Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

Os 12 trabalhos de Parteum


Rap terá nova chance na Trama – por Débora Costa e Silva*

Uma mistura de sonho e decatlo: é assim que Fabio Luiz, o rapper Parteum, define a rotina de seu trabalho na Trama. De manhã, no escritório, à tarde no estúdio. Entre idas e vindas, há cerca de 10 anos ele está na gravadora gerenciando as ações da empresa na internet e em redes sociais, divulgando artistas, estudando e produzindo rimas e sonoridades.

Poucos conhecem de perto esse lado da moeda Parteum, mas ela caminha junto com o lado artista. Ele despontou no trio Mzuri Sana, ao lado de Secreto e DJ Suissac. Em 2005, lançou seu primeiro álbum solo, o “Raciocínio Quebrado”. Entre alguns de seus trabalhos, estão a coletânea “Direto do Laboratório” e a trilha sonora do filme “Antônia”.

A Trama tem em seu catálogo 74 artistas nacionais, mas são os quase 70 mil cadastrados na Trama Virtual que ajudam a trazer novos ares à música brasileira. O sistema é gerenciado pelos próprios artistas: eles que cadastram suas músicas, fotos, letras e informações na internet – a Trama é só o suporte. Daí que vem a grande novidade: uma empresa encabeçando e apoiando um movimento típico underground, no melhor estilo “do it yourself”.

“A Trama nunca foi tradicional, sempre pensou nas possibilidades, não deixou o ‘business’ preso a uma única mídia, a um único modelo de negócio”, diz Parteum. Ele afirma que não sabe se teria outra empresa de entretenimento que daria a ele a chance de ser dono de seus masters ou daria suporte para licenciar suas obras. “Quando o João [Marcelo Bôscoli] e o André [Szajman] (donos da Trama) me disseram que tratava-se de um movimento de música, entendi o conceito, a visão e o trabalho”, lembra.

Entre os cadastrados na Trama Virtual, 3.400 escolhem a categoria Rap/Hip Hop para definir seu estilo musical no site. Na opinião de Parteum, os destaques são Contra Fluxo, Firma Brasileira, Slim, Gurila Mangani, Cabes, Savave, Projeto Manada e DJ Nato PK.

O Per Raps entrevistou o Parteum para entender um pouco de seu trabalho, saber o que pensa do atual momento da música brasileira e do hip hop e descobrir os projetos que a Trama tem na agenda de 2010.

O que ele já adiantou é que está finalizando seu segundo disco solo e paralelamente trabalha no novo álbum de seu irmão, o rapper Rappin’ Hood, na trilha sonora de um documentário e no “novo Trama Virtual”. É porque este ano a empresa vai lançar e renovar seus sites, entre eles a TV Trama (transmite ensaios, gravações e entrevistas), o Álbum Virtual (que será abastecido com novos discos graças à parcerias com outros selos) e a Trama Virtual.

Entre os lançamentos musicais, a gravadora tem dez álbuns no forno, sendo dois deles de rap. Mais de 400 álbuns virtuais (disponibilizados gratuitamente, com encarte para download e tudo) também estão no cronograma, entre eles o do Ed Motta, Guizado e Rappin’ Hood. Ainda tem muita novidade que carece de detalhes, mas que já causam furor, entre elas um festival. “Num ano atípico como 2010, com Copa do Mundo e Eleições, temos muito trabalho pela frente”, garante Parteum. Só nos resta conferir.

Per Raps: Existem profissionais focados na observação do que está despontando no cenário (e dentro do Trama Virtual) e tentar trazer para a gravadora Trama? Ou é mais comum acontecer o contrário: o artista que busca vocês?

Parteum: Um pouco dos dois, mas o que mais importa é o senso de parceria e empreendimento dos artistas. Móveis Coloniais de Acaju é um bom exemplo, agem como uma cooperativa, investem, arregaçam as mangas e trabalham. A arte sempre vai bem, não importa o gênero, mas transformar o ato de fazer música em negócio só funciona para gente muito esforçada. Já disse isso antes, se o próprio artista não cria um negócio ao redor de suas criações, o mercado se encarrega de colocá-lo contra a parede. Sempre foi assim. Não devemos nos enganar achando que as negociações (com gravadoras ou centralizadoras de mídia) estão melhores no clima atual.

Per Raps: A Trama desde o início incentivou muito o hip hop e a gente queria saber se neste ano o “gênero” vai ganhar ainda mais espaço, algum investimento especial ou se terão projetos específicos na programação da Trama para este segmento.

