gingado prepare rapidinho um segundo álbum – e que inove com tanta propriedade e tesão quanto nessa primeira empreitada.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

Quer mais?
MV Bill pra senador? Akira Presidente!, por Daniel Cunha
Coletivo MTV fala de “Meu Sotaque, Meu Flow”
MySpace do Akira Presidente


Conheça a história do Black Style


Os pioneiros do black stylepor C. Machado*

No final de fevereiro, um site gringo divulgou uma lista dos 20 caras que influenciaram o estilo Black ao longo dos anos. Na lista, estão inclusos grandes nomes da música jazz e blues, artistas plásticos, atores e fotógrafos; vários figuras que transitavam pelo mundo da arte há algum tempo atrás. Eis os mais ilustres, e os quais realmente vale a pena ressaltar para esse post.

A lista parece justa, e prestadas as homenagens não fica difícil percorrer os anos até hoje e pensar que, mais que influência, eles ditaram mesmo grandes referências usadas até hoje no mundo da moda Black. É claro que nos dias de hoje é tudo bem diferente. A moda Black é aberta as mais diversas influências, e já, quase e praticamente, deixou de ser moda Black e combina estilos advindos de outros diferentes ares, que não só os citados na lista dos 20 negros mais estilosos.

O que é possível ver, são que diversas atmosferas criadas ao redor de os estilos antigos citados como referência perduram até os dias de hoje, como o primeiro negro a receber um Oscar (1963), Sidney Poitier ou o conceituado artista plástico nova-iorquino Jean-Michel Basquiat (citado em rima por Parteum). Além deles, o sinistro Johny Hodges, saxofonista, com seu chapeuzinho e suspensório super elegantes, ou o quase reggae-style do Marvin Gaye, bem rústico e simples.

Existe, para mim, uma diferença muito grande entre a moda Black apresentada em seus primórdios, ou pelos seus mestres, e a moda Black ativa e existente nos dias de hoje. Acredito que isso se deva, principalmente, pela explosão de cores dos anos 80 e 90. Tudo mudou nestas da décadas. São muitas cores, muitos novos tecidos e muito mais interferência do que só das artes e música, como antigamente. O diálogo entre o próprio povo negro de diferentes lugares do mundo propiciou o espalhar de suas referências e o misturar com as demais culturas exteriores.

A moda que não é mais preta, virou de todas as cores e para todos os públicos. Não há, em definitivo, nada que ligue a cor a roupa, e o estilo hoje, consolidado universalmente, faz parte do quotidiano dos mais diferentes tipos de pessoas; rappers, grafiteiros, minas, djs, artistas, fotógrafos, produtores, atores e aposto que um monte de gente anónima por aí. Basta gostar da rua, de street styles ou estar circundado por esse universo que, mesmo sem saber, você deve ter no guarda-roupa alguma peça que veio, originalmente, da moda Black antiga.

Não citei nem metade dos tipos de gente que o estilo Black pode estar influenciando hoje. A amplitude da moda é enorme, e principalmente por ter sido um movimento de minoria grande parte do tempo – e talvez até hoje, a solidez e força que possui é demonstrado pelo atravessar dos anos, e são muitos para provar. Ainda nos dias de hoje, grandes marcas gringas e nacionais que dedicam suas criações aos estilos da rua tomam o Black style antigo como referência para suas criações.

O presente nada mais é que uma grande mistura de tudo o que se vê. A moda de rua está como nunca em alta, as marcas de tênis, mochilas e roupas se voltam cada vez mais para o cotidiano e para a vida real das ruas. Os jovens consomem cada vez mais a moda e ela se torna cada vez mais acessível. Tudo isso, acredito eu, conspira cada vez mais para que o estilo Black – ou qualquer coisa próxima disso, já que não se pode mais definir nada nos dias de hoje – seja difundido, interpretado, compreendido e passado adiante.

Não era difícil de imaginar, que tantos anos atrás, figurões como aqueles iriam criar um estilo que daria nisso que vemos nos dias de hoje. Do mesmo modo, não é difícil imaginar que sim, é claro que vamos passar adiante. O estilo Black não há mais de morrer.

*Clarice Machado é fotógrafa e apaixonada por cultura de rua e moda. Conheça mais do trabalho dela no Flickr.

Acompanhe a matéria sobre os pioneiros do Black Style na Revista GQ aqui.


Dica musical: O soul de Mayer Hawthorne

Foto por Robert Winter

Alma quente – por E. Ribas

Já ouviu falar de Mayer Hawthorne? Se não, tá de bobeira. Há tempos buscava motivo para falar do cantor no Per Raps, no entanto não tinha encontrado… Ainda. A Stones Thrown anunciou o lançamento do mais novo clipe de Mayer, “I Wish It Would Rain”, uma das faixas do primeiro CD do músico.

Mayer traz em seu trabalho o melhor que o soul pode oferecer, conseguindo inovar em um estilo que poucos se atrevem a “encarar”. Imagine uma mistura de Rick Astley com Amy Winehouse com um visual nerd The-Big-Bang-Theory-style e então começará a ter ideia de quem é o cara.

Um parênteses sobre as referências: Rick é um inglês que fez sucesso nos anos 80 com sua potente voz, que fazia o ouvinte desavisado achar que era um cantor negro, mas se deparavam com um branco, assim como é o caso das também inglesas Amy Winehouse e Duffy, por exemplo.

Mas o que faz de Mayer Hawthorne ainda mais interessante são suas habilidades. Ele consegue ser arranjador, cantor, engenheiro de som, multi-instrumentista e produtor ao mesmo tempo. Assim como outros grandes cantores – Maxwell, por exemplo-, Mayer nunca imaginou se tornar cantor. Até por que antes disso, Mayer atacava como DJ Haircut, produzindo grupos de rap como o Athletic Mic League, há pelo menos 10 anos. E Mayer tem apenas 29.

Você pode estar se perguntando também como o cara conseguiu um contrato com a Stones Throw, gravadora que revelou nomes como J-Dilla, Madlib, MF Doom e tantos outros. A resposta não está diretamente conectada a ligação do cantor com o rap, e sim pelo fato da gravadora ter obtido acesso a uma demo de Mayer. O resultado não poderia ser outro que não a paixão musical a primeira vista. O curioso é que até então, os “experimentos” do cantor se davam apenas em seu homestudio.

