Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

festa

Entrevista: Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz

Lívia Cruz por Stephanie Sidon, Pathy Dejesus (divulgação) e Lurdez da Luz (divulgação)

“Muito além do ser mulher” – por Carol Patrocinio

Quando as pessoas pensam em rap já imaginam um homem, de preferência negro, com roupas largas, cara de mau, muita marra e um microfone na mão. Ei, mundo real, chamando! Rap é música, expressa sentimentos, vivências, histórias. E isso todo mundo tem: branco, preto, amarelo, homem, mulher, religioso ou ateu. E é aí que entram as personagens do texto de hoje, três mulheres que ganharam espaço e notoriedade num mundo que – queriam que elas acreditassem – não tinha espaço pra elas. O mundo estava enganado!

Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz. Mulheres. Bonitas. Femininas. Elas são feitas de sorrisos, olhos, unhas. E como as mulheres de outras cenas, querem estar bonitas, gostam de como são, não querem mudar para agradar e acreditam que o talento fala mais alto do que qualquer coisa.

Preconceito? Existe. Por ser mulher, por ser bonita, por ser branca ou por ser negra. Desafios? Estão aí para serem deixados pra trás e lembrados como vitórias. Qualidade? Tem de sobra. Essas mulheres provam que o que importa é fazer com o coração e aí o respeito vem, quando menos se espera.

Para mais informações e novidades exclusivas, siga o Per Raps no Twitter!

Per Raps: Pra você, como o preconceito é demonstrado no rap?

pathy dejesusMeu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher”

Lurdez da Luz: Acho que o rap brasileiro está mais consciente nesse sentido do que o norte-americano de um modo geral, no que diz respeito as músicas misógenas é mais tranquilo. Acho que o machismo está tão arraigado que nem sei onde começa e onde termina e num é privilegio do rap não, em toda sociedade e nichos musicais rola só que de diferentes formas. Vide o número de instrumentistas mulheres em qualquer show de música, seja lá de que estilo for, sempre muito menor que o de homens.

Infelizmente ainda rola esse lance de muitas mulheres não se sentirem representadas por outras que estão no palco, que é reflexo de uma cultura machista, de de repente achar que você tá ali pra “aparecer” ou por causa dos caras, ignorando toda a dificuldade que é fazer arte, ainda mais rap. Mas comigo, pessoalmente, não é só o fato de ser mulher, tem o lance da pele clara, me vestir de um jeito estranho, ter um discurso talvez não muito simples de interpretar e desde do começo num ficar me explicando, deixar as pessoas livres pra pensarem o que quiser ao meu respeito.

Pathy Dejesus: Gosto de ver as coisas sempre por um ângulo mais positivo. Falta muito ainda, mas já foi bem pior… Ainda somos uma minoria dentro desse processo. Ainda existem as letras que inferiorizam, ridicularizam, menosprezam e ofendem mulheres (o que aliás já é bem batido, né?). Ainda tem homem que torce o nariz quando vê uma mulher no mic, nos toca-discos, dançando, grafitando. Mas o mundo é isso! Preconceito não é exclusivo do rap. Ele só é reflexo (talvez em maior intensidade) de uma sociedade preconceituosa (lê-se machista também). Ele está aí e não pode servir de empecilho pra quem realmente quer fazer parte.

Existem várias mulheres que quebraram e estão quebrando esse paradigma. Desde seu início, lá nos EUA entre os anos 70 e 80, a cultura é uma coisa “pra homens” e raríssimas mulheres conseguiram invadir esse espaço. As que conseguiram eram todas excepcionais (Roxanne, Salt n’ Pepa, Queen Latifah, MC Lyte, dentre várias) e fizeram a diferença! Se hoje parece difícil, imagina há três décadas. Se essas pioneiras não tivessem insistido, batido de frente pra demonstrar seu talento e sua paixão pelo hip hop, dificilmente estaríamos conversando agora.

Aqui no Brasil não é diferente… o hip hop entrou na minha vida em 94. Lembro da Rúbia, da Dina Di, da Rose MC, depois Negra Li. Tente pesar a determinação dessas mulheres naquela época… Quando fiz 13 anos, meu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher. E mais duas vezes porque é negra. De onde venho as coisas nunca foram fáceis. Graças a Deus, cresci num ambiente onde ao invés de só lamentar e apontar culpados pela situação desvantajosa, batemos de frente e não desistimos tão facilmente dos nossos sonhos.

