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entrevista

Entrevista: Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz

Lívia Cruz por Stephanie Sidon, Pathy Dejesus (divulgação) e Lurdez da Luz (divulgação)

“Muito além do ser mulher” – por Carol Patrocinio

Quando as pessoas pensam em rap já imaginam um homem, de preferência negro, com roupas largas, cara de mau, muita marra e um microfone na mão. Ei, mundo real, chamando! Rap é música, expressa sentimentos, vivências, histórias. E isso todo mundo tem: branco, preto, amarelo, homem, mulher, religioso ou ateu. E é aí que entram as personagens do texto de hoje, três mulheres que ganharam espaço e notoriedade num mundo que – queriam que elas acreditassem – não tinha espaço pra elas. O mundo estava enganado!

Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz. Mulheres. Bonitas. Femininas. Elas são feitas de sorrisos, olhos, unhas. E como as mulheres de outras cenas, querem estar bonitas, gostam de como são, não querem mudar para agradar e acreditam que o talento fala mais alto do que qualquer coisa.

Preconceito? Existe. Por ser mulher, por ser bonita, por ser branca ou por ser negra. Desafios? Estão aí para serem deixados pra trás e lembrados como vitórias. Qualidade? Tem de sobra. Essas mulheres provam que o que importa é fazer com o coração e aí o respeito vem, quando menos se espera.

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Per Raps: Pra você, como o preconceito é demonstrado no rap?

pathy dejesusMeu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher”

Lurdez da Luz: Acho que o rap brasileiro está mais consciente nesse sentido do que o norte-americano de um modo geral, no que diz respeito as músicas misógenas é mais tranquilo. Acho que o machismo está tão arraigado que nem sei onde começa e onde termina e num é privilegio do rap não, em toda sociedade e nichos musicais rola só que de diferentes formas. Vide o número de instrumentistas mulheres em qualquer show de música, seja lá de que estilo for, sempre muito menor que o de homens.

Infelizmente ainda rola esse lance de muitas mulheres não se sentirem representadas por outras que estão no palco, que é reflexo de uma cultura machista, de de repente achar que você tá ali pra “aparecer” ou por causa dos caras, ignorando toda a dificuldade que é fazer arte, ainda mais rap. Mas comigo, pessoalmente, não é só o fato de ser mulher, tem o lance da pele clara, me vestir de um jeito estranho, ter um discurso talvez não muito simples de interpretar e desde do começo num ficar me explicando, deixar as pessoas livres pra pensarem o que quiser ao meu respeito.

Pathy Dejesus: Gosto de ver as coisas sempre por um ângulo mais positivo. Falta muito ainda, mas já foi bem pior… Ainda somos uma minoria dentro desse processo. Ainda existem as letras que inferiorizam, ridicularizam, menosprezam e ofendem mulheres (o que aliás já é bem batido, né?). Ainda tem homem que torce o nariz quando vê uma mulher no mic, nos toca-discos, dançando, grafitando. Mas o mundo é isso! Preconceito não é exclusivo do rap. Ele só é reflexo (talvez em maior intensidade) de uma sociedade preconceituosa (lê-se machista também). Ele está aí e não pode servir de empecilho pra quem realmente quer fazer parte.

Existem várias mulheres que quebraram e estão quebrando esse paradigma. Desde seu início, lá nos EUA entre os anos 70 e 80, a cultura é uma coisa “pra homens” e raríssimas mulheres conseguiram invadir esse espaço. As que conseguiram eram todas excepcionais (Roxanne, Salt n’ Pepa, Queen Latifah, MC Lyte, dentre várias) e fizeram a diferença! Se hoje parece difícil, imagina há três décadas. Se essas pioneiras não tivessem insistido, batido de frente pra demonstrar seu talento e sua paixão pelo hip hop, dificilmente estaríamos conversando agora.

Aqui no Brasil não é diferente… o hip hop entrou na minha vida em 94. Lembro da Rúbia, da Dina Di, da Rose MC, depois Negra Li. Tente pesar a determinação dessas mulheres naquela época… Quando fiz 13 anos, meu pai me falou uma parada que ainda ecoa na mente e infelizmente faz o maior sentido até os dias de hoje: se você quiser ser alguém, ser bem sucedida no caminho que escolher, vai ter que trabalhar duas vezes mais pra ter o mesmo reconhecimento porque é mulher. E mais duas vezes porque é negra. De onde venho as coisas nunca foram fáceis. Graças a Deus, cresci num ambiente onde ao invés de só lamentar e apontar culpados pela situação desvantajosa, batemos de frente e não desistimos tão facilmente dos nossos sonhos.