O resultado da história toda foi o aclamado Strange Arrangement, disco de 14 faixas, lançado no final de 2009. Por aqui você acompanha o lançamento do clipe “I Wish It Would Rain”. Dê o play, relaxe e volte no tempo.

Curtiu? Então vá atrás dessa pedra. E falando em pedra, não deixe de conferir a entrevista que o DJ e jornalista (Daniel) Tamenpi fez com Mayer Hawthorne no site da +Soma.

Mais:
Myspace
Stones Throw


Erykah Badu consegue sample via Twitter

O poder das redes sociais*

**Erykah Badu birthday mix (por Jay Eletronica)
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-02-26T12_49_46-08_00.mp3″

Quem acompanha o que rola pela web já percebeu que praticamente tudo pode acontecer nesse lugar. Não foi diferente com a diva do soul, Erykah Babu. Trabalhando para finalizar seu próximo álbum, o New Amerykah Part Two: Return of the Ankh, previsto para 30 de março, ela vivenciou a força da internet.

A data de fechamento do álbum estava chegando, no entanto uma das faixas ainda possuía uma pendência: a autorização de um sample (aka trecho de música) de sir Paul McCartney. A tarefa parecia ser praticamente impossível de ser cumprida, já que o prazo de Erykah Badu era de apenas 24 horas. Eis que a cantora apelou para o microblog Twitter e requisitou ajuda. “Estou tentando ter a autorização de Paul McCartney para um sample e ouvi que Lenny Kravitz conhece a filha dele, Stella, e talvez eu consiga entrar em contato com ela”.

Em pouco tempo, a cantora conseguiu resposta de pessoas dispostas a ajudá-la, como  Zoe Kravitz, filha de Lenny Kravitz, e até Stella, a filha de Paul McCartney, entre outras pessoas, como o manager da Madonna. Ainda está duvidando da potência das redes sociais e que Erykah Badu tem a força? Ali pelas 10 da manhã (nos Estados Unidos) desta quinta-feira (25), veio a confirmação: “Paul McCartney aprovou o sample. Pronto!!!”.

Esse foi apenas um exemplo da força das redes sociais. Aqui no Brasil, o rapper Gog criou uma letra para o rap “Música e Liberdade” com a ajuda de seus “seguidores” do Twitter (Leia mais no Portal Rap Nacional). É dessa forma também que jornalistas conseguem fontes, pessoas se aproximam de outras com os mesmos interesses e por aí vai. Realmente, sabendo usar, as redes sociais acabam ajudando bastante.

Mais (Erykah Badu)

Myspace

*Com informações da Rap-Up.
**Baixe a mix no site da Vibe.


Os shows de domingo (06/12) do Indie Hip Hop ‘09

Finalmente, a parte II do Indie Hip Hop 2009. Desta vez, você acompanhará videos feitos no domingo (06/12), dia da apresentação do coritibano Nel Sentimentum, os cariocas d”A Filial, além do encontro entre Parteum com Kamau e do Elo da Corrente junto do Mamelo Sound System.

Para você que quer relembrar ou de repente trocou o festival pela rodada final do Brasileirão, o churrasco na casa do vizinho ou assistiu o Indie no sábado e não conseguiu ingresso pro domingo, disponibilizaremos um vídeo de cada apresentação. Em breve, traremos um balanço final do Indie Hip Hop 2009.

De quebra, acompanhe também imagens do painel montado pela dupla OSGEMEOS. Curte aê!

Obs: O áudio da apresentação de Pateum e Kamau não está dos melhores por problemas técnicos, mas vale pelo registro do importante momento.

Mural OSGEMEOS

Nel Sentimentum (CWB)

A Filial (RJ)

Parteum e Kamau

Elo da Corrente e Mamelo Sound System


Novidades de 09: Rump

Rump se aventura na “Sincronicidade” de beats e rimas – E. Ribas

Seguindo a série de entrevistas com os grupos e MC’s que lançarão seus trabalhos entre o fim de 2009 e começo de 2010, o Per Raps conversa desta vez com um MC de Sampa: Tiago Frúgoli aka Rump.

O jovem professor de piano/estudante de mandarim/beatmaker/MC já lançou o disco “Progressivo”, além da mix digital “Pós-gressivo”, a Fênix Negra Beat Tape e beats para alguns grupos,  agora o MC ataca com o EP “Sincronicidade”, que ainda não tem data exata para lançamento.

Nesse novo trabalho, Rump toca teclados em todas as faixas, se utilizando de samples apenas como timbres de bateria. Serão 12 faixas que totalizam 25 minutos: 5 rimas, 5 instrumentais e 2 sons cantados. O EP estará disponível para download gratuito, e o CD terá 4 faixas bônus: um som com o Caio (Elo da corrente), e 3 remixes do disco, feitos por Henrique Rezende, M. Takara e Suzi Analogue.

Acompanhe também o “Não canso de ouvir”, com o Rump e uma entrevista concedida ao Per Raps em novembro do ano passado, clicando aqui.

Per Raps: Na sua opinião, o que o Rump amadureceu do “Progressivo” e “Pós” até os dias de hoje (liricamente e sonoramente)?
Rump: Me vejo em um outro momento, liricamente e sonoramente. Principalmente sonoramente. Amadurecer, melhor ou pior, é relativo. Continuo fazendo o som que tenho vontade, e me vi num novo momento, trampando mais com teclados, fazendo um som diferente do que fiz nos últimos lançamentos. Daí vem a ideia de juntar algumas faixas e lançar algo novo.

Per Raps: As ideias cabeçudas ainda fazem parte da ideia das rimas? Elas terão algum tema como fio condutor ou serão independentes?
Rump: O disco tem menos rimas do que antes, mas as ideias, cabeçudas ou não, continuam na mesma linha. Não sou muito um MC de tema, do tipo que escolhe algo e escreve uma rima inteira sobre aquilo. Respeito também essa arte, mas não é a minha. Às vezes há um tema, mas não tão explícito. Continuo misturando diferentes referências e escrevendo simplesmente sobre coisas que penso e ideias que tenho.

