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‘Matando’ em nome da boa música

Zack de la Rocha do Rage Against the Machine

Me organizando posso desorganizar, Chico Science? – por E. Ribas

Muita gente ainda duvida do poder da internet. Outros já temem esse poder e começam a impor certos limites, derrubando sites, proibindo conteúdos e downloads de arquivos. Um exemplo próximo foi o blog Só Pedrada Musical, que foi retirado do ar devido a downloads ilegais. Mesmo alegando que os arquivos disponibilizados eram consentidos pelos artistas nacionais e, quando eram trabalhos internacionais, geralmente eram discos raros, não adiantou.

Recentemente, um blog brasileiro foi censurado, pois seu dono levantou uma campanha contra o Jornal Folha de São Paulo e o Portal UOL, se utilizando das tags #CancelandoFOLHA e #CancelandoUOL. Antônio Arles, o responsável pelo blog, foi notificado extrajudicialmente para retirar as tags sob pena de processo por suposto uso indevido das marcas.

Longe daqui, mais especificamente em Londres, na Inglaterra, deu-se início em dezembro uma campanha para colocar no topo das paradas o single “Killing in the name”, lançado em 1992. A dona do som é a banda californiana Rage Against the Machine, conhecida pelo discurso politizado e pelo rock pesado misturado às rimas ásperas do MC/vocalista, Zack De La Rocha. A princípio, a ideia parecia absurda, mas isso tudo tinha um motivo.

Assim como nos Estados Unidos, Brasil e outros cantos, os ingleses têm um programa de calouros favorito, o X Factor, comandado pelo sabido Simon Cowell – aquele mesmo que revelou Susan Boyle e faz parte do júri do programa norte-americano American Idol. O concurso chegou ao fim e o vencedor foi o jovem Joe McElderry, que levantou vôo nas paradas de músicas mais vendidas na Inglaterra com o cover de uma música da diva teen, Miley Cyrus, intitulado “The Climb”.

Os produtores do programa já comemoravam o sucesso da edição do programa e, de quebra, aguardavam ansiosos pelo sucesso de vendas do single de Joe, afinal, por quatro anos consecutivos o X Factor emplacava a música mais baixada no Natal do Reino Unido, mas foram surpreendidos. Jon Morter, (35), um Dj de rock e expert em logística, puxou uma campanha via internet, especificamente pela rede social Facebook, para desbancar “The Climb” e elevar “Kiling in the name” ao topo.

Após uma disputa acirrada, Jon/RATM venceram a disputa, conseguindo garantir a venda de 500 mil cópias da música até a semana anterior ao Natal, enquanto o som do vencedor do programa de calouros, X Factor, “The Climb”, ficou com 50 mil downloads a menos. A lista ainda possui Lady Gaga, em terceiro, e Black Eyed Peas, em décimo.

Simon Cowell, produtor e jurado do programa X Factor

A batalha

Apesar da vitória, o caminho dos fãs do Rage Against the Machine não foi fácil. A “batalha” estava perto do fim, mas a vitória ainda parecia distante. Eis que a sorte sorriu e trouxe um importante aliado para a “luta”, Peter Serafinowicz, comediante que abraçou a campanha no dia 15 de dezembro.

Peter clamou aos seus milhares de seguidores no Facebook e Twitter a ajudarem, a partir daí a disputa se tornou mais justa e acirrada. Rolou apoio até do sir Paul McCartney, além de outro vencedor do programa X Factor, Steve Brookstein, fato que só ajudou. Após o feito, Simon Cowell, produtor e jurado do show, fez questão de cumprimentar o responsável pelo feito, Jon Morter. Nem o próprio Jon pareceu acreditar no que aconteceu ao receber a notícia da vitória pelo jornal “Guardian”. Mas sim, era tudo verdade.

Perguntado pelo mesmo “Guardian” sobre seu feito, Jon respondeu: “Eu acho que isso mostra que hoje em dia, se você realmente quiser algo, você pode conseguir – com a ajuda da internet e de redes sociais como o Facebook e o Twitter. Se um número suficiente de pessoas estiver ao seu lado, então você pode vencer o status quo”. A página no Facebook, intitulada “Rage Against The Machine for Christmas n°1”, tem hoje mais de um milhão de membros.

Campanha no FacebookTentativa frustrada

O impressionante feito de Jon Morter já havia sido realizado antes, só que sem tanto sucesso. O Dj havia tentado uma ação parecida em 2008, dessa vez buscando emplacar o hit “Never Gonna Give You Up”, um sucesso dos anos 80 cantado por Rick Astley.

O som iria disputar o número um das paradas também no Natal contra a última vencedora do X Factor, Alexandra Burke. Como a campanha chegou a bater na trave, Jon se sentiu tentado a “competir” de novo.

Dessa vez, a vitória do Dj foi incontestável, garantindo a semana com o maior número de vendas de singles online nas tabelas britânicas. O feito rendeu inclusive elogios do próprio Zack De La Rocha e o guitarista Tom Morello (RATM), que achou a ação uma “maravilhosa dose de anarquia”.

Em contrapartida, a banda prometeu doar os royalties de cada download feito de “Killing in the Name” para abrigos para sem-teto e planeja um show gratuito no Reino Unido.


A união faz a força?

Esse é apenas um dos exemplos de mobilizações que vem ocorrendo pela internet no mundo inteiro. Tirando o fato de que a grande “máquina” da indústria foi a vencedora desse embate RATM versus Simon Cowell, já que alavancou um grande número de vendas, fica o exemplo que as redes sociais podem ser usadas de forma positiva, basta ter boas ideias e propostas.

Pegando como exemplo o post de fim de ano do pessoal do Rapevolusom, cada vez mais a comunicação do Rap/Hip Hop trabalha em rede. “Pela primeira vez (em 7 anos do Rapevolusom.com ) passei um ano trabalhando literalmente em REDE com os sites co-Irmãos e posso afirmar que foi gratificante a experiência em dividir informações e estar positivamente ligado”, comentou B.Dog, um dos idealizadores do trabalho.

Quem disse que a internet é só lugar para videos engraçados, baixaria e textos sobre o que vai acontecer no próximo capítulo da novela das oito?

Com informações da versão online do “Guardian”

revolução* Deixando claro que não é porque a música é pop que ela não tem qualidade ou deve ser combatida. A questão é quebrar ciclos, mostrar outras opções ao público acostumado a ouvir o que lhe é imposto. Hegemonias já existem o suficiente na política, na música queremos liberdade.

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2 Respostas

  1. sublime texto. curto demais o RATM. é loku ver músicas nervosas ganhando batalhas, mesmo que sejam simbólicas

    janeiro 4, 2010 às 22:18

  2. congrats pelo texto – estamos juntos nessa pantanosa batalha

    janeiro 13, 2010 às 11:41

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