Lívia Cruz: O preconceito contra as mulheres? Eu já disse isso várias vezes, o preconceito e discriminação contra as mulheres no rap não é diferente do que a gente vê na sociedade em geral, as manifestações tão aí a toda hora, vão das cantadas e dos barulhos obscenos que a gente é obrigada a escutar quando está simplesmente passando na rua, até uma atitude mais extrema de violência física e psicológica. Esse assunto é sério e delicado, acho que a educação, como em quase, tudo é a chave, e a música, sem dúvida, tem grande papel de formação.

Per Raps: O que significa fazer um rap feminino atualmente?


Parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher”

Lurdez da Luz: Atualmente já está tudo um pouco mais fácil pra todo mundo, existe uma evolução em relação a acesso a tecnologia, a informação e o fluxo de dinheiro dentro da cultura aumentou (ainda é pouco), o respeito fora do rap aumentou também. Eu comecei a fazer isso em 1999, só existia a Dina Di, que era uma rapper cabulosa mas que eu num me identificava e a Rose MC e Lady Rap, que num tinham muitas faixas gravadas pra gente ter algum ponto de partida. Eu curtia muito o estilo da SharyLaine, mas que já num lançava nada há anos… Enfim tive que inventar um jeito de fazer minhas rimas e levadas.

Lembro que mostrei meu primeiro rap pra Cris do SNJ, que também é minha contemporânea, e ela falou: “legal esse tipo de som, parece um pouco rap até”, eu ri e percebi que tava com uma parada que ia demorar pra ser compreendida. Pra mim o importante é ter em mente a expressão artística e as posições politicas, sempre em prol da evolução pessoal assim como da cultura e não “ser alguém dentro do rap”, parece fácil ser MC, mas num é não. Seja homem ou mulher.

Pathy Dejesus: Existe fazer um rap feminino? Dá separar a arte e subclassificar? Não acredito nisso. Odeio rótulos. Existe talento ou não. Existe paixão ou não. Existe rap bom e rap ruim. E isso independe do sexo de quem está fazendo.

Lívia Cruz: Pra mim, no meu rap, significa mostrar o ponto de vista genuíno da mulher, eu gosto de contar historias e ainda acho que a gente se pauta muito no que os homens do rap vão pensar das nossas letras, das nossas atitudes, e isso torna os nossos relatos muito tímidos… Quero ver isso mudar, e tô fazendo minha parte pra essa mudança.

Per Raps: Beleza ajuda ou atrapalha? Como?

Muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda”

Lurdez da Luz: Acho que ajuda a abrir portas mas talvez até atrapalhe em ter credibilidade. Como disse sobre posições políticas na resposta acima, num é só saber em quem vai votar, o porquê é bem mais amplo, como por exemplo não acreditar em padrões de beleza impostos, tipo a magra, alta, de olho azul ou até mesmo a “rainha de ébano”, claro que deve ser uma benção de deus ser lindo, mas ficar impondo isso que nem a Rede Globo num deveria ser papel do rap.

Pathy Dejesus: Acho que a pergunta correta seria: ser feminina ajuda ou atrapalha? Li uma entrevista da Negra Li (de quem sou fã) uma vez falando sobre isso. Da postura supostamente correta para ser respeitada num ambiente onde ela era minoria… Usar roupa larga, nada de maquiagem, ficar séria o tempo todo pra não chamar a atenção. Pra não lembrarem que se tratava de uma mulher… Imagina a barra!

Por isso digo que as coisas estão evoluindo! E vai de nós, mulheres, nos impor, nos preservar, e sermos levadas a sério. Sou vaidosa e não vou mudar minha personalidade pra fazer o que amo. Aliás, isso não faz o menor sentido, né?! Acho lindo quando vejo Lívia [Cruz], Lurdes [da Luz], Nathy [MC], Flora [Matos], as DJs do Applebum… Todas maravilhosas, nenhuma abre mão do seu estilo pra rimar, pra discotecar. O respeito não é imposto. É conquistado!

Lívia Cruz: Por incrível que pareça, acho que atrapalha mais do ajuda. Existe um preconceito de que mulher bonita não é inteligente, muitas vezes me sinto subestimada, vejo isso nítido nos olhares das pessoas quando subo no palco, mas depois que começo a cantar isso muda, e é divertido também, surpreender pro bem. A beleza vai muito além da estética, eu gosto de quem sou, não quero mudar pra agradar ninguém, e isso transparece nas minhas músicas e na minha conduta, algumas pessoas se incomodam, mas paciência… Bonito mesmo é ser feliz!

Per Raps: Hoje você é respeitada na cena por seu trabalho, independentemente do seu sexo, o que você acha que fez com que isso acontecesse?

pathy dejesus Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma”

Lurdez da Luz: Em primeiro lugar fico honradíssima, dinheiro é bom e todo mundo precisa, mas respeito pra mim vale ouro. Acho que foi resistir em primeiro lugar, se mantar fiel ao que se é e não balançar em relação ao que ” tá pegando no momento”. Foco no som e amor por esse tipo de música em especial mais do que por qualquer outra.

