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Conheça a 1º Mostra Urbanidades

mostra urbanidades

Fazia tempo que São Paulo esperava que um evento viesse ocupar o lugar vazio deixado pelo extinto festival de cinema que rolava no CineSesc, a Mostra de Filmes Hip Hop de São Paulo. Quem conheceu sabe a importância do evento pra gente que curte cinema e a cena hip hop. Ali rolaram filmes que você não conseguia ver em mais nenhum lugar. E essa é a cara da 1ª Mostra Urbanidades.

Filmes que você ouviu falar, leu sobre, mas não sabia onde assistir, shows bacanas com gente que tá com a carreira fresquinha e gente que já tem estrada, além de oficinas pra você mergulhar de cabeça na cena hip hop.

Pra facilitar, aqui vão alguns destaques do evento, mas a programação completa você vê na imagem abaixo e pode acompanhar o que está rolando no blog da mostra.

Programação 1ª Mostra Urbanidades

Clique para ver a programação completa

Destaques

Eu, o vinil e o resto do mundo (Lila Rodrigues e Karina Ades/Brasil, 2008)
Sesc Santana, 27/07 às 20h e Galeria Olido, 28/07 às 17h e 31/07 às 19h30

Motoboys – Vida Loca (Caio Ortiz/Brasil, 2003)
Galeria Olido, 24/07 às 19h30 e 30/07 às 15h

Onde a coruja dorme, Bezerra da Silva (Márcia Derrak e Simplício Neto/Brasil, 2001)
Matilha Cultural, 29/07 às 19h

Pixo (João Wainer e Roberto T. Oliveira/Brasil, 2009)
Matilha Cultural, 23/07 às 19h e Galeria Olido, 24/07 às 17h e 28/07 às 19h30

Versificando (Pedro Caldas/Brasil, 2009)
Galeria Olido, 27/07 às 15h e 31/07 às 17h

Pra começar bem a semana, nessa terça-feira (13) rola no Sesc Santana a Oficina de MC com Kamau, Projota e Rashid, às 17h e depois a exibição do filme “Freestyle, um Estilo de Vida”, de Pedro Gomes, às 20h.

Tudo grátis e da melhor qualidade! Vai colar?

1ª Mostra Urbanidades
Quando? Até 31 de julho
Onde? Galeria Olido (Av São João, 473, Centro/SP), Matilha Cultural (R Rego Freitas, 542, Centro/SP) e Sesc Santana (Av Luiz Dumont Villares, 579, Santana/SP)
Quanto? Grátis, exceto na Galeria Olido, que custa R$ 0,50 e R$ 1


Entrevista com o grafiteiro Cope 2

Per Raps entrevista com COPE 2 (Parte I)

“Você começa colocando o nome nas paredes, cabulando aula, juntando seus colegas para roubar marcadores e ir escrever nos trens”, assim foram os anos 80 em Nova Iorque para Fernando Carlo. Sua conexão com a cultura de rua sempre foi verdadeira e de respeito. De b-boy a “149 Street”, do emblemático “4 Subway Line” aos “Kings Destroy”. Mais conhecido como Cope 2, ele é considerado uma lenda no grafite mundial por seu clássico throw up e o estilo de letra wildstyle. Ele desembarcou no Brasil para o encontro de grafite “Meeting of Styles”, que ocorreu nos dias 14 e 15 de novembro, em São Bernardo do Campo. O grafiteiro, artista e empresário tem bagagem, por isso mantenha bem atento os olhos sob as ruas de São Paulo e sinta a forma do grafite vindo do Bronx.

Do Bronx às ruas de São Paulopor Cissa Maia aka Ciss

Per Raps: Você faz parte da história do hip hop nos anos 80. Havia um clássico cenário de sneakers, rap e vestuário. Uma época que também retratou a cultura de rua, marcada pelas representações culturais, pelo estilo de vida e de identidade cultural. Você já foi b-boy. Como foi vivenciar esse momento?
Cope 2:  No Bronx é onde as pessoas são desencanadas. Sim, eu amava dançar break. Meu parceiro RIP 7, da Rock Steady Crew, foi quem me ensinou bastante. Na minha área, Uptown Dekalb Avenue, as crianças do quarteirão já dançavam break e nós praticávamos muito por volta de 1980. Meu primo conhecia o Mr. Freeze e RIP 7 e, nesse momento, eles trouxeram a galera do Rock Steady Crew para participarmos das batalhas no nosso bairro. Foi divertido, mesmo perdendo, isso saiu em 20/20 das notícias. Porém meu amor era mais pelo grafite nos vagões dos metrôs.

