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5 raps entre amigos no dia da amizade

“Quem é que não tem um amigo?”. Não, não é Criança Esperança, e sim uma pequena celebração ao Dia da Amizade. No dia 20 de julho é comemorado em diversas partes do mundo o Dia do Amigo. Aqui no Brasil, essa data é celebrada dia 18 de abril, então pra não perder o rumo da prosa, ficamos com o Dia da Amizade, em julho.

Controvérsias a parte, o Per Raps aproveitou a desculpa e fez uma pequena lista com músicas que foram feitas por parceiros musicais no rap, mas que também são amigos na vida. Para não ficarmos presos a estilos (underground, pop, comercial, gangsta ou sej ao que for), tentamos focar nos sons que foram importantes para o rap de alguma forma, já deixando claro que essas escolhas darão brecha para discussão: “Vocês esqueceram essa! Mano, como esqueceram aquela? Pô, esse Per Raps só dá falha!”.

Mas a ideia é que cada um lembre de uma bela parceria e mande nos comentários, assim teremos no final uma enorme lista de grandes raps feitos por amigos. Bóra?

*Props Oga Mendonça, Zeca MCA e Fióti.

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Xis e Dentinho, “De Esquina”
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“Esquina paranoia delirante”, essa frase ecoou por festas e quebradas por muito tempo, além de ter reverberado até de forma acústica após um convite que Cássia Eller fez a Xis, em 2001. A música originalmente faz parte da coletânea “O Poder da Transformação” (Paraddoxx, 1997) e o single vendeu cerca de 8 mil cópias em apenas seis meses.

Em entrevista à revista +Soma, Xis contou como a música começou a estourar: “A gente colocou ‘De Esquina’ na 24 de Maio (rua que concentra galerias com lojas de discos no centro de SP), demos de mão em mão e a música começou a estourar cada vez mais.”

SP Funk com RZO e Sabotage, “Enxame”
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O clipe desse som era presença constante no finado Yo! Raps MTV, um dos sucessos da madrugada. “Enxame” apresenta bem o grupo que foi apadrinhado por nada menos que Thaíde & DJ Hum já em seu primeiro álbum, “O lado B do Hip-Hop” (2001), que apareceu com rimas inusitadas e analogias complexas para a época. Por si só já é um som de peso, mas contando ainda com a participação de Sabotage, Helião e Sandrão, criou um clássico instantâneo.

“A amizade vai fortalecer, você vai ver/ Nem que eu tenha que exercer, meu proceder” (Sabotage em “Enxame”).

Marcelo D2, Aori e Marechal, “L.A.P.A.”
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L.A.P.A. foi lançada no CD “Meu Samba é Assim” (2006), que veio logo depois do grande sucesso de “A Procura da Batida Perfeita”. Os três MC’s que aparecem nessa rima são parceiros de longa data; Aori e Marechal se conheceram por meio de Black Alien há cerca de 10 anos, Marcelo D2 conheceu Aori por seu trabalho e o convidou para sua primeira turnê como artista solo.

Já Marechal trabalhou com D2 no acústico feito para a MTV. O trio chegou a fazer outros sons, juntos e separados, entre elas “Sábado Zoeira” (Marcelo D2 , Aori & Marechal), “Loadeando” (Marcelo D2 e Marechal) e “Voo dos Dragões” (Marechal e Aori).

Mano Brown e Dom Pixote (U-Time), “Mente do Vilão”
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A dupla foi apresentada em meados de 2005 juntamente com o Sabotage e o RZO, durante um dos ensaios da Escola de Samba Vai-Vai. Foi nesse dia que Brown falou para Pixote que o Rap estava precisando de gente como ele, que ele deveria voltar a rimar. Eis que o MC voltou! Vez ou outra chamado por Brown de Fiote, Dom Pixote aprendeu a ouvir Racionais com o irmão mais velho, já falecido.

Hoje os dois MC’s são amigos e parceiros de rima, acumulam produções juntos e atuam no Big Ben Bang Johnson. O som “Mente do Vilão” foi lançado em 2009 e deverá fazer parte do novo trabalho dos Racionais MC’s, que deverá sair ainda em 2010.

