Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

hip hop

Graffiti: Rafael ‘Se7e’ Barão

“É de menino…” por Carol Patrocinio

Ainda no jardim de infância Rafael Fortuna Barão, 24, se destacava por seus desenhos e ficava entusiasmado em melhorar cada vez mais. Anos depois, Rafael se tornaria Se7e, artista plástico e do graffiti, que começou a carreira, aos sete anos, fazendo pichações pelas ruas do bairro junto de meninos mais velhos. “Nessa época eu já tinha um grupo de pixação chamado DDM – Detonadores de Muros e atuávamos no nosso bairro. Eu era meio que o ‘chaverinho’ da galera, pois todos eram mais velhos do que eu, mas nessa idade eu já dominava a caligrafia das pixações paulistas e isso fez com que fosse aceito por eles!”

Tudo o que está ao redor influência sua arte, tudo o que ele observa, além de outros grafiteiros e artistas, é claro. “Osgemeos têm influenciado muita gente a se tornar grafiteiro, artista ou sei lá. Pra mim, arte não se mede, mas diria que os melhores são aqueles que fazem a cultura evoluir, tipo fazendo eventos, criando novas tendências, mesclando estilos… E disso o Brasil tem aos montes”.

Para acompanhar os desenhos, Rafael de vez em quando leva um mp3 player mas prefere o sons das ruas: “Uma criança entusiasmada com a obra, o elogio de uma senhora, a buzina de uma carro seguida de um sorriso e por ai vai”. Como suas obras dependem de inspiração, é impossível escolher uma hora do dia preferida para desenhar, mas Rafael consegue driblar esse probleminha de vez em quando: “Se quero fazer um trabalho grande, rico em detalhes, prefiro o dia, mas se for pra curtir, protestar ou desestressar um pouco prefiro a noite!”

Rafael é de São Paulo, mas já grafitou em outros lugares. A cidade que mais surpreendeu o artista foi o Rio de Janeiro – “Maior visual, maior paz” -, que rendeu, inclusive, um vídeo em parceria com o fotógrafo e videomaker Guilherme Veiga. Enquanto Rafael mostra a produção de um de seus desenhos, Guilherme captou as imagens e editou com sons de Jay-Z e Beastie Boys. As imagens são de Teresópolis, no Rio de Janeiro.


Mais
Flickr Se7e


Per Raps prestes a completar dois anos

“Mais um ano se passou…” – por Eduardo Ribas

Há mais ou menos um ano, eu escrevia o post sobre o primeiro aniversário do Per Raps. Como num piscar de olhos, cá estamos nós, no segundo ano. Per Raps II, a missão! Foi exatamente no dia 11 de setembro de 2008 que se iniciavam as atividades aqui.

Tudo começou de forma meio amadora na arte de blogar, mas sempre visando o profissionalismo no ato de reportar a cena rap paulistana. Não entramos nessa para fazer amigos, e sim mostrar o que acontecia na cena do jeito mais profissional possível. Alguns gostaram, outros não. Mas ainda assim, muitos apoiaram, fato que colaborou muito para a relevância atingida pelo trabalho do Per Raps.

Esse ano II serviu para conhecermos melhor a ferramenta “blog” – já que blogueira de verdade na equipe, só a Carol Patrocinio -, conhecemos mais o trabalho de pessoas que estavam próximas (em São Paulo e Rio de Janeiro), assim como conhecemos mais trabalhos de pessoas que estavam um pouco mais distantes.

Além disso, o leque de assuntos que tratamos aqui também expandiu; se antes o espaço era focado apenas em iniciativas que nos saltavam aos olhos, abrimos espaço para perfis que também mereciam sua divulgação e seu espaço. Outro ponto que gerou críticas, “pô, preferia o Per Raps como era antes”. Mas se o flow de um MC ou o estilo de fazer uma batida por um beatmaker podem mudar, por que nós não podemos?

De trabalhos interessantes, elaboramos a polêmica “Linha do Tempo do Rap Nacional”, que gerou muitos comentários de amor e ódio, a cobertura do último Indie Hip Hop, que trouxe o rapper e ator, Mos Def, além de textos reflexivos, dicas de documentários, posts especiais sobre as novidades sonoras de 2009 e nosso primeiro especial, que foi dedicado totalmente às mulheres.

Outros dois momentos importantes foram o final decretado do Indie Hip Hop, após 10 anos de uma bem sucedida caminhada, assim como a luta pela volta à grade da TV Cultura do programa Manos e Minas. Essa ação foi particularmente emocionante, já que partiu de uma situação complicada, que muitos descreditaram a possibilidade de mudança, e que se reverteu.

E essa virada só pode acontecer pela luta e engajamento online de cada pessoa, cada site, blog, twitteiro, pessoas soltando o verbo no facebook e, consequentemente, a materialização do protesto, que saiu da web e chegou às ruas. Isso apenas provou o quão importante é a internet hoje e como podemos fazer a diferença, se soubermos o que estamos fazendo e tendo conhecimento dessa potente ferramenta.

Tivemos a chance de realizar algumas entrevistas internacionais, entre elas com o duo Prefuse 73, com quem conversamos pessoalmente na CCJ, em um papo descontraído, que só terminou porque o show tinha que começar. E também Amanda Diva, rapper, atriz, radialista e pintora, que demorou de acontecer, exigiu uma troca intensa de e-mails, mas acabou acontecendo. Reportamos duas perdas, a da guerreira Dina Di, curiosamente no mês da mulher, e o saudoso “arquiteto” Guru, do Gangstarr.

No entanto, não só de passado vivemos. Ao contrário do que aconteceu em nosso primeiro ano de vida, quando as celebrações iniciaram dia 11 de setembro, data oficial de aniversário do Per Raps, dessa vez iniciamos no começo do mês! Traremos posts especiais com conteúdo de primeira, exclusivamente para você! Também vão rolar outras novidades, que serão informadas com o passar do tempo. Por enquanto, se liga no que está por vir… Novo Per Raps (clique e acompanhe!).


Duelo de MCs celebra aniversário em Belo Horizonte

“Celebrar é preciso!”por Eduardo Ribas

Quem acompanha o rap, ou qualquer outra cena (com viés) independente, sabe das dificuldades que se encontra pelo caminho. Casas que não abrem espaço para festas e shows, produtores que oferecem uma coxinha e três refrigerantes como pagamento, jornalistas que estigmatizam o gênero em seus textos, os materiais para DJs (pick-ups, mixers, serato etc) e MCs/Beatmakers (microfones, mpcs etc) são muito caros e por ai vai.

Resistir a esses obstáculos é tarefa para poucos, tanto que a cada dia assistimos festas chegando ao fim, grupos terminando e a cena enfraquecendo. Um desses exemplos de resistência está a 586 quilômetros de São Paulo, especificamente em Belo Horizonte, Minas Gerais. Há cerca de três anos, surgia o Duelo dos MC’s. Seguindo o exemplo e molde de eventos como a Batalha do Conhecimento (RJ) e o Microfone Aberto (SP), apenas para citar alguns, o Duelo traz semanalmente um encontro que junta representantes do elementos da cultura hip hop no mesmo palco.

Inspirado na Liga dos MCs, evento tradicional que acontece no Rio de Janeiro, que teve uma edição especial em BH, Osleo (lê-se osléo), da Família de Rua, e o Vuks (ex-Rima Sambada) compraram a ideia e iniciaram um evento similar, sem saber exatamente a proporção do que estavam fazendo. “Na primeira edição tinha umas 50 pessoas, na segunda, umas 150. Quando a gente foi ver, o evento tava dando média de 400 pessoas por noite, pessoal de imprensa procurando, geral querendo saber o que era aquilo”, relembra Luiz Gustavo aka Gurila Mangani, MC e beatmaker que observou de perto o início do projeto.

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

A ideia central do evento é abrir espaço para todos os elementos do hip hop, e não apenas para as batalhas de MC. “O carro-chefe é a batalha (de freestyle), mas a preocupação é que seja um evento de hip hop, sempre tem roda de b-boy, de 15 em 15 dias tem grafiteiro pintando o viaduto”, conta PDR, o Pedro Valentim. Pedro é hoje um dos organizadores do evento, junto de Osleo, DJ Roger Dee e Monge (todos fazem parte da Família de Rua). Além de todos esses elementos, vez ou outra ainda há espaço para pocket-shows com artistas diversos. Já passaram por lá nomes como Shaw (RJ), Slim Rimografia (SP) e Simpson (MG) entre outros.

Sobre a batalha de freestyle, começou no formato simples: MC contra MC, sem muita imposição. Depois, se assemelhou aos moldes da Batalha do Conhecimento (RJ), com temas sugeridos. Hoje, o duelo é no esquema de “bate-volta”, um MC rima oito barras (tamanho de um verso regular de rap), o outro responde com outras oito e por ai vai. A cada sexta-feira, o estilo muda: duelo tradicional de freestyle, temático e batalha no “bate-volta”.

O palco para o Duelo dos MCs é o Viaduto Santa Tereza, localizado na região central de Belo Horizonte. O local é histórico, mas antes do evento era habitado por moradores de rua, a sujeira tomava conta e sinalizava o abandono da área. “Não tinha luz, era escurão, tipo um ‘guetão’, submundo da cidade”, conta Mangani. Três anos depois, a revigoração feita pelo Duelo trouxe de volta ao espaço a cultura. “Nós começamos a ocupar, o Duelo trouxe vida nova ao espaço”, completa PRD.

Local de fácil acesso, ao lado de uma estação de metro e de ônibus, o Duelo dos MC’s atrai público mais diverso possível, “desde cara do rap até patricinha”, segundo Gurila Mangani. As edições rolam todas as sextas, a partir das nove da noite, acabando por volta da meia-noite.

E falando nisso, nesta sexta-feira (27) rola a edição de aniversário do evento. Na programação, show com o MC B.Réu, presença de MCs convidados, roda de dança, intervenção de grafite e mais. Serão vendidos bottons comemorativos do Duelo dos MC’s, a três reais cada.

Alguns dirão que três anos não é o suficiente para ressaltar a importância de um evento, festa ou seja o que for. Outros vão enaltecer a iniciativa e imaginar: “queria poder colar nesse rolê hoje”. Mas nada disso importa. Como já disseram, “só quem é de lá sabe o que acontece”. Nada melhor do que ler as palavras de um dos frequentadores do Duelo dos MCs para entender o que você pode estar perdendo. “Você tem que vir aqui pra ver como é… é muito loca a vibe, você vai achar que tá no Bronx!”, finaliza Gurila Mangani.

Conheça mais sobre o rap em Belo Horizonte, Minas Gerais
Saiba mais do MC e beatmaker Gurila Mangani, de Minas Gerais

Mais
Blog Duelo de MCS
Twitter Família de Rua


Manos e Minas volta à grade da TV Cultura

“Unidos venceremos?”por Carol Patrocinio

Quando li que o programa Manos e Minas, o único na televisão a ter espaço totalmente aberto à cultura hip hop, seria tirado da grade da TV Cultura senti o sangue esquentar. Sabe aquele sentimento de quando você é adolescente e tem a plena certeza de que pode mudar o mundo com as próprias mãos? Foi essa a sensação.

E, de volta aos 16 anos, me uni com pessoas que acreditavam no mesmo que eu – o programa não podia acabar, não assim, sem briga. Muita gente entrou no protesto, primeiro via internet, e não foi um, não foram dois, foram vários, cada um por um motivo.

A luta saiu do espaço virtual e foi pras ruas, tornou-se política. Senador Suplicy nos representou (graças a Gisele Coutinho e seus contatos). Músicos, artistas e formadores de opinião deram sua palavra nos vídeos feitos por Zeca MCA e Rodney Suguita (aka Maniaco da Camera). Pelo Brasil todo as pessoas encontraram maneiras de mostrar sua insatisfação (graças ao bendito Twitter).

O descontentamento geral criado pelo fim de um programa que poderia dar espaço ao que cada um de nós pensa, gerou barulho a ponto das coisas mudarem. A partir daí, foi provado por A mais B que o mundo pode dar ouvidos a nós, desde que se saiba como gritar.

Mas o que queremos, dar um pequeno passo ou correr transformando cada coisa que não nos parece certa? A cultura hip hop sempre foi contestadora, lutou por aquilo que acreditava ser certo e provou que organização é o primeiro passo pro sucesso de uma empreitada. Mas como disseram, foi o primeiro round.

A mobilização virtual, que foi levada adiante e seguiu às ruas, recebeu a notícia da vitória. E agora? Chega, ou o gostinho de vencer vai te levar à próxima batalha? Mais uma vez me sinto obrigada a usar palavras do poeta Sérgio Vaz:

“Não confunda briga com luta. Briga tem hora pra acabar e luta é para uma vida inteira”.

A briga pela volta do programa Manos e Minas terminou, mas e a luta contra as injustiças que estão sendo feitas na televisão estatal de que diversos manos e minas estão sendo demitidos por uma posição de João Sayad, que visa apenas lucro e corte de gastos? Pessoas não são gastos, cultura não pode ser medida por valores.

Quem vai salvar os manos e minas da TV Cultura e do resto do país?

Leia também:
Manos e Minas deixa a grade da TV Cultura
Manos e Minas: a luta continua
Manos e Minas: Protesto ganha as ruas


Manos e Minas: protesto ganha as ruas

Pelas palavras do presidente da TV Cultura, João Sayad, o Manos e Minas acabou, no entanto, a repercussão do ocorrido e as ações em prol do programa, seguem a pleno vapor. Em São Paulo, duas grandes mobilizações: uma audiência pública e um show no Studio SP.

A audiência partiu de uma conversa realizada em um protesto ocorrido no Sarau da Cooperifa, no último dia 11, e foi marcada no auditório Franco Montoro, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, nesta terça-feira (24), às 19h. Estarão presentes diversos nomes ligados à cultura hip hop, que deverão questionar as mudanças que estão programadas para o canal Cultura. Serão recolhidas também assinaturas para o abaixo-assinado em favor do Manos e Minas.

Já na quinta-feira (26), Kamau, Emicida, Max BO e Funk Buia sobem ao palco do Studio SP junto do Instituto, na festa Seleta Coletiva, contra o fim do único programa dedicado exclusivamente à cultura de rua no Estado mais rico do Brasil. Além do protesto, a boa música marca presença, assim como um dia esteve presente no palco do teatro Franco Zampari, onde o programa era gravado. Para o organizador da festa, Daniel Ganjaman, o fato é uma “perda irreparável”.


Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Outro grande nome da cultura hip hop que manifestou seu apoio à causa foi Mano Brown, que apontou o lado político da escolha pela retirada de Manos e Minas da programação da TV Cultura. Para o Brown, há condições de se conseguir um espaço ainda melhor, e que esse pode ser um ciclo que recomeça, agora mais articulado e experiente. “Tudo que é bom, recomeça”, aponta no video.

Ainda na semana passada (14), a Sintonia Crew, formada majoritariamente por jovens, realizou uma batalha de freestyle com o tema #salveomanoseminas, em Ipatinga (MG). O resultado da connversa sobre o tema e os improvisos foram registrados em vídeo.

Na grande mídia o destaque fica para a coluna de Maria Rita Kehl no jornal O Estado de S. Paulo deste sábado (21). A crítica, muito bem fundamentada, questiona o motivo de João Sayad ter aceitado o cargo de presidente da TV Cultura, “um empreendimento que ele não conhece, não parece interessado em conhecer e, acima de tudo, evidentemente não gosta”. Dentre outros questionamentos, o programa Manos e Minas é tido como exemplo.

Escolho, para terminar, o triste exemplo de um programa que já foi extinto pela atual direção: Manos e Minas. Um corajoso programa de auditório dedicado ao hip hop (…). Manos e Minas não precisa de argumentos de segurança pública para se justificar. Dar espaço ao rap na televisão é importante por si só. Mas a decisão de acabar com o programa nos faz refletir sobre o modo como a elite paulista concebe a inclusão simbólica da periferia na produção cultural da cidade: não concebe. Daí que a pobreza, aqui, seja um problema exclusivo de segurança pública. A extinção de Manos e Minas lembra, não pelo conteúdo, mas pelo princípio operante, as desastradas políticas de “limpeza” da cracolândia. Quem mais, senão uma TV pública, poderia investir na visibilidade dos artistas da periferia?

E assim como Maria Rita Kehl, perguntamos: Quem mais, senão uma TV pública, poderia investir na visibilidade dos artistas da periferia?

Leia também Manos e Minas: a luta continua
Leia também Manos e Minas deixa a grade da TV Cultura

Audiência Pública em prol do Manos e Minas
Quando? Terça-feira, 24
Onde? Avenida Pedro Álvares Cabral, 51 – São Paulo/SP
Auditório Franco Montoro, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo [Clique para ver mapa] A sessão é aberta ao público
A partir das 19h.

Seleta Coletiva contra o fim do Manos e Minas
Quando? Quinta-feira, 26
Onde? Studio SP – Rua Augusta, 591 – São Paulo/SP
Quanto? $25 na porta/$15 na lista [www.studiosp.org]
A partir das 01h.


Tradução: Fuck you, de Cee Lo Green

cee-lo green

“Dor de cotovelo musical” – por Carol Patrocinio

Inspirados pelo teaser do clipe do novo som do Cee Lo Green, resolvemos colocar aqui a letra da música traduzida, assim como o Boombap-Rap, do Felipe Schmidt, faz com magestria. Sabe o que você deve dizer a uma garota quando ela não se interessa por você, mas pela sua grana?

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Eu disse,
“se eu fosse mais rico, eu ainda estaria contigo”
Rááá, isso não é uma merda?
(não é uma merda?)
E apesar dessa dor no meu peito
Eu continuo te desejando o melhor com um
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo

Yeah, me desculpe, eu não posso bancar uma Ferrari,
Mas isso não quer dizer que eu não te faça chegar lá.
Eu acho que ele é um xbox e eu sou tipo um atari,
Mas o jeito que você joga não é justo.

Eu banquei o babaca
Que se apaixonou por você
(ah merda ela é uma golpista)
Bom
(apenas achei que você devia saber mano)
Ooooooh
Eu tenho novidades pra você
Yeah, vá correndo contar ao seu namorado

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Agora eu sei que me endividar
Implorar e roubar e mentir e trair
Tentando ficar com você, tentando te agradar
Porque estar apaixonado por você não é barato

Eu banquei o babaca
Que se apaixonou por você
(ah merda ela é uma golpista)
Bom
(apenas achei que você devia saber mano)
Ooooooh
Eu tenho novidades pra você
Ooh, eu realmente te odeio agora

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Então baby, baby, baby,
Por que você quis me machucar tanto?
(tanto, tanto, tanto)
Eu tentei conversar com a minha mãe mas ela me disse
“isso é com seu pai”
(seu pai, seu pai, seu pai)
Uh! Por queêêêê? Uh! Por queêêêê? Uh!
Por queêêêê menina?
Oh!
Eu te amo!
Eu ainda te amo
Oooh!

Eu te vejo dirigindo pela cidade
Com a garota eu amo e eu tipo,
Foda-se!
Ooo, ooo, oooo
Eu acho que a grana no meu bolso
Não era suficiente e eu tipo,
Foda-se!
e foda-se ela também

Todo mundo diz foda-se, mas esse foi o ‘fuck you’ mais classudo dos últimos tempos, não foi?

Mais?
Site
Twitter
Facebook


Fotos da golden era do rap por Janette Beckman

Janette Beckman

Sparky D / Slick Rick / Jam Master Jay e seu filho

“Uma insider da Golden Era” – por Carol Patrocinio

Você já ouviu falar de Janette Beckman? Ela é a fotógrafa que acompanhou os maiores nomes do hip hop entre 1982 e 1990, bem a era de ouro da cena. Pode começar a pagar um pau pra essa mulher, ela esteve em contato com todos os monstros que você chama de ídolos!

Nascida em Londres, Janette cresceu curtindo dos artistas da Tamla Motown aos Rolling Stones e mergulhou de cabeça nas cenas alternativas inglesa e americana quando passou a fotografar. Além dos mestres do rap, a fotógrafa esteve com as bandas The Clash, The Specials, Police e Paul Weller. Quando mudou para Nova York se tornou a pessoa responsável por registrar a cena hip hop – Afrika Bambaata, Run DMC, Salt’ n ‘Pepa e Grandmaster Flash foram alguns de seus personagens.

Daí pra frente, a carreira da fotógrafa só cresceu e ela passou a fotografar para as revistas Esquire, Rolling Stone, People, Interview, London Sunday, Times Magazine, Observer Magazine e para empresas como a lendária marca de botas Doc Marten, os tênis Converse, Warner Brothers, Universal

Para registrar todos esses momentos de sua vida, Janette lançou alguns livros, dois deles são dedicados ao rap. Em “The Breaks: Stylin’ and Profilin'”, ela retrata, em imagens, a cena hip hop de 82 a 90 e em “Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers”, textos e imagens se complementam para contar a história de uma geração que revolucionou a música.

Janette Beckman

Eric B. e Rakim / Run DMC e sua banca

Janette Beckman

Um dos Jungle Brothers / Big Daddy Kane

Janette Beckman

Flava Flav / LL Cool J

Janette Beckman

EPMD Babylon Long Island / Stetsasonic

The Breaks Stylin' and Profilin' 1982-1990The Breaks: Stylin’ and Profilin’
Fotos de Janette Beckman e texto de Bill Adler & Tom Terrell
Editora: The Power House Arena
Capa dura | 24.13 x 25.40 cm | 144 páginas | 150 fotos
US$ 35

Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers“Rap! Portraits and Lyrics of a Generation of Black Rockers”
Fotos de Janette Beckman e texto de Bill Adler
Editora: St. Martin’s Griffin
21.59 x 27.30 cm, 106 páginas
US$ 13,95


Mais?
Site de Janette Beckman


Manos e Minas: a luta continua

Na semana passada, especificamente na quinta-feira (5), foi anunciada a saída do programa Manos e Minas da programação da TV Cultura. No entanto, uma grande movimentação partiu da internet às ruas pedindo a volta de um dos únicos programas dedicados ao hip-hop no quinto maior país do mundo em extensão territorial, com mais de 190 milhões de habitantes e composto por 26 estados e um distrito federal. Mas isso tudo você já sabe.

Além do protesto no microblog Twitter, que fez o termo #salveomanoseminas permanecer entre os tópicos mais citados na tarde da quinta, foram colhidas assinaturas de pessoas contrárias a ordem de João Sayad, atual presidente da TV Cultura, na festa de aniversário da Rinha dos MC’s.

Voltando à internet, vídeos começaram a “pipocar” com falas de pessoas representativas no rap e na cultura de forma geral, como KL Jay, Edy Rock, Gilberto Dimenstein, Pedro Alex Sanches, Ganjaman, Criolo Doido e Ale Youssef, que apresentaram sua insatisfação e argumentaram sobre a importância da manutenção do Manos e Minas na TV aberta.

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Outra figura importante que “comprou” a briga foi o senador Eduardo Suplicy, que recebeu uma carta enviada por representantes do hip-hop a ser encaminhada para João Sayad. Suplicy inclusive chegou a realizar a leitura da carta no Senado, alertando a movimentação preocupante de um canal que leva a cultura em seu nome.

Em texto publicado pela agência AdNews nesta quarta (11), João Sayad mostrou sinais de contradição: “A grande questão aqui é que eu não represento o meu gosto, eu represento o que o público quer”. No entanto, suas ações mostram o contrário. Sua resposta padrão para o fim do Manos e Minas é que o novo programa de música da TV Cultura também trará o rap como um do gêneros representados.

Ainda assim, as movimentações em prol do programa continuam acontecendo. Mande seu vídeo, sua manifestação de apoio ou o serviço da sua festa em prol da volta do programa Manos e Minas à TV Cultura nos comentários do post e a gente ajuda a divulgar.

* Na noite desta quarta-feira (11), o Sarau da Cooperifa teve uma edição especial de protesto ao fim do programa Manos e Minas, nas palavras do idealizador do evento, Sérgio Vaz, “o único [programa] que não mostra as pessoas da quebrada de cabeça baixa, algemadas ou pedindo alguma coisa para apresentador de TV”.

* Em Minas Gerais, mais especificamente na cidade de Ipatinga, a Sintonia Crew realizará uma batalha de freestyle com o tema #salveomanoseminas, no Shopping do Vale, neste sábado (14), às 20h.

*Assine o abaixo assinado do site Rap Nacional em prol do Manos e Minas.

Sobre o Manos e Minas

Manos e Minas surgiu de um desdobramento do quadro “Mano a Mano”, parte do programa Metrópolis da mesma TV Cultura, e era apresentado por Rappin Hood. O formato inicial do programa contava com auditório, DJ Primo nas pick-ups, b-boys e b-girls dançando e grafiteiros convidados para pintar painéis durante a gravação.

O programa teve início em 7 de fevereiro de 2007 e contou com o sambista Jorge Aragão como primeiro convidado. Após a saída de Rappin Hood, assumiram a apresentação Thaíde, e logo depois, o MC Max BO. Manos e Minas trazia a cada edição uma banda/grupo apresentando seu trabalho, além de reportagens e quadros com nomes como Alessandro Buzo, o escritor Ferréz e mais tarde, o rapper Emicida.

Gravado no teatro Franco Zampari, ao lado do metrô Tiradentes, todas as segundas-feiras a partir das 16h, Manos e Minas era televisionado todo sábado às 19h30 na TV Cultura, com reapresentação aos sábados à 1h.

Leia também o post Manos e Minas deixa a grade da TV Cultura
Quer saber o que as pessoas acham sobre o fim do programa? Dê uma olhadinha no mural do Manos e Minas no site da TV Cultura!


Manos e Minas deixa grade da TV Cultura

Anúncio Manos e Minas

“Pra onde foi o respeito que o hip hop merece?” – por Carol Patrocinio com entrevistas de E. Ribas

Com um sonoro “Acabou” recebemos a notícia, do produtor Zeca MCA, que o programa Manos e Minas, da TV Cultura, havia oficialmente sido extinto. A alegação da emissora estatal é que isso ocorreu por “política da empresa” e que não tinha nada contra as pessoas envolvidas. “Tá todo mundo triste, mas sabemos que é um jogo de favores e favorecimento. O Manos e Minas não é um porgrama caro, então parece ser mais uma política da empresa de não querer falar com esse tipo de público. Cortaram as vias de acesso com a juventude”, explica o apresentador do programa, Max B.O..

Pra quem ainda não entendeu do que estamos falando, aqui vai a explicação. Nesta quinta-feira (5) pela manhã, todos que buscaram ler o jornal O Estado de S. Paulo*, se depararam com a seguinte afirmação do presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad: “O Vitrine deverá ser suspenso para reformulação. O Manos e Minas sai da grade, assim como o Login. Em compensação, haverá um jornal com debates todo dia. Teremos sessões de cinema em acordo com a Mostra de Cinema de São Paulo”.

Para Max B.O. a conclusão é simples: “Eles dizem que estão sem orçamento, mas contrataram a Marília Gabriela. Eles preferem pagar duzentos pra um ou dois, que pegar duzentos e dar um pra duzentas pessoas”. Curiosamente terminam os dois programas direcionados aos jovens na emissora.

Manos e Minas/Foto: DJ Erick Jay

Depois de saber de sua demissão por uma mensagem de celular recebida de uma produtora que trabalha na emissora – “Força”, dizia o texto – Max chegou a conclusão de que “se os caras mandaram embora até o Heródoto Barbeiro“, não era o Manos e Minas que seria poupado. Saído do MC RAPorter da RedeTV!, o apresentador comenta que sabia que o trabalho ali não seria eterno: “Um dia eu sabia qeu deixaria de ser apresentador (do Manos e Minas), mas gostaria ir lá me apresentar como MC no programa”.

As especulações sobre o programa, que já teve nas pick-ups o saudoso DJ Primo, já aconteciam há alguns dias e rumores rondavam a internet. Alguns, como Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, acreditam ser uma ação partidária: “Maluf, Quércia e Fleury governaram São Paulo e respeitaram os princípios públicos da TV Cultura de São Paulo. Quem destruiu a TV Cultura foram os governadores que há 16 anos coronelizam São Paulo. Agora, José Serra joga a pá de cal”.