Per Raps: De onde surgiu a ideia de convidar o Caio, do Elo da Corrente, para uma das faixas extra do novo EP?
Rump:
Acho que o essencial para uma colaboração dar certo está na interação entre os dois lados, bem mais do que o talento de cada um dos participantes. Mais do que pela sua perícia em rimar sobre bases, acho que fiz o convite pela identificação que tenho com suas rimas e pela amizade que temos. Já tínhamos feito um som juntos, e por estarmos ambos em outros momentos, achei que faria sentido.

Per Raps: Você acredita que não usando samples tem mais autonomia ou essa é uma opção profissional ou musical?
Rump: Acho que beats tocados ou sampleados têm o mesmo valor. Na verdade, até continuo produzindo beats a partir de samples, a Fênix Negra Beat Tape foi toda feita desse jeito. Mas estava com vontade de fazer tudo a partir dos teclados dessa vez. Os únicos samples são os timbres de bateria. É claro que não ter samples facilita a parte burocrática na possibilidade de licenciar alguma faixa para ser usada como trilha, mas esse não é o motivo principal da minha escolha.

Per Raps: Quem você convidou para cantar nesse trabalho e como surgiu a ideia dos remixes? Foi fácil escolher quem faria isso?
Rump: Fora as faixas bônus, o EP praticamente não tem participações. A única é a do Vico Piovanni, que compôs e gravou comigo a faixa “Come Down”. A ideia era conseguir transmitir bem a minha visão, por isso a única participação é a de um amigo que conheço desde a escola e que estudou música comigo depois. Nas faixas bônus, a ideia era criar um contraste entre a minha visão e a visão de outros músicos.

Por isso chamei o Caio para rimar num beat meu feito a partir de um sample, ou seja, que foge da estética do EP. E chamei três produtores que confio para remixarem faixas do disco. o Maurício Takara é um dos músicos que mais chama a minha atenção nesse estágio da música brasileira. Admiro a maneira que ele consegue conciliar elementos orgânicos e eletrônicos na sua música. O Henrique Resende tem trocentas bases de RAP no computador, mas nunca coloca nada na rua. Chamei ele porque acho que minha produção hoje defintivamente vem do hip hop, mas tem muitas outras influências, enquanto ele me parece estar mais próximo da sonoridade pura do hip-hop da primeira metade dos anos 90.

Por fim, a Suzi Analogue, da Filadelfia, me impressionou desde a primeira vez que a ouvi. Vejo a produção dela com influências mais parecidas com a minha, mas suas faixas tendem a trabalhar menos com loops e mais com variações que permeiam a música inteira. O jeito que ela cria climas em seu som é impressionante.

Rump por ele mesmo

Rump ataca agora com o EP "Sincronicidade" - por Marina Frúgoli

Per Raps: Foi fácil realizar o processo todo de produção do “Sincronicidade” em casa? Quais as principais dificuldades?
Rump: Nunca é fácil, né? (risos) Quis, mais ainda do que antes, tomar conta do processo todo, então além de fazer as bases em casa, gravei todos os vocais e mixei e masterizei as faixas. Independente da suposta qualidade maior que eu poderia obter finalizando o disco num estúdio, quis que também nisso o disco tivesse a minha visão. Sei que estou sendo repetitivo nesse ponto, mas para mim, não faz sentido lançar um trabalho artístico se não for com o intuito de realmente imprimir minha visão e meu momento nesse trabalho. Qualidade é sempre relativo. Uns vão falar isso, outros aquilo, vão falar que você acertou aqui e errou ali, mas acho que o que cada artista tem de mais valioso é a sua verdade. Certo e errado mudam com o tempo, não adiantaria eu tentar me adequar. Não posso garantir que todo mundo vai achar meu disco bom, mas tenho certeza de que é um trabalho que carrega uma verdade.

Per Raps: Mais uma vez você irá disponibilizar um trabalho seu para download. Apesar do debate sem fim sobre esse assunto, você acha que esse será o futuro da música? Se tivesse a chance de cobrar alguns centavos, apenas para cobrir as despesas da gravação, você o faria?
Rump: Todo mundo tem algo a dizer sobre o futuro da música. Não posso falar do ponto de vista de um artista que sempre vendeu milhões e agora está vendo esse número cair. Mas do ponto de vista de um artista novo que tem como principal objetivo ser ouvido, sinto que disponibilizar sua música no seu próprio site, com uma qualidade decente é a melhor escolha. Uma vez que o público aprende a ter a música que quiser de graça, não adianta eu tentar contrariá-lo. Mas sei também que assim como eu, existem pesoas que compram música. Porque ter um disco físico não é a mesma coisa do que ter um arquivo em mp3, não só pela qualidade de som. Por causa dessas pessoas, que continuam comprando, coloquei as faixas bônus só no CD.

Per Raps: Pretende fazer mais shows ou vai manter a sua postura anterior?
Rump: Eu nunca fui contra shows ou algo do tipo! (risos) Só não corri tanto atrás disso quanto de outras coisas. Eu dou aulas de música, faço uma faculdade de outro assunto… Acabo não correndo tanto atrás disso quanto outros emcees, mas continuo disposto a tocar em festas ou eventos do tipo. Ainda não é uma ideia concreta, mas eu queria montar um show que além de um Dj, tivesse o Vico (que gravou comigo em “Come Down”) tocando baixo, e que eu além de fazer as rimas, tocasse teclado e usasse um sampler. Não exatamente o show de RAP no qual uma banda faz as bases, mas também não exatamente o show de um emcee rimando com um Dj virando as bases.

capa Sincronicidade
Quem se interessou pelo novo trabalho do Rump, poderá encontrar este EP após o lançamento oficial nos seguintes endereços:

Sigilo Skate Shop – R. 24 de Maio, 62, loja 311
Colex Oficial – R. 24 de Maio, 116. Loja 33
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Grammy Latino y la Calle 13

Rene Perez e Eduardo Jose Cabra Martinez , do Calle 13. Eric Jamison_AP

Rene Perez e Eduardo Jose Cabra Martinez, do Calle 13 (Foto: Eric Jamison/AP)

Sigue por la Calle 13, gringo! – por E. Ribas

Quién és Calle 13? A resposta: uma das atrações mais interessantes da décima edição do Grammy Latino. Tanto que foram recompensados levando, na noite desta quinta-feira (5), cinco Grammys para Puerto Rico. A dupla Rene Perez e Eduardo Jose Cabra Martinez formou o Calle 13 (ou Rua 13, fazendo alusão ao local onde nasceram) em 2005, que de quebra já levou três gramofones dourados. Em 2007, o duo voltou a ganhar um prêmio pelo álbum “Residente ou Visitante”, que rendeu também um Grammy inglês.

