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Per Raps prestes a completar dois anos

“Mais um ano se passou…” – por Eduardo Ribas

Há mais ou menos um ano, eu escrevia o post sobre o primeiro aniversário do Per Raps. Como num piscar de olhos, cá estamos nós, no segundo ano. Per Raps II, a missão! Foi exatamente no dia 11 de setembro de 2008 que se iniciavam as atividades aqui.

Tudo começou de forma meio amadora na arte de blogar, mas sempre visando o profissionalismo no ato de reportar a cena rap paulistana. Não entramos nessa para fazer amigos, e sim mostrar o que acontecia na cena do jeito mais profissional possível. Alguns gostaram, outros não. Mas ainda assim, muitos apoiaram, fato que colaborou muito para a relevância atingida pelo trabalho do Per Raps.

Esse ano II serviu para conhecermos melhor a ferramenta “blog” – já que blogueira de verdade na equipe, só a Carol Patrocinio -, conhecemos mais o trabalho de pessoas que estavam próximas (em São Paulo e Rio de Janeiro), assim como conhecemos mais trabalhos de pessoas que estavam um pouco mais distantes.

Além disso, o leque de assuntos que tratamos aqui também expandiu; se antes o espaço era focado apenas em iniciativas que nos saltavam aos olhos, abrimos espaço para perfis que também mereciam sua divulgação e seu espaço. Outro ponto que gerou críticas, “pô, preferia o Per Raps como era antes”. Mas se o flow de um MC ou o estilo de fazer uma batida por um beatmaker podem mudar, por que nós não podemos?

De trabalhos interessantes, elaboramos a polêmica “Linha do Tempo do Rap Nacional”, que gerou muitos comentários de amor e ódio, a cobertura do último Indie Hip Hop, que trouxe o rapper e ator, Mos Def, além de textos reflexivos, dicas de documentários, posts especiais sobre as novidades sonoras de 2009 e nosso primeiro especial, que foi dedicado totalmente às mulheres.

Outros dois momentos importantes foram o final decretado do Indie Hip Hop, após 10 anos de uma bem sucedida caminhada, assim como a luta pela volta à grade da TV Cultura do programa Manos e Minas. Essa ação foi particularmente emocionante, já que partiu de uma situação complicada, que muitos descreditaram a possibilidade de mudança, e que se reverteu.

E essa virada só pode acontecer pela luta e engajamento online de cada pessoa, cada site, blog, twitteiro, pessoas soltando o verbo no facebook e, consequentemente, a materialização do protesto, que saiu da web e chegou às ruas. Isso apenas provou o quão importante é a internet hoje e como podemos fazer a diferença, se soubermos o que estamos fazendo e tendo conhecimento dessa potente ferramenta.

Tivemos a chance de realizar algumas entrevistas internacionais, entre elas com o duo Prefuse 73, com quem conversamos pessoalmente na CCJ, em um papo descontraído, que só terminou porque o show tinha que começar. E também Amanda Diva, rapper, atriz, radialista e pintora, que demorou de acontecer, exigiu uma troca intensa de e-mails, mas acabou acontecendo. Reportamos duas perdas, a da guerreira Dina Di, curiosamente no mês da mulher, e o saudoso “arquiteto” Guru, do Gangstarr.

No entanto, não só de passado vivemos. Ao contrário do que aconteceu em nosso primeiro ano de vida, quando as celebrações iniciaram dia 11 de setembro, data oficial de aniversário do Per Raps, dessa vez iniciamos no começo do mês! Traremos posts especiais com conteúdo de primeira, exclusivamente para você! Também vão rolar outras novidades, que serão informadas com o passar do tempo. Por enquanto, se liga no que está por vir… Novo Per Raps (clique e acompanhe!).


Tradução: Fuck you, de Cee Lo Green

cee-lo green

“Dor de cotovelo musical” – por Carol Patrocinio

Inspirados pelo teaser do clipe do novo som do Cee Lo Green, resolvemos colocar aqui a letra da música traduzida, assim como o Boombap-Rap, do Felipe Schmidt, faz com magestria. Sabe o que você deve dizer a uma garota quando ela não se interessa por você, mas pela sua grana?