Lívia Cruz: O preconceito contra as mulheres? Eu já disse isso várias vezes, o preconceito e discriminação contra as mulheres no rap não é diferente do que a gente vê na sociedade em geral, as manifestações tão aí a toda hora, vão das cantadas e dos barulhos obscenos que a gente é obrigada a escutar quando está simplesmente passando na rua, até uma atitude mais extrema de violência física e psicológica. Esse assunto é sério e delicado, acho que a educação, como em quase, tudo é a chave, e a música, sem dúvida, tem grande papel de formação.

Per Raps: O que significa fazer um rap feminino atualmente?


Parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher”

Lurdez da Luz: Atualmente já está tudo um pouco mais fácil pra todo mundo, existe uma evolução em relação a acesso a tecnologia, a informação e o fluxo de dinheiro dentro da cultura aumentou (ainda é pouco), o respeito fora do rap aumentou também. Eu comecei a fazer isso em 1999, só existia a Dina Di, que era uma rapper cabulosa mas que eu num me identificava e a Rose MC e Lady Rap, que num tinham muitas faixas gravadas pra gente ter algum ponto de partida. Eu curtia muito o estilo da SharyLaine, mas que já num lançava nada há anos… Enfim tive que inventar um jeito de fazer minhas rimas e levadas.

Lembro que mostrei meu primeiro rap pra Cris do SNJ, que também é minha contemporânea, e ela falou: “legal esse tipo de som, parece um pouco rap até”, eu ri e percebi que tava com uma parada que ia demorar pra ser compreendida. Pra mim o importante é ter em mente a expressão artística e as posições politicas, sempre em prol da evolução pessoal assim como da cultura e não “ser alguém dentro do rap”, parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher.

Pathy Dejesus: Existe fazer um rap feminino? Dá separar a arte e subclassificar? Não acredito nisso. Odeio rótulos. Existe talento ou não. Existe paixão ou não. Existe rap bom e rap ruim. E isso independe do sexo de quem está fazendo.

Lívia Cruz: Pra mim, no meu rap, significa mostrar o ponto de vista genuíno da mulher, eu gosto de contar historias e ainda acho que a gente se pauta muito no que os homens do rap vão pensar das nossas letras, das nossas atitudes, e isso torna os nossos relatos muito tímidos… Quero ver isso mudar, e tô fazendo minha parte pra essa mudança.

Per Raps: Beleza ajuda ou atrapalha? Como?

Muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda”

Lurdez da Luz: Acho que ajuda a abrir portas mas talvez até atrapalhe em ter credibilidade. Como disse sobre posições políticas na resposta acima, num é só saber em quem vai votar, o porquê é bem mais amplo, como por exemplo não acreditar em padrões de beleza impostos, tipo a magra, alta, de olho azul ou até mesmo a “rainha de ébano”, claro que deve ser uma benção de deus ser lindo, mas ficar impondo isso que nem a Rede Globo num deveria ser papel do rap.

Pathy Dejesus: Acho que a pergunta correta seria: ser feminina ajuda ou atrapalha? Li uma entrevista da Negra Li (de quem sou fã) uma vez falando sobre isso. Da postura supostamente correta para ser respeitada num ambiente onde ela era minoria… Usar roupa larga, nada de maquiagem, ficar séria o tempo todo pra não chamar a atenção. Pra não lembrarem que se tratava de uma mulher… Imagina a barra!

Por isso digo que as coisas estão evoluindo! E vai de nós, mulheres, nos impor, nos preservar, e sermos levadas a sério. Sou vaidosa e não vou mudar minha personalidade pra fazer o que amo. Aliás, isso não faz o menor sentido, né?! Acho lindo quando vejo Lívia [Cruz], Lurdes [da Luz], Nathy [MC], Flora [Matos], as DJs do Applebum… Todas maravilhosas, nenhuma abre mão do seu estilo pra rimar, pra discotecar. O respeito não é imposto. É conquistado!

Lívia Cruz: Por incrível que pareça, acho que atrapalha mais do ajuda. Existe um preconceito de que mulher bonita não é inteligente, muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda, e é divertido também, surpreender pro bem. A beleza vai muito além da estética, eu gosto de quem sou, não quero mudar pra agradar ninguém, e isso transparece nas minhas músicas e na minha conduta, algumas pessoas se incomodam, mas paciência… Bonito mesmo é ser feliz!

