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Hip Hop no Mato Grosso do Sul + Dicas

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Vida em Marte – por Pedro Nachif Nunes

Logo na minha primeira tentativa de interação com a galera do blog Per Raps, me foi dada a prazerosa porém árdua missão de escrever sobre o rap proveniente do meu querido estado, o Mato Grosso do Sul; mais especificamente, a capital Campo Grande.

Explico o porquê de o trabalho ser tão árduo assim: pra quem não tá ligado, o MS é uma espécie de Texas do Brasil. A base da economia é a agropecuária, sendo o estado um dos maiores exportadores de carne bovina no MUNDO, logo, a cultura não poderia ser diferente. Pesquisas de uma emissora de rádio local afirmam que mais de 60% da população do estado consome música sertaneja, enquanto todos os outros estilos musicais “dividem” os restantes 40% (que no final das contas, é quase nada enquanto mercado).

Dentro de tal cenário, é óbvio que não falaremos sobre grandes fenômenos, histórias e números, e sim sobre o esforço que ao longo dos anos mantém a cultura viva tanto aqui quanto nos 4 cantos do país, compondo o mosaico do hip hop mais rico do mundo: o brasileiro.

A militância no MS já beira os 20 anos e nasceu na periferia de Campo Grande com grupos de break e grupos de rap, como o lendário Falange da Rima, que em certa época já chegou até a ser freqüentador do Yo! MTV, com o clipe de “Circo dos Horrores”, clássico máximo e hino do hip hop campo-grandense. Infelizmente, não encontrei esse material no youtube, mas as mp3 não devem ser assim tão difíceis de serem encontradas; vale à pena pra quem curte história do rap nacional “fora do eixo”. Também vale lembrar que quando o assunto é a recepção de grandes grupos de fora, o público sempre representou e lotou casas de shows, de SNJ à Facção Central.

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Imagem retirada do fotolog de Tox Freak Show/MS

Apesar da história, o rap através dos anos não ultrapassou a barreira dos guetos para o grande público do Estado; isso vem acontecendo (mesmo que à passos de formiga) nos últimos anos com o advento da internet e a informação globalizada. Em 2009, Campo Grande entra definitivamente para o mapa dos shows dos artistas “lado b” do rap nacional, recebendo no primeiro semestre, nomes como a brasiliense Flora Matos e o guerreiro do underground, Marechal; e bandas de sonoridade mais pop e acessível começam a usar elementos da cultura urbana e do hip hop.

“Nossa, como essa cidade é cheia grafites bonitos!” é um tipo de frase bem comum atrelada à quem visita Campo Grande. Riquíssimo em cores, o grafite do estado se destaca entre a nova escola nacional. Você pode conferir um pouco desses trampos em portfólios como Tox Freak Show, Terreo Crew, Sagradarte Crew e Arteconstante.

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Na esfera “internet”, o myspace de rap mais movimentado (ainda que bem longe de ser um fenômeno de visitações) é o do trio La Matilha. Totalmente caseiro, new school até o caroço e ativistas pela liberdade dos arquivos na web, a crew lançou 2 EPs de 4 músicas, fez poucas apresentações ao vivo e se encontra “hibernando”, em virtude da distância gerada pelas atuais correrias individuais (1/3 do grupo atualmente mora em SP).

Um dos MCs pretende lançar álbum solo (por selo próprio) no próximo verão, sob auxilio do mesmo beatmaker da crew e vários amigos da nova cena musical da cidade envolvidos e fazendo participações. Enquanto isso, vocês podem ouvir o último (até então) dos EPs caseiros do La Matilha no myspace.
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Festas

Kamau sobe ao ringue da próxima edição da Rinha dos MC´s –um dos maiores e mais conhecidos encontros de freestyle do Brasil–, que acontece nesta sexta-feira, 3 de abril, no Executivo Bar. Acompanhado de Erick Jay nos toca-discos e Jeffe nos vocais, ele apresenta músicas do álbum “Non Ducor Duco”, que chegou às ruas no final do ano passado e é resultado de quase 12 anos de batalha pelo “ritmo e poesia” feitos no Brasil.

Antes e depois do show e durante a tradicional batalha de freestyle, os DJs DanDan e Marco comandam a trilha sonora. A festa é apresentada pelo MC Criolo Doido.

Sexta (3/4) @ Rinha dos MC’s (Executivo Bar)
Endereço: r. Sete de Abril, 425, República, São Paulo, SP.
Horário: a partir das 23h.
Preço: R$ 10 (mulher free até 0h20)

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Emicida e Mentkpta @ Noite Black do Clube Harmonia
Discotecagem com os Dj’s Peen & Monk
Clube Harmonia: Al. Princesa Izabel, 2191 – Paraná/Curitiba (CWB)
Início às 23h – Homens R$12/Mulheres: R$7 (Depois das 00h30 outro preço) 

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Neste sábado (04), a atração da Zoeira SP é o rapper Renegado (BH), que fará um pocket-show para divulgar o lançamento do seu primeiro disco e do novo clip. Ele contará com a participação especial de Funk Buia.

