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Coletivo Action apresenta o Boogie Funk

O pessoal do Coletivo Action volta a trazer uma pedrada informativa ao Per Raps, dessa vez contando um pouco sobre o Boogie Funk; estilo que é familiar, mas que teve seu brilho diminuído ao ser englobado na categoria “Funk”.

Agora, devidamente nomeado, vem encontrando espaço quase como a música dos anos 80, que virou febre em festas temáticas por essas bandas. Lembro aqui de uma frase que Herbert Viana (Paralamas do Sucesso)  sobre a tal “volta” da música dos anos 80 às pistas, era algo como ” na época tinha tanta produção, que muita coisa boa acabou não tendo a devida atenção”. Eis que agora temos a chance de apreciar o Boogie Funk.

Leia, ouça os sons, assista os videos e comente o texto do Coletivo Action.

Coletivo Action no Per Raps

“Searchin’ 4 Funk’s Future” – por coletivoAction

Quando falamos de música, a gente sempre cai em rótulos que na maioria das vezes ajudam mais a confundir do que esclarecer. o Boogie Funk é um caso especial. O nome é estranho, mas a sonoridade é bastante familiar aos nossos ouvidos. Aliás, o nome Boogie Funk é mistério até para os especialistas no gênero. Tanto que, nos anos 80, tudo isso era apenas conhecido como Funk. A única coisa que se tem certeza é que o surgimento da nomenclatura é recente, fato que ajudou DJs e aficionados por esta sonoridade.

No começo dos anos 80, a Disco Music já apresentava sinais de saturação e perdia espaço para outros gêneros. Produtores visionários, na tentativa de um “refresh musical”, buscaram influências no espacial P-Funk de George Clinton e livraram-se das amarras tradicionais de produção para criar uma nova sonoridade. Também substituíram o número de músicos de estúdio pelas tecnologias mais celebradas na época: sintetizadores e baterias eletrônicas. E as mudanças não paravam por aí. As letras ganhavam conteúdos mais explícitos e faziam contraponto a inocência e duplo sentido das décadas passadas. No entremeio do Rap e Electro, essa nova visão do funk não seria coadjuvante na efervescente década.

Com certeza você já se pegou ouvindo alguma track de Boogie Funk, curtiu, mas ficou com preguiça de correr atrás pelo emaranhado de produções daquela época. Caras como Carl Carlton com o clássico “She’s A bad mama jama”, Prince no começo de carreira e o saudoso Rick James foram grandes hitmakers do estilo e eram presença certa nas rádios da terrinha. Outros, não tão famosos como estes, mas com tracks inesquecíveis como Glenn Jones e a oitentíssima “I am Somebody”, fizeram várias pistas do mundo inteiro caírem na dança. Haviam também as bandas Aurra e o belo dueto em “Patience” e a avassaladora “Hold On” do grupo High Fashion, produzidos pela dupla italiana Malavasi-Petrus, uma espécie de Holland-Dozier-Holland da Disco Music.

O que mais atraia no som era a batida Disco mais lenta combinada com os sintetizadores, estes, substituindo os metais. Aliado a isso, o talento dos produtores era essencial, pois conseguiam deixar tudo isso com uma levada pop e acessível ao grande público. Tendo surgido na mesma época do Rap e do Electro, o Boogie Funk também influenciou e foi influenciado por estes gêneros. É só pegar “It’s Nasty” do Grandmaster Flash e ouvir uma certa influência de Boogie, só que com flow. Outro bom exemplo é a “House Party” do United Voice Players, cheia de malemolência. Eram, bizarramente, a trilha perfeita para se ouvir num motel com cama redonda e banheira dourada, a espera por momentos de intenso prazer com sua nêga. O que mais se podia pedir?

Além das rádios do Brasil, essa versão do Funk também fincou suas raízes nos bailes. As lendárias Soundsystems Chic Show de SP e Furacão 2000 do Rio tocavam diversos clássicos e chegaram até a lançar em coletâneas. Inclusive, no começo dos anos 90, não era difícil você encontrar discos da Furacão lotados de Boogie Funk em meio ao Miami Bass. O próprio Dj Marlboro possui uma respeitável coleção do estilo, tendo até trocado discos com o mito Afrika Bambaataa em sua primeira visita ao país. Uma pena que o DJ nunca tenha arriscado produzir alguma coisa nesta linha. Mesmo assim, para nosso deleite, temos verdadeiras gemas Boogie produzidas por aqui: “Dear Limmertz”, do grandissíssimo Azymuth e, pasmem, Serginho Mallandro – cantando sobre um travesti em “Mas que ideia” -, são dois bons exemplos. Coisas que só nosso país pode nos trazer. Sensacional.

Hoje em dia…

Atualmente, o maior destaque do gênero é Dam-Funk. De Los Angeles, ele é um dos principais nomes da label Stones Throw e baluarte do Boogie Funk. É só reparar nos sintetizadores e baterias antigos que usa e o resultado, batizado por ele de Modern Funk. Dam-Funk nos dá uma lição de como um gênero musical não pode ser deixado para trás por ser considerado antigo. Graças a ele, o ritmo vem ganhando destaque novamente entre o público. Dos mais velhos relembrando o passado aos mais novos descobrindo uma época em que a música negra inovou sem deixar de ser acessível a todo o público, como em sua raíz.

Pra fechar

O site L.A. Record tem podcast tão bom sobre o assunto que resolvemos disponibilizar pra você. São mais de 60 minutos de sons que vão te fazer entender o motivo do Boogie Funk merecer ser relembrado.

* ColetivoAction fala sobre música negra, artes e caranguejo, numa deliciosa caldeirada tipicamente caiçara.

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4 Respostas

  1. Agradecemos ao Per Raps novamente pela oportunidade, sempre um prazer colaborar com vocês!

    Um lance que esquecemos, é a menção do amigo e Dj Benjamim Ferreira, um dos maiores especialistas do gênero. Seus sets são uma das melhores formas de entender a transição FUNK-DISCO-BOOGIE.

    Abraço!

    julho 1, 2010 às 15:43

  2. Undersom DJ

    Muito legal o post.
    Muito interessante.
    Conhecia o som, mas não sabia o nome.
    Legal saber que existe gente fazendo e se interessando sobre o estilo.
    Vocês estão de parabéns.
    Muito bom.

    julho 1, 2010 às 22:02

  3. thew

    foda os posts estão alto nivel ultimamente hein.. soul fanzaço desde antes essa é a parada , muscalidade pra pista com qualidade e alegria,ainda temos funkteller nos dias de hoje e bensson que bebe em algumas fontes dessa vertente deliciosa além do ambassador ali, mas igual aos das anta é dificil..vai q vai perraps valew pela materia que venha mais..

    julho 2, 2010 às 23:35

  4. Detalhes sobre o estilo muito até que confesso não sabia e descobri hoje aqui… mais um aprendizado para experiência música.. otmo post..

    julho 6, 2010 às 03:24

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