Pathy Dejesus: Repito que venho de uma criação (obrigado Pai e Mãe) onde sempre me lembraram quem eu sou, de onde vim e de como as coisas seriam mais difíceis por isso. Mas essa situação de “desvantagem” sempre me foi mostrada de uma forma que eu tivesse vontade de bater de frente pra conquistar meus objetivos.

Sempre fui “minoria”. Mulher negra é minoria duas vezes. Sempre tive que batalhar dobrado pra ter reconhecimento. E sinceramente, gosto disso! Sou movida a grandes desafios, não nasci pra concordar, pra aceitar. Receber um inicial “não” como resposta sempre me motivou a melhorar, buscar mais conhecimento, me preparar cada vez mais. Tem horas que realmente dá vontade de desistir… Mas minha maior rival não me pouparia, não me perdoaria. Minha maior concorrente sou eu mesma, e não alivio, não facilito, não tenho pena de mim mesma. Acho que vem daí o respeito no meu trabalho. E na vida!

Lívia Cruz: Esse respeito veio naturalmente por um conjunto de coisas, meu trabalho vem em primeiro e com ele o desejo de fazer virar, acreditar, ousar, perseverar, e por consequência algumas pessoas no meu caminho me ajudaram muito, sem essas pessoas, provavelmente, eu estaria bem mais longe do ponto que me encontro agora.

Time do Loko apresenta Lurdez da Luz, Lívia Cruz e Pathy de Jesus
Quando? Sábado, (14), às 00h
Onde? Hole Club (R Augusta, 2203 – Jardins/SP)
Quanto? R$15 (H) e R$10 (M)

Mais?
Novidades de 09′: Lívia Cruz
Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho

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Per Raps TV: Ogi e as crônicas da cidade cinza

Crônicas da selva de pedra

Ao contrário do que possa parecer, no Brasil o rap não é feito de glamour. É sinônimo de esforço, correria, noites em claro. Viver de rap também não é tarefa para muitos, é possível contar nos dedos quantos conseguem. Entre aqueles que tentaram e estão no caminho do sucesso está Ogi, MC do grupo paulistano Contra Fluxo, que está prestes a lançar seu primeiro trabalho solo, “Crônicas da Cidade Cinza”.

Entre portas que se abrem e oportunidades que são negadas, o rapper retrata em rima no melhor estilo “contador de histórias” tudo aquilo que vive, que pensa, que sente e o que acha de sua cidade, de seus parceiros, do rap, da vida. Lembranças das épocas de pixo e throw up, até a primeira vez que ouviu o “Sétimo volume da enciclopédia letra H”, Ogi narra o que vê e o que vive na cidade cinza.

Para conhecermos o processo criativo de seu novo CD, além de entender um pouco mais sobre a figura de Ogi, a Per Raps TV traz uma entrevista exclusiva com o MC. Confira!

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Sobre Ogi

Nascido em São Paulo, Rodrigo Hayashi, também conhecido como Ogi, conheceu o rap por volta de 1991 e três anos depois começava a fazer seu próprio som. Formou o grupo Contra Fluxo junto do DJ Big Edy e o MC DejaVú, que depois ainda incorporou Munhoz, Maskot e DJ Willian. O grupo lançou dois discos, “Missões e Planos”, em 2005 e “SuperAção”, em 2007.

Com influências do samba de raiz (há pouco Ogi começou a gravar um podcast muito bacana chamado Lira do Samba) e adepto à rima no formato storytelling , Ogi foi indicado ao prêmio de melhor artista rap pela MTV, após lançar o clipe “Premonição” e dois singles.

Ogi, que também é integrante da crew 360 graus (encabeçada pelo DJ Caíque), já é considerado um dos destaques da cena rap atual, mesmo antes de lançar um CD. Seu primeiro trabalho solo, “Crônicas da Cidade Cinza”, deverá ser lançado em setembro de 2010.

Confira a resenha de “SuperAção” (Contra Fluxo, 2007) por Daniel Cunha.

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Lira do Samba


Emicida começa produção da nova mixtape

Emicida por Luciana Faria

Os novos caminhos de Emicida – por Stefanie Gaspar*

Achar o estúdio de Emicida não é tarefa tão fácil quanto parece. Localizado em um pequeno e estreito edifício na Zona Norte de São Paulo, é moleza passar despercebido pelo interfone que anunciou a nossa chegada. Emicida e o irmão, Evandro “Fióti”, abriram as portas com simpatia e nos mostraram o local que, nas próximas semanas, será o QG de uma intensa produção musical: em seu recém-montado estúdio, Emicida e seus manos vão começar a produção de sua segunda mixtape, um ano após o lançamento de Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe, que vendeu ao todo cerca de 10 mil cópias.