Per Raps: Como foi presenciar o começo do grafite nos metrôs e do street bombing em NY?
Cope 2: Meu primo fazia tags pelo bairro. Ele escrevia Chico 80. Ele tipo quem me iniciou no grafite. A gente pegava o metrô para olhar todos os novos pieces, enquanto circulava nele. Era incrível ver os pieces bem loucos do COMET e BLADE. Esses caras eram os melhores, mas nada comparado aos whole cars feito pelo LEE. Esses caras, TRACY 168, PNUT 2, CASE 2 arrebentavam nos metrôs. Meu favorito era MITCH 77, do grupo Latin Artist. Eu amava o estilo inflamado dele. Ele era como um herói, quando eu era criança. O BAN 2 da OTB era o “King of the Insides”, ou seja, vandalizava todos os carros do metrô por dentro. Eu amava o jeito que usava o #2, então eu adicionei no COPE e fiz o COPE 2. Ele foi uma outra inspiração. Eu lembro do TRAP, SKEME, DEZ, SEEN, DUSTER. Eu segui os caras mais extraordinários que incendiaram naquela época.

Divulgação

Per Raps: E sobre a 149th Street. Qual a importância desse local para o grafite?
Cope 2: Infernal… eu amava aquele lugar. Era na 149 Street Grand Concourse no Bronx. Meu parceiro TRAP OTB levou-me lá pela primeira vez em 1980. Foi o lugar onde conheci os verdadeiros caras da velha escola, como BEAR 167, CASE 2, DEZ, SKEME, GMAN, BAN 2. Era o local que todos se encontravam e assistiam os trens passarem por ali. Todo mundo cabulava a escola para apenas observar o grafite em partes do trem. Eu sinto falta disso.

Per Raps: Você era bem jovem nessa época e vendia drogas, não é mesmo? O grafite foi uma saída?
Cope 2: Sim. Eu fiz como todos os que vivem no bairro. Era como uma guerra, um campo de batalha matando-se por drogas. Tudo o que eu sou agradeço à Deus. Eu tive o grafite para ir de encontro à uma causa. Poderia ter sido morto ou está na prisão, como muito dos meus amigos que cresceram comigo. Então o grafite me deu uma direção para ficar famoso pelo mundo inteiro. Agradeço por todas as bênçãos.

Per Raps: CAP foi um dos mais polêmicos escritores do grafite em NY. Ficou bem famoso por “atropelar” outros nomes, como também criou o conhecido throw up COPE.
Cope 2: Um parceiro costumava escrever KOPE e eu escrevia BIN por volta de 1978-79. Nós saíamos para roubar algumas coisas todos os dias até começar a escrever mais nos metrôs. Ele propôs para eu escrever COPE. O #2 veio porque eu idolatrava o BAN 2 OTB. Eu comecei a destruir os trens até que outro parceiro, CONE TFN conheceu o CAP MPC. Ele queria me conhecer pessoalmente, porque gostava de como eu bombardeava, então me pôs em contato com a MPC. Presenteou-me com a letra do meu throw up, o que me fez ser famoso pelo mundo. CAP desrespeitava as pessoas porque as mesmas o desrespeitavam. Ele queria somente respeito, caso não o respeitassem, passava por cima de todos. Eu consigo entendê-lo.

Per Raps: Você já arrumou confusão com nomes de peso como GHOST, REAS, SEEN, PJ e o próprio CAP. Você ainda costuma “atropelar” o nome de alguém? É uma questão de respeito ou faz parte do grafite?
Cope 2: Claro! Uma vez que alguém me desrespeitou, eles viam o novo rei na cidade. Os caras do grafite ficam com ciúmes, por isso eles passavam por cima de mim. Eu ficava louco e ia lá em cima das merdas deles de novo. Você me respeita e é recíproco, se não, eu vou e destruo suas merdas.

Per Raps: Quais anos você consideraria a melhor época do grafite em NYC?
Cope 2: Ah cara, com certeza de 1970 a 1984, depois não foi tão bom assim. Os trens morreram e tudo foi para as ruas, rooftops, estradas e essas coisas.

Per Raps: Como foi o período da operação governamental intitulada “Clean Train Campaign” na sua vida? Hoje em dia, os europeus são tidos como os grafiteiros que mais vandalizam trens e metrôs no mundo. Certamente que na Europa o número de linhas é mais extensa, mesmo assim eles são únicos ao burlar também o sistema de segurança de NYC.
Cope 2: Sim, é louco como os europeus vêm a NY e sonham em pintar o metrô aqui. Isso é bom! Mas eles nunca poderiam fazer na vida o que eu fiz no ínicio dos anos 80. Eu fui feliz. Deus abençou aquela época. Quanto a NYC… é… está morto mesmo… poucas crews ou grafiteiros fazendo acontecer na cena por aqui. Muito disso tem a ver com os adversários. É impressionante como muitos são inimigos. Eu tento ser pacífico com os grafiteiros, mas eles são falsos. Eles apertam a mão, batem nas costas e “oh Cope, você é o cara, estou orgulhoso de você continuar fazendo suas coisas”, depois viram e vão para outro grafiteiro e dizem coisas como “foda-se o Cope. Ele é um rato. Ele é informante. Puro ego”. É tão falso. Eu odeio essa merda, por isso o grafite em NYC é chato e morto, mas eu continuo fazendo o meu e é por isso que muitos me odeiam. Eu mantenho o grafite vivo, querida. Você sabe disso.

