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Finalmente, J-Live!

O MC, Dj, produtor e manager de sua própria carreira - Divulgação

O MC, Dj, produtor e manager de sua própria carreira - Divulgação

Perseguindo o “Jota Vivo”por Eduardo Ribas

São Paulo, dia 28 de julho, terça-feira. A equipe do Per Raps se apronta para uma grande entrevista: dessa vez, a conversa seria com o nova-iorquino Jean Jaques Cadet aka J-Live. Após conversar com uma pessoa aqui, outra lá, fica acertado que antes da apresentação que o DJ/MC/produtor e CEO faria na festa Chocolate, rolaria uma entrevista exclusiva para o blog.

A animação toma conta da equipe, já que o rapper em questão é um dos nomes mais importantes do circuito alternativo (ou underground) do rap. O cara tem o seu próprio selo, o Triple Threat Productions, criado em 2001, e possui 3 discos oficiais, além alguns EP’s. Só em seu último álbum, “Then What Happened?”, que estava sendo promovido aqui no Brasil, J trabalhou com produtores como Jazzy Jeff e o Dj Nu-Mark.

Voltando, após um longo dia de trabalho, a “crew” do Per Raps segue em direção à Barra Funda, rumo à Clash Club, já que o combinado seria conversar com a atração da noite logo após a passagem de som. Chegamos, e de cara já conhecemos o rapper. De estatura mediana, levemente acima do peso, curiosidade estampada no rosto e humildade exemplar. Nos cumprimentou, pediu licença para fazer umas fotos da casa e, logo depois, foi passar o som.

Por problemas técnicos, acabou conversando com o Per Raps antes da passagem. Subimos ao segundo andar da balada – que é uma das maiores em termos de tamanho em Sampa – e já começamos a prosear. O papo fluia bem, até que na quinta pergunta fomos interrompidos por um dos produtores da festa; J precisaria passar o som agora. E foi. Depois disso, só voltamos a ouvir sobre J quando a festa já tinha iniciado.

O Dj Pedro Dubstrong tocava, o povo que tinha colado na festa se amontoava, e J-Live aparece na pista oferecendo a oportunidade de tentarmos finalizar a entrevista. Ao tentar irmos para o segundo andar, que estava fechado, fomos barrados por um segurança. Um dos produtores da festa sugeriu que a entrevista então fosse feita em um outro dia, concordamos. Mas esse dia nunca chegou.

J-Live na festa Chocolate de SP por Guilherme Mandela

J-Live na festa Chocolate de SP por Guilherme Mandela

J foi então para o Rio, depois voltou para São Paulo, viajou para o Rio Grande do Sul, retornou para Sampa de novo e, por fim, partiu. Por aqui, chegaram notícias de ótimos shows no Rio e Florianópolis. Enquanto isso, tentávamos novo contato por twitter, email (com a ajuda de parceiros), mas nada. Mas não perdemos o ânimo!

As respostas não vieram, mas com isso, além de um texto com as histórias de bastidores, você finalmente terá acesso às respostas do “jota vivo”. E tem mais! Algumas fotos exclusivas do show em SP. Se você foi a algum dos shows, nos ajude a completar essa história!

*Um salve para o Guigo e o Guilherme “Mandela”, da festa Chocolate.

**Confira mais sobre J-Live em seu myspace e no blog do Dj Tamenpi, o Só Pedrada Musical.

Per Raps: Quais produtores que você já trabalhou e destacaria a parceria?

J-Live: Provavelmente, o Dj Jazzy Jeff. Fiz uns três, quatro sons com ele. No último álbum ele veio…pra alguém que já é considerado uma lenda, ele é bem pé no chão, um cara firmeza! É um cara muito bom pra se trabalhar junto.

Per Raps: Teve alguém que você ainda não teve a chance de trabalhar, mas gostaria de fazer isso um dia?

J-Live: Primeiro, tenho que dizer que me arrependo de nunca ter conhecido e trabalhado com Jay Dee. Sou um grande fã e fui influenciado pelo trampo dele, sabe? Outra pessoa, hum…difícil. Vou deixar essa pra depois, eu passo!

Per Raps: Tem gente que ainda associa o rap à violência e a letras vazias. O que você acha disso?

J-Live: Eu acho que o rap tem 360° graus, ele possui muita diversidade. Às vezes é violento, às vezes não é. Mas algumas pessoas ouvem só uma coisa e acham que é sempre assim, mas não é sempre assim. Não acho que o rap tem que mudar, os fãs precisam enxergar a parada toda. Se você só ouve violência nas rádios, acaba achando que só há aquilo. Mas o rap é muito maior que as rádios ou os vídeos.

Você precisa saber o que rola na internet, nos shows e conhecer aquilo também que não rende dinheiro e é música. Então não estou preocupado com essas pessoas, pois sei que o rap é maior que isso. E se ignorarem isso, ignorarão o trabalho de várias pessoas que tem boas ideias, boas letras, que pensam, vão à escola. Se ignorarem isso são ignorantes, e com isso não me preocupo!

Per Raps: Como você se vira sendo MC, DJ, produtor e CEO?

J-Live: É difícil! Tem gente que diz que rimo melhor do que discoteco, que sou melhor Dj que produtor, então encaro como um elogio. Obviamente as pessoas me conhecem primeiro como o MC, depois me vêem como Dj e dizem: ok! E depois ouvem o álbum e falam dos beats. Eu tenho que garantir que o que eu faço garanta um rap bom pra batida, a batida tem que ser boa pra rima, o corte/ risco tem que ser bom pro som. Então um lado puxa o outro, sabe?

Per Raps: E o que você prefere ser ou acha que faz melhor?

J-Live: Prefiro ser MC, não custa nada pra isso, sabe? É mais fácil, não precisa de equipamento. Se você tira os equipamentos, ainda consigo rimar nas ruas. Você precisa de ferramentas pra produzir ou discotecar, o que você precisa pra rimar está bem aqui.

Per Raps: Você administra sua própria carreira?

J-Live: Sim, basicamente eu sou o meu manager, meu Dj, meu marketeiro. É legal, mas eu sei que posso me sufocar nessas. Às vezes é dificil, quando você é o seu manager, a treta é ter o “bad guy” que vai lá e diz “não”. Então preciso administrar isso pra não impedir minha criatividade, mas tudo bem. Eu tive um manager por um tempo, mas tem que ser alguém que eu confie e que tenha experiência no que eu venho fazendo desde 1990. Eu tenho 33 anos.

Quando eu terminar o trampo de Dj – ou melhor, não acho que vou parar de ser Dj ou cantar rap – quando ninguém quiser mais me ver na frente, posso ser manager de outros rappers. Eu estava prestando atenção também, sabe?

Per Raps: Como você cuida das redes sociais que participa?

J-Live: Eu tenho o myspace, facebook, twitter e meu site. Só eu vejo a parada, todos os spams no myspace, sabe? Tento me divertir com isso. Não faço tipo: agenda da semana, não! Uso pra dizer o que ta rolando agora, que a festa ta legal. É isso.

"Abrigada, São Paulo!" (Imagem retirada do Twitpic do rapper)

"Abrigada, São Paulo!" (Imagem retirada do Twitpic do rapper)

Esse foi o público de J-Live em SP por Guilherme Mandela

O público de J-Live em SP garantiu casa lotada - Guilherme Mandela

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Uma resposta

  1. biha

    boas perguntas!

    agosto 20, 2009 às 16:07

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