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Lurdez da Luz fala de seu novo trabalho

Especial mulher por Oga

Da Urbália para o mundo – por E. Ribas

Conhecida primeiramente por seu trabalho no Mamelo Sound System, Luana Dias aka Lurdez da Luz lançou em 2010 seu aguardado trabalho solo. Apesar do pouco tempo na praça, o álbum já vem rendendo frutos à MC: procura pela mídia, que quer conhecê-la e apresentá-la ao grande público, além de produtores de festas, que garantem uma agenda razoavelmente cheia, se compararmos com a média no rap nacional. Trazendo músicas que passeiam por rimas cruas, o spoken word e o canto, Lurdez caminha com estilo pelas produções de primeira linha, contando com participações de peso de parceiros mais recentes e também de outros tempos.

O processo todo, da ideia inicial até o lançamento do CD, durou dois anos e envolveu pessoas a quem ela fazia o convite ou que se convidavam para participar. “Eu tinha certeza que uma hora ia sair”. Para celebrar o lançamento do disco, trazemos a resenha publicada na edição 43 da revista Rolling Stone. Leia o texto e acompanhe a pequena conversa que tivemos com Lurdez da Luz. Enjoy!

Dê o play em “Meu mundo numa quadra” [Lurdez da Luz]

http://raps.podomatic.com/enclosure/2010-03-26T07_30_55-07_00.mp3″

“A brasilidade do rap iluminado de Lurdez da Luz”

O talento de Lurdez ganha a luz dos holofotes com o seu aguardado primeiro trabalho solo, que leva seu nome de batismo no rap: “Lurdez da Luz”. A MC e cantora, cujo nome real é Luana, apresenta sua evolução na música, após ter desenvolvido o talento no grupo Mamelo Sound System e na participação no projeto “3 na Massa”. O resultado disso chega com batidas dançantes e cheias de brasilidade: percussão marcante e swing envolvente. Lurdez escolheu falar do amor, mostrado de forma mais particular e íntima, mas também com espaço para uma visão universal do tema.

Além do canto falado no melhor estilo Gil Scott-Heron que Lurdez apresenta em faixas como a criativa “Ah Uh (Onomatopéias)”, sua voz hipnotiza na parceria com Jorge du Peixe (Nação Zumbi) em “Corrente de Água Doce” e a rima impressiona junto da MC do ABC paulista, Stefanie, em “Andei”, além do duo com seu parceiro de grupo, Rodrigo Brandão, em “Ziriguidum”, que ainda traz o beat mais jazzy do álbum, com trompete de Rob Mazurek, produzido por nada menos que Mike Ladd. Reforçando o time de primeira, ainda aparecem o jovem beatmaker Tiago Rump, Maurício Takara (Hurtmold) e Scott Hardy, que também produziu o Nação Zumbi.”

Per Raps: O que você acha que ainda não foi dito ou perguntado para você sobre o álbum até este momento?
Lurdez da Luz: Não se falou muito dos produtores. O Daniel Bozzio e o Marcelo Cabral deram unidade ao disco e “editaram” os beats, deixando tudo com uma cara mais orgânica. O Daniel eu já conhecia de mais nova, quando ele tocava com o Mamelo. Nós temos uma formação musical muito parecida e a experiência dele ia somar muito. Ele também tem um estúdio na casa dele e achei que ia rolar legal de gravar o disco inteiro lá. Já com o Marcelo Cabral, o Daniel [Bozzio] nos apresentou e começamos a pirar que tínhamos que colocar mais um timbau aqui, mais um xequerê ali e fomos viajando. Ele também é skatista e curte um rap mais old school e hoje toca com Romulo Fróes e Rodrigo Campos [destaques musicais de 2009].

Per Raps: Como foi o processo de escolha de quem participaria do disco?
Lurdez da Luz: Foi bem por admiração. Já tinha ido escutar algumas coisas no [DJ] PG e no [DJ] Makoto, tudo isso quando eu fui montar um show pra um campeonato de skate feminino. Não sabia que ia gravar um disco, mas já tinha umas letras pra encaixar em beats. O Zeca [MCA, da Rádio Boomshot] que veio com uma ideia de fazer um vinil, mas desencanamos pelo alto custo. O Maurício Takara eu achava que tinha que ter alguma coisa dele, já que ele é um produtor de música eletrônica, mas está sempre envolvido com o rap. O Mike Ladd veio tocar no [Projeto] Colaboratório e trouxe um monte de coisa, daí encaixei a letra em um beat dele pra um show e ele me ofereceu a batida. Daí casou. O difícil foi encaixar o estilo de produção dos caras de fora com os caras daqui, mas como eu gosto dos dois estilos, tentei colocar tudo dentro um contexto.

Per Raps: Existia um projeto para o CD ou você simplesmente foi escrevendo?
Lurdez da Luz: Eu já tinha uma ideia de fazer um compacto que chamasse “amor aos pedaços”, que seriam raps-canção que só teria ideias sobre amor. A “Ziriguidum” eu já tinha o refrão e resolvi desenvolver isso. Eu comecei a fazer rap numa época que tava rolando uns discos meio conceituais, como o do Del e Kid Koala, Mike Ladd, que também tinha esse lance do spoken word falando da teoria dele de pós-futuro. Ao mesmo tempo que é menos complexo e mais feminino, minha ideia era desenvolver um tema só em um trabalho só. Eu gosto disso.