Emicida, Rashid, Projota e Fióti, “Ainda Ontem”
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Emicida é irmão de Fióti e os dois conheceram Rashid e Projota por volta de 2005 lá na Galeria Olido, no saudoso Microfone Aberto apresentado por Kamau. A música “Ainda Ontem” foi ideia inicial do Rashid, que chegou com o refrão, mostrou para seus amigos e parceiros que ficaram vidrados na hora. Começaram a escutar um disco do Dom Salvador para ter mais ideias e deixar o som com uma cara bem brasileira. A energia desse projeto foi tão boa que Rashid convidou Emicida e Projota para cada um escrever 8 linhas e criar a faixa juntos.

O Fióti entrou na história quando acompanhava a produção da música e involuntariamente começou a tocar no ritmo do beat com seu cavaco e impressionou quem ouvia, depois disso não teve como deixá-lo de fora. “Ainda Ontem” faz parte da mixtape “Pra quem já Mordeu um Cachorro por Comida, até que eu Cheguei Longe”, de 2009. A música traz os mais jovens dessa lista e representa o futuro promissor do rap.

Homenagem: Black Alien & Speed Freaks

Quem é que nunca ouviu um som da dupla de MC’s mais conhecida de Niterói (RJ)? Apesar de Black Alien não lançar nada novo faz um tempo, essa lembrança serve de homenagem a memória de Speed, assassinado no início de 2010. A dupla trabalhava junta desde 1993 e tem diversas músicas no currículo. Destacamos aqui uma delas, “Krishna Budahh”, em um dos raríssimos videos dos dois encontrados na web. Speed Freaks, Rest in Peace!

Menção honrosa: “Dominum” (Non Ducor Duco, 2008)  de Kamau e Parteum + Rick; “Zulu/Zumbi“(Velha Guarda 22, 2007) do Mamelo Sound System e Nação Zumbi (Jorge Du Peixe), “Destruir” (Ordem de Despejo, 2008) do Subsolo, “Um Cara de Sorte” (CD quase inteiro) do Enézimo, “Amigos”, Slim Rimografia.

Comente e nos ajude a lembrar de grandes parcerias entre amigos no Rap!


Coletivo Action apresenta o Boogie Funk

O pessoal do Coletivo Action volta a trazer uma pedrada informativa ao Per Raps, dessa vez contando um pouco sobre o Boogie Funk; estilo que é familiar, mas que teve seu brilho diminuído ao ser englobado na categoria “Funk”.

Agora, devidamente nomeado, vem encontrando espaço quase como a música dos anos 80, que virou febre em festas temáticas por essas bandas. Lembro aqui de uma frase que Herbert Viana (Paralamas do Sucesso)  sobre a tal “volta” da música dos anos 80 às pistas, era algo como ” na época tinha tanta produção, que muita coisa boa acabou não tendo a devida atenção”. Eis que agora temos a chance de apreciar o Boogie Funk.

Leia, ouça os sons, assista os videos e comente o texto do Coletivo Action.

Coletivo Action no Per Raps

“Searchin’ 4 Funk’s Future” – por coletivoAction

Quando falamos de música, a gente sempre cai em rótulos que na maioria das vezes ajudam mais a confundir do que esclarecer. o Boogie Funk é um caso especial. O nome é estranho, mas a sonoridade é bastante familiar aos nossos ouvidos. Aliás, o nome Boogie Funk é mistério até para os especialistas no gênero. Tanto que, nos anos 80, tudo isso era apenas conhecido como Funk. A única coisa que se tem certeza é que o surgimento da nomenclatura é recente, fato que ajudou DJs e aficionados por esta sonoridade.

No começo dos anos 80, a Disco Music já apresentava sinais de saturação e perdia espaço para outros gêneros. Produtores visionários, na tentativa de um “refresh musical”, buscaram influências no espacial P-Funk de George Clinton e livraram-se das amarras tradicionais de produção para criar uma nova sonoridade. Também substituíram o número de músicos de estúdio pelas tecnologias mais celebradas na época: sintetizadores e baterias eletrônicas. E as mudanças não paravam por aí. As letras ganhavam conteúdos mais explícitos e faziam contraponto a inocência e duplo sentido das décadas passadas. No entremeio do Rap e Electro, essa nova visão do funk não seria coadjuvante na efervescente década.