Além disso tudo, o Calle 13 fez uma das apresentações mais empolgantes da noite – o que chegou mais perto foi o tradicional mariachi mexicano, Pepe Aguilar -, que este ano foi celebrada em Las Vegas, Estados Unidos. O som tocado foi no estilo reggaeton, de letras com teor político-social e sutis provocações, que se assemelham ao rap feito back in the days, no país sede deste Grammy. O show teve início com o exuberante som de taikos (aqueles tambores tradicionais japoneses) e bailarinos circenses do Cirque Du Soleil, que sintetizaram a pluralidade que caracterizou a noite. Logo depois, entrou em cena o marrento Rene Perez, acompanhado de crianças tão marrentas quanto ele.

O som era “La perla”, uma exaltação à América Latina, com refrão entoado pelo cantante panamenho Rubén Blades. A dupla porto riquenha levou os prêmios de gravação do ano e melhor canção alternativa por “No hay nadie como tú”, que gravou com Café Tacvba (outro ótimo grupo), melhor álbum de música urbana por “Los de atrás vienem comigo” e melhor vídeo musical versão curta para o clip de “La perla”, que ganharam junto com Rubén Blades. Vale a pena conhecer o som dos caras!

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Observação: Marcelo D2, que concorria na categoria Melhor canção urbana, com o som “Desabafo” (aquele com o beat do Nave), não levou o prêmio. O vencedor foi outro representante do reggaton, os porto-riquenhos Marcos Masis “Tainy”, Wisin & Yandel, com o som “Abusadora”.


Missão de Pesquisas Folclóricas

Missão de Pesquisas Folclóricas

O grupo Elo da Corrente muita gente já conhece, agora o trabalho mais recente deles, nem todos tiveram acesso ainda. Caio, Pitzan e PG firmaram uma parceria com o Centro Cultural São Paulo e o Centro Cultural da Juventude e prepararam um show especial intitulado “Missão de Pesquisas Folclóricas”. O primeiro show rolou em maio de 2009, no Centro Cultural São Paulo, junto de Marcelo Munari (guitarra) e Rogério Martins (do Hurtmold na Percussão).

Para isso, o Elo da Corrente teve acesso aos fonogramas captados nos anos 30 pela equipe de pesquisadores comandados por Mário de Andrade. Com esse material em mãos, o trio compôs 13 faixas para a apresentação, que teve ótima receptividade do público.

Dessa vez, o Elo apresenta o show “Missão de Pesquisas Folclóricas” no Sesc Vila Mariana, dando chance para quem ainda não curtiu a apresentação ao vivo. Além disso, Caio, Pitzan e PG prometem para 2010 um novo álbum, já que terão motivos para comemorar: o grupo celebrará 10 anos de existência e trabalho de qualidade.

Se você é de Sampa, corra para buscar seu ingresso. Vale a pena conferir!


O lado B de Prefuse 73

Guillermo e Rasheed_CCJ (Juliana Ferracini)

O CCJ ficou cheio na apresentação de Prefuse 73 (Juliana Ferracini)

“Um outro lado do Prefuse 73” – por Eduardo Ribas

Prefuse 73 é um dos diversos projetos musicais de Guillermo Scott Herren, que também faz questão de dividir os créditos com seu parceiro de longa data, Ryan Raja Rasheed. Parceiro que, por sua vez, também possui um projeto bem interessante, o Leb Laze.

A dupla é de Miami, onde a maioria da população é de latinos, assim como Guillermo, de pai espanhol e mãe cubana/irlandesa. Rasheed foge da regra e é descendente de libaneses. Os dois se conheceram logo após os tempos de escola, possuem um humor parecido e curtem o mesmo estilo de rap. Apesar disso, tudo começou a ficar mais sério apenas quando Guillermo pediu que Rasheed remixasse uma fita e, logo depois, eles começaram a fazer turnês juntos.

Bem humorados e sem se preocupar com a marra tradicional no hip hop, os dois possuem uma aparência quase que similar: magrelos, com bronzeado de escritório à moda européia e com um estilo de se vestir básico e discreto. Pode ser que essa não tenha sido a imagem que você tinha construído em sua mente ao ouví-los, certo? Mas não se preocupe, você não é o único. Em uma passagem engraçada da carreira de 10 anos dos dois, alguns promoters já disseram na caruda que esperavam os “black dudes” (os caras negros) para tocar em suas festas. Tiveram que ouvir o latino e o libanês.

A conversa, com quase o mesmo tanto que risadas e idéias, rolou antes do show feito neste domingo (18/10), no CCJ. Quem respondeu a maioria das perguntas foi Guillermo, o “porta-voz” do Prefuse 73. Mais reservado, Rasheed só pontuava alguma coisa quando realmente se fazia necessário. Os assuntos variaram da marra no hip hop à falta de referência da molecada de hoje e aprendizados com a carreira e as turnês. Agora é só curtir!

Faço isso há muito tempo e não vou parar até estar morto!Guillermo Scott Herren

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E. Ribas (Per Raps), Rasheed e Guillermo no CCJ - Foto de Carol Patrocinio

A ideia inicial rolou sobre a evolução musical do Prefuse 73 desde sua última passagem pelo Brasil. Guillermo diz que era difícil ter uma resposta. “Nós apenas tocamos, não esperamos muito. As pessoas têm o que oferecemos, e oferecemos 100% de respeito. Se vocês não gostam disso, então me desculpe. Não tem muito o que fazer a respeito”. Quando fala do som de Prefuse 73, Guillermo afirma categoricamente: “gosto de fazer música barulhenta”. Ambos concordam que fazem um som progressivo e não necessariamente algo diretamente ligado ao hip hop.