Per Raps: Então qual foi uma das coisas mais intrigantes que você presenciou durante esse tempo?
Cope 2: Não tenho certeza. Eu acho que as várias brigas entre os grafiteiros e como os policias de NY fundam certas idéias na galera por informação, dizendo a eles de que certos amigos são ratos e dedo duros. E não é verdade. Mas os grafiteiros ainda acreditam que a polícia é amiga. Eu não acredito nisso. Os policiais são obscuros, mentirosos e nada confiáveis. Eu fui derrubado por alguns, chamava de amigos o HOW e NOSM e os camaradas da TATS CRU, que são do bairro, acreditaram nos policiais contra mim. É realmente triste e louco, que a lealdade é acreditar na polícia do que no seu verdadeiro amigo, quando ainda não se tem provas. Eu penso que no fim é tudo ódio.

Per Raps: Você não precisa provar mais nada a ninguém. Mas fora seu nome, King, True Legend e God são algumas das suas tags. Por um acaso você se inspirou no Bruce Lee?
Cope 2: Sim. Eu peguei isso do Bruce Lee e Bob Marley. Eles são lendas. Muitos grafiteiros através dos anos me chamavam de lenda, então eu penso que foi somente algo que ficou comigo. Lendas de NY têm o COMET, BLADE, LEE, SEEN, CAP, DONDI, MINONE. Eu poderia citar vários nomes. É demais. Outros muito bons eram STAY, HIGH 149, TAKI 183, IZ THE WIZ (RIP). Muitos. Eu amo todos.

Cope bombardeando um trem (Divulgação)Per Raps: NY é uma cidade grande. É possível escrever nomes por toda a cidade?
Cope 2: Vejamos. Toda a cidade começou nos metrôs, que percorriam pelos bairros. A galera queria destruir cada linha, poucos fizeram isso. Outros fizeram como IZ THE WIZ. Ele era surpreendente. Um que era viciado nisso era o MINONE. Ele destruiu as linhas. Eu fiz um pouco por toda a cidade, mas nenhum cara bombardeou todos os cinco municípios. É até fácil se você tiver um carro. Eu e PER 1 FX fizemos isso em 1993, mas foi EASY e JOZONE quem realmente vandalizaram toda a cidade por volta de 1986. Eles começaram com isso pelas ruas, agora é referência percorrer a cidade inteira para ganhar fama rapidamente. Não é como a Era dos trens, que era bem melhor.

Per Raps: Atualmente quem são os caras que mais representam em NYC?
Cope 2: Bem… agora não existem muitos “Kings of NYC” depois de mim, EASY, JOZ e outros. Há o SKUF , VEEFER e JA XTC . Aliás, o JA é o último “King of NYC” representando até hoje. O cara é a máquina do vandalismo. O exterminador no graffiti. Bomber!!!

Per Raps: Quando acessamos determinados fórus de sites sobre grafite, é perceptível a palavra “dedo duro”, ou seja, algumas pessoas, inclusive do grafite, falam sobre um possível envolvimento seu com a “Vandal Squad”.
Cope 2: Meu Deus! O negócio é que a galera do grafite em NY são “bichas” e puros inimigos . Existe apenas um punhado dos considerados reais e seria só as crews. Eu represento por todos os que não fazem isto, então foda-se o resto. A minha fama é quem eu sou, o que eu faço, meu video Kings Destroy, meu livro True Legend, os negócios feito com empresas, mostras de arte, as viagens. Todos eles passam a odiar essas coisas, então me chamam de rato delator, porque é tudo o que eles tem a dizer.

É triste, pois não há provas e nunca terão sobre nada. Eu sou bem verdadeiro com as pessoas. Sou realista e não há nenhuma linhagem de Porto Rico como a minha. Dedo duro não funcionam na minha linhagem. Minha família é real, não há idiotas e espero que não. Mas é isso, somente adversários, mesmo chamando você de amigo, depois acabam todos falando mal de você pelas costas. É realmente triste. O bom é que Deus sabe das verdadeiras intenções no meu coração. Então eu nem estresso mais.

Per Raps: Grafite é considerado um crime grave desde que o “Vandal Squad” foi criado em NYC. Anualmente a cidade sofre um prejuízo de milhões de doláres. Mesmo sendo ilegal, a intenção é intimar cada vez mais quem pratica o vandalismo e também na preservação por uma cidade visualmente mais limpa. Porém, realiza-se que o jogo ficou mais perigoso, pois os considerados vândalos ficaram mais competitivos uns com os outros. Além da adrenalina em torno das ações, há o desafio em burlar o sistema de segurança construído pelo governo. Diante dessa perspectiva sobre o vandalismo, ainda temos o grafite autorizado e a arte de rua. O que é o verdadeiro grafite?