Per Raps: Hoje você é respeitada na cena por seu trabalho, independentemente do seu sexo, o que você acha que fez com que isso acontecesse?

pathy dejesus Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma”

Lurdez da Luz: Em primeiro lugar fico honradíssima, dinheiro é bom e todo mundo precisa, mas respeito pra mim vale ouro. Acho que foi resistir em primeiro lugar, se mantar fiel ao que se é e não balançar em relação ao que ” tá pegando no momento”. Foco no som e amor por esse tipo de música em especial mais do que por qualquer outra.

Pathy Dejesus: Repito que venho de uma criação (obrigado Pai e Mãe) onde sempre me lembraram quem eu sou, de onde vim e de como as coisas seriam mais difíceis por isso. Mas essa situação de “desvantagem” sempre me foi mostrada de uma forma que eu tivesse vontade de bater de frente pra conquistar meus objetivos.

Sempre fui “minoria”. Mulher negra é minoria duas vezes. Sempre tive que batalhar dobrado pra ter reconhecimento. E sinceramente, gosto disso! Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Receber um inicial “não” como resposta sempre me motivou a melhorar, buscar mais conhecimento, me preparar cada vez mais. Tem horas que realmente dá vontade de desistir… Mas minha maior rival não me pouparia, não me perdoaria. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma. Acho que vem daí o respeito no meu trabalho. E na vida!

Lívia Cruz: Esse respeito veio naturalmente por um conjunto de coisas, meu trabalho vem em primeiro e com ele o desejo de fazer virar, acreditar, ousar, perseverar, e por consequência algumas pessoas no meu caminho me ajudaram muito, sem essas pessoas, provavelmente, eu estaria bem mais longe do ponto que me encontro agora.

Time do Loko apresenta Lurdez da Luz, Lívia Cruz e Pathy de Jesus
Quando? Sábado, (14), às 00h
Onde? Hole Club (R Augusta, 2203 – Jardins/SP)
Quanto? R$15 (H) e R$10 (M)

Mais?
Novidades de 09′: Lívia Cruz
Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho


Mos Def, a atração do Indie Hip Hop ’09, por Dj Tamenpi

Mos Def será a tração do Indie Hip Hop 2009 (Divulgação Myspace)

Mos Def será a atração do Indie hip Hop 2009 (Divulgação/Myspace)

O Indie Hip Hop está chegando, na verdade faltam apenas três dias para o grande evento. Além da celebração de 10 anos desde o primeiro Dulôco, realizado em 1999, haverá uma exposição de fotos sobre momentos especiais do festival, no palco terão encontros memoráveis entre MCs brasucas, além das tradicionais “novidades” na cena.

No entanto, temos que destacar aqui também a atração internacional, que nada mais é que “Mister” Mos Def! Quem curte rap, no mínimo conhece o nome do cara, que de tanto talento, expandiu sua atuação para o cinema também.

No entanto, há quem diga que isso atrapalhou sua dedicação ao rap. Enquanto você lê o papo que tivemos sobre esse assunto, nosso entrevistado fez um medley especial para o post. Curta a trilha sonora enquanto lê a conversa com o Dj Tamenpi, um dos caras que mais manja de música que a gente conhece!

Continue acompanhando o Per Raps para saber também sobre as novidades do “Só Pedrada Musical”. Curte ae!

Dj Tamenpi (Foto: Joca Vidal)

Per Raps: Qual o primeiro álbum que você ouviu do Mos Def?
Dj Tamenpi: Eu já ouvia falar em Mos Def, por coisas da Rawkus, Soundbombing. Mas na época, a gente não tinha a facilidade de hoje; que sai um disco e a gente escuta na primeira semana, ou até antes do lançamento. Eu tive o prazer de ouvir o disco do Black Star e o primeiro do Mos Def, meio que juntos, e a partir daquele momento o cara entrou no hall dos meus mc’s favoritos. Isso foi, se não me engano, em 98.

Per Raps: E a pedrada “Mos Def and talib Kweli are Black Stars”? E você achou que 10 anos depois esse álbum seria tão importante para o rap?
Dj Tamenpi: Esse disco é sinistro demais! Um dos melhores de todos os tempos mesmo. A presença do Hi Tek produzindo engrandeceu muito. Tanto ele como J.Rawls, Ge-ology, Beatminerz e os outros. Mas o Hi Tek realmente roubou a cena nos beats. E essa parceria entre Mos Def e Talib Kweli é uma das mais impactantes no rap atual. Combinação perfeita! Mas sinceramente, na época eu não imaginava que 10 anos depois ouviria esse disco com a mesma emoção das primeiras vezes.

