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Presente: mixtape by Sono

13-1a

Qual a ligação do rap com o skinhead?

Como a gente tinha falado, esse mês vão rolar várias coisas novas e legais aqui no Per Raps. Uma delas é que alguns amigos do blog foram convidados para fazer uma mixtape especial e o primeiro trampo que você vai escutar é o feito pelo Sono, fundador do blog You & Me on a Jamboree, especializado em ska, rocksteady e early reggae, um dos seletores da Jurassic Sound System e que também escreve para o 2Deep, na MTV.

01* Joe Gibbs All Stars – Hijacked (Amalgamated 1970)
02* The Dynamites – Dulcimenia (Clandisc 1969)
03* Count Matchuki – Movements (The Joe Gibbs Way) (Amalgamated 1970)
04* GG All Stars – Barbabus (Blank)
05* Desmond Reily – Out Your Fire (Downtown 1970)
06* The Young Souls – Man A Wail (Amalgamated 1969)
07* Tony Scott – What Am I To Do (Escort 1969)
08* The Charmers – What Should I Do (Blank)
09* Prince Buster – Kiss You Again (Blank)
10* Audrey – You’ll Lose a Good Thing (Downtown 1969)
11* Lloyd & Glen – Girl You’re Cold (Blank)
12* Anthony Ellis – I’m The Ruler (Studio 1 1970)

Enquanto você escuta as músicas que ele escolheu, leia o texto que o Sono escreveu para acompanhar o som!

“É minha primeira mix aqui no Per Raps e já vou logo apelando para as raridades retiradas diretamente do vinil, mix repleta de Skinhead reggae/Early reagge que foram escolhidas baseadas pelo meu gosto musical. Esses gêneros, junto com o ska, são a raíz da musica jamaicana, diferente do ROOTS que o pessoal aqui do Brasil costuma a gostar… hoje vocês vão conferir a verdadeira raíz da música jamaicana.

Agora vocês me perguntam, o por que do nome skinhead reggae? A Jamaica era colônia da Inglaterra e, em 1962, conquistou a independência. Acontece que, nos anos seguintes, os jamaicanos perceberam que aquilo não iria mudar em nada a vida deles e a Jamaica continuaria a ser um país pobre. Então eles começaram a emigrar para a Inglaterra e, dentre esses imigrantes, estavam os Rude Boys.

Rude Boys eram os barras-pesadas da Jamaica, os ladrões e briguentos. Eles eram fãs de filmes de máfia e se vestiam igual aos mafiosos (ternos alinhados e mais justos). Esse era o grande público de reggae da Jamaica nessa época. Os Mods, por sua vez, eram garotos ingleses que existiam no final dos anos 50 e que curtiam música negra norte-americana, como jazz, soul e rhytmn and blues. Foi questão de tempo pra esses dois grupos perceberam muitas afinidades e daí nascer a cultura Skinhead.

A cultura Skinhead, em seu começo, nada tinha a ver com racismo ou qualquer forma discriminatória, mas sim com o amar a música jamaicana, dançar mais do que todo mundo e ter uma forma peculiar de se vestir.

E o que tudo isso tem a ver com música? Essa é, para muita gente, a melhor época do Reggae. Durante esses anos, músicos jamaicanos faziam música comercial pra agradar o seu novo público inglês, os tais Skinheads, e justamente por isso, passou-se a se chamar muito tempo depois de Skinhead Reggae.

Os temas Skinhead Reggae/Early Reggae geralmente tratava de fatos do cotidiano, como sexo, tretas, violência, vandalismo e até por temas incomuns. É comum também o uso do orgão Hammond em diversas faixas dessa época, que é tão importante quanto os vocais, vide as faixas de reggae instrumental que separei nessa mix. Então vamos comentar algumas faixas que são importantes para o reggae e para música em geral.

A primeira faixa se trata de uma produção do engenheiro eletrônico Joe Gibbs, que também é o fundador da label Amalgamated (selecionei diversos compactos dessa label na mix), que lançou diversos sucessos obscuros no final da década de 60. Joe Gibbs passou um tempo nos Estados Unidos como eletricista, voltou a Jamaica e em sua loja que consertava TV’s começou a vender discos. Com o grande crescimento da cena musical, Gibbs começou a gravar no fundo de sua loja alguns artistas com a ajuda de Lee Perry (que na época não era mais sócio de ‘Coxsone Dodd’) e foi ai que o selo Amalgamated nasceu.