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Eu disse,
“se eu fosse mais rico, eu ainda estaria contigo”
Rááá, isso não é uma merda?
(não é uma merda?)
E apesar dessa dor no meu peito
Eu continuo te desejando o melhor com um
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo

Yeah, me desculpe, eu não posso bancar uma Ferrari,
Mas isso não quer dizer que eu não te faça chegar lá.
Eu acho que ele é um xbox e eu sou tipo um atari,
Mas o jeito que você joga não é justo.

Eu banquei o babaca
Que se apaixonou por você
(ah merda ela é uma golpista)
Bom
(apenas achei que você devia saber mano)
Ooooooh
Eu tenho novidades pra você
Yeah, vá correndo contar ao seu namorado

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Agora eu sei que me endividar
Implorar e roubar e mentir e trair
Tentando ficar com você, tentando te agradar
Porque estar apaixonado por você não é barato

Eu banquei o babaca
Que se apaixonou por você
(ah merda ela é uma golpista)
Bom
(apenas achei que você devia saber mano)
Ooooooh
Eu tenho novidades pra você
Ooh, eu realmente te odeio agora

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Então baby, baby, baby,
Por que você quis me machucar tanto?
(tanto, tanto, tanto)
Eu tentei conversar com a minha mãe mas ela me disse
“isso é com seu pai”
(seu pai, seu pai, seu pai)
Uh! Por queêêêê? Uh! Por queêêêê? Uh!
Por queêêêê menina?
Oh!
Eu te amo!
Eu ainda te amo
Oooh!

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Todo mundo diz foda-se, mas esse foi o ‘fuck you’ mais classudo dos últimos tempos, não foi?

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Emicida começa produção da nova mixtape

Emicida por Luciana Faria

Os novos caminhos de Emicida – por Stefanie Gaspar*

Achar o estúdio de Emicida não é tarefa tão fácil quanto parece. Localizado em um pequeno e estreito edifício na Zona Norte de São Paulo, é moleza passar despercebido pelo interfone que anunciou a nossa chegada. Emicida e o irmão, Evandro “Fióti”, abriram as portas com simpatia e nos mostraram o local que, nas próximas semanas, será o QG de uma intensa produção musical: em seu recém-montado estúdio, Emicida e seus manos vão começar a produção de sua segunda mixtape, um ano após o lançamento de Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe, que vendeu ao todo cerca de 10 mil cópias.

No dia de nossa visita, ninguém parava quieto no estúdio, arranjando as recém-compradas caixas, indo buscar novos cabos, baterias e extensões. Tudo sendo montado cuidadosamente – e, enquanto não está ajudando e coordenando, Emicida se tranca em um canto do estúdio para compor, sem parar, horas a fio. “Tem que ficar mexendo nas músicas, já que a maioria delas sobrou da mixtape anterior. E muita coisa eu fui compondo nos períodos entre os shows mesmo. Agora é hora de escrever sem parar, de rever tudo isso”, contou ele.

Entre uma explicação e outra, um telefonema e uma corrida para o quarto ao lado para checar os novos cabos, o estúdio do rapper explica por si só o esquema que ele comenta ser “incompreensível” para a mentalidade atual das gravadoras. Essa nova cena brasileira, composta por artistas independentes que cativam o público e alcançam sucesso de vendas sem o auxílio de uma major, seria uma mistura equilibrada de profissionalismo e esquema caseiro.

“O problema das grandes gravadoras é não compreender o processo de produção do rap brasileiro, dessa coisa espontânea, colaborativa, dos manos chegando e fazendo as coisas. E essa relação de brodagem também, que você não consegue da noite pro dia, precisa de convivência. Eles não querem chegar e me conhecer, saber como é a parada, meu esquema de trabalho. Eles querem assinar contratos e garantias, mas não respeitar esse ritmo”, comentou o rapper, que faz parte do front desse boom de artistas do rap que estão conquistando novos espaços e encontrando novas formas de viabilizar seus trabalhos, explorando o conceito das mixtapes e utilizando a web e a versatilidade da rua como veículo de disseminação da boa música.