Com certeza você já se pegou ouvindo alguma track de Boogie Funk, curtiu, mas ficou com preguiça de correr atrás pelo emaranhado de produções daquela época. Caras como Carl Carlton com o clássico “She’s A bad mama jama”, Prince no começo de carreira e o saudoso Rick James foram grandes hitmakers do estilo e eram presença certa nas rádios da terrinha. Outros, não tão famosos como estes, mas com tracks inesquecíveis como Glenn Jones e a oitentíssima “I am Somebody”, fizeram várias pistas do mundo inteiro caírem na dança. Haviam também as bandas Aurra e o belo dueto em “Patience” e a avassaladora “Hold On” do grupo High Fashion, produzidos pela dupla italiana Malavasi-Petrus, uma espécie de Holland-Dozier-Holland da Disco Music.

O que mais atraia no som era a batida Disco mais lenta combinada com os sintetizadores, estes, substituindo os metais. Aliado a isso, o talento dos produtores era essencial, pois conseguiam deixar tudo isso com uma levada pop e acessível ao grande público. Tendo surgido na mesma época do Rap e do Electro, o Boogie Funk também influenciou e foi influenciado por estes gêneros. É só pegar “It’s Nasty” do Grandmaster Flash e ouvir uma certa influência de Boogie, só que com flow. Outro bom exemplo é a “House Party” do United Voice Players, cheia de malemolência. Eram, bizarramente, a trilha perfeita para se ouvir num motel com cama redonda e banheira dourada, a espera por momentos de intenso prazer com sua nêga. O que mais se podia pedir?

Além das rádios do Brasil, essa versão do Funk também fincou suas raízes nos bailes. As lendárias Soundsystems Chic Show de SP e Furacão 2000 do Rio tocavam diversos clássicos e chegaram até a lançar em coletâneas. Inclusive, no começo dos anos 90, não era difícil você encontrar discos da Furacão lotados de Boogie Funk em meio ao Miami Bass. O próprio Dj Marlboro possui uma respeitável coleção do estilo, tendo até trocado discos com o mito Afrika Bambaataa em sua primeira visita ao país. Uma pena que o DJ nunca tenha arriscado produzir alguma coisa nesta linha. Mesmo assim, para nosso deleite, temos verdadeiras gemas Boogie produzidas por aqui: “Dear Limmertz”, do grandissíssimo Azymuth e, pasmem, Serginho Mallandro – cantando sobre um travesti em “Mas que ideia” -, são dois bons exemplos. Coisas que só nosso país pode nos trazer. Sensacional.

Hoje em dia…

Atualmente, o maior destaque do gênero é Dam-Funk. De Los Angeles, ele é um dos principais nomes da label Stones Throw e baluarte do Boogie Funk. É só reparar nos sintetizadores e baterias antigos que usa e o resultado, batizado por ele de Modern Funk. Dam-Funk nos dá uma lição de como um gênero musical não pode ser deixado para trás por ser considerado antigo. Graças a ele, o ritmo vem ganhando destaque novamente entre o público. Dos mais velhos relembrando o passado aos mais novos descobrindo uma época em que a música negra inovou sem deixar de ser acessível a todo o público, como em sua raíz.

Pra fechar

O site L.A. Record tem podcast tão bom sobre o assunto que resolvemos disponibilizar pra você. São mais de 60 minutos de sons que vão te fazer entender o motivo do Boogie Funk merecer ser relembrado.

* ColetivoAction fala sobre música negra, artes e caranguejo, numa deliciosa caldeirada tipicamente caiçara.

Quer mais do coletivoAction?
Sample brasileiro pra rapper gringo rimar
Sample brasileiro pra rapper gringo rimar – Parte II


Obama aparece em video de rap

“Uh Tererê” – por Carol Patrocinio

Pra começar, quem disser que nunca dançou – ou pelo menos bateu o pé – ouvindo a música “Whoomp There It Is” (mais conhecida no Brasil como “Uh Tererê“), do Tag Team, está mentindo. Não tem como ignorar que essa música, feita num dos momentos do rap que eu, particularmente, mais acho divertido, tem algo que te obriga a se mexer. E pra que ninguém se sinta mal, sabe quem mais também dançou ao som desse som?

O-BA-MA. Oh yeah, Obaminha, presidente dos EUA e nosso querido representante negro no poder da maior potência econômica. Além de ser mega poderoso, o cara agora foi visto no clipe da música que balançou milhares de “big buts” ao redor do mundo. Tudo bem que nada foi confirmado, a assessoria de imprensa não disse se é realmente ele, mas… Olha essa foto!

