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Estilo: Conheça os Dandies Africanos

dandie africano/reprodução

“Elegância não ter a ver com dindim” – por C. Machado*

Uma moda nasce da história na República do Congo e a gente nem sabe. Nego invocado? Passa longe disso. Quem vê os Dandies Africanos, cheios de estilo, esbanjando elegância e trejeitos únicos não imagina a história imensa que tem por trás desse, mais que hábito, estilo de vida.

dandie africano/reprodução

No início do século 20, quando os franceses foram chegando na República do Congo, eles levaram consigo sua cultura e seu lifestyle além mar, sem saber o que iriam encontrar. Deram de cara com uma comunidade chamada Bakongo, e neles inspiraram todo um futuro de uma geração. Eis que, a partir de então, toda a cultura, inclusive a de se vestir, havia sido disseminada, e agora, elegância era uma palavra que pertencia a todos os universos.

No ano de 1922, um cara chamado Grenard André Marsoua, político e militar, foi o primeiro a voltar de terras francesas totalmente adaptado ao estilo de vida europeu, e revolucionou o imaginário de seus parceiros locais – tamanha admiração lhe rendeu o título de “grand Sapeur”, e o respeito de toda a comunidade, ditando as maneiras locais de se comportar e de se vestir, e instigando os locais a transparecerem elegância igual.

dandie africano/reprodução

Desde que tudo isso começou, um tanto de tempo já passou, e o processo foi reconhecido publicamente como cultural local. Existe uma sociedade, a “Societé des Ambianceurs et Persons Élégants”, e todos os membros são considerados “Sapeurs”. Apesar da pouca, e às vezes nenhuma, grana para manter o estilo de vida, os Dandies são capazes de confeccionar as próprias roupas, e outros de deixar lhes faltar qualquer coisa pelo estilo. Compram, alugam e fazem rolos com as roupas, é um verdadeiro artifício, uma forma de sobrevivência de uma riquíssima cultura local.

dandie africano/reprodução

Mais que a futilidade de vestir-se bem, a intenção é a de mudar um país. Transformar em cores e formas de um lugar pobre de tudo [grana, educação, orgulho] em algo melhor, mais bonito e mais agradável de se ver e viver. Os trajes dos Dandies chegam a custar mil euros, quando o salário base da República fica em mais ou menos cem euros. É uma verdadeira discrepância, muitos diriam, mas não há nem o que julgar. Toda manifestação cultural é linda e válida, custe o que custar.

dandie africano/reprodução

Entre 1970 e 1990, em alguns lugares como no antigo Zaire, os trajes advindos do colonialismo foram totalmente proibidos, mas sem contar com isso, os Dandies continuaram sua persistência, e hoje podem, com muito orgulho, dizer que sobreviveram a três guerras civis, e com toda a elegância, força e estilo, inclusive dignos de inveja.

dandie africano/reprodução

Com certeza você já viu por aí alguém que se inspira nos Dandies pra de vestir ou pra viver, e se não viu, agora pode conferir, e já sabendo mais, admirar o seu estilo e entender suas regras; a quantidade de cores por look é limitada a três, as texturas como xadrez só podem ser usadas em uma peça, o último botão do terno não se abotoa e os sapatos precisam sempre estar impecavelmente limpos, engraxados e brilhando – não importa aonde vão andar. Charutos são totalmente necessários, e de preferência sempre acesos, mas com educação e charme.

E qual a ligação disso com o rap? Você não acha que Rincon Sapiência se inspira, consciente ou não, nos Dandies?

*Clarice Machado é fotógrafa e apaixonada por cultura de rua e moda. Conheça mais do trabalho dela no Flickr.

