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Entrevista Rah Digga

A equipe do Per Raps foi a campo falar com Rah Digga

A equipe do Per Raps foi a campo falar com Rah Digga

Como prometemos, segue a entrevista que o Per Raps fez com a Rah Digga na terça-feira passada, um dia depois de ter aterrissado em São Paulo. Na quinta, a cantora norte-americana fez o show na Praça da Sé e agitou o público que se uniu para celebrar o dia da Consciência Negra.

Para começar a conversa, Rah Digga falou sobre o início da carreira e como artistas renomados como Q-Tip, integrante do A Tribe Called Quest, e Busta Rhymes, a ajudaram a dar os primeiros passos no rap. “Eu conheci o Q-Tip em uma sessão no estúdio do Young Z, do Outsiderz, e dei a ele uma demo com algumas músicas minhas”.

“Na semana seguinte, eu estava cantando no Lyricist Lounge, grávida, e ele era o produtor do evento. Eu mandei muito bem e ele me contratou para a Elektra Records. Mas nós temos estilos muito diferentes e um ano depois ele me apresentou ao Busta Rhymes. Busta também gostou da minha música e me chamou pro Flip Mode Squad. Foi bom porque o Busta também era da Elektra e eu não perdi o contrato.”

Por ter um estilo diferenciado e rimar mais do que cantar, Rah Digga afirmou que sempre se sentiu à vontade no meio do rap e não sofreu preconceitos por ser uma mulher entre uma grande maioria masculina.

“No começo os homens até se animavam em saber que tinha uma mulher rimando. Foxy (Brown) e (Lil) Kim estavam fazendo muito sucesso e eu cheguei num estilo bem diferente, era como se a MC Lite estivesse chegando de novo (risos). Estar no meio dos caras me ajudou, porque aumentou minha credibilidade – andar com o Busta Rhymes era sinal de que eu era diferente – então foi fácil para mim”.

Hoje, irritada com algumas coisas que acontecem no jogo do rap nos EUA, Rah Digga prefere divulgar sua música fora do país onde nasceu. “Eu acho que a música rap nos EUA é menos valorizada. Lá está todo mundo competindo, brigando, os Dj’s são corruptos, só tocam sua música se você os pagar. É tudo uma questão de afiliações”.

“Já aqui, um disco meu é muito mais esperado, mais valorizado. Nos EUA eu penso que eles não dão tanto valor ao artista underground. O negócio lá é Jay-Z, Lil Wayne, 50 Cent. E eu venho pra cá e me tratam como se eu fosse o próprio Jay-Z (risos). Então eu prefiro o exterior”. Perguntada se existe esperança de que as coisas melhorem, Digga afirmou: “Sempre há esperança. Eles dizem que tudo vai e volta, como um círculo. Eu ainda estou esperando, espero que não esteja aposentada quando esse dia chegar”.

Outro ponto que sempre chamou a atenção na rapper norte-americana é a forma como ela se apresenta nos shows e em seus videoclipes, com roupas muito elegantes e sensuais. Mesmo tendo bons contratos com gravadoras, Rah Digga também gosta de imprimir seu estilo nas roupas e dispensar algumas mordomias das ‘majors’.

“Eu adoro roupas. Quando eu trabalho com estilistas, eu sempre tento imprimir meu estilo também. As gravadoras gastam milhares de dólares comprando as roupas que eu deveria usar, mas eu acabo usando algumas coisas que eu mesmo comprei”.

“Então eu passei a pedir que as gravadoras me dessem o dinheiro para que eu comprasse sozinha. Eu acho que roupas de estilistas são boas para grandes eventos e temos que usar marcas específicas, como Gucci, Forum, essas coisas, mas ninguém pode dizer qual é o seu estilo melhor do que você mesmo. Eu acho que estilistas são fake, e eu não sou esse tipo de pessoa”.