Obama

Se não é Obama, é Will Smith disfarçado!

O mais bacana de tudo isso é ver que um cara que hoje tem o poder da nação mais poderosa do mundo também curte rap e qualquer dia pode colar no mesmo rolê que você. Ah, vai falar se você não dançava até o chão no melhor estilo anos 90, com calça larga e brilhante e tudo?!

 A gente queria colocar o vídeo do TViG, que foi nossa fonte, mas não rolou embedar…

Então, vamos lá, todo mundo, pela democracia: “Uh Tererê!”. “Yes, we can” é tão ‘last week’…

*Hora de relaxar, o blog anda tenso demais nas últimas semanas. Todo mundo respirando aí?


O som da Copa da África é o Rap!

Pela primeira vez desde que foi introduzido na Copa do Mundo de futebol em 1990, o hino do torneio em 2010 é cantado por um rapper. O autor da proeza é o MC somaliano naturalizado canadense K’naan, novidade para a maioria do público, mas velho conhecido da galera do Rap, com a música “Wavin’ Flag”.

Do mais recente disco de K’naan, Troubadour, “Wavin’ Flag” ganhou uma versão remixada e foi utilizada na campanha da Coca-Cola para o Mundial antes de ser anunciada, no final do ano passado, como o hino oficial do torneio da FIFA deste ano. Na nova versão a letra foi modificada para melhor se adaptar ao tema, mantendo apenas o refrão; ainda foram incorporados tambores e outros sons tribais, que remetem à sede da Copa do Mundo deste ano, a África (mais precisamente a África do Sul), além do já famoso grito “Ôoôoô”, que ficou marcado nas propagandas da Coca-Cola.

A música “Wavin’ Flag”, em que K’naan mostra mais suas habilidades vocais do que suas técnicas para rimar, será usada durante a competição em comerciais de TV, além de ser executada em todos os eventos da FIFA durante o mês da competição.

K’naan se junta à lista de artistas como Toni Braxton, Ricky Martin, Anastacia e Il Divo, que tiveram hinos em eventos anteriores. O músico nasceu na capital da Somália, Mogadíscio, em 1978, mas se mudou para Nova Iorque em 1991 fugindo da guerra civil que assolava o país. Posteriormente, conseguiu asilo político no Canadá e se instalou na cidade de Toronto.

Assista ao clipe oficial, que mostra jovens jogando futebol pelo mundo todo, além de intervenções no mínimo esquisitas do próprio K’naan e de Damian Marley (?) com a bola nos pés. Querer que eles joguem como cantam também seria pedir demais…

Mais
Assista ao video em que K’naan conhece MV Bill
Leia a resenha de Troubadour no blog Boombap-Rap


Estilo: Conheça os Dandies Africanos

dandie africano/reprodução

“Elegância não ter a ver com dindim” – por C. Machado*

Uma moda nasce da história na República do Congo e a gente nem sabe. Nego invocado? Passa longe disso. Quem vê os Dandies Africanos, cheios de estilo, esbanjando elegância e trejeitos únicos não imagina a história imensa que tem por trás desse, mais que hábito, estilo de vida.

dandie africano/reprodução

No início do século 20, quando os franceses foram chegando na República do Congo, eles levaram consigo sua cultura e seu lifestyle além mar, sem saber o que iriam encontrar. Deram de cara com uma comunidade chamada Bakongo, e neles inspiraram todo um futuro de uma geração. Eis que, a partir de então, toda a cultura, inclusive a de se vestir, havia sido disseminada, e agora, elegância era uma palavra que pertencia a todos os universos.

No ano de 1922, um cara chamado Grenard André Marsoua, político e militar, foi o primeiro a voltar de terras francesas totalmente adaptado ao estilo de vida europeu, e revolucionou o imaginário de seus parceiros locais – tamanha admiração lhe rendeu o título de “grand Sapeur”, e o respeito de toda a comunidade, ditando as maneiras locais de se comportar e de se vestir, e instigando os locais a transparecerem elegância igual.

dandie africano/reprodução

Desde que tudo isso começou, um tanto de tempo já passou, e o processo foi reconhecido publicamente como cultural local. Existe uma sociedade, a “Societé des Ambianceurs et Persons Élégants”, e todos os membros são considerados “Sapeurs”. Apesar da pouca, e às vezes nenhuma, grana para manter o estilo de vida, os Dandies são capazes de confeccionar as próprias roupas, e outros de deixar lhes faltar qualquer coisa pelo estilo. Compram, alugam e fazem rolos com as roupas, é um verdadeiro artifício, uma forma de sobrevivência de uma riquíssima cultura local.

