Blog de informações sobre hip hop, rap brasileiro e cultura de rua

Grafite Woman

Grafite Womanpor Nathalia Leme

Você provavelmente já deve ter lido aqui no Per Raps algo sobre a ascensão do grafite nos muros por aí na sua cidade. Como já comentamos também, aqui em São Paulo, apesar da Lei Cidade Limpa, do prefeito Gilberto Kassab, o grafite está em alta.

Mas existe uma coisa que talvez você não saiba ou nunca tenha percebido: uma parcela considerável da arte urbana é feita por garotas.
Sim. Garotas!

Conversamos com algumas grafiteiras do Brasil e de fora dele para descobrir o que leva meninas a estamparem os muros das grandes cidades. “Comecei na minha cidade, Porto Alegre, por influência de uns amigos. Pintava muito pouco, gostava mais de me dedicar a dança, achava muito legal b.boys e b.girls. Mas a dança é uma atitude que exige muito do corpo, da mente e do emocional. Quando comecei, eu estava passando por uns momentos difíceis, aí me dediquei mais ao desenho ajudando uma amiga a desenvolver umas estampas pra uma marca. Vi que, no fim, era a terapia que eu estava precisando no momento”, conta Crix, que pinta há 6 anos.

Crix em ação, por Day Medeiros

Crix em ação, por Day Medeiros

Assim como a Crix, muitas das meninas seduzidas pelo látex ou spray começaram por influência de amigos. Por parte das iniciantes, rola sempre uma dúvida de como será o relacionamento com os grafiteiros – os homens que dominam, em maior porcentagem, muros. “A convivência é pacífica. Até agora não sofri nenhum tipo de preconceito vindo de outros grafiteiros, até porque muitos amigos meus são, e eu já era amiga deles antes de pintar. O fato de ser mulher pode pender para dois lados: ou você é muito respeitada por ser mulher e fazer o que faz, pela atitude e tudo mais. Ou você é discriminada pelos mesmos motivos”, explica Mandy, que começou a pintar há um ano e meio.

E a família, o que acha de tudo isso? “No começo minha mãe estranhava o fato de eu ter um monte de tintas e cacarecos que juntava da rua no meu quarto, mas com o tempo ela foi conhecendo meu trabalho e hoje ela até admira. Já que tinha também meu irmão que pintava, então ela não teve muita escolha (risos). E o restante acha interessante ter alguém na família que gosta e faz arte”, diz Luciane, atuando desde 2000.

A história do grafite feminino cresceu e rendeu um livro, idealizado por Nicholas Ganz, que conta a trajetória dessa arte pelos cinco continentes do mundo. O livro, batizado de Graffiti Woman, traz imagens de grafites feitos por 125 mulheres selecionadas em todo o mundo e ajudou até a desenvolver exposições coletivas e individuais no Brasil e em países como Cuba e Estado Unidos.

Capa do livro de Nicholas Ganz

Capa do livro de Nicholas Ganz

Às meninas que estão começando, uma dica da argentina Zumi, que pinta há pouco mais de dois anos e esteve em visita recente ao Brasil: “O que posso te falar? Se você já experimentou e sabe o bem que é estar lá fora com tinta nas mãos, continue! E para quem não sabe: comece! Não demora, não! Você vai encontrar teu caminho. Vai com a mão aberta e respeito, muito respeito, parceiros aparecerão com certeza. Sorte y sempre… Que flua!”

E para quem se interessa, existem oficinas de graffite espalhadas por toda cidade. No SESC Santana, Z/N de Sampa, os artistas do coletivo Estudio Diálogo ajudarão os participantes a desenvolver um painel nos muros internos da unidade.

A estudante argentina Zumi em SP, por Day Medeiros

A estudante argentina Zumi em SP, por Day Medeiros

Interessou? Se liga só:
Atelier SESC Santana
Av. Luís Domund Villares, 579.
Graffite: Palavras ao Muro.
SESC Santana
22/07 a 31/07
Quartas, quintas e sextas, das 15h às 18h

Anúncios

6 Respostas

  1. Só pra fortalecer a informação…

    http://www.fotolog.com.br/xkatiax

    Se puder fortalece ai o encontro das meninas.