Parteum: Sim, mas por termos um grande número de usuários em nosso site de “auto-publicação” (Trama Virtual), observaremos o que acontece por lá, e planejaremos ações e lançamentos a partir dos indicadores da comunidade.

Per Raps: Você acha que existe espaço hoje para fazer um volume 2 do “Direto do Laboratório”, de 2003? Você, que foi o produtor, acha que a cena atual do rap tem representantes expressivos para integrar um projeto desses?

Parteum: Sim, claro. No momento, me preocuparia bem mais com a estratégia de lançamento virtual, CDs, distribuição e assessoria de imprensa de um projeto desses. Fiz o primeiro “Direto Do Laboratório” com parte do orçamento do primeiro EP do Mzuri, era um exercício de possibilidade. Não vendeu muito, mas ajudou a cena, creio eu. Nunca considerei a arte feita aqui, entre os Hip-Hoppers brasileiros, um problema. Acho que a grande missão é criar público, não o contrário.

Per Raps: Como você tem visto a situação do rap brasileiro em relação às mudanças na indústria fonográfica e nos meios de comunicação, em tempos em que os próprios artistas se reinventam, onde todos procuram alternativas e caminhos novos para divulgação (no caso dos artistas) e lucro (no caso das gravadoras)? Acha que o rap pode ser economicamente viável? Se não, o que poderia ser feito de diferente para que seja?

Parteum: Como artista posso dizer que, hoje em dia, dependo bem mais da Apple e de uma boa conexão Wi-Fi do que qualquer selo/gravadora para fazer minha música, divulgá-la e distribuí-la. A música está mais livre do que nunca, o número de artistas é imensamente superior ao período pré-internet, ou ao menos essa é a impressão que eu tenho. É plausível aplicar a visão ‘Long Tail’ à essa realidade, é necessário enxergar o sucesso além dos números individuais de venda e alcance de cada estilo. O Rap será economicamente viável para alguns, não muito para outros, mas a música sempre vence no final.

*Débora Costa e Silva é jornalista e escreve para o UOL Viagem, além de ser uma das grandes incentivadoras do blog Per Raps.

Mais:
Twitter
TramaVirtual
Mzuri Sana

Anúncios

6 Respostas

  1. Pergunta

    Eu acho esse cara talentoso e metido no mesmo grau. Deve ser o único cara que realmente sabe o que diz no REP Nacional, mas não é muito humilde.

    março 15, 2010 às 17:34

  2. Sr. Anônimo,

    O que você esta procurando? Musica ou relacionamento social? O fato de um artista se reservar ou não, é problema dele, isso não tem nada a ver com musica.
    O Fábio da o trampo dele e ponto final.E que venha os novos projetos dele e de muitos outros que estão somando por todo os cantos do planeta.

    “Internet é massa” (Profeta Mongol).

    março 16, 2010 às 12:27

  3. Zuzu

    É mesmo que tá ligando se o Fabio é humilde ou arrogante….o que importa é a música não é mesmo? A personalidade do artista não influi na sua música

    março 16, 2010 às 17:02

  4. aliny

    gsto do som dele nao conheço a pessoa dele mas se a pessoa acha isso vai fazer o que/? só viver elogiando ou só esperar isso ai ja é militarismo! q venham mais sons!

    março 16, 2010 às 18:26

  5. Venho por meio desse comentário informar que o Fabio Parteum é sem dúvidas um dos unicos, se não o único, artista de rap que está a frente do seu tempo, notem que em epocas de cds, eles já fazia mixtapes, agora em mixtapes ele projeta um cyber álbum, não me espantaria ouvir que o Mzuri vai ter o primeiro Blu-Ray de rap nacional, afinal junto com o Suissac e o Secreto temos um genio imensurável do poder de síntese e um estrategista perfeito que não se deixa levar pela moda, ou melhor, pela febre de quem começou a ouvir rap ontem e se autodenomina de #rua… mas que já deixa bem claro que …
    “A corrida está rolando, mas eu não vou entrar nessa competição, pois tenho uma missão maior. Eu espero que você escute”. PARTEUM POSTEROUS

    Então companheiros, aguardem porque fruto dessa mente criativa, é ouro na mão de quem compreende e SENTE!

    março 16, 2010 às 18:32

  6. Consul

    Parteum entende de rap. Ele sabe como a industria funciona. Talvez o unico artista do rap que realmente é completo no sentido de fazer musica, escrever as rimas, designer, videos, fotos e o que mais tiver que fazer pra divulgar seu trabalho. É o “faça vc msmo” em pessoa. Parteum é genio e os genios geralmente sao dificeis de ser compreendidos. Pra mim é o cara!

    março 30, 2010 às 01:30

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s