A dupla se apresenta com vários fios, vocais feitos por Guillermo, um notebook, MPC, uma mesa de som e sintetizadores. Claramente tímidos, nenhum dos dois procura encarar a plateia e até na hora de reagir a assobios, apenas acenam. “Se recebemos resposta da plateia achamos legal, mas não somos o tipo de banda que diz: obrigado, como está sendo essa noite pra vocês?”, responde Guillermo. “Estamos nessa há 10 anos, não precisamos de abraços de cada um que está na plateia. Nós somos só uns caras que querem fazer um som e trocar uma ideia. Não somos o Led Zeppelin, sabe?”, ironiza.

A partir daí, surge a dúvida sobre a diferença de comportamento da dupla em uma apresentação ao vivo e dentro de um estúdio. “No estúdio você precisa fazer algo que as pessoas vão ouvir e comprar. É totalmente diferente! Num estúdio você está confinado com máquinas por todos os lados e ao vivo você tem que ir lá e mandar ver. Como se fosse no jazz, você improvisa em cima de um tema, mas no jazz os solos podem durar uma hora, nós não podemos fazer isso!”.

Guillermo diz que às vezes uma parcela do público parece esperar algo diferente do que ele realmente é, mas quando o conhecem, conseguem perceber que ele não é o que esperavam. “Tem gente que chega tipo: e ae, mano, firmeza? E eu, tipo: E ae, tudo bem? Não seguimos a regra, simplesmente fazemos nossa parada”. Aliás, essa parece ser uma preocupação recorrente de Guillermo, já que muita gente parece não entender a proposta de seu som, sem contar com os estigmas do hip hop, que teimam em continuar existindo. Mas pra ele, isso só serve para mostrar o quanto as pessoas podem ser engraçadas. “Uma vez, um promoter do nosso show recebeu uma ligação perguntando que horas o cara negro chegaria. E ele respondeu: então, na real o cara é tipo cubano, sabe? E o cara: aaah, tá”.

[Youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1Lm6fS_dGkY]

Amadurecimento profissional

Quando comecei, eu era bem tímido, sabe? Na hora de tirar fotos, eu sempre tinha que me esconder. Mas o sentido disso tudo era: não me entenda como um mano, nem como uma personalidade, deixe que seja a música. Quando saiu o segundo álbum, eu estava mais sob controle da parada e chega um ponto da carreira que tudo está mais firme, então você tem que ir lá e fazer a foto, a entrevista e lidar com isso. Aprender isso é parte do processo.

E nesse mundo de turnês, se você quer ser levado a sério isso faz sentido. E se você pensar pelo lado de que as coisas só irão acontecer se você tiver um manager ou um selo, esquece. Você vai desmoronar em um ano! A maioria do tempo sou eu e ele (Rasheed), correndo pelos aeroportos com nossas coisas, tirando fotos.

Influências e sonoridade

Nós dois obviamente temos um background do rap do final dos anos 80 e os anos 90. Até nos outros projetos isso é perceptível, obviamente nós temos esse laço. Mas curtimos alguns “barulhos” do Japão, que são melhores que qualquer hip hop desses que estão sendo feitos hoje. As pessoas perguntam o que eu ando ouvindo e esperam que eu responda uma parada underground, então respondo: eu gosto do novo do Jay Z. É um som poderoso, sabe? Ao mesmo tempo estamos ouvindo músicas da Itália, depende muito. É legal ter um certo humor por trás dos sons. E o importante é se divertir.

Poderíamos ser uns caras que falam “foda-se”, mas não, não nos importamos com pose e coisa do tipo. Crescemos juntos (Guillermo e Rasheed), pegamos nossas influências e tentamos crescer, evoluir. Muitas bandas hoje têm fórmulas pra fazer sucesso. Tem umas fórmulas da TV pra se chegar ao sucesso. Não sei como, mas ainda estamos tocando nosso som e nos divertimos.

Queremos ser mais engraçados que sérios, não queremos dizer que gostamos do hip hop do passado. Porque o que aconteceu nos últimos 10 anos, tem coisa boa, coisa não tão boa, mas não quero ser representado por nada disso. No Brasil a cena é foda e eu sempre permaneço atento a ela, mas tem uns lugares do mundo que não dá, não queremos isso pra gente.

O rap hoje em dia

Guillermo acredita que os raps ficaram mais inteligentes nos anos 90, já que os MC’s falavam baixarias com analogias complexas ou de um jeito mais refinado e isso soava bem legal para ele. Mas hoje, as pessoas parecem não se importar mais, pois segundo ele, a molecada não tem muita referência. “Algumas coisas são inteligentes demais pra eles! Ninguém entende o que o Mos Def tá falando, sabe? A molecada quer o instantâneo, quer pegar o som e jogar no iPod. É tudo: Bam! Twitter e tal. ‘Aqui está o som, baixe aqui.’ Nós estávamos aqui antes disso e permanecemos mesmo depois, essa é a parte mais importante”.

A decepção com os jovens de hoje acaba revelando uma concordância com as ideias de Jay Z, de morte do Auto-Tune (D.O.A). “O hip hop porcaria do rádio parece aparecer assim: em dois segundos se escreve algo e aí, esse é o gancho e o verso vai rimar com isso. E então, para o auto-tune!”

“Os jovens não querem ouvir umas paradas desafiantes, mas você tem que pensar: não me importo com isso. Daqui há 20 anos quando você for ouvir os clássicos, T-Pain não estará lá! Vai ser um disco do Doom ou do Madvilain. E vão falar: se liga nessas gravações. E as paradas ainda vão ser mágicas, sabe? Hoje tudo soa meio ‘rave’, tudo tem auto-tune. É claro que tem coisas que eu ouço, claro. Mas chega no dia seguinte e eu esqueço. Não vou chegar a comprar nada disso”.

Conclusão

Mesmo com toda essa perspectiva aparentemente desfavorável, Guillermo e Rasheed ainda buscam motivos para prosseguir. “Se desistíssemos por causa do panorama, estaríamos trabalhando em trampos regulares. Faço isso há muito tempo e não vou parar até estar morto! Eu simplesmente não vou, sabe?” E estamos contando com isso!

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Go Skateboarding Day

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Go Skateboarding Day – por Nathalia Leme

Há quem diga que junho é o mês dos namorados. Eu discordo e dou um título muito mais significativo a ele: junho é o mês do Skate!

