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lançamento

Per Raps TV: DJ King lança Anuário

DJ King rumo ao Guinness Bookpor Daniel Cunha

Em uma iniciativa pioneira, o DJ King, um dos disc jóqueis mais respeitados no cenário do rap brasileiro, acaba de lançar o Anuário 2009, em que ele documentou por meio de fotos, flyers e afins todos os seus compromissos como DJ durante o ano. Com impressionantes 257 apresentações, King também se habilita a um lugar no Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o DJ que mais tocou em um mesmo ano.

Junto com o livro, o DJ King preparou também a Mixtape Anuário Vol. 01, composta pelas músicas que ele mais tocou no ano. E um detalhe: apenas rap brasileiro! Assista o vídeo exclusivo do Per Raps em que ele fala sobre esses e outros novos trabalhos que vem por aí.

Veja a versão digital do anuário, faça o download da Mixtape Anuário Vol. 01, leia o texto de Gil de Souza, publicado na Revista Elementos, sobre o Anuário de DJ King (destaque para a parte final do texto, em que Gil fala sobre a forma exemplar como este trabalho foi entregue à imprensa), e o texto sobre a Mixtape, escrito pelo DJ Cortecertu, especial para o site Quilombo Hip Hop.

Para quem é de São Paulo, uma boa chance de conhecer esse trampo mais de perto é colar na Hole Club no próximo dia 10 de julho, quando o DJ King será a atração principal da festa Quilombo Hip Hop.

Mais:
Site do DJ King
Quilombo Hip Hop


Resenha: Meu Sotaque, Meu Flow

Akira Presidente por João Gabriel/Divulgação

Ignorando fronteiras e misturando estilos com ginga de malandro – por Stefanie Gaspar*

Dê o play em “Que Pena”, de Akira Presidente
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-06-07T07_39_23-07_00.mp3″

“Rap nunca foi moda, e a verdade é o que importa”. É assim que o rapper carioca Akira Presidente define o gênero de seu coração em seu primeiro lançamento, o EP O Que Tu Qué. Lançado em 2009, o trabalho já mostra que o rapper Paulo Ferreira soube chegar chutando a porta com seu rap cheio de ginga, letras afiadas e influências globais.

Agora em 2010, Akira volta em grande estilo. Mantendo a pose de dândi repaginado, o carioca lança seu primeiro álbum: Meu Sotaque, Meu Flow. Logo de cara, o novo trabalho de Akira lembra muito o rap cheio de batidas e melodias intensas do Pentágono – não a toa, tanto o álbum quanto o primeiro EP do rapper foram produzidos por um dos integrantes do grupo paulistano, Apolo. É ele quem assina as melodias e a produção de grande parte das faixas de Meu Sotaque Meu Flow, criando uma base rica e equilibrada para as letras afiadas de Akira.

E que surpresa deliciosa é a audição deste álbum. Para quem gosta de repetir os clichês típicos do gênero – de que rap é um estilo fechado, sem melodia, com pouca variedade e sisudo – é hora de repensar a validade de todos esses preconceitos e se jogar de cabeça na proposta que Akira Presidente oferece nesse seu primeiro álbum de estúdio.

Por mais que a expressão esteja datada, Meu Sotaque Meu Flow é um CD global – consegue juntar referências e sonoridade de diversos estilos e regiões sem cair no pitoresco ou no caricato. Tem de funk carioca a soul e toques de samba. Tudo junto sem perder a essência.

Meu Sotaque, Meu Flow de Akira Presidente

O segredo do álbum é trabalhar, sempre, com o inesperado, mostrando que o rap pode – e deve – reunir outros estilos para sair de sua zona de conforto e englobar sonoridades que estão por aí, nas ruas. Em Gueto, primeira faixa do álbum, Akira já desce o verbo e conclama “as cachorras que mexem a bunda”. Ao fundo, o som de um canto africano. E entra, majestosa, a batida do funk carioca, mostrando que é possível conciliar a energia do pancadão com o groove natural do som de Akira.

Logo em seguida, o pancadão vira batida gatuna, sacana, na segunda faixa, Minha Área. É incrível como as batidas escolhidas por Akira, além dos scratches de DJ Alves e a masterização de DJ Roger, conseguem dar uma identidade extremamente característica ao som das primeiras faixas. É um equilíbrio típico de quem consegue reunir ambição e conhecimento dos elementos musicais necessários para se fazer rap de verdade. Rimar na rua pode ser simples, mas o som de Akira é de responsa, já que é, ao mesmo tempo, espontâneo e calculado, fruto da vontade de fazer algo além do que já existe no rap hoje.

