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“Não canso de ouvir” com Gurila Mangani

Gurila Mangani e Castilho na Velvet (MG) por Luiza Ferraz

Gurila Mangani e Castilho na Velvet (MG) por Luiza Ferraz

Só o que sai dos fones de ouvido!

Se a gente disser que o “Não canso de ouvir” de hoje é com Luiz Gustavo, um MC e Beatmaker de Santa Luzia, certamente ninguém entenderá o que essa pessoa tem a dizer mais do que qualquer outra. Mas quando a gente te conta que Luiz Gustavo é, apenas, o nome de batismo de Gurila Mangani? Agora tudo faz mais sentido, não?

Hoje, quem vai contar quais são os 10 discos que não saem dos fones de ouvido é ele. O cara escuta de tudo um pouco mas, como o Per Raps é um blog especializado em rap, tentou escolher alguns discos importantes que tenham a ver com o gênero.

“Espero que vocês curtam minha lista, não vou dizer que essa é a melhor, muito menos a pior, já que gosto não se discute, né? O que posso dizer é que são discos realmente importantes para mim e que de certa forma influenciaram e influenciam meu trabalho; na real, se eu fizesse uma lista com 50 discos ainda faltariam alguns. Muito respeito a todos os nomes citados aí”, prepara Gurila Mangani.

Confira abaixo a seleção variada do MC mineiro, Gurila Mangani, que vai de Evidence até a M. Takara, tendo tempo ainda pra passar pela Nação Zumbi. Curte ae!

10 – Lyrics Lounge presents Underground Airplay Version 1.0 mixed by DJ Spinbad

Underground Airplay vol 1 Essa sim foi a primeira mixtape que ouvi. Foi quando ouvi esse disco que entendi o que era essa parada. Conheci vários nomes do rap underground através desse disco. Nomes como Madlib, Planet Asia, Defari, Boogieman, Invencible, Self Scientific, Zion I, mó galera mesmo. Inclusive dei mole com esse disco, ele está todo arranhado e nem toca mais. Se alguém tiver ele aí e puder, dá uma pirateada nele e me manda.

9 – M.Takara – Conta
Já conhecia o trampo do Takara como baterista. Cheguei a ver ele tocando com algumas bandas e artistas que eu curto, tipo Otto, Instituto, Xis, Hurtmold e Catatau. Conheci o trabalho solo dele uns três anos atrás. Foi um cara que me influenciou bastante a começar a levar meus equipos pra show, fazer uma parada com uma pegada mais orgânica, mesmo que usando os eletrônicos. Me fez usar menos computadores e mais samples, mais baterias eletrônicas, mais teclados toscos. Gosto muito da sujeira que ele traz pra esse disco, minha faixa preferida é a “Eu Não (para Carlos Dias)”, porradão! A capa desse disco também é bem style. Tem um design diferente, bem louca.

8 – Munhoz e Prof.M.Stereo – Beats e Rimas – Vol.1

Munhoz e Prof.M.Stereo - Beats e Rimas - Vol.1 Esse é do meu irmão Tiago Munhoz. Se não me engano, ele foi uma das primeiras pessoas que tive contato no rap, acho que em 2004, isso tudo era muito novo pra gente, foi uma fase boa de ter vivido, fase de descobertas, o rap que a gente fazia era mais “inocente” e muito mais sincero também. Me sinto feliz em ter vivido essa época e de ter conhecido o Munhoz nesse tempo. Acho que Beats e Rimas junto com a Raps de Verão e a Iky’s Tape, foram as primeiras vezes que ouvi mixtape feita aqui no Brasil. Várias participações clássicas nesse disco, conheci muita gente através dessa mix. Gosto muito das participações desse disco, mas confesso que chapo muito mais naquelas instrumentais que tem lá. Munhoz é um gênio. Pra mim um dos melhores produtores de rap dessa geração. Podia vir o vol.2, hein? Vol.3…4… Os fãs de rap agradecem!

7 – Evidence – The Weatherman LP
Sou fã do Dilated Peoples, volta e meia cito umas rimas deles. Esse disco do Evidence é absurdamente foda, me abriu a mente pra muitas coisas no rap. As rimas do Evidence sempre pegam de jeito. Destaque para as faixas “All Said & Done”, produzida pelo DJ Khalil, e “Hot & Cold”, produzida pelo Evidence e rimada em parceria com o Alchemist, que é outro monstro. Sei que muita gente vai discordar de mim, mas confesso que curto muito mais o Alchemist rimando do que produzindo. Nessa faixa eles fazem combinações entre o quente e o frio. Eu que queria ter feito isso, hehehe!!! The Weatherman LP by Mr.Slow Flow é quente!

6 – Mamelo Sound System – Velha Guarda 22
É engraçado como o Mamelo não é um grupo tão “adorado” pelo público, pelo menos aqui em BH eu percebo isso. Considero eles como inovadores. Eles sempre estão procurando novos timbres, novas formas de fazer rap, sempre colam com uns cara que eu queria colar também, hehehe!!! Esse disco é muito bom! Gosto muito do Urbália também, o Basa quebrou nesse disco. Mas o Velha Guarda 22 me surpreendeu muito mais, pela forma como fizeram e pelos músicos que participaram. Orra, gravar um disco com Nação Zumbi, Céu, Hurtmold e Tony Allen não é pra qualquer um não. Produção minuciosa do Scott Hard. É por isso que tenho o Mamelo como um dos meus grupos prediletos, não só pela música, mas pela forma como eles conduzem todo o trabalho. Acho que o Mamelo é uma banda que está a frente da sua geração, temo que só vá ser entendida num futuro distante. É por essas e por outras que é influência pra mim!