Cope 2: O real grafite para mim era tornar-se rei de uma linha de metrô como nos anos 70 ou 80 ou somente pintar ou bombardear os carros do metrô. Uma vez que a Era do metrô morreu ao longo do tempo aqui, mesmo assim as coisas continuam nas ruas. Eu amo fazer throw ups pelo bairro e todo o resto. Hoje em dia estou com 40 anos e não vale tanto a pena assim correr determinados riscos. Agora eu tenho que pagar as contas, colocar comida na mesa e pagar moradia. É bem diferente sendo 2009 e não 1980 quando era mais novo. Podem até me chamar de vendido, mas não são eles que vão olhar adiante por mim, só vão ficar falando as mesmas merdas como sempre. Eu odeio esse lance de grafiteiros. Eles conseguem ser mais fofoqueiros do que as mulheres. É por isso que eu gosto de sair mais com as garotas. Mas não com as grafiteiras, porque elas agem da mesma forma, por exemplo a Toofly. Eu odeio essa p… falsa!!! Ela é uma das que falam mais merda sobre outras grafiteiras, depois você a vê pintando com elas. Oh Meu Deus!!! Nem curto isso!! É aquilo, eu faço minhas coisas, continuo no grafite e chocando.

Per Raps: Você está no grafite há muitos anos e nunca desistiu.
Cope 2: Eu desisto quando Deus quiser. Ele me colocou aqui, fez ser quem eu sou hoje. Uma benção. Ele sabe que sou um homem honrado. Um rei bárbaro! Um Deus! Reis dos reis! A verdadeira lenda! Eu sou o que Deus fez do nascimento da minha mãe Norma Iris Fontanez. Eu te amo, mãe. Deus abençõe tua alma, minha deusa! Então até o último suspiro na terra, vou continuar minha viagem até aqui. Eu vou deixar para trás um legado. Uma das lendas na história real do grafite. Estou no “Meeting of Styles” representando o filme Bomb It. Quero pintar com meus amigos OSGEMEOS, realmente pessoas maravilhosas. Eu amo esses caras. São verdadeiros no coração. Com o COYO e ISE, também verdadeiros camaradas do Brasil. Cope 2 do Bronx! A lenda do grafite!


“Sou pago pra continuar a viver dos meus sonhos”

Já ouviu falar do trabalho do Magoo Félix? E não estou me referindo nem ao Mr. Magoo e nem ao Gato Félix dos desenhos. Ele é na verdade um artista que mistura aerografia, intercalando ilustração publicitaria, decoração de interiores e pintura artistica automotiva. Não entendeu nada? Acompanhe a conversa que tivemos com o Magoo e você irá descobrir do que se trata.

Magoo Félix (Arquivo Pessoal)

Magoo Félix (Arquivo Pessoal)

Per Raps: Onde a customização e sua arte se convergem?
Magoo Félix: Cara, meu irmão sempre curtiu carros, em especial carros customizados, hot rods e drag racing, sempre acompanhei esse visual dos carros por intermédio dele. Eu desenho desde pequeno, com intuito de fazer algo ligado a cultura underground, e meu primeiro contato com arte de airbrush (aerógrafo) veio no final dos anos 80, quando meu irmão comprou uma moto com pintura customizada, daí em diante me apaixonei pela aerografia automotiva.

Mas desse tempo até aqui fiz muitas coisas relacionadas a arte, grafite, ilustração, e aerografia, que é hoje , meu principal suporte artístico, sempre usando a linguagem de cultura custom, punk rock e tatuagem.

Per Raps: No começo então foi interesse próprio, hoje é profissional, certo?
Magoo Félix: Cara, hoje eu tento juntar tudo num único beneficio. Comecei por curiosidade, me apaixonei pela arte da aerografia e não parei mais. Hoje, 12 anos depois da compra do meu primeiro aerógrafo, continuo apaixonado por essa técnica que é a que eu mais uso em meus trabalhos, seja como pintor de carros de corrida, capacetes ou em meu trabalho como artista plástico. Pinto porque gosto e vivo de pintar; junto a parte financeira com a paixão pela arte. Costumo brincar que sou pago pra continuar a viver dos meus sonhos.

