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Presidente Barack Obama

Nessas eleições, Barack Obama representou a esperança personificada

Nessas eleições, Barack Obama representou a esperança personificada

A eleição do candidato Barack Obama representa um momento histórico, e momentos históricos devem ser pontuados. Caso você não tenha acompanhado todo esse processo, deve estar se perguntando: o que há de tão especial nisso tudo? Nós explicamos. O principal fator é a eleição de um homem negro em um país que tem sérios problemas com a questão racial. Agora vamos a um pouco de história, em linhas gerais.

Os norte-americanos possuem problemas ainda não resolvidas entre brancos e negros. Esse foi um país que optou pelo uso de trabalho escravo de negros trazidos da África no início de sua colonização. Em um segundo momento, houve um “racha” que fez com que o norte do país defendesse a abolição da escravatura e o sul, mais conservador até hoje, fosse contra. Movimentos de Direitos Civis e o Movimento Negro lutaram pela igualdade entre brancos e negros, representados principalmente pelos líderes Martin Luther King jr. e Malcolm X, além dos Panteras Negras.

Hoje, há uma maior inserção do negro na sociedade norte-americana, mas eles ainda são a maioria nos guetos, nas prisões e são ainda poucos nas universidades, por exemplo. Quem faz companhia na base das estatísticas para os afro-americanos são os latinos, que por sua vez, majoritariamente vêm do México.

Uma das formas encontradas para o negro participar de forma mais “ativa” da sociedade dos EUA foi por meio do esporte e da música. Jovens com talento para o esporte recebem bolsas de estudo e outros com talento para a música, desenvolvem seu potencial nessa “indústria”.

Voltando a Barack Obama, ele possui outros fatores que apontam um suposto maior respeito às diferenças por parte dos americanos. O pai dele é queniano e sua mãe, norte-americana. Obama nasceu no Havaí, que faz parte dos EUA, e sofreu questionamentos a respeito de seu patriotismo e do quanto ele era realmente “americano”.

Isso ocorreu, principalmente, pois o povo de lá costuma ser bem patriota, principalmente pela forma como o país foi construído, pelas guerras que passou (internas e externas) e pelo que representa hoje para o mundo. Mas o hoje presidente dos Estados Unidos se mostrou mais do que isso e superou as polêmicas.

Barack Obama personifica a esperança, e ela foi inclusive um dos lemas de sua campanha, representada pela mudança, pelo novo. Nos EUA, há dois grandes partidos que disputam as eleições: o partido democrata, mais liberal e o republicano, conservador. Obama é democrata, e se remete a um ar já “respirado” antes na América, representado por JFK, ou John Fitzgerald Kennedy.

Ele foi um presidente carismático e com o dom da oratória, assim como Barack Obama, e desempenhou um importante papel político para seu país. No entanto, foi assassinado quando planejava sua reeleição, em um dos casos mais conhecidos da história e que nunca teve uma conclusão aceitável e satisfatória.

Outros fatores permeiam essas eleições. Nos EUA, o voto não é obrigatório, mas a presença nas urnas dessa vez foi histórica; a maior em 100 anos. O que explica isso é a vontade dos norte-americanos de ver mudanças em seu país, principalmente pelo rumo que a política de lá seguia.

George W. Bush, o até então presidente, republicano e responsável por uma das administrações mais atrapalhadas de todos os tempos, acabou ajudando Obama e atrapalhou seu colega de partido, John McCain. É preciso registrar aqui também que o apoio de Barack Obama é maior do que a fronteira de seu país; grande parte do mundo o apóia. Em um discurso feito em Berlin durante a corrida presidencial, Obama discursou para aproximadamente 200 mil pessoas.

É fato que hoje Obama representa sinônimo de mudança, mas é preciso se notar alguns pontos. Apesar dessa vontade, ele ainda terá que atender às demandas norte-americanas. A política econômica deve ter novos rumos, porém não será absurdamente diferente do que é. Os apoiadores do hoje presidente vêm da região do Vale do Silício, localizado próximo a Califórnia e responsável pelo desenvolvimento de tecnologia e da ciência. Obama deverá também atender as demandas desses investidores. (Já disse Nas: politics, politricks!)

Mesmo assim, ele ainda representa mudança para o mundo. É bem provável que demonstre muito mais sensibilidade em relação a questões voltadas à crise mundial, aos problemas internos dos norte-americanos, ao petróleo e Oriente Médio, a imigração etc. Seus dois primeiros anos terão esse tipo de turbulência a se enfrentar, mas apesar de ser cobrado, provavelmente terá uma certa tolerância devido ao entendimento de que a administração de George W. Bush “afundou” o país e causou sérios danos ao mundo.

Essa campanha contou com a adesão e participação de muitos artistas e músicos. Um dos mais entusiasmados, o rapper Will.I.Am, já declarou que lançará uma música intitulada “It’s a New Day” (É um novo dia), em homenagem a vitória de Obama.

Nas também prometeu uma outra faixa para retratar o momento histórico, chamada de “Election Night” (Noite da Eleição) e prometeu estar presente no dia da posse do novo presidente, em janeiro de 2009. Em relação ao mundo, esse agradece a eleição de Barack Obama e espera um “rumo” mais interessante do que aquele que já foi oferecido um dia.

Ps.: Abaixo, republicamos a fita* com sons de músicos que apoiaram Barack Obama nessa campanha. Adicionamos mais algumas. Enjoy!

1. Barack Obama & Friends – Yes, We Can
2. Nas – Black President (prod Dj Green Lantern)
http://raps.podomatic.com/enclosure/2009-01-14T16_22_29-08_00.mp3″
3. Jay Z – Lick a shot for Obama
4. Kidz in The Hall – Work To Do (Obama 08′)
http://thetapeisnotsticky.com/uploads/2008/11/work-to-do-obama-08.mp3″
5. Ludacris – Obama is Here
6. Daft Punk (vs Adam Freeland) – Aer Obama
7. Dj Green Lantern – We need Obama

*O site provedor da mixtape está fora do ar no momento.

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4 Respostas

  1. Thomaz Molina

    Concordo plenamente com o texto. Apenas acho que o entendimento de que administração Bush foi uma porcaria não vai aliviar em nada o lado do Obama se as coisas não melhorarem a curto prazo. Ele é meio que um D. Sebastião norte-americano e será muito cobrado pela população e, principalmente, pela oposição, que vai fazer questão de não lembrar que foram os próprios republicanos que afundaram o país.

    novembro 6, 2008 às 08:28

  2. Olá, Eduardo e Daniel. Achei muito legal o texto de vocês e publiquei uma chamada no Portal Bocada Forte. Confiram:
    http://bocadaforte.uol.com.br/site/?url=noticias_detalhes.php&id=432

    PAZ!

    novembro 7, 2008 às 17:56

  3. Belo texto Ribas, tamos juntos… aquele nosso papo fechamos em breve.

    Abs!

    novembro 7, 2008 às 17:59

  4. A. Rosa

    Eduardo,

    Texto bem elucidativo e, diria até didático.

    Acho importante quando se trata de política, pois, muitos acham o tema chato devido aos complexos textos publicados sobre o assunto.

    Mandou bem. Parabéns.

    Curti saber quais são as canções para o novo “salvador da pátria”. Só não sei até que ponto a esperança Obama poderá mudar o rumo das políticas internacionais. Tenho a impressão que o tempo da hegemonia norte-americana está chegando ao fim.

    Abs.

    novembro 14, 2008 às 11:29

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