No dia de nossa visita, ninguém parava quieto no estúdio, arranjando as recém-compradas caixas, indo buscar novos cabos, baterias e extensões. Tudo sendo montado cuidadosamente – e, enquanto não está ajudando e coordenando, Emicida se tranca em um canto do estúdio para compor, sem parar, horas a fio. “Tem que ficar mexendo nas músicas, já que a maioria delas sobrou da mixtape anterior. E muita coisa eu fui compondo nos períodos entre os shows mesmo. Agora é hora de escrever sem parar, de rever tudo isso”, contou ele.

Entre uma explicação e outra, um telefonema e uma corrida para o quarto ao lado para checar os novos cabos, o estúdio do rapper explica por si só o esquema que ele comenta ser “incompreensível” para a mentalidade atual das gravadoras. Essa nova cena brasileira, composta por artistas independentes que cativam o público e alcançam sucesso de vendas sem o auxílio de uma major, seria uma mistura equilibrada de profissionalismo e esquema caseiro.

“O problema das grandes gravadoras é não compreender o processo de produção do rap brasileiro, dessa coisa espontânea, colaborativa, dos manos chegando e fazendo as coisas. E essa relação de brodagem também, que você não consegue da noite pro dia, precisa de convivência. Eles não querem chegar e me conhecer, saber como é a parada, meu esquema de trabalho. Eles querem assinar contratos e garantias, mas não respeitar esse ritmo”, comentou o rapper, que faz parte do front desse boom de artistas do rap que estão conquistando novos espaços e encontrando novas formas de viabilizar seus trabalhos, explorando o conceito das mixtapes e utilizando a web e a versatilidade da rua como veículo de disseminação da boa música.

Dj Nyack por Luciana Faria

“O filão das gravadoras está terminando. É muito bom fazer mixtape, é um formato que quase não existe no Brasil e é incrível, vende pra caralho e a gente não fica preso. Tenho um sério problema com esses bagulhos fabricadão, esses artistas que surgem DO NADA, uma parada matemática definida por um grupo de empresários. Daí eles decidem que os artistas deles precisam ser bem bonitinhos e se vestindo assim ou assado, cantando música de amor…”, ironizou Emicida.

Quando soubemos da movimentação por um novo trabalho do rapper – além de sua primeira mixtape, ele lançou o single Avua Besouro e o EP Sua Mina Ouve Meu Rap Também -, já pensamos em um primeiro álbum de estúdio, considerando que as sobras da primeira mixtape já teriam sido utilizadas no EP ou ficariam guardadas para outros trabalhos. Entretanto, Emicida afirmou que já começa a trabalhar em uma nova mixtape, a ser lançada em agosto deste ano. E que o material utilizado será formado por músicas que sobraram da primeira mixtape.

“Agora vou terminar as sobras com essa mixtape e me preparar para um lançamento grandão depois, um álbum mesmo. Não quero lançar um álbum por obrigação, só porque preciso, quero fazer um negócio bem acabado, com um propósito. Sinceramente, eu acho que hoje só Racionais, MV Bill, caras grandes lançam álbuns de verdade”, afirmou ele.

Emicida por Luciana Faria

Questionado sobre o motivo de usar as sobras para uma nova mixtape em vez de ter liberado o material anteriormente em um EP, por exemplo, o rapper respondeu que a mixtape deve ser assim mesmo – uma salada. “O que eu gosto é de fazer EPs temáticos. Que nem o que eu lancei agora, Sua Mina Ouve o Meu Rap Também. Todas as músicas falam da mesma coisa. Isso que é bacana nesse formato. Mixtape é saladona mesmo, outro lance”, respondeu, sem se alongar no assunto.

Curiosamente, embora Emicida seja um claro exemplo de um artista desta “nova escola” do rap, exposto a novas influências e vivendo em um cenário repleto de transformações não só na sonoridade e nas temáticas discutidas pelo gênero como nos espaços ocupados pela música, o rapper afirma ouvir muito pouco rap, a não ser alguns artistas nacionais. “Eu sou de outro rolê, sempre escutei outras músicas. Eu gosto de rap, mas eu só escuto os manos daqui. Vocês ficam aí falando do novo do Hezekiah, um cara foda, mas que faria muito mais sentido se tivesse vindo 10 anos atrás. Não fico fuçando atrás de coisa nova, não”, afirmou o rapper que, mesmo assim, ouve os figurões do rap mainstream gringo, como Eminem (“o Recovery é foda!”), Nas, Jay-Z e até mesmo Will.i.am (“o cara é mestre!”).

Questionado a respeito dos gostos do público de hip hop hoje e a preferência pelos clássicos do gênero, o rapper dispara: “Isso é uma coisa que os DJs de hip hop fizeram também e agora precisam assumir: você vai na festa e o cara não toca música nova. Daí o pessoal fica sem conhecer uma pá de artista e não quer show de gente nova. Daí toca o quê? Wu-Tang Clan, Mos Def, essas coisas, daí judeu não toca rap nacional e não toca música nova. Outro dia tocou Drake na balada e eu quase chorei”, comentou ele.