Dj Nyack por Luciana Faria

“O filão das gravadoras está terminando. É muito bom fazer mixtape, é um formato que quase não existe no Brasil e é incrível, vende pra caralho e a gente não fica preso. Tenho um sério problema com esses bagulhos fabricadão, esses artistas que surgem DO NADA, uma parada matemática definida por um grupo de empresários. Daí eles decidem que os artistas deles precisam ser bem bonitinhos e se vestindo assim ou assado, cantando música de amor…”, ironizou Emicida.

Quando soubemos da movimentação por um novo trabalho do rapper – além de sua primeira mixtape, ele lançou o single Avua Besouro e o EP Sua Mina Ouve Meu Rap Também -, já pensamos em um primeiro álbum de estúdio, considerando que as sobras da primeira mixtape já teriam sido utilizadas no EP ou ficariam guardadas para outros trabalhos. Entretanto, Emicida afirmou que já começa a trabalhar em uma nova mixtape, a ser lançada em agosto deste ano. E que o material utilizado será formado por músicas que sobraram da primeira mixtape.

“Agora vou terminar as sobras com essa mixtape e me preparar para um lançamento grandão depois, um álbum mesmo. Não quero lançar um álbum por obrigação, só porque preciso, quero fazer um negócio bem acabado, com um propósito. Sinceramente, eu acho que hoje só Racionais, MV Bill, caras grandes lançam álbuns de verdade”, afirmou ele.

Emicida por Luciana Faria

Questionado sobre o motivo de usar as sobras para uma nova mixtape em vez de ter liberado o material anteriormente em um EP, por exemplo, o rapper respondeu que a mixtape deve ser assim mesmo – uma salada. “O que eu gosto é de fazer EPs temáticos. Que nem o que eu lancei agora, Sua Mina Ouve o Meu Rap Também. Todas as músicas falam da mesma coisa. Isso que é bacana nesse formato. Mixtape é saladona mesmo, outro lance”, respondeu, sem se alongar no assunto.

Curiosamente, embora Emicida seja um claro exemplo de um artista desta “nova escola” do rap, exposto a novas influências e vivendo em um cenário repleto de transformações não só na sonoridade e nas temáticas discutidas pelo gênero como nos espaços ocupados pela música, o rapper afirma ouvir muito pouco rap, a não ser alguns artistas nacionais. “Eu sou de outro rolê, sempre escutei outras músicas. Eu gosto de rap, mas eu só escuto os manos daqui. Vocês ficam aí falando do novo do Hezekiah, um cara foda, mas que faria muito mais sentido se tivesse vindo 10 anos atrás. Não fico fuçando atrás de coisa nova, não”, afirmou o rapper que, mesmo assim, ouve os figurões do rap mainstream gringo, como Eminem (“o Recovery é foda!”), Nas, Jay-Z e até mesmo Will.i.am (“o cara é mestre!”).

Questionado a respeito dos gostos do público de hip hop hoje e a preferência pelos clássicos do gênero, o rapper dispara: “Isso é uma coisa que os DJs de hip hop fizeram também e agora precisam assumir: você vai na festa e o cara não toca música nova. Daí o pessoal fica sem conhecer uma pá de artista e não quer show de gente nova. Daí toca o quê? Wu-Tang Clan, Mos Def, essas coisas, daí judeu não toca rap nacional e não toca música nova. Outro dia tocou Drake na balada e eu quase chorei”, comentou ele.

Evandro Fióti por Luciana Faria

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Emicida hoje passou dos pequenos shows em bares sem esquipamento acústico até chegar ao VMB e ao circuito mainstream, que tão poucos artistas conseguem penetrar, e agora segue lutando para sobreviver em meio a uma cena em constante mutação e que é seguida de perto por um público exigente e que não se contenta com pouco.

