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Projeto Manada – Urbanidades (2008)

“O rap ainda não garante meu sustento, mas sem ele é mais difícil, confesso: eu não aguento”, dispara Macário no “Jogo Rápido” que abre as “Urbanidades” do Projeto Manada. O rap mostra ser a terapia dos quatro integrantes do grupo, que também serve de “homenagem” a São Paulo. Além disso, há a contestação se a correria toda é válida ou não. Em ritmo acelarado, as rimas e os beats garantem que “o tempo nunca tá parado”, ainda mais em Sampa.

A próxima faixa é uma produção do DJ Duenssa (“sempre louco, mas também discreto”, Mr. Venom) do Rua de Baixo, que mostra os “Quatro Elefantes” dissertando sobre seus caminhos na rima. “Não adianta lutar contra, então relaxa, sinta o peso da Manada”. Esse é o rap bem trabalhado e honesto do Projeto Manada, que começou por volta de 2003 e lançou o EP “A outra face da mesmice” no ano seguinte. O grupo já tinha participado também da coletânea Direto do Laboratório, considerada um marco no rap alternativo, com a faixa “Primeiro Ato”.

Um dos sons mais “pesados” do álbum, em termos de base e conteúdo, é “Retina”. Leco, Macário, Prizma e Mr. Venom desenvolvem uma idéia que vai “de erros e acertos” daqueles que vivem na capital paulistana, aos momentos em que as pessoas se vêem presas “nos recibos do cartão que você assina”, hip hop como cultura e religião, escolhas e outras situações típicas da metrópole. Para acalmar os ânimos, “Gris”, com melodia conduzida por um dedilhado de violão e uma linha de baixo marcante. Destaque também para a participação de Gilmar de Andrade (irmão do MC Sombra, ex-SNJ), que canta e traz uma força “pacífica” ao refrão.

A sequência lembra um pouco o primeiro trabalho dos paquidermes, um pouco mais jazz, e conta com samples da cantora Elis Regina intercalados com as rimas dos MC’s. A ótima produção é do jovem beatmaker/MC Tiago Rump, e a idéia que marca a rima é o lema da Manada: “um por todos e todos por um!”. A “Verdadeira Força” mostra a perseverança em meio às adversidades e abre alas para “Receita”, produzida por Macário e com a condução sutil de um teclado na base. “Inocência” chega sem “romantismo barato” com a produção do curitibano Dario Beats e a voz de Carol Pereira, que remete bem ao tom da faixa: no começo tudo indica o caminho das flores, mas os obstáculos determinam quem continua e quem sai do jogo.

“O Sol veio me chamar” mostra que apesar dos pesares, a vida ainda é bela. Uma das maiores provocações do álbum chega em “Mentira Salva”, que questiona os caminhos da fé na selva de concreto e aço. É quase um diálogo com o lado profano da cidade em um beat sombrio de Mr. Venom. A faixa “Estouro” vem para levantar o ânimo na pista e colocar todo mundo pra dançar. E para quem acha que não tem baladas para quem curte ouvir rap de qualidade, ai vai a dica do Manada: “…se toda festa que eu colasse fosse igual o Zoeira” (Leco, em “Zueira”, se referindo a festa Zoeira Hip Hop SP). “Ao Avesso” fecha o álbum com destaque para a percurssão, que conduz o beat.

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E qual será que foi o maior desafio para a produção de “Urbanidades”, na opinião do próprio Projeto Manada? “Desafiador é lidar com opiniões divergentes, agendas conflitantes e a maldita relação tempo/dinheiro, que são coisas que nunca andam juntas. Ao mesmo tempo, todos estes obstáculos acabam servindo de inspiração e temperam ainda mais o nosso disco. A frustração da busca pela perfeição é quase como mais um componente do grupo; por isso, que a gente aprendeu a lidar bem com ela”, confessa Macário.

Do lançamento do EP, em 2004 até esse último lançamento houveram algumas mudanças no grupo. Tanto em relação a formação, quanto a evolução pessoal do trabalho de cada um. O que foi mais positivo em “Ubanidades”? Macário também responde. “O lado prazeroso do processo foi construir o nosso home estúdio Toca do Elefante, foi aumentar o tamanho da família Manada com a entrada do Leco e do Venom, e foi aprender e trabalhar com gente do calibre do Dj Q.A.P (SP Funk), do Vander (do Atelier Estúdio) e do Ronaldão (técnico de som da Trama) que nos ensinaram muito no processo de mixagem e masterização do disco”. Vale a pena conferir!

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PROJETO MANADA (SP) – “Poesia irônica dosada com beats e scratchs”
MCs: Leco, Macário, Prizma e Venom
Lançamento do álbum “URBANIDADES”

MENTEKAPTA (Curitiba) + TUCHÊ
Lançamento do EP “Protótipronto”

Hole Club: Rua Augusta 2203 – Jardins (dentro da Galeria América) Metrô Consolação
Horário: 23h30
Valor: R$15 ou R$10 com flyer e nome na lista (zoeirahiphop@gmail.com)
Mulher VIP ate meia-noite

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