A terceira faixa é a do mestre Count Matchuki, o primeiro deejay jamaicano e é de extrema importância para a música mundial. Influenciou nomes como King Stitt, U Roy, Dennis Alcapone, Prince Far I, Dilling, Lone Ranger e outros grandes Deejays da ilha. Foi ele quem criou o ‘Reggae Scorcher’ que influenciou na criação de outros estilos musicais, como o Dancehall, o ragga e até mesmo o rap.

Começou repetindo chamadas para festas nas introduções das músicas e percebeu que as pessoas gostavam de um ‘mestre de cerimonias’, não feliz em só repetir as mesmas coisas, Machuki começou a compor suas próprias falas, assim ganhando muitos admiradores. Foi ele quem começou também os chamados “peps”, o famoso som vocal repetido diversas vezes acompanhando a batida da música, muito popular no Ska. A pronuncia mais próxima seria algo como ‘chika-a-took-chika-a-took-chika-a-took’, bem notável na música selecionada nessa mix.

Os “peps” criados por Count Matchuki são as raízes do que nós conhecemos hoje como beat box. Count Matchuki era preciso com suas frases, não as despejava como os outros deejays. U-Roy um dia disse: “Count Matchuki é perfeito, é fácil fazer faixas de scorcher com milhares de frases, díficil é ter a precisão de Matchuki”.

Então muito respeito para Count Matchuki, sem ele, o rap não seria o mesmo.”

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14 Respostas

  1. muito legal! quanto mais informações, melhor.

    setembro 22, 2009 às 13:25

  2. kalaboca

    HAHA, como sempre, mandando muito!!
    Conteudo pra geral!

    e ficou muito foda a trilha da leitura! haha!

    setembro 22, 2009 às 16:28

  3. boca

    more scorchaaaaaaaaaa
    Parabens sonolencia!

    setembro 22, 2009 às 16:30

  4. HARD69

    Muito bom, o pessoal da Y&M sempre construindo e passando a real

    setembro 22, 2009 às 16:34

  5. bravo! muito legal o texto, a mix eu escuto depois ;)

    setembro 22, 2009 às 16:42

  6. Da-lhe Sono, o Rude Boy mais sossegado que eu conheço huAUHAhuaHU

    setembro 22, 2009 às 16:49

  7. e ai sono …. texto muito bom .
    e a mix …. ta cabulosa …
    prince buster , e’ sem palavras …
    fd ..

    setembro 22, 2009 às 17:39

  8. Legal, tanto o som quanto o texto. Aliás, destaque pros sons Hijacked e You’ll Lose a Good Thing

    E aproveitando o tema, se possível, gostaria de deixar o endereço do Skinhead Culture, que trata da cultura Skinhead original.

    http://www.skinheadculture.blogspot.com

    setembro 22, 2009 às 17:43

  9. Count Machuki é sempre uma boa pedida, o cara é um mito, inclusive tem um vídeo fodão no youtube dele, vale a conferida. O catálogo Amalgamated é subestíssimadíssimo, produções finíssimas do Gibbs. Tõ ouvindo aqui pela segunda vez a mix hahaha

    Parabéns pro pessoal do perraps pelo convite, acertaram em cheio haha!

    setembro 22, 2009 às 20:14

  10. Peu

    Só faltou disponibilizar a mix pra download, rola? Texto e seleção de alto nível, parabéns!!!

    setembro 23, 2009 às 11:53

  11. RudeBwoys in Town

    Conexão Brasil-Jamaica a melhor…

    Texto FODA !! Parabéns..

    setembro 24, 2009 às 13:15

  12. Pingback: Mixtape by Sono | Skinhead Reggae e Rap? « Beagá Ska

  13. quasemudo

    ae sono esculaxou na mix heim,chora regueiro

    agosto 9, 2010 às 22:28

  14. Rude Boys staly 4ever!!! muito ritmo e informação… muito bom msm!!!

    outubro 2, 2010 às 16:37

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