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Isso é “rap de saia”!

Quem tem medo do “rap de saia”?E. Ribas

O rap é um estilo musical que ainda pode ser chamado de majoritariamente masculino. É uma pena, já que possuímos tantas mulheres que rimam, discotecam e que produzem beats, passando sua mensagem em vários lugares do globo. Infelizmente, não possuímos tantos exemplos como seria legal termos, talvez até pelo fato dos homens predominarem e fazerem questão de deixar isso claro, inclusive até em algumas letras.

Pra ir de encontro com tudo isso, eis que surge o “Rap de saia”. Não, esse não é um novo grupo de rap formado apenas por mulheres, e sim um registro de diversos grupos de rap com mulheres no comando. Elas são as protagonistas de sua própria história. É uma viagem pelo Estado do Rio de Janeiro, que não se acanha em partir da conhecida Lapa ao Belford Roxo – lembrada por habitar a última fábrica de vinil do Brasil. Esse é também o retrato de toda uma cena, que mostra muito mais que sua cara: suas rimas.

Tudo começa na Parada Angélica, na tradicional e cultural, Lapa. Raquel Rosa, do grupo Damas do Rap, lembra que no início dessa história, poucas mulheres se arriscavam no rap: Paula Diva, Andréia, Michelle e Ivana (aka Lady Black) são algumas das percussoras.

As rimadoras guardam a memória de que no começo, a aceitação dos homens era difícil. O que se percebe é que ainda é. Quando uma mulher mandava bem no microfone, soltavam algo do tipo: “parabéns, e é mulher, hein?”. E isso acontecia também com as b-girls, que não escapavam dos comentários de mau-gosto. A época era particularmente machista, e as mulheres acabavam se vestindo igual aos homens, com direito a calças largas e tudo mais. E os homens, por sua vez diziam pouco em suas letras que servia para elevar a moral das mulheres.

As MC’s também destacam que a rivalidade e a inveja acabavam prejudicando as poucas representantes femininas que estavam na cena. “A união é a chave para a revolução” – grupo Negativas. A mídia também colabora até hoje para que as mulheres não se sintam a vontade com sua própria imagem. Para seguir o padrão, elas precisam ser magras, ter cabelo liso e loiro, mas quase todas que fazem o rap ter um lado feminino no Rio, são mulheres negras. Por meio de suas letras e sua atitude, se vestiam diferente das demais, além de muitas vezes usarem penteados afro, se remetendo a suas raízes.

A viagem segue para Volta Redonda com a MC Re.Fem aka Janaína Oliveira (diretora do documentário), mostrando que o rap também existe no interior do Estado. Por lá, problemas como o preconceito das MC’s negras (maioria) em relação às brancas, assim como questionamentos a respeito da opção sexual de cada uma. Para a maioria delas, o caminho é se impor por meio da qualidade de seus trabalho, como deveria ser independentemente do sexo. “Sexo frágil é o caramba!”, diz JC MC. Seguindo, a pequena Vitória mostra que em Belford Roxo existe rap, mandando uma rima sobre crianças desaparecidas e família.

Esse é um assunto que também é falado pelas rimadoras: família. Os pais das MC’s não aceitaram bem no primeiro momento a idéia das filhas de seguirem o impulso de ser parte do hip hop, ainda mais rimando. Os planos geralmente são outros para as meninas, mas depois de conhecer melhor e saberem da seriedade do trabalho desenvolvido por cada uma, o problema geralmente deixa de existir.

Resumindo, “Rap de saia” é uma viagem bem humorada, cheia de rimas, sorrisos e histórias de uma luta que as mulheres travaram (e ainda travam) no Rio de Janeiro contra o machismo do rap, as imposições estéticas da mídia, as rixas entre as rimadoras e, finalmente, a vitória por meio do próprio rap. Um recorte da história do rap resumido em 18 minutos .

*Props para Re.Fem aka Janaína Oliveira, que subiu o doc no youtube para que o Per Raps pudesse disponibilizar por aqui.

Bastidores com Re.Fem. e JC MC, em Queimados (RJ) - Duivulgação

Bastidores com Re.Fem. e JC MC, em Queimados (RJ) - Divulgação

Ficha Técnica:

Rap de Saia [Documentário]
Ano: 2006
Duração: 18 min.
Colorido, Brasil
Bitola Vídeo

Diretora do documentário: Re.Fem aka Janaína Oliveira
Assistente de Direção, Produção e Pesquisa: Christiane Andrade aka Queen Odara
Fotografia: Leandro Ribeiro, Patrícia Silva, Leandro Monteiro e Janaína Oliveira (Re.Fem)
Microfonistas: Leandro Monteiro, Fábio State e Flávio Maravilha
Produção: Fábio State
Assistentes de Produção: Leandro Monteiro e Rafael Nassa
Edição: Michel Messer (M-Shellz)
Assistente de Edição, câmera: Leandro Ribeiro

Mais em: www.myspace.com/rapdesaia

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3 Respostas

  1. Olá
    Queria passar o documentário no ZAP!vcs podem me passar o contato da Janaína? Ou mandar o meu pra ela ? http://zapslam.blogspot.com/
    Obrigada
    Roberta Estrela D’ Alva
    Núcleo Bartolomeu de Depoimentos

    setembro 28, 2009 às 19:34

  2. RudeBwoy

    Em momento algum se fala da flora matos, negra re entre outras do comando selva que realmente ja vi rimando mais do que homem. tiro o chapel pra mulherada que rima, mas ja explano as que rimam na real, nem aparecem na matéria!
    Sem desmerecer a matéria.. mas as unicas que ja vi em roda se jogando nas rimas foram as minas do comando selva, que novamente não se explana por aki.. eu ja vi e posso falar. Quem nunca viu nem ouviu nem precisa comentar hehehehe.. a rima é rara.. e quando for falar de rua, por favor, caprichem nas infos. Fya!

    (Sou de Volta Redonda e por aki esta faltando Êmissi)

    setembro 29, 2009 às 13:57

  3. Ribas!!!
    Ficou louca a matéria parabéns e muito obrigada!!!
    E vamos que vamos que o Hip Hop não para!!!!

    Re.Fem.

    outubro 6, 2009 às 02:30

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