O primeiro CD do Renegado é intitulado “Do Oiapoque a Nova York”, e foi produzido por Daniel Ganjaman. A música “Santo Errado” foi a escolhida para virar clip e será exibido na festa. Vale lembrar que o Renegado foi premiado como “Artista Revelação do Prêmio Hutuz 2008”, vencendo também na categoria de “Melhor Site”.

Os DJs são os já conhecidos Dandan (Rinha dos MCs), Kefing (cantora LUA e Tapas Club) e os Selectors Bside (Primous). Nos telões, projeções de fotos de Giovani Castelucci. Haverá também sorteio de shapes de skate ProModels da campanha CBSK, promovida pelo skatista Alessandro Mcgreggor. Os Mcs Lenda (Patchol’s) e Marcello Gugu (Afrika Kids Crew) serão os apresentadores da festa.

Zoeira Hip Hop com Renegado (BH)
Dia 4 de abril, sábado
Preço: R$15,00 (com flyer) R$ 10,00 (nome na lista) | MULHER FREE ate meia 00h
Lista: zoeirahiphop@gmail.com
Hole Club – Rua Augusta, 2203 – Galeria América – Jardins/SP
Telefones: (11) 3086-1083

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15 Respostas

  1. isso ai..cultura dos guetos presentes em todo os cantos, a realidade nao se esconde..ate mesmo em campao..o texas do brasil. heheh

    abril 3, 2009 às 01:51

  2. Samambaia

    Pedrão, me joga aí na fita do álbum solo! hehe
    Abraço.

    abril 3, 2009 às 02:34

  3. rafaela terencio

    parabéns pedro!! é isso mesmo! ótimo texto!
    Que a cidade sofra uma evolução!!

    abril 3, 2009 às 03:05

  4. Léo

    Eae Pedrãoo, e isso ae meu velho
    show de bola
    agora é fazer a galera conhecer um pouco mais do som feito aqui!! hehe abraçs parabens

    abril 3, 2009 às 03:10

  5. pedro

    samambaia: porra, com certeza! ;)

    abril 3, 2009 às 03:17

  6. déia

    beeeejo adorei :)

    abril 3, 2009 às 03:55

  7. Da hora a matéria do MS, moro em SC atualmente, mas sou de campo grande (MS). ah, vale lembrar que existe dourados-MS e tem os caras do Fase Terminal, que mandam muito bem também. valeu texas brasil, muito bom!

    abras.

    abril 3, 2009 às 12:55

  8. po ..verdade..
    em Dourados o hiphop ta bem representado tambem, com graffitis, b-boys e Mc’s. Dourados e Campo Grande representam bem o hiphop sul mato grossense!.
    Mas é isso aí. Da hora a matéria.
    Paz
    http://www.fotolog.com/bafus
    .
    .
    .
    Salve Tox

    abril 3, 2009 às 14:16

  9. tanto é que fizemos um clip de rap essa semana.Produção Underground.
    .
    .
    Mil Motivos – http://www.youtube.com/watch?v=VyhuFooz2-E

    abril 3, 2009 às 14:17

  10. É outro lugar que tenho vontade conhecer de perto a cena. Sempre leio matérias á respeito de MS, é isso aí hip hop sem barreiras e no Brasil inteiro.
    Meu blog no começo da semana vai voltar as atividades. Estou preparando os textos galera.
    Até mais Pedro. Tamos aí para o que der e vier. Muito bom o texto.

    abril 3, 2009 às 16:50

  11. pedro 420

    ME DESCULPEM, DOURADENSES!!!
    foi mal minha não ter citato a cidade, que é uma das maiores potências do estado e região não só no rap, mas também no metal.
    eu amo dourados, mas infelizmente conheço muito pouco sobre a cena, então seria meio leviano falar sobre uma parada que eu não conheço de verdade.
    eu to ligado que dourados é a casa do grande “Fase Terminal” e que lá também acontecem paradas da CUFA (coisa que não rola na capital, Campo Grande).

    Um abraço e paz à todos,
    tudonosso.

    abril 3, 2009 às 21:54

  12. Delók.

    pedro 420

    Salve irmãozinho, então num sei se vc está sabendo, mais em Campo Grande também ta rolando umas paradas do CUFA, a galera ta fazendo mó corre aqui na capital, e se pá vai rolar umas oficinas de Graffiti, Break e se pá também de Dj, agora de MC ja nem sei…
    Mais a galera ta na correria ae.

    Abraços

    ResaOne.!

    abril 4, 2009 às 00:32

  13. pedro 420

    Delók

    muito da hora, mano. eu não to por dentro disso, me adiciona aí no msn pra trocarmos uma idéia 190isajoke@gmail.com

    abraço

    abril 4, 2009 às 03:24

  14. Ark

    c@ralho, curti a matéria sobre o rap em Mato Grosso do Sul, sou de Campo Grande tbm e ficou exatamente como é a cena por aqui, os grupos, os graffitis,etc! parabens pelo post!
    abraço

    abril 9, 2009 às 00:29

  15. Pedrinho

    Certinho irmão, falta mto ainda mais nois tamo na correria,,,to querendo forma um grupo de rap mais aki eh imbassado como vc disse o pessoal so q sabe de cowbóyzada shauhsuahsuash mais tamo ai truts,,,

    fé em Deus!

    julho 11, 2009 às 04:22

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