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Não canso de ouvir com a galera do Per Raps

Ano novo, trilha velha

Novo ano, novos desafios, novas ideias. No entanto, as trilhas sonoras ainda são de ’09! Pensando nisso e também querendo compartilhar um pouco do gosto da equipe do dia-a-dia do Per Raps, resolvemos fazer um “Não Canso de Ouvir” só nosso!

Como a dona Natalia Leme ainda está de férias, eu (Eduardo Ribas), Daniel Cunha e Carol Patrocinio resolvemos encarar a responsa. As escolhas não foram fáceis, assim como não rolou uma unidade no jeito de contar o que cada um achou de cada trabalho. Eu fui mais quadrado, o Daniel foi mais sentimento e a Carol foi mais direta. Ou seja, tem pra todo gosto.

São três escolhas de cada um e um consenso sobre os Tops de 2009. Faltou muita coisa, mas um NCDO de cada integrante seria chato demais, além de tomar muito espaço! Pra não rolar peso na consciência, rolou uma recheada menção honrosa. Props pra Luciana Faria aka Lu Playmobile pela foto acima.

Curta, reclame que faltou algum CD, concorde, mas continue acompanhando o Per Raps. E feliz 2010!

>>> O que Daniel Cunha não cansa de ouvir

Kid Cudi – Man on the Moon: The End of Day
Com pouquíssimas faixas descartáveis, foi o disco de rap gringo que eu mais ouvi no ano. Na verdade, antes de pegar esse álbum, ainda não tinha ouvido quase nada do Kid Cudi – ele já tinha soltado uma mixtape na rua antes. Curioso, fui atrás e descobri um som que é bem minha cara, com uma pegada bem parecida com os primeiros discos do Kanye West, na minha opinião, que inclusive participou em uma faixa e produziu duas.

Além da performance do cara, chamo a atenção pras participações do duo americano Ratatat, que estão em duas músicas do disco: Alive (Nightmare) e Pursuit of Happiness (Nightmare). É impressionante como tudo que esses caras tocam vira ouro, principalmente quando eles entram na zona do ritmo e da poesia. Os trabalhos deles com o pessoal do rap são muito foda – vide os dois discos de remixes que eles lançaram com uma galera do mainstream americano.

Brother Ali – Us
Quando o assunto é rap internacional eu me sinto mais inseguro pra falar porque, apesar de entender um pouco de inglês, não entendo a esmagadora maioria das coisas que eu ouço. Talvez porque seja difícil mesmo, porque eu tento prestar atenção no começo e depois vou me desconcentrando conforme não entendo alguma coisa, mas o principal motivo é que os beats e as levadas dos MC’s me deixam mais atento.

O Brother Ali é um cara que, desde a primeira vez que eu ouvi, me hipnotizou. Parece que qualquer coisa que o cara esteja dizendo se torna verdade incontestável, de tanta força e emoção que ele coloca nos vocais. No blog Boom Bap, o Felipe já escreveu uma resenha legal falando mais tecnicamente do disco, então fica a dica pra quem se interessar.

Maria Gadu – Maria Gadu
Acho que esse foi o disco nacional que mais ouvi no ano. Lembro de ter visto ela uma vez no Altas Horas cantando uma música em francês e ter achado chato bagarai. Depois de ouvir a Shimbalaiê em todos os lugares por algumas semanas, fui atrás do disco pra conhecer e me surpreendi muito positivamente. Uma voz linda (que lembra bastante Marisa Monte), várias melodias maneiras, letras legais…vale a pena se despir do preconceito da Shimbalaiê e conhecer o som dessa cantora, que parece estar construindo uma carreira bem sólida.

PS: Eu pus no Não Canso de Ouvir, mas gostaria de avisar minha namorada que se ela não parar de colocar esse disco no carro, eu vou cansar já já…

>>> O que E. Ribas não cansa de ouvir

Fashawn – Boys Meets World
Esse é o tipo de álbum que você aperta o play e viaja na ideia. O jovem rapper Fashawn surgiu com uma temática já conhecida, o processo de amadurecimento de moleque até a adolescência, porém, retratando isso de uma maneira peculiar e bem interessante. Em “Boys Meets World”, o MC passa por todos os problemas que um jovem de vida humilde e criado apenas pela mãe pode enfrentar, sem cair no clichê do pobre coitado.

Na produção da maioria dos beats, Exile. Desse aí, nem é preciso falar muito. O cara produz beats insanamente empolgantes, que agita dos mais under aos mais pops. Na lista de participações, craques como Evidence, Blu, Planet Asia e J. Mitchell, que complementam o álbum de forma magistral. Esse é o tipo de álbum que vale a pena pegar as letras pra entender a mensagem do cara, sem esquecer é claro de curtir os beats ’monstro’ do CD.

Mos Def – The Ecstatic
Após um tempo se dedicando mais ao cinema, Mos Def calou a boca dos pessimistas que diziam que o MC não conseguiria voltar a produzir sons em alto nível. “The Ecstatic” é a celebração que o rap vinha pedindo há tempos, sem frescuras de auto-tune ou qualquer efeito mega produzido: o som é cru e as rimas, diretas.

No destaque dos sons, “Casa Bey”, que chega com um loop do som da Banda Black Rio (“Casa Forte”) e é uma das músicas mais empolgantes do álbum, além de ser declaradamente um dos sons preferidos de Mos Def. “History” é outro som que merece destaque por sua simples existência. Parceria de Def com Talib Kweli, o som relembra os passos do MC do começo da carreira até aqui, que não poderiam ser contados sem seu parceiro de longa data.