O discurso vago a respeito do trabalho já feito e do trabalho que vem por aí, proposital ou não, chega a dois resultados: aumenta o mistério a respeito do processo de produção de suas composições mas, ao mesmo tempo, coloca o rapper em uma posição delicada em relação a um mercado instável, difícil e definido por um misto de oportunidade, sorte e trabalho duro (e tudo isso sem o apoio de uma gravadora). Leandro Roque é tão fascinante porque é um retrato das contradições do cenário do rap nacional – com todos os seus defeitos e qualidades.

Selo independente

A gravação da segunda mixtape de Emicida coincide com a criação de um selo, no qual o rapper pretende reunir seus amigos e colegas DJs, beatmakers e MCs para criar um projeto sólido em um mercado em crise. A intenção é trazer todas as ideias de artistas como Casp, Renan Saman, Skeeter, Kamau, DJ Nyack, Base, DJ Will e Luiz Café não só para a mixtape como para outros projetos, além de posteriormente começar a trabalhar na busca de novos rappers que precisem de apoio no início de suas carreiras.

O selo ainda não tem nome nem foi oficialmente lançado.

Leia mais sobre as ideias do rapper na matéria Emicida: o lobo solitário.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

**Fotos por Luciana “Playmo” Faria.


Per Raps TV: DJ King lança Anuário

DJ King rumo ao Guinness Bookpor Daniel Cunha

Em uma iniciativa pioneira, o DJ King, um dos disc jóqueis mais respeitados no cenário do rap brasileiro, acaba de lançar o Anuário 2009, em que ele documentou por meio de fotos, flyers e afins todos os seus compromissos como DJ durante o ano. Com impressionantes 257 apresentações, King também se habilita a um lugar no Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o DJ que mais tocou em um mesmo ano.

Junto com o livro, o DJ King preparou também a Mixtape Anuário Vol. 01, composta pelas músicas que ele mais tocou no ano. E um detalhe: apenas rap brasileiro! Assista o vídeo exclusivo do Per Raps em que ele fala sobre esses e outros novos trabalhos que vem por aí.

Veja a versão digital do anuário, faça o download da Mixtape Anuário Vol. 01, leia o texto de Gil de Souza, publicado na Revista Elementos, sobre o Anuário de DJ King (destaque para a parte final do texto, em que Gil fala sobre a forma exemplar como este trabalho foi entregue à imprensa), e o texto sobre a Mixtape, escrito pelo DJ Cortecertu, especial para o site Quilombo Hip Hop.

Para quem é de São Paulo, uma boa chance de conhecer esse trampo mais de perto é colar na Hole Club no próximo dia 10 de julho, quando o DJ King será a atração principal da festa Quilombo Hip Hop.

Mais:
Site do DJ King
Quilombo Hip Hop


Os rap’s da Seleção Brasileira

“Rap e futebol estreitam os laços” – por Daniel Cunha

Quem aí não se lembra do hit “Sou Ronaldo”, que o rapper carioca Marcelo D2 emplacou durante a Copa do Mundo de 2006 homenageando o atacante da Seleção Brasileira? Ronaldo não conseguiu mudar o destino do Brasil naquela Copa, mas mesmo assim, a música virou febre e a trilha sonora oficial de matérias e reportagens envolvendo o craque na televisão. Ponto pra D2.

Quatro anos depois, na Copa da África, outros rappers mostram que aprenderam bem a lição e, inspirados no carioca, criaram músicas-temas para outros destaques da Seleção. Assim como em um bolão, as músicas são ‘palpites’, tiros ao alvo, mas com um pouquinho de sorte, podem dar aos seus autores exposição semelhante à de D2 na última Copa. E eles sabem bem disso…

O primeiro a surgir com um tema foi o rapper paulista Professor Pablo, no final do ano passado, com uma música dedicada ao artilheiro Luís Fabiano. Seguindo alguns passos da fórmula de Marcelo D2, Pablo usa em “Prazer! Luís Fabiano” um instrumental com elementos de samba e fala na letra sobre a história de vida do jogador. A iniciativa ganhou espaço na mídia, rendeu entrevistas a Pablo e foi abraçada pelo próprio jogador, que passou a divulgá-la também em seus canais pessoais de comunicação.