dandie africano/reprodução

Mais que a futilidade de vestir-se bem, a intenção é a de mudar um país. Transformar em cores e formas de um lugar pobre de tudo [grana, educação, orgulho] em algo melhor, mais bonito e mais agradável de se ver e viver. Os trajes dos Dandies chegam a custar mil euros, quando o salário base da República fica em mais ou menos cem euros. É uma verdadeira discrepância, muitos diriam, mas não há nem o que julgar. Toda manifestação cultural é linda e válida, custe o que custar.

dandie africano/reprodução

Entre 1970 e 1990, em alguns lugares como no antigo Zaire, os trajes advindos do colonialismo foram totalmente proibidos, mas sem contar com isso, os Dandies continuaram sua persistência, e hoje podem, com muito orgulho, dizer que sobreviveram a três guerras civis, e com toda a elegância, força e estilo, inclusive dignos de inveja.

dandie africano/reprodução

Com certeza você já viu por aí alguém que se inspira nos Dandies pra de vestir ou pra viver, e se não viu, agora pode conferir, e já sabendo mais, admirar o seu estilo e entender suas regras; a quantidade de cores por look é limitada a três, as texturas como xadrez só podem ser usadas em uma peça, o último botão do terno não se abotoa e os sapatos precisam sempre estar impecavelmente limpos, engraxados e brilhando – não importa aonde vão andar. Charutos são totalmente necessários, e de preferência sempre acesos, mas com educação e charme.

E qual a ligação disso com o rap? Você não acha que Rincon Sapiência se inspira, consciente ou não, nos Dandies?

*Clarice Machado é fotógrafa e apaixonada por cultura de rua e moda. Conheça mais do trabalho dela no Flickr.


O outro lado de Mr. Bomba

Há cerca de um mês, me foi dada a chance de entrevistar um das figuras mais ativas da cena: Mr. Bomba. A ideia era que o post fosse para o blog da XXL, no entanto o Per Raps acabou ganhando esse “presente” dos parceiros. Foram trocados quase 10 emails para chegarmos a conclusão da matéria, por isso decidimos não desperdiçar o material e publicar a entrevista em duas partes. Na primeira delas, você conhecerá quem é Mr. Bomba, como ele produz, quais são suas influências, seus trabalhos anteriores e outros detalhes. Na segunda parte da entrevista, você terá acesso aos detalhes de seu novo trabalho, “De Ponta a Ponta”, que promete agitar o rap nacional. Entre outros papos, não poderíamos deixar de falar de seu grupo, o SP Funk. Curte ae!

Buemba! Buemba! Mr. Bomba – por E. Ribas

Dê o play em “Biriri”, de Mr. Bomba
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-03-30T11_36_20-07_00.mp3″

Marcelo Mendonça de Menezes ou Mr. Bomba é conhecido por muitos pelo seu trabalho no SP Funk, grupo que surgiu no final dos anos 90, e desde lá já mostrava junto de seus colegas que não fazia parte do rap apenas para mostrar sua marra. O lançamento do primeiro CD (2001) comprovou isso, trazendo Sabotage, Z’áfrica Brasil e RZO nas participações e rimas que abalaram as estruturas do rap na época. Bomba foi inclusive o responsável pela criação do SP Funk em 2005, junto de Primo Preto. Com a saída do parceiro para assumir o comando do YO! Raps, veio o convite para firmar parceria com Fresh, Maionezi e QAP para fechar a formação do grupo.

No entanto, nem todos sabem que Mr. Bomba era o responsável por grande parte dos beats dos dois CDs que o SP Funk lançou. É ai que seu pseudônimo no rap faz ainda mais sentido: suas produções soam como verdadeiras bombas. Trabalhou também com o rapper Cabal, produzindo o beat para “Mexe seu corpo”, do álbum “Prova Cabal” (2005). Já no ano seguinte, Bomba fez o beat para um som de Marcelo D2, o single: “Gueto”, que contava também com a participação de outro Mister, o Catra. Junto de Cabal e P. Rima criou o grupo Braza, que trazia MC’s de rap rimando em batidas do funk carioca. Misturavam também palavras do português e do inglês, buscando expandir as fronteiras do rap nacional.