E a misturada não para por aí – em Qué Dindin, Akira resolve apostar em um funkeado poderoso, seguido pelo clima tropical de Rio, que conta com a participação de Sain (o Stephan, filho de Marcelo D2) e a atriz Priscila Marinho. Mas a composição chave do álbum é mesmo o pancadão de Mexe Mina, que traz uma base digna de Major Lazer. A produção da faixa pode ser de Apolo, mas Diplo ficaria orgulhoso do resultado e do mix provocante de funk carioca, marcha militar, dubstep e um pézinho no electro. Um rap tão diferenciado e com tantas referências dá gosto de ouvir.

Ao final das doze faixas de Meu Sotaque, Meu Flow, a vontade é de ouvir mais, muito mais. Agora é esperar que esse carioca cheio de gingado prepare rapidinho um segundo álbum – e que inove com tanta propriedade e tesão quanto nessa primeira empreitada.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

Quer mais?
MV Bill pra senador? Akira Presidente!, por Daniel Cunha
Coletivo MTV fala de “Meu Sotaque, Meu Flow”
MySpace do Akira Presidente


Erykah Badu, Reflection Eternal e Rincón Sapiência

Estreia de videos

O feriado de Páscoa deixou a web desabitada e as ruas vazias, mas o tempo e o Per Raps não param! Apesar de não fazermos isso há tempos, resolvemos trazer um rápido post apenas para mostrar alguns dos novos vídeos que caíram na rede esta semana. O destaque vai para “Window seat”, de Erykah Badu, “Strangers (Paranoid)”, do Reflection Eternal e “Elegância”, de Rincón Sapiência.

O primeiro, polêmico “Window seat”, de Erykah Badu, mostra a diva soul caminhando e se despindo, até finalmente cair após uma simulação de tiro, inspirada no assassinato do ex-presidente norte-americano JFK. Tudo foi gravado no estilo “guerrilha”, em que se sai com a câmera filmando, contando com as reações inesperadas da polícia, da multidão, do clima ou seja o que for. O trabalho vem rendendo polêmica, ibope e um (quase) processo para a cantora.

O segundo, Reflection Eternal*, a parceria entre Talib Kweli e Hi Tek, que coincidentemente é o segundo vídeo do segundo trabalho da dupla. O vídeo lembra a ideia do som “um filme”, do grupo Elo da Corrente, em que algo secreto é entregue, numa espécie de transação entre Hi Tek e Talib Kweli, que são observados por um paparazzo (que junto da ideia sobre conspiração na letra, dá sentido ao “paranoid”). Falando em RE*, o lançamento do novo álbum “Revolutions Per Minute” foi adiado, mas deve acontecer em breve.

Por último, mas não menos importante, o aguardado lançamento de rap nacional: Rincón Sapiência. “Elegância” agitou e ainda agita as pistas sempre que é tocado, sendo mais que merecedor de ter um registro em vídeo. Gravado pela produtora Porqueeu e dirigido por Gabriel Braga e Luis Rodrigues “DJAHSMA”, o clipe tem seu ponto alto nos momentos de Rincón no brechó, mostrando a fonte de sua elegância, além do trabalho de pós-produção do video, principalmente  pelo “efeito” que ressalta a transição de roupas do MC.


Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho

Especial mulher por Oga

Da Urbália para o mundo – por E. Ribas

Conhecida primeiramente por seu trabalho no Mamelo Sound System, Luana Dias aka Lurdez da Luz lançou em 2010 seu aguardado trabalho solo. Apesar do pouco tempo na praça, o álbum já vem rendendo frutos à MC: procura pela mídia, que quer conhecê-la e apresentá-la ao grande público, além de produtores de festas, que garantem uma agenda razoavelmente cheia, se compararmos com a média no rap nacional. Trazendo músicas que passeiam por rimas cruas, o spoken word e o canto, Lurdez caminha com estilo pelas produções de primeira linha, contando com participações de peso de parceiros mais recentes e também de outros tempos.

