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Editorial: Dia Internacional da Mulher

Especial mulher por Oga

Quem foi que disse que mulher é especial? – por Carol Patrocinio

Dia Internacional da Mulher… Que piada! Quem disse que a gente faz alguma coisa demais? Somos apenas seres humanos que usamos nosso corpo da maneira que deveríamos. Somos mães porque temos útero. Corremos contra o tempo e a balança porque nos foi dado pernas. Pensamos mais nos outros do que em nós mesmas porque temos cérebro. Não somos diferentes dos homens.

Um dia só pra gente? Mas e aí, o que acontece? Podemos largar tudo o que fazemos normalmente – a luta por um emprego melhor, por um salário decente, a busca por um cara que nos respeite – e ficar apenas colhendo os louros de fazer parte de uma ala tão importante e celebrada da sociedade?

Ou nesse dia temos que esquecer quantas de nós já passaram por humilhações, dificuldades, medos e apuros por apenas ser mulher? Quantas de nós não conseguem decidir ser coração ou razão para não ser taxada de mole ou “mal comida”, como dizem por aí? Quantas de nós receberam olhares maldosos por causa de uma roupa ou forma de falar?

Ser mulher é ser minoria mesmo existindo em número maior. Ser mulher é não poder ser feminina demais, masculina demais, competente demais, tranquila demais. Ser mulher é precisar pensar mil vezes no visual, na forma de falar, na maneira de se impor. E aí, no Dia Internacional da Mulher, as pessoas dizem que somos especiais.

Não queremos ser especiais, queremos ser iguais. Queremos poder ir e vir, escolher a forma que queremos falar, vestir, se portar. Não somos iguais fisicamente, o que é óbvio, mas queremos – e podemos – ser iguais em relação a inteligência, capacidade, oportunidades (que não nos são dadas). Não queremos ter que ouvir a famosa máxima “Quer ser igual? Carrega suas sacolas, abre a porta do carro sozinha” e desistir de explicar que não é questão de querer ou conseguir fazer, mas questão de gostar de mimos.

Chega desse papo de ser especial, apenas usamos o que nos foi dado da melhor forma possível. Que tal, ao invés de elogiar uma vez por ano, dar a chance a uma mulher de mostrar sua capacidade e potencial sem pensar que ela pode não conseguir por ser mulher?

Mas o Per Raps, o que tem a ver com tudo isso? Ele vai ser um dos veículos que dão parabéns às mulheres e no resto do ano coloca fotos que denigrem sua imagem? Ele vai se tornar um blog feminista e organizar uma fogueira de sutiãs com direto a empurrar alguns exemplares masculinos nela? Nada disso.

O Per Raps decidiu que esse mês não vai falar muito de mulher. Quem vai falar são as mulheres! São essas representantes de uma minoria que luta contra as maneiras vigentes de dominação que vão mostrar o que é viver nesse mundo sendo mulher, ouvindo rap, fazendo rap, sendo “fêmea”. Esse mês vai ter brasileira, gringa, vai ter música, texto, indicação de som, de influência…

Nesse mês, o Per Raps não fica mais cor de rosa, porque mulher não precisa disso pra ser feminina. Em março o Per Raps mostra que a mulher não é diferente do homem, ela é competente, inteligente e luta por um lugar ao sol. E não é isso que todo mundo faz?

Bem-vindo a um mundo um pouco diferente do que você está acostumado. E que comece um mês de março que reverbere por todos os meses que o seguem.

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9 Respostas

  1. Carol, EU TE AMO.
    Tá aí escrito por vc tudo o que eu tive vontade de verbalizar ontem mas não consegui…
    CLAP CLAP CLAP p/ vc.

    bjinhos e saudade!!
    Rê Piacente

    março 9, 2010 às 14:41

  2. Arrasou, Carol!

    TUDO NOSSO!!!!

    beijos!

    março 9, 2010 às 22:44

  3. salve Carol…

    seu recado ta dado…

    aproveite der um saque no site http://www.eletrocooperativa.org

    Paz e Equilíbrio

    março 10, 2010 às 00:53

  4. Heloisa de Carlos

    ARRASOU!

    Beijos

    março 10, 2010 às 11:15

  5. Mandou muito, disse tudo!

    março 10, 2010 às 12:17

  6. Um texto que foge do clichê habitual… Muito Bom

    março 10, 2010 às 23:18

  7. Hum… Seu Jorge deveria começar assim: Carol Patrocínio.. maravilha de mulher!

    CLAP CLAP CLAP(2)

    março 11, 2010 às 11:00

  8. Olá Carol, tudo bem!

    Olha este post foi demais querida!!!
    Eu creio que conseguiste expor aí o pensamento de milhares de mulheres deste mundo, mulheres estas, que muitas vezes tem medo ou vergonha ou simplesmente acham que não vale a pena falar o que pensam e o que sentem naquilo que diz respeito a elas mesmas, e você conseguiu fazer isso aqui. Confesso a ti que cheguei a me emocionar a medida que ia lendo, foi bem profundo, bem intenso e verdadeiro tudo o que disseste.
    Parabéns!!!!
    Um abraço!!!!

    Kennia Padilha

    março 11, 2010 às 11:51

  9. Pingback: Per Raps » Blog Archive » Mês da mulher: O saldo

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