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17 Respostas

  1. demais as fotos, bela matéria. abraços.

    maio 26, 2010 às 13:42

  2. http://missmilissima.blogspot.com/2010/04/nossa-como-cai-bem-hein.html . . . Rincon Sapiência X Dandies . . . O post seria bem + interessante, se eu não tivesse mandado a mesma matéria 1 mês atrás pro site da quilombo hip hop!

    maio 26, 2010 às 17:59

    • Mila, sem querer ser chata, mas o post continua interessante, já que mostra dados diferentes daqueles que você usou para o seu texto. Falar do Rincon como um Dandie brazuca também não pode ser considerado novidade, afinal, qualquer um que conhece o MC e a cultura Dandie faria a comparação. As imagens que você e a nossa colunista, a Clarice Machado, usaram devem ter vindo da mesma fonte, afinal, é o livro de maior sucesso sobre o assunto – se não for o único.

      Se a gente for abrir mão de falar sobre assuntos só porque alguém já falou sobre eles, ficaríamos todos calados guardando opiniões e pensamentos que poderiam levar informação a um número maior de pessoas. A gente não está aqui pra ser o primeiro, mas pra passar as informações da forma que acreditamos que atinjam o maior número de pessoas possível.

      Se você se sentiu ofendida, mande um e-mail direto pra mim no perrapsblog@gmail.com e você pode bater um papo com a autora do texto, eu coloco vocês em contato. Nosso trabalho é sério e não queremos nenhum mal entendido atrapalhando isso.

      Além do seu texto e do nosso, tem um bem legal no Brands Club, no mês de março, e no Rraurl, em janeiro.

      Espero que não fique nenhum ruído na nossa comunicação, estamos sempre abertos a críticas e sugestões.

      Beijos,
      Carol Patrocinio

      maio 26, 2010 às 23:31

  3. Gigi

    Olá Per Raps e leitores
    Então, vocês podem acessar também o blog de Rincon Sapiência, lá ele já tinha falado de algumas coincidências e mero acaso entre a sua ideia de Elegância e dos Dandies do Congo.
    abraço

    http://www.manicongo.blogspot.com/

    maio 27, 2010 às 15:53

  4. Fayoula

    Bela desculpa para usar a mesma linha de pensamento entre um post e outro.. com tanto assunto por aí, um research em lugares tão próximos não faria mal a ngm… e evitaria essas comparações mal feitas com outros dois sites tão distintos como QUILOMBO HIP HOP e PER RAPS (os sobre hip hop e de SP).
    A justificativa sobre não ser novidade tb é um tanto hipócrita, ao ponto de que se a cultura Dandie fosse tão conhecida quanto é o Mc não teria a chamativa pra matéria. E todos sabemos que ela não é nenhum um pouco difundida aqui em SP. ou em qq outro lugar do Brasil.
    O pior mesmo é usar a mesma linguagem, exatamente a mesma, porque mesmo ele gravando matérias como na TV TRIP dizendo sobres suas vestes o enredo e o conteúso sim foi bem diferenciado, e se trata de outro segmento, outro público.

    Com Respeito aos dois sites, e aos demais que fazem o trabalho, tomar cuidado com o que é postado e como [é tb respeitar a inteligência de quem lê, acompanha e opina, e é totalmente válido no caso.

    Como dizem por aí…. AS RUAS ESTÃO OLHANDO!

    junho 1, 2010 às 21:24

    • Cada um tem uma opinião, não é, Fayoula?

      A gente acredita que faz o melhor trabalho possível, algumas pessoas não concordam, outras observam e muitas só criticam. A gente segue com o nosso e deixa a rua olhar, ela que escolha pra onde quer ir.

      junho 1, 2010 às 22:54

  5. Fayoula

    “Acrediar sempre é preciso!! e o que mantém os irmãos vivos!!… (edy rock)”

    INfelizmente vc vê isso como apenas como falta de cumplicidade ou apenas como critica ou falta de concordância… tinha que ver como algo positivo, de que se eu ou qq outra pessoa fala… é a RUA cobrando…
    mas acho q isso que é difcil pra vcs entenderem…

    “seguir com o de vcs.. tá tranquilo, mas soa contraditório com o release de vcs…. e GRAÇAS A DEUS…cada um tem seu caminho… sua didática, seu ideal, seu “conteúdo”… mas não precisa ficar brava não Carol.. vc mais que ngm, como responsável por me responder, deveria se ponderar mais no interpessoal.