O processo todo, da ideia inicial até o lançamento do CD, durou dois anos e envolveu pessoas a quem ela fazia o convite ou que se convidavam para participar. “Eu tinha certeza que uma hora ia sair”. Para celebrar o lançamento do disco, trazemos a resenha publicada na edição 43 da revista Rolling Stone. Leia o texto e acompanhe a pequena conversa que tivemos com Lurdez da Luz. Enjoy!

Dê o play em “Meu mundo numa quadra” [Lurdez da Luz]

http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-03-26T07_30_55-07_00.mp3″

“A brasilidade do rap iluminado de Lurdez da Luz”

O talento de Lurdez ganha a luz dos holofotes com o seu aguardado primeiro trabalho solo, que leva seu nome de batismo no rap: “Lurdez da Luz”. A MC e cantora, cujo nome real é Luana, apresenta sua evolução na música, após ter desenvolvido o talento no grupo Mamelo Sound System e na participação no projeto “3 na Massa”. O resultado disso chega com batidas dançantes e cheias de brasilidade: percussão marcante e swing envolvente. Lurdez escolheu falar do amor, mostrado de forma mais particular e íntima, mas também com espaço para uma visão universal do tema.

Além do canto falado no melhor estilo Gil Scott-Heron que Lurdez apresenta em faixas como a criativa “Ah Uh (Onomatopéias)”, sua voz hipnotiza na parceria com Jorge du Peixe (Nação Zumbi) em “Corrente de Água Doce” e a rima impressiona junto da MC do ABC paulista, Stefanie, em “Andei”, além do duo com seu parceiro de grupo, Rodrigo Brandão, em “Ziriguidum”, que ainda traz o beat mais jazzy do álbum, com trompete de Rob Mazurek, produzido por nada menos que Mike Ladd. Reforçando o time de primeira, ainda aparecem o jovem beatmaker Tiago Rump, Maurício Takara (Hurtmold) e Scott Hardy, que também produziu o Nação Zumbi.”

Per Raps: O que você acha que ainda não foi dito ou perguntado para você sobre o álbum até este momento?
Lurdez da Luz: Não se falou muito dos produtores. O Daniel Bozzio e o Marcelo Cabral deram unidade ao disco e “editaram” os beats, deixando tudo com uma cara mais orgânica. O Daniel eu já conhecia de mais nova, quando ele tocava com o Mamelo. Nós temos uma formação musical muito parecida e a experiência dele ia somar muito. Ele também tem um estúdio na casa dele e achei que ia rolar legal de gravar o disco inteiro lá. Já com o Marcelo Cabral, o Daniel [Bozzio] nos apresentou e começamos a pirar que tínhamos que colocar mais um timbau aqui, mais um xequerê ali e fomos viajando. Ele também é skatista e curte um rap mais old school e hoje toca com Romulo Fróes e Rodrigo Campos [destaques musicais de 2009].

Per Raps: Como foi o processo de escolha de quem participaria do disco?
Lurdez da Luz: Foi bem por admiração. Já tinha ido escutar algumas coisas no [DJ] PG e no [DJ] Makoto, tudo isso quando eu fui montar um show pra um campeonato de skate feminino. Não sabia que ia gravar um disco, mas já tinha umas letras pra encaixar em beats. O Zeca [MCA, da Rádio Boomshot] que veio com uma ideia de fazer um vinil, mas desencanamos pelo alto custo. O Maurício Takara eu achava que tinha que ter alguma coisa dele, já que ele é um produtor de música eletrônica, mas está sempre envolvido com o rap. O Mike Ladd veio tocar no [Projeto] Colaboratório e trouxe um monte de coisa, daí encaixei a letra em um beat dele pra um show e ele me ofereceu a batida. Daí casou. O difícil foi encaixar o estilo de produção dos caras de fora com os caras daqui, mas como eu gosto dos dois estilos, tentei colocar tudo dentro um contexto.

Per Raps: Existia um projeto para o CD ou você simplesmente foi escrevendo?
Lurdez da Luz: Eu já tinha uma ideia de fazer um compacto que chamasse “amor aos pedaços”, que seriam raps-canção que só teria ideias sobre amor. A “Ziriguidum” eu já tinha o refrão e resolvi desenvolver isso. Eu comecei a fazer rap numa época que tava rolando uns discos meio conceituais, como o do Del e Kid Koala, Mike Ladd, que também tinha esse lance do spoken word falando da teoria dele de pós-futuro. Ao mesmo tempo que é menos complexo e mais feminino, minha ideia era desenvolver um tema só em um trabalho só. Eu gosto disso.

