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Interferência: periferia em foco

No post de hoje, o Per Raps indica alguns vídeos bem interessantes que estão na rede há algum tempo e tem tudo a ver com as discussões do blog.

O Interferência é um programa conduzido pelo rapper e escritor Ferréz, onde ele entrevista importantes personalidades da nossa sociedade para debater, principalmente, os problemas da periferia. As conversas ocorrem no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, no Bar do Saldanha, e o quadro é exibido quinzenalmente no programa Manos e Minas, que vai ao ar todas as semanas pela TV Cultura.

O legal do site do programa é que, além de assistir os quadros editados da forma como vão ao ar no Manos e Minas, ainda há a opção de assistir as entrevistas na íntegra, e algumas delas realmente valem a pena. Destacamos aqui os programas com o ator de teatro Hugo Possolo, o jornalista Xico Sá, a educadora Tia Dag, o cantor Arnaldo Antunes, o poeta Sérgio Vaz e o rapper Eduardo, do Facção Central.

A edição com este último, inclusive, merece um pouco mais de atenção. Eduardo faz parte, ao lado de Dum Dum, de um dos grupos mais polêmicos do rap nacional. As letras violentas e com forte teor ideológico se tornaram marca registrada do Facção Central, que já tem oito discos gravados e ganhou popularidade em meados dos anos 90 com músicas como ‘Roube quem tem’ e ‘Brincando de marionete’.

Na entrevista, que você pode conferir aqui no Per Raps dividida em três partes, Eduardo sustenta seu discurso com ótimos argumentos falando, entre muitos outros assuntos, da necessidade de representantes da periferia na política e do papel da polícia na sociedade.

Leia duas partes interessantes da entrevista:

Televisão x rap

“O rap não entendeu que a televisão é assistida por 90% da população. O rap não entendeu que era necessário ter representantes autênticos na televisão. O cara que assiste a televisão na periferia, ele assiste uma programação nórdica, européia, ele não se vê representado ali. E o rap não entendeu isso. E quando ele não entendeu isso, ele deixou de aproveitar a oportunidade e acabou de abrindo mão de um veículo de comunicação que é nosso por direito”.

Letras violentas

“Meu rap é na proporção do sistema. Não tem como você falar de guerra sendo feliz, com letras românticas, não tem como romancear a guerra, não tem como romancear o sistema carcerário, a vida na favela. Não tem como falar de problema social sendo agradável, ele não é agradável”.

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Parteum

Outro vídeo legal é a participação de Parteum em um quadro do programa Pé na Rua, também da Cultura. Em “Profissão Rapper”, o MC dá um show e mostra porque um rapper deve ser considerado um músico como qualquer outro. Manja muito!

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EP virtual Akira Presidente

Como divulgamos na última semana, está disponível para download o EP “O que tu qué” de Akira Presidente.
Link para download: http://www.zshare.net/download/63918808562d968c
Para mais infos: myspace.com/akirapresidente

Confira a entrevista que Akira concedeu ao Per Raps.

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4 Respostas

  1. Às vezes penso mesmo que tem muito rap fraquinho por aí, quando me deparo com umas paradas dessas, tipo a entrevista com o Eduardo, do Facção Central.
    O bicho tá pegando e neguinho tá falando de dançar na balada…
    Sei lá!
    Respeito, tem rap pra todos, na real, mas admiro quem tem as manhas de bater de frente e usar a música como instrumento para lutar contra a desigualdade.
    Porque é difícil fazer música e não se deixar envolver pelo lado do entretenimento e diversão que ela proporciona…foda é falar de sentimento e se o sentimento que for expressado for raiva, indignação e tudo o mais que é duro de engolir, fica ainda mais incrível o resultado.

    agosto 11, 2009 às 03:10

  2. CalmoComoUmaBomba

    Eduardo existe APENAS pra criticar o Sistema. Mas o que seria dele se não tivesse Sistema? Adianta o oprimido virar opressor? Ele vê o Sistema como “Eles” em vez de “Eu”. A maioria dos parlamentares brasileiros NÃO nasceram em berço de ouro. São nordertinos de origem pobre. O discurso de Eduardo é muito mais pessoal que coletivo. Não é justo e beira o vingativo. Peca como todo esquerdista. DIREITO E ESQUERDO SÃO IDÊNTICOS! SÓ MUDA O LADO! Ele é inteligente sim, mas não pondera e só pensa com um lado do cérebro. Ele não faz a menor idéia do que ignora. Quando conhecer o outro lado do cérebro enlouquecerá.

    agosto 12, 2009 às 20:44

  3. Pingback: Akira Presidente – O Que Tu Qué? «

  4. Pingback: Per Raps » Blog Archive » Ferréz e o sucesso da 1DASUL

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