    Siga nessa sua RUA!…. as outras continuaram olhando…

    junho 4, 2010 às 11:45

    • Só pra deixar claro, Fayoula, não é questão de ficar brava. É questão de que o Per Raps não deve nada às ruas. A gente escreve porque gosta, não pra ser reconhecido, agradar ou entrar em embates.

      junho 4, 2010 às 14:49

  6. firula

    Concordo com Fayuola e creio que as jornalistas deveriam ouvir o artista citado na matéria, isso que eu saiba é comum no jornalismo
    De qualquer forma parabenizo o Per Raps por dar espaço para discussões ouví-las e assimilá-las quando for coerente para o blog.

    junho 4, 2010 às 16:40

  7. Fayoula

    Ahh entendi!! O release de vocês q me disse o contrário… desculpa..

    “Se uns fazem pela renda, nós fazemos pelo rap”…
    Que para nós não resulta em apenas uma união entre Dj e MC, e sim a voz de toda uma cultura. E não “renda por cabeça” e sim “informação e conteúdo por indivíduo”. Indivíduo que por meio do hip hop passa a ser um coletivo.”

    Esse coletivo é restrito… As ruas.. É uma metáfora muito utilizada, como eu disse antes, talvez você não a entenda bem… ainda mais no sentido da frase “as ruas estão olhando”… e dever, realmente ngm deve. mas é responsável pelo q escreve certo? ainda mais quando é algo que não é e nem foi inventando ou é ditado por vc ou por este blog… é só respeito mesmo. (mas como dizia Sabotagem “RESPEITO É PRA QUEM TEM”

    Mas parei.. o “blog” é de vcs.. vc viajam ou voam naquilo que pode ou querem certo? só achei que o vcs escrevem perdem o sentido… porque perde o sentido…. não a reply que justifique um relase que não se cumpre na prática.

    Paz!!O meu respeito qualquer ser humano tem.

    junho 5, 2010 às 20:55

  8. “Chegou no Per Raps para mostrar um outro lado do mundo, que talvez esteja longe do hip hop apenas porque ninguém os apresentou.” . ? . Sei lá, só acho que 1 google nas tags ‘ Rincon Sapiência + moda + rap ‘ resolveria . . . mas cada 1 sabe como faz o seu! Fico por aqui, pois como dizem ‘o rap junta e não desune os chegados’, e eu ainda tento acreditar nisso. Paz e Google à todos*

    junho 5, 2010 às 21:05

    • Mila,

      Creio que se você teve a chance de ler mais de um post nesse blog, percebeu que nossa premissa não é a cópia, o “control C + control V” ou qualquer outra técnica que vise a produção de conteúdo plagiado. Afinal, qual o sentido de se propor a fazer um trabalho sem originalidade? Desde os primórdios da cultura hip-hop, que possuimos enorme respeito, isso é rechaçado.

      Sobre o post dos dandies, confesso não ter entendido o motivo da sua chateação. A respeito do post da Quilombo Hip-Hop, site parceiro do Per Raps (Salve, Guilherme!), tirando a temática e a associação dos dandies ao Rincón Sapiência, nada mais se assemelha. Assim como dito em outro comentário, não é preciso muita sagacidade para associar a imagem dos dandies com a de Rincón, uma vez que se conhece a história do primeiro e do segundo. Se as pessoas ficassem chateadas pelos pontos em comum que existem entre a cobertura ou ponto de vista de um veículo e outro sobre cada assunto, a comunicação viveria em pé de guerra!

      Não sei se você acompanha, mas caso visite regularmente os sites Central Hip-Hop, Rapevolusom, Radar Urbano, Programa Freestyle, Nóiz, Rap Nacional, 457 FM, Track Cheio (apenas citando os exemplos que vieram à mente) e tantos outros que trabalham com Hip-Hop, encontrará vez ou outra assuntos e argumentações semelhantes. Imagine se a cada post novo houvesse uma troca de emails ou comentários ríspidos e rancorosos porque fulano fez uma associação do som tal com não sei quem, que a pessoa já tinha comparado há meses atrás? Não ia dar jogo.