Per Raps: Os discos da época tropicalista da música brasileira parecem ter grande influência no seu background musical.
Lurdez da Luz: Os discos daquela época de 70 eram mais conceituais e de uma forma indireta também me influenciaram. Foi uma música muito importante que ficou muito tempo escondida. “Andei” é da Flora Purim com o Airto Moreira e eu não tenho esse disco. Mesmo assim fui lá e fiz. Me interessa muito essa música lado “B” do Brasil.

Per Raps: Fale mais do som “Andei”. Você já falou em uma entrevista do lance da Stefanie também ser de Santo André, o que trazia um tipo de identificação pra você. Foi apenas por isso?
Lurdez da Luz: Eu queria muito uma MC mulher no disco, tinha visto ela [Stefanie] no Simples e achei que ia se encaixar muito bem. Ela tem muita verdade na rima dela. Na época que fui morar em Santo André com a minha mãe uma pessoa da prefeitura me colocou em contato com o Nato [PK] pra fazer um show no Parque da Juventude. Daí ele me apresentou pra ela. Sobre a música, apesar do refrão cantado, é o som mais rap do CD.

Per Raps: Você já tem um esquema de como serão ou shows ou ainda está trabalhando na melhor forma?
Lurdez da Luz: Ainda estou defininindo como fica a apresentação (risos)! Mas show ao vivo sou eu, DJ Mako e Rodrigo [Brandão]. Vou começar a ensaiar também com banda, que eu vou estrear numa continuação do projeto “Presença Feminina”. Vai ter baixo [Marcelo Cabral], bateria/percussão [Richard Ribeiro/Projeto Porto] e DJ Mako no dia 10 de abril, no Centro Cultural São Paulo.

Per Raps: Fale um pouco sobre a concepção da capa do disco.
Lurdez da Luz: O Ricardo Fernandes fez a capa do CD. Achei que a fonte [estilo de letra] ajudou e por isso achei que não precisava nem de um nome para o CD. A ideia em si eu achei legal. O fundo preto com a luz ficou um lance luz e trevas, sabe? Fizemos um ensaio fotográfico, mas não me senti muito bem com o resultado. Mas não precisei usar as fotos posadas.

Per Raps: E sobre a presença do spoken word no CD. Calhou do trabalho ter saído “colado” com o lançamento do segundo trabalho de Gil-Scott Heron, de quem você se mostrou fã.
Lurdez da Luz: Pois é! Eu lembro de ter pego o “Revolution Will be not televised” como influência. Eu acho mais difícil cantar do que rimar, mas muita cantora vem perguntar como eu consigo fazer isso, mas eu é que não entendo como elas fazem aquelas coisas com a voz. Estava ouvindo um disco da Wanda Robinson [poetisa e integrante do Black Panthers] e captei algumas coisas de palavras e saiu o “Ah Uh [Onomatopéias]”. Na última faixa, pedi pro [Tiago] Rump samplear a Gal Costa e a gente brincou com esse negócio do nome no rap, que muita gente de fora acha que é uma egotrip. E no disco da Gal, ela fala “meu nome é Gal” e daí comecei a falar o nome de um monte de mulher que eu admiro.

*Fotos por Luciana Faria.

Agenda
Lurdez da Luz @ Estação Urb
Data: 27 de março a partir das 21h
Endereço: Dissenso
Rua dos Pinheiros, 747 – São Paulo / SP
Contato: 11.2364-7774
Preço: R$20 na porta, $15 na lista (lista@urbanaque.com.br)

Lurdez da Luz @ CCSP
Data: 10 de abril 2010 às 19h
CCSP – Rua Vergueiro 1000, Paraíso, São Paulo, São Paulo
Preço: R$ 5 (inteira) | R$2,50 (meia)

Mais

Myspace
Norópolis


Dica musical: O soul de Mayer Hawthorne

Foto por Robert Winter

Alma quente – por E. Ribas

Já ouviu falar de Mayer Hawthorne? Se não, tá de bobeira. Há tempos buscava motivo para falar do cantor no Per Raps, no entanto não tinha encontrado… Ainda. A Stones Thrown anunciou o lançamento do mais novo clipe de Mayer, “I Wish It Would Rain”, uma das faixas do primeiro CD do músico.