Como MC, Bomba mostra que tem compromisso com o rap e tem registro de participações em grupos dos mais diferentes estilos, entre eles a Academia Brasileira de Rimas, o CD “Brooklyn Sul” do Sabotage e “Enemy of the Enemy”, dos ingleses do Asian Dub Foudation. Para conhecer mais sobre sua rotina, suas influências e novidades sobre o SP Funk, acompanhe a entrevista.

Per Raps: Como o rap passou a fazer parte da sua vida?
Mr. Bomba: Foi o meu irmão o Guilherme, que também é músico, trompetista e produtor da banda Guizado. A gente curtia mais rock, aí um dia ele apareceu com um disco do Run DMC, o “Raising Hell”, que foi o primeiro disco de rap que eu ouvi. Ai vieram Kool Moe Dee, Beastie Boys e o interesse foi aumentando. Começei a ouvir o programa da Zimbabwe, na Band, ouvi os primeiros nacionais dessa época com Thaíde, Pepeu, até que veio o Public Enemy, daí eu passei a escrever e tentar entender o inglês de verdade.

Fui bombardeado de rap pelo meu parceiro Dj Wagner, que na época comprava disco na galeria (antiga Guetto Records), alí pra mim foi uma descoberta de um mundo novo. Ele só comprava de 20 [discos] pra cima e deixava comigo, às vezes até antes de ele levar pra casa pra eu poder gravar em fita cassete, eu escrevia o nome de todas as músicas do disco com a letra bem pequena pra caber no papel da caixinha. Quase 20 anos depois, só tenho a agradecer a todos os responsáveis.

Per Raps: Qual a rotina de Mr. Bomba de segunda a domingo?
Mr. Bomba: Acordo 10, 11h e faço tudo que eu tiver pra fazer na rua até umas 3, 4h depois vo direto pra net e telefone, resolvendo tudo que tiver pra resolver vendendo meus shows, já que sou eu mesmo que faço isso, depois lá por 8h começo a trampar na música e daí o processo é bem confuso, de repente tô fazendo um trampo pra alguém, paro no meio, faço um beat do nada, volto pro trampo, sempre escrevendo algumas ideias. Ah, de vez em quando encaixa aquele skateboardizinho básico que ninguém é de ferro.

Per Raps: Quem são seus referênciais na produção?
Mr. Bomba: Timbaland, Bangladesh, Pollow Da Don, RedOne, Daft Punk, Dre, Kanye West, Disco D, Benny Blanco, G.Master Duda, Riztrocrat, Nave, Zegon, Cia, Ganjaman.

Per Raps: Que equipamentos prefere usar? Inclui samples ou só beats originais?
Mr. Bomba: MPC 2500, teclados Microkorg e Fantom, e ProTools. Gosto de samplear e criar melodia, é que às vezes sampler limita um pouco, só que depois de um certo tempo bate a a saudade, mas quase sempre faço um detalhe ou outro no teclado.

Per Raps: O que se ouve por ai é que você tem trabalhado numa linha mais dançante, acha que a ideia de under ou pop no rap influencia seu trabalho?
Mr. Bomba: Eu sempre gostei de som dançante, desde Bomb the Bass, New Order até Kraftwerk, Devo, e os funks do Rio, desde 1997 eu vou nos bailes no Rio com o Primo e o Mr.Catra, isso me fez abrir os olhos e a mente pra um som mais pista. Nos dois discos do SP Funk, sempre teve um som ou outro mais club, hoje o que a gente tá vendo é todos estilos de música querendo estar no baile, acho que o baile é o meio mais eficaz na música, mas o disco tem seus momentos reflexão também. Por enquanto ainda existe a divisão under e pop, mas a gente tá lutando pra que fique uma coisa só, sem barreiras, nosso estilo ja tem muita barreira fora, então se ficar unido fica mais forte.

Per Raps: No passado você trabalhou com o rapper Cabal, que está prestes a lançar um trabalho novo também. Esse poderá ser um dos nomes que participará de seu novo álbum?
Mr. Bomba: Eu gravei uma música “Traz de Volta” no trampo novo dele, e estamos conversando pra voltar o Braza também, que foi o trampo com o P. Rima e o produtor Disco D.