      O que não acho legal é encontrar um texto ou um post exatamente igual ao que você publicou no site ou blog de outra pessoa. Cito um exemplo: há muito tempo vi na internet um post parecidíssimo com um encontrado em seu blog, o “missmilissima.blogspost”, intitulado “Playmobil Niggas”. O dono desse post lá da gringa deveria ficar chateado contigo porque o post é extremamente parecido? Aliás, esse post foi tão genial, que circulou o mundo em diversos blogs e sites. Aja google para encontrar todos os haters e clamar reconhecimento!

      Achei legal da sua parte ter mostrado pra gente que já escreveu sobre o assunto, te parabenizo por isso inclusive. Agora não sei qual a sua pretensão com esse seu comentário, se deseja desculpas ou algo do tipo, temo que ficarei devendo por todos esses argumentos acima. Sobre sua frase final, gostei tanto que levarei pra vida, mas caso a use algum dia, citarei a fonte.

      “Paz e google à todos!” (Mila Félix)

      junho 5, 2010 às 22:04

  9. Intelectual Maloqueiro

    OU SEJA…

    Pessoas, que vivem em lugares geralmente tropicais, que se vestem como os colonizadores europeus? Perdão, entendi isso mesmo?

    Se diferenciação for isso, jogarei meu HAT new era NEW YORK (ainda com os adesivos), (fabricado na china) no lixo.

    Eu acho que a juventudo fica muito apegada a certas coisas e qdo ve está fazendo o famoso “MONKEY SEE, MONKEY DO”

    Ao invés de ficarem ai chorando por migalhas, sobre quem publicou esse texto (e não recebeu nada em troca de ninguem) deveriam estar preocupados com as verdadeiras nuances que permeiam o comportamento humano.

    O que vi nessa reportagem foram pessoas FUTEIS, que deveriam lustrar mais o seu intelecto para mudar o pano de fudo das fotos com roupas bonitas.

    junho 9, 2010 às 00:29

  10. DJ ELEGANTE

    ACOMPANHOO PERRAPS DESDE O COMEÇO, CONHEÇO A GALERA QUE ESCREVE AQUI GOSTO DO CONTEUDO E TAL. VI ESSE ASSUNTO PRIMEIRO AQUI ACHEI MASSA AI DEPOIS VI LÁ NO QUILOMBO. PENSEI QUE ERA VACILO DELES ATÉ ZUEI O SITE OS CARAS. MAS AI DEI OLHADA NOS COMENTÁRIOS E VI QUE O VACILO FOI DE VCS. MINHA ADMIRAÇAO PELO BLOG NÃO MUDA, MAS ADMITE QUE FOI VACILO, NÃO MUDA O FOCO DA PARADA, LIGA? FICA MAIS ELEGANTE. SE POE NO LUGAR DOS CARAS, COMO DISSE A MINA AI EM CIMA, SÓ 1 OLHADA NO GOOGLE RESOLVIA. RESPEITO PELO PERRAPS E TODOS OS SITES QUE LEVAM NOSSO HIP HOPPRO MUNDO.

    junho 14, 2010 às 17:52

  11. sikera

    Não tem como negar que a matéria ficou igual a outra da Mila, porém o que me deixa mais feliz é que agora nesta postagem ganhei mais dois site para navegar.
    As ruas podem estar olhando, mais garanto que muitos não sabem distinguir o certo do errado.
    O Per raps errou como qualquer outro veículo de comunicação erra. Eles ainda possuem créditos. Só acho que poderiam ter pego mais leves sobre as críticas. Mais valeu por aparecerem aqui agora acompanho também o trabalho de vocês
    Sikera
    Thailândia brasileira.

    junho 15, 2010 às 19:09

  12. Pingback: Per Raps » Blog Archive » Resenha: Meu Sotaque, Meu Flow

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