Per Raps: Os discos da época tropicalista da música brasileira parecem ter grande influência no seu background musical.
Lurdez da Luz: Os discos daquela época de 70 eram mais conceituais e de uma forma indireta também me influenciaram. Foi uma música muito importante que ficou muito tempo escondida. “Andei” é da Flora Purim com o Airto Moreira e eu não tenho esse disco. Mesmo assim fui lá e fiz. Me interessa muito essa música lado “B” do Brasil.

Per Raps: Fale mais do som “Andei”. Você já falou em uma entrevista do lance da Stefanie também ser de Santo André, o que trazia um tipo de identificação pra você. Foi apenas por isso?
Lurdez da Luz: Eu queria muito uma MC mulher no disco, tinha visto ela [Stefanie] no Simples e achei que ia se encaixar muito bem. Ela tem muita verdade na rima dela. Na época que fui morar em Santo André com a minha mãe uma pessoa da prefeitura me colocou em contato com o Nato [PK] pra fazer um show no Parque da Juventude. Daí ele me apresentou pra ela. Sobre a música, apesar do refrão cantado, é o som mais rap do CD.

Per Raps: Você já tem um esquema de como serão ou shows ou ainda está trabalhando na melhor forma?
Lurdez da Luz: Ainda estou defininindo como fica a apresentação (risos)! Mas show ao vivo sou eu, DJ Mako e Rodrigo [Brandão]. Vou começar a ensaiar também com banda, que eu vou estrear numa continuação do projeto “Presença Feminina”. Vai ter baixo [Marcelo Cabral], bateria/percussão [Richard Ribeiro/Projeto Porto] e DJ Mako no dia 10 de abril, no Centro Cultural São Paulo.

Per Raps: Fale um pouco sobre a concepção da capa do disco.
Lurdez da Luz: O Ricardo Fernandes fez a capa do CD. Achei que a fonte [estilo de letra] ajudou e por isso achei que não precisava nem de um nome para o CD. A ideia em si eu achei legal. O fundo preto com a luz ficou um lance luz e trevas, sabe? Fizemos um ensaio fotográfico, mas não me senti muito bem com o resultado. Mas não precisei usar as fotos posadas.

Per Raps: E sobre a presença do spoken word no CD. Calhou do trabalho ter saído “colado” com o lançamento do segundo trabalho de Gil-Scott Heron, de quem você se mostrou fã.
Lurdez da Luz: Pois é! Eu lembro de ter pego o “Revolution Will be not televised” como influência. Eu acho mais difícil cantar do que rimar, mas muita cantora vem perguntar como eu consigo fazer isso, mas eu é que não entendo como elas fazem aquelas coisas com a voz. Estava ouvindo um disco da Wanda Robinson [poetisa e integrante do Black Panthers] e captei algumas coisas de palavras e saiu o “Ah Uh [Onomatopéias]”. Na última faixa, pedi pro [Tiago] Rump samplear a Gal Costa e a gente brincou com esse negócio do nome no rap, que muita gente de fora acha que é uma egotrip. E no disco da Gal, ela fala “meu nome é Gal” e daí comecei a falar o nome de um monte de mulher que eu admiro.

*Fotos por Luciana Faria.

Agenda
Lurdez da Luz @ Estação Urb
Data: 27 de março a partir das 21h
Endereço: Dissenso
Rua dos Pinheiros, 747 – São Paulo / SP
Contato: 11.2364-7774
Preço: R$20 na porta, $15 na lista (lista@urbanaque.com.br)

Lurdez da Luz @ CCSP
Data: 10 de abril 2010 às 19h
CCSP – Rua Vergueiro 1000, Paraíso, São Paulo, São Paulo
Preço: R$ 5 (inteira) | R$2,50 (meia)

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5 Respostas

  1. sandra

    voceis so fazem materias com as rimadoras brancas plaboys de classe media com exeçao da dina é claro vamo si toca ai vamos nas favelas pegra a mina pretas pra entrevista pessoal

    março 29, 2010 às 22:20

  2. Sikrera

    Boa a matéria, e claro não defendendo pessoal, mas uma hora vai aparecer aki uma matéria de uma mina preta da favela, que manda um som excelente.
    Parabéns Per Raps e divulgar mais a mulherada dentro do hip hop. Porque qualidade elas tem, falta apenas mais divulgação do som delas.

    março 30, 2010 às 17:44

  3. ligia lima

    muita boa a entrevista, per rappers.

    o serviço do evento tá com um probleminha no horário, o show é às 19h, não às 20h, e lá eles são bem pontuais…

    Lurdez da Luz @ CCSP
    Data: 10 de abril 2010 às 19h
    CCSP – Rua Vergueiro 1000, Paraíso, São Paulo, São Paulo
    Preço: R$ 5 (inteira) | R$2,50 (meia)

    se der pra arrumar, agradeço muitão!

    beijo

    abril 6, 2010 às 12:11

  4. Pingback: Entrevista: Lurdez da Luz, Pathy Dejesus e Lívia Cruz « .per raps.

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