Per Raps: Quais seus sons favoritos desse álbum?
Dj Tamenpi: Essa pergunta é bem dificil. Mas vamos lá. Sem duvida nenhuma “Definition” é tão marcante que ja tá no sangue. Mas também tem “Brown Skin Ladies”, que já é uma vibe mais relaxante. É aquele som perfeito pra escutar bem acompanhado. E pra entrar na viagem, nada melhor que “Determination”. Além da sequencia final do disco que é uma das mais cabulosas com “Respiration”, “Thieves In The Night” e “Twice Inna Lifetime” seguidas. Essa foi f*da de responder, hein!

Per Raps: E o hiato entre “Black On Both Sides” para “The New Danger”? Acha que a carreira de ator atrapalhou a qualidade de Mos Def como MC?
Dj Tamenpi: Realmente não sei o que aconteceu. Mas o impacto do “The New Danger” foi bem estranho. As primeiras vezes que ouvi me decepcionei. Mas com o tempo me acostumei com o disco e acho muito bom. Bem a frente de tudo que estava acontecendo na época. O Mos Def tem um diferencial de não ter limites dentro de sua música. Experimenta tudo. É só lembrar da música “Umi Says”, né? É espetacular. E mudou a visão de muita gente dentro do rap. Não acho que a carreira de ator tenha atrapalhado sua qualidade, só tomou mais o tempo dele.

Per Raps: Em 2006 chega “True Magic”. Alguns apontaram esse como a álbum mais “apático” de Def, qual a sua opinião sobre ele?
Dj Tamenpi: Eu não gosto. E acho que nem ele (risos). Eu ouvi diversas histórias em relação a esse album. Acho que foi um disco por obrigação de contrato. Nem capa tinha. Não acredito que ele tenha se dedicado da forma que fez nos outros trabalhos.

Per Raps: E a pedrada com o Dj Honda, o “Travellin Man”. O que achou?
Dj Tamenpi: Eu conheci “Travellin Man” vendo o clip no YO! Nossa! Chapei demais com aquele som. E até hoje toco sempre e chapo muito quando escuto nas pistas da vida. Verdadeira pedrada!

Per Raps: Vamos falar do último álbum, “The Ecstatic”. Muita gente já considera o melhor álbum do MC, com direito a sample da Banda Black Rio e tudo. Você celebrou essa qualidade do álbum?
Dj Tamenpi: Com certeza. Estava há anos esperando. A musica “Auditorium” apareceu em videos no Youtube de shows dele e, a partir dali, eu vi que o disco viria do jeito que a gente gosta. Não acho o melhor disco dele. Ainda fico com o “Black On Both Sides”, mas já fazem 10 anos. O rap mudou bastante. Eu acho que é o disco perfeito pro momento atual do rap. Sem firulas. Rap verdadeiro na lata! Ouvi pessoas reclamando da qualidade da mixagem e da masterização, que a voz dele estava muito crua. Eu acho que ele fez isso de propósito. Enquanto todo mundo entope a voz com efeitos, autotunes e vocoders, o cara fez da forma mais roots possível, estilo sound system. Sem falar nos beats. São muito originais. Diversidade e qualidade em todos. Eu curto todos os sons.

Per Raps: E você curtiu o sample da Black Rio, além da possibilidade de uma apresentação do som junto da banda lendária aqui no Brasil?
Dj Tamenpi: Eu achei classe demais! Não foi bem um sample, né? O cara fez um loop no original e cantou em cima. Mesmo assim. É melhor do que alguns gringos que vem aqui, compram os nossos discos e fazem um bando de besteira estragando a nossa cultura. Acho legal a idéia da apresentação, to na expectativa, apesar da Banda Black Rio atual não ser aquela banda lendária dos anos 70. Vamos ver o que vai sair.