De acordo com a definição do site da própria emissora, a TV Cultura é uma “emissora de televisão brasileira de sinal aberto que oferece à sociedade brasileira uma informação de interesse público e promove o aprimoramento educativo e cultural de seus telespectadores”. Se é esse o objetivo, o que está acontecendo? Será que estão errando a mão na hora de ‘colocar ordem na casa’?

Por inspiração de seus fundadores, as emissoras de sinal aberto da Fundação Padre Anchieta não são nem entidades governamentais, nem comerciais. São emissoras públicas cujo principal objetivo é oferecer à sociedade brasileira uma informação de interesse público e promover o aprimoramento educativo e cultural de telespectadores e ouvintes, visando a transformação qualitativa da sociedade” Do site da Fundação Padre Anchieta

“Nossa plateia era de estudantes, o Manos e Minas valia como nota para quem relatava o que rolava no programa. Tinham salas que ganhavam o direito de ir ao programa como prêmio, sabe? Também iam pessoas de casas de assistência, pessoas com liberdade assistida…”, conta o apresentador. A pergunta que fica é: seria esse o problema?

Manos e Minas - equipe/Foto: Dj Erick Jay

Conversamos com algumas pessoas para saber o que acham das mudanças de rumo da emissora que teria, por princípio, a iniciativa de levar conteúdo de interesse público aos telespectadores. E pela movimentação acontecida no Twitter, que levou a tag #salveomanoseminas ao Trending Topics brasileiro, o público quer que o programa, e alguns outros da emissora, continuem na grade.

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

André Maleronka – jornalista, editor da Revista Vice e colaborador da Revista +Soma

André Maleronka

Acho que isso significa uma ideia de cultura e de papel do Estado das quais discordo. As declarações do presidente da TV Cultura – ele menciona ineficiencia e inchaço do quadro de funcionários – são uma faca de dois gumes. Essa suposta eficiência: é de audiencia que ele fala? Uma Tv do estado não deveria ter isso como objetivo, na minha opinião. Inchaço: normalmente isso é causado por má administração. É o mesmo grupo que está no poder do Estado de SP há 24 anos.

Então é tudo muito esquisito. Mas acho que, resumindo bem, é isso: me parece uma ideia (ideologia neoliberal, na verdade) de cultura enquanto entretenimento e realização enquanto sucesso financeiro. Lamento, e acho uma visão de mundo bem rasa.”

Daniel Ganjaman – produtor musical, engenheiro, músico e DJ nas horas vagas

Daniel Ganjaman

Atualmente, o Manos e Minas é a única voz da cultura de rua na televisão brasileira. Vivemos um momento onde manifestações artísticas e culturais tem pouquíssimo espaço nos meios de comunicação de massa no Brasil. O Manos e Minas sempre foi um programa muito democrático, com espaço pra música, dança, arte, temas sociais e muitos outros assuntos que não são comuns na grade de outras emissoras. Além disso, havia o foco em temas ligados a periferia de forma criativa e produtiva, com ênfase nas manifestações culturais da comunidade – assuntos só abordados em outros programas com um certo ranso de ‘coitadinho’ ou de ‘caridade’.

Vejo que a situação é muito mais séria, já que está prevista uma demissão em massa e uma completa reformulação na grade da emissora. A existência da TV Cultura sempre foi um diferencial enorme dentro da programação da TV brasileira exatamente por se tratar de uma emissora estatal, sem um compromisso direto com os números de audiência. Isso possibilitava uma programação muito mais interessante e despretenciosa, o que é praticamente impossível numa emissora com interesses comerciais. Ao mesmo tempo, acredito que de certa forma esse é o caminho natural das coisas, já que hoje em dia é possível ter acesso a esse tipo de programação mais específica pela internet, onde o acesso vem ficando cada dia mais democrático. Sinceramente, acredito que a criação de portais de internet dedicados a essa cultura ou um upgrade nos portais existentes pode ser uma forma de cobrir parte desse buraco que ficará na ausência do programa Manos e Minas. Com certeza, uma perda irreparável”

Pedro Alexandre Sanches – jornalista cultural e autor dos livros “Tropicalismo – Decadência Bonita do Samba” e “Como Dois e Dois São Cinco”

Pedro Alex Sanches

São Paulo tem uma triste tradição no que diz respeito aos espaços reservados para manifestações culturais das populações menos favorecidas em geral. O hip-hop ocupa um lugar importante nisso que considero uma forma de discriminação, que a gente nota em episódios como a resistência da Virada Cultural em escalar rappers, ou esse agora com o programa “Manos e Minas”. Não é um problema só da TV Cultura, é muito mais generalizado, mas o triste, agora, é justamente a TV Cultura, talvez o único veículo de São Paulo que andava se preocupando, fechar o espaço que havia aberto. É um retrocesso, e, repito, esconde, sim, por trás uma carga forte de discriminação. Programas elitistas como o ‘Manhattan Connection’, do GNT, também dão audiências pequenas (e pouco lucro, imagino), mas não consta que pensem em tirá-los do ar por causa disso”

Leandro Roque de Oliveira aka Emicida – rapper e ex-apresentador de um dos quadros do Manos e Minas

Emicida

Desrespeitar o hip hop, infelizmente, já é uma característica de orgãos culturais, excluir o rap idem, mas o que me chocou nesse ‘cancelamento’ – coloco entre aspas pois até agora não fui notificado formalmente de minha demissão pela empresa que me ‘contratou’ e coloco entre aspas para ressaltar a importância deste contrato – foi o desrespeito a mim e a mais, aproximadamente, 20 pessoas que integram a equipe do Manos e Minas.

Fomos comunicados de nossa demissão (fora o resto das equipes dos outros programas também excluídos da grade), através de uma entrevista em um dos maiores jornais do país, cedida pelo novo presidente, João Sayad. Dizem que quando nos dirigimos a presidentes devemos expressar respeito utilizando termos como ‘excelentíssimo senhor’ e outras formalidades, mas de onde eu venho, não se deve mostrar respeito por quem não te respeita, e nesta atitude, no minimo bagunçada, da TV Cultura junto com essa nova diretoria, sobraram dúvidas, demissões, cortes e desrespeito pelas pessoas que dedicaram seus talentos à instituição.

Fala-se em construir uma nova TV cultura (excluindo programas culturais?), fala-se em reformular a grade, atrair o interesse da população (a mesma que era representada por um programa como o Manos e Minas), falou-se até em venda do terreno nestes últimos dias (que isso?). Eu não tenho palavras rebuscadas para enriquecer os textos como muitos, nem me considero tão inteligente assim, mas ontem fui a uma reunião em que ouvi ‘o programa é maravilhoso, o custo não é alto, dá uma resposta legal de audiência, mas está fora’.

Nunca vi aquilo como um emprego, assim como muitos da equipe como Truty, Zeca MCA, Max B.O., Erick Jay e outros que vivenciam o hip hop fora da sala de produção, víamos aquilo como uma oportunidade de levar a cultura, com a nossa cara, para nossos irmãos, aqueles que não se veêm representados nos artistas que vão no Faustão (com todo respeito a estes artistas), aqueles que já não têm acesso a saneamento básico, moradia, alimentação, educação decente e agora perdem seu programa companheiro dos sábados, onde podiam ter uma opção para fugir da programação nojenta da grade da tv aberta brasileira (salvo raras exceções).

Nos resta aguardar esta ‘nova TV Cultura’, que terá para sempre em sua história, este primeiro passo torto, como se tivesse sido empurrada por uma direção que se pautou pelo próprio umbigo. É ano de eleição, não faço campanha pra ninguem, acho que estamos ruim de opções, não acredito em coincidências nem gosto de ver caracteristicas comuns nos adversários (pois é assim que enxergo quem fecha portas para nós). Após ver estas características comuns o segundo passo é generalizar, coisa que também odeio fazer, e o terceiro passo é dizer: PSDB é foda”

Jair dos Santos aka Cortecertu – DJ, pesquisador e editor adjunto do site Central Hip-Hop

DJ Cortecertu

O Manos e Minas representa um dos braços do Hip-Hop na mídia, pois não é apenas um programa, o Manos e Minas é parte da retomada dos trabalhos que dão visibilidade ao Rap e à cultura de rua, numa articulação com outros estilos musicais como o samba-rock. Em dois anos de vida, o programa tratou com respeito nossa cultura.

Ao meu ver, o Manos e Minas poderia dar espaço para outros tipos de rap feitos por aqui, isso aumentaria a audiência e o poder de influência do programa. As manifestações em favor do programa pela internet mostram a diversidade em nosso cenário, artistas e curtidores de vários estilos divulgaram seu apoio, isso é um sinal, algo que precisa ser levado em conta para a resistência do Manos e Minas e para a criação de qualquer iniciativa semelhante”

Do outro lado do muro
Em comunicado oficial, a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura, explica os cortes:

tv-cultura

Em face às recentes notícias publicadas sobre a TV Cultura, informamos que:

Esta é a proposta de renovação que a Administração levará ao Conselho da Fundação Padre Anchieta: a revitalização dos programas admirados, a modernização dos processos administrativos, bem como dos equipamentos, e contando com os talentos que a emissora possui e com a contratação de novos apresentadores e jornalistas.

A TV Cultura é patrimônio querido dos paulistas e brasileiros, com um acervo de ótimos programas e vários artistas e jornalistas de sucesso que começaram aqui, mas que precisa se renovar. Perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente.

Mobilizações
Além da mobilização virtual para achar atenção ao caso levando a tag #salveomanoseminas ao Trending Topics brasileiro, acontecerão as demonstrações presenciais de insatisfação com a emissora. Veja qual o melhor dia e horário pra você fazer a sua parte e escolha sua manifestação.

Rinha de MC’s

Show do Emicida em Santos
Quando? Sexta-feira (6) às 23h
Onde? Club 49 (Rua Visconde do Rrio Branco n° 49 – Santos/SP)

Quer ler mais?
* No jornal O Estado de S. Paulo: “Sayad admite inchaço da TV Cultura, mas avaliará demissões caso a caso”

* No Conversa Afiada: “Tucanos fecham TV Cultura. Eles já têm a Globo”

* No Coletivo Action: “O fim do Manos e Minas?”

* No blog de Jéssica Balbino: “Salve Manos e Minas”

* No R7: “Fim do Manos e Minas causa protestos no Twitter”

* No blog Jornalismo B: “Comentários sobre uma emissora pública de televisão”

* Mídia Kit da TV Cultura: Saiba quem assistia a programação

* No Central Hip-Hop/Bocada Forte: “MobilizAção: militante quer acionar ministro pelo Manos e Minas”

Não confunda briga com luta. Briga tem hora pra acabar e luta é para uma vida inteira” Sérgio Vaz

O Per Raps agradece a ajuda de todo mundo que colocou no Twitter a tag #salveomanoseminas e ainda está colocando, além dos blogs e pessoas que ajudaram a fortalecer essa luta. Sem nomes porque quem fez sua parte, sabe. E quem não fez não merece nosso respeito.


Conheça a 1º Mostra Urbanidades

mostra urbanidades

Fazia tempo que São Paulo esperava que um evento viesse ocupar o lugar vazio deixado pelo extinto festival de cinema que rolava no CineSesc, a Mostra de Filmes Hip Hop de São Paulo. Quem conheceu sabe a importância do evento pra gente que curte cinema e a cena hip hop. Ali rolaram filmes que você não conseguia ver em mais nenhum lugar. E essa é a cara da 1ª Mostra Urbanidades.

Filmes que você ouviu falar, leu sobre, mas não sabia onde assistir, shows bacanas com gente que tá com a carreira fresquinha e gente que já tem estrada, além de oficinas pra você mergulhar de cabeça na cena hip hop.

Pra facilitar, aqui vão alguns destaques do evento, mas a programação completa você vê na imagem abaixo e pode acompanhar o que está rolando no blog da mostra.

Programação 1ª Mostra Urbanidades

Clique para ver a programação completa

Destaques

Eu, o vinil e o resto do mundo (Lila Rodrigues e Karina Ades/Brasil, 2008)
Sesc Santana, 27/07 às 20h e Galeria Olido, 28/07 às 17h e 31/07 às 19h30

Motoboys – Vida Loca (Caio Ortiz/Brasil, 2003)
Galeria Olido, 24/07 às 19h30 e 30/07 às 15h

Onde a coruja dorme, Bezerra da Silva (Márcia Derrak e Simplício Neto/Brasil, 2001)
Matilha Cultural, 29/07 às 19h

Pixo (João Wainer e Roberto T. Oliveira/Brasil, 2009)
Matilha Cultural, 23/07 às 19h e Galeria Olido, 24/07 às 17h e 28/07 às 19h30

Versificando (Pedro Caldas/Brasil, 2009)
Galeria Olido, 27/07 às 15h e 31/07 às 17h

Pra começar bem a semana, nessa terça-feira (13) rola no Sesc Santana a Oficina de MC com Kamau, Projota e Rashid, às 17h e depois a exibição do filme “Freestyle, um Estilo de Vida”, de Pedro Gomes, às 20h.

Tudo grátis e da melhor qualidade! Vai colar?

1ª Mostra Urbanidades
Quando? Até 31 de julho
Onde? Galeria Olido (Av São João, 473, Centro/SP), Matilha Cultural (R Rego Freitas, 542, Centro/SP) e Sesc Santana (Av Luiz Dumont Villares, 579, Santana/SP)
Quanto? Grátis, exceto na Galeria Olido, que custa R$ 0,50 e R$ 1


Per Raps TV: DJ King lança Anuário

DJ King rumo ao Guinness Bookpor Daniel Cunha

Em uma iniciativa pioneira, o DJ King, um dos disc jóqueis mais respeitados no cenário do rap brasileiro, acaba de lançar o Anuário 2009, em que ele documentou por meio de fotos, flyers e afins todos os seus compromissos como DJ durante o ano. Com impressionantes 257 apresentações, King também se habilita a um lugar no Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o DJ que mais tocou em um mesmo ano.

Junto com o livro, o DJ King preparou também a Mixtape Anuário Vol. 01, composta pelas músicas que ele mais tocou no ano. E um detalhe: apenas rap brasileiro! Assista o vídeo exclusivo do Per Raps em que ele fala sobre esses e outros novos trabalhos que vem por aí.

