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Q-Unique lança Between Heaven & Hell

A “biosfera” de sites e blogs que divulgam o rap felizmente possui uma grande diversidade. Alguns são mais underground, outros visam mais o mainstream, mas a maioria costuma ter espaço para ambos.

Escolhas a parte, um blog que costumava apresentar sons que nem o digger mais profissa conseguiria encontrar e que os analizava com tamanha precisão e romantismo, que dava vontade de parar e ouvir o som, é o Boombap-Rap, escrito por Felipe Schmidt.

Infelizmente, o blog anda meio parado, e o Per Raps entende isso perfeitamente, já que não é fácil manter sites e blogs atualizados, sabendo que na vida temos também o trabalho que nos garante a renda mensal, além da namorada(o) e amigos, família e etc. Essa introdução toda serve para abrir o post da colaboradora Cissa Maia que nos traz, dessa vez, uma entrevista com o rapper e ex-integrante da lendária Rock Steady Crew, Q-Unique.

Seu trabalho é interessante e não é do tipo que se acha fácil por aí. Daí a lembrança e comparação com o conteúdo do site do parceiro Felipe. Conheça Q-Unique e seu último álbum, Between Heaven & Hell (2010), no melhor estilo Boombap-Rap. Curte ae!

Q-Unique: Da carnificina a flamejantes rimaspor Cissa Maia*

Se o inferno é na terra, o rapper e produtor Q-Unique já esteve “destinado a destruição”, fugindo de casa para morar nas ruas, ao longo de um ciclo de provocação aos demônios, o qual reforçou sua paixão pela vida. Muito embora Q. seja um tipo discreto, por outro lado é sinônimo de força e atitude na hora de rimar. Sendo assim, aclamado pelos críticos e fãs ao redor do mundo, provando que ser único no rap é para poucos.

Nascido no Brooklyn, nos anos 70, ainda jovem foi integrante de um dos grupos mais importantes da cultura de rua, o Rock Steady Crew. Para além da própria carnificina às ruas do Bronx, Q-Unique fez parte de momentos como WildStyle, StyleWars e BeatStreet. “É parte da minha história. Eu amo e respeito todos os elementos do hip hop, mas há muitas outras coisas na vida que adicionam as minhas influências”, diz com ar intrépido. Mas para quem já esteve à margem da escuridão, o icônico b-boy não sucumbiu ao desespero para desafiar as palavras em flamejantes rimas.

Com apetite voraz, foi no gueto de Bushwick, na primeira metade dos anos 90 – ao lado de D-Stroy, Freestyle, Sweel B e Jise One – que Q-Unique inflamou o rap com “The Arsonists”. “Foi um momento especial, quando não rolava muito isso de discos independentes por aí. Para nós, The Arsonists, nos tornamos uma máquina, quando não estávamos no processo de gravação, nós estávamos montando nosso show. E se não estávamos fazendo isto, nós íamos às ruas promover nosso grupo”, relata sobre a cena do rap independente na época. Já os álbuns “As the World Burns”(1999) e “Date of Birth”(2001) venderam milhares de cópias em todo o mundo, dando-lhes sucesso nacional e internacional, entre turnês mundiais, votados como melhor performance ao vivo pela Hip Hop Magazine e New York Times.

Mas o fim do grupo aconteceu no auge do sucesso, quando os integrantes começaram a traçar projetos paralelos, assim seguindo destinos diferentes. Porém Q-Unique não estava desamparado; a parceria com Ill Bill do Non Phixion e CEO do selo Uncle Howie Records fez com que o rapper retornasse ao laboratório. O álbum solo de estreia “Vegeance is Mine” (2004) impressionou pelas rimas agressivas e pungentes, que representam um mundo completo de dor, alegria, amor, ódio, veneno e luta. “Em cada momento que eu gravei o álbum fui sincero comigo mesmo, é isto que faz um bom álbum. Também dividir meus pensamentos mais profundos e experiências de vida, fazendo com que muitos refletissem é o que causou tanto impacto dessa vez. Em geral, eu levo muito a sério a questão de fazer música e com Ill Bill por perto exigindo o melhor, em relação as gravações anteriores, é o que vincula tudo isto.”

Q-Unique é veterano na indústria da música, embora longe dos holofotes da mídia, carrega em cada respiração a essência do genuíno rap. “Eu realmente não ligo para o que outros artistas fazem e no que eles acreditam ser música. Eles tem a vida deles e façam dela o que quiserem. Não estou aqui para ser juíz. Eu sou um artista envolvido em variados aspectos da música, que alcançam o que vem das ruas ao jazz e até mesmo o metal”. E não para por aí: “KRS, Rakim, Nas, Jay Z, Redman, Wutang, La Coka, Busta Rhymes, Ill Bill, Necro, Pharoahe, Lord Finesse, Big Pun, Big L, Joel Ortiz, André 3000, Ice Cube são alguns dos caras que fazem rap” acrescenta.

É em cada linha de tiro, o cérebro de alto calibre do rapper explode em um denso leque de emoções. Em 2009, o álbum “A Brand You Can Trust” do La Coka Nostra trouxe Q-Unique na faixa Nuclear Medicienemen. “Ser membro da Uncle Howie, Rock Steady Crew e La Coka Nostra é uma honra e privilégio. É mais um lance de família para mim”. Se o desejo é por mais batidas brutas e intensas, que estimam a originalidade das letras, o novo álbum “Between Heaven & Hell” está pronto e vai ser lançado no verão nova iorquino pela PLR Records. “E eu sempre tenho que agradecer aos meu fãs por apoiarem minha música” conclui.

*Cissa Maia é do Rio, grafita e colabora esporadicamente com o Per Raps.

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Uma resposta

  1. Caralho! Muito bom! Q é único mesmo! Gosto demais do som desse maluco!

    julho 12, 2010 às 22:24

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