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O amadurecimento de MV Bill

Foto retirada do Facebook de MV Bill

Foto retirada do Facebook de MV Bill

“Encontrei minha salvação na cultura Hip-Hop” – por Carol Patrocinio

Mensageiro da Verdade Bill, o cara que, em 1999, chegou ao Free Jazz Festival com uma arma na cintura e chocou o país levando a voz do morro, o canto dos excluídos e toda a revolta que só uma vida de dificuldades e obstáculos pode criar, mudou muito em todos esses anos de carreira.

A relação com a mídia se formou e foi estabilizada num respeito recíproco, Bill sabe como lidar com a imprensa e passar sua mensagem – “Saber circular por vários meios e não deixar de ser eu mesmo. Eu posso ampliar meu ângulo de amizades e meu quadro de comunicação”. É um homem inteligente, experiente e, hoje, comedido; sabe que pensar antes de falar é a garantia de não ser mal interpretado.

Pela primeira vez escreveu o roteiro e dirigiu um clipe, que rendeu a indicação ao prêmio VMB na categoria Rap. Mas para o “Soldado do Morro” o prêmio não é importante apenas para a carreira de quem foi indicado e sim para todo o rap nacional, que volta a ter abertura na televisão em âmbito nacional: “A MTV começa a voltar a ter uma relação estreita com o rap nacional, porque há três anos eles não colocam a categoria de melhor rap dentro do VMB. Então, essa volta, e poder estar presente dentro dela faz a minha felicidade completa”, comenta.

Entre projetos sociais, shows, apoio a campanhas e a vida corrida no Rio de Janeiro, MV Bill falou com a gente por telefone – papo que no fim da série VMB você vai poder conferir o áudio na íntegra – e comentou o rap, sua indicação, a mídia e muito mais. Dá uma olhada nos melhores momentos do papo.

Per Raps: Qual a importância da internet para o hip hop?
MV Bill: A internet pra mim é sem dúvida fundamental para a expansão do hip hop, o hip hop brasileiro que não tem compromisso com gravadora, é verdadeiro e fala com o coração. Pra esse hip hop a internet é um caminho alternativo sensacional, sem ela acho que muitos não viveriam. Eu tenho certeza de que grande parte do que aconteceu comigo até o dia de hoje, se não fosse a internet, o caminho teria sido completamente diferente. Viva a internet, viva a democracia!

Per Raps: Você gravou um dvd com o acompanhamento de uma banda. O que você acha quando as pessoas dizem que o rap deve ser “puro”?
MV Bill: Quem acha que o rap deve ser puro deve ser provavelmente um ignorante, não deve conhecer a história do hip hop. O hip hop nasce de uma mistura e ele só se mantém vanguardista e vivo até hoje porque ele continua se misturando e a mistura vai sendo uma renovação. É uma ignorância quando as pessoas acham que o rap tem que ser puro, é burrice, falta de cultura. Acho que o rap pode se misturar ao rock, ao samba, ao baião, ao dance, a outros ritmos, ao funk 70, ao funk atual e nunca deixar de ser rap.

Per Raps: Qual a sua relação com o rap pop?
MV Bill: Eu não costumo classificar por categoria os músicos de rap, como o rap é música ele acaba sendo também entretenimento, não obrigando as pessoas a embutirem mensagem politizadas em suas músicas. Ele serve mais as pessoas das camadas mais pobres, mas acho que não é uma regra.

Per Raps: Você acha que houve uma evolução no espaço do rap ou houve uma estagnação?
MV Bill: O que falta ainda é um programa a nível nacional, mas isso não quer dizer que há uma estagnação no hip hop nacional. Eu, por exemplo, viajo pelo Brasil inteiro, to tocando em tudo quanto é lugar. Acho que o que está faltando é as pessoas produzirem músicas com mais qualidade, buscarem caminhos próprios, não só musicais, mas também intelectuais, desenvolver as visões, não reproduzir o pensamento já existente numa música, os compositores precisam ler mais, descobrir novas palavras, descobrir novas formas de falar de problemas que não mudam, mas falar de forma diferente. Acho que isso vai trazer mais diversidade para o hip hop brasileiro.A gente tem um número de pessoas muito afim de ouvir, mas nossas mensagens não estão sendo passadas para as pessoas com um pacote de qualidade.

Per Raps: Muita gente fala sobre o rapper de sucesso como alguém que se vendeu, qual a sua posição em relação a isso?
MV Bill: Esse é um pensamento ultrapassado. O hip hop evoluiu e as pessoas que não evoluiram junto com ele ficaram pra trás. Se ir falar pra um número maior de pessoas significa uma traição, eu to dentro desse quadro de traição.

Per Raps: O que mudou no Bill que se apresentou no Free Jazz em 99 e que hoje faz parte de projetos sociais?
MV Bill: Acho que o amadurecimento. Amadurecer, ser reconhecido e ter minha voz amplificada me fez modificar alguns pensamentos, ter atitudes diferentes. Antigamente eu tinha as portas trancadas, agora eu tenho portas abertas, então a postura acaba sendo outra.

Per Raps: Quem você acha que deveria ter sido indicado e não foi?
MV Bill: Acho que todo mundo que tá lá já tá ótimo. Eu to feliz por mim e acredito que os outros indicados estejam também felizes por si. Quem não foi [indicado] não tem que sofrer, acho que quando a MTV trás a categoria de rap de volta, acho que não é uma vitória pra mim, pro Bill, é uma vitória do coletivo. Acho que ela volta a ter uma relação estreita com o rap nacional e isso é bom pra todo mundo. E cabe ao próprio hip hop começar a fazer clipes de boa qualidade, música bacana, bem produzido, acho que isso vai fazer com que os espaços sejam ocupados.

Per Raps: Quem são os caras mais legais pra se ouvir hoje?
MV Bill: Tem vários caras legais, eu destacaria por exemplo um rapaz lá do Rio Grande do Sul, chamado Rafuagi, que é muito bom. Aqui no Rio tem outro chamado Rom3u R3, que tá começando e é bem legal. Tem minha irmã, Kmilla, que vai ser foda, que é uma grande promessa no hip hop. Tem vários rolando por aí.

Quer votar no MV Bill? Vai lá!

Essa semana ainda rola entrevista com todos os indicados ao prêmio – leu o papo com o Kamau? -, numa parceria do Per Raps com o iG Street. Não perca!

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Para ver

O rapero, como Bill prefere ser chamado, participa do festival Back2Black neste fim de semana no Rio de Janeiro. O evento tem o objetivo de relembrar a África como berço da civilização e celebrar o continente como polo de discussão política e difusor de cultura.

Serviço
Quando? 28, 29 e 30 de agosto, a partir das 20h
Onde? Estação da Leopoldina – RJ
Quanto? R$ 60 e R$ 80,

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3 Respostas

  1. Rudebwoy R.A.P

    Nada pessoal Bill, até pq ja li 2 livros que vc escreveu e me amarrei. Só que aqui, o assunto é RAP e NEPOTISMO É FOD*.
    Kd o verdadeiros mcs? status de celebridade não produz sagacidade nem aki nem em nenhuma cidade.
    O Edinho é filho de pelé, agora até o filho do lula é treinador de futebol no Santos ( os santistas entendem o estrago que o NEPOTISMO pode causar )

    agosto 31, 2009 às 18:31

  2. Eu gosto deste local demasiado.

    setembro 14, 2009 às 21:18

  3. Pingback: VMB da Discódia, Por Eduardo Ribas – PerRaps « (Des)Neura

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