Veja a versão digital do anuário, faça o download da Mixtape Anuário Vol. 01, leia o texto de Gil de Souza, publicado na Revista Elementos, sobre o Anuário de DJ King (destaque para a parte final do texto, em que Gil fala sobre a forma exemplar como este trabalho foi entregue à imprensa), e o texto sobre a Mixtape, escrito pelo DJ Cortecertu, especial para o site Quilombo Hip Hop.

Para quem é de São Paulo, uma boa chance de conhecer esse trampo mais de perto é colar na Hole Club no próximo dia 10 de julho, quando o DJ King será a atração principal da festa Quilombo Hip Hop.

Mais:
Site do DJ King
Quilombo Hip Hop


O Rap é delas: Presença Feminina


O rap não poderia sentir nada menos que orgulho de suas representantes femininas. De norte a sul do Brasil temos notícias de MC’s, Dj’s, B-girls, grafiteiras, assessoras, produtoras, jornalistas e tantas outras que fazem o rap crescer e aparecer. Não sejamos hipócritas aqui de dizer que as mulheres são aceitas sem resmungos de marmanjos, pois sabemos que não. Mas que isso fique lá no passado.

Como moradores da selva chamada São Paulo, eis que temos a sorte de vira e mexe encontrar algumas das MC’s e Dj’s que despontaram como promessas para um brilhante e próspero futuro no rap. Boa parte dessa boa “safra” se apresentará neste sábado: Appeblum (crew de DJ’s formada por Lisa Bueno, Mayra, Simmone, Tati Laser e Vivian Marques), Flora Matos, Lurdez da Luz, Nathy MC e Stefanie. Celebrando essa junção, conversamos, dessa vez, com as rimadoras, para conhecê-las um pouco mais. No papo estão lembranças e o lado humano das MC’s.

Dê o play em Lurdez da Luz com Stefanie, “Andei”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-03-10T12_04_52-08_00.mp3″

Lurdez da Luz, Flora Matos, Nathy MC e Stefanie

Quatro histórias e um caminho – por E. Ribas

O que elas têm de comum além do fato de serem MC’s? Primeiramente, todas encontraram resistência de familiares ou amigos na hora que disseram que rimavam e que pretendiam levar o rap a sério. Além disso, todas botavam fé no ritmo e poesia e encaravam a música com respeito, acima de tudo. Só que os pontos em comum terminam por aí, já que cada uma tem o seu estilo de rima e suas influências. Daí veio a curiosidade: qual será a primeira lembrança que vem a mente de cada uma delas quando é dita a palavra rap?

“De menina de 14, 15 anos. Era Raio-X do Brasil no walkman e eu na Avenida Tiradentes, puta da vida com o mundo, cantando alto junto com Brown na rua, de calça larga”, recorda Luana Dias, cujo pseudônimo no rap é Lurdez da Luz. Entre as quatro, Lurdez é a mais experiente, tanto pelos seus 30 anos como por suas andanças. Mãe do pequeno Rogê, já gravou quatro discos com seu grupo, o Mamelo Sound System, junto de seu parceiro Rodrigo Brandão. Agora, lança seu primeiro trabalho-solo, cheio de participações gabaritadas e que deverá render shows repletos da brasilidade característica do som de Lurdez.

Já para a paranaense Nathalia Valentini Lissa, também conhecida como Nathy MC, à memória vem instantaneamente as batalhas freestyle nas ruas de Curitiba. A tatuada e estilosa Nathy ralou muito trabalhando em lojas e como hostess de festas até que também passou a fazer parte do hall dos MC’s que conseguiram lançar um CD. Esse álbum, lançado no final de 2009, traz uma espécie de guia dos pensamentos da rimadora e da história de seus 25 anos de vida. Quando perguntada sobre o andamento da carreira, ela mostra empolgação. “Estou feliz com o resultado: músicas tocando nas festas, discos vendendo bem e o clipe em breve disponível”.

Com um ano a mais que Nathy, Stefanie Roberta Ramos da Costa já tem um disco lançado, só que com um grupo, o Simples – junto de Kamau, Rick, Will e Diego. A MC, que trabalha como vendedora, ainda não consegue se dedicar exclusivamente ao rap, mas tem isso como objetivo em sua mente. Das lembranças, recorda de seus primos ouvindo um som que a deixava curiosa, mas que só “pegou” de verdade quando ela foi ao primeiro bate-cabeça. Já adotando Stefanie como seu nome de MC, ela se recorda de um momento marcante em sua trajetória, que aconteceu já faz um tempo. O cenário é de um show com o Simples no interior de São Paulo, a cena se inicia quando uma menina se aproximou para bater aquele velho papo pós-show. “Meu, eu não acredito, minha mãe tinha dito pra eu fazer medicina, minha família me forçando, depois que escutei sua música eu dei outro rumo pra minha vida!”, lembra Stefanie, reproduzindo a fala de sua fã. Realmente a música tem esse poder.

Flora Matos é a mais jovem de todas. Decidida para uns, marruda para muitos que não a conhecem e amável para os que convivem. Apesar de seus 21 anos, a MC é a que possui a lembrança mais remota em relação ao rap. “Quando eu tinha entre quatro e seis anos meu pai me apresentou o pessoal do Câmbio Negro”, recorda. Nascida na terra do poeta Gog, Brasília, Flora vem de uma família que respirava cultura e mantinha a música sempre presente no ambiente. Apadrinhada por ninguém menos que Kléber Lélis Simões, o Kl Jay, Flora veio para São Paulo e começou a mostrar seu potencial na participação da fita mixada Rotação 33. Entre várias apresentações aqui e ali, lançou um CD com a dupla LX e Leonardo Grijó, o Stereodubs, que muita gente considerou uma das pedradas de 2009. Depois disso, pouco se ouviu de Flora, mas ela ainda assim é uma das figuras mais disputadas por produtores, Dj’s e beatmakers.

Sobre as dificuldades enfrentadas no caminho, quem lembra da melhor história é Lurdez. “Meus amigos do rock se voltaram conta mim um bom tempo. Em casa é aquilo: se não tá se prostituindo, não tá na cadeia, tá beleza. Dinheiro não ganhava antes e não ganhei direito depois, mas minha mãe sabe que é uma arte que deve ser respeitada; só preferia que eu fizesse uma faculdade de música, mas viu que rolava um reconhecimento das pessoas”, pontua.

As apresentações deste sábado serão individuais, uma a uma as MC’s mostrarão suas rimas. Das expectativas sobre o show, Nathy MC conta sua parte. “Apesar de cada uma fazer seu show individual, acho legal essa reunião. São todas mulheres que já estão na luta há algum tempo e merecem todo respeito e espaço”. Flora Matos concorda e completa. “Acho maravilhoso que cada uma tenha um estilo particular”.

A expectativa para 2010 é que as mulheres realmente façam barulho. Os lançamentos de Lurdez da Luz e de Nathy MC vêm gerando diversas apresentações para as duas e, provavelmente, inspirando tantas outras a rimar ou lançarem seu próprio disco. Flora Matos segue fazendo apresentações e trabalha em um álbum solo, assim como Stefanie, que acredita no rap, mas sabe que não é fácil deixar de lado um trabalho remunerado por um ideal que, por vezes, parece mais sonho do que realidade.

Registramos um salve para todas mulheres não citadas aqui e que agitam o rap Brasil afora!

Presença Feminina @ Espaço +Soma
Sábado, (13/03), a partir das 18h – Entrada gratuita
Rua Fidalga 98 – Vila Madalena – 11 3031.7945
Shows Flora Matos, Lurdez da Luz, Nathy MC e Stefanie
Discotecagem e turntablism Crew Applebum
Djs Lisa Bueno, Mayra, Simmone, Tati Laser e Vivian Marques

Mais:
Myspace Flora Matos
Myspace Lurdez da Luz
Myspace Nathy MC
Myspace Stefanie

*Props para Luciana “Playmobile” Faria (foto) e Oga “Macário” Mendonça (arte).


Ataque Beliz – Reconceito (2009)


O grupo brasiliense Ataque Beliz liberou para download nesta sexta-feira todas as faixas de seu novo álbum, Reconceito. Lançado no final de 2009, o trabalho do grupo já reverberava pela internet e rendeu espaço na mídia, inclusive com uma entrevista polêmica no maior jornal do DF, o Correio Braziliense. Em seu site oficial, o grupo também criou o projeto Sua Nota, uma maneira de arrecadar recursos onde os fãs podem realizar doações baseados em quanto acham que vale o disco.

Formado desde 2001 pelo DJ Gusta e os MC’s Anderson Maya, Alisson e Higo Melo, o Ataque Beliz (se pronuncia Ataque Bêlíz) chega com essa pedra que visa rever os conceitos sobre o rap como música e o hip hop como estilo de vida pelos integrantes. O saldo musical disso você poderá conferir ouvindo o disco. Para complementar, acompanhe a resenha feita por Daniel Cunha.

Ataque Beliz – Reconceito

Ataque Beliz – “O giz e o fuzil”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-02-26T14_03_28-08_00.mp3″

Brasília é a principal referência do gangsta rap no Brasil. O estilo, adotado por grupos como Cirurgia Moral e Tribo da Periferia, é o que faz a cabeça da grande maioria dos adeptos do rap nacional por lá e, portanto, dá pra imaginar o quanto é difícil que alguém com uma proposta diferente conquiste seu espaço. Nos últimos anos, essa tarefa foi melhor conduzida pelas mulheres: Flora Matos e Lívia Cruz são os maiores exemplos de artistas brasilienses que conseguiram se destacar em outros lugares do Brasil, fazendo um tipo de som que pouco tem a ver com o estilo popularizado pelo grupo americano N.W.A., no final dos anos 80.

É nesse contexto que surge o Reconceito, primeiro disco oficial do grupo Ataque Beliz, lançado no final do ano passado. Com pouquíssimas aparentes conexões com o mundo do gangsta rap, o grupo surpreende pela pluralidade na temática das letras. Fazem reflexões sobre o rap e o hip hop, falam de poesia, de amor e, o mais interessante, fazem críticas sociais importantes e bem argumentadas – coisa que anda meio em falta no rap tupiniquim – sempre com muita propriedade. Do lado do som, o saldo também é bastante positivo; várias das músicas contam com o acompanhamento de uma banda de apoio, dando um aspecto mais orgânico e um toque jazzístico às composições do grupo.

Musicalmente, os destaques do álbum vão para ‘Madrugada’ e ‘Eu e os camaradaz’. A primeira traz um clima de festa reminiscente, que lembra as músicas de baile dos anos 80, com belíssimas frases de sax e um refrão contagiante, cantado por Wlad Borges. Na segunda, uma linha de baixo complexa e bem definida, somada a alguns elementos do jazz e uma batida em downtempo, são o pano de fundo para o assunto que não falta em discos de rap: o rolê pela noite.

Se o jazz é o ritmo no qual os músicos do Ataque Beliz mais passeiam, é no rock que eles acertam em cheio. Em ‘O giz e o fuzil’, riffs de guitarra criam o ambiente para a melhor letra do disco, onde os MCs fazem uma parábola entre a educação e a criminalidade. A música, vencedora da etapa nacional do RPB Festival de 2009, fala sobre como a educação que é oferecida às nossas crianças é contraditória e deficitária, e não oferece recursos para que possam ascender socialmente, tornando o fuzil a principal opção para uma mudança de cenário. “O grito do fuzil reprimiu o que o giz pôde dizer, você se contradiz na minha hora de aprender / ninguém vai me enganar depois de tudo que eu vi, você pode me negar tudo o que aconteceu, se o estudo não condiz com a vida que eu vivi, eu vou te devolver aquilo que você me deu”.

Um outro ponto alto do disco são as duas músicas em que os MCs do grupo fazem uma espécie de terapia do espelho com o mundo do rap e do hip hop. ‘Bom som’ tem uma letra bem direta e explicativa que poderia ser utilizada como cartilha para os artistas que não tem certeza se fazer música é mesmo o negócio deles (“O público quer bom som, o público quer bons shows!”). Na outra reflexão, em ‘As maravilhas do hip hop’, a discussão é sobre aqueles que acham que participar da cultura pode ser um bom caminho para se ganhar fama ou dinheiro, coisa que muitos ainda acreditam. Eles esmagam essa tese relatando as dificuldades enfrentadas por MCs, DJs, bboys e grafiteiros em suas trajetórias.

Resumindo, Reconceito, do Ataque Beliz, não é um disco recheado de hits, prontos pra estourarem pelas rádios do país. É bem mais do que isso. Um disco sólido, muito bem produzido e com conteúdo de sobra para nossos ouvidos. Nas primeiras audições, me lembrei da adolescência, quando ouvir discos de rap ainda era pra mim como ler um livro, tamanha a quantidade de informações novas que ia absorvendo. Compre e/ou baixe o disco, e boa “leitura”!

Mais:

Site oficial
MySpace


Don L. rumo a Tóquio: “Eu quero o topo”

“A gente tem poder e o mundo quer te derrubar, uns nascem pra fazer regra e nóis nasce pra quebrar” Don L. (‘Mel e Dendê Remix’) – por Daniel Cunha

Há cerca de três anos, um grupo de Fortaleza, no Ceará, balançou o cenário do rap com o lançamento da mixtape Dinheiro, sexo, drogas e violência de Costa a Costa. Formado por Don L., Nego Gallo, Junior D, Preto B e Flip Jay, o Costa a Costa surgia para o público do Brasil com uma postura diferenciada, falando com propriedade sobre um cotidiano conturbado em que se misturavam justamente “dinheiro, sexo, drogas e violência”.

No mesmo ano, o grupo foi pivô de uma polêmica entrevista concedida ao então Bocada Forte (hoje Central Hip Hop), quando declararam que a maioria do que se ouvia no rap nacional da época era perda de tempo (confira a entrevista aqui). De lá para cá, algumas novidades como o clipe de ‘Costa Rica’, a faixa ‘Vida Vadia’, presente na mixtape Rotação 33, de Kl Jay e, mais recentemente, músicas inéditas (incluindo ‘Não Para’, parceria com Dj Hum) da principal voz do Costa a Costa, o rapper Don L., que se prepara agora para gravar seu disco solo.

