Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

Sample brasileiro pra rapper gringo rimar – Parte II


Se você acompanha o Per Raps, deve estar esperando por essa continuação do post de estreia do coletivoACTION; se não acompanha, dá uma olhadinha na Parte I da coluna “O copy and paste da música brasileira” e depois veja esse novo post.

Nessa segunda parte você vai poder conhecer mais gente que misturou música brasileira com rap. Beats, batidas, misturas e todo o swing brazuca que é usado ao redor do mundo para dar mais ginga ao rap. Repetindo: a ideia do post é ouvir todos os sons pra notar a diferença, o trabalho do rapper gringo, o jeito brasileiro de fazer música e como você pode usar uma base pra deixar o som com a sua cara, por mais que isso pareça difícil. Se liga na continuação!

O copy and paste da música brasileira (Parte II) – por coletivoACTION

[Dr.Who Dat?] – Braziliant Thought

Para alguns gringos, Arthur Verocai é uma espécie de Quincy Jones branco. A comparação é estranha, principalmente se formos pegar as principais influências do brasileiro: Milton Nascimento e soul. Um pouco diferente do producer americano. Verocai foi responsável por um dos discos mais lendários da música brasileira. Lançado em 1972, foi redescoberto décadas depois por vários rappers e se destaca pela mistura de música brasileira com soul e funk. Tudo de uma forma única, jamais vista em outros discos do gênero.
A original

O brazilian soul agradou também Jneiro Jarel aka [Dr.Who Dat?] e nessa lindíssima track instrumental, o cara brinca com trechos de “Pelas Sombras“, uma das faixas cantadas por Carlos Dafé no disco de Verocai. A criatividade é tão grande que o rapper usou até pequenos trechos dos vocais de Dafé como elementos na construção rítmica. Difícil até explicar, é maravilhoso.

Black Eyed Peas – Like That

Tudo bem: o estilo de samplear do Black Eyes Peas não é o que podemos dizer, discreto. Com o passar do tempo, do aumento da fama e consequentemente, do poder monetário, tivemos de aguentar reutilizações sofríveis e previsíveis de músicas como “Pipeline”, ou, permanecendo em território nacional, uma reciclagem repleta de plumas e paetês de Sergio Mendes, na centésima releitura de “Mas Que Nada“, em 2006 – a primeira vez que esta canção de Jorge Ben atingiu êxito comercial mundo afora foi em 1963, sob o comando do mesmo Mendes.
A original

Mas é ao menos precipitado dizer que o gosto musical do grupo pelo Brasil seja tão oportuno quanto pareça: um ano antes, no disco Monkey Business, o Black Eyed Peas utilizou uma singela canção de Astrud Gilberto chamada “Who Can I Turn To (When Nobody Needs Me)” como pano de fundo para as batidas old school secas e diretas de “Like That”, que ainda trazia participação de Q-Tip e Cee-Lo. O grupo reprocessou como um forte som de ataque a orquestração quase que em ritmo de valsa da original, que em 1965 fez grande sucesso nos discos lançados pela Verve nos Estados Unidos. Entre Mendes e Astrud, o ciclo sessentista de sucesso da música brasileira na América se cria.

Nomak – Blessing Of Music

Outro japonês nesta lista. A gente tinha que retribuir de alguma forma a idolatria dos nipônicos com a música brasileira. Talvez sejam os maiores consumidores da nossa música, tendo, inclusive, lançamentos e relançamentos especialmente dedicados ao público de lá. Produzida por Nomak, a track instrumental sampleia o samba-jazz “Nebulosa“, do saudoso Tenório Jr – pianista brasileiro torturado e morto pela ditadura argentina nos anos 70.
A original

Seus discos até hoje são um dos favoritos entre os japoneses, e em “Blessing of music”, Nomak consegue fazer um jazz rap a partir de um pequeno fragmento do piano de Tenório. O resultado é classudo ao extremo e dá vida nova a canção produzida nos anos 60.

Angie Stone – I Wanna Thank Ya

Em 2006, após 30 anos de hiato, a legendária Stax Records reativou suas atividades. O prata da casa Isaac Hayes e Angie Stone foram as duas primeiras contratações para o novo cast da gravadora, e a julgar pelo seu disco Stone Love, de 2004, Angie teve todos os argumentos para essa honraria: desse mesmo disco, Stone surgiu com um perfeito exemplo de bom gosto trazendo a faixa “Skatin’“, de Eumir Deodato, para os dias de hoje – através da música “I Wanna Thank Ya”.
A original

Um dos músicos brasileiros mais aclamados pelo público de fora, Deodato é um dos mais bem resolvidos arranjadores a se aprofundar nas sonoridades oriundas da música negra. Em 1980 lança Night Cruiser, com seis faixas intocáveis no que se fiz respeito ao funk, e “Skatin'”, faixa sampleada e vinda desse disco, parece ter nascido para ser atemporal. Fosse em 1980 ou em 2004, “I Wanna Thank Ya” preserva décadas de bom som resultando em música perfeita.

Mos Def – Casa Bey

Pra finalizar, um dos melhores da atualidade e favorito de muitos, não tinha como deixar o Mos Def de fora. A história do sample de “Casa Bey” é curiosa. Nas suas vindas ao Brasil, Def conheceu MV Bill e o entrosamento de ambos foi tão grande que o americano foi presentado com uma beat tape que continha “Casa Forte“, da Banda Black Rio. Mos Def curtiu e sampleou a track, que ganhou um single e depois apareceu no elogiado “The Ecstatic”, lançado no ano passado.
A original

O melhor ainda estava por vir: os sortudos que compareceram ao último Indie Hip Hop, tiveram a oportunidade de ver ao vivo o rapper e a nova formação da Black Rio mandando ver em “Casa Bey”. Sensacional. Aliás, a Banda Black Rio, uma espécie de dreamband do movimento black, foi responsável por fazer uma mistura finíssima de funk, soul, boogie e até música nordestina em suas composições. Lançou apenas três discos, mas o impacto foi tão grande que até hoje a banda é idolatrada por gente daqui e da gringa.

Anúncios

2 Respostas

  1. Eu só uso musica brasileira pra samplear,tem muita coisa boa no Brasil,não precisamos samplear os gringos!

    abril 15, 2010 às 00:22

  2. thew

    po da hora vcs citarem o Jarel geralmente o pessoal faz vista grossa no som dele( papo de fã haha) dois que acho muito especiais e muita gente ja ouviu e nem se ligou sao samples da maria bethania na rhinestone cowboy e o terço em supervillain(se nao me engano) no já classico madvillain fora o deodato no tambem classico disco do lord finesse the awakening que me arrisco em dizer que foi o primeiro produtor a usar sample brasileiro em batidas de rap isso em 94/95(ano de produção e lançamento d disco) valew pela material abç ao perraps

    abril 15, 2010 às 19:16

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s