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Mês da mulher: O saldo

Especial mulher por Oga

O mês de março no Per Raps foi delas. De Anita Tijoux a Lurdez da Luz. De Dina Di a Flora Matos. De Nathy MC ao Rap de Saia. De Stefanie ao black style. Mulher, de uma ponta a outra, completa, incompreendida. Será que você perdeu alguma parte na correria?

Que nenhuma mulher tenha de perder o coração para ganhar o espaço*

Aprendendo a falar mais baixo para ser ouvida – por Carol Patrocinio

Foi embora o mês da mulher e com ele, Dina Di. Nenhum de nós esperava se deparar com uma perda dessa magnitude para o rap brasileiro: uma pioneira. O hip hop ficou mais pobre, mas com mais força para viver e seguir em frente, lembrando da mensagem deixada não só por Dina, mas por diversas mulheres que se foram, mas deixaram marcas na arte.

Num balanço do mês que propomos dedicar as mulheres, assumimos que precisaríamos de muito mais tempo para fazer jus ao nosso plano. São muitas mulheres, muitas meninas, muitos talentos, sonhos e objetivos para serem comentados, tratados e discutidos.

O começo, o editorial, já foi difícil. Como dizer tudo o que está guardado dentro de milhares de mulheres sem perder a delicadeza e a ternura? Como ser forte sem se tornar masculina? Como ser ouvida sem deixar a voz afinar e parecer que se está gritando? E aí, tentando responder a todas essas dúvidas, como fazem mulheres todos os dias, ele nasceu. Veio ao mundo e foi bastante elogiado, ele traduziu o que muitas de nós gostaríamos de dizer, mas não sabemos como porque faltam palavras.

O editorial “Quem foi que disse que mulher é especial?” é uma junção de forças de todas as mulheres que já se foram, que ainda estão, que lutam, que têm medo, que encaram ou fogem. Mulheres que têm coragem de ser o que realmente são – boas e más -, cada uma na sua realidade. Ser forte não é apenas seguir o que a sociedade pede, é ser você mesma e arcar com as consequências.

Em “Quatro histórias e um caminho” demos de cara com Flora Matos, Lurdez da Luz, Nathy MC e Stefanie. Sons diferentes, vidas diferentes e caminhos que se cruzam entre eles e com os nossos. Meninas de fibra que estão mostrando a competência da mulher num mundo de homens e machismo.

Aproveitamos o mês para saber “Quem tem medo do ‘rap de saia’?” e reapresentamos um documentário feito por mulheres, sobre mulheres e que fica muito longe de ser filme de mulherzinha. Lembramos da importância da moda na formação da sociedade que conhecemos hoje e o que ela representa com o primeiro post da colaboradora Clarice Machado – “Os pioneiros do black style”.

Nosso velho colaborador e palpiteiro, Oga Mendonça, o Macário do Projeto Manada, ofereceu um post cheio de história sobre o trabalho da MC Anita Tijoux, uma referência do rap no Chile. E fechamos o mês com um entrevista com Lurdez da Luz – “Da Urbália para o mundo”, que tem mostrado a cara em todos os veículos de comunicação e valorizado a figura da mulher no rap, além de mostrar que não é preciso ter rimas duras esquecendo da brasilidade para fazer sucesso.

Fora do especial, tivemos a participação da incentivadora de longa data Débora Costa e Silva entrevistando o recluso rapper Parteum – “Rap terá nova chance na Trama“. E a triste perda do rapper Speed Freaks, de quem ainda não tínhamos falado aqui, mas não deixávamos de ficar de olho no trabalho.

Março foi um bom mês. Recebemos elogios, puxões de orelha, sugestões e vimos que cada vez é mais importante abrir espaço para que o leitor diga o que está faltando, o que tem demais, o que poderia rolar. Assim como pedimos respeito para as mulheres, pedimos respeito, acima de tudo, ao rap, que é o objeto central do nosso trabalho e só pode crescer com a força de cada um de nós, abelhas operárias. Então, se você acha que pode melhorar o hip hop com uma ideia, não guarde só pra você, divida com o mundo ou, pelo menos, com a gente – é só mandar um e-mail pra perrapsblog@gmail.com. A gente pode demorar, mas responde!

Coração de mãe que o Per Raps é, o mês de março acabou mas a gente ainda vai te dar um último presente no mês dedicado a figuras tão complicadas, complexas e paradoxais que são as mulheres. Ainda entra no ar uma entrevista com a MC gringa Amanda Diva, fechando em grande estilo nossa comemoração ao mundo feminino.

* Imagem de Tara McPherson.

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2 Respostas

  1. Entevistar a Amanda Diva? Caramba, finalmente alguém do Brasil se interessando de fato pela menina. Tô no aguardo….

    abril 9, 2010 às 11:07

  2. Muito orgulho de vcs viu!

    abril 12, 2010 às 09:28

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