    Um só…

    julho 1, 2009 às 01:13

  2. Bom não sei quem é o responsável por esse blog, mas queria fazer uma comentário, crítica. Espero que seja entendida. Aqui eu vejo muitas fotos publicadas, minhas de outros fotógrafos que eu não sei de quem é, neste blog não vejo uma vez os créditos das fotos. por exemplo nesta matéria existem umas fotos que não sei quem fez, não são minhas. Bom as minhas vocês do blog sabem quais são, pq o fotografado sempre envia as fotos e diz quem fez as fotos, já vi publicadas em diversos meios de comunicação revistas jornais, site e apenas neste blog vocês não tomam o devido cuidado/ respeito com o autor da fotografia.
    Bom é só um comentário, espero que as próximas fotografias, não só minhas a de outrros saiam com os devidos créditos.

    Obrigado

    ênio

    julho 1, 2009 às 06:03

    • Enio,

      Primeiramente, o Per Raps é de responsabilidade de: Daniel Cunha, Eduardo Ribas e Nathalia Leme. Os três são jornalistas. Em segundo lugar, aceito a sua crítica, no entanto terei que contra argumentar. Primeiramente, você não deve ter tido acesso a mais que uma página deste blog. Digo isso, pois você pode encontrar facilmente inúmeros créditos de fotos aos seus devidos autores. A equipe do Per Raps tem um grande cuidado com a qualidade visual deste espaço e também um enorme respeito pelo trabalho dos fotógrafos.

      Inclusive, em nossas pautas nós fazemos questão de levar um profissional da área junto para termos registros de imagens exclusivas. O problema nesse sentido do crédito do autor da foto, se dá no momento em que os artistas nos encaminham material e não repassam junto o devido crédito. Quando isso acontece, a imagem acaba sem legenda ou apenas com um aviso de “divulgação”. Por isso, discordo da frase “as minhas (fotos) vocês do blog sabem quais são, pq o fotografado sempre envia as fotos e diz quem fez as fotos”.

      Creio que essa é uma idéia que você deve deixar clara com os seus retratados, pois o crédito é de importância fundamental para trazer visibilidade e reconhecimento para o autor. É exatamente por isso que neste espaço, nós fazemos nossa parte: sempre cobramos o nome do dono da imagem. No entanto, assim como você reparou, por algumas vezes o pedido não é atendido ou se acaba cometendo o erro de deixar o crédito passar batido, infelizmente. Mas esses casos correspondem a uma porcentagem mínima.

      Nós do Per Raps admiramos o trabalho de inúmeros fotógrafos, entre eles João Wainer (que possui um link para seu blog, o Tranca-Rua, na lateral direita do Per Raps), Anderson Barbosa, Caroline Bittencourt, o casal de fotógrafos Louise Chin e Ignacio Aronovichda (Lost Art), Flávio Samelo, Homero Nogueira e os “monstros” Sebastião Salgado e Henri Cartier-Bresson, todos com forte influência urbana e/ou social. Além disso, os ainda mais novos: Acauã Novais, Janaína Castelo Branco, Cae Oliveira, Anna Carolina Negri e tantos outros.

      Fica então registrado o nosso “mea culpa” à parte que nos cabe e fica o compromisso de melhora nesse sentido.

      E obrigado pela dica.

      Ps.: Clique no nome do fotógrafo para ter acesso as imagens de cada um deles.

      julho 1, 2009 às 11:33

  3. ah
    vocês usam copyleft .

    #
    Copyleft
    É permitida a reprodução total ou parcial dos textos publicado neste site, desde que citada a fonte.

    muito bom isso não?

    julho 1, 2009 às 06:05

  4. Oi minha filha!
    Como assim você não me contou que ia por isso no blog? Eu comecei a ler por acaso aí vi meu nome ahahaha, fiquei passada….
    Da hora o texto, fee!
    jah bless
    miss ya
    =*

    agosto 5, 2009 às 01:09

  5. Lu

    Legal a matéria, mas ao contrário de Luciane, tu pode colocar o nome de rua = Lirou
    Um abração
    Sucesso

    setembro 19, 2009 às 17:17

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s