Per Raps: Agora me fala da sua exposição que você fez na Choque Cultural, vi que sua arte aparece em vários tipos de superfície, há um tema ou uma linha que amarre o trabalho todo?
Magoo Félix: Tento seguir esse mesmo universo que engloba todo o meu trabalho, misturo um pouco de cada, uso a influência do visual hot rod, com outras coisas que curto, como tattoo, que é algo que faz muita parte da minha vida, e musica alternativa, punk rock, garotas, baladas. Sou músico além de pintor, acho que toda essa vivência se misturou num liquidificador freak e deu o meu estilo. Quanto às superfícies, uso peças de carro, chapas metálicas, pinos de boliche, ferramentas, pedaços de madeira… Uso várias coisas dependendo do efeito que quero obter, mas sempre mantendo a pintura automotiva como foco principal.

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Per Raps: Se alguém quiser “pimpar” o carro, então você poderia dar um grau, pelo menos na parte da pintura, certo?
Magoo Félix: Sim, sim, claro. Na parte de pintura pode contar comigo, desde que seja algo ligado ao visual do meu trabalho…

Per Raps: E a importância de exposições feitas na Choque? Tem gente que diz que isso é uma forma de “enjaular” a arte…
Magoo Félix: Ah cara, isso é papo de quem não trabalha com arte e não sabe como é difícil expor o seu trabalho pras pessoas. Eu, particularmente, coloco o meu trabalho nos mais variados campos possíveis; se alguém quer comprar um trabalho meu, que está exposto, pra decorar a sua casa, e pagar por isso, por que não? Sou a favor de que a arte atinja todos os lugares. Eu seria frustrado se tivesse algum talento a mostrar e não tivesse como fazê-lo.

Per Raps: Você consegue viver só de arte hoje?
Magoo Félix: Olha, eu costumo dizer que, no Brasil, a gente sobrevive mais do que vive de arte… rs. Aqui é tudo muito novo, principalmente pra alguns artistas, que vieram de um berço mais underground como eu. É aí que eu falo da importância da galeria Choque Cultural, por exemplo, que deu um boom nos artistas de rua, que antes estavam à mercê da sorte, ou apenas pintando seus trabalhos na rua, sem qualquer reconhecimento.

Per Raps: Você disse que o grafite é importante na sua arte, você já chegou a bombardear os muros de São Paulo?
Magoo Félix: Cara, fiz grafite por um tempo e já faz uma boa data que parei, mas ultimamente tenho feito uns rabiscos pra me familiarizar com o spray de novo, e tenho curtido. Acho que já, já to de volta às ruas pra acompanhar uns camaradas pra fazer algo, creio que a própria vivência na aerografia me deu algo bacana pra eu aplicar nos muros com spray, to empolgado e ansioso por essa volta.

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Per Raps: Você faz seu trabalho ouvindo um som?
Magoo Félix: Sem música eu simplesmente não produzo, aliás, não vivo. Música faz parte integrante da minha vida e de certa forma até se reflete no meu trabalho. Ouço muita cois., Ouço punk rock, Ramones, Husker Du, The Muffs, muita coisa desse universo, mas minha maior paixão musical vem do rock alternativo, bandas como Silversun Pick ups, Sonic Youth, Dinossaur Jr, Superchunk, essas coisas. Ultimamente, tenho me aventurado no MPB pra relaxar, tenho ouvido muito Chico Buarque – o cara escreve muito bem -, e convenhamos, ele entende de mulheres mais do que ninguém, então, ele é a fonte!

Per Raps: Quem quiser encontrar sua arte faz o quê?
Magoo Félix: Tem o MySpace, tem o Fotolog, que eu atualizo quase que diariamente, tem o site da Choque, na sessão “artists”, e tem meu site, que apesar de desatualizado há anos, rs, logo logo, terá no ar uma nova página, totalmente reformulada e interativa, vale a pena esperar! rs.


A febre do plástico / Dia do Grafite e mais

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Toy Art de Michel Lau

A febre do plástico – por Nathália Leme

Em 1997, Michael Lau, um pintor e designer de Hong Kong foi chamado por amigos de uma banda para criar a capa de seu novo CD. Lau decidiu customizar alguns bonecos dos Comandos em Ação para deixá-los parecidos com os integrantes da banda e depois fotografá-los.

A banda não estourou, mas esse foi o “boom” da Toy Art. Daí em diante, a novidade que mais tarde seria chamada de arte contemporânea conquistou seguidores, primeiro entre jovens descolados de Hong Kong e do Japão e depois entre o pessoal de moda, música e arte na Europa e nos Estados Unidos.

Uma verdadeira indústria começou a entrar em movimento e envolveu artistas, ilustradores e grafiteiros, entre interessados e colecionadores, que já não eram poucos.

Os primeiros toys, criados por Lau há oito ou nove anos, hoje são considerados itens de colecionador: vendidos inicialmente por 20 doletas, hoje chegam a valer mais de 10 mil verdinhas. Segundo Nina Sander – proprietária da primeira loja brasileira especializada no segmento, a Plastik – toy art é algo muito acessível. “Dá para começar uma coleção com um boneco de 30 reais”, diz. Nina descobriu a toy art em 2001, numa viagem para Nova York. Colecionadora nata, logo aderiu à tendência.