E 2010 é o ano. Don L. se diz pronto para ocupar o posto que merece, “o topo”, e é sobre isso que ele fala na entrevista feita pelo Per Raps. Confira:

Don L. – Êxodo e Êxito
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-02-22T08_28_59-08_00.mp3″

Per Raps: Na música Essência, você cita um momento da sua vida como uma espécie de divisor de águas, em que você decidiu deixar pra trás a vida que levava para se dedicar completamente à arte. Você pode falar um pouco sobre esse momento?
Don L.: “Eu senti que a tristeza ia chegar e mudar / ia tomar meu coração”. Eu tive que interromper uma fase da minha vida no auge. Deixar tudo pra trás e começar do zero. Parece difícil. Mas pra mim, mais difícil é continuar no erro, sabendo que isso tá me atrasando, me tomando muita energia que eu posso canalizar pra uma parada mais positiva. Quando fica óbvio que você precisa mudar é bom mudar logo, porque pode ser sua última chance. Tem que começar mudando por dentro, e as coisas começam a mudar por fora. Depois vem todas as outras consequências da sua mudança. As primeiras a aparecer são as más. No meu caso houve dívidas, falta de grana total, stress. Ter que aturar o que eu sempre odiei: não poder comprar um pano bom, um tênis novo, não poder sair de rolê e beber um bom drink, comer mal, e por aí vai… Não gosto de enfatizar essa parte. Na verdade, o grande segredo está em não enfatizar essa parte. O que você pode fazer a não ser encarar? Existem várias coisas boas acontecendo na sua vida nesse exato momento e você não enxerga, você se concentra nas más. Aí é que tá o erro. Depois do dilúvio, o sol há de brilhar. E mesmo um dilúvio é um milagre da natureza, é uma renovação, e você tem que respeitar isso.

Per Raps: As músicas presentes na mixtape do Costa a Costa foram feitas na sua fase anterior?
Don L.: Sim, a mixtape foi feita na fase anterior. Mas isso não quer dizer que eu vá negar a importância do que foi feito e dito ali. Pelo contrário, com certeza marcou o rap nacional. Chocou, abalou, motivou, sacodiu muita gente. Agora me sinto preparado pra fazer meu primeiro disco oficial. Aprendi com os erros, percebi os acertos, e agora tô pronto pra fazer novas apostas. Algumas serão erros que eu vou me arrepender no futuro, e outras serão acertos, e aprender com isso é o que eu chamo de evolução.

Per Raps: A temática das suas letras está mudando muito em relação às que foram feitas pra mixtape?
Don L.: Eu tenho um milhão de novos temas pra falar, não tem sentido eu ficar só nos antigos. Mas também não tem sentido eu não voltar aos temas antigos, sob uma nova visão, mais experiência. A única constante é coração. Isso você vai sempre encontrar no meu som.

Per Raps: Em “Êxodo e Êxito”, um de seus últimos lançamentos, assim como em algumas músicas do Costa a Costa, você se coloca como um dos melhores rappers da cena (vide “fala o nome do rapper acima do meu nível e eu deixo essa merda agora pra ti, primo”) – e nós concordamos. O que você acha que te diferencia dos outros?
Don L.: Acho que tenho flow, letra e produção num nível alto, sem uma coisa prevalecer em detrimento da outra. Isso é difícil de se ver. Mas não acho que sou o único. Tem outros e outras bons pra caralho por aí. Alguns tão trampando com os melhores. E eu tô fazendo tudo sozinho, longe de onde as coisas acontecem na música. Agora imagina aí, quando eu puder trampar com os melhores músicos, produtores, assessoria, como vai ser? Eu não falo isso como uma forma de me gabar nem desmerecer os outros, saca? Mas levando em consideração as condições adversas que tive e tenho que superar pra fazer o que eu faço, a certeza de que estou entre os melhores é o que me mantém trabalhando. Se não fosse isso, eu já tava em outra há muito tempo. Aliás, se alguém tiver palavras pra me convencer do contrário, eu saio dessa agora.

Per Raps: Como você  define o rap pop feito no Brasil? Para você, aonde sua música se encaixa nesse conceito de rap pop e aonde ela se distancia?
Don L.: Acho toda essa discussão sobre o pop uma parada muito confusa, principalmente porque não existe uma definição de pop. Não dá pra definir o pop como se fosse um estilo. Pop é mais um certificado de potencial de venda do que um estilo de música ou mesmo de comportamento. Pode ser uma merda, e pode ser do caralho. Caetano Veloso é pop, e Latino é pop. Você pode botar eles dois na mesma prateleira, mas não dá pra botar eles dois no mesmo patamar artístico. O pop pode ser uma coisa fabricada, artificial, pra vender no verão e depois ser jogado fora. Ou pode ser uma coisa que tenha valor artístico, que vá sobreviver ao tempo, e até que seja contestador, mas que seja bem aceito pela sociedade em geral, ou por uma boa parte dela que justifique o retorno financeiro do investimento necessário. Nos dois casos tem que ter investimento. É caro ser pop.

Acho que minha música tem, naturalmente, sem forçar, potencial pra ser pop. Como o Marcelo D2, Negra Li, MV Bill, Gabriel o Pensador, entre outros, tiveram: sendo eles mesmos, fazendo a música que eles gostam e acreditam, com maturidade suficiente pra que essa música possa atingir um grande público, cada um no seu estilo. O que eu não tive ainda foi o investimento necessário. Mas pretendo. Não vamos ser hipócritas. Quem não quer tocar no palco principal dos maiores festivais de música pop? Pra isso precisa ser pop. Lógico. O erro é achar que você precisa vender a alma ao diabo pra chegar lá, que você precisa fazer uma coisa completamente estúpida, que você precisa tirar o conteúdo do seu trabalho, etc… Mas é o contrário, você precisa estar muito maduro artisticamente.

As pessoas quando falam mal do pop, falam se referindo a artistas apelativos, mas esquecem que Alicia Keys, Norah Jones, Jay-Z, Kanye West, Caetano Veloso, Los Hermanos, Marisa Monte, O Rappa, Zeca Pagodinho, todos eles são pop, e são grandes artistas que ainda vão ser ouvidos daqui 20 anos, o que não vai acontecer com o Latino. Então, não posso falar do pop. O que eu falar do pop vai ter que ser algo que se aplique pro Latino e pr´O Rappa, ou seja, musicalmente nada.

Per Raps: Em entrevista para o Bocada Forte há alguns anos, você  falou algumas coisas sobre o “velho rap nacional”. Hoje, em 2010, vemos que muitos dos grupos e artistas que perpetuavam as ideias que você criticava sumiram do mapa. Acha que é a comprovação de que o que você falava estava certo?
Don L.: Acho que o tempo provou. Não preciso nem dizer. Mas acho que errei também numa coisa. O que eu falei tava certo mas a maneira como falei tava errada. E isso faz muita diferença. Mas é como eu me sentia no momento. Foi de coração. Com todos os sentimentos bons e ruins que existiam no momento, e a minha indignação com a hipocrisia, e com tudo que eu tava vivendo a flor da pele, mas foi de coração. Quando falei naquela época de ‘velho rap nacional’ não me referi em nenhum momento à velha escola. O conceito de ‘velho rap nacional’ era sobre ideias e práticas velhas que estavam acabando, e acabou, com a credibilidade e o resto de mercado que o rap tinha. Mas a maneira que eu falei isso estava errada, porque as ideias eram construtivas, mas o tom era repulsivo.

Per Raps: Quem, da velha escola, você  acredita que continua fazendo um trabalho relevante/importante?
Don L.:Não tenho ouvido muita coisa. Sinto falta do Xis no jogo. Espero que ele venha com trampo novo em 2010. O rap precisa se reafirmar como música. E acho um cara como o Xis faz falta.

Per Raps: Você  mesmo produz a maioria das suas músicas? A qualidade dos beats, desde a mixtape, também chamaram bastante a atenção de quem ainda não conhecia o trabalho do grupo. Como você entrou nessa área de criação musical? Teve o auxílio de alguém ou foi meio autodidata?
Don L.: Não tive outra opção, tive que ser autodidata. O máximo de auxílio que tive foi assistir o DJ Paulão e Clodoaldo, do grupo paulista Resumo do Jazz, quando eles vieram pra Fortaleza produzir a primeira coletânea de rap daqui, em 2004. Eu digo que eles são meus mestres. Fiquei olhando eles produzirem, sem querer perguntar muito pra não atrapalhar. Depois foi uma longa jornada de aprendizado e correria pra comprar os equipamentos básicos, estudar música, engenharia de som, pesquisar música, história da música e estudar inglês, porque o que você pode encontrar de graça na internet sobre isso é em inglês… Tudo porque eu tinha uns sentimentos escritos num papel e precisava botar pra fora, e não queria depender de ninguém pra isso.

Per Raps: Eu conheci as ideias do Osho por meio do myspace do Costa a Costa, li alguns livros e me identifiquei bastante. Onde você acha que as ideias dele se encaixam na sua carreira como músico?
Don L.: Isso é uma parada muito pessoal. Mas interfere diretamente na minha música, porque minha música é pessoal, às vezes introspectiva. As ideias dele se encaixam na minha vida como um todo. O Osho é um cara que pode fazer todas as suas certezas e convicções caírem por terra, e te mostrar um ponto de vista completamente novo, a partir do qual você vai ver todas as coisas de uma forma diferente.

Per Raps: Sobre seu disco solo, existe previsão de lançamento? Em que pé  estão as gravações? O que você  pode nos falar sobre ele?
Don L.: Essas músicas que estão no MySpace e disponíveis pra download são as músicas de transição. As músicas do disco ainda estão por vir. Estou com mais umas cinco prontas, mas ainda não são as do disco. São ainda dessa fase transitória. Vou lançar em breve. Começo a produzir o disco mesmo em março. Espero terminar em um ou dois meses. Pode parecer pouco, mas tem muita vivência acumulada, é só botar pra fora. Depois tem mixagem, masterização, negociação e aí não sei quando lanço.

Per Raps: Nesse seu trabalho sozinho, como funciona, nas músicas, sua relação com Fortaleza? Você faz questão de fortalecer a imagem do Ceará e do nordeste ou tenta fazer algo mais universal, sem necessariamente deixar tão claro o lugar de onde vem? Acha que na música também ainda existe muito preconceito do sul do Brasil em relação ao norte e nordeste?
Don L.: Tento fazer algo mais universal, deixando claro o lugar de onde eu vim. Deixar claro o lugar de onde você vem é indispensável pra se tornar universal. Eu fui em Porto Alegre agora, do outro lado do país, uma cidade muito diferente da minha, mas que tem tanta gente que se identifica com minha música quanto tem em Salvador. Não acho que na música em geral exista preconceito com o norte e nordeste, mas no rap sim, principalmente com o nordestino que tá no nordeste ainda. Quando o cara é nordestino mas tá no Rio de Janeiro ou São Paulo, não sei se é tanto. Porque não é uma coisa tipo racial, é mais uma ideia de que o nordeste é ainda muito atrasado ou caipira, e o rap é uma música de grandes centros urbanos. Acho que é isso. Falta de conhecimento total, porque o nordeste tem três das cinco maiores capitais do país: Recife, Salvador e Fortaleza. Quando não é isso, é medo.

Mas na música em geral, acho que é até valorizado, porque historicamente, em todos os estilos, os nordestinos se destacaram: João Gilberto, Caetano Veloso, Bezerra da Silva, Raul Seixas, Luíz Gonzaga, e por aí vai… A lista é interminável. É certo que eles tiveram que ir pro sudeste um dia. Isso é inevitável até hoje, a não ser que você faça forró elétrico em Fortaleza ou axé em Salvador.

Per Raps: Por fim, o que você  espera da sua carreira como rapper? Onde você  acha que pode chegar?
Don L.: No topo. No máximo patamar. Num patamar que ainda não existe paralelo.

Mais:
MySpace
Twitter

Você também pode baixar as músicas de Don L. nos links:
Essência, Êxodo e Êxito e No Baile
Não Para


Grafite no muro

Bombardeando por aí – por E. Ribas

Às vezes a melhor alternativa para vencer o marasmo é buscar vídeos interessantes pela web, certo? Se você curte Hip Hop, nada mais legal do que achar um clipe novo, uma música que acabou de sair, fotos de um show, movimentos de um b-boy ou b-girl, viradas absurdas de DJ’s ou um grafiteiro bombardeando um muro.

Pois nessas navegações, encontramos um vídeo bem legal do grafiteiro XguiX aka Guilherme Henrique Matsumoto. No vídeo, o cara aparece fazendo o rolê dele, que começa em um carro curtindo um som e parte pra uma tarde de grafite. XguiX e seu parceiro, o Verde, acabaram mostraram aquilo que muita gente ainda não conhece: o processo de criação de uma arte no muro. Primeiro vem a ideia, que geralmente vai primeiro pro papel, daí se escolhe o local, junta-se o material e a mágica então acontece.

Aproveitamos para conhecer um pouco mais da correria do grafiteiro, que desde 2007 se dedica a arte dos muros. O cara é formado em design, mas nas ruas prefere misturar técnica e instinto. Confira o vídeo do último bomb do grafiteiro.

Per Raps: De onde surgiu a ideia de começar a registrar seu trabalho? Como faz pra editar isso tudo depois?

XguiX: A ideia de registrar meus graffitis veio do meu gosto pela fotografia. Na faculdade pude aprender como usar máquinas profissionais de fotografia e recentemente pude comprar uma máquina boa para fazer meus registros, além do próprio registro dos trabalhos também procuro registrar as cenas de ruas da onde eu pinto, edito e trato as fotos depois em casa mesmo. O lance do vídeo veio da parceria que eu fiz com o Rodrigo da DJ SIDE TV (www.djsidetv.com.br), em que ele produziu o vídeo e editou para mim, com uso de duas câmeras, uma com a lente olho de peixe.

Per Raps: Qual o intuito de gravar a ação?
XguiX: Foi uma forma de registrar o trabalho diferente do que habitualmente faço com as fotos, e gostei muito do resultado final.

Per Raps: Como rola a escolha da trilha (que a propósito tá fodona)?
XguiX: A escolha das trilhas veio do meu próprio playlist, que quando meu celular ainda funcionava (risos) eu usava nos role de graffiti.

Per Raps: Em relação ao muro grafitado, você busca autorização do proprietário todas as vezes?
XguiX: Os trabalhos grandes e detalhados sempre rola autorização do dono do muro, mas em alguns casos não rola isso e acabo fazendo sem autorização. Logicamente é mais rápido do que quando tem autorização, se não rola o risco de parar na delegacia.