Per Raps: Pra terminar a conversa, por que as pessoas tem que ouvir Mos Def e colar no show no Indie Hip Hop?
Dj Tamenpi: Acho que o Indie Hip Hop tem uma série de shows da safra nacional do rap. Só por isso já vale colar no Sesc Santo André pra conferir. A apresentação do Mos Def engrandece ainda mais esse evento que é um exemplo bem sucedido no hip hop brasileiro. O Mos Def é um dos mc’s mais verdadeiros do rap atual. O som dele é real. É envolvido total com o mainstream de Hollywood, cada vez com mais destaque nos filmes em que atua. Mas não perdeu sua essência, como aconteceu com muitos que foram pelo mesmo caminho. Quando o assunto é rap, o cara é rua total. Representa o real hip hop.

Mais notícias sobre o Indie Hip Hop no Twitter. Siga-nos os bons!


Dia da Consciência Negra ’09

O dia 20 de novembro foi escolhido para representar o Dia da Consciência Negra no Brasil. O motivo: nessa mesma data, em 1695, morria Zumbi os Palmares, símbolo da resistência negra em uma época em que a escravidão negra dominava o país. Desde lá, segue a luta pela igualdade, tendo a cultura hip hop como um forte braço. O Per Raps destacou abaixo algumas atividades bem interessantes que vão rolar por diversos pontos no Brasil.

Em 2009,mais de 300 cidades adotaram o Dia da Consciência Negra. O feriado ainda não é considerado nacional e será facultativo em algumas cidades. Confira a lista das cidades que aderiram ao feriado.

[Alagoas, Jaraguá]
Em Alagoas, entre os dias 16 e 20, acontece no Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa), em Jaraguá, o projeto Misa Acústico 2009. Na sexta-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, o público confere a apresentação da Orquestra de Tambores, que será realizada na Praça Dois Leões, em frente ao Misa.

Todos os shows da programação estão marcados para as 20h30. Os ingressos custam R$ 5 (inteira) e R$ 2 (meia). O espetáculo da Orquestra de Tambores, na praça, será de graça.

[Bahia, Salvador]
Na Bahia, em Salvador, acontece no dia 24 de novembro (terça-feira), um ciclo de palestras e debates com os temas. Os temas serão diversos, entre eles: “A vida e obra de Lima Barreto”, “A importância de Cruz e Souza para Literatura Brasileira”, “Mestre Bimba: Símbolo da Cultura Nacional” e “A Revolta da Chibata”. Tudo acontecerá na Universidade Católica, na Avenida Joana Angélica, na Lapa, das 08h às 16h. Além disso, rola o lançamento do livro “Capoeira Angola: Educação Pluriétnica, Corporal e Ambiental”, do autor Jorge Conceição, às 16h.

No dia 28 de novembro (sábado), acontece o lançamento do CD do grupo de Rap Nova Saga, na Praça Tereza Batista, Pelourinho, às 19h, de graça.

[Paraná, Irati]
No Paraná, rola o “Seminário Identidade e Território: Negros na região Sul”, na cidade de Irati. De 16 a 20 de novembro, na Universidade Estadual do Centro-Sul, será feita uma reflexão crítica sobre a influência étnico-racial e a educação a serviço da diversidade na região centro-sul do Paraná, marcada pela imigração alemã, italiana, polonesa e ucrâniana. Endereço: PR 153, Km 7, Riozinho.

[Rio de Janeiro, Rio de Janeiro]
No Rio de Janeiro, rola um programa cultural com mostra de cinema com a “trilogia negra“, de Cacá Diegues no Centro Cultural Parque das Ruínas, em Santa Teresa, no centro, a partir da sexta-feira (20). Os filmes Gamba Zumba, Quilombo e Xica da Silva vão ser exibidos em três sessões diárias, até o domingo (29). A mostra inaugura a sala de cinema do centro com 80 lugares e terá entrada franca.

No Dia da Consciência Negra, a programação começa às 6h30 com a lavagem do Busto de Zumbi, na Praça 11, no centro do Rio, por integrantes do afoxé Filhos de Gandhi, e segue até as 19h, com shows de Arlindo Cruz, da bateria da Mangueira e da Acadêmicos do Cubango.

[São Paulo, São Paulo]
Em São Paulo, para entrar no clima do Dia da Consciência Negra, nada melhor que curtir nesta quarta-feira (18), o lançamento da mixtape do Dj Venom, do Projeto Manada, na Jive Club. A festa faz parte do projeto Hip Hop Series e contará também com a discotecagem do Dj Duenssa e pocket show com o UmDegrau. A Jive fica na Alameda Barros, 376, em Higienópolis. Os homens pagam 10 reais e mulheres, cinco.

