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Conheça a história do Black Style


Os pioneiros do black stylepor C. Machado*

No final de fevereiro, um site gringo divulgou uma lista dos 20 caras que influenciaram o estilo Black ao longo dos anos. Na lista, estão inclusos grandes nomes da música jazz e blues, artistas plásticos, atores e fotógrafos; vários figuras que transitavam pelo mundo da arte há algum tempo atrás. Eis os mais ilustres, e os quais realmente vale a pena ressaltar para esse post.

A lista parece justa, e prestadas as homenagens não fica difícil percorrer os anos até hoje e pensar que, mais que influência, eles ditaram mesmo grandes referências usadas até hoje no mundo da moda Black. É claro que nos dias de hoje é tudo bem diferente. A moda Black é aberta as mais diversas influências, e já, quase e praticamente, deixou de ser moda Black e combina estilos advindos de outros diferentes ares, que não só os citados na lista dos 20 negros mais estilosos.

O que é possível ver, são que diversas atmosferas criadas ao redor de os estilos antigos citados como referência perduram até os dias de hoje, como o primeiro negro a receber um Oscar (1963), Sidney Poitier ou o conceituado artista plástico nova-iorquino Jean-Michel Basquiat (citado em rima por Parteum). Além deles, o sinistro Johny Hodges, saxofonista, com seu chapeuzinho e suspensório super elegantes, ou o quase reggae-style do Marvin Gaye, bem rústico e simples.

Existe, para mim, uma diferença muito grande entre a moda Black apresentada em seus primórdios, ou pelos seus mestres, e a moda Black ativa e existente nos dias de hoje. Acredito que isso se deva, principalmente, pela explosão de cores dos anos 80 e 90. Tudo mudou nestas da décadas. São muitas cores, muitos novos tecidos e muito mais interferência do que só das artes e música, como antigamente. O diálogo entre o próprio povo negro de diferentes lugares do mundo propiciou o espalhar de suas referências e o misturar com as demais culturas exteriores.

A moda que não é mais preta, virou de todas as cores e para todos os públicos. Não há, em definitivo, nada que ligue a cor a roupa, e o estilo hoje, consolidado universalmente, faz parte do quotidiano dos mais diferentes tipos de pessoas; rappers, grafiteiros, minas, djs, artistas, fotógrafos, produtores, atores e aposto que um monte de gente anónima por aí. Basta gostar da rua, de street styles ou estar circundado por esse universo que, mesmo sem saber, você deve ter no guarda-roupa alguma peça que veio, originalmente, da moda Black antiga.

Não citei nem metade dos tipos de gente que o estilo Black pode estar influenciando hoje. A amplitude da moda é enorme, e principalmente por ter sido um movimento de minoria grande parte do tempo – e talvez até hoje, a solidez e força que possui é demonstrado pelo atravessar dos anos, e são muitos para provar. Ainda nos dias de hoje, grandes marcas gringas e nacionais que dedicam suas criações aos estilos da rua tomam o Black style antigo como referência para suas criações.

O presente nada mais é que uma grande mistura de tudo o que se vê. A moda de rua está como nunca em alta, as marcas de tênis, mochilas e roupas se voltam cada vez mais para o cotidiano e para a vida real das ruas. Os jovens consomem cada vez mais a moda e ela se torna cada vez mais acessível. Tudo isso, acredito eu, conspira cada vez mais para que o estilo Black – ou qualquer coisa próxima disso, já que não se pode mais definir nada nos dias de hoje – seja difundido, interpretado, compreendido e passado adiante.

Não era difícil de imaginar, que tantos anos atrás, figurões como aqueles iriam criar um estilo que daria nisso que vemos nos dias de hoje. Do mesmo modo, não é difícil imaginar que sim, é claro que vamos passar adiante. O estilo Black não há mais de morrer.

*Clarice Machado é fotógrafa e apaixonada por cultura de rua e moda. Conheça mais do trabalho dela no Flickr.

Acompanhe a matéria sobre os pioneiros do Black Style na Revista GQ aqui.

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4 Respostas

  1. Pena que a materia na revista GQ seja apenas do estilo Black masculino, todo bem que para os primórdios da coisa as mulheres não tinham vez mesmo nessa questão de defender um estilo de vestir como uma identidade, mas mesmo assim existiam características que só eram usadas por mulheres afro q mereciam ser relatadas, como alguns tipos de cabelos e seus turbantes, as cores bem africanasnas roupas….Mas entendi o post e achei super legal, é isso que vemos hoje em dia uma moda universal, não podemos mais dizer que tal peça retrata apenas um estilo de ser, hoje em dia tá tudo misturado e isso torna mais legal e mais único o estilo de cada dia de cada pessoa.

    março 17, 2010 às 13:57

    • Concordo que é uma pena que o foco seja o estilo Black masculino. Aliás, senti a falta de referências femininas quando o li pela primeira vez. Mas assim como você disse, o post tinha uma razão e eu também a entendi.

      Mas isso não nos impede de pedirmos para a Clarice falar das referências vindas das mulheres, certo? Eis ai uma nova pauta.

      março 17, 2010 às 15:00

  2. Incrível como o ‘street’ difundiu a cultura de rua no mundo inteiro e assim se fez como “lifestyle” tanto para adeptos quanto para qualquer simpatizante no assunto. Essa mistura de estilos das ruas que evoluem se unindo e se recriando aos poucos, revelando novas linguagens, novos comportamentos. A moda nada mais é que a reflexão de seu povo, sua expressão em sua época. E enquanto ela se moldar à novos valores, é sinal que ainda há evolução.

    Parabéns pela postagem! ;)

    março 17, 2010 às 14:04

  3. Realmente cada dia mais a moda black está mais difundida no meio estreet, parabéns pela matéria ficou ótima…

    março 18, 2010 às 11:10

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