Per Raps: Quanto tempo demorou pra fazer o desenho todo?
XguiX: Chegamos no muro por volta de uma hora da tarde, rolou uma chuva e acabamos por volta das 18h.

Per Raps: Como você definiria seu estilo no grafite e o que o grafite significa pra você?
XguiX: Eu definiria como uma forma caricata de representar o mundo de outra forma – vezes psicodélico, vezes da forma que me sinto. Mas também gosto muito de fazer letras, o graffiti para mim representa uma nova fase da minha vida, na qual eu sei que não vou mais parar porque funciona como uma terapia e o rolê do graffiti só quem faz sabe como é a melhor coisa do mundo.

Mais:

Flickr


Jay Dee mudou minha vida (1974-2006)

Lembrando de DillaE. Ribas

No dia 10 de fevereiro de 2006, James “Dilla” Yancey partiu. Lembro que foi com essa frase que iniciei o segundo post de uma série de três feitos em 2009 para o Per Raps. Não sei até hoje como consegui escrever textos tão longos para internet, já que costumeiramente eles são mais curtos, ainda mais pra blogs!

No entanto, relembrando as entrevistas lidas da gringa e feitas com representantes do Hip Hop nacional, percebi que o material reunido foi de grande qualidade e extrema importância. Não teria sentido então buscar novidades, e sim trazer o que achei de mais interessante para apresentar aos leitores que já viram esse post, mas também para aqueles novos leitores que não tiveram essa chance.

Confira um trecho do post da parte três desse especial, que trouxe feras como ParteumKamau, Munhoz, Rodrigo Brandão, Rump, Dj Nuts, DJ Tamenpi, Nave e o fã de Dilla e admirador da cultura de rua, Daniel Sanchez. Esse texto fala sobre o Jaylib, trabalho de J-Dilla com seu parceiro Madlib, além da passagem dos dois pelo Brasil.

A passagem de Dilla pelo Brasil

Para falar da vinda de J-Dilla ao país é preciso se abrir um parênteses nesta história. Você conhecerá um pouco melhor da parceria do produtor e MC com outro companheiro de funções, Madlib, no trabalho denominado Jaylib.

Jaylib – “Champion Sound”

Jaylib – Ao Vivo 2004

http://stonesthrow.com/jukebox/jaylib-live-2004.mp3″

O disco começou a ser idealizado a partir do momento em que Madlib rimou em uns beats do Dilla, que estavam em uma fita do Dj J Rocc. Isso chegou aos ouvidos de Dilla, em Detroit, que perguntou: Quem é esse cara rimando nos meus beats? Como Dilla já conhecia Madlib, entrou em contato. A partir daí, a parceria se concretizou. O MC paulistano Kamau comenta especialmente sobre a parceria entre Dilla e Madlib, que na opinião dele, não poderia dar errado. “Dois dos maiores sampleadores das mais diversas fontes se unindo pra fazer música. Claro que o resultado seria esperado e cabuloso! Nada mais apropriado que o nome do disco: Som de Campeão”.

O mais curioso em “Champion Sound” é a produção de metade dos beats pro Madlib com rimas de Jay Dee e outra parte com rimas de Madlib e beats de Dilla. O álbum foi lançado oficialmente em 2003, e serviu para firmar a parceria que aconteceu em dois pontos específicos: Detroit (Dilla) e Los Angeles (Madlib). Eles adotaram um sistema de gravação de trilhas e compartilhamento dos arquivos a distância, o que agilizou o processo de produção.

Nave é direto na opinião sobre o álbum. “É aquela parada que quando ouve-se os samples você manda o tradicional ‘filha da p…!’!”. Ele aproveita para confessar a importância dessa parceria para ele, além do que ela de fato representou. “Ouvi muito, volta e meia ouço. Acho que foi o encontro da amizade com uma dose bem grande de insanidade e genialidade”, conclui.

Jaylib na pista por Mr. Mass/França (via Stones Throw)
Jaylib na pista por Mr. Mass/França (via Stones Throw)

Mas o segredo para o sucesso vai além, na opinião de Kamau. “Admiração e respeito. Dois dos melhores produtores a pegar o microfone, na minha opinião. Estilos únicos se complementando em batida e rima”. A relação entre o som produzido na parceria Jaylib ultrapassa barreiras da relação com a música. “Sou muito fã dos dois e já conversei com um deles. Mas mesmo assim ambos mudaram minha vida. Se o rap é minha vida, mudaram mesmo!”, completa. Munhoz confessa que a parceria Dilla/Madlib lhe rendeu boas lembranças. “O Jaylib, me lembra o DJ Primo, foi um disco que ele tocou muito, que ele gostava muito, e que me remete a uma época boa da minha vida”.

(Fecha parênteses)

De volta à história, o responsável por trazer Dilla ao Brasil foi Rodrigo Brandão. No entanto, essa não é uma tarefa nova para ele, que traz as atrações do Indie Hip Hop, além de alguns outros artistas para se apresentarem ao longo do ano. Quem relata a história, é o próprio Rodrigo. “A coisa rolou por conta da Primeira Mostra De Filmes Hip Hop De São Paulo, em 2005. O Keepintime* tava na programação, e o B+ era o diretor convidado. Como o Madlib participa da fita, surgiu a idéia e a oportunidade de trazê-lo pra se apresentar na festa de abertura do evento. É pública a timidez e notória a aversão por palcos do Loopdigga, então já foi uma surpresa ele topar fazer o show. Quando a Suemyra* escreveu dizendo que apesar de estar com a saúde frágil, o Jay Dee viria junto, pra realizar o sonho de conhecer o Brasil, e que então tratava-se do Jaylib ao vivo, nossas expectativas ficaram ainda maiores!”

No entanto, a apresentação acabou não se concretizando. Para o fã de Dilla, Daniel Sanchez, a expectativa no dia era grande. “Eu lembro que eu encontrei o (Dj) FZero na porta e disse: veio ver o Madlib? Ele: nada, vim aqui pra ver o J-Dilla!“. O Dj Nuts foi um dos que chegou a ter contato com Dilla em terras brasucas e conta como foi. “Meu contato com ele foi breve. Ele descobriu no Brasil que estava doente e teve que ir embora no dia de sua apresentação! Ele nem tava tão animado quando foi comprar disco e também para comer”.

J-Dilla e Madlib apresentando o projeto Jaylib, por Scott Dukes
J-Dilla e Madlib apresentando o projeto Jaylib, por Scott Dukes

Quem segue contando a história, é Rodrigo. “Na véspera do acontecimento ele passou mal, teve que ser hospitalizado aqui e só pode ser transferido pro centro médico interno do LAX (aeroporto de Los Angeles) depois que o doutor brasileiro falou com o enfermeiro-chefe de lá e com o médico particular do ‘Mr. Yancey‘, devido à gravidade da doença dele. Durante os dois dias e pouco em que esteve aqui, pouca gente encontrou com ele, mas quem viu não esquece”. Parteum teve essa chance por meio do próprio Rodrigo Brandão, que o chamou para conhecê-lo. “Troquei idéia, entreguei vinil, mixtapes. O Madlib me trata bem, quando me encontra, por conta daquele dia”.

“No fim, o Madlib subiu acompanhado apenas pelo Dj Eric Coleman, e fez um show que até hoje divide opiniões: alguns amaram, outros se decepcionaram. Mas a verdade é que não deve ter sido nada fácil pra ele encarar a parada preocupado, sem o parceiro que, vale ressaltar, era um monstro no palco”, pontua Rodrigo Brandão. Apesar de ter gostado da apresentação de Madlib, foi difícil para Daniel Sanchez esconder a decepção por não ter visto seu ídolo no palco. “Fui no show, no palco avisaram que ele teve que voltar“. No fim das contas, o estado de saúde de Jay Dee o impediu de aproveitar a passagem pelo Brasil. “Por aqui ele ficou no quarto de hotel fazendo fumaça e comendo pizzas”, comenta o Dj Nuts.

Dilla voltou para os Estados Unidos, foi internado e por lá ficou. Chegou a produzir músicas em seu quarto no hospital, e inclusive finalizou o álbum “Donuts” neste mesmo lugar. No dia 10 de fevereiro de 2006, James “Dilla” Yancey partiu. Para aqueles que o consideravam, ficou a boa lembrança e o respeito. Além disso, restaram as homenagens. Tamenpi conta o que rola nos Estados Unidos e fala também sobre os discos clássicos de Dilla que disponibiliza em seu blog todo ano. “Sempre na semana que faz anos da morte do cara, rolam várias festas nos Estados Unidos, só com os caras que colavam com ele. E vê-se uma movimentação no mundo todo em lembrar do cara. É aquilo, o maluco virou uma lenda no hip-hop. Eu homenageio no blog porque é uma forma de deixar os discos do cara sempre por ali, pra quem quiser, baixar. Porque vale a pena pra car%#@!”.

O reconhecimento também serve para se manter a memória dessa lenda. “Penso que se algum dia o rap se levar a sério ao ponto de termos um museu, o nome de James Dewitt Yancey tem de estar lá. Ele trabalhou para que falássemos de Jazz, Stereolab e Busta Rhymes na mesma sentença. Ele trabalhou para que os beats fossem mais cheios, para que mudanças de tempo fossem populares em rap. Trabalhou com Daft Punk bem antes de Kanye West. Ajudou na construção de diversos álbuns clássicos. O legado é inegável”, diz Parteum.

O fã Daniel Sanchez publicou dois vídeos em homenagem a Dilla, que tiveram milhares de visitações do Brasil e do mundo. “Quando criei os vídeos, um em homenagem e o outro um remix, não imaginava a repercussão que teria. Pude ter uma dimensão real da importância do músico pro mundo do hip hop. Quando digo ‘mundo do hip hop’ me refiro ao planeta Terra como um todo”.

O Dj Nuts prestou uma homenagem que se tornou famosa no mundo inteiro. Recriou em uma apresentação do Brasilintime, a versão brasileira do Keepintime*, o beat de Runnin’, do Pharcyde, e com produção de Dilla. Isso faz lembrar a importância de Dilla para Nuts. “Ele foi um dos primeiros a usar música brasileira em seus beats. O uso de Stan Getz com a música ‘Saudade vem correndo’ acabou sendo o tema que reconstruímos para a noite do Brasilintime ao lado do Dj Primo e o Pupillo (baterista do grupo Nação Zumbi)”.

Caso J-Dilla ainda estivesse vivo, provavelmente estaria na ativa, segundo Rodrigo Brandão. “Sem dúvida, o Dilla é um dos artistas mais talentosos, inovadores e criativos que já pisaram na Terra, então me parece claro que ele estaria emanando música boa sem parar!”. Munhoz também é da mesma opinião – “Com certeza estaria fazendo música! Morreu fazendo música”. Já o curitibano Nave, aposta que ele elevaria o nível do rap. “Seria melhor porque teria mais rap bom sendo feito, mais classe, mais originalidade”. Tamenpi ressalta o amor de Dilla pelo que fazia. “Acho que estaria vindo pedra atrás de pedra. Ele era fo%@! E não parava, amava muito o que fazia”.

De segmento, ficam as bases que surgem a cada dia e são creditadas a Dilla, além do trabalho do jovem Illa J. Nave tem gostado do que ouve do garoto. “Tenho ouvido, e muito. Tem gosto de nostalgia, é algo como ‘O estilo clássico Jay Dee nos beats’”. O produtor e MC, Rump, faz uma análise completa. “Gostei do disco do Illa J, mesmo do EP anterior, que ele mesmo produziu a maior parte dos beats. Acho que ele tem que ter cuidado para não fazer a carreira em cima do nome do irmão, mas acho ele talentoso, assim como tantos outros caras de Detroit (Dwele, Elzhi, Guilty Simpson, Black Milk, Waajeed). Detroit é a cidade de onde mais parece vir coisa nova e de qualidade hoje, e a sonoridade tem muito a ver com o que foi criado pelo Dilla”.


Scratch: The Ultimate DJ

Antes de mais nada, gostaríamos de esclarecer que ainda não tivemos a oportunidade de testar o jogo e que este não é um post patrocinado (mas gostaríamos muito que fosse e, se os fabricantes estiverem procurando gente pra testar no Brasil, vem cum nóiz!).

Um novo caminho para os DJ’s (a evolução do Serato) – por Daniel Cunha

Um dos motivos pelos quais o Hip Hop possui uma estética tão atraente para a publicidade (principalmente lá fora) é o modo como consegue capturar e prender a atenção das pessoas. O freestyle para o MC, o break para o b-boy e o grafite são artes complexas para quem faz, mas simples de serem assimiladas e admiradas por quem está vendo de fora.

No caso do DJ, responsável pelo comando das festas, há ainda algo que chama mais atenção: as performances. E nelas, o centro das atenções é o scratch, a arte de riscar os discos de vinil e tirar deles sons completamente diferentes do que qualquer outro instrumento é capaz.

Mas por mais que a atividade do DJ de performance seja tão chamativa, iniciar uma empreitada nessa área não é tarefa das mais fáceis e poucos são os que se arriscam a começar do nada. É quase uma regra que os maiores DJ’s de Hip Hop que conhecemos começaram por influência e incentivo de alguém que já era DJ, seja um familiar, um amigo, um tutor. São raríssimos os casos de Disc Jóqueis autodidatas. A maior razão para isso é, certamente, o preço dos equipamentos. Para se aventurar nessa área, são necessários no mínimo um par de toca discos e um mixer, e você dificilmente conseguirá adquirir um combo desses por menos de R$ 2 mil.

Aos poucos, a tecnologia nos apresenta alternativas que podem amenizar esse problema, e um dos grandes avanços pode estar chegando em maio, diretamente do mundo dos games: Scratch: The Ultimate DJ, que será lançado para Playstation 3 e Xbox 360, utiliza um sistema semelhante aos jogos DJ Hero e ao clássico Guitar Hero, e promete reproduzir sensações reais de scratch e beat making aos jogadores.

A plataforma foi desenvolvida por profissionais da Numark, conceituada marca de equipamentos para DJs. O controle foi batizado pelos criadores de scratch deck. Com cinco botões idênticos (tanto na aparência quanto na funcionalidade) a pads de MPC, um prato para o vinil e um crossfader, o resultado, pelo menos pelo que vimos dos vídeos até agora, é impressionante.