Supermagic”, o primeiro single do álbum, chega pesado e dá o tom desse trabalho, deixando claro que quando Mos Def quer, ele mostra que tem a manha. Se “The Ecstatic” fosse um sentimento, poderia ser chamado de nostalgia.

Jay-Z – Blueprint 3
Lembro de não ter ouvido comentários muito empolgados sobre esse trabalho por essas bandas, mas estreou em terceiro na lista da Billboard (com 476 mil cópias vendidas na primeira semana, atrás de U2 e Eminem). “Blueprint 3” pode ser considerado um álbum ousado, e não só marca uma trilogia (Blueprint) de sucesso como também traz hits que não param de tocar ou ter seus clipes exibidos por aí.

D.O.A” foi o primeiro a aparecer, e não foi de forma simples, declarou a morte do auto-tune. Tirou sarro dos MC’s que usam jeans muito apertados, do exagero de melodias nas rimas e aproveitou para cutucar o nome mais expressivo no assunto: T-Pain (you’re T-Pain’g too much). “Empire State of Mind” é a declaração de amor que faltava a Nova Iorque. A cidade, que já foi cantada pelo saudoso gangsta Frank Sinatra, recebe uma versão rap de um de seus mais nobres e expressivos representantes da atualidade. Pra trincar, Alicia Keys no refrão gastando o gogó em homenagem a NYC.

Trouxe até sample brasuca, como é o caso de “Thank You”, com “Ele e Ela”, de Marcos Valle (“Marcos Valle”, 1970) e beats de Kanye West, No ID e Timbaland. Destaque ainda para a participação de Drake e Kid Cudi, que mostram como Jay-Z está atento ao jogo e aos novos representantes de peso. Cabe dizer aqui que Drake poderia ter sido melhor “aproveitado” na música, assim como rolou com Kid Cudi, que realmente acrescentou em sua participação em “Already Home”.

Além deles, Young Jeezy, Pharrell e Mr. Hudson mandando o refrão em “Young Forever”, com sample de “Forever Young”, do grupo alemão Alphaville. Não é a toa que H.O.V. é o MC mais comentado do momento, é marido da mina mais comentada do momento, possui negócios prósperos além das fronteiras do rap e possui uma carreira ainda na ascendente.

>>> O que Carol Patrocinio não cansa de ouvir

Claudia Dorei – Respire
Virou toque de celular, despertador e não parou de tocar pela casa durante uns bons meses. Claudia D’orei mostra nesse trabalho que você pode juntar todas as suas influências e criar um som incrível, sem rótulos e dificultando a vida de quem precisa dar nome aos tipos de som. “Respire” deveria ter apenas uma definição: música boa.

Voz feminina com batidas que te fazem querer sair dançando pela cozinha. É aquele tipo de música que a família inteira pode escutar enquanto é feito o almoço de domingo.

Lucas Santtana – Sem Nostalgia
O cara consegue fazer com um violão o que muita gente sonha. O trabalho de Lucas Santana é a cara do Brasil, é mistura, talento, verdade. O som é tocado com vontade, as letras são gostosas e você se deixa levar pela melodia e acaba cantando junto. Impossível parar de escutar.

Wado – Atlântico Negro
O cara é de Alagoas, veio morar em São Paulo, passou um tempo aqui mas se sentiu endurecido pela cidade, e então voltou pra casa. O resultado de vivências tão diferentes, de ambientes distintos deu base ao “Atlântico Negro“, disco com músicas que falam da realidade do país e do mundo sem perder a leveza que um bom som precisa ter.

>>> O que o Per Raps não cansa de ouvir

Emicida – Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe
A ideia desse NCDO era falar apenas de CD’s, mas isso não seria justo em relação ao trabalho de Emicida, que é chamado de mixtape, mas tem tanta música que mais tem cara de CD. Além disso, se teve alguém que agitou a cena rap brasuca em 2009 foi esse mano.

Tocou em tudo quanto é casa de show, tanto em Sampa quanto em lugares como Salvador e Goiânia. Agitou manos e minas, modernos, indies, roqueiros, baladeiros de plantão, jornalistas que não costumavam dar atenção ao rap e tantos outros.

Sobre a mix, acho que nem cabe falar muito. Lembro de ter comprado uma ou outra que dei de presente, além de ter emprestado tanto a minha que já nem sei onde ela está. Aliás, se a carapuça servir em alguém, por favor, me entreguem de volta, não vou reclamar!

Dos diversos shows que rolaram, tive a chance de ir em dois que empolgaram bastante: o de lançamento, na Hole, que só de lembrar arrepia, e um que rolou logo na sequência na Neu (Barra Funda), que fez indies, skatistas, roqueiros e fãs da casa levantarem a mão e gritar: “adooooooro”. Ao Leandro Roque aka Emicida os sinceros parabéns do Per Raps. O cara é tipo highlander, trampa quase o dia inteiro e sempre surpreende (vide “Besouro”). Vida longa e próspera, Emicida!

Menção Honrosa: The Black Keys “Blak Roc”, Exile “Radio”, Wale  “Attention Deficit”, Major Laser  “Guns don’t kill people, lasers do”, Casuarina “Ao vivo MTV”, Dinosaur Jr. “Farm”, Rodrigo Campos “São Mateus nao é um lugar tao longe assim”, Max Sette,” O Que Se Passou”, The Temper Trap “Conditions”, Móveis Coloniais de Acajú, “C_mpl_te”, The XX “XX”, Marcela Bellas “Será Que Caetano Vai Gostar?” e Céu “Vagarosa”.

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