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Cultura também é resistência

“Não há paz sem justiça” – por Carol Patrocinio

Police extermination policy por Carlos Latuff (latuff2.deviantart.com/)

Imagem de Carlos Latuff (latuff2.deviantart.com/)

O rap está dentro da cultura hip hop e essa cultura, nada mais é, do que uma forma de resistência, uma maneira de encarar o mundo diferentemente do que querem que ele seja encarado.

Fazer parte de uma cultura como essa é ir contra as desigualdades, contra o vigente, contra o comodismo. E o rap até pode ser feito por diversão apenas, mas como algo inserido no movimento hip hop, não pode ser totalmente descompromissado ou apenas ser música pela música.

E pensando na resistência, o que você tem feito para mudar o mundo? Como você tem se organizado para tornar diferente a realidade? Não é preciso grandes atos, momentos heroicos. Você recicla seu lixo? Prefere produtos que não agridam a natureza? Olha nos olhos das pessoas quando fala com ela? Baixa o vidro do carro quando um moleque chega perto com olhos baixos? Quanto você faz e quanto gostaria de fazer?

Resistência não é apenas entrar num movimento social e sair às ruas. Você pode fazer a sua parte na internet, sem sair de casa, seguro. Você pode fazer isso diariamente no seu trabalho, mudando pequenas ações. A sua parte precisa ser feita, independentemente da forma escolhida. E é disso que se trata o documentário “Cultures of Resistance”.

O filme vem sendo exibido em festivais pelo mundo e disponibiliza alguns materiais na internet. É impossível não pensar no que temos feito logo após assistir ao trailler – o que motivou este post. É normal pensar em conflito por causa de guerras, Irã, Iraque. Problemas raciais na África – pra onde todo mundo resolveu olhar por causa da Copa.

Só que muito se esquece que tudo aquilo que passa na TV sobre os problemas enfrentados nos ‘piores’ lugares do mundo também acontece aqui, pertinho, no dia-a-dia. O Brasil vive uma guerra não declarada diariamente, o que é muito pior, porque o país continua sendo visto como “tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”.

O documentário mostra também ações aqui no país. Gente que luta contra essa guerra silenciosa, que não esquece que o mundo está um caos apenas porque a seleção vai jogar. O que poderia ser feito com a grana que cada um dos jogadores vai ganhar quando voltar? O que poderia ser feito com o investimento no pão e circo se essa verba fosse levada para a educação, por exemplo?

Não é só o rap, mas principalmente ele tem voz para mostrar e mudar esse outro lado. A única coisa que é necessário é escolher qual a sua arma. Não se acomode, lembre que o mundo não para e a única maneira de tornar as coisas diferentes é começando.

Foto de André Cypriano (andrecypriano.com)

Foto de André Cypriano (andrecypriano.com)

Veja o vídeo com partes do documentário sobre o Brasil no Vímeo.

Cultures of Resistance
Caipirinha Productions – 2010
Direção: Iara Lee
Produção: George Gund
Edição: Jeff Marcello
Câmera: David Ross Smith
90 minutos

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6 Respostas

  1. Parabéns, ótima matéria!!!

    Boa gente, é isso aí…. Dedo na moleira!!!!

    Pensarmos em uma forma de contribuir para melhorar o que nos rodeia é imprescindivel!!!!

    Não obstante o investimento para revitalização do pão e do circo, estão por vir as construções de estádios de futebol e as restaurações de outros para copa de 2014!
    Vamos nos mexer hein….

    Um abraço pessoal!!!

    junho 15, 2010 às 11:24

  2. aline

    Bom texto, mas acho que falta um pouco de conteúdo para falar sobre a cultura resistência. Ficou no senso comum, no achismo, sendo que existem alguns milhares de autores que tratam do assunto com bastante propriedade. Algo bem jornalístico, sem real conteúdo, mas com a forma bem executada!

    junho 15, 2010 às 11:40

    • Olá, Aline!

      Manda os nomes dos autores que tratam do assunto ‘cultura e resistência’, assim vale como dica para quem ler esse post! Nada melhor do que usar os comentários para complementar o texto.

      Valeu pela dica.

      junho 16, 2010 às 13:15

  3. sikera

    Estava achando que só eu pensava nisso. O prostesto dentro do hip hop parou a faz tempo, hoje muitos grupos de rap só pensam e fazer o seu som, muitos deles rimam cada besteira que não suporto nem ouvir mais que um minuto suas músicas. Porque ficar criticando que os políticos estão roubando, cada vez mais eles roubam ,escondem dinheiro na cueca e ficam rico, enquanto os que fazem o seus sons tão lá ajudando a fortalecer o tráfico de drogas. Porque ficar debatendo enquanto o seu vizinho é espancando pelos skin heads? E por vai. Enquanto alguns brincam e fazem esse hip hop, os outros movimentos estão se organizando e ganhando força, muitos negam mais hoje em dia os white powers estão muito bem organizados, mais é mais fácil tapar o sol com a peneira e fazer o seu som que é mais vantajoso. Alguns se preocupam em aparecer na MTV em tentar concorrer nas premiações . Quem critica é o errado. Enquanto isso aqui jogadores de futebol ainda são chamados de macacos. Como não dá para salvar o mundo, vou fazendo minha parte me afastando do que eu considero errado. Admito que hoje estou um pouco afastado deste hip hop, pois como as coisas estão pegando caminhos diferentes eu vou seguindo o caminho que considero certo. Porque eu vou ficar tentando debater no que já vem errado. O mcs querem fazer o seu som, os dj tocar suas músicas, os dançarinos dançar e os escritores de grafitti fazer o seu graffiti. Não adianta, apareço em acontecimentos que tem importância sim. Somos poucos porém resistentes.
    Espero que algo mude daqui uns anos ,porque se continuar assim o capitalismo irá engolir o hip hop dentro do Brasil.
    Sikera
    Diretamente da Thailândia brasileira.

    junho 15, 2010 às 18:58

  4. Muito bacana o post, só achei que ficou um pouco ‘mais do mesmo’ por que muita gente ouve rap ‘por que tem umas letras daora, fala da favela e tal’, mas será que o rap só propaga a realidade?!? Como ele intervem nela!?!? a gente vê o Mv Bill em vários projetos e acho legal isso, é bom tambem tratar do assunto de forma ampla, não se restringir só as favelas, mas na situação dos sertões e etc – isso quando se tratar de resistencia numa forma global.
    E outra: há tempo eu não via uma foto tão impactante quanto essa do André Cypriano, foto linda mesmo!!

    junho 17, 2010 às 13:46

  5. priscila

    nao concordo com o seu texto voce exige uma responsabilidade no rap que ele nao tem obrigaçao, tenho 35 anos o primeiro rap que eu ouvi foi pepeu (nome de meninas) acredito que se o rap tivesse trilhado um caminho de musica companheira estaria melhor aqui no brasil e nao musica politica.o rap e atrasado somente aqui no brasil pelo fato das pessoas acharem que o rap é a grande musica social que vai salvar o mundo e nao é é musica comum politica é politica musica é musica obrigado pela oportunidade de expressao

    junho 18, 2010 às 00:43

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