Para quem não sabe, no dia 21 de junho é comemorado o Go Skateboarding Day ou, o tão sagrado, Dia Internacional do Skate, se preferirem. A data, criada em 2004 pela Associação Internacional das Companhias de Skate, sugere largar todas as obrigações para passar o dia andando de skate e se divertindo, levantando também a consciência contra a discriminação e a marginalização que é criada em torno de um skatista. É um dia para todos se reunirem junto aos amigos e resgatarem a verdadeira essência da cultura do universo do skate: a diversão.

“Skateistan Afghan Skate School” por Tyler Hicks/The NY Times

“Skateistan Afghan Skate School” por Tyler Hicks/The NY Times

A data é levada muito a sério, inclusive em lugares que você nem imagina: que tal Cabul, a capital do Afeganistão? Não. Você não leu errado! Tudo começou quando um australiano chamado Oliver Percovich foi morar na terra dos talibãs junto com sua namorada há uns anos. O namoro acabou, a mina caiu fora e o cara, super endividado resolveu dar um role de skate para esfriar a cabeça.

 

Se o skate por si só, em qualquer outro lugar, já chama atenção, imagina no Afeganistão?  De tanto observar a platéia que se formava nos seus rolês de skate, Oliver decidiu que o carrinho seria a solução dos seus problemas. Decidiu fundar a  “Skateistan Afghan Skate School” – ou “Skatistão, a escolinha de skate do Afeganistão” em bom português.

E no domingo passado, dia 21 de junho, dezenas de crianças de todas as classes sociais, meninos e meninas se juntaram e sairam com seus skates pelas ruas de Cabul, para celebrar o Go Skateboarding Day. O evento foi organizado pela Skateistan, a primeira escola de skate do Afeganistão.

Então tá. Você quer outro lugar inusitado onde o Dia Mundial do Skate foi comemorado? O que acha da Casa Branca? Barack Obama convidou o skatista Tony Hawk para umas remadinhas nos arredores da Casa. Tony Hawk, famoso por suas revoluções no skate e por ter levado a atividade (ou esporte, chame como achar melhor) a outro patamar descobriu ter um grande fã: o atual presidente dos EUA que se mostrou bem animado com a visita e, inclusive, liberou pessoalmente o skatista de embalar pelos corredores da Casa Branca.

O presidente comentou também em seu diário que gostaria de aprender a pular escadas de ollie e mandar uns backsides pop shove-its. Quem sabe em breve não teremos mais um skatista na categoria master? We hope so!

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E por aqui, eu que te  pergunto: qual o lugar mais inusitado que você já andou de skate?

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Festas

MameloQuinta

Mamelo Sound System @ Espaço Rio Verde
Quinta (hoje), 25 de junho de 2009 às 22 horas
Preço: R$10

Espaço Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena – São Paulo, SP
Tel: 3459-5321

show Rump
Tiago Rump @ Expo Real Vida Suja
Sexta, 26/06 19:00 às 23h
Participações de Lurdez da Luz & Rodrigo Brandão/ Ogi e Primeira Audição

Espaço A
R. Purpurina, 207 – Vila Madalena, SP/São Paulo
Preço: Grátis!

Dj Nyack e Emicida serão a atração da Peligro, na Neu

Nesta sexta, a rua é Neu! - Dj Nyack e Emicida (Ênio César)

Emicida @ Festa Peligro na Neu Club
Sexta, 26 de junho de 2009 às 23:00
Discotecagem: Dago Donato
Preço: R$15 (R$10 até 0h)

Neu Club
Rua Dona Germaine Burchard, 421 – Água Branca – São Paulo, SP
(próximo ao metrô Barra Funda)
http://www.peligro.com.br

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Casa di Caboclo @ Espaço +Soma
27 de junho/ Abertura da casa às 19h
Shows pontualmente às 21h
Preço: R$ 10,00

Espaço +Soma
Rua Fidalga 98 – Vila Madalena – São Paulo – SP
Informações: 11 3034.0515


Conheça mais sobre o Grime

O Per Raps recrutou mais uma vez a colaboradora carioca *Ciss para nos falar um pouco sobre o ritmo que bomba as pistas britânicas; o grime. Acompanhe uma entrevista exclusiva com o MC JME e acompanhe também uma conversa sobre o lançamento do single “Too Many Man”, do grupo Boy Better Know.  Curte ae!

“Um pouco sobre o grime” – por Cissa Maia aka *Ciss

Parte da cultura urbana, essencialmente do gueto de Londres, o grime é a versão britânica do hip hop. Os pioneiros do estilo – Wiley e Dizee Rascal – debutaram suas vozes e batidas futuristas no clima de batalhas realizadas em garagens no Leste de Londres. Diferente do rap tradicional, não tardou para que a Rinse FM, rádio pirata divulgadora da cultura urbana, adotasse o grime. Aliás, por estar dentro de um contexto distinto, logo a mídia causou alguns embates negativos, em relação ao ambiente sócio-cultural do qual o genêro emergiu. Mas o que poderia parecer crucial, funcionou como fuga ao tópico da marginalização e solidificou-se como um cenário independente.

Sem uma fórmula mágica, o som é instrumental, construído a partir da base do UK Garage, combinando elementos eletrônicos com linhas de grave guturais do Dubstep; o ritmo digitalizado é caracterizado pelo quebradiço 2-step do breakbeat. Traz levadas irregulares, permeadas por letras agressivas, metafóricas, divertidas, às vezes confusas e improvisadas pelos MC’s.

A popularidade do grime chamou atenção da rádio digital britânica BBC 1xtra, especializada em música urbana – bassline, dubstep, bashment, soca, dancehall e hip hop. Mesmo causando controvérsia pelo uso de dialetos e gírias pesadas, a audiência do show Sunday Night, do apresentador Tim Westwood, confirma o sucesso dos artistas e da cena grime.

JME é um dos mais fluentes e habilidosos MC’s do grime (Divulgação)

JME é um dos mais fluentes e habilidosos MC’s do grime (Divulgação)

Os dois lados de Jamie Adenuga

Jamie Adenuga aka JME é um dos mais fluentes e habilidosos MC’s do grime. Com entusiasmo visceral, campeão de bmx, mais de quatro milhões de acessos no MySpace, vídeos sarcásticos no Youtube se apresenta ao lado do seu irmão Skepta, que demonstra empenho nos negócios, afinal ambos são os idealizadores do coletivo e selo independente Boy Better Know.