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Michel Lau, o criador do Toy Art

O movimento já tem adeptos no país, como o arquiteto Marcelo Rosenbaum (que além de fã dos toys, desenhou a loja Plastik) e o apresentador e músico João Gordo, por exemplo.

As peças também conhecidas como urban vinyl, (como é chamado o movimento nos Estados Unidos) tem pouco em comum com os brinquedos convencionais. E nem são feitos para isso. Em geral, trazem uma boa dose de subversão, humor e ironia.

O movimento conquistou marcas de prestígio, como a Chanel, que fez uma vitrine de toys em sua loja em Paris, a Nike, que contratou Michael Lau como garoto-propaganda, e a Levi’s, que chamou artistas de toy art para customizar jeans.

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No Brasa, o movimento só está começando, e de forma artesanal. Já existem marcas dedicadas aos bonecos como Tosco Toys e Sincrônica, além de artistas, como os da galeria Choque Cultural, em São Paulo.

E já que estamos falando de arte urbana, como não poderia ser diferente e para não perder o costume, atenção grafiteiros: hoje, dia 27 de março, pegue sua latinha e vá comemorar o Dia do Graffiti na rua!

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Free Art Fest

2ª edição do Free Art Festival acontece começa hoje (27)

2ª edição do Free Art Festival acontece começa hoje (27)

Começa hoje a segunda edição do Free Art Fest, evento que expõe e distribui obras de arte de artistas do mundo todo, gratuitamente. Os locais das exposições são públicos, privados, legais ou ilegais. Criada pelo artista Gejo, foi lançada pela primeira vez no Brasil em 2008, com organização da Revista Elementos e Cidade Escola Aprendiz.

No primeiro evento da América do Sul, o tema foi a exposição mundial de Free Art “It’s Yours Take It!” e foi realizado no Beco da Vila, local tradicional do Graffiti paulistano e artistas em geral na Vila Madalena. Nesta segunda edição, com o tema “Dia do Graffiti”, a exposição sai da Vila Madalena e sobe para os Jardins – de espaço público entra para dentro da galeria de arte – mas com o mesmo propósito, ARTE PARA TODOS!

Datas:
27 de março (sexta) – das 18h às 21h – (exposição até as 20h, em seguida distribuição de senhas e entrega das obras até às 21h)
28 de março (sábado) – das 11h às 15h – (exposição até às 14h, em seguida distribuição de senhas e entrega das obras até às 15h)

Local: Mônica Filgueiras Galeria de Arte – Rua Bela Cintra, 1.533 – Jardins Organização: 9370, Mônica Filgueiras Galeria de Arte e Revista Elementos
Mais informações: 0xx(11) 7508-5800 / 3783-2443 –

mail: freeartfest@revistaelementos.com.br

Acesse:
www.flickr.com/freeartfest
www.revistaelementos.com.br
www.9370.org

www.flickr.com/gejo

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Dia Nacional do Grafite

streetO iGstreet publicou hoje um texto que explica melhor o Dia Nacional do Grafite. Acompanhe um trecho abaixo:

“Você sabia que hoje é o dia mundial do grafite? Essa data existe há 21 anos e é uma homenagem ao artista plástico etíope, naturalizado brasileiro, Alex Vallauri. O cara dedicou seus anos de vida para espalhar obras de artes grafitadas nas paredes da cidade de São Paulo e de Nova York.

Em 27 de março de 1987, infelizmente, Alex deixou apenas lembranças, sendo uma das vítimas da Aids. Um ano após sua morte, esse dia foi instituído. O trabalho de Vallauri inspirou diversos artistas e tornou a arte do grafite mais conhecida e respeitada no país.”

E ainda tem uma entrevista com o Paulo Napoli, sobre o lançamento do Raps de Verão Vol. 3.

“iG Street: Hoje é o dia nacional do grafite e essa é uma arte que tem bastante ligação com o rap também. O que você acha de uma data como essa?
Paulo Napoli: Acho que falta o dia do rap, do DJ e do Breakdance.”

Leia a matéria na íntegra no iGstreet.


Feira Preta 2008

Sétima edição da Feira Preta ocorreu no último final de semana

Uma visita à Feira Preta 2008, por Wagner Cerqueira* 

“Ta vendo, a gente tem que mudar pra cá logo, assim não precisamos ir embora tão cedo. Você viu como ta bom lá dentro?”

Esta foi uma frase do diálogo de duas negras lindas, cheias de estilo e cabelos bem trabalhados, que voltavam para suas casas ali por volta das 17h15 do último domingo (14). Elas são apenas duas entre centenas de pessoas que vêm do interior de São Paulo, e até mesmo de outros estados, para curtir uma das confraternizações negras mais esperadas da cidade de São Paulo: a Feira Preta.