Os responsáveis garantem uma resposta de torque (motor dos toca discos) do prato idêntica à de equipamentos recentemente lançados pela empresa; ou seja, a real sensação de estar controlando um toca discos. Nas palavras do Dj Nu-Mark, do grupo Jurassic 5, que está participando da promoção do game, “depois de jogar o jogo, o próximo passo dos jovens será o de se arriscarem em toca discos e MPCs reais”.

Além dos objetivos pré-estipulados pelo jogo, o jogador poderá participar de sessões de freestyle de scratches, o que aumenta ainda mais a característica de introdução ao mundo dos DJs. Com cerca de 60 músicas (predominantemente de Rap), o jogo ainda terá uma sessão de estúdio, onde o aspirante a DJ poderá importar um sample específico para ser usado com as outras músicas, buscando uma ainda maior interação dos participantes com o video game.

O site Radar Urbano anunciou há alguns dias que o jogo contará com seis personagens DJ’s: três homens e três mulheres, e que, entre a trilha sonora, poderemos encontrar nomes como Kanye West, Beastie Boys, Run DMC, Black Eyed Peas, Eric B and Rakim e Tech N9ne, entre outros.

Mais informações no site do jogo Scratch: The Ultimate DJ.


Wyclef Jean mobiliza donativos via internet para o Haiti

Haitianos removem escombros com as próprias mãos

O terremoto que atingiu Porto Príncipe é o maior em 200 anos – E. Ribas

Nós precisamos agir agora – Wyclef Jean

Um dos países com a mais bela história das Américas, o Haiti, sofreu na tarde desta terça-feira (12) um abalo sísmico que gerou milhares de mortes. O terremoto foi um dos mais fortes nos últimos 200 anos e derrubou escolas, hospitais, prédios públicos e casas. Além disso, os serviços de energia e telefonia do país sofreram danos.

O grande problema dessa história é a condição financeira do Haiti, considerado o país mais pobre do ocidente, o que dificulta ainda mais a possibilidade de socorrer os feridos. No país, 80% da população vive com menos de dois dólares por dia, ou seja, abaixo do nível da pobreza.

O Haiti possui 9 milhões de habitantes, é uma ex-colônia francesa e a república negra mais antiga do mundo.  Ela foi fundada por escravos que organizaram uma revolução e levaram seu país à independência em 1804.

Mobilização via internet

Nos momentos de caos, a internet tem se mostrado uma ótima ferramenta de mobilização. Nas eleições do Irã, por exemplo, a web foi fundamental para a organização da oposição, além de possibilitar que várias manifestações fossem organizadas.

No Haiti, quem vem ajudando é o twitter, já que diversas pessoas vêm pedindo donativos para ajudar os haitianos. Um dos mais engajados é o rapper Wyclef Jean (http://twitter.com/wyclef), integrante do clássico grupo The Fugees, que nasceu no Haiti e costuma se engajar em diversas campanhas humanitárias.

No blog do MC e produtor há inclusive um post falando sobre a tragédia. “As duas milhões de pessoas de Porto  Príncipe enfrentaram sozinhas a catástrofe desta noite. Nós precisamos agir agora”. Wyclef disse também que o presidente Barack Obama se mostrou disposto a agir no Haiti e ajudar no que fosse preciso, no entanto o rapper pontuou que isso precisa acontecer o quanto antes.

Também na CNN, um haitiano mandou um relato sobre a situação atual de Porto Príncipe. Aparentemente a internet ainda funciona na região, o que permitiu que algumas pessoas pudessem se comunicar ou enviar notícias por meio de blogs e algumas redes sociais.

Ajuda humanitária

Wyclef Jean publicou em seu blog que as pessoas podem ajudar pelo celular, enviando donativos de 5 dolares para a  Yele Haiti Earthquake Fund – fundação criada pelo próprio Wyclef – ou doar via site na Yele.org. O rapper foi entrevistado pela CNN e convocou todos para ajudar. Neste momento, sua página de twitter se concentra nos esforços de  mobilizar pessoas e arrecadar donativos.

O rapper e produtor musical descendente de haitianos, Pras Michel (http://twitter.com/prasmichel), ex-parceiro de Wyclef no Fugees, manifestou seu carinho pelo país. “Acabo de falar com algumas pessoas no Haiti e a capital inteira está destruída. O Haiti parece nunca conseguir ter uma folga”, afirmou Pras. Outros tuiteiros como Ashton Kutcher e John Legend também manifestaram apoio às vitimas do país.

O que temos a ver com isso?

O Brasil, que comanda uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti visando espaço no Conselho de Segurança da própria ONU, também prepara sua  mobilização. O país comanda cerca de 7 mil soldados de 15 nacionalidades e tem 1.266 cidadãos brasileiros na região. O general de brigada Carlos Alberto Barcellos disse que “certamente, o Brasil vai unir esforços com outras nações para ajudar um país amigo”.

Além disso, vale observar os aspectos positivos de uma mobilização via internet. De forma romântica, isso pode mostrar que nem tudo está perdido: as mudanças por meio das ações das pessoas ainda são possíveis. Talvez um exemplo desses ainda não aconteça no Brasil, mas imagine se algo do tipo tivesse ocorrido no desastre de Angra dos Reis ou de Santa Catarina, por exemplo?

Talvez uma mobilização futura em relação à política (eleições), catástrofes e em tantos outros momentos possa vir a acontecer. Será possível?

Com informações de Último Segundo (iG).

Mais:

CNN Videos
Twitter
Yele.org


Mantra de 2010: “you can’t stop my go!”

Para começar bem o ano, o Per Raps libera um video da apresentação de Mos Def no segundo dia de Indie Hip Hop. De diferente, o encontro entre o Boogie Man e a lendária Banda Black Rio, em sua nova formação.

Willian Magalhães, filho de Oberdan Magalhães (da formação original da banda), é cantor, tecladista e atual produtor do esperado novo álbum dos Racionais MC’s.

O Som “Casa Bey”, do álbum “The Ecstatic”, usa o sample de “Casa Forte”, do álbum Maria Fumaça (1977), feita pela Banda Black Rio. Além disso, Mos Def é um admirador assumido da música brasileira, tanto que mostrou em seu show alguns trechos de músicas que ele curte e o inspiram.

Sem mais delongas, curta o vídeo, aproveite a receita do Black Dante e use uma das frases do som como mantra pro novo ano: “you can’t stop my go!”. E um ótimo 2010!

*Props pela foto do Serjão Carvalho.


Adeus 2009, cai dentro 2010!

getty images

“Tic tac, o tempo vai passando”. É realmente espantoso como um ano pode passar tão rápido. Obviamente isso depende muito da sua correria e vai de pessoa para pessoa, mas por aqui, o processo foi intenso! Felizmente, o trabalho realizado neste ano trouxe muita alegria a equipe do Per Raps.

Foi em 2009 que o blog completou seu primeiro ano, fato que revelou o quanto os leitores de maneira geral, os comunicadores do hip hop e todos aqueles que fazem a cultura hip hop acontecer, respeitam esse trabalho. Recebemos mixtapes de presente, imagens e comentários inspiradores. Tudo isso serviu para seguirmos em frente, sempre fugindo do senso comum e buscando o que, a nosso ver, há de encantador e fascinante na cultura urbana, e prioritariamente, no rap.

Esse reconhecimento fez com que a equipe intensificasse o trabalho, buscando sempre se manter em movimento, encarando os novos desafios que a proposta do blog pedia. Fomos cobrados, vezes de formas mais brandas e outras mais duras, mas isso só nos mostrou que o caminho de ladrilhos percorrido era cheio de obstáculos, mas que ainda assim valia a pena seguir em frente.

Podemos considerar que há um fator potencializador, dado pelo momento criativo, intenso e participativo da comunicação independente atual. E não me refiro apenas a comunicação do hip hop, cuja rede se integra mais a cada dia, mas também falo a respeito de blogs, sites, redes sociais e tantos outros espaços cibernéticos que se mostraram mais simpáticos ao rap e ao hip hop como um todo. Com isso, vem a maior responsabilidade, em tempos em que a internet ganha força, mas começa a ter sua liberdade “plena” questionada.

No entanto, os envolvidos com o Per Raps possuem a consciência de que há uma grande dificuldade de retratar a cena como se fosse algo homogêneo. Rap é rap, mas isso não quer dizer que não há diferenciações entre o som do grupo X ou Y. Vale lembrar também que o conteúdo do blog é feito nas “brechas” que o dia a dia permite. Somando isso tudo, fica praticamente impossível falar de todas facetas do rap em um só espaço, daí a importância de valorizarmos a gama de fontes de informação que temos disponíveis hoje.

Assim como qualquer veículo de comunicação, por aqui temos uma linha editorial, que a cada dia fica mais clara para quem escreve e também para quem lê. Esse é inclusive um dos grandes desafios para 2010: deixar clara a identidade do Per Raps. E pra que serviria isso? Para que o leitor saiba de antemão o que pode encontrar no site ou blog que ele vai parar para ler. Se agradar, seja bem-vindo. Caso contrário, existirá uma série de opções para se encontrar o conteúdo procurado.

Como é de praxe, o ano termina com um pequeno balanço e alguma promessa. O breve balanço foi feito, a promessa é de continuarmos com a boa qualidade do serviço prestado e da informação levada ao leitor, buscando sempre que possível utilizar o máximo de possibilidades que a web permite, focando principalmente aos textos, as imagens e a interatividade.

Por habitarmos redações e espaços da mídia, temos a consciência de que o rap foi melhor recebido em 2009, vide o maior volume de matérias publicadas e a própria grande entrevista feita com Mano Brown pela Rolling Stone. De olho nisso, o papel dos comunicadores independentes será fundamental para pautar a grande mídia, servindo como uma espécie de ponte, além de serem aqueles que exigirão o respeito que a cultura hip hop e todos elementos da cultura urbana devem ter.

Por último, mas não menos importante, buscaremos mostrar o que acontece fora do tal “eixo”, trazendo o que acontece de melhor além das fronteiras Rio/São Paulo e até além-mar. Que venha 2010!

Se liga nesse video acima, que retratou alguns dos principais fatos de 2009. A retrospectiva vai de gripe suína até o contestado prêmio Nobel recebido por Barack Obama. Tudo isso é mostrado da forma mais divertida possível. Feliz 2010!


Os shows de domingo (06/12) do Indie Hip Hop ‘09

Finalmente, a parte II do Indie Hip Hop 2009. Desta vez, você acompanhará videos feitos no domingo (06/12), dia da apresentação do coritibano Nel Sentimentum, os cariocas d”A Filial, além do encontro entre Parteum com Kamau e do Elo da Corrente junto do Mamelo Sound System.

Para você que quer relembrar ou de repente trocou o festival pela rodada final do Brasileirão, o churrasco na casa do vizinho ou assistiu o Indie no sábado e não conseguiu ingresso pro domingo, disponibilizaremos um vídeo de cada apresentação. Em breve, traremos um balanço final do Indie Hip Hop 2009.

De quebra, acompanhe também imagens do painel montado pela dupla OSGEMEOS. Curte aê!

Obs: O áudio da apresentação de Pateum e Kamau não está dos melhores por problemas técnicos, mas vale pelo registro do importante momento.

Mural OSGEMEOS

Nel Sentimentum (CWB)

A Filial (RJ)

Parteum e Kamau

Elo da Corrente e Mamelo Sound System


Mos Def, a atração do Indie Hip Hop ’09, por Dj Tamenpi

Mos Def será a tração do Indie Hip Hop 2009 (Divulgação Myspace)

Mos Def será a atração do Indie hip Hop 2009 (Divulgação/Myspace)

O Indie Hip Hop está chegando, na verdade faltam apenas três dias para o grande evento. Além da celebração de 10 anos desde o primeiro Dulôco, realizado em 1999, haverá uma exposição de fotos sobre momentos especiais do festival, no palco terão encontros memoráveis entre MCs brasucas, além das tradicionais “novidades” na cena.

No entanto, temos que destacar aqui também a atração internacional, que nada mais é que “Mister” Mos Def! Quem curte rap, no mínimo conhece o nome do cara, que de tanto talento, expandiu sua atuação para o cinema também.

No entanto, há quem diga que isso atrapalhou sua dedicação ao rap. Enquanto você lê o papo que tivemos sobre esse assunto, nosso entrevistado fez um medley especial para o post. Curta a trilha sonora enquanto lê a conversa com o Dj Tamenpi, um dos caras que mais manja de música que a gente conhece!

Continue acompanhando o Per Raps para saber também sobre as novidades do “Só Pedrada Musical”. Curte ae!

Dj Tamenpi (Foto: Joca Vidal)

Per Raps: Qual o primeiro álbum que você ouviu do Mos Def?
Dj Tamenpi: Eu já ouvia falar em Mos Def, por coisas da Rawkus, Soundbombing. Mas na época, a gente não tinha a facilidade de hoje; que sai um disco e a gente escuta na primeira semana, ou até antes do lançamento. Eu tive o prazer de ouvir o disco do Black Star e o primeiro do Mos Def, meio que juntos, e a partir daquele momento o cara entrou no hall dos meus mc’s favoritos. Isso foi, se não me engano, em 98.

Per Raps: E a pedrada “Mos Def and talib Kweli are Black Stars”? E você achou que 10 anos depois esse álbum seria tão importante para o rap?
Dj Tamenpi: Esse disco é sinistro demais! Um dos melhores de todos os tempos mesmo. A presença do Hi Tek produzindo engrandeceu muito. Tanto ele como J.Rawls, Ge-ology, Beatminerz e os outros. Mas o Hi Tek realmente roubou a cena nos beats. E essa parceria entre Mos Def e Talib Kweli é uma das mais impactantes no rap atual. Combinação perfeita! Mas sinceramente, na época eu não imaginava que 10 anos depois ouviria esse disco com a mesma emoção das primeiras vezes.