Apesar do single de sucesso Serious, do álbum de estréia Famous, JME possui 4 mixtapes lançadas – Shh Hut Yuh Muh, Poomplex, Derkhead e Tropical – somada a várias produções em parceria com outros artistas, incluindo os membros do BBK. O coletivo é um dos mais lucrativos selos independentes da cena, isto se deve a venda de camisetas com a estampa “Boy Better Know”. Célebres entre os fãs, preocupado com a falsificação, imediatamente as camisetas passaram a ser vendidas na internet, agora liberadas em lojas nacionais e, segundo JME, a intenção é importá-las para outros países.

É com competência, que JME fortalece seu empreseriado, demonstrando que o talento vai além do microfone. Confira a entrevista exclusiva e o lançamento do novo single “Too Many Man”, do Boy Better Know.

Per Raps: O sucesso do grime tem muito a ver com a cena de rádios piratas e as batalhas de rap em garagens de Londres, nas quais os MC’s duelam para praticar suas habilidades e ganhar reputação no meio underground. Você acha que esse é o novo jeito de fazer hip hop no Reino Unido?

JME: Gostando ou não, o grime é uma versão do hip hop no Reino Unido. As pessoas não admitem isto, porque querem parecer totalmente originais e únicas. Mas para ser honesto, todos sabemos que são letras em cima de batidas, só que com o sotaque e atitude do Reino Unido. Ao invés de focar nas semelhanças, eu foco nas diferenças e as enfatizo para tornar minha música única e destacá-la dos outros atos do grime. Para entender totalmente a cena do grime, bem como a cultura do grime, é preciso morar aqui por um ou dois anos. É muita coisa para explicar em  poucas palavras, como em qualquer outra cultura musical.

Per Raps: Qual é a sua opinião sobre o grime ser associado com armas e violência?

JME: O cenário do grime é a música de rua do Reino Unido, portanto isto será, invevitavelmente, associado ao crime de rua. E é muito fácil para o governo e a mídia apontar o dedo, pois as duas estão ligadas entre si. Porém, minha opinião é a seguinte: nós somos músicos, não somos marginais. Alguns de nós já adotaram atitudes criminosas, assim como muitos parlamentares e jornalistas! Assim é a vida, eu simplesmente ignoro os estereótipos existentes e sigo em frente com minha música.

Per Raps: Alguns MC’s são notáveis por improvisarem bem, mas não conseguem compor músicas. É como se não connseguissem transpor o flow do MC freestyle para o artista com uma música de fato. Além disso, há outros artistas/MCs que apenas escrevem sobre sentimentos e tudo aquilo acaba se tornando real para eles mesmos. O que faz um MC/artista ser reconhecido como verdadeiro?

JME: Tudo o que você tem que fazer é uma pintura, uma agradável pintura. É assim que eu o avaliaria para sempre, mesmo que seja uma única faixa. Eu sempre terei em mente a pessoa talentosa que é. E evidentemente terei interesse em saber o que você irá dizer na próxima vez.

Per Raps: Você é conhecido pelo seu nível avançado e estilo agressivo no microfone. Quando está improvisando, independente da letra, qualquer palavra que você diga não faz diferença?

JME: Eu sou dois JME – um com uma linguagem inteligente e clara, o outro enraivecido, que não que ouvir ninguém. Eu troco meu ritmo quase que imediatamente no microfone, dependendo da letra que estou improvisando, às vezes mudo na metade do flow. Está tudo ligado na energia e na entrega disso. É exatamente o que torna a música excitante e imprevisível, exatamente o que as pessoas querem.

Per Raps: Existem poucas MC’s mulheres em uma cultura onde os homens prevalecem como a maioria. Quem é a sua MC favorita?

JME: Minha favorita é a Shystie. Recentemente, eu a vi em um vídeo no Tim Westwood Show. Ele me lembrou que 70% de um bom artista é todo o trabalho de um cérebro, ou seja, ela tem um cérebro.

O coletivo Boy Better Know (Divulgação)

O coletivo Boy Better Know (Divulgação)

Per Raps:  Quem  é o rei do grime para você?

JME: Não há um rei. Há pioneiros, pessoas que precisam estar no meio do mundo musical para manter sua energia, estes são; Boy Better Know (Skepta, Wiley, Frisco, Shorty e eu), Newham Generals (D Double E e Footsie), Dizee Rascal, Ruff Sqwad (Tinchy Stryder, Rapid, Dirty Danges, Fuda Guy, Roachee and Shifty), Cold Blooded, Flirta D, Bashy, …hmmm…há mais, mas os que eu mencionei são os cara que me inspiram e me fazem ACREDITAR que nossa música tem futuro.

Per Raps: Você é o irmão mais novo do Skepta, rola alguma disputa entre vocês?

JME: Ele é meu grande amigo, nós realmente não competimos, porque damos um ao outro o espaço que precisamos. Você precisa de espaço para ser criativo.

Per Raps: O BBK é um coletivo e um selo estabelecido por você e o Skepta. Você acha que hoje em dia é melhor não fechar com uma gravadora – como seria nos moldes padrões da indústria? É mais fácil cuidar da carreira, produzir e distribuir por conta própria?

JME: Existem duas maneiras pelas quais as pessoas assinam com selos. Ou elas não sabem como fazer sozinhas ou pelo dinheiro, dinheiro e dinheiro.

Per Raps: Atualmente, quem são os artistas no coletivo?

JME, Skepta, Wiley, Frisco, Shorty e DJ Maximum (o melhor Dj do planeta Terra)

Per Raps: O BBK é considerado um lucrativo selo independente, se pensarmos no cenário underground. Você é conhecido por vender camisetas com a estampa BBK, o que aparentemente é mais rentável do que a música.

JME: As camisetas foram algo acidental. Eu fiz uma para mim, depois de ter desenhado o logotipo. Daí Wiley me pediu uma, depois Skepta e então minha mãe…Foi quando eu fiz umas 50 camisetas e dei para minha família e amigos… Logo mais, as fotos já estavam “flutuando” pela internet e houve uma procura instantânea pelas camisetas do BBK. Agora estamos indo com força e resistência. Procurem pelas camisetas do BBK no Brasil! (risos)

Per Raps: No geral, como você definiria o BBK das outras crews?