5 – B.Negão e os Seletores de Frequência – Enxugando o Gelo
Outro disco que me abriu a mente pra entender melhor o que era o Dub. Lembro que esse disco saiu num dia e no outro eu fui na banca e comprei. Fiquei sem nenhum centavo por um bom tempo, mas valeu a pena. Ouvia ele todos os dias. Fiquei nessa por mais ou menos uns dois anos. Até hoje escuto ele, tem várias faixas ali que são clássicas, “Funk Até o Caroco”, “Prioridades”, “Nova Visão”, “Dorobô” que inclusive tem a participação mais do que perfeita do ‘Maestro do Canão’… Enfim, só pedrada nesse disco. Conheço o B há algum tempo já e tive a honra de dividir palco com ele algumas vezes. Ele é monstro! Uma das melhores pessoas que já conheci. Minha faixa predileta nesse disco é a “Seletores de Frequência”, clááááááááássico!

4 – Buguinha Dub – Vitrola Adubada

Buguinha Dub - Vitrola AdubadaDub de primeira qualidade. É um dos cara mais talentoso que eu já vi tocando e com quem já toquei. O cara remixa ao vivo. Poucos dias que passei de rolê com ele e já o tenho como irmão, é parte da família já! É um cara que você vê nos olhos que está na parada pela música. Talvez por isso eu tenha me identificado muito com ele. Esteve presente em discos importantes, tanto do manguebeat quanto do rap nacional, da Nação Zumbi a Racionais. Não preciso falar mais nada.

Vitrola Adubada é um disco orgânico, raridade nos dias de hoje. Como ele mesmo fala, “Aqui não é polpa, é suco de fruta”. Tem uns “scratches de rolo” ali que é foda! “Tubarão de Bacia” tem os vocais do Jorge, e é muito style. Escuto esse disco quase todos os dias. Sou 100% adepto da filosofia do “Jahmarraparai Celebrai!” (se é que isso é uma filosofia né?). Salve salve Buguinha Dub!

3 – Racionais – Nada Como Um Dia Após O Outro
Racionais são “os cara” mesmo e não tem como negar. Não só pela música, mas por toda a história que eles têm pra contar, tudo que eles viveram. Eles estavam presentes no início de tudo por aqui. São pessoas importantes para o rap nacional. Lembro quando esse disco saiu, várias pessoas falavam que estava ruim, que os caras tinham perdido a identidade e blablablás do tipo. A verdade é que muitas pessoas esperavam que eles viessem “sanguinários” como era grande parte do rap nacional naquele momento. É verdade também que até hoje é um dos discos de rap mais ouvidos nos carros, nas boates, nas quebradas e afins. Produção impecável, as rimas, então, nem se fala. “Jesus Chorou” e “Vida Loka parte 1” são minhas prediletas. Os caras quebraram tudo nesse disco, que pra completar é duplo. Fazer um disco bom já é difícil, imagina dois? Num tem boi não, Racionais é o que tem de melhor no rap nacional mesmo e pronto. Muito respeito!

2 – Nação Zumbi – Nação Zumbi
Esse disco é muito bom. Foi uma das primeiras vezes que ouvi falar de Dub. A Nação, na minha opinião, é a melhor banda do “rock(?) nacional”. Nesse disco em especial, eu gosto muito da mixagem, com bastante referência ao Dub, chapado. Muito foda. Tem umas vinhetas ali também que acho style. Nação Zumbi eu nem tenho muito o que falar não. São bastante competentes e conseguem estar no mainstream sem seguir o mercado, aparentemente eles fazem o que estão afim de fazer e pronto. Acho que é isso que qualquer artista queria, fazer o que realmente está afim de fazer e ainda por cima viver disso.

Há uns 15 dias eu havia ido a SP pra fazer um show no Auditório do Ibirapuera com meus amigos da Black Sonora e tive a sorte de no mesmo dia estar acontecendo a comemoração dos “15 anos do Da Lama ao Caos”. Só quem acompanhou essa parada desde o início que sabe o quanto foi importante essa comemoração. Show de 15 anos do Da Lama ao Caos, com B.Negão, Otto, Fred 04, Buguinha, só dois quarteirões do hotel onde a gente tava, com ingresso de preza. Num tinha nem como não ir né? Clássico!

1 – Quasimoto – The Unseen


Não teria como eu começar essa parada sem antes falar dele, Madlib. Esse cara é um gênio. É um dos meus produtores prediletos. Principalmente pela versatilidade e criatividade dele. O cara faz rap, jazz, reagge, afrobeat, brokenbeat e o que mais lhe der na telha. É uma parada que eu busco muito no meu trampo, não ter fronteiras, fazer o que eu estiver afim de fazer e foda-se o rótulo. Detalhe que em qualquer estilo musical em que ele se aventura ele faz com consistência e não se passa por “aventureiro”.

Destaque pro The Unseen no qual ele usa o a.k.a de Quasimoto. Arrisco dizer que esse é um dos discos mais importantes, se não o mais importante pra minha geração. É só você ouvir aqueles primeiros sons do Quinto Andar bem no começo de tudo, lá em 2000 e pouco, os sons Ascendência Mista e toda aquela galera da época, inclusive eu. Aquela parada do “gravado em casa”, tem muito a ver com esse disco. Tamo ficando velho…

Mais:
http://gurilamangani.blogspot.com
http://myspace.com/gurilamanganigudoiz

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3 Respostas

  1. Maneira a lista do gorila, bem rica.

    Abraço e boas vibrações!!!

    outubro 7, 2009 às 18:23

  2. Luciana

    O blog poderia melhorar, tá muito fraquinho….é feito por quantos jornalistas?

    outubro 8, 2009 às 16:24

  3. Ana Maria

    O legal do blog é que alem de ser feito por jornalistas é feito por pessoas que entendem de rap.

    outubro 8, 2009 às 23:29

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