Na sexta-feira (20), o evento de destaque tem início a partir das 10h, na Praça da Sé (programação completa), centro da capital paulista. Lá será possível ver o encontro de congadas e missa afro-brasileira com o Coral da Orquestra Sinfônica do Estado e o Coral da Família Alcântara na Catedral da Sé. No palco principal, rola a apresentação, a partir das 12h, o bloco afro Ilê Aiyê, Quinteto em Branco e Preto, vários DJs, Luiz Melodia, Elza Soares e Kamau, acompanhado de Jeffe nos vocais e do DJ Erick Jay.

Além deles, haverá um Momento Hip Hop, que também trará ao palco o rapper brasiliense Gog e o paulistano DJ King. Fechando esse importante momento, a DJ Vivian Marques assume os toca-discos até a próxima atração.

Ainda em Sampa, rola nesta sexta-feira (20/11) a tradicional “Rinha dos Mcs” com o grupo “Primeira Função”. Também participarão desa edição especial, os poetas Akins Kintê e Elizandra Souza, que recitarão versos sobre a consciência negra. Para completar, rola a tradicional discotecagem com os Dj’s DanDan, Marco e Kiko.

Quer saber de mais eventos? Confira nossa agenda especial Consciência Negra. Quer sugerir um evento? Mande para perrapsblog@gmail.com com o assunto [Agenda].


Lançamentos de 09: Pentágono

Pentágono

Dj Kiko, Massao, Rael da Rima, M'Sário e Apolo por Rogério Fernandes

O novo swing do Pentágono – por E. Ribas

Seguindo o papo com grupos e MC’s que estão lançando trabalhos neste fim de ano, agora a ideia segue com o Pentágono. Apesar do último trabalho, “Natural”, ter sido lançado no final de 2008, os integrantes do grupo decidiram compor mais sons, mostrando seus novos estímulos e influências. Além disso, a saída de Dodiman do grupo deixa um espaço a mais entre as rimas, que deverá ser preenchido com o esforço de Apolo, Massao, M.Sário, Rael da Rima e o Dj Kiko.

O EP, que contará com um som ao vivo, um remix e três sons inéditos, já tem data oficial para o lançamento: dia 28 de novembro, na Hole Club. A produção dos beats são de responsa de A.G. Soares (Apolo), Nave e Dj Primo, e a produça geral também é assinada pelo Time do Loko e o próprio Pentágono. O disco contará com participações especiais da MC Flora Matos, Projota e o saudoso Dj Primo. A masterização ficou por conta do Dj Roger.

Em dezembro, o grupo tem em seu cronograma uma apresentação no Indie Hip Hop 2009. Essa será a primeira vez que o quinteto pisará oficialmente no palco do Sesc Santo André. Aproveitamos a sequência de novidades para trocar uma rápida ideia com A. G. Soares (aka Apolo), que ressaltou que esse novo trabalho poderá soar mais “eletrônico” que os outros. Entre os assuntos, O MC e produtor comentou sobre detalhes da produção do EP, a satisfação de tocar no Indie 2009 e mais.

Aproveite e confira abaixo um video gravado no lançamento de “Natural”, que contou com a participação de Dj Primo na música “Swing”. Memorável!

[Youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wHZpWQu0nOA]

Per Raps: Musicalmente, o que mudou de “Natural” para esse novo trabalho do Pentágono?
A.G. Soares/Apolo: Na real acho que não mudamos, mas amadurecemos muito de um para o outro, tanto pessoal quanto profissionalmente. Trabalhamos muito com o Pentágono durante esse ano de 2008 e isso naturalmente te ensina várias coisas que refletem na música. Creio que as músicas novas estão mais maduras, com mais experiência de vida mesmo, com rua, amor, indignação, musicalidade e pentágono.

Per Raps: O que os fãs do Pentágono podem esperar desse novo trabalho: muitas novidades ou uma sequência do trabalho anterior?
A.G. Soares/ Apolo: Bom… Resolvemos fazer esse EP pela necessidade de compor musicas novas, já que o “Natural” ficou um ano na geladeira (devido a problemas com a gravadora) e só foi lançado no final de 2008, então as músicas dele, que são de 2005, 06 e 07, para nós soavam antigas. Com isso, queríamos exercitar esse lado, já que só pretendemos lançar outro álbum em 2011. E, também para que nossos fãs não tenham que esperar tanto para escutar músicas novas, mas podem, com certeza, esperar um Pentágono diferente. Inovador, mas sem fugir de nossas raízes.