O evento, presente no calendário da cidade desde 2001, traz diversas atrações musicais (passando por todos os gêneros que representam a cultura negra), exposições, oficinas, saraus e, neste ano, a novidade foi uma série de palestras sobre empreendedorismo, ligada ao programa Qualifica. O programa faz a ponte entre iniciativa privada e produtores de artesanato, com o intuito de melhorar o trabalho de microempresários e empreendedores negros.

Logo na entrada, o público era surpreendido por um baile de black music, claro, que fazia muita gente dançar ao som de clássicos do rap internacional. Entre as mais comemoradas quando lançadas nas pickups do DJ Puff, estavam Dead Wrong, de Notorious B.I.G., e swingadas baladas de R&B que faziam as meninas puxarem seus pares para pista.

Seguindo em frente por um amplo corredor bem decorado, encontramos belas telas do artista plástico Guilherme Scabim, além da exposição cultural e educativa sobre a religião Nagô (Candomblé), recebendo todo o respeito que merece. 

Grupo Umojá durante apresentação

Grupo Umojá durante apresentação (www.umojabrasil.wordpress.com)

Mais à frente, uma malandra, no bom sentido da palavra, e bem representada Roda de Samba, levada pelos Amigos do João e seus convidados. Neste espaço, as negras encantavam a rapaziada com muito samba no pé. Nos intervalos, perdiam o rumo com as rodadas e encaixes de braços dos negros ao som do mais que tradicional samba rock.

Isso sem contar no coro que se fazia quando eram recitados os mais conhecidos sambas da nossa história. Aqueles que marcaram momentos, sejam eles em casa, em festas com a família e amigos ou numa roda de samba pela Bela Vista e arredores.

Logo ao lado, um espaço para o pessoal recarregar as energias. Um pátio dedicado à alimentação do povo, com crepes, hot dog’s e sanduíches sendo vendidos ao público. Refrigerantes, águas, cervejas e batidas hidratavam a galera para voltar ao samba.

Este mesmo local dava vista para o palco principal da festa, o Palco da Preta. Mas, antes de falar disso, vale, e muito, a pena falar de alguns artistas que ali estiveram, como a já’ da casa’ aula de samba do Moskito; um desfile do público que freqüentou a feira, até o som cheio de swing e romantismo de Walmir Borges.

Walmir Borges ainda não é muito conhecido do público em geral, mas é um ídolo entre os adoradores do gênero black. Ele, que já fez parcerias com Alcione, Paula Lima (ele assinou a direção musical do CD Sinceramente e do DVD Samba Chic), Alexandre Pires, Wilson Simoninha (Walmir Borges foi responsável pelos arranjos do DVD MTV Apresenta: Simoninha Canta Jorge Ben Jor, em 2005), e chamou a atenção pela inovação e talento de nada mais nada menos que Philip Bailey, do Earth, Wind and Fire, com quem participou do show aqui em Sampa e de quebra foi convidado para ir a Los Angeles gravar uma música.

Esta prévia do currículo deste grande artista já o apresenta, e bem. Melhor que isso para apresentá-lo foram as canções do seu trabalho solo: “Jóia Rara”, “Casinha de Sapê” e “Favelas do Brasil” estavam em seu repertório, mas a balada e romântica “Morada do Sol” fez com que casais se abrassassem e dançassem juntos ao longo do pátio principal. 

Após este show, veio a atração mais esperada, Dona Ivone Lara. Como o nome propriamente diz, Dona, tomou conta do palco com toda a sua alegria, poesia, experiência e beleza. Isso mesmo. Beleza. Uma jovem senhora bem vestida e maquiada, soltou a bela voz que, como esperado, era acompanhada por quase todos os presentes no pavilhão do Anhembi.

Dona Ivone lara mostrou todo o seu vigor no palco

Dona Ivone lara mostrou todo o seu vigor no palco

Foi mágico presenciar na primeira fila do palco senhoras e senhores aparentando a mesma idade da Dona Ivone Lara, cantando frase a frase, palavra a palavra, letra a letra de todas as músicas que lá em cima do palco eram interpretadas por ela.

A cada final de música ou refrão, uma senhora negra, de cabelos traçados entre pretos e laranja, colocava suas mãos sobre o rosto como se buscasse algum momento de sua vida que estava lá no fundo de suas lembranças, e após alguns segundos, levantava os braços aplaudindo Dona Ivone Lara como se aquele gesto fosse um “Muito obrigado, amiga!”.

E foi assim do inicio até o encerramento da apresentação, com o hino: “Um sorriso negro, um abraço negro/ Traz felicidade/ Negro sem emprego, Fica sem sossego/ Negro é a raiz da liberdade”, cantado por todos e acompanhado somente por dedilhados no violão. Nesse clima amistoso, Dona Ivone Lara se despediu dando a sua grande colaboração para a Feira Preta.