Per Raps: Falando no projeto “Braza”: a ideia do grupo era promover essa mistura de rap com funk e música eletrônica na gringa ou só se divertir?
Mr. Bomba: Sim, a ideia era e continua exatamente essa, eu acho que não pode ter preconceito porque funk também é Hip Hop, vem da mesma origem do Miami Bass, e que os MC de funk tão cantando? É rap! O que a gente quer é mostrar a cultura de rua do nosso país se eles não aceitam música em outras línguas, a gente rima em inglês, por que não? Fazer o que gosta, o que sabe, e se divertir, por que não? E entrar nos EUA, assim como meu mano Zegon tá fazendo, mostrando pra noiz que é possível pra um brasileiro entrar no mundo do rap lá de fora.

Per Raps: Agora, a pergunta que não quer calar: o SP Funk acabou ou só deu um tempo?
Mr. Bomba: Só fazendo uma média… Estamos fazendo cada um com seu projeto separados, mas sempre com a essência do SP em cada trampo, fazendo na bola de meia, mas tâmo fazendo músicas novas. Se preparem!

Per Raps: No segundo aniversário do Programa Freestyle rolou uma apresentação do SP Funk, vocês têm se apresentado ou foi apenas uma união para um momento especial?
Mr. Bomba: Não tanto quanto sozinho, mas estamos trabalhando pra ter material novo porque se não fica tipo banda velha tocando os mesmos sons por obrigação, tem que botar lenha na fogueira, se não apaga. Olha o Rolling Stones, Aerosmith, esses caras fazem música nova até hoje. A gente faz show e quando faz é loko, todos que tiveram oportunidade de assistir sabem que o barato é loko, quande a gente se junta a energia do público invade o palco, parece que vai acabar o mundo.

Per Raps: Adianta alguma novidade sobre o CD novo do SP Funk ou é tudo surpresa?
Mr. Bomba: A única coisa que eu posso dizer é que ano que vem nós vamos entrar em estúdio com uma ideia, do naipe de uma “Fúria de Titãs”: uma frase, uma imagem, que vai ser o tema pra fazer esse trabalho novo, sempre pensando no futuro.

Mais
Myspace

Na parte II, acompanhe a história do hit “Biriri” e saiba como anda a produção do álbum “De ponta a ponta”. Fique ligado!


Erykah Badu consegue sample via Twitter

O poder das redes sociais*

**Erykah Badu birthday mix (por Jay Eletronica)
http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-02-26T12_49_46-08_00.mp3″

Quem acompanha o que rola pela web já percebeu que praticamente tudo pode acontecer nesse lugar. Não foi diferente com a diva do soul, Erykah Babu. Trabalhando para finalizar seu próximo álbum, o New Amerykah Part Two: Return of the Ankh, previsto para 30 de março, ela vivenciou a força da internet.

A data de fechamento do álbum estava chegando, no entanto uma das faixas ainda possuía uma pendência: a autorização de um sample (aka trecho de música) de sir Paul McCartney. A tarefa parecia ser praticamente impossível de ser cumprida, já que o prazo de Erykah Badu era de apenas 24 horas. Eis que a cantora apelou para o microblog Twitter e requisitou ajuda. “Estou tentando ter a autorização de Paul McCartney para um sample e ouvi que Lenny Kravitz conhece a filha dele, Stella, e talvez eu consiga entrar em contato com ela”.

Em pouco tempo, a cantora conseguiu resposta de pessoas dispostas a ajudá-la, como  Zoe Kravitz, filha de Lenny Kravitz, e até Stella, a filha de Paul McCartney, entre outras pessoas, como o manager da Madonna. Ainda está duvidando da potência das redes sociais e que Erykah Badu tem a força? Ali pelas 10 da manhã (nos Estados Unidos) desta quinta-feira (25), veio a confirmação: “Paul McCartney aprovou o sample. Pronto!!!”.

Esse foi apenas um exemplo da força das redes sociais. Aqui no Brasil, o rapper Gog criou uma letra para o rap “Música e Liberdade” com a ajuda de seus “seguidores” do Twitter (Leia mais no Portal Rap Nacional). É dessa forma também que jornalistas conseguem fontes, pessoas se aproximam de outras com os mesmos interesses e por aí vai. Realmente, sabendo usar, as redes sociais acabam ajudando bastante.

Mais (Erykah Badu)

Myspace

*Com informações da Rap-Up.
**Baixe a mix no site da Vibe.