Per Raps: Quais seus sons favoritos desse álbum?
Dj Tamenpi: Essa pergunta é bem dificil. Mas vamos lá. Sem duvida nenhuma “Definition” é tão marcante que ja tá no sangue. Mas também tem “Brown Skin Ladies”, que já é uma vibe mais relaxante. É aquele som perfeito pra escutar bem acompanhado. E pra entrar na viagem, nada melhor que “Determination”. Além da sequencia final do disco que é uma das mais cabulosas com “Respiration”, “Thieves In The Night” e “Twice Inna Lifetime” seguidas. Essa foi f*da de responder, hein!

Per Raps: E o hiato entre “Black On Both Sides” para “The New Danger”? Acha que a carreira de ator atrapalhou a qualidade de Mos Def como MC?
Dj Tamenpi: Realmente não sei o que aconteceu. Mas o impacto do “The New Danger” foi bem estranho. As primeiras vezes que ouvi me decepcionei. Mas com o tempo me acostumei com o disco e acho muito bom. Bem a frente de tudo que estava acontecendo na época. O Mos Def tem um diferencial de não ter limites dentro de sua música. Experimenta tudo. É só lembrar da música “Umi Says”, né? É espetacular. E mudou a visão de muita gente dentro do rap. Não acho que a carreira de ator tenha atrapalhado sua qualidade, só tomou mais o tempo dele.

Per Raps: Em 2006 chega “True Magic”. Alguns apontaram esse como a álbum mais “apático” de Def, qual a sua opinião sobre ele?
Dj Tamenpi: Eu não gosto. E acho que nem ele (risos). Eu ouvi diversas histórias em relação a esse album. Acho que foi um disco por obrigação de contrato. Nem capa tinha. Não acredito que ele tenha se dedicado da forma que fez nos outros trabalhos.

Per Raps: E a pedrada com o Dj Honda, o “Travellin Man”. O que achou?
Dj Tamenpi: Eu conheci “Travellin Man” vendo o clip no YO! Nossa! Chapei demais com aquele som. E até hoje toco sempre e chapo muito quando escuto nas pistas da vida. Verdadeira pedrada!

Per Raps: Vamos falar do último álbum, “The Ecstatic”. Muita gente já considera o melhor álbum do MC, com direito a sample da Banda Black Rio e tudo. Você celebrou essa qualidade do álbum?
Dj Tamenpi: Com certeza. Estava há anos esperando. A musica “Auditorium” apareceu em videos no Youtube de shows dele e, a partir dali, eu vi que o disco viria do jeito que a gente gosta. Não acho o melhor disco dele. Ainda fico com o “Black On Both Sides”, mas já fazem 10 anos. O rap mudou bastante. Eu acho que é o disco perfeito pro momento atual do rap. Sem firulas. Rap verdadeiro na lata! Ouvi pessoas reclamando da qualidade da mixagem e da masterização, que a voz dele estava muito crua. Eu acho que ele fez isso de propósito. Enquanto todo mundo entope a voz com efeitos, autotunes e vocoders, o cara fez da forma mais roots possível, estilo sound system. Sem falar nos beats. São muito originais. Diversidade e qualidade em todos. Eu curto todos os sons.

Per Raps: E você curtiu o sample da Black Rio, além da possibilidade de uma apresentação do som junto da banda lendária aqui no Brasil?
Dj Tamenpi: Eu achei classe demais! Não foi bem um sample, né? O cara fez um loop no original e cantou em cima. Mesmo assim. É melhor do que alguns gringos que vem aqui, compram os nossos discos e fazem um bando de besteira estragando a nossa cultura. Acho legal a idéia da apresentação, to na expectativa, apesar da Banda Black Rio atual não ser aquela banda lendária dos anos 70. Vamos ver o que vai sair.

Per Raps: Pra terminar a conversa, por que as pessoas tem que ouvir Mos Def e colar no show no Indie Hip Hop?
Dj Tamenpi: Acho que o Indie Hip Hop tem uma série de shows da safra nacional do rap. Só por isso já vale colar no Sesc Santo André pra conferir. A apresentação do Mos Def engrandece ainda mais esse evento que é um exemplo bem sucedido no hip hop brasileiro. O Mos Def é um dos mc’s mais verdadeiros do rap atual. O som dele é real. É envolvido total com o mainstream de Hollywood, cada vez com mais destaque nos filmes em que atua. Mas não perdeu sua essência, como aconteceu com muitos que foram pelo mesmo caminho. Quando o assunto é rap, o cara é rua total. Representa o real hip hop.

Mais notícias sobre o Indie Hip Hop no Twitter. Siga-nos os bons!


Dia da Consciência Negra ’09

O dia 20 de novembro foi escolhido para representar o Dia da Consciência Negra no Brasil. O motivo: nessa mesma data, em 1695, morria Zumbi os Palmares, símbolo da resistência negra em uma época em que a escravidão negra dominava o país. Desde lá, segue a luta pela igualdade, tendo a cultura hip hop como um forte braço. O Per Raps destacou abaixo algumas atividades bem interessantes que vão rolar por diversos pontos no Brasil.

Em 2009,mais de 300 cidades adotaram o Dia da Consciência Negra. O feriado ainda não é considerado nacional e será facultativo em algumas cidades. Confira a lista das cidades que aderiram ao feriado.

[Alagoas, Jaraguá]
Em Alagoas, entre os dias 16 e 20, acontece no Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa), em Jaraguá, o projeto Misa Acústico 2009. Na sexta-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, o público confere a apresentação da Orquestra de Tambores, que será realizada na Praça Dois Leões, em frente ao Misa.

Todos os shows da programação estão marcados para as 20h30. Os ingressos custam R$ 5 (inteira) e R$ 2 (meia). O espetáculo da Orquestra de Tambores, na praça, será de graça.

[Bahia, Salvador]
Na Bahia, em Salvador, acontece no dia 24 de novembro (terça-feira), um ciclo de palestras e debates com os temas. Os temas serão diversos, entre eles: “A vida e obra de Lima Barreto”, “A importância de Cruz e Souza para Literatura Brasileira”, “Mestre Bimba: Símbolo da Cultura Nacional” e “A Revolta da Chibata”. Tudo acontecerá na Universidade Católica, na Avenida Joana Angélica, na Lapa, das 08h às 16h. Além disso, rola o lançamento do livro “Capoeira Angola: Educação Pluriétnica, Corporal e Ambiental”, do autor Jorge Conceição, às 16h.

No dia 28 de novembro (sábado), acontece o lançamento do CD do grupo de Rap Nova Saga, na Praça Tereza Batista, Pelourinho, às 19h, de graça.

[Paraná, Irati]
No Paraná, rola o “Seminário Identidade e Território: Negros na região Sul”, na cidade de Irati. De 16 a 20 de novembro, na Universidade Estadual do Centro-Sul, será feita uma reflexão crítica sobre a influência étnico-racial e a educação a serviço da diversidade na região centro-sul do Paraná, marcada pela imigração alemã, italiana, polonesa e ucrâniana. Endereço: PR 153, Km 7, Riozinho.

[Rio de Janeiro, Rio de Janeiro]
No Rio de Janeiro, rola um programa cultural com mostra de cinema com a “trilogia negra“, de Cacá Diegues no Centro Cultural Parque das Ruínas, em Santa Teresa, no centro, a partir da sexta-feira (20). Os filmes Gamba Zumba, Quilombo e Xica da Silva vão ser exibidos em três sessões diárias, até o domingo (29). A mostra inaugura a sala de cinema do centro com 80 lugares e terá entrada franca.

No Dia da Consciência Negra, a programação começa às 6h30 com a lavagem do Busto de Zumbi, na Praça 11, no centro do Rio, por integrantes do afoxé Filhos de Gandhi, e segue até as 19h, com shows de Arlindo Cruz, da bateria da Mangueira e da Acadêmicos do Cubango.

[São Paulo, São Paulo]
Em São Paulo, para entrar no clima do Dia da Consciência Negra, nada melhor que curtir nesta quarta-feira (18), o lançamento da mixtape do Dj Venom, do Projeto Manada, na Jive Club. A festa faz parte do projeto Hip Hop Series e contará também com a discotecagem do Dj Duenssa e pocket show com o UmDegrau. A Jive fica na Alameda Barros, 376, em Higienópolis. Os homens pagam 10 reais e mulheres, cinco.

Na sexta-feira (20), o evento de destaque tem início a partir das 10h, na Praça da Sé (programação completa), centro da capital paulista. Lá será possível ver o encontro de congadas e missa afro-brasileira com o Coral da Orquestra Sinfônica do Estado e o Coral da Família Alcântara na Catedral da Sé. No palco principal, rola a apresentação, a partir das 12h, o bloco afro Ilê Aiyê, Quinteto em Branco e Preto, vários DJs, Luiz Melodia, Elza Soares e Kamau, acompanhado de Jeffe nos vocais e do DJ Erick Jay.

Além deles, haverá um Momento Hip Hop, que também trará ao palco o rapper brasiliense Gog e o paulistano DJ King. Fechando esse importante momento, a DJ Vivian Marques assume os toca-discos até a próxima atração.

Ainda em Sampa, rola nesta sexta-feira (20/11) a tradicional “Rinha dos Mcs” com o grupo “Primeira Função”. Também participarão desa edição especial, os poetas Akins Kintê e Elizandra Souza, que recitarão versos sobre a consciência negra. Para completar, rola a tradicional discotecagem com os Dj’s DanDan, Marco e Kiko.

Quer saber de mais eventos? Confira nossa agenda especial Consciência Negra. Quer sugerir um evento? Mande para perrapsblog@gmail.com com o assunto [Agenda].


Lançamentos de 09: Pentágono

Pentágono

Dj Kiko, Massao, Rael da Rima, M'Sário e Apolo por Rogério Fernandes

O novo swing do Pentágono – por E. Ribas

Seguindo o papo com grupos e MC’s que estão lançando trabalhos neste fim de ano, agora a ideia segue com o Pentágono. Apesar do último trabalho, “Natural”, ter sido lançado no final de 2008, os integrantes do grupo decidiram compor mais sons, mostrando seus novos estímulos e influências. Além disso, a saída de Dodiman do grupo deixa um espaço a mais entre as rimas, que deverá ser preenchido com o esforço de Apolo, Massao, M.Sário, Rael da Rima e o Dj Kiko.

O EP, que contará com um som ao vivo, um remix e três sons inéditos, já tem data oficial para o lançamento: dia 28 de novembro, na Hole Club. A produção dos beats são de responsa de A.G. Soares (Apolo), Nave e Dj Primo, e a produça geral também é assinada pelo Time do Loko e o próprio Pentágono. O disco contará com participações especiais da MC Flora Matos, Projota e o saudoso Dj Primo. A masterização ficou por conta do Dj Roger.

Em dezembro, o grupo tem em seu cronograma uma apresentação no Indie Hip Hop 2009. Essa será a primeira vez que o quinteto pisará oficialmente no palco do Sesc Santo André. Aproveitamos a sequência de novidades para trocar uma rápida ideia com A. G. Soares (aka Apolo), que ressaltou que esse novo trabalho poderá soar mais “eletrônico” que os outros. Entre os assuntos, O MC e produtor comentou sobre detalhes da produção do EP, a satisfação de tocar no Indie 2009 e mais.

Aproveite e confira abaixo um video gravado no lançamento de “Natural”, que contou com a participação de Dj Primo na música “Swing”. Memorável!

[Youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wHZpWQu0nOA]

Per Raps: Musicalmente, o que mudou de “Natural” para esse novo trabalho do Pentágono?
A.G. Soares/Apolo: Na real acho que não mudamos, mas amadurecemos muito de um para o outro, tanto pessoal quanto profissionalmente. Trabalhamos muito com o Pentágono durante esse ano de 2008 e isso naturalmente te ensina várias coisas que refletem na música. Creio que as músicas novas estão mais maduras, com mais experiência de vida mesmo, com rua, amor, indignação, musicalidade e pentágono.

Per Raps: O que os fãs do Pentágono podem esperar desse novo trabalho: muitas novidades ou uma sequência do trabalho anterior?
A.G. Soares/ Apolo: Bom… Resolvemos fazer esse EP pela necessidade de compor musicas novas, já que o “Natural” ficou um ano na geladeira (devido a problemas com a gravadora) e só foi lançado no final de 2008, então as músicas dele, que são de 2005, 06 e 07, para nós soavam antigas. Com isso, queríamos exercitar esse lado, já que só pretendemos lançar outro álbum em 2011. E, também para que nossos fãs não tenham que esperar tanto para escutar músicas novas, mas podem, com certeza, esperar um Pentágono diferente. Inovador, mas sem fugir de nossas raízes.

Per Raps: Na produção das faixas que você trabalhou, quais elementos você procurou agregar? Além disso, usou samples, colagens, algum instrumento gravado especialmente para uma determinada faixa?
A.G. Soares/ Apolo: Samples sempre. Porém, assim como no “Natural” tem várias coisas tocadas também, acho que isso já é uma característica marcante nas instrumentais do grupo, não tem como fugir muito disso. Mas, para mim esse projeto soa mais eletrônico que o outro.

Per Raps: Com a saída de Dodiman, o quarteto de frente vai mudar algo em relação ao trabalho anterior, o formato da música ou das rimas muda?
A.G. Soares/ Apolo: O Humberto participava ativamente das composições, então é claro que é uma cabeça a menos em todas músicas e isso pode soar diferente para algumas pessoas que acompanhavam o trabalho mais de perto, contudo estamos nos empenhando ao máximo para minimizar esse “problema” e que as músicas continuem soando como Pentágono.

Per Raps: Sobre o Indie Hip Hop 2009, como foi receber a confirmação de que o Pentágono se apresentaria e como será a concepção dessa apresentação: só haverá espaço para o trabalho novo ou os dois anteriores terão vez?
A.G. Soares/ Apolo: Foi a realização de um sonho, fomos a todas as edições do festival como público, e poder tocar no mesmo palco que o Mos Def vai ser foda! Sem contar os monstros nacionais que vão se apresentar. O show será curto devido o cronograma do evento, mas tocaremos o máximo possível entre músicas novas e antigas.

Mais em:

www.myspace.com/pentagono5
www.pentagono5.com.br

Lanc_P5_net

Lançamento EP Pentágono @ Hole Club
Dia 28/11/09
Djs Dandan e Yellow-P
Hole Club (Rua augusta, 2203)
Preço único $15 (com flyer $10)
*As 100 primeiras pessoas ganham o EP gratuitamente