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Dica Musical: Conheça Anita Tijoux

Especial mulher por Oga

Na ideia de trazer diferentes trabalhos de mulheres nesse mês especial, convidamos um dos caras que mais dá dicas boas de som por ai: Oga Mendonça, o Macário do Projeto Manada.

Ele nos apresenta o trabalho da MC Anita Tijoux, que vem cheia de referências e sons para que você possa conhecê-la bem. Aproveite a dica do Macário e depois nos conte o que achou!

Rimas precisas e graciosas – por Oga Mendonça aka Macário da Manada

Certamente você já ouviu falar do Funk Como Le Gusta, certo? Aquele grupo paulistano que, desde os final dos 90, faz um a mistura de swing, jazz, rap e… Qualquer outro tipo de ritmo que tenha levada groove. Mas, agora, quero falar justamente de uma das participações especiais do primeiro disco dessa banda, mais precisamente na faixa Funk hum. Nela podemos ouvir Anita Tijoux colocando suas rimas precisas e graciosas. Na época, ela ainda assinava como Anita Makiza.

Se você não conhece o grupo Makiza, fica a sugestão de ler este texto e baixar todos os discos, pois são verdadeiras aulas de rap. Desde muito cedo, os garotos chilenos desse projeto mostraram muita maturidade nos beats e nas rimas (estou falando de 97!). Eles conseguiram, como ninguém, captar toda a “good vibration” da “golden era” norte americana, e misturar com a nossa latinidade, sem parecer forçado ou estereotipado. Muitas vezes o sujeito pega um sampler de jazz, um “boom bap” qualquer e mete umas maracas para ficar com uma cara latina, uma levada de “salsa”. Bem, asseguro que no trabalho deles isso não aconteceu.

Anita Tijoux ficou um tempo no Makiza como MC. Ela participou do álbum independente Vida selvagem (1998) e, já na “major” Sony, engatou no lançamento do segundo trabalho do grupo, o Aerolíneas Makiza (1999). No entanto, em 2001, ela desencanou da música e rumou para a França – praticamente um retorno às origens, já que ela nasceu lá. A viagem durou quatro anos, tempo que a cantora de estilo despropositado se afastou da indústria fonográfica. Em 2004, ela voltou pro Chile e também para a música. Começou a cantar no grupo Aluzinati, algo bem parecido com o Funk Como Le Gusta – diga-se de passagem. De leva, ela se reuniu novamente com os MCs do Makiza e elevou a produção de um ótimo disco chamado Casino Royale. Mas, o que a projetou numa esfera mainstream foi um dueto com a cantora pop mexicana Julieta Venegas para o filme Subterra.

Em 2007, ela grava o seu primeiro solo, chamado Kaos, um trabalho meio irregular, no qual ela mostra todas as suas múltiplas habilidades, como cantora e MC. O disco tem desde refrões cantados melancólicos a hits radiofônicos feitos para embalar as pistas, como Despabilate. Numa outra faceta nos deparamos com faixas que lembram o estilo que ela cunhou no Makiza, a exemplo de A veces que conta com a participação do MC Hordatoj. Nesta época, ela emplacou mais um hit com Julieta Venegas, o Eres para Mí, que também bombou muito no mercado latino.

Mas o trabalho dela que mais me surpreendeu foi o último disco “1977”. Disco impecável que tem como carro chefe o poderoso single que leva o mesmo nome do álbum. Neste trabalho, ela volta as suas origens, abre mão dos “modernismos” e “flows” ousados do disco anterior e mantém o foco nas excelentes rimas. Para todos os saudosos do rap mais puro, este disco tem verdadeiras pérolas, como o refrão de Crisis de un mc, no qual ela rima:

Crises de homens, crises de mcs, crises de seres que queriam ser feliz
Crises de humanos com cicatrizes…que rimando descobriram suas diretrizes”

Já na faixa Mar adentro, ela fala sobre a perda de alguém que já partiu desse plano. Destaco o beat perfeito e as boas participações do Panty & Decel. Também não posso deixar de destacar a participação da super MC Invencible, na música Sube.

Não se preocupe se você não está habituado a ouvir rap em casteliano, pois é muito fácil de entender. Na segunda vez que você escuta, já parece que ela está falando nossa língua. Bem, vou parar por aqui, pois poderia resenhar o disco inteiro, mas prefiro que vocês tenham suas próprias impressões. Depois de ouvir, fala pra gente o que vocês acharam! Enquanto isso, eu vou voltar ao disco mais uma vez do início.

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6 Respostas

  1. Muito da hora essa mina, eu não conhecia valew per raps!!!!

    março 25, 2010 às 09:25

  2. Diego

    Bacana

    março 25, 2010 às 21:11

  3. Realmente a música dessa mina é zica!
    Conheci os sons dela no ano passado, baixando os sons do Adikta Sinfonia (Rap chileno tbm), tinha um release do último álbun dela e o resto…você já sabe…fone de ouvido… e já era.
    Dahora saber que não é só eu que curto, né não Macário A.K.A. “Pé frio do Verdão”..HAHHuahahA..

    março 26, 2010 às 09:26

  4. Sikrera

    Esta mina é a história do rap no Chile.
    Makiza foi um grupo com grande história e importância para a culturua hip hop do Chile.
    O último albúm de Anita é muito foda, vale a pena conferir.

    março 30, 2010 às 13:40

  5. Pé frio do Verdão foi foda, vamos marcar outro jogo pra tirar esta zica! E depois encher a cara de limonada! Rs.

    março 31, 2010 às 16:52

  6. Pingback: Per Raps » Blog Archive » Mês da mulher: O saldo

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