Professor Pablo – “Prazer! Luís Fabiano”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-22T09_33_22-07_00.mp3″
Baixe a música

Há alguns dias, foi a vez de Kaká, craque do Real Madrid, ganhar sua homenagem. Para isso, ninguém melhor do que Pregador Luo, principal rapper gospel do país, com 20 anos de história dentro do Hip Hop. Recheada de sintetizadores e num clima bem futurista, a música aborda, além da história de vida do jogador, sua relação com a fé e devoção a Deus.

Pregador Luo – “Nasci para honrar”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-22T09_45_43-07_00.mp3″
Baixe a música

Nesta semana, outro craque dos microfones chegou com um novo tema para um jogador da Seleção. E, novamente, o alvo foi o artilheiro Luís Fabiano, que já se destacou na última partida, contra Costa do Marfim, com dois gols na vitória brasileira por 3 a 1. “O dono da 9” é o nome do som, cortesia de Max B.O., que cantou em um instrumental de A.G.Soares utilizado primeiramente no álbum de estreia de Akira Presidente. O belo sample foi retirado da música War, do Hypnotic Brass Ensemble.

Max B.O. – “O dono da 9”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-22T10_00_37-07_00.mp3″
Baixe a música

Ainda sobraram alguns que rendem temas bacanas, hein. Maicon, Robinho, Felipe Melo…E aí, quem se habilita?

PS: Só não me venham com tema do Dunga. Parece que com esse papo de “Cala Boca Galvão” se esqueceram das babaquices desse sujeito, que não sabe se o Apartheid foi bom ou ruim porque não estava lá pra dizer…



Ferréz e o sucesso da 1DASUL


O brasão do nosso povopor Eduardo Ribas

Em tempos de Fashion Week, nada melhor do que ignorar o que rola nas passarelas da high-society para dar atenção a iniciativas populares de sucesso. Quem é que nunca viu alguém andando pelas ruas de Sampa – e, espero eu, que em outros cantos do país – com uma camiseta da marca 1DASUL?

Criada há 11 anos pelo escritor Ferréz, a marca simboliza a auto-estima da periferia em forma de moda, uma vez que cada um que veste a 1DASUL mostra seu orgulho por viver no Capão Redondo ou simplesmente por respeitar a comunidade. Além da marca, mensagens politizadas também estampam as camisetas com frases como “Bom dia Vietnam, Bom dia Capão”.

Hoje, a 1DASUL não é apenas reconhecida e encontrada no Capão ou na Zona Sul de São Paulo, tomou as ruas com adesivos em carros, bonés, mochilas e uma diversidade de produtos que vão de pézinhos de moto a vinho.

No seu começo, a marca produzia pouco e era conhecida principalmente por suas camisetas, mas já apresenta um número considerável de produtos, todos feitos nas próprias quebradas; no Capão Redondo, em Guarulhos, Jaú, Jardim Irene e outros lugares.

“Ao invés de procurar um grande fornecedor de mochilas que trabalha fora, no centro, que não propicia nada pra periferia, eu vou procurar um pequeno. Ai eu potencializei o cara”, conta Ferréz sobre sua estratégia, em entrevista para a jornalista Mona Dorf.

A grande novidade da 1DaSul é o lançamento de um site, o 1dasul.com.br, que traz informações da marca, pontos de venda, mostra os produtos, traz fotos, vídeos e um blog com agenda cultural. Na descrição da marca, uma frase salta aos olhos: “O logotipo da 1DASUL tem como ideia ser um brasão do nosso povo”.

Se a ideia era essa, o objetivo foi alcançado. Enquanto isso, Ferréz consegue ainda continuar se dedicando à literatura, viaja o país participando de debates e palestras, além de escrever em cerca de oito blogs. Mas sobre Ferréz, falamos uma outra hora.