Após esta “missa do samba”, o palco foi fechado pelo show da escola de samba Tom Maior e IIu Oba de Min. Próximo das 22 horas, o público deixou o local satisfeito com o banho de cultura que receberam ali e pela bela festa que participaram.

Ponto positivo: Estrutura montada com reforma do piso do pátio principal, a bela cobertura do ambiente, banheiros sempre limpos e organização do evento.

Ponto negativo: Preço do estacionamento (R$20,00).

 

*Wagner Cerqueira é um parceiro do blog Per Raps, e sempre que pode, sugere pautas e temas para abordarmos. Fizemos o convite para que ele escrevesse sobre a Feira Preta 2008, importante evento que reúne diversos elementos da cultura negra em um mesmo local.

Como os elementos da cultura de rua não faltaram nesta festa, então o Per Raps tem a obrigação de contar seus detalhes. Registramos aqui o nosso agradecimento pela colaboração de Wagner Cerqueira. Obrigado!

Você foi à Feira Preta 2008? Comente o que achou da edição desse ano!

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Agenda do meio de semana

Hoje tem mais uma festa do Jazz it Up! no Studio SP

Hoje tem mais uma festa do Jazz it Up! no Studio SP

Nesta terça, 21, rola mais uma edição do Jazz it up!. A festa foi idealizada pelo MC Akin e a promoter Indayara Moyano, que tinham a idéia de diminuir as distâncias do público e dos músicos com o jazz. Isso pois esse estilo musical já há um tempo vem sendo considerado elitizado. A presença de um MC no palco também permite uma ótima interação. “A idéia é favorecer uma conversa entre o jazz e outros estilos”, explica Akin a respeito da inclusão de um mestre de cerimônias no projeto.

A festa antes ocorria uma vez ao mês, mas agora é quinzenal. Muito disso se deve a seu sucesso, já que todo Jazz it Up! tem um bom público, que costuma ouvir música de ótima qualidade. Quem se encarrega da discotecagem é o Dj Mako e também há uma selecta do Akin. Já participaram desse evento nomes como Trio Esmeril, Edu Visconti, Marcelo Cabral, Dj Marco e os MCs Kamau e Thiago Rump.

Jazz it Up! no Studio SP
Terça, dia 21/10, a partir das 23h
Preço: R$ 20 na porta e R$10 na lista
Rua Augusta, 591 – Centro – São Paulo/SP
Tel.: 11 3129 7040

Mostra Bits - Olhar Sonoro

Mostra Bits - Olhar Sonoro

Você curte workshops? Então não pode perder o de Spoken Word e Rap com o MC Akin e o de Produção Musical com o produtor e também MC, Parteum. Tudo isso ocorrerá em meio a várias outras atividades como exposições, pocket-shows e debates no Coletivo Galeria, na semana que vem. Vale a pena conferir!

Mostra BITS – Olhar Sonoro no Coletivo Galeria
De 27 a 31/10, a partir das 20h
Abertura, coquetel e pocket show com Rob Mazurek no dia 27/10, também às 20h.
Rua dos Pinheiros, 493 – Pinheiros – São Paulo/SP
Entrada franca

Ps.: As inscrições para os workshops devem ser feitas até o dia 27/10 aqui.


Aos olhos de um menino…

Tela da exposição TRIMASSA, da Choque Cultural

Tela da exposição Trimassa, na Choque Cultural

Geralmente quando somos crianças enxergamos o mundo diferente. Sem preconceitos, cheios de disposição para conhecer o novo, encantados com as coisas simples da vida e sem pose blasé. Desenhamos com nossos lápis de cor e não nos importamos em pintar dentro do contorno, às vezes nem nos importamos em pintar no papel e riscamos a parede mesmo.

Tem gente que fica adulto e continua desenhando nas paredes, mas as coisas mudam de perspectiva e deixam de ser rabiscos, viram grafite. Mas o que acontece quando uma criança de 4 anos visita uma exposição de grafite? Você até pode achar que essa criança não teria paciência para as obras ou que não daria a merecida atenção. Engano seu.

Lucca Patrocinio, critico de arte aos 4 anos

Lucca Patrocínio, crítico de arte aos 4 anos

Lucca Patrocínio, 4 anos, visitou a exposição “Trimassa“, na Choque Cultural neste último sábado, 20, e adorou o que viu. Os olhos, grandes e cheios de brilho, por sua natureza de criança, brilhavam. E mesmo ali, distante, as obras chamavam a atenção dele como se fossem desenhos não animados em um sábado de manhã.

“É mais legal que os desenhos no papel”, diz Lucca ao ser questionado se estava gostando de seu passeio. O menino gostou tanto que disse que queria ter esses desenhos em casa. Analisou obra por obra. Fez comentários, apontou os que mais gostou e perguntou quando não entendeu alguma coisa. No final ainda deixou seu registro na parede da galeria com uma canetinha.