Para o futuro, a cantora de New Jersey contou que está se dedicando a outras áreas e não pensa mais ‘só’ em rap. “Eu não pretendo gravar um álbum neste momento. Eu sou minha própria engenheira de som, então estou gravando algumas coisas o tempo todo. Mas agora, estou mais concentrada na área de edição de filmes, que é algo que gosto muito”.

“Eu não quero só fazer música e ser uma artista independente, eu quero editar filmes, gosto de fazer as trilhas sonoras de filmes, também quero colocar minhas músicas neles. Eu não posso fazer rap pra sempre. Ninguém está pensando no que vai fazer depois de encerrar a carreira e muita gente sofre com isso. Eles perdem dinheiro, raramente investem isso. Eu quero fazer algo que eu amo e continuar me divertindo”, disse.

Papelão

Por outro lado, sua conterrânea Kelis, ofereceu aos públicos paulista e carioca a pior performance do ano: chegou, pegou o cachê e simplesmente partiu. Com problemas no visto em São Paulo e a justificativa de que não se sentia segura o suficiente para se apresentar no Rio de Janeiro, a cantora foi embora deixando uma péssima impressão por aqui.

Pra piorar, o rapper Nas, que é namorado de Kelis, também veio ao Brasil acompanhando-a e, pelo visto, não foi forte o suficiente para encorajar a sua amada. “Shame on you, Nasir”. Sorte que, por ser o responsável pelo Illmatic, Nas ainda tem crédito pra dar umas duas dessas. Assim que tivermos mais notícias sobre o outro lado dessa história, informaremos aqui.

Produtora do show no Rio de Janeiro comenta o que aconteceu no caso ‘Kelis no Brasil’:

Matéria do Programa Leitura Dinâmica, da RedeTV!

No blog do MC Aori tem o vídeo com a reportagem da Rede Globo, que estava presente no momento da ‘fuga’ de Kelis.

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3 Respostas

  1. Huztla G

    P*rra…
    Mandaram muito mal…
    Pegar o cachê, f*da-se “AMERICA LATRINA” e ainda voltar pra casa com a grana…
    Medo do Rio?! Só pode ser caô… Porque num devolveu o dinheiro então?! E Nas ainda se cresceu pra cima do repórter [que ao contrário de Kelis tava trabalhando]…
    Muita comédia loko…
    Tem medo do Rio, não vem pro Rio, simples… Pelo menos ninguém aqui ia ter que ouvir esse caô!
    E ela não ia perder o crédito com seus fãs e de quebra manchar a imagem de um dos rappers americanos mais respeitado aqui no brasa…
    Deixa eu dá o play aqui no som do FUNDO DE QUINTAL que eu ganho mais…
    Paz a todos. Parabéns aos idealizadores do Per Raps! Muito bom o blog!

    PS.: Ainda não li a matéria da Rah Digga [tava procurando esse lance da Kelis], logo mais faço meu comentário [Rah é monstra!!]

    novembro 25, 2008 às 23:09

  2. eskarafoulbetika

    Rah Digga é demais! Concordo com ela quando diz que “ainda existe esperança”, a verdade é que existe espaço para todo mundo, mas alguns tem mais prioridade na mídia tradicional.
    Em tempos de internet não acho isso tão prejudicial, já que o acesso aos artistas mais “underground” aumentou consideravelmente em tempos de internet, youtube, myspace a afins.
    O show dela na praça da Sé mostrou o respeito que ela tem pelos fãs, seja lá de onde forem, e a apresentação no Manos e Minas, deixou claro que ela faz o que faz porquê gosta e não deixou isso subir à cabeça.
    Já a Kelis mostrou que está pouco se lichando para os fãs. Quer grana, fama e respeito, mesmo sem se dar ao respeito. Lamentável.

    p.s – Parabéns pelo blog! Visita o meu: http://eskarafoulbetika.wordpress.com/ , também é sobre música.

    Té mais!
    Paz

    novembro 25, 2008 às 23:49

  3. o blog de vcs ta foda, parabéns

    linkei vcs la no meu
    abraço

    novembro 26, 2008 às 01:14

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