Per Raps: Na produção das faixas que você trabalhou, quais elementos você procurou agregar? Além disso, usou samples, colagens, algum instrumento gravado especialmente para uma determinada faixa?
A.G. Soares/ Apolo: Samples sempre. Porém, assim como no “Natural” tem várias coisas tocadas também, acho que isso já é uma característica marcante nas instrumentais do grupo, não tem como fugir muito disso. Mas, para mim esse projeto soa mais eletrônico que o outro.

Per Raps: Com a saída de Dodiman, o quarteto de frente vai mudar algo em relação ao trabalho anterior, o formato da música ou das rimas muda?
A.G. Soares/ Apolo: O Humberto participava ativamente das composições, então é claro que é uma cabeça a menos em todas músicas e isso pode soar diferente para algumas pessoas que acompanhavam o trabalho mais de perto, contudo estamos nos empenhando ao máximo para minimizar esse “problema” e que as músicas continuem soando como Pentágono.

Per Raps: Sobre o Indie Hip Hop 2009, como foi receber a confirmação de que o Pentágono se apresentaria e como será a concepção dessa apresentação: só haverá espaço para o trabalho novo ou os dois anteriores terão vez?
A.G. Soares/ Apolo: Foi a realização de um sonho, fomos a todas as edições do festival como público, e poder tocar no mesmo palco que o Mos Def vai ser foda! Sem contar os monstros nacionais que vão se apresentar. O show será curto devido o cronograma do evento, mas tocaremos o máximo possível entre músicas novas e antigas.

Mais em:

www.myspace.com/pentagono5
www.pentagono5.com.br

Lanc_P5_net

Lançamento EP Pentágono @ Hole Club
Dia 28/11/09
Djs Dandan e Yellow-P
Hole Club (Rua augusta, 2203)
Preço único $15 (com flyer $10)
*As 100 primeiras pessoas ganham o EP gratuitamente


Todos por um!

mosqueteiros

Os mosqueteiros do rap – por Carol Patrocinio

Uma das coisas mais legais do rap é que não importa o que aconteça, é motivo de levantar a cabeça e se esforçar para mudar a realidade. O “Todos por um”, que rola hoje na Livraria da Esquina, é um evento que prova isso.

Há algum tempo, em Diadema, Dj Dandan foi surpreendido ao saber que seus equipamentos haviam sido levados de um local em que tocaria. Se alguém deu a letra ou não, é o que menos importa, a questão é: como um Dj vai tocar sem equipamento? E o pior, parte desse equipa era emprestado!

Crime é crime independentemente da pessoa que ele atinge, mas dói ainda mais quando a vítima é um cara que está no corre para melhorar a situação de todo mundo, lutando por um mundo melhor, um guerreiro do rap.

E hoje você tem a chance de ajudar o Dj Dandan – junto com Kamau, Pentágono, Criolo Doido, Sombra, Dj KL Jay, DJ Mayra, Dj Vivian Marques, Dj Ajamu, Dj Célio, Dj Itamar, DJ MF, Dj Ney e Dj Will – e ainda curtir uma festa que promeeeeeete! Se liga no vídeo que vai te fazer sair de casa e curtir a noite para ajudar o rap!


Salve, Salve Cooperifa

Layout 1

Cooperifa realiza sua segunda mostra cultural em SP – por Eduardo Ribas

Antes a gente queria mudar da periferia, hoje, a gente quer mudar a periferia” Sérgio Vaz

Começou nesta segunda-feira a edição de número dois da Mostra Cultural da Cooperifa. Neste ano, atividades como exibição de filmes e debates farão parte do cronograma. Pela noite e em clima de festa, Sérgio Vaz subiu ao palco do CEU Campo Limpo para fazer a abertura oficial do evento.

O poeta reconheceu que a realidade dos “marginalizados” mudou de uns tempos pra cá. “Pra nós é uma honra dizer que a poesia é uma realidade na periferia”. E essa realidade já começa a ultrapassar fronteiras, fazendo as notícias correrem rápido. “Nós temos andado por aí e as pessoas estão maravilhadas com o que está acontecendo em São Paulo”, conclui Sérgio Vaz, que acredita que isso ainda é pouco.