Mayer traz em seu trabalho o melhor que o soul pode oferecer, conseguindo inovar em um estilo que poucos se atrevem a “encarar”. Imagine uma mistura de Rick Astley com Amy Winehouse com um visual nerd The-Big-Bang-Theory-style e então começará a ter ideia de quem é o cara.

Um parênteses sobre as referências: Rick é um inglês que fez sucesso nos anos 80 com sua potente voz, que fazia o ouvinte desavisado achar que era um cantor negro, mas se deparavam com um branco, assim como é o caso das também inglesas Amy Winehouse e Duffy, por exemplo.

Mas o que faz de Mayer Hawthorne ainda mais interessante são suas habilidades. Ele consegue ser arranjador, cantor, engenheiro de som, multi-instrumentista e produtor ao mesmo tempo. Assim como outros grandes cantores – Maxwell, por exemplo-, Mayer nunca imaginou se tornar cantor. Até por que antes disso, Mayer atacava como DJ Haircut, produzindo grupos de rap como o Athletic Mic League, há pelo menos 10 anos. E Mayer tem apenas 29.

Você pode estar se perguntando também como o cara conseguiu um contrato com a Stones Throw, gravadora que revelou nomes como J-Dilla, Madlib, MF Doom e tantos outros. A resposta não está diretamente conectada a ligação do cantor com o rap, e sim pelo fato da gravadora ter obtido acesso a uma demo de Mayer. O resultado não poderia ser outro que não a paixão musical a primeira vista. O curioso é que até então, os “experimentos” do cantor se davam apenas em seu homestudio.

O resultado da história toda foi o aclamado Strange Arrangement, disco de 14 faixas, lançado no final de 2009. Por aqui você acompanha o lançamento do clipe “I Wish It Would Rain”. Dê o play, relaxe e volte no tempo.

Curtiu? Então vá atrás dessa pedra. E falando em pedra, não deixe de conferir a entrevista que o DJ e jornalista (Daniel) Tamenpi fez com Mayer Hawthorne no site da +Soma.

Mais:
Myspace
Stones Throw


Apresentando: Emancipator

Voltando às origens do Per Raps, conversamos entre nós e decidimos resgatar um pouco do espírito que nos fez iniciar nossa trajetória com o blog. Uma das motivações iniciais era, como a de boa parte das pessoas que criam blogs musicais, a de indicar novos sons para os internautas. E aproveitando o clima de nostalgia, vamos indicar aqui um artista que já teve um post dedicado só a ele no Per Raps, mas como foi bem no início do blog, acho que não teve o destaque merecido. Outro motivo de resgatarmos o trabalho do Emancipator é o fato de não termos visto nada sobre ele em qualquer veículo de comunicação brasileiro até agora, o que, na minha opinião, é um grande desperdício.

Antes de começar a ler, aperte o play pra conhecer o som…

Emancipator, “Smoke Signals”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-02-03T07_15_23-08_00.mp3″

Você já sentiu vontade de estar em outro lugar ao escutar uma música? Eu já, e a grande maioria desses momentos me foram proporcionados por um disco chamado Soon It Will Be Could Enough (você pode baixá-lo no nosso post anterior), certamente o que mais ouvi no ano passado, autoria de um jovem produtor e multi-instrumentista natural de Portland, nos EUA. Lançado em 2007, o primeiro disco de Doug Appling aka Emancipator foi abraçado pela crítica especializada no país e chamou atenção pela qualidade e profissionalismo vindas de um ‘garoto’ de 20 anos que fez o disco no seu tempo livre, enquanto ainda estava no colegial.

Com strings, teclados, instrumentos de sopro e samples variados, todos cuidadosamente programados e sequenciados, acompanhados por baterias downtempo (na medida pros MC’s que quiserem treinar suas letras e levadas), o disco de Emancipator seria perfeito se usado como trilha sonora para um mundo fantástico, como por exemplo o de Pandora, no filme Avatar. As músicas são todas instrumentais, com alguns poucos samples vocais, e remetem a cenários e paisagens naturais que ainda não sofreram interferência do homem.

