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Aquecimento Indie Hip Hop 2008: Entrevista com Doncesão

A algumas horas do início do festival de rap alternativo mais aguardado do Brasil, o Per Raps disponibiliza aos seus leitoresuma  entrevista exclusiva com Doncesão, MC da Casa Verde que canta pela primeira vez no evento, neste sábado. Confira!

Doncesão é uma das atrações do Indie Hip Hop 08 neste sábado

Doncesão é uma das atrações do Indie Hip Hop 08, por Ruy Fraga

Per Raps: Pra começar, quem é Doncesão

Doncesão: Primeiramente, eu gostaria de agradecer o Per Raps, a todos que acompanham o blog e a todas as pessoas que acreditam no que fazem.

Quem é Doncesão? Acho meio estranho ficar aqui falando sobre mim, mas acho que ainda sou aquele gordinho asmático, que andava pelas ruas da Casa Verde com o bolso cheio de bolinha de gude (risos)! O nome surgiu de algumas brincadeiras de amigos, que me chamavam de Don pelo fato de eu ser louco por filmes de máfia, historias de máfia, seja pelo lado obscuro ou pelo lado da organização e lealdade familiar.

Com o passar dos anos, fui absorvendo alguns desses princípios à minha personalidade, assim como outras influências, sejam elas musicais ou fatos e histórias que aconteceram nesses meus 22 anos. Acho que essas influências apareceram naturalmente quando eu comecei a escrever.

Per Raps: Como foi sua entrada com o pessoal da 360 Graus Records?

Doncesão: Você acredita em destino? Eu acredito (risos). Eu tenho um amigo, o Leschar, que vivia me falando que tinha um amigo dele, que morava em Santana, que produzia e gravava vários sons e que eu tinha que colar lá pra escrever e gravar uns sons. Mas eu estava entrando na faculdade e não tinha muito tempo.

Até que um belo dia, um amigo meu que se chama Davi, que é percursionista, estava gravando umas guias lá na casa do Dj Caíque e pegou um cd dele, o Coligações Expressivas. Ele mostrou o cd pro meu irmão, que me ligou na hora, depois chegou em casa e me mostrou a faixa 7, se eu não me engano, que é Minha Prece, com o Contra Fluxo. Nossa, mano, aí eu fiquei louco. Alguma coisa me dizia que eu tinha que falar com ele, então eu liguei lá na mesma hora e colei na casa dele.

Cheguei lá já com a idéia de fazer um disco inteiro com ele produzindo, aí ele me falou: “Escolhe um beat e escreve, Se eu gostar, eu gravo.” Já comecei a aprender ali, ele sempre me disse que musica é pra ser feita com o coração. “Faça pra você, e não pros outros”.

Aí escolhi o beat e escrevi minha primeira rima, o primeiro som que escrevi na minha vida, (É pra quem flagra), junto com meu parceiro JPNK, e acho que ele gostou, hahaha. A partir daí o Caíque me convidou pra fazer parte do time, e acabou resultando no Primeiramente. Minhas primeiras rimas, meu primeiro disco, meu primeiro show e meu primeiro contato com o público.

Per Raps: Você lançou um álbum quando pouca gente conhecia você na cena, ainda não havia feito shows. Como surgiu essa decisão?

Doncesão: Na real foi um processo bem natural, mano, não me preocupei com nada, apenas em escrever e passar a emoção do momento. Fiz o disco com o coração na ponta da caneta, escrevia e gravava.

As gravações que estão no disco são originais, tudo lá é take único, gravou ficou, não fiz pré, só regravei  uma parada no som Sonho Pt. 1. Escolhia os beats, escrevia e gravava. Aí quando o processo se encerrou, eu comecei a pensar nessas paradas, na real mano, não ligo muito pra essa parada de cena não, a parada ta aí e se ninguém fizer, não tem cena!

Em seguida, Doncesão citou o refrão da música Eu deixo a vida suspirar, do seu álbum de estréia, Primeiramente. (Passado, futuro, presente, não ajuda, não atrapalha, parceiro, então sai da frente. Na vida tudo passa, se é que você me entende, se ninguém fizer, quem que vai fazer pra gente?)

Per Raps: Seu disco já está na rua há alguns meses. Como você fez para divulgá-lo e como foi a aceitação do público até o momento? É o que você esperava?

Doncesão: Está bom, mas podia ser melhor! Vendi muito cd pra um público que não é considerado o “público do rap”. Estou fazendo show em faculdade, bar, é outro role, e eu acho importante essas pessoas conhecerem o rap e a cultura hip hop mais de perto. Também acho que pelo fato de eu ser um “novato”, aos poucos eu vou atingir o público exigente que é o público do rap, mas no geral estou contente; fazendo shows, vendendo cd, passando a mensagem, e é isso que importa.

Per Raps: Depois de um primeiro show na festa do Programa Freestyle, qual sua expectativa pra cantar no Indie, o maior evento dedicado ao rap alternativo no Brasil? O que o público pode esperar da sua apresentação?

Doncesão: Acho legal mano pelo que o Indie representa. Acho um reconhecimento importante, espero que o público compareça. Estaremos apresentando um show com o repertório de dois discos, o meu Primeiramente e É o terror, do Dr.Caligari. 360 Graus Records chegando em peso, é só o começo….

Per Raps: Quais as influências no seu som? E a levada acelerada em algumas das rimas?

É sempre difícil falar sobre as influências, mas acho que meu som tem muita influência do ambiente em que eu vivo: nascido e criado em São Paulo 011. Acho que trago muito isso nas letras que eu escrevo. Tenho muitas influências, sejam elas os beats do Caíque, as obras dos Gêmeos, Picasso, Dali, Nocivo, a pixaçao nas ruas, Mos Def, Moby, Slug, Badu, Don Corleone, Gloria, Marcos Valle, Adoniran, Moreira da Silva, Sigilo, BIG, THC, meus parceiros e amigos, minhas crenças, meus amores…E a levada acelerada?  É a tentativa de colocar todas essas influências dentro de um som (risos).

Per Raps: Vimos que sua página no myspace é bem interessante. Você acha que essa ferramenta (e outras que a internet disponibiliza) permite a propagação de sua idéia?

Doncesão: Sim, acho que toda divulgação é válida, desde que seja bem feita. Com  myspace não é diferente, acho que a internet proporciona essa parada dinâmica, não tem barreiras, e  através do myspace já rolou muito contato bom. Tenho que agradecer ao Caíque, ele que flagra dessa paradas de net.

Per Raps: Como vai ser tocar em um festival em que Talib Kweli tocará também? Ele tem alguma influência em seu som?

Doncesão: Foda mano! Vai ser foda! Considero o trampo do Talib uma grande influência pra mim, tanto na questão das letras e abordagem de temas como também na forma de trabalho.

Sei lá, né mano! Tem coisa que a gente não consegue explicar. Ano passado eu tava lá assistindo o show dos meus parceiros do Contra Fluxo, tava no meio do meu disco e nem sabia o que seria do trampo ainda. Foda! É isso memo, gostaria de agradecer mais uma vez ao Per Raps pela oportunidade, 360 Graus na área, 2009 com vários lançamentos e novidades, aguardem.

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Uma resposta

  1. Parabéns pelo Blog! Você conhece Estela Cassilatti? Ela deu uma entrevista exclusiva para o Cogitamundo Blog. Não é Rap, nem hip hop, mas tem qualidade.
    Está em http://cogitamundo.wordpress.com/2008/12/13/estela-cassilatti-peixes-passaros/
    Vale a pena conferir.

    dezembro 13, 2008 às 17:21

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