Felizmente a perspectiva parece ser melhor do que a de oito anos atrás. E como tudo estava sério demais e “nem parecia festa de favela”, ele tratou de chamar, ali para o palco, os guerreiros e guerreiras que fazem poesia na periferia para animar o ambiente. Cada um recitou um verso rápido, arrancando risos e aplausos da platéia.

Antes deles, parceiros parabenizaram a Mostra e o trabalho dos poetas. Para fechar a noite, um show com Izzy Gordon, que empolgou com clássicos de Bob Marley (com direito a versos de “Nego Drama” em meio a “Turn your lights down low”), Ray Charles e Dolores Duran.

Imagem 017

Foto de Carol Patrocinio

As atividades da Mostra ocorrerão no CEU Campo Limpo e Casa Blanca, com exceção do show de encerramento, que acontecerá na Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim, e o sarau de comemoração de oito anos da Cooperifa, que vai rolar na quarta-feira lá na Chacára Santana, zona Sul, no bar do Zé Batidão.

Salve, salve Cooperifa!

Acompanhe a programação completa do evento.

—————–

boomshot

Foto retirada do MySpace e editada por Advan Shumiski

Corra para a Rádio BoomShot!

Não deixe de acompanhar hoje a transmissão ao vivo da Rádio Boomshot com entrevista exclusiva com o grupo People Under the Stairs. A ideia está marcada para começar às 20h, mas o Zeca MCA já deixou avisado que pode rolar alguns minutos depois. Afinal, essa será a primeira transmissão ao vivo da Boomshot.

Aproveitando o assunto, no dia 26 de outubro, aka segunda-feira que vem, vai rolar a gravação do programa Manos e Minas com os californianos do PUTS, às 13h. Quem quiser chegar, basta enviar o nome completo e o número do RG por email para manoseminasplateia@tvcultura.com.br até às 19h de terça-feira (21/10).

O Manos e Minas é gravado no Teatro Franco Zampari, que fica na Avenida Tiradentes, 451, próximo ao Metrô Tiradentes. É preciso chegar com uma hora de antecedência.

*Para quem não é de São Paulo, não dá pra participar, mas é possível assistir caso você tenha sinal de TV a cabo.


A novidade completa: Festival Dialeto

flyer frente

Lembra que a gente tinha falado que vinha coisa nova e queeeente por aí? Agora a gente tem todas as informações! Quer saber? O que vai acontecer no dia 10 de outubro é um festival de rap, isso mesmo, o Festival Dialeto! Rola em São Paulo e vai ter shows de Kamau, Emicida, Pentágono, Criolo Doido, Max B.O., Akira Presidente, Dj Marco e Dj Dan Dan. Pois é, vão estar juntos os caras que a galera mais curte ultimamente!

O que a organização do Dialeto quer é mudar esse panorama em que festivais de rap são muito raros. Um dos produtores, o Pedro Gomes, contou pra gente que tem a intenção de tornar o evento anual – “Gostaríamos que fosse num espaço grande, tipo um Sesc, temos público pra isso. Vamos lutar pra isso acontecer nas próximas edições. Nós (produtores e artistas) estamos investindo nesse momento, para poder montar um bom portfólio e posteriormente correr atrás de outras opções”.

Flyer_net

Clique na imagem para ampliar!

Mixtape ao vivo
Essa foi a definição que Kamau deu para a festa. Como serão vários MC’s num mesmo palco, as apresentações serão reduzidas, mas ainda assim cheias de boa vibe. Dj Dan Dan, outro artista que vai participar do evento acha que “vai ser um festival como já não temos há muito tempo, um evento pra engrandecer o hip hop”.

Emicida acredita que esse festival vai ser a bomba que faltava pro fim do mundo! “Depois do dia 10, não vai existir mais nada. Vai ser o apocalipse, a febre do rato, o final dos dias, nós vamos adiantar 2012 que nem previram no calendário maia”, profetizou. E a explicação direta e reta do Criolo Doido diz tudo o que se espera deve festival: “Vai ser um balde de água suja”.

Pra começar a sentir a sujeira que rola no Festival Dialeto, você pode dar uma olhada nos vídeos que todo mundo que vai participar gravou e colocou no Vimeo!

—-

Enquanto não vem…

Você aproveita a sexta-feira depois do trabalho, vai pro happy hour e escuta um seleção de Pedradas Musicais do DJ Tamenpi. Pra você ter uma noção do que vai rolar, o cara fez um medley especial aqui pro blog pra te animar nessa véspera de fim de semana! Se liga no som!