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Lançamentos de 09: Nathy MC

Nath MC

Foto retirada do MySpace da MC

Uma voz feminina entre graves

Esse fim de ano promete vários bons trabalhos no rap nacional. Entre eles: Ogi (Contrafluxo), Flora Matos, Lurdes da Luz (Mamelo Sound System), Lívia Cruz, além de EP’s do (Tiago) Rump, do Pentágono e Projota. Isso apenas citando aqueles que anunciaram seus lançamentos publicamente.

Dentre essa lista de nomes, alguns deverão se apresentar no Indie Hip Hop 2009, mas dificilmente haverá espaço para todos. No entanto, traremos aqui no Per Raps alguns desses lançamentos, vezes com resenhas, comentários, entrevistas etc.

A escolhida para abrir essa série é a paranaense Nathy MC, que contou em entrevista para a colaboradora do Per Raps, Ciss (Cissa Maia), um pouco do processo de “materialização” de seu primeiro trabalho. Curte ae!

A voz suave de Nathy MC – por Ciss aka Cissa Maia

“Encaro isso como qualquer MC na sua função”, diz Nathalia Valentini Lissa, 25 anos, paranaense, que encontrou na cidade de São Paulo a oportunidade para desenvolver o projeto mais importante da carreira – o lançamento do primeiro álbum solo. Dona de um sorriso cativante, tatuagens pelo corpo e mãos firmes ao microfone, a charmosa Nathy MC, carrega influências da vida em Curitiba. “Comecei a ouvir rap em meados de 1997. Sempre fui admiradora e ouvinte. Nessa época, eu andava muito na rua com meus amigos e, entre algumas madrugadas pelo centro de Curitiba, resolvi me aventurar no “freestyle”. Era algo que acontecia naturalmente e muito divertido. Participei de algumas batalhas lá e chegou um momento que resolvi começar a gravar minhas letras”.

Entre dores, amores e conflitos, almejar um novo destino não foi tarefa fácil. “Eu sempre vim pra São Paulo. No começo eu vinha de excursão com os meninos do graffiti para Santo André e acabava conciliando com algum show de rap que gostaria de assistir. Depois de um tempo, eu vinha sempre que rolava alguma atração (grupo de rap, dj ou mc) de fora do Brasil e acabava ficando 1 ou 2 meses a mais do que tinha planejado, justamente porque São Paulo me atraía em algumas coisas, como a intensidade das grandes cidades e a distribuição da informação em massa. Nesse tempo todo que passei aqui, conheci algumas pessoas importantes que me ajudaram e me ajudam na minha vida até hoje.

Uma dessas pessoas, Marcelo Sinistro, acreditou no meu trabalho e me deu a oportunidade de trabalhar aqui, não só como MC, mas em algumas festas também. Nesse momento decidi que era minha hora de agir, tranquei minha faculdade, fiz as malas, e graças a Deus até hoje estou aqui. Ainda lembro bem da primeira frase que o Primo, quando me viu aqui em São Paulo, disse: Você fez a melhor coisa da sua vida”, revela com entusiasmo.

Mesmo assim, a bela MC externou suas preocupações de uma jovem adulta com delicadeza, empurrando a própria sorte com dedicação. “O tempo todo eu corri muito, trabalhei em Shopping e continuei nas festas à noite, aonde trabalho até hoje. Demorei quase um ano pra juntar a grana para fabricação e gravação do meu disco. Foi muito corrido todo o processo de gravação, pois eu tinha pouco tempo livre pra isso. Tudo isso que passei aqui até hoje só me trouxe coisas positivas: trabalho, contatos, amigos, crescimento e conquistas, meu disco é uma dessas coisas”.

É no meio das batidas que Nathy MC exala atitude e beleza, como uma das representantes femininas do rap nacional. E nem é preciso mudar de sexo para ter voz, tudo ainda fica mais atraente quando a própria mostra que segue iluminada no território predominantemente masculino. “Hoje em dia lido com essa diferença da forma mais profissional que eu posso. Se eu falar que não houveram dificuldades em todo o processo que passei, estou mentindo, mas acho que as coisas estão melhorando pro rap aqui no Brasil em todos os aspectos, acho que tem lugar pra todo mundo trabalhar independente de sexo ou gênero.” E ainda cita suas maiores influências. “Acho que não passo um dia sem ouvir um som dos Racionais, então começo com eles, na cola vem Marechal, Black Alien, Emicida, Shawlin, Ogi”, acrescenta.

CAPA-ENCARTE FRENTE

A ideia de gravar um disco já passava pela mente de Nathy MC, mas a parceria com o Dj Soares tornou o plano em realidade. “Comecei a escrever as letras, a princípio, em cima dos beats que o Dj Soares estava produzindo, e fechei de gravar as faixas, mixar e masterizar com o Munhoz. Todas as letras são muito pessoais, falam da minha vida e das minhas experiências, é como uma autobiografia. Em função disso, o nome do disco é Nathy MC”.

Recém saído do forno, o álbum possui 11 faixas repletas de composições autorais e participações especiais como dos MCs Ogi (na faixa “Dama e o Vagabundo”), Emicida (na faixa “Lágrimas da Voz”) e Lurdez da Luz (na faixa “Nossa História”). E o que esperar de tudo isso? “Uma mulher que sonha, vive, chora, ri, perdoa, não desiste, e cresce a cada dia que passa com cada problema que surge na sua vida”, finaliza graciosamente.

O disco estará disponível em algumas lojas da galeria e nas mãos da própria Nathy MC. O lançamento acontecerá ainda no fim do ano.

Mais no blog da Nathy MC: Linda Terrorista.

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