(Ta achando viadagem? Então assiste isso aqui: http://www.youtube.com/watch?v=YDvHurRMvrc)

Geralmente colocado nas prateleiras do trip hop ou da música eletrônica, o trabalho de Emancipator tem total intersecção com o ritmo do rap, e ele já divulgou diversos remixes usando as vozes de rappers como Nas, Mobb Deep e Aesop Rock, entre outros. É de se esperar que o produtor faça mais pra frente discos só de remixes, assim como faz a dupla nova-iorquina Ratatat, por exemplo. O melhor desses remixes pode ser conferido neste som, em que ele misturou uma música do grupo Mobb Deep com os finlandeses do Sigur Ros. Saca só:

Após o lançamento de forma independente de seu primeiro álbum, Emancipator ganhou notoriedade no Japão em razão do estilo de seus instrumentais, que têm bastante influência do mellow rap, a mistura de rap com jazz em evidência no país, por meio de artistas como Nomak, Nujabes, Uyama Hiroto e outros. Com isso, a terra do sol nascente foi onde o jovem começou a brilhar: lançou seu disco por um selo japonês e, convidado por integrantes da cena local, realizou sua primeira turnê, no final de 2008, sendo tratado como ídolo no país. No ano passado, ele finalmente foi reconhecido como deveria nos EUA e lançou seu disco oficialmente no país pela 1320 Records.

Há duas semanas, veio a novidade. Novo disco do cara nas ruas, chamado Safe In The Steep Cliffs’, desta vez com a possibilidade de ser baixado via uma ferramenta muito legal que é o Bandcamp.Você paga pelo cartão de crédito e baixa o disco na hora, na qualidade que quiser, e também tem a possibilidade de ouvi-las em streaming.

Caso você seja um artista e esteja buscando novas formas de distribuir sua música, vale a pena conhecer. No Brasil já temos exemplos de alguns artistas usando o Bandcamp, como por exemplo o produtor e MC Tiago Rump, que colocou as músicas do seu último trabalho, Sincronicidade, para download gratuito no site.

Esse álbum tem uma pegada bem parecida com o primeiro, mantendo a proposta de transportar os ouvintes para algum lugar bem longe de São Paulo. Em seu site, o próprio deixou uma definição de seu novo trabalho:

‘Safe In The Steep Cliffs’ represents the tightest, most unique, most organic beats I’ve made in the last three years. This album has a new palette of sounds and samples from around the world, including more original recordings (guitar/violin/bandolin/banjo) and new guest artists including Japanese jazz musician Uyama Hiroto. It’s ominous and overgrown, dense and ethereal. And epic. Always epic.

Para quem não entende inglês, ele disse algo como:

‘Safe In The Steep Cliffs’ representa os mais perfeitos, únicos e orgânicos beats que eu fiz nos últimos três anos. Esse álbum tem uma nova gama de sons e samples do mundo todo, incluindo novas gravações originais  (guitarra/violino/bandolin/banjo) e novas participações incluindo o músico de jazz Uyama Hiroto. É sinistro, maduro, denso e etéreo. E épico. Sempre épico.

Assista também o vídeo feito por um fã com a música Anthem, do primeiro disco de Emancipator:

Mais:
MySpace
site oficial do Emancipator.

E você, escutou o som? O que achou? Dê sua opinião.


Kamau lança videoclipe da música “Só”

Kamau lança seu primeiro videoclipe (Por Luciana Faria)“Minha culpa, meu mérito”

Realmente o rap tem mostrado que se não dá pra vencer no tempo normal de jogo, manda os onze pra área que a chance de gol é grande. Enquanto uns já pensam em férias (e incluam o Per Raps nessa!), outros ainda estão trabalhando.

Não bastasse os videos de DBS e a Quadrilha, Relatos da Invasão, Pentágono, Emicida, Slim Rimografia, MV Bill e Casa di Caboclo, quem chega agora é Kamau. Em um clipe que traduz muito a letra do som escolhido, “Só”, o MC é o único que dá as caras, conduzindo seu caminho.

Em versão “revisitada” com beat produzido por Nave, o clipe exalta ainda mais o trabalho realizado em “Non Ducor Duco” e fecha bem 2009. Na direção, Fred Ouro Preto, o mesmo responsável por “Triunfo”, de Emicida, que fez barulho e dispensa comentários.

Para ler mais a respeito do clipe, acesse a matéria do site NOIZ.
Leia também sobre os lançamentos de Kamau no blog Boombap-Rap.
Quer ouvir o som novo (“21/12”) de Kamau, produzido por Renan Samam e scratches do Dj Erick Jay? Clique aqui.

Artista: Kamau
Música: Só (Remix)/ Produzido por Nave (CWB)
Direção e Câmera: Fred Ouro Preto
Fotografia e Câmera: Carina Zaratin