Evandro Fióti por Luciana Faria

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Emicida hoje passou dos pequenos shows em bares sem esquipamento acústico até chegar ao VMB e ao circuito mainstream, que tão poucos artistas conseguem penetrar, e agora segue lutando para sobreviver em meio a uma cena em constante mutação e que é seguida de perto por um público exigente e que não se contenta com pouco.

O discurso vago a respeito do trabalho já feito e do trabalho que vem por aí, proposital ou não, chega a dois resultados: aumenta o mistério a respeito do processo de produção de suas composições mas, ao mesmo tempo, coloca o rapper em uma posição delicada em relação a um mercado instável, difícil e definido por um misto de oportunidade, sorte e trabalho duro (e tudo isso sem o apoio de uma gravadora). Leandro Roque é tão fascinante porque é um retrato das contradições do cenário do rap nacional – com todos os seus defeitos e qualidades.

Selo independente

A gravação da segunda mixtape de Emicida coincide com a criação de um selo, no qual o rapper pretende reunir seus amigos e colegas DJs, beatmakers e MCs para criar um projeto sólido em um mercado em crise. A intenção é trazer todas as ideias de artistas como Casp, Renan Saman, Skeeter, Kamau, DJ Nyack, Base, DJ Will e Luiz Café não só para a mixtape como para outros projetos, além de posteriormente começar a trabalhar na busca de novos rappers que precisem de apoio no início de suas carreiras.

O selo ainda não tem nome nem foi oficialmente lançado.

Leia mais sobre as ideias do rapper na matéria Emicida: o lobo solitário.

* Stefanie Gaspar tem 22 anos, é jornalista, viciada em música e acha que o pancadão ainda vai mudar o mundo. Apaixonada por livros e colecionadora de vinil, aproveita todo o tempo possível para ouvir música e tentar conhecer tudo ao mesmo tempo.

**Fotos por Luciana “Playmo” Faria.


Per Raps TV: Rael da Rima fala sobre seu novo disco

O próximo passo de Rael – por Daniel Cunha

Se no meio do rap é praticamente impossível ser uma unanimidade, Rael da Rima é provavelmente o artista que chega mais perto de alcançar a façanha. O talento do MC e vocalista do Pentágono é incontestável e muitos dos que já conhecem seu potencial acreditam que Rael pode chegar muito mais longe.

Ele também não pensa muito diferente. Rael acaba de lançar seu primeiro disco solo, intitulado MP3, sigla designada por ele para definir a “Música Popular do 3º Mundo”, e com ele, tem a proposta de levar sua música para outros público que não apenas o de rap.

Para fazer jus à proposta de levar sua música a outras pessoas, Rael fechou contrato com a distribuidora Tratore. Portanto o disco, além de estar sendo vendido nas lojas do Centro que costumam trabalhar com o rap, também está disponível em grandes lojas online e em lojas digitais do Brasil e do exterior.

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Confira a entrevista exclusiva com Rael da Rima na Per Raps TV:

Sobre Rael da Rima

Com pai multi-instrumentista e mãe cantora, Israel Feliciano (aka Rael da Rima) começou a compor aos 16 anos. Junto do grupo Pentágono há uma década, sempre mostrou no canto e na rima sua forte influência de ritmos jamaicanos como o ragga e o dancehall. Além de seu grupo, trabalhou com nomes como Sombra, Kamau, Emicida e Slim Rimografia, entre outros.

Seu primeiro trabalho solo é autoral, feito apenas com banda e sem utilização de samples. O disco traz participações especiais dos músicos da banda canadense Inword e do coletivo multicultural Nomadic Massive na faixa “Fui”, assim como o MC haitiano Vox Sambou no remix de “Eles não tão nem aí”.

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Per Raps entrevista Amanda Diva

Recentemente, uma matéria da revista norte-americana XXL Magazine fez um levantamento sobre o que estava acontecendo com as mulheres no rap. Passado o primeiro boom com MC Lite, depois Foxy Brown, Queen Latifah, Lil’ Kim, Missy Elliott, além da mais promissora, mas que se tornou a mais reclusa, Lauryn Hill, nada de muito empolgante surgiu.

A mesma revista sugeriu como “esperança” a aposta de Lil’ Wayne e da Young Money, Nicki Minaj, que vem realizando diversas parcerias, seguindo os passos de seu “boss” e de seu parceiro, Drake. No entanto, aqui no Per Raps lançaremos o olhar sobre outra MC: Amanda Diva. Dona de aparições no programa de poesia (spoken word) preferido dos norte-americanos, o Def Jam Poetry, apresentado por um longo tempo por Mos Def, além de programas da MTV2 e, recentemente no aclamado álbum de Q-Tip, The Renaissance, no som “Manwomanboogie“, Diva vem aos poucos alcançando seu espaço na música.