JME: O Boy Better Know é um coletivo de pessoas que não precisa sempre uma das outras para funcionar 100%. Todos nós podemos fazer nossas próprias coisas. Então, quando estamos juntos, é como uma bomba nuclear!!!

Frisco, JME, Shorty, Skepta e Wiley (Divulgação)

Frisco, JME, Shorty, Skepta e Wiley (Divulgação)

Per Raps: A faixa “Too Many Man” é mais funky e tem umas batidas vibrantes, mas o que se escuta não é o habitual dos artistas do BBK. É uma música agitada e dançante. O que vocês quiseram dizer com “we need more girls in here”? Não tem garotas o suficiente?

JME: Skepta produziu as batidas, é uma faixa para clubes noturnos, basicamente, precisamos de mais meninas nas festas underground, a fim de mantê-las embaladas. Homens em demasia nunca é uma coisa boa, só no futebol. O vídeo foi feito por um diretor chamado Mo Ali.

Per Raps: Nós vivemos em uma sociedade totalmente desigual, com algumas diferenças no modo de pensar, mas o que torna o grime próximo do rap brasileiro e funk carioca é o estilo urbano de uma cultura do gueto. Ambos os lados têm uma maneira própria de fazer tudo isto acontecer. Abraçamos esta cultura e música e somos orgulhosos na nossa sociedade multicultural. Para finalizar a entrevista, o que você poderia dizer para os nossos MCs e rappers brasileiros; e aos leitores da Per Raps?

JME: Nunca se esqueça porque você faz a música que faz. O dinheiro vem depois do talento, logo o poder. Não dê um passo maior que a perna por dinheiro e poder, porque você vai se perder no final. Faça boa música (ou qualquer coisa que você faça) e tenha orgulho do seu trabalho. O público em geral é incostante e não terá a mesma opinião para sempre, então não preste atenção nas merdas que você ouve por aí. Seja VOCÊ MESMO e ACREDITE EM SI.

Saiba mais:

http://www.boybetterknow.com
http://www.myspace.com/jmeserious
http://www.youtube.com/user/ManBetterKnow
http://www.bbc.co.uk/1xtra/westwood/


Per Raps celebra 9 meses de vida com festa!

Nathalia Leme, Eduardo Ribas e Daniel Cunha - equipe do Per Raps

Nathalia Leme, Eduardo Ribas e Daniel Cunha - equipe do Per Raps

Com grande prazer a equipe do Per Raps anuncia que, ao menos por um dia, deixará seu formato online de lado para ficar offline. Por quê? Pois será um dia de comemoração. A equipe do blog foi convidada pela produtora Agência Alavanca para realizar uma festa! 

A proposta é misturar estilos e juntar públicos diferentes. Sendo assim, o espaço será perfeito para quem curte  boa música, sem rótulos. Além disso, essa festa vai servir para marcar também os 9 meses de vida do Per Raps, que sem os leitores e colaboradores, não teria sobrevivido até os dias de hoje. 

Venha celebrar a data e, de quebra, curtir a discotecagem da equipe do blog – Nathália, Daniel e Eduardo. Como atração, teremos Caio BoscoSlim Rimografia.

O dia desse mix vai ser 13 de junho, na Livraria da Esquina. Se você tem planos de ficar em Sampa, essa é uma boa pedida! Dúvidas? Nos procure no email perrapsblog@gmail.com. 

Acompanhe abaixo também um texto feito pelo pesssoal da Agência Alavanca sobre as atrações da noite.

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Caio Bosco por Pedro Martins (Bazuka's Natural House)

Uma melodia mântrica faz fundo a uma crônica de um amor de verão no litoral paulistano em “Eu Não Quero Ser Sua Garota Nunca Mais”. “Na2SO4+2H2O (Água e Sal)” presta homenagem declarada a Walter Franco, mas também emana algo da fase Racional de Tim Maia. O músico Caio Bosco vem do Guarujá (SP) e canta sobre manhãs fazendo tai chi chuan e xamanismo na música que batiza sua estreia solo, o EP Diamante – citação a musa folk Vashti Bunyan.

Egresso do Radiola Santa Rosa (em que misturava psicodelia a batidas e scratches em algo que poderíamos chamar de “hippie hop”), ele se aprofunda na pesquisa de sonoridades dos anos 60 e 70. Ao lado do também ex-Radiola DJ Beto (turntable, teclado, samples, dub fx) e de Juca Lopes (bateria), Emerson Tripah (guitarra) e Fabio Peraccini (baixo), Caio (vocal e guitarra) conduz uma iluminada viagem por paisagens que vão do folk ao jazz, do rock a MPB.

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Filiph Neo (teclado e voz), Slim e Thiago Beats (beat box e samplers) por Ruy Fraga

Ícone do rap no Brasil, Slim Rimografia se apresentou recentemente na Europa, tem dois discos elogiados na praça e um novo single, “Canto de Vitória”. Influenciado por música brasileira, o jovem MC e produtor paulista recorre ao samba, a MPB, a bossa nova e a ritmos regionais para temperar suas rimas, melodias e beats.

Ao lado de Filiph Neo (teclado e voz) e Thiago Beats (beat box e samplers), Slim mostra faixas com muito crédito nas ruas, como “Por Você”, “Amigos”, “Compre Meu Disco”, “Sol” e “Falido”, em que fala fácil e ideias muito bem expressas abordam amor, vida, música, mundo e dinheiro, necessariamente nesta ordem. No palco, o trio cria batidas ao vivo, improvisando sobre baterias eletrônicas e instrumentos acústicos, e surpreende pelas experiências sonoras e a musicalidade.

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Serviço:

Noite Alavanca e Per Raps convidam Caio Bosco e Slim Rimografia
Discotecagem:
Daniel Cunha, Eduardo Ribas e Nathalia Leme (Per Raps)
Sábado, 13 de junho, a partir das 23h
Livraria da Esquina “A”: Rua do Bosque, 1.254 – Barra Funda – São Paulo, SP
R$ 10 (aceita todos os cartões)
(11) 3392-3089
www.lastfm.com.br/event/1084890