Leia também
Ferréz entrevista Eduardo, do Facção Central

Mais
Site 1DASUL
Blog do Ferréz


Resenha: Meu Sotaque, Meu Flow

Akira Presidente por João Gabriel/Divulgação

Ignorando fronteiras e misturando estilos com ginga de malandro – por Stefanie Gaspar*

Dê o play em “Que Pena”, de Akira Presidente
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-07T07_39_23-07_00.mp3″

“Rap nunca foi moda, e a verdade é o que importa”. É assim que o rapper carioca Akira Presidente define o gênero de seu coração em seu primeiro lançamento, o EP O Que Tu Qué. Lançado em 2009, o trabalho já mostra que o rapper Paulo Ferreira soube chegar chutando a porta com seu rap cheio de ginga, letras afiadas e influências globais.

Agora em 2010, Akira volta em grande estilo. Mantendo a pose de dândi repaginado, o carioca lança seu primeiro álbum: Meu Sotaque, Meu Flow. Logo de cara, o novo trabalho de Akira lembra muito o rap cheio de batidas e melodias intensas do Pentágono – não a toa, tanto o álbum quanto o primeiro EP do rapper foram produzidos por um dos integrantes do grupo paulistano, Apolo. É ele quem assina as melodias e a produção de grande parte das faixas de Meu Sotaque Meu Flow, criando uma base rica e equilibrada para as letras afiadas de Akira.

E que surpresa deliciosa é a audição deste álbum. Para quem gosta de repetir os clichês típicos do gênero – de que rap é um estilo fechado, sem melodia, com pouca variedade e sisudo – é hora de repensar a validade de todos esses preconceitos e se jogar de cabeça na proposta que Akira Presidente oferece nesse seu primeiro álbum de estúdio.

Por mais que a expressão esteja datada, Meu Sotaque Meu Flow é um CD global – consegue juntar referências e sonoridade de diversos estilos e regiões sem cair no pitoresco ou no caricato. Tem de funk carioca a soul e toques de samba. Tudo junto sem perder a essência.

Meu Sotaque, Meu Flow de Akira Presidente

O segredo do álbum é trabalhar, sempre, com o inesperado, mostrando que o rap pode – e deve – reunir outros estilos para sair de sua zona de conforto e englobar sonoridades que estão por aí, nas ruas. Em Gueto, primeira faixa do álbum, Akira já desce o verbo e conclama “as cachorras que mexem a bunda”. Ao fundo, o som de um canto africano. E entra, majestosa, a batida do funk carioca, mostrando que é possível conciliar a energia do pancadão com o groove natural do som de Akira.

Logo em seguida, o pancadão vira batida gatuna, sacana, na segunda faixa, Minha Área. É incrível como as batidas escolhidas por Akira, além dos scratches de DJ Alves e a masterização de DJ Roger, conseguem dar uma identidade extremamente característica ao som das primeiras faixas. É um equilíbrio típico de quem consegue reunir ambição e conhecimento dos elementos musicais necessários para se fazer rap de verdade. Rimar na rua pode ser simples, mas o som de Akira é de responsa, já que é, ao mesmo tempo, espontâneo e calculado, fruto da vontade de fazer algo além do que já existe no rap hoje.

E a misturada não para por aí – em Qué Dindin, Akira resolve apostar em um funkeado poderoso, seguido pelo clima tropical de Rio, que conta com a participação de Sain (o Stephan, filho de Marcelo D2) e a atriz Priscila Marinho. Mas a composição chave do álbum é mesmo o pancadão de Mexe Mina, que traz uma base digna de Major Lazer. A produção da faixa pode ser de Apolo, mas Diplo ficaria orgulhoso do resultado e do mix provocante de funk carioca, marcha militar, dubstep e um pézinho no electro. Um rap tão diferenciado e com tantas referências dá gosto de ouvir.

Ao final das doze faixas de Meu Sotaque, Meu Flow, a vontade é de ouvir mais, muito mais. Agora é esperar que esse carioca cheio de gingado prepare rapidinho um segundo álbum – e que inove com tanta propriedade e tesão quanto nessa primeira empreitada.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

Quer mais?
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Coletivo MTV fala de “Meu Sotaque, Meu Flow”
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