O curioso é que nosso contato com a MC surgiu de forma rápida e direta, primeiramente via twitter, depois por email. Sua irmã e produtora, Janise Chaplin, proporcionou a ponte que nos permitiu receber as resposta de Diva. A entrevista, originalmente, faria parte do especial que o Per Raps fez em maio para o mês das mulheres. No entanto, por um problema e outro, a matéria especial acabou ficando para maio.

Contamos nessa entrevista com colaboração do ilustre Oga Mendonça aka Macário do Projeto Manada. Além dele, a Núbiha Modesto aka Mocha, do Rapevolusom participou junto com o Per Raps, trazendo perguntas que serão publicadas em um futuro breve.

Conhecendo a Divapor Eduardo Ribas

Dê o play e ouça Amanda Diva, “40 MC’s”
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-05-24T13_11_25-07_00.mp3″

Ao bater o olho pela primeira vez, você poderá confundir Amanda Diva com uma brasileira, no entanto é a sua descendência caribenha, mais especificamente de Granada, que acaba contribuindo com isso. Nascida Amanda Seales, a MC/atriz/apresentadora de rádio e personalidade da TV, protagonizou recentemente programas como o “VH1’s 100 Greatest One Hit Wonders of the 80s“, no qual comentava clipes dos anos 80. E é exatamente a admiração por esta década que faz o visual colorido de Diva se destacar.

A respeito disso, a MC faz um comparativo entre a golden era e os dias de hoje. “Eu acho que tinha mais espaço para a originalidade e havia também um forte senso de originalidade do que vinha dos artistas. Hoje parece que as imagens estão sendo mais criadas pelos marketeiros do que representam a expressão de um indivíduo de forma única. Por outro lado, antigamente o pessoal não tinha tanto acesso aos fãs e dependiam muito do rádio e das gravadoras, hoje, com a internet, o artista consegue estar mais próximo do público e vice-versa. Acho que a cultura precisa disso agora mais do que nunca”, aponta.

Seguindo o que parece ter se tornado um pré-requisito para se estar no jogo nos Estados Unidos, Diva estreou primeiro na TV, em uma série do canal Nickelodeon. No entanto, seguir os passos de nomes como Will Smith ou Common parecem não ser fatores que possam garantir uma boa recepção para seu trabalho na música. “É engraçado, as pessoas dificultam que você cruze qualquer fronteira se você já estiver estabelecido em um ‘lado’ específico. Para a maioria, eles me introduzem como a apresentadora da MTV2 ou como a atriz-mirim da Nickelodeon, então eles não estão verdadeiramente abertos para meu lado musical. Mas como tudo na vida, se você continuar insistindo e continuar produzindo com qualidade, as pessoas eventualmente vão deixar você ‘entrar’.”

No rap, a MC começou sua carreira em 2004 com a mix “It Bigger Than Hip Hop, Vol 1“. Depois disso, se dedicou ao rádio, aos palcos de teatro e lançou um livro de poesia, até que em 2007 veio “Life Experience“, o primeiro EP de uma trilogia. Já no ano seguinte foi lançado “Spandex, Rhymes and Soul”, que está disponível para download no site de Diva. Como o seu último trabalho foi recebido? “Eu fiquei muito satisfeita com a resposta. As pessoas continuaram baixando um ano após eu ter disponibilizado o trabalho e as reações tem sido super positivas. Eu me dediquei bastante ao SRS e eu queria que todos soubessem que eu não estava brincando de ser artista. Creio que tenha atingido esse objetivo”.

Foi também em 2008 que Diva participou do álbum de Q-Tip, The Renaissance, que estreou em décimo primeiro no Top 200 da Billboard e concorreu ao Grammy de melhor álbum rap (Eminem acabou levando). Na música, Diva aparece cantando no refrão, que inclusive ganhou um videoclipe. Mas será que Amanda Diva se considera uma MC que canta ou uma cantora que consegue rimar? “Era uma vez o tempo em que eu me considerava uma MC que cantava, mas hoje é mais o contrário”.

Apesar disso, as metáforas e tiradas de Diva em suas rimas são dignas de respeito. Em uma de suas letras mais interessantes, “40 MC’s”, a rapper faz piada com MC’s de uma nota só, que vivem tratando do mesmo assunto em suas músicas, vendendo falsas verdades etc. Pensando nisso, quais as características que um MC deve ter para ser respeitado, na opinião de Diva? “Originalidade, talento lírico e sinceridade”, curto e grosso.

Apesar do pessimismo dos críticos e especialistas, que apontam que as mulheres não tiveram representantes significativas na última década, Diva aposta que a mudança no papel desempenhado pela mulher no rap hoje em dia só deverá mudar se as mulheres apresentarem qualidade em seus trabalhos. “As mulheres hoje tem mais espaço que nunca. Tivemos tantas oportunidades e liberdade para alcançar e aspirar. Eu acho que o primordial é que continuemos a trabalhar e nos mantenhamos respeitáveis por nosso poder e graça do que “perder” as oportunidades que nos foram oferecidas. No rap, as mulheres estão hoje mais nos bastidores do que no front, mas suas vozes vão continuar sendo ouvidas. Assim como disse antes. Quando você mantém a consistência e continua mostrando qualidade, você eventualmente vai ganhar!”.

Formada pela Universidade de Columbia em estudos afro-americanos, Diva hoje se dedica às artes plásticas e é designer. Possui uma loja que vende desde bolsas até posteres. Sobre seu futuro, a pergunta que não quer calar: seu foco é assinar um contrato com uma major, assim como a maioria dos rappers? “Nah, esse não é um foco meu. Tenho sorte de ter um grande número de coisas rolando e por isso não dependo de um contrato significando que eu serei ouvida/vista. Indie é o caminho para mim!”.

Mais:
Myspace
Site Amanda Diva
Baixe Spandex, Rhymes and Soul


Mister Bomba fala do álbum “De Ponta a Ponta”

No final do mês de março, o Per Raps trouxe aos leitores a primeira parte da entrevista feita com Mister Bomba, MC e produtor do grupo SP Funk. Trazemos agora a segunda parte da conversa que tivemos com Bomba, dessa vez falando sobre seu trabalho solo – “De Ponta a Ponta” -, twitter e outros assuntos.

Falando em álbum, o disco terá festa de lançamento no dia 14 de julho, na Matilha Cultural, no centro de São Paulo. Fique atento!

Não deixe também de ler também “O outro lado de Mr. Bomba“, a primeira parte da entrevista feita pelo Per Raps, em que o MC e beatmaker falou sobre seu início no rap, um pouco de sua rotina, seu modo de produzir sons e sobre seu grupo, o SP Funk.

Falando “De Ponta a Ponta” – por Eduardo Ribas

Dê o play em Mister Bomba, “Gênesis” (De Ponta a Ponta/2010)
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-05-18T10_07_29-07_00.mp3″

Per Raps: Pra começar, como está o andamento da produção do “De ponta a ponta”?
Mr. Bomba:Tá na reta final. Já ta mixadão, a arte da capa tá quase pronta, mas de última hora eu resolvi incluir mais 3 músicas, que vão estar prontas até a data da masterização.

O nome do álbum faz alusão a temática preferida do Planet Hemp, no Brasil, e Cypress Hill, na gringa ou é apenas uma coincidência?
Mr. Bomba: Cada um vai entender como prefere mas, o nome tem a ver com o lance de eu produzir e rimar, por isso é Mr. Bomba De Ponta a Ponta, tanto na produção, como nas letras.

Per Raps:O “De ponta a ponta” já tem previsão de lançamento? Pretende convocar beatmakers ou a produção será só sua?
Mr. Bomba: O álbum iria sair em abril. Tem participação do Coral Kadoshi, Sombra, Bio Rima aka Obaminha, Tio Fresh e Criolo Doido, Bukassa e Mc Jota. Me dediquei pra fazer aquela produção artesanal com muita alma em todas as faixas, daí o nome do disco – Mr. Bomba De Ponta a Ponta -, mas eu não fiz sozinho. Tive a ajuda de músicos como Munari, Cabralha, Marcelinho, Nadinho, Tadeu Dias, João Lavraz e cada um trouxe suas ideias. No futuro eu planejo trabalhar com outros produtores, mas nesse eu fiz todas. Composto, produzido, arranjado e rimado by Tio B.

Per Raps: Em uma entrevista para um site, o Highsnobiety, você disse que o estilo de “Biriri” era o “tranco”. Pretende investir nesse estilo novo ou foi apenas uma maneira de explicar a pegada diferente do som?
Mr. Bomba: Era não, é. E eu estou investindo tempo e esforço nisso porque, se liga na fita, o Hip Hop se espalhou no mundo todo, mas em cada lugar tem uma identidade nacional, um tipo de rap local, quem tem a influência do Rap americano misturado com a cultura local. Na Jamaica tem o Dancehall, em Porto Rico tem o reggaeton, em Angola tem o Kuduro, no Rio de Janeiro tem o Funk e até no Tecnobrega do norte e no Axé do nordeste tem influência do Rap.

Todos esses estilos que citei fazem muito mais dinheiro do que nós, com esses preconceitos, daí entra na questão de que é um por amor e dois por dinheiro, mas hoje em dia nem amor tá vivendo sem dinheiro. Até nos EUA, se você for ver, em Chicago tem o Juke, no sul o Dirty South e o Crunk, então, quando me perguntaram se São Paulo tem uma identidade eu disse: “tem, é o Tranco”, porque eu já estava pensando nesse nome fazia tempo, chega de imitar os manos, vamos fazer o nosso, e se quem estiver lendo e quiser somar com bases, danças e músicas novas, é só chegar!

Per Raps: Reparamos que você tem se utilizado bastante do Twitter, o que acha dessa ferramenta e qual a importância do uso da web para o seu trabalho?
Mr. Bomba: Nos dias de hoje, quem não tá na net fica quase impossível entrar no jogo, então eu tento estar conectado o máximo de tempo possível e agora com o twitter eu posso centralizar mais. Youtube, Myspace, Facebook e Orkut, todos conectados. Eu nunca pensei que pra você ser rua e ser falado na rua teria que estar mais na frente do computador do que na própria rua.

Per Raps: Você acha que rolou uma mudança de mentalidade em termos de ideia nas rimas do Bomba do SP Funk e o Bomba que vai rimar no “De ponta a ponta”?
Mr. Bomba: Muita gente pensou que o SP Funk tava querendo ser “os intelectuais do Rap”, mas não era nada disso, com o tempo foram aparecendo vários – não vou citar nomes, mas vários, um mais complicado que o outro -, mas se for ver, as ideias são simples. Mas é muita ideia por música, as ideias estão todas aí, a gente só tem que ser uma antena e ficar na sintonia pra que elas cheguem com nitidez pra quem vai ouvir. Quem ouvir o “De Ponta a Ponta” vai ver que eu continuo com a mesma mentalidade de busca por um som novo e original, que sempre foi o ideal do SP Funk.

Per Raps: Na entrevista concedida ao Programa Freestyle, você apresentou no programa o som “Gênesis”, que deverá estar no novo trabalho. A música teve inspiração no som “This Way”, do Dilated People com o Kanye West?
Mr. Bomba: Quando eu vi o Coral Kadoshi cantar foi tipo uma luz que bateu, tipo um clarão, e eu pensei: “eu tenho que gravar com eles”. Desde que eu fiz o beat achei que ficou bem épico, então eu resolvi chamar nesse som, pra abrir o disco com essa vibração. Aí fui pro estúdio MCR no dia da gravação com o coral sem nada, nem melodia nem letra e nós – eu e o Marcelo, do Caral – escrevemos essa letra em menos de cinco minutos, parecia psicografia. Foi um momento mágico e ficou registrado no disco.

Per Raps: Falando nisso, definiu o formato: EP, mixtape, virtual ou convencional?
Mr. Bomba: CD, download e uma edição limitada em formato surpresa. Também estou trabalhando em mais três mixtapes e nas bases do novo do SP Funk.

Per Raps: Sobre o single “Biriri”, esperava tanto barulho? A ideia de gravar um clipe desse som partiu de você?
Mr. Bomba: Na hora que eu fiz o refrão eu já soube que ia fazer barulho, sempre soube. Eu nem tinha a letra, só o refrão e a base, e já sabia que era sucesso. E aí eu agradeço os DJ’s que acreditaram e fizeram que uma ideia se tornasse um hit. Dj’s como Ahlemão, Tubarão, Silvinho, Milk, Flash, Puff, Marquinhos Da Pesada, Kefing, Scratch, KL Jay – que às vezes até usa de fundo pro programa de rádio -, ao Cia, Negralha, Heron, Jason Salles, Marcynho, Hadji, Marks, RJay, ao Tchicky Al Dente – que já chegou a rolar duas vezes seguidas no Favela Chic, em Paris -, ao Kassiano, ao Sandrinho, Roger Flex, Zeu, Naomi, Spinha, André Heat, Anão, Master Ney, Caio Gentil e todos que fortalecem no Brasil – vocês sabem quem são.

Aí veio a ideia do clipe. Fizemos com a estrutura que deu, só pra ser um street vídeo mesmo. Mas o mais da hora é que várias pessoas colocaram na net videos caseiros com a música. E tem vídeo com mais de 250 mil acessos. Louco também é que as pessoas acham que é um funk mas, se for ver, ela é um Rap puro e bem cru em termos de produção. Ela não tem um refrão R&B pra ficar mais comercial. Ali eu to rimando do começo até o fim, se é um novo estilo eu não sei, eu só quero fazer o meu som e provar que hip hop não pode ter barreiras porque a música é uma só.

Não deixe de ler a primeira parte da entrevista feita com Mister Bomba

Mais:
Myspace
Programa Freestyle com Mister Bomba e Tio Fresh (SP Funk)

*Agradecimentos ao Marcílio, do Programa Freestyle pela força neste post.


Per Raps TV: Rapadura e sua fita embolada

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Agenda
Há poucos dias, Rapadura gravou sua participação no “Manos e Minas” (TV Cultura), programa que será exibido nas próximas semanas. E, nesta terça-feira (11/5), das 18h às 21h, ele fará um bate-papo com seus fãs na livraria Suburbano Convicto (rua 13 de Maio, 70 – 2º andar – Bixiga – São Paulo/SP – Fone: (11) 2569-9151). Na ocasião, ele vai vender e